Tecnologia

Taiwan ultrapassa China no MSCI Emerging Markets e acende alerta sobre concentração em tecnologia

Pela primeira vez desde 2007, a China perdeu a liderança em participação no MSCI Emerging Markets, principal índice global de mercados emergentes. Impulsionada pelo avanço do setor de semicondutores e pela corrida global em torno da inteligência artificial (IA), Taiwan passou a ocupar a maior fatia do indicador.

O movimento, no entanto, aumentou a preocupação de investidores internacionais com a elevada concentração de poucas empresas de tecnologia dentro dos portfólios de mercados emergentes.

TSMC impulsiona avanço de Taiwan no índice

Atualmente, Taiwan representa 24,8% do MSCI Emerging Markets, enquanto a China possui participação de 23%.

Grande parte dessa mudança é explicada pelo desempenho da TSMC (Taiwan Semiconductor Manufacturing Company), considerada a maior fabricante de semicondutores do mundo. Sozinha, a companhia já corresponde a 14,21% de todo o índice.

A forte valorização das ações da empresa ocorreu em meio à expansão global da demanda por chips voltados à inteligência artificial.

Coreia do Sul também ganha espaço com empresas de chips

A Coreia do Sul aparece logo atrás, com 18,7% de participação no MSCI EM, e pode ultrapassar a China nos próximos meses, segundo analistas do mercado financeiro.

Assim como em Taiwan, o avanço sul-coreano é puxado principalmente por empresas ligadas ao setor de tecnologia e semicondutores, como Samsung e SK Hynix.

As duas companhias somam quase 58% do MSCI Korea, enquanto a TSMC representa mais de 57% do MSCI Taiwan, evidenciando a forte concentração dos índices em poucas ações.

Investidores alertam para riscos de concentração

Especialistas avaliam que a atual composição dos mercados emergentes vem mudando rapidamente com o crescimento da indústria de tecnologia.

O chefe de pesquisa estratégica da Schroders, Duncan Lamont, destacou que a liderança de Taiwan no índice chama atenção pelo tamanho relativamente pequeno da economia local em comparação com a China.

Segundo ele, a posição central da TSMC na cadeia global de semicondutores e inteligência artificial vem transformando a estrutura dos mercados acionários emergentes.

Lamont também apontou que a concentração elevada reforça a importância da gestão ativa para investidores que buscam equilibrar riscos em suas carteiras.

Mercados emergentes ampliam presença em tecnologia

Na avaliação do Wells Fargo Investment Institute, os mercados emergentes deixaram de depender exclusivamente de commodities e manufatura de baixo custo.

Muitos países passaram a ganhar relevância em setores tecnológicos competitivos globalmente, especialmente nas áreas relacionadas à inteligência artificial, serviços digitais e eletrônicos.

Com isso, Taiwan e Coreia do Sul já representam juntos mais de 40% do MSCI Emerging Markets Index.

Brasil pode atrair mais investidores estrangeiros

O Brasil também vem sendo beneficiado indiretamente pelo fluxo global de recursos destinados aos mercados emergentes.

Após o último rebalanceamento do índice, o país passou a representar 4,67% do MSCI EM.

Segundo André Mazini, chefe de análise do Citi para a América Latina, o mercado brasileiro acumula cerca de R$ 69 bilhões em entradas de capital estrangeiro em ações neste ano, acima dos R$ 26 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior.

O executivo avalia que, além do fluxo passivo, investidores ativos podem ampliar a exposição ao Brasil à medida que o peso do país no índice se aproxima de 5%, patamar considerado relevante por fundos globais especializados em mercados emergentes.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: An Rong Xu/Bloomberg

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TSMC anuncia investimento de US$ 100 bi para construir 5 fábricas nos EUA

Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC) anunciou nesta segunda-feira (3) um novo investimento de US$ 100 bilhões para expandir sua presença nos Estados Unidos.

O plano, revelado durante encontro entre o CEO da companhia, C.C. Wei, e o presidente Donald Trump na Casa Branca prevê a construção de três novas fábricas de chips, duas instalações de empacotamento avançado e um grande centro de pesquisa e desenvolvimento.

O novo aporte eleva para US$ 165 bilhões o total de investimentos planejados pela TSMC nos EUA, consolidando-se como o maior investimento estrangeiro direto da história país. A expansão acontece em um momento crucial, quando a administração Trump intensifica as pressões sobre produtos asiáticos com ameaças de tarifas de até 100% sobre semicondutores feitos em Taiwan.

O anúncio ocorre em um momento de crescentes tensões comerciais entre os EUA e a China. “Precisamos ser capazes de construir os chips e semicondutores de que necessitamos aqui mesmo. É uma questão de segurança nacional para nós”, declarou Trump durante o anúncio do investimento. A fala do presidente estadunidense também evidencia a crescente preocupação de Washington com a dependência de chips produzidos na Ásia, especialmente diante das tensões geopolíticas envolvendo China e Taiwan.

Motivações por trás do investimento bilionário

Um dos principais fatores que motivaram o investimento bilionário da TSMC nos Estados Unidos é a possibilidade de evitar as altas tarifas impostas pela administração Trump sobre produtos asiáticos. Durante o anúncio na Casa Branca, o próprio presidente dos EUA destacou que a medida permitiria à TSMC “evitar tarifas de 25% ou mais sobre chips fabricados em Taiwan”.

 O secretário de Comércio, Howard Lutnick, reforçou essa visão, afirmando que empresas como a TSMC “estão vindo para cá em grande escala porque querem estar no maior mercado do mundo e querem evitar as tarifas”. Essa estratégia não apenas protege a TSMC de possíveis barreiras comerciais, mas também fortalece sua presença no lucrativo mercado estadunidense de semicondutores.

Outro aspecto crucial desse investimento é a capacidade de atender à crescente demanda por chips avançados diretamente em solo americano. Com a expansão, a TSMC planeja começar a produzir chips de inteligência artificial e para smartphones em suas instalações no Arizona, reduzindo a dependência dos Estados Unidos da importação desses componentes críticos.

O CEO da TSMC, C.C. Wei, enfatizou que a expansão foi apoiada por clientes estadunidenses importantes, como Apple, Nvidia, AMD, Qualcomm e Broadcom. Isso demonstra o alinhamento da companhia com as necessidades da indústria de tecnologia dos EUA e seu compromisso em fortalecer a cadeia de suprimentos local.

Impacto econômico e criação de empregos

O investimento da TSMC promete um impacto econômico significativo para os Estados Unidos, especialmente para o estado do Arizona. A empresa projeta que a expansão será responsável por mais de US$ 200 bilhões em produção econômica indireta no país na próxima década.

Esse impulso econômico não se limita apenas à indústria de semicondutores e também deve beneficiar diversos setores relacionados, como construção civil, logística e serviços de apoio. A injeção de capital também pode atrair investimentos adicionais de empresas que fazem parte da cadeia de suprimentos da TSMC.

Geração de empregos de alta qualificação

De acordo com a TSMC, o novo investimento deve gerar 40 mil empregos na construção ao longo dos próximos quatro anos, além de milhares de postos de trabalho permanentes de alta remuneração e alta tecnologia em manufatura avançada de chips e pesquisa e desenvolvimento.

Esses novos postos de trabalho vão contribuir para reduzir o desemprego na região e a fortalecer a base de talentos em tecnologia avançada nos Estados Unidos. Isso pode ter um efeito cascata positivo, atraindo mais empresas de alta tecnologia para a região e estimulando o desenvolvimento de um ecossistema de inovação.

“Com o sucesso de nossa primeira fábrica no Arizona, junto com o apoio governamental necessário e parcerias sólidas com clientes, pretendemos expandir nosso investimento em manufatura de semicondutores nos EUA”, afirmou C.C. Wei.

Cronograma e desafios

Embora a TSMC não tenha divulgado um cronograma detalhado para as novas instalações, sabe-se que sua segunda fábrica no Arizona, atualmente em construção, deve iniciar a produção em 2028 utilizando processos de 2 nanômetros — a tecnologia mais avançada da companhia até o momento.

A expectativa é que a implementação do novo investimento seja gradual, com as diferentes instalações entrando em operação ao longo dos próximos anos. Esse é um processo que deve enfrentar grandes desafios, incluindo a necessidade de mão de obra altamente especializada e tecnologias complexas.

Além disso, a empresa terá que equilibrar suas operações nos EUA com seus compromissos em Taiwan, onde ainda mantém suas instalações mais avançadas. Isso pode exigir uma gestão cuidadosa de recursos e conhecimentos entre os diferentes locais de produção.

Com investimentos de US$ 165 bilhões nos EUA, TSMC quer fugir da taxação da administração Trump e seguir como principal fornecedora de semicondutores do mundo (Foto: Reprodução/TSMC)
Com investimentos de US$ 165 bilhões nos EUA, TSMC quer fugir da taxação da administração Trump e seguir como principal fornecedora de semicondutores do mundo (Foto: Reprodução/TSMC)

Posicionamento de Taiwan

O anúncio do investimento maciço da TSMC nos Estados Unidos gerou reações imediatas do governo de Taiwan. O Ministro de Assuntos Econômicos, J. W. Kuo, afirmou que o governo realizará uma revisão minuciosa dos planos de investimento para garantir o desenvolvimento da empresa e da indústria de semicondutores de Taiwan.

Há muito tempo Taiwan tem sido o centro mundial de produção de chips avançados e há preocupações de que um deslocamento significativo de capacidade para os EUA possa afetar essa posição. Por isso, a porta-voz do Gabinete Presidencial de Taiwan, Karen Kuo, enfatizou que o governo “garantirá que os processos mais avançados permaneçam em Taiwan”.

Apesar disso, tudo indica que o governo taiwanês está adotando uma abordagem pragmática, reconhecendo a necessidade de a TSMC expandir globalmente enquanto busca garantir que Taiwan continue ocupando a posição de liderança.

FONTE: Canaltech
TSMC anuncia investimento de US$ 100 bi para construir 5 fábricas nos EUA – Canaltech

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Trump anuncia US$ 100 bi da TSMC para produção de chips nos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republicano), anunciou nesta 2ª feira (3.mar.2025) que a multinacional taiwanesa TSMC (Taiwan Semiconductor Manufacturing Company) vai investir US$ 100 bilhões para fabricar chips em solo norte-americano.

“Os chips mais poderosos do mundo serão produzidos aqui nos EUA […]. Como todos sabem, Taiwan domina esse mercado. Este é um movimento enorme por parte da empresa mais poderosa do mundo“, afirmou Trump, acompanhado pelo CEO da TSMC, C.C. Wei.

De acordo com Trump, o investimento é uma questão de “segurança econômica e nacional” para os EUA.

A TSMC já comprometeu US$ 65 bilhões para a construção de 3 fábricas no Arizona. O novo aporte visa fortalecer a parceria para impulsionar o crescimento do setor de semicondutores.

O anúncio se dá num contexto em que Trump tenta mostrar à população que está empenhado no fortalecimento da indústria. Na semana passada, a Apple anunciou que gastaria mais de US$ 500 bilhões nos EUA no período de quatro anos.

Fonte: Poder 360
Trump anuncia US$ 100 bi da TSMC para produção de chips nos EUA

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