Internacional

China intensifica bloqueio de VPNs e amplia restrições à internet estrangeira

O acesso a sites e aplicativos estrangeiros ficou ainda mais difícil na China após uma nova ofensiva do governo contra serviços de VPN (Virtual Private Network). Durante o mês de abril, usuários relataram falhas constantes, instabilidade e até interrupção total de plataformas usadas para contornar as restrições da internet chinesa.

Um dos casos mais comentados foi o encerramento das atividades do serviço Let’s VPN no país, anunciado em 28 de abril.

Inteligência artificial teria identificado servidores de VPN

Segundo veículos especializados em tecnologia e jornais chineses voltados ao ambiente digital do país, o chamado “apagão” dos VPNs estaria ligado ao uso de inteligência artificial para localizar servidores utilizados por esses serviços dentro do território chinês.

Após a identificação, os equipamentos teriam sido desligados pelas autoridades.

O China Digital Times publicou documentos que apontam para uma operação coordenada do governo chinês contra servidores ligados ao acesso internacional.

Um dos textos divulgados menciona orientações da Shaanxi Telecom, subsidiária da China Telecom na província de Shaanxi, determinando inspeções para bloquear conexões com sites fora da China continental.

Governo ordena bloqueio total de tráfego internacional

Trechos do documento revelam uma orientação rígida para impedir qualquer tráfego direcionado ao exterior, incluindo conexões com Hong Kong, Macau e Taiwan.

As diretrizes também proíbem a hospedagem de serviços relacionados à evasão do firewall chinês, como VPNs e proxies.

Além disso, usuários foram orientados a realizar inspeções em sistemas que apresentem tráfego considerado suspeito, incluindo atividades de tunelamento e retransmissão de dados.

Uso de VPN é proibido para a maioria da população

Na China, o uso de VPNs é ilegal para grande parte da população. Apenas órgãos públicos, instituições de pesquisa e setores estratégicos podem operar redes autorizadas pelo governo.

Empresas estatais e integrantes do governo possuem permissão para utilizar plataformas estrangeiras. A agência Xinhua, por exemplo, mantém presença em redes sociais ocidentais como X e Instagram.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ning, também utiliza redes sociais bloqueadas para cidadãos comuns.

No país, plataformas como X, Instagram, Facebook, Google e diversos sites internacionais permanecem inacessíveis sem ferramentas de contorno digital.

“Grande Desconectar” mobilizou usuários chineses

Mesmo proibidos, os serviços de VPN são amplamente utilizados por jovens, estrangeiros e profissionais ligados ao setor privado.

Nas redes sociais, o episódio ganhou o apelido de “The Great Unplug” (“O Grande Desconectar”), em referência à queda simultânea de diversos aplicativos.

Segundo especialistas, os serviços que continuaram funcionando foram aqueles sem servidores físicos dentro da China, operando por conexão direta entre dispositivos locais e servidores hospedados no exterior.

Bancos chineses passaram a alertar clientes sobre VPNs

Outra mudança recente envolve aplicativos bancários chineses, que passaram a exibir notificações alertando usuários sobre possíveis riscos de segurança relacionados ao uso de VPNs.

As mensagens afirmam que conexões externas podem aumentar o risco de vazamento de dados financeiros.

O que é o Grande Firewall da China

Conhecido internacionalmente como Great Firewall of China (GFW), o sistema reúne leis, tecnologias e mecanismos de monitoramento criados para controlar o acesso à internet no país.

O projeto foi iniciado em 1998 pelo Ministério da Segurança Pública chinês e se tornou uma das maiores estruturas de censura digital do mundo.

Além de bloquear endereços IP específicos, o sistema manipula solicitações de DNS para impedir que usuários encontrem sites considerados proibidos pelas autoridades chinesas.

Controle digital vai além das plataformas

O modelo chinês atua diretamente na infraestrutura da internet, permitindo bloqueios em larga escala. Isso faz com que não apenas conteúdos considerados ilegais sejam restringidos, mas também plataformas inteiras hospedadas fora da China.

Serviços populares internacionais, incluindo aplicativos de música e podcasts como o Spotify, permanecem indisponíveis no país.

Com o avanço tecnológico e o uso crescente de ferramentas automatizadas, especialistas apontam que o sistema chinês tem se tornado cada vez mais eficiente na identificação e bloqueio de métodos usados para driblar as restrições digitais.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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