Comércio

Frete no e-commerce brasileiro se torna decisivo e muda estratégia das lojas online

O frete no e-commerce passou de item operacional a fator determinante na decisão de compra do consumidor brasileiro. Em um cenário de alta concorrência entre marketplaces, aplicativos e redes sociais, a disposição para pagar mais pela entrega é cada vez menor — mesmo que isso signifique esperar mais tempo pelo produto.

Consumidor prefere esperar a pagar mais pela entrega

Dados da pesquisa “Consumo Multicanal — 2025”, da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, em parceria com a Offerwise, mostram que 51% dos consumidores nunca aceitam pagar mais para receber pedidos com maior rapidez. Outros 37% pagam apenas em situações específicas, enquanto apenas 12% estão dispostos a arcar com custo adicional pela agilidade.

O recado do consumidor é direto: prazo maior é aceitável, cobrança extra não.

Frete grátis lidera critérios de escolha

A importância do frete grátis ganhou ainda mais força com a consolidação do comércio eletrônico e a entrada agressiva de plataformas internacionais, como Shopee e Shein. Ao oferecer entregas gratuitas ou de custo muito baixo, inclusive em compras internacionais, essas empresas redefiniram a percepção de valor do consumidor brasileiro.

Segundo o levantamento, 56% dos entrevistados apontam o frete grátis como o principal fator de decisão, superando preço do produto, formas de pagamento e até a confiança na marca. Mesmo quando o valor final da compra pouco se altera, o custo da entrega é percebido como um gasto indesejado.

Desafio financeiro para o varejo nacional

Para o varejo brasileiro, absorver o custo do frete representa um dos maiores desafios atuais. Margens já pressionadas dificultam a oferta de entrega gratuita, especialmente para pequenos e médios lojistas. Em contrapartida, não oferecer essa opção aumenta o risco de perda da venda ainda no carrinho.

A pesquisa revela que 57% dos consumidores abandonaram compras online nos últimos três meses. Parte relevante dessas desistências está relacionada a custos inesperados de frete e impostos, evidenciando que a falta de transparência pesa tanto quanto o valor cobrado.

Empresas que informam claramente o custo da entrega desde o início da jornada — ou eliminam a cobrança — tendem a registrar maiores taxas de conversão.

Entrega rápida é valorizada, mas com limites

A busca por entrega rápida segue em alta, com consumidores valorizando rastreamento em tempo real e prazos reduzidos, inclusive no mesmo dia. Ainda assim, a expectativa predominante é de que esses serviços estejam embutidos no preço final, seguindo o padrão estabelecido por grandes marketplaces.

Para equilibrar custo e competitividade, o setor tem adotado estratégias como pontos de retirada, entregas ultralocalizadas, parcerias logísticas, campanhas sazonais de frete grátis, programas de assinatura e valores mínimos de compra para isenção da taxa.

O frete no e-commerce deixou de ser um detalhe e passou a definir a escolha — ou a rejeição — de uma loja virtual. O consumidor aceita esperar, mas exige previsibilidade e não tolera pagar além do que considera justo. Para o varejo, adaptar a logística deixou de ser opção e virou condição de sobrevivência.

FONTE: Agora RN
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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