Informação

Protesto em Presidente Franco reacende debate sobre abertura da Ponte da Integração

A abertura parcial da Ponte da Integração voltou ao centro do debate na fronteira entre Brasil e Paraguai. Moradores de Presidente Franco realizaram uma manifestação para contestar a liberação do tráfego internacional antes da conclusão das obras de acesso em território paraguaio.

O protesto ocorreu na rotatória do bairro Tres Fronteras, nas proximidades da ponte, e contou com o apoio de entidades da sociedade civil organizada, que cobram mudanças imediatas no modelo atual de operação da estrutura.

Operação restrita já gera impactos urbanos

Desde 20 de dezembro, a ponte funciona de forma limitada, com autorização apenas para caminhões vazios e exclusivamente no período noturno. Mesmo com a restrição, moradores afirmam que a circulação já provoca efeitos negativos na mobilidade urbana, na segurança viária e na rotina da cidade.

Segundo lideranças locais, o tráfego de veículos pesados em áreas urbanas tem ampliado congestionamentos e aumentado os riscos de acidentes, especialmente em horários de maior movimento.

Falta de infraestrutura é principal crítica

O principal ponto de contestação é a ausência de infraestrutura viária adequada para absorver o fluxo de caminhões. O projeto original prevê que o acesso à Ponte da Integração ocorra pelo Corredor Metropolitano del Este, uma via perimetral com mais de 30 quilômetros, planejada justamente para desviar o tráfego do centro urbano.

No entanto, as obras do corredor têm previsão de conclusão apenas em 2027, o que obriga o uso de rotas alternativas que atravessam o centro de Presidente Franco.

Filas e espera prolongada agravam cenário

A situação é agravada pelas filas do lado paraguaio. Caminhoneiros brasileiros chegam a aguardar até cinco dias para cruzar a fronteira, conforme denúncia do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Foz do Iguaçu e Região, repercutida recentemente pelo GDia. A travessia segue autorizada apenas entre 19h e 7h do dia seguinte.

Alertas técnicos ignorados, dizem lideranças

Entre as entidades que participaram da mobilização está o Conselho de Desenvolvimento de Presidente Franco (Codefran). Em entrevista ao jornal ABC Color, o engenheiro e integrante do conselho Rogelio Rodríguez afirmou que os problemas foram previstos com antecedência.

Segundo ele, alertas técnicos vêm sendo feitos há mais de dois anos, mas não foram considerados. Para Rodríguez, a liberação da passagem ocorreu por pressão política, sem a devida avaliação dos impactos urbanos, o que teria levado ao atual cenário de sobrecarga viária.

Divergência regional sobre o futuro da ponte

O posicionamento das lideranças de Presidente Franco contrasta com o de setores empresariais da região. Na semana passada, a Câmara de Comércio e Serviços de Ciudad del Este defendeu a abertura total da Ponte da Integração, ampliando as divergências entre os municípios fronteiriços.

Conclusão do corredor é vista como solução definitiva

Para moradores e representantes locais, a solução estrutural passa necessariamente pela conclusão do Corredor Metropolitano del Este. O trecho mais atrasado da obra é a nova ponte sobre o Rio Monday, que apresenta cerca de 30% de execução.

Até que o acesso definitivo esteja concluído, a população de Presidente Franco afirma que continuará pressionando as autoridades pelo fechamento da Ponte da Integração ou pela revisão do modelo atual de operação.

FONTE: H2Foz
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Marcos Labanca/H2FOZ

Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook