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Crise no volante: Brasil enfrenta escassez histórica de caminhoneiros e risco de colapso logístico 

O setor de transporte de cargas, responsável por manter o Brasil em movimento, acende um alerta vermelho. Só em Santa Catarina, aproximadamente 8 mil caminhões estão parados por falta de motoristas, número que representa um prejuízo mensal estimado em R$ 30 milhões para as transportadoras. O cenário — já considerado crítico — ameaça gerar um efeito dominó sobre toda a cadeia logística brasileira. O assunto é pauta dos principais veículos de comunicação do país.  

De acordo com o SBT Brasil, o Brasil depende das estradas para 65% de toda a circulação de cargas, e a escassez de motoristas já levanta a possibilidade de um colapso no abastecimento. Já dados da Secretaria Nacional de Trânsito confirmam um declínio acentuado da categoria: o número de pessoas habilitadas para conduzir caminhões caiu 62,89% na última década, e apenas 4% têm menos de 30 anos, evidenciando o envelhecimento e o desinteresse dos jovens pela profissão. 

Insegurança nas estradas afasta veteranos e desmotiva novos profissionais 

A instabilidade nas rodovias é o fator mais citado por quem evita — ou abandona — a profissão. Segundo Lorisvaldo Piuco, presidente do SETRANSC (Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Sul de Santa Catarina), os motoristas convivem diariamente com risco de roubo de cargas, acidentes provocados por má infraestrutura e a falta de pontos de apoio adequados. “A insegurança nas estradas é tão grande que os pais não querem que os filhos sigam a profissão”, afirma Piuco em entrevista ao portal ND+.  

Jovens preferem tecnologia ao transporte de cargas 

Mesmo com caminhões mais modernos e processos automatizados, o setor vem perdendo espaço para profissões ligadas à tecnologia. Piuco confirma a tendência: “Os jovens têm preferido áreas de TI e carreiras digitais”. 

Esse movimento é um problema grave para a renovação da mão de obra — e coincide com outro fator decisivo: o retorno financeiro abaixo do esperado, especialmente no segmento de carga fracionada. Para Piuco, a desvalorização impede que o transporte seja competitivo na atração de novos talentos. 

Valorização e qualificação surgem como única saída, mas o desafio é grande 

Para enfrentar o déficit de motoristas, empresas têm investido em programas de capacitação profissional e retenção de talentos, conforme reportado pelo SBT Brasil. No entanto, o gap continua elevado: 93% das transportadoras relatam dificuldade para contratar novos motoristas

De acordo com a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos68% dos caminhoneiros afirmam que o piso mínimo do frete raramente é respeitado, o que desmotiva os profissionais experientes e desencoraja novatos. 

No âmbito estadual, o tema vem sendo debatido dentro do Sistema Fetranscesc, que reúne sindicatos de 13 cidades catarinenses. Piuco argumenta que a solução passa pela valorização salarial. “A necessidade de motoristas é enorme. Só em Santa Catarina, entre 7 e 8 mil caminhões estão parados por falta de profissionais. É inadmissível chegar a 2025 com essa realidade. Temos uma missão árdua pela frente”, destaca. 

Uma década de queda acentuada na categoria 

Reforçando a gravidade da crise, uma reportagem do UOL revela que o Brasil perdeu 1,2 milhão de motoristas profissionais em 10 anos — uma redução de 22% no número de habilitados das categorias C e E. O estudo da consultoria Ilos aponta como principal causa o surgimento de novas formas de renda e a desvalorização crescente do setor. 

A escassez de caminhoneiros deixou de ser uma previsão e já é uma realidade que provoca prejuízos e ameaça toda a cadeia logística. Sem investimento em infraestrutura rodoviária, segurança, remuneração e formação profissional, o país corre o risco de ver sua engrenagem logística girar mais lentamente — ou parar. 

FONTES: ND ON LINE / UOL / SBT BRASIL 

TEXTO: REDAÇÃO 

IMAGEM: ILUSTRATIVA / FREEPIK 

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