Comércio Exterior

Sim, o café da manhã está mais caro

Nos últimos 12 meses, o preço do café registrou um aumento de quase 21%, reflexo direto das tarifas impostas pelo ex-presidente Donald Trump ao Brasil e ao Vietnã.

Até recentemente, os consumidores estavam relativamente protegidos dos impactos das tarifas, já que muitas empresas preferiram arcar com os custos extras de importação em vez de repassá-los ao público. Agora, porém, o efeito começa a ser sentido diariamente, no valor de uma simples xícara de café.

Segundo dados divulgados pelo Bureau of Labor Statistics, por meio do Índice de Preços ao Consumidor, os valores do café subiram 20,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, a maior alta desde os anos 1990. Apenas em agosto, a elevação foi de 3,6%.

O movimento já era esperado. Desde que a tarifa geral de 10% sobre grãos de café verde entrou em vigor, as empresas do setor vêm enfrentando custos crescentes. O tamanho do aumento, entretanto, mostra como as taxas sobre países como Brasil e Vietnã ficaram pesadas dentro da política comercial instável de Trump.

Mesmo antes dessas tarifas mais duras, problemas no fornecimento global já pressionavam os preços, principalmente devido a secas em importantes produtores, como Brasil e Vietnã. Algumas empresas já haviam reajustado seus valores para compensar o encarecimento do café no mercado internacional.

No início, muitas companhias ainda tentaram segurar os preços, absorvendo o impacto das taxas adicionais, incluindo a alíquota de 10% aplicada aos parceiros comerciais dos EUA em abril.
Contudo, com tarifas ainda mais altas já em vigor — 50% sobre importações brasileiras, 20% sobre as vietnamitas e 19% sobre as da Indonésia —, torrefações e cafeterias acabaram sem margem para manter os preços estáveis.

Um exemplo é a Corvo Coffee, em Nova York, que anunciou recentemente um reajuste. Em comunicado aos clientes, explicou que a decisão foi motivada pelo “aumento dos custos e das tarifas”.
“Seguramos essa mudança pelo maior tempo que conseguimos”, informou a empresa. “Mas, para seguir garantindo qualidade e consistência, o ajuste se tornou inevitável.”

Na prática, o valor de um café coado simples passou de US$ 2,50 para US$ 3,75.

Fonte de informações: The New York Times

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Exportação

Exportações de manga e uva crescem, mas produtores do Vale seguem atentos ao mercado norte-americano após tarifaço de Trump

As exportações brasileiras de manga e uva registraram desempenho positivo em agosto de 2025, reforçando o protagonismo do Vale do São Francisco como principal polo produtor e exportador de frutas do país. No entanto, mesmo com os números em alta, os produtores locais seguem atentos ao cenário internacional, em especial ao mercado dos Estados Unidos, que ainda carrega os efeitos do chamado “tarifaço de Trump”, medida que elevou tarifas de importação para até 50% durante a gestão do ex-presidente norte-americano.

De acordo com dados do Comexstat (MDIC), o Brasil exportou em agosto 19,7 mil toneladas de manga, acima da média histórica de 14,9 mil toneladas. No acumulado de janeiro a agosto, foram embarcadas 131,7 mil toneladas, crescimento de 18,3% em relação ao mesmo período de 2024. O destaque foi o mercado norte-americano, que recebeu 2,92 mil toneladas no mês — quase o dobro das 1,52 mil toneladas enviadas em agosto de 2024, um avanço de 92,4%.

Essa recuperação é especialmente simbólica porque as frutas brasileiras enfrentaram um cenário de incerteza nos Estados Unidos. Durante o governo Trump, a imposição de tarifas mais altas sobre produtos agrícolas de diferentes países, inclusive do Brasil, acendeu o alerta entre exportadores do Vale. A medida foi vista como protecionista, já que concorrentes como o México continuaram a ter entrada facilitada, enquanto a manga brasileira passou a enfrentar custos adicionais para chegar às prateleiras norte-americanas.

Apesar das dificuldades, a manga brasileira conseguiu preservar espaço pela qualidade e pela regularidade de entrega, especialmente em variedades como a Tommy Atkins, que encontra boa aceitação no mercado dos EUA. Ainda assim, entidades como a Abrafrutas e a Valexport reforçaram, ao longo dos últimos anos, a necessidade de ampliar o diálogo político e diversificar destinos de exportação para reduzir riscos. Em 2025, Holanda (52,2%), Espanha (23,27%) e Portugal (7,09%) seguem como os maiores compradores, enquanto países vizinhos como Argentina (2,36%) e Chile (2,11%) aparecem em crescimento.

No caso da uva, os embarques também superaram expectativas. Em agosto, foram exportadas 847 toneladas, número superior à média histórica (584 t) e maior do que nos dois anos anteriores. No acumulado de 2025, o Brasil já exportou 12,4 mil toneladas, quase o dobro em relação a 2024. Em valores, os embarques somaram US$ 31,5 milhões de janeiro a agosto, alta de 73% frente ao mesmo período do ano passado.

Os principais destinos da fruta foram Holanda (29,33%), Argentina (26,08%), Reino Unido (24,24%) e Estados Unidos (13,49%). A predominância da via marítima nos embarques (69,56%) reforça a importância da logística portuária, especialmente em Fortaleza e Salvador, pontos de saída do Vale.

Com a taxa de câmbio projetada em R$ 5,57 por dólar até o fim do ano, o setor enxerga oportunidade para ampliar a competitividade internacional. No entanto, o histórico recente do tarifaço nos EUA mostra que a política comercial norte-americana pode mudar rapidamente o cenário para os produtores. (Com informações da Embrapa Semiárido)

Fonte: Blog Nossa Voz

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Comércio Exterior

Em impasse tarifário com Trump, China boicota soja americana

Os agricultores americanos precisam vender sua safra, e a China precisa comprá-la caso sua principal alternativa, o Brasil, sofra com enchentes ou secas; mas a guerra comercial entre os dois países impede um acordo

China possui metais de terras raras. Os Estados Unidos e o Brasil possuem soja.

Apesar de todo o domínio que a China exerce sobre as cadeias de abastecimento globais, ela depende enormemente da soja proveniente de outras partes do mundo. A China importa três quintos de toda a soja comercializada nos mercados internacionais. Agora, com a China e os Estados Unidos em um impasse tenso sobre tarifas, a soja surgiu como uma disputa central entre os parceiros comerciais.

A China vem boicotando as compras de soja dos EUA desde o final de maio para mostrar seu descontentamento com a imposição de tarifas pelo presidente Donald Trump sobre as importações da China. O impacto está sendo sentido nos estados do Meio-Oeste, especialmente Illinois, Iowa, Minnesota e Indiana. Pela primeira vez em muitos anos, os agricultores americanos estão se preparando para colher sua safra neste outono sem pedidos de compra da China.

“Quanto mais nos aproximamos do outono sem chegar a um acordo com a China sobre a soja, piores serão os impactos para os agricultores de soja dos EUA”, alertou a American Soybean Association em uma carta enviada a Trump em 19 de agosto.

Mas a China também enfrenta riscos nesse impasse. O Brasil, que fará a colheita no início do próximo ano, é o único outro país com soja suficiente para atender à demanda chinesa e com trens e capacidade portuária suficientes para transportar essa soja para a China.

“Acho que eles provavelmente poderiam passar sem a soja americana neste outono, mas se o Brasil tiver alguma seca ou enchente que afete suas safras no próximo ano, isso colocaria a China em uma posição difícil”, disse Darin Friedrichs, diretor-gerente da Sitonia Consulting, uma empresa de pesquisa especializada em agricultura chinesa.

Na China, espera-se uma safra recorde de soja este ano e agricultores como Zhou Ping estão prosperando. Com a forte demanda, os preços estão subindo, e este verão trouxe um equilíbrio quase perfeito entre sol e chuva.

“A safra deste ano é a melhor que já vi em anos”, disse ele, parado à beira de seu campo verde-escuro de plantas que chegam à altura das coxas.

No entanto, mesmo com uma colheita provável de 21 milhões de toneladas este ano, a China precisará importar mais 100 a 105 milhões de toneladas.

A imensa necessidade da China por soja importada — o suficiente para encher o Superdome em Nova Orleans mais de 30 vezes por ano — reflete uma mudança para dietas ricas em proteínas, à medida que os padrões de vida dispararam nos últimos 30 anos. A China agora cria um grande número de porcos e galinhas.

A China importa soja geneticamente modificada para alimentar esses animais. As modificações genéticas são quase totalmente proibidas na China, e a soja cultivada no país é usada principalmente para consumo humano, principalmente em tofu e leite de soja.

Antes da primeira guerra comercial de Trump com Pequim em 2018, a China comprava entre um quarto e um terço da safra americana. Desde então, a China tem tentado desenvolver alternativas. Mas apenas o Brasil conseguiu realmente aumentar significativamente o fornecimento ao mercado chinês.

A China comprou 71% de suas importações de soja no ano passado do Brasil, quando um clima quase perfeito levou a uma safra recorde.

Os Estados Unidos forneceram 21% do total de soja importada pela China no ano passado. A safra é, no entanto, a maior exportação remanescente dos Estados Unidos para a China. Pequim substituiu sistematicamente as importações de equipamentos agrícolas e outros produtos manufaturados avançados dos Estados Unidos por meio de um programa, o Made in China 2025, destinado a aumentar a autossuficiência do país.

A China tem feito um esforço conjunto para aumentar a produção de soja, aplicando extensos subsídios governamentais. Apesar da colheita bem-sucedida deste ano, os resultados desse esforço têm sido mistos.

Os principais produtores do país estão na província de Heilongjiang, no nordeste da China, próxima à Sibéria, na Rússia. Mas eles têm demorado a aumentar a produção.

O governo paga aos agricultores em grande parte de Heilongjiang um subsídio equivalente a cerca de US$ 17 por acre para cultivar milho e cerca de US$ 300 para cultivar soja. No entanto, nas aldeias próximas a Harbin, capital da província, e perto de Heihe, na fronteira com a Rússia, no rio Amur, a maioria dos campos ainda está coberta de milho.

Os agricultores que plantaram soja disseram que seus vizinhos estavam relutantes em mudar de cultura.

A regra geral em Heilongjiang é que o milho é vendido pela metade do preço da soja por tonelada. Mas um acre de terra plantado com milho normalmente produz três vezes mais alimentos. Assim, os agricultores podem ganhar mais dinheiro com o milho do que com a soja, mesmo quando os subsídios são levados em consideração.

Heilongjiang, como a maior parte da China rural, tem uma grave escassez de mão de obra, já que os jovens migram para as cidades. Eles ganham salários elevados nas fábricas do país, que também têm escassez de mão de obra, mas pagam muito mais do que a agricultura.

“O milho é fácil de cultivar porque dá menos trabalho — a soja requer mais cuidados e manutenção e, se não for bem cuidada, fica cheia de ervas daninhas”, disse Jia Yinghai, agricultor em Dawusili, uma vila perto de Heihe.

Durante o primeiro mandato de Trump, quando Pequim suspendeu temporariamente as compras de soja americana, muitas pessoas pensaram que a Rússia poderia ajudar a China a reduzir sua dependência das importações americanas.

Algumas empresas chinesas já operam fazendas de soja do outro lado do rio Amur, na Sibéria. Mas seus esforços para expandir esbarraram em dificuldades.

Por um lado, a linha ferroviária chinesa que vai do sul da fronteira russa em Heihe cobra tarifas de frete mais altas do que o sistema nacional da China, disse Zhou Rui, gerente geral da Heihe Beifeng Yuandong Agricultural Development Company, uma empresa de Heihe com fazendas de soja na Rússia. A empresa possui moinhos de esmagamento de soja em Heihe que extraem o óleo de soja, usado na culinária, e deixam para trás a farinha de soja, usada como ração animal.

Caminhões transportam o óleo de soja de alto valor da Heihe Beifeng para o sul. Mas a empresa tem tido dificuldade em convencer grandes empresas de criação de frangos e suínos a 2.400 km de distância, na China central, a comprar sua farinha de soja, disse Zhou, que não tem parentesco com o agricultor de mesmo sobrenome.

Para piorar a situação, a Rússia mudou suas políticas relativas à soja após invadir a Ucrânia em 2022. A Rússia introduziu um imposto de aproximadamente 20% sobre as exportações de soja não triturada. O imposto desestimulou os agricultores a enviar suas safras para a China.

O sistema ferroviário da Rússia também está fornecendo transporte gratuito de farelo de soja para fazendas de gado no oeste da Rússia, que fornecem carne para seus soldados na linha de frente. Esse é outro incentivo para que a soja cultivada na Sibéria russa seja transportada para o oeste, e não para o sul, para a China.

No ano passado, as exportações de soja da Rússia para a China caíram pela metade e representaram apenas 0,6% do total das importações de soja da China.

No geral, a China vende três a quatro vezes mais produtos para os Estados Unidos do que compra, um desequilíbrio que o presidente Trump está tentando resolver. “Espero que a China quadruplique rapidamente seus pedidos de soja”, escreveu ele nas redes sociais no mês passado.

No entanto, a China pode ter outro trunfo na disputa com os Estados Unidos pela soja: reservas estratégicas de soja para uso durante guerras, desastres agrícolas ou outras crises. Embora o tamanho exato das reservas seja segredo de Estado, o governo dos EUA estimou recentemente que Pequim pode ter 45 milhões de toneladas de soja, o equivalente a dois anos de importações dos Estados Unidos.

O que não está tão claro, porém, é quanto dessa reserva de emergência a China está disposta a usar em uma guerra comercial.

Fonte: Estadão

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Investimento, Tecnologia

Sem Musk, titãs da tecnologia jantam com Trump e prometem investir bilhões

Donald Trump recebeu executivos de tecnologia de alto escalão para um jantar na Casa Branca na noite desta quinta-feira (4). No evento, ele falou sobre inteligência artificial e ressaltou os que as empresas estão fazendo nos Estados Unidos.

O encontro foi o exemplo mais recente de um delicado relacionamento entre o presidente americano e líderes do setor de tecnologia, vários dos quais compareceram à sua posse.

Enquanto os executivos elogiavam Trump e falavam sobre suas esperanças de avanço tecnológico, o presidente republicano se concentrava nos cifrões. Ele circulou a mesa e perguntou aos executivos quanto eles estavam investindo no país.

Mark Zuckerberg, da Meta, que estava sentado à direita de Trump, disse US$ 600 bilhões. Tim Cook, da Apple, disse o mesmo. Sundar Pichai, do Google, disse US$ 250 bilhões.

Elon Musk, ex-aliado próximo de Trump, não estava na lista de convidados. Musk rompeu publicamente com Trump no início deste ano.

Fonte: G1

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Comércio Exterior

Trump pede à Suprema Corte dos EUA que mantenha suas tarifas globais

Solicitação vem após tribunal de apelações considerar ilegais as sobretaxas impostas pelo presidente com base em lei que lida com emergências nacionais. Recurso pede que caso seja julgado já em novembro

O presidente Donald Trump pediu à Suprema Corte dos Estados Unidos que mantenha suas tarifas globais, solicitando revisão em um caso que pode afetar trilhões de dólares em comércio e lhe dar nova e ampla influência sobre a economia mundial.

O recurso pede que o caso seja colocado em um cronograma altamente acelerado, com argumentos no início de novembro, de acordo com documentos ao qual a Bloomberg teve acesso. A solicitação vem após uma decisão de um tribunal federal de apelações que afirmou que Trump não pode impor tarifas de importação em larga escala com base em uma lei de 1977 criada para lidar com emergências nacionais.

Os documentos ainda não estavam disponíveis publicamente no sistema on-line da Suprema Corte na noite de quarta-feira.

Impacto financeiro

Somente o impacto financeiro já torna o caso um dos maiores a chegar à Suprema Corte. Uma derrota para Trump reduziria pela metade a atual tarifa efetiva média dos EUA, hoje em 16,3%, e poderia obrigar o país a reembolsar dezenas de bilhões de dólares, segundo Chris Kennedy, analista da Bloomberg Economics. Também poderia desestabilizar os acordos comerciais preliminares firmados por Trump com alguns países.

As tarifas permanecem em vigor porque o tribunal de apelações suspendeu sua decisão, permitindo que Trump tivesse tempo de recorrer à Suprema Corte.

Ainda assim, a decisão “colocou em risco negociações externas em andamento e ameaça acordos estruturais”, disse à corte o procurador-geral D. John Sauer:

— Se mantida, a decisão desarmaria unilateralmente os Estados Unidos e permitiria que outras nações mantivessem a economia americana como refém de suas políticas comerciais retaliatórias.

O Departamento de Justiça informou aos juízes que os opositores das tarifas concordaram que a Suprema Corte deve analisar o caso em caráter acelerado. Neal Katyal, advogado principal dos contestadores, não respondeu de imediato a um pedido de comentário por e-mail. A Casa Branca também não respondeu a uma solicitação de comentário.

Início de novembro

Um julgamento em novembro possibilitaria que a corte decidisse até o fim do ano, embora o mandato se estenda até meados de 2026.

É altamente provável que a Suprema Corte aceite o caso, mas os juízes ainda precisam concordar em fazê-lo. O governo pediu que isso fosse decidido até a próxima quarta-feira, dia 10.

As tarifas contestadas incluem as tarifas do “Dia da Libertação”, de 2 de abril, que impõem taxas de 10% a 50% sobre a maioria das importações, dependendo do país de origem. Essas tarifas representaram o maior aumento de impostos de importação desde as tarifas Smoot-Hawley de 1930, levando a taxa média aplicada nos EUA ao nível mais alto em mais de um século.

Trump tem defendido as tarifas como fundamentais para equilibrar o campo de jogo para empresas e trabalhadores americanos diante de déficits comerciais crônicos. Mas autoridades do governo têm minimizado o impacto do litígio, afirmando que a maioria das tarifas pode ser imposta por outros mecanismos legais.

As tarifas sobre aço, alumínio e automóveis, por exemplo, foram aplicadas sob outra lei e não são diretamente afetadas pelo recurso.

Canadá, México e China

O recurso também abrange tarifas impostas ao Canadá, México e China sob o argumento de combater o tráfico de fentanil. O caso decorre de ações judiciais apresentadas por estados governados por democratas e por um grupo de pequenas empresas.

O recurso testará uma Suprema Corte de maioria conservadora, que até agora em grande parte tem acomodado Trump em sua afirmação de poderes inéditos para um presidente. Se aceitarem o caso, os juízes terão de lidar com uma lei que concede ao presidente uma série de ferramentas para lidar com emergências de segurança nacional, política externa e economia, mas que não menciona explicitamente tarifas como uma dessas competências.

A decisão de 7 a 4 do Tribunal de Apelações para o Circuito Federal, na sexta-feira, confirmou um julgamento do Tribunal de Comércio Internacional. Ambos afirmaram que a Lei Internacional de Poderes Econômicos de Emergência de 1977 não autoriza tarifas tão abrangentes com base na cláusula que permite ao presidente “regular” a “importação” de bens para enfrentar uma emergência.

“A lei concede ao presidente autoridade significativa para tomar diversas medidas em resposta a uma emergência nacional declarada, mas nenhuma delas inclui explicitamente o poder de impor tarifas, tributos ou semelhantes, nem o poder de taxar”, disse o tribunal de apelações.

A Constituição

A Constituição atribui ao Congresso o poder de definir tarifas, e uma questão central no caso é se os parlamentares delegaram essa autoridade ao presidente. Em outros contextos, a Suprema Corte já exigiu que o Congresso fosse explícito ao transferir seu poder em temas de grande relevância econômica ou política.

Sauer, o principal advogado do governo na Suprema Corte, afirmou aos juízes que “o poder de ‘regular a importação’ abrange o poder de impor tarifas ou tributos sobre importações”.

Os contestadores também argumentaram nos tribunais inferiores que um déficit comercial não constitui o tipo de “ameaça incomum e extraordinária” exigida pela lei antes que os poderes de emergência do presidente possam ser acionados. Uma decisão favorável a Trump nesse ponto poderia deixar praticamente sem limites a capacidade presidencial de declarar emergências e impor tarifas adicionais como resposta.

Fonte: O Globo

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Comércio Exterior

Mais de 2 toneladas de suco de SC encalham em porto após tarifas impostas por Trump

A Fischer Sucos enfrenta dificuldades para a venda de produtos nos EUA, por conta das Tarifas de Trump, porém a produção não foi afetada até o momento; empresa fica localizada no Meio-Oeste

As tarifas de Trump já se tornaram realidade, e algumas empresas brasileiras começam a sentir os efeitos da cobrança. A Fischer Sucos, localizada em Videira, no Meio-Oeste de Santa Catarina, enfrenta dificuldades com 2,3 mil toneladas de produto paradas no porto de Santos, em São Paulo.

O gerente da empresa, Claudinei Schweitzer, explicou em entrevista ao repórter da NDTV RECORD, Luan Turcati, que 80% da produção é destinada aos Estados Unidos, devido à cadeia logística.

Tarifas de Trump gera efeitos no mercado

“A situação do tarifaço é uma realidade e nos pegou desprevenidos. Já havíamos enviado uma boa quantidade de suco aos EUA e, de fato, parte do nosso estoque está parada no porto de Santos, aguardando uma solução”, detalhou Schweitzer.

Apesar do impasse, a produção não foi interrompida e o produto está sendo destinado ao mercado interno. “Como estamos na entressafra, conseguimos vender para o mercado brasileiro”, explica o gerente.

A preocupação maior é com a próxima safra, que terá um volume maior de produção. Uma das estratégias da empresa é buscar novos mercados internacionais para escoar o suco de maçã. “Nosso produto está qualificado para todos os mercados, sem problema. Conseguimos chegar em diversos destinos”, afirma Schweitzer.

O gerente espera que a situação seja resolvida antes da próxima safra, evitando prejuízos maiores para a empresa.

Sobre a empresa

A Fischer, localizada em Fraiburgo, Santa Catarina, foi fundada em agosto de 1985 e atua na produção e comercialização de maçãs. A empresa é referência no setor, atendendo tanto o mercado nacional quanto internacional.

Além da produção de frutas, a Fischer mantém a Fischer Sucos, em Videira (SC), considerada uma das fábricas mais modernas do país para a extração de suco e aroma de maçãs. A unidade atende à demanda de mercado com tecnologia e capacidade para processar grandes volumes de produção.

Fonte: ND+

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Comércio Exterior

Governo Trump prepara novas medidas contra o Brasil

Alvos agora são o Banco do Brasil e as importações da Rússia, apurou a CNN; empresas americanas pedem manutenção de barreiras

Os Estados Unidos preparam medidas contra o Banco do Brasil e contra as importações da Rússia, além de contestação dos argumentos do governo e das empresas brasileiras em relação à tarifa de 50%.

As informações são de diversas fontes consultadas pela CNN em Washington. A situação é fluida e depende do presidente Donald Trump, que pode mudar de planos.

Na tarde desta segunda-feira (1º), a sanção mais iminente parece ser contra o BB (Banco do Brasil), segundo o relato de uma dessas fontes. O contexto é o do início do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, nessa terça-feira (2).

Ao aplicar a Lei Magnitsky, em 30 de julho, o Departamento do Tesouro americano se municiou para punir com sanções econômicas instituições que prestem serviços ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

No dia 18 de agosto, o ministro Flavio Dino, também do STF, determinou, ao julgar outro caso, que “leis, decisões judiciais, decretos ou ordens executivas de outros países não têm eficácia no Brasil a não ser que sejam homologados pela Justiça brasileira ou aprovados conforme a Constituição e as leis nacionais”.

No dia seguinte, o BB emitiu comunicado afirmando que “atua em plena conformidade à legislação brasileira, às normas dos mais de 20 países onde está presente e aos padrões internacionais que regem o sistema financeiro”, e acrescentou que “está preparado para lidar com temas complexos e sensíveis que envolvem regulamentações globais”.

Em 21 de agosto, uma instituição financeira cancelou o cartão Mastercard do ministro, segundo informações do mercado. No mesmo dia, o BB teria oferecido a Moraes um cartão da bandeira brasileira Elo. Essa é a justificativa para o Tesouro americano adotar medidas contra o banco estatal.

Nesses casos, os EUA costumam impor multas aos “transgressores”. O caso mais notório foi o do banco francês BNP Paribas , acusado de violar sanções americanas ao transacionar bilhões de dólares com entidades sancionadas do Sudão, Irã e Cuba. Em julho de 2014, o BNP Paribas se declarou culpado e foi condenado a pagar US$ 9 bilhões em multas, e a cinco anos de liberdade condicional corporativa.

Já o banco britânico Standard Chartered foi multado três vezes. Em 2012, o regulador do estado de Nova York (DFS) acusou o banco de ocultar transações com o Irã, impondo multa de US$ 340 milhões. Uma nova condenação, por negócios com Irã, Mianmar, Líbia e Sudão, levou a outra multa, de US$ 327 milhões.

Em 2019, o Standard Chartered foi multado mais uma vez, em US$ 1,1 bilhão, por causa de negócios com Mianmar, Zimbábue, Cuba, Sudão, Síria e Irã, e deficiências nos controles de lavagem de dinheiro.

Tarifaço

A atual tarifa de 50% será objeto de audiência no Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) na quarta e quinta-feira. O governo brasileiro apresentará seus argumentos contra a tarifa.

Empresas americanas que concorrem com as brasileiras ou que atuam no mercado brasileiro apresentaram posições claramente coordenadas entre si, para contestar os argumentos do Brasil e defender a manutenção da alíquota.

Associações americanas dos setores de celulose, madeireiras, pecuaristas e soja alegam que as vantagens competitivas do Brasil se devem ao desmatamento ilegal e trabalho forçado. Elas pediram que o governo americano feche o mercado e negocie com a China para que compre produtos americanos.

Na parte de comércio digital, elas criticaram a proposta de regulação de inteligência artificial, de data centers e de plataformas de streaming, além da tributação dessas atividades no Brasil. Medida provisória adotada em outubro pelo governo brasileiro impôs tributo mínimo de 15% sobre esses serviços, caso não recolham essa alíquota em seu lugar de origem.

Instituições financeiras americanas acusaram o Banco Central brasileiro de atuar ao mesmo tempo como regulador e como competidor, por causa do Pix, que concorre com sistemas de transferência dos EUA.

Óleo diesel russo

O governo Trump deve adotar também medidas comerciais contra a importação de óleo diesel da Rússia pelo Brasil, a exemplo do que já fez com a Índia. A alíquota indiana foi elevada de 25% para 50%. Essa medida contra o Brasil seria aplicada dentro de uma semana ou uma semana e meia, de acordo com a percepção de fontes em Washington.

O Brasil importou aproximadamente US$ 12,5 bilhões em produtos russos no ano passado, principalmente óleo diesel e fertilizantes. A Índia, de sua parte, comprou US$ 63 bilhões e a China, com a qual Trump negocia um acordo em fase avançada, US$ 130 bilhões.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior

Tribunal dos EUA decide que tarifas impostas por Donald Trump são ilegais

Em publicação nas redes sociais, presidente afirmou que as tarifas seguem em vigor

Um tribunal de apelações dos Estados Unidos decidiu nesta sexta-feira (29) que as tarifas impostas por Donald Trump são ilegais. A decisão reduz a força dessas medidas, que têm sido usadas como uma das ferramentas centrais da política econômica externa do país. As informações são da Folha de S. Paulo.

As tarifas têm sido utilizadas como forma de pressão política e via de negociação para acordos. O tribunal alegou que as tarifas poderão continuar em vigor até o dia 14 de outubro, para permitir recursos à Suprema Corte.

O Brasil foi alvo inicialmente de uma tarifa recíproca de 10%, e depois de uma taxa adicional de 40%, o que elevou a sobretaxa para 50%. O imposto é um dos maiores até o momento, e teria sido motivado pelo que Donald Trump chamou de “caça às bruxas” ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Em contrapartida, cerca de 700 produtos ficaram isentos.

Trump declarou na noite desta sexta, após a decisão do tribunal, que as tarifas seguem em vigor.

“Hoje um tribunal de apelações altamente partidário disse incorretamente que nossas tarifas deveriam ser removidas, mas eles sabem que os Estados Unidos da América vencerão no final”, escreveu Trump em uma postagem no Truth Social.

O Tribunal de Apelações para o Circuito Federal dos EUA, em Washington, decidiu por 7 a 4 pela ilegalidade das tarifas impostas por Trump em abril e de um conjunto separado de tarifas impostas em fevereiro contra China, Canadá e México.

“O estatuto confere autoridade significativa ao presidente para adotar uma série de ações em resposta a uma emergência nacional declarada, mas nenhuma dessas ações inclui explicitamente o poder de impor tarifas, impostos alfandegários ou similares, nem o poder de tributar”, afirmou o tribunal.

A aplicação de tarifas deu poder ao governo Trump para negociar em troca de concessões econômicas, porém trouxe instabilidade para os mercados financeiros. A decisão não possui impacto sobre tarifas emitidas sob outras bases legais, como as tarifas de Trump sobre importações de carros, aço e alumínio. A decisão não gerou grande reação durante as negociações pós-fechamento dos mercados.

— As empresas provavelmente continuarão a operar como se as tarifas permanecessem em vigor, já que o tribunal está permitindo que elas continuem valendo por enquanto — afirmou Brian Jacobsen, economista-chefe da Annex Wealth Management, à agência de notícias Reuters.

Fonte: NSC Total

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Comércio Exterior

‘Até agora, a gente não conseguiu falar com ninguém’, diz Lula sobre negociação de tarifas com EUA

Presidente brasileiro exaltou relação com a China ao reclamar de falta de empenho do governo norte-americano para negociação com o Brasil.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quinta-feira (28) que o governo brasileiro ainda não conseguiu contato com a diplomacia dos Estados Unidos para renegociar as tarifas impostas aos produtos brasileiros por Donald Trump.

A declaração foi dada durante a nomeação de novos diretores para agências reguladoras brasileiras.

Lula pediu seriedade aos indicados e compromisso com o Brasil em meio a um cenário internacional adverso. “Esse momento está muito delicado do ponto de vista político”, disse Lula.

“Até agora a gente não conseguiu falar com ninguém nos EUA”, disse Lula. “[OS EUA] Suspenderam a reunião com o [ministro da Fazenda, Fernando] Haddad e foi se reunir com Eduardo Bolsonaro. Uma demonstração da falta de seriedade com a relação com o Brasil”, disse.

“A hora que eles quiserem negociar, o ‘Lulinha paz e amor’ está de volta. Não tenho medo de errar”, concluiu o presidente.

Fonte: G1


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Internacional

Trump x Fed: como a pressão sobre Lisa Cook pode impactar a economia dos EUA? E do Brasil?

Demissão da diretora do banco central americano levanta questionamentos sobre interferência do presidente dos Estados Unidos na política de juros e expõe riscos institucionais com reflexos globais.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez seu ataque mais direto ao Federal Reserve (Fed), o banco central do país, nesta segunda-feira (25), ao tentar afastar a economista Lisa Cook do cargo de diretora da instituição.

Nenhum presidente tem autoridade para removê-la, pois só é permitido destituir um dirigente do Fed por “justa causa”. Embora o termo tenha sido usado por Trump no caso de Cook, ele não possui fundamento legal (entenda abaixo).

A tentativa, portanto, levantou questões sobre o futuro e a independência do banco central americano, instituição fundamental para a maior economia do mundo.

Num primeiro momento, a medida não provocou grandes reações no mercado financeiro, já que investidores duvidam que Trump consiga remover Lisa Cook do cargo. Ainda assim, permanecem mais dúvidas que certezas.

A acusação contra Lisa Cook justifica sua saída? Se Trump alcançar maioria no conselho de diretores, até onde poderá ir sua influência sobre o banco central? E por que os mercados têm reagido de forma tão tímida diante de riscos tão significativos?

g1 ouviu especialistas para responder a essas e outras questões e explicar de que forma o caso pode impactar o Fed e gerar reflexos em todo o mundo, inclusive no Brasil.

O que Trump pretende com o caso Lisa Cook?

Na avaliação de analistas, esse episódio não é um caso isolado — e dificilmente será o último. A iniciativa faz parte da estratégia econômica de Trump, que busca assegurar maioria no conselho do Fed e, com isso, ganhar influência sobre a política de juros nos EUA.

🔎 Os juros são uma das principais ferramentas utilizada pelos bancos centrais para estimular ou frear a economia. Desde o início de seu mandato, Trump critica o Fed para que os juros sejam reduzidos — o que ajudaria a acelerar a atividade econômica, mas colocaria em risco o controle da inflação.

Leonel Mattos, analista de inteligência de mercado da StoneX, lembra que a acusação de fraude imobiliária contra Lisa Cook partiu de William Pulte, chefe da Agência Nacional de Financiamento de Habitação dos EUA e aliado de Trump.

Trata-se do mesmo personagem que formatou o argumento de pressão ao presidente do Fed, Jerome Powell, devido às reformas no prédio da instituição. Trump sugeriu que Powell promoveu um superfaturamento das obras, o que seria um argumento para demiti-lo também.

“Pulte já apresentou acusações semelhantes contra adversários políticos de Trump, como o senador Adam Schiff, que conduziu o primeiro processo de impeachment do republicano, e a procuradora-geral de Nova York, Letitia James, responsável por processá-lo por fraude empresarial. Isso reforça o caráter político da interferência.”

O economista Maykon Douglas avalia que mais essa tentativa de intervenção de Trump no Federal Reserve vai além da esfera econômica e reflete uma percepção crescente de enfraquecimento das instituições americanas.

“Quando as arbitrariedades de um único ator político atingem universidades, institutos de pesquisa, regras eleitorais e até a autoridade monetária, em um país onde a estabilidade político-econômica é tradição e símbolo de seu ‘excepcionalismo’, isso representa um claro sinal de disfuncionalidade”, afirma.

A acusação contra Lisa Cook justifica sua demissão do Fed?

Para sustentar a demissão de Lisa Cook, Trump recorreu a uma brecha na Lei do Federal Reserve, de 1913. O texto estabelece que “cada membro permanecerá no cargo por 14 anos a partir do fim do mandato de seu antecessor, salvo destituição por justa causa pelo presidente.

O presidente dos EUA, então, associou uma acusação de fraude hipotecária — apresentada inicialmente em carta pública por Pulte — como a justa causa necessária para afastar a diretora do Fed. O documento foi classificado como uma “referência criminal” e levou a instituição a solicitar investigação ao Departamento de Justiça.

Especialistas ouvidos pela Reuters destacam, porém, que a destituição “por justa causa” geralmente se aplica a situações de má conduta, incompetência ou irregularidades. Nesse contexto, a acusação de fraude hipotecária não teria relação direta com esses fundamentos.

Peter Conti-Brown, especialista em história do Fed pela Universidade da Pensilvânia, lembra que as transações mencionadas por Trump ocorreram antes da nomeação de Cook para o banco central e já haviam sido divulgadas durante sua sabatina e confirmação no Senado.

Embora a lei não seja explícita, sua interpretação é de que ela se refere à conduta durante o exercício da função, e não a atos anteriores à nomeação ou a aspectos da vida pessoal sem ligação com o cargo.

“A ideia de retroceder no tempo e considerar que eventos anteriores à nomeação constituem motivos para demissão do cargo oficial é, na minha visão, incompatível com o conceito de remoção ‘por justa causa’”, diz Conti-Brown.

O que acontece se Trump conquistar maioria no Fed?

Maykon Douglas destaca que a autonomia técnica de um banco central é essencial quando um país adota metas de inflação. Se houver suspeita de interferência política nas decisões, a confiança no BC se deteriora.

“Os riscos de interferência política prejudicam a credibilidade da política monetária e ‘contaminam’ as expectativas dos agentes econômicos, que passam a confiar menos no compromisso da autoridade monetária com a estabilidade dos preços”, afirma o economista.

Esse aspecto institucional ajuda a explicar a desvalorização global do dólar e a alta das taxas de juros de longo prazo. (🔎 Juros longos são os que incidem sobre empréstimos ou títulos com prazos de 10, 20 ou 30 anos, refletindo o custo do crédito no longo prazo)

Na prática, funciona assim:

  • Se a inflação sobe, é preciso aumentar os juros para conter os preços;
  • Se o Fed perde independência, investidores duvidam que o BC fará seu trabalho;
  • Se o risco é mais alto, o mercado exige juros mais altos como proteção.

Em relatório, os analistas Luiza Paparounis e Francisco Lopes, do BTG Pactual, apontam que o episódio reforça a atual onda de incertezas institucionais nos EUA e intensifica os temores de enfraquecimento da independência do Fed.

“Se obtiver sucesso, Trump poderá indicar um substituto alinhado às suas visões, ainda sujeito à confirmação pelo Senado, hoje controlado por maioria republicana.”

Os analistas ressaltam ainda que, sem independência, a maior desconfiança encarece empréstimos e financiamentos e pode desvalorizar o dólar diante de outras moedas.

Por que os mercados não têm reagido ao ataque de Trump?

Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, as ações de Trump em relação ao Fed podem gerar pressão sobre o banco central, mas o impacto na credibilidade da instituição pode não ser tão direto ou severo.

O estrategista lembra ainda que, historicamente, as decisões do Federal Reserve têm sido independentes: “O ataque de Trump é, na prática, apenas sua opinião sobre os juros. Ele pode se manifestar, mas o presidente do Fed não deve se orientar por isso. Até agora, os dirigentes da instituição têm agido de forma plenamente independente.”

“Riscos institucionais existem em qualquer lugar do mundo: a Europa enfrentou o Brexit, a Grécia entrou em default [calote da dívida] — por isso, embora relevantes, os problemas institucionais dos EUA não são necessariamente mais graves do que em outros países.”

Para Leonel Mattos, duas hipóteses podem explicar a reação “atípica” do mercado, embora ele ressalte que ainda não há resposta conclusiva:

Investidores gostariam de ver uma interferência política no Fed: com mais dirigentes alinhados ao Partido Republicano e a Trump, acreditam que isso poderia “beneficiar o ambiente de negócios”.

Investidores acreditam que Trump não terá sucesso no ataque ao Fed: por isso, veem o episódio como um “impasse político” que deve se resolver em favor da instituição;

Como fica o Brasil nessa história?

Mesmo que a interferência de Trump no Fed seja limitada, a perda de credibilidade da economia dos EUA já tem afastado parte dos investidores do mercado americano. O dólar e os rendimentos dos títulos do Tesouro (as Treasuries) evidenciam esse movimento.

  • 🔎 O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a moedas de países desenvolvidos, caiu 10,2% neste ano. Em relação ao real, a desvalorização é de 12,07% no ano.
  • As Treasuries de 10 anos, um dos principais títulos do Tesouro americano, registraram queda de 7,13% em 2025. Mas, em 12 meses, já têm alta de 10,63%.

William Castro Alves, da Avenue, observa que o enfraquecimento do dólar pode favorecer moedas emergentes, além de impulsionar commodities e ações.

“Isso já está em curso, não à toa o real está abaixo de R$ 5,50. Se o dólar estivesse forte, dificilmente veríamos essa valorização”, afirma o estrategista.

Mas há quem possa se beneficiar desse cenário. Com a desvalorização do dólar, seja frente a outras moedas (DXY) ou ao real, o custo de importação de produtos e insumos no Brasil tende a diminuir.

Esse efeito ajuda a conter a alta dos preços no país e a manter a inflação sob controle. Assim, o Banco Central ganha espaço para reduzir os juros — atualmente, a taxa Selic está em 15% ao ano, sem previsão de cortes.

Juros mais baixos estimulam o consumo e os investimentos, o que tende a impulsionar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

Fonte: G1

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