Economia, Internacional, Mercado Internacional

Lei de Reciprocidade Comercial é regulamentada

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta segunda-feira (14) o decreto que regulamenta a Lei da Reciprocidade Comercial. A informação foi confirmada pelo ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, em declaração à imprensa após um evento no Palácio do Planalto. O teor do decreto será publicado em edição regular do Diário Oficial da União (DOU).

A norma autoriza o governo brasileiro a adotar medidas comerciais contra países que imponham barreiras unilaterais aos produtos do Brasil no mercado global. A medida poderá ser usada para responder à imposição da tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras para os Estados Unidos (EUA), a partir do dia 1º de agosto, conforme anunciado na semana passada pelo presidente norte-americano, Donald Trump. 

Segundo Rui Costa, o decreto não menciona especificamente nenhum país e estabelece os mecanismos necessários para dar cumprimento à lei. “A denominação ‘reciprocidade’ pode responder de um formato também rápido, se outro país fizer medidas semelhantes a essa que foi anunciada pelos Estados Unidos”, explicou.

Histórico

Aprovada em março pelo Congresso Nacional e sancionada em abril, a nova lei é justamente uma resposta à escalada da guerra comercial desencadeada por Donald Trump contra dezenas de países. 

No caso do Brasil, a tarifa inicialmente imposta pelos EUA foi de 10% sobre todos os produtos exportados para o mercado norte-americano. A exceção nessa margem de tarifas são o aço e o alumínio, cuja sobretaxa imposta pelos norte-americanos está em 25%, afetando de forma significativa empresas brasileiras, que constituem os terceiros maiores exportadores desses metais para os norte-americanos.

A Lei da Reciprocidade Comercial estabelece critérios para respostas a ações, políticas ou práticas unilaterais de país ou bloco econômico que “impactem negativamente a competitividade internacional brasileira”.

A norma valerá para países ou blocos que “interfiram nas escolhas legítimas e soberanas do Brasil”.

No Artigo 3º do texto, por exemplo, fica autorizado o Conselho Estratégico da Câmara de Comércio Exterior (Camex), ligado ao Executivo, a “adotar contramedidas na forma de restrição às importações de bens e serviços”, prevendo ainda medidas de negociação entre as partes antes de qualquer decisão.

Comitê de emergência

Para discutir como reagir às tarifas dos EUA, o governo também instalou um comitê de trabalho interministerial, com participação de setores empresariais da indústria e do agronegócio.

As primeiras reuniões do colegiado ocorrerão nesta terça-feira (15), sob liderança do vice-presidente Geraldo Alckmin.

FONTE: REPRODUÇÃO AGÊNCIA BRASIL

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Comércio Exterior, Internacional, Mercado Internacional

Trump ameaça impor tarifa de 100% contra Rússia se não houver cessar-fogo

Presidente dos Estados Unidos deu prazo de 50 dias para interrupção na guerra da Ucrânia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta segunda-feira (14) que os EUA vão impor tarifas “muito severas” à Rússia se não houver acordo para interromper a guerra na Ucrânia em 50 dias.

Ele chamou as taxas de “tarifas secundárias” e disse que seriam de um valor próximo a 100%. “Tarifas em torno de 100%, você as chamaria de tarifas secundárias. Você sabe o que isso significa”, destacou.

Um funcionário da Casa Branca esclareceu à CNN que, quando o presidente se referiu a “tarifas secundárias”, ele quis dizer tarifas de 100% sobre a Rússia e sanções secundárias sobre outros países que compram petróleo russo.

Após a ameça sobre as tarifas, Trump comentou que o comércio é “ótimo para resolver guerras”.

As declarações aconteceram ao lado do secretário-geral da Otan, a aliança militar ocidental, Mark Rutte, no Salão Oval da Casa Branca.

O presidente americano também disse aos repórteres que está decepcionado com o presidente russo, Vladimir Putin, ressaltando que sentiu que tinha um acordo sobre a guerra “cerca de quatro vezes”.

“Eu pensei que deveríamos ter fechado um acordo há muito tempo, mas ele continua se repetindo”, acrescentou Trump.

“Tenho ouvido muita conversa, muita conversa, e então mísseis atingem Kiev e matam 60 pessoas. Isso tem que parar”, argumentou.

Trump minimiza necessidade de aprovação do Congresso

Ainda durante a coletiva ao lado de Rutte, Trump minimizou a necessidade de o Senado aprovar um novo pacote de sanções à Rússia.

Mesmo assim, ressaltou que o projeto é “muito bom” e mencionou que o discutiria com o líder da maioria no Senado dos EUA, John Thune, ainda nesta segunda-feira.

O texto permitiria ao presidente estabelecer uma tarifa de até 500% para países que importam petróleo, gás e urânio da Rússia.

Trump pontuou que uma taxa de 500% “perde o sentido depois de um tempo” e que a tarifa de 100% “serviria à mesma função”.

“Eles estão fazendo um bom trabalho na Câmara, e acho que na Câmara e no Senado. E, como vocês sabem, eles estão coordenados e podem fazer isso rapidamente. Eles disseram que farão isso tão rapidamente quanto eu precisar”, observou.

Ele disse que os legisladores estavam trabalhando para lhe dar “controle total” sobre as possíveis sanções, “mas não tenho certeza se precisamos disso”.

“É certamente bom que eles estejam fazendo isso”, argumentou, acrescentando que acreditava que a medida seria aprovada “com muita facilidade”.

Envio de armas dos EUA

Trump afirmou ainda que enviará armas de ponta à Otan para apoiar a Ucrânia. Ele não deu muitos detalhes sobre este ponto, mas comentou que baterias de mísseis do sistema Patriot serão enviadas nos próximos dias.

O líder dos EUA pontuou que os integrantes da aliança militar vão cobrir os custos dessas armas, e não os cidadãos americanos.

Mark Rutte, por sua vez, destacou que o armamento disponibilizado pelos Estados Unidos será mais abrangente do que apenas o sistema Patriot.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior, Mercado Internacional

Tarifas de 50% de Trump: para onde o Brasil pode redirecionar suas exportações — e quais os desafios

Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que alguns países têm condições de absorver parcialmente o excedente de produtos brasileiros. Há, no entanto, uma série de especificidades setoriais em jogo.

A tarifa de 50% sobre produtos brasileiros anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, representa um duro golpe para o comércio exterior do Brasil. Se entrar em vigor em 1º de agosto, a medida poderá reduzir significativamente a exportação de diversos setores.

Os EUA são o segundo principal destino dos itens brasileiros, atrás apenas da China. Além disso, representam um mercado estratégico para a venda de bens diversificados e de maior valor agregado, como aviões executivos e eletroeletrônicos.

Só em 2024, foram vendidos US$ 40,4 bilhões em produtos para o mercado norte-americano — 12% do total exportado pelo Brasil no ano. Na prática, uma tarifa de 50% tornaria inviável a compra de diversos itens brasileiros por empresas sediadas nos EUA, já que o custo de importação ficaria muito mais alto.

Se os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump não chegarem a um acordo até a data prevista, setores relevantes da economia brasileira terão de buscar novos mercados para escoar seus produtos — o que, ainda assim, pode não ser suficiente para compensar as perdas.

Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que alguns países têm condições de absorver parcialmente o excedente de produtos brasileiros.

Há, no entanto, uma série de especificidades setoriais em jogo: para certos produtos, o redirecionamento pode ser mais viável e, para outros, mais complexo. Além disso, o Brasil pode enfrentar dificuldades para realocar esse excedente no curto prazo.

“Esse redirecionamento é possível, mas leva tempo e requer negociações de alto nível. Então, não é tão simples como parece”, afirma André Galhardo, economista-chefe da consultoria Análise Econômica.

Leia nesta reportagem:


Quais são os produtos brasileiros mais exportados para os EUA

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que petróleo, ferro, aço, café e carne estão entre os principais produtos brasileiros exportados para os EUA.

Veja abaixo os valores vendidos de janeiro a junho de 2025:

  1. Óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos — US$ 2,37 bilhões
  2. Produtos semimanufaturados de ferro ou aço (baixo carbono) — US$ 1,49 bilhão
  3. Café não torrado, não descafeinado — US$ 1,16 bilhão
  4. Carnes bovinas desossadas e congeladas — US$ 737,8 milhões
  5. Ferro-gusa (ferro fundido bruto não ligado) — US$ 683,6 milhões
  6. Celulose (pasta química de madeira não conífera) — US$ 668,6 milhões
  7. Óleos combustíveis e preparações de petróleo — US$ 610,2 milhões

Há também produtos que, embora não estejam entre os mais exportados, têm grande importância para os mercados brasileiro e norte-americano. É o caso do suco de laranja41,7% de todas as exportações brasileiras do produto foram destinadas aos EUA na safra 2024/25, encerrada em junho.

Aeronaves também se enquadram nessa categoria. Segundo relatório do BTG, 63% das exportações brasileiras do setor tiveram como destino os EUA. A Embraer é a empresa nacional com maior exposição nesse mercado. (leia mais abaixo)

Quais itens são mais ‘fáceis’ de vender para outros países

Welber Barral, consultor em comércio internacional, explica que, no caso de commodities como café, suco de laranja e açúcar é mais fácil redirecionar esses produtos para outros mercados, já que possuem preços definidos internacionalmente.

“Commodity com preço internacional acaba sendo vendida para vários outros lugares, dependendo de demanda. Às vezes, quando há superoferta no mercado, cai um pouco o preço. Mas acaba sendo vendido para algum lugar”, diz.

Por outro lado, empresas brasileiras que exportam produtos específicos e de maior valor agregado devem enfrentar mais dificuldades. “É o caso da exportação de uma autopeça específica para uma montadora, por exemplo. Não há muita margem para redirecionar esse tipo de venda”, explica.

Por isso, as ações da Embraer caíram quase 11% nesta semana. A fabricante brasileira de aeronaves é uma das empresas listadas na bolsa com maior exposição à medida, com 23,8% de sua receita proveniente de vendas para os EUA, segundo levantamento da XP Investimentos.

“Ninguém vende tanto avião executivo nos EUA como a Embraer”, diz Galhardo. Ele destaca que, mesmo para uma potência como a China, transferir essa demanda — ou seja, passar a vender para o país — é um processo difícil.

Quais países podem ser os principais destinos alternativos

O especialista em comércio exterior Jackson Campos também destaca que o Brasil enfrentaria dificuldades para redirecionar, no curto prazo, toda a produção atualmente destinada aos EUA.

Segundo ele, países como China, Índia, Vietnã, Indonésia, Emirados Árabes Unidos, México e nações europeias têm potencial para absorver parte da produção brasileira. Mas nenhum deles tem, isoladamente, capacidade para substituir o mercado americano de forma equivalente.

“A China, embora seja o maior parceiro comercial do Brasil, enfrenta desaceleração no consumo interno e restrições em setores como aço e petróleo, o que limita sua capacidade de absorção total”, afirma.

Campos acrescenta que, no caso de produtos como petróleocelulose carne bovina, a Ásia pode se tornar o principal destino alternativo, se necessário.

Produtos sob investigação da Seção 232 — como semicondutores, minerais críticos e produtos farmacêuticos — devem seguir isentos da tarifa de Trump, segundo a agência de notícias Reuters. A isenção também se estenderia ao petróleo e seus derivados, ponto que ainda é dúvida para setor.

Quais são as janelas de oportunidade para o Brasil

Welber Barral, consultor em comércio internacional, destaca que os países asiáticos tendem a ganhar mais protagonismo nas relações comerciais com o Brasil, caso a tarifa de 50% anunciada por Trump se concretize.

“Naturalmente, a Ásia é o principal mercado de expansão para os produtos brasileiros. O que essa questão com os EUA pode fazer é acelerar a crescente dependência dos mercados asiáticos pelas exportações do Brasil”, avalia.

Para André Galhardo, da Análise Econômica, o Brasil deve buscar escoar seus produtos para países com os quais já vem estreitando relações comerciais, especialmente nações interessadas em aderir ao Brics, países do sudeste asiático e a própria China.

  • O Brics é um grupo de países emergentes que inclui, atualmente, Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul, Emirados Árabes Unidos, Egito, Arábia Saudita, Etiópia, Indonésia e Irã.

A grande oportunidade estratégica, segundo o economista, é a aproximação com a União Europeia (UE). Ele acredita que o momento poderá servir para firmar laços e ampliar as exportações de bens tecnológicos e manufaturados — ou seja, de maior valor agregado — para os países da região.

“Poderíamos aproveitar esse momento para nos aproximar dos países europeus que estão ressentidos com o acirramento comercial com os EUA. É uma oportunidade única para o Brasil”, diz.

Jackson Campos reconhece que a União Europeia oferece potencial em determinados setores, mas ressalta que há forte concorrência interna. Por isso, ele sugere outras alternativas.

“Se a tarifa de 50% for mantida, o Brasil pode aproveitar para acelerar acordos com Índia e Indonésia e aprofundar o Mercosul com África e Oriente Médio”, conclui.

Fonte: G1

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Internacional, Mercado Internacional

Produtores de químicos do Brasil pedem diálogo diante da ameaça de tarifas dos EUA

O grupo comercial brasileiro que representa os produtores de produtos químicos, a Abiquim, expressou preocupação com a ameaça do presidente dos EUA, Donald Trump, de impor tarifas de 50% sobre as exportações brasileiras, e pediu um diálogo técnico para resolver a disputa.

Em uma resposta por escrito à ICIS, a Abiquim afirmou que a questão tem grande relevância para o setor químico, não apenas pelas exportações diretas para os EUA, mas também porque a indústria fornece insumos essenciais para setores exportadores, como o de alimentos processados e o de celulose e papel.

Segundo a Abiquim, o setor químico brasileiro teve um grande déficit comercial com os EUA em 2024, importando cerca de US$ 10,4 bilhões e exportando apenas US$ 2,4 bilhões. O déficit resultante em favor dos EUA foi de US$ 7,9 bilhões — em volume, o déficit totalizou 6 milhões de toneladas.

Subsetores da petroquímica americana, como soda cáustica, polietileno (PE) e ácido acético, entre outros, exportam grandes volumes para o Brasil e podem ser seriamente afetados caso o país resolva retaliar as tarifas com medidas equivalentes.

“A indústria química defende que as relações comerciais internacionais sejam tratadas exclusivamente com base no ganho econômico mútuo e no livre mercado, seguindo as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). Em um cenário sujeito a interferência política, acreditamos que o diálogo técnico é a melhor forma de resolver essa questão”, afirmou a Abiquim.

Ambos os lados correm risco de perdas, já que são mercados importantes para as exportações um do outro. Portanto, negociações são necessárias para evitar prejuízos para todas as partes envolvidas.”

Fonte: ICIS – Independent Commodity Intelligence Services

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Comércio Exterior, Mercado Internacional

Enquanto Brasil tem maior tarifa, Milei busca isenções dos EUA; veja diferenças

Brasil lidera lista de tarifas de até 50%, e a Argentina de Milei, alinhado ideologicamente com Trump, negocia isenções para até 80% de seus produtos

A nova rodada de tarifas comerciais anunciada pelo governo dos Estados Unidos sob a presidência de Donald Trump tem revelado abordagens distintas nas relações bilaterais com o Brasil e a Argentina. Enquanto o Brasil poderá enfrentar uma alíquota de 50% sobre todos os seus produtos exportados aos EUA a partir de 1º de agosto, a mais alta anunciada até o momento, a Argentina conseguiu avançar em negociações que podem garantir isenção tarifária para até 80% de seus produtos.

No caso brasileiro, a decisão da Casa Branca foi formalizada por meio de uma carta pessoal de Trump ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em que o líder americano associa a aplicação da tarifa ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. O documento inclui críticas ao Supremo Tribunal Federal brasileiro, acusações de censura contra plataformas digitais dos EUA e ameaças explícitas de retaliação em caso de medidas recíprocas. Analistas interpretam o gesto como uma iniciativa com forte componente político, que vai além de uma disputa comercial convencional.

A carta provocou reações firmes do governo brasileiro, que prometeu responder com base na lei de reciprocidade. A decisão também impactou os mercados: o Ibovespa futuro recuou, o dólar avançou e os contratos de juros futuros registraram alta. Economistas alertam para os potenciais efeitos inflacionários e para o risco de desaceleração de setores exportadores, especialmente os ligados a commodities como petróleo, carne e aço.

Por outro lado, a Argentina, que também foi incluída na lista original de países sujeitos à revisão tarifária em abril, tem conseguido avanços diplomáticos que indicam tratamento diferenciado. As negociações bilaterais resultaram até agora em uma lista de cerca de 100 produtos argentinos, incluindo vinho, limões e algodão, que devem ser mantidos com tarifa zero, mesmo após o fim da atual trégua em 1º de agosto. O aço e o alumínio, considerados setores estratégicos, devem permanecer com tarifa de 50%.

Três fatores foram determinantes para o avanço argentino: o alinhamento ideológico entre os presidentes Javier Milei e Donald Trump, a disposição da Argentina em facilitar exportações americanas, e seu papel estratégico como fornecedor confiável em meio à crescente tensão comercial entre Washington e Pequim. Segundo a imprensa argentina, o canal de negociação teria sido fortalecido por encontros recentes entre o chanceler argentino Gerardo Werthein e o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick.

Com cerca de US$ 6,5 bilhões em exportações para os EUA em 2024, a Argentina busca preservar seu acesso ao mercado americano em condições favoráveis, enquanto mantém diálogo com Washington para ampliar um Acordo de Complementação Econômica. A expectativa é que os termos do acordo sejam formalizados nas próximas semanas, mas a Casa Branca ainda avaliaria o melhor momento político para o anúncio.

Fonte: InfoMoney

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Comércio Exterior, Economia, Mercado Internacional

Lula: Nós temos que recorrer à OMC e nos juntar com outros países taxados pelos EUA

À TV Record, Lula disse que o Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) já estão em conversações com os EUA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou à TV Record, nesta quinta-feira (10) que defende a união do Brasil a outros países taxados pelos Estados Unidos para ingressar na Organização Mundial do Comércio (OMC) com um recurso. As declarações ocorrem um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter anunciado uma tarifa comercial de 50% sobre os produtos do Brasil.

Neste momento, Lula disse que o Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) já estão em conversações com os Estados Unidos. “Do ponto de vista diplomático, nós temos que recorrer à OMC. Você pode, junto com a OMC, encontrar um grupo de países que foram taxados pelos Estados Unidos e entrar com um recurso na OMC. Se nada disso der resultado, vamos ter que fazer a Lei da Reciprocidade”, afirmou.

Na ocasião, Lula considerou que a carta do presidente americano Donald Trump “não é mais dura” do que declarações que havia dado anteriormente. Em seguida, lembrou falas de Trump contra a criação de uma moeda alternativa ao dólar, medida que está em discussão entre os países dos Brics.

“Nós temos interesse de criar uma moeda de comércio entre os outros países. Eu não sou obrigado a comprar dólar para fazer relação comercial com a Venezuela, com a Bolívia, com Chile, com a Suécia, com a União Europeia, com a China. A gente pode fazer nas nossas moedas”, disse Lula. O presidente brasileiro disse que, caso Trump tenha divergência, deve levar a questão a um fórum internacional, para discutir o tema “civilizadamente”.

Fonte: InfoMoney

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Comércio Exterior

De madeira a carne suína: os produtos de SC mais vendidos aos Estados Unidos

País que anunciou tarifaço de 50% sobre mercadorias brasileiras a partir de agosto é maior mercado internacional de SC

Produtos de madeira, motores e materiais elétricos compõem a lista de produtos fabricados em Santa Catarina com maior volume de vendas para os Estados Unidos. Esses setores devem ser os mais impactados pelo “tarifaço” anunciado nesta quarta-feira (10) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra todos os produtos brasileiros. A taxa extra de 50% deve entrar em vigor em 1º de agosto, segundo carta divulgada por Trump.

O Observatório da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) aponta que a economia de Santa Catarina já vendeu 847,2 milhões de dólares em produtos para os Estados Unidos este ano, entre janeiro e junho. O segmento de obras de carpintaria para construções, que consistem em painéis de madeira usados na construção civil, incluindo painéis para revestimentos de pisos e base para telhados, representa o maior volume de vendas, com 118 milhões comercializados no primeiro semestre deste ano. O valor equivale a 14% de todas as exportações de SC para os EUA.

Ao longo de 2024, o Estado vendeu 1,7 bilhão em produtos aos Estados Unidos. Os três produtos mais comercializados foram os mesmos do primeiro semestre deste ano, puxados por obras de carpintaria para construções, que teve 283,8 milhões de dólares negociados com o país de Trump.

Nacionalmente, os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, mas para Santa Catarina os EUA ainda são o maior mercado internacional. O país respondeu por 14% das exportações brasileiras no primeiro semestre deste ano, seguido por China (9,9%) e Argentina (7%).

Volume de importações ainda é maior

Apesar do volume de vendas, a balança comercial de SC com os Estados Unidos ainda apresenta déficit, já que foram importados dos EUA 1 bilhão de dólares em produtos no primeiro semestre, o que resultou em um saldo negativo de 235 milhões de dólares. Na carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Trump alegou que os Estados Unidos registrariam déficit nas relações comerciais com o Brasil, o que não se confirma nos dados de vendas no mercado internacional do país e nem do Estado.

Após o anúncio de Trump, a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) afirmou que o tarifaço vai gerar desemprego no Estado e defendeu a diplomacia na negociação entre os países para evitar a aplicação da taxa a partir do próximo mês.

Sem poder exportar aos EUA, a opção é jogar para um outro país as vendas. Mas não existe mercado para comprar o volume que nós produzimos. E o mercado interno também não suporta tudo o que nós fazemos – afirmou o presidente eleito da Fiesc, Gilberto Seleme, em entrevista à colunista Estela Benetti, do NSC Total.

Ranking de produtos de SC mais exportados aos EUA

  • 1º) Obras de carpintaria para construções: 118,5 milhões de dólares (14%)
  • 2º) Motores elétricos: 82 milhões de dólares (9,7%)
  • 3º) Partes de motor: 72,3 milhões de dólares (8,5%)
  • 4º) Madeira serrada: 59,1 milhões de dólares (7%)
  • 5º) Madeira em forma: 58,7 milhões de dólares (6,9%)
  • 6º) Outros móveis: 58 milhões de dólares (6,8%)
  • 7º) Madeira compensada: 54,5 milhões de dólares (6,4%)
  • 8º) Transformadores elétricos: 31,9 milhões de dólares (3,8%)
  • 9º) Partes e acessórios para veículos: 30,8 milhões de dólares (3,6%)
  • 10º) Carne suína: 24 milhões de dólares (2,8%)

Fonte: NSC Total

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Internacional

URGENTE: Rússia fala em expandir o Brics após ofensiva de Trump contra o Brasil

Um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impor tarifas de 50% sobre os produtos do Brasil, a Rússia sugeriu expandir o Brics, grupo geopolítico que inclui, além de Brasil e Rússia, países como a China. A manifestação do governo russo aconteceu nesta quinta-feira (10/7).

Trump x Brics
No início de 2025, Trump já havia feito ameaças contra os Brics.
Na ocasião, o presidente norte-americano ameaçou aplicar taxas de 100% aos países membros do bloco que não se curvassem aos “interesses comerciais dos EUA”.
Há alguns anos, os países membros dos Brics discutem a criação de uma moeda comum para negociações, como uma alternativa ao dólar no comércio internacional.
De acordo com o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Ryabkov, o aumento do grupo pode acontecer por meio de países parceiros — aqueles que, na prática, possuem menor poder de decisão em relação aos membros plenos do bloco.

“Estamos confiantes de que os países incluídos no primeiro círculo de [membros] parceiros trarão seus próprios elementos especiais de valor agregado à cooperação do Brics”, afirmou Ryabkov. “Tenho certeza de que outros os seguirão no futuro”.


A categoria de membros parceiros foi criada na cúpula dos Brics em Kazan, realizada na Rússia em 2024, e se tornou realidade no início deste ano. Sob a presidência do Brasil, o bloco anunciou a entrada de Nigéria, Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Tailândia, Uganda, Uzbequistão e Vietnã sob tal condição.

De acordo com os últimos dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), os países do Brics, juntos, representam atualmente 40% da economia mundial. O número supera a participação, por exemplo, do G7. O grupo, composto pela economias mais desenvolvidas do mundo, soma 28%

Antes de anunciar a tarifa de 50% sobre exportações do Brasil para os EUA, Trump chegou a fazer ameaças contra o Brics, por meio de sua guerra tarifária.

Na ocasião, o presidente norte-americano disse que os países do bloco, ou nações que se aproximassem do que chamou de políticas antiamericanas, poderiam ser alvos de taxas econômicas na casa dos 10%. Ele prometeu que a medida poderia ser anunciada “em breve”.

Fonte: Metrópoles

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Economia, Internacional

Para CNI, não há fato econômico que justifique tarifas de 50% e é preciso preservar relação comercial com os EUA

Confederação Nacional da Indústria (CNI) defende intensificar negociação diante de tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos ao Brasil

A imposição de 50% de tarifas sobre o produto brasileiro por parte dos Estados Unidos foi recebida com preocupação e surpresa pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Para a instituição, a prioridade deve ser intensificar a negociação com governo de Donald Trump para preservar a relação comercial histórica e complementar entre os países.


“Não existe qualquer fato econômico que justifique uma medida desse tamanho, elevando as tarifas sobre o Brasil do piso ao teto. Os impactos dessas tarifas podem ser graves para a nossa indústria, que é muito interligada ao sistema produtivo americano. Uma quebra nessa relação traria muitos prejuízos à nossa economia. Por isso, para o setor produtivo, o mais importante agora é intensificar as negociações e o diálogo para reverter essa decisão”, avalia Ricardo Alban, presidente da CNI.


Brasil e Estados Unidos sustentam uma relação econômica robusta, estratégica e mutuamente benéfica alicerçada em 200 anos de parceria. Os EUA são o 3° principal parceiro comercial do Brasil e o principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira. O aumento da tarifa para 50% terá impacto significativo na competitividade de cerca de 10 mil empresas que exportam para os Estados Unidos.

Resultados preliminares de consulta realizada pela CNI indicaram que um terço das empresas respondentes que exportam bens e/ou serviços aos EUA tiveram impactos negativos nos seus negócios. O levantamento foi realizado entre os meses de junho e início de julho, ainda no contexto da tarifa básica de 10% e demais medidas comerciais setoriais.

A CNI reforça a importância de intensificar uma comunicação construtiva e contínua entre os dois governos. “Sempre defendemos o diálogo como o caminho mais eficaz para resolver divergências e buscar soluções que favoreçam ambos os países. É por meio da cooperação que construiremos uma relação comercial mais equilibrada, complementar e benéfica entre o Brasil e os Estados Unidos” destaca Ricardo Alban.

EUA têm superávit de US$ 256,9 bi com Brasil

Ao contrário da afirmação do governo dos Estados Unidos, o país norte-americano mantém superávit com o Brasil há mais de 15 anos. Somente na última década, o superávit norte-americano foi de US$ 91,6 bilhões no comércio de bens. Incluindo o comércio de serviços, o superávit americano atinge US$ 256,9 bilhões. Entre as principais economias do mundo, o Brasil é um dos poucos países com superávit a favor dos EUA.

A CNI aponta que a entrada de produtos norte-americanos no Brasil estava sujeita a uma tarifa real de importação de 2,7% em 2023, o que diverge da declaração da Casa Branca. A tarifa efetiva aplicada pelo Brasil aos Estados Unidos foi quatro vezes menor do que a tarifa nominal de 11,2% assumida no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Nova medida impacta relação de forte complementariedade econômica

A tarifa afeta a economia americana. O relacionamento bilateral é marcado por complementariedade, isto é, o comércio bilateral é composto por fluxos intensos de insumos produtivos. Na última década, esses bens representaram, em média, 61,4% das exportações e 56,5% das importações brasileiras.

A forte integração econômica entre os dois países é evidenciada pelas 3.662 empresas americanas com investimentos no Brasil e pelas 2.962 empresas brasileiras com presença nos Estados Unidos. Os Estados Unidos foram o principal destino dos anúncios de investimentos greenfield brasileiro no mundo entre 2013 e 2023, concentrando 142 projetos de implantação produtiva.

As exportações brasileiras para os EUA têm grande relevância para a economia nacional. Em 2024, a cada R$ 1 bilhão exportado ao mercado americano foram gerados 24,3 mil empregos, R$ 531,8 milhões em massa salarial e R$ 3,2 bilhões em produção no Brasil. Portanto, o aumento da tarifa de importação americana para 50% impacta diretamente a economia brasileira e abala a cooperação com os EUA.

Fonte: Portal da Indústria

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Agronegócio, Mercado Internacional

Carne bovina na mira de Trump: setor em Mato Grosso teme prejuízos

Acrimat e Frente Parlamentar do Agro pedem diplomacia firme e urgência do governo federal para conter impactos da decisão

O setor pecuário de Mato Grosso vê com preocupação o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre taxar em 50% as importações oriundas do Brasil. A notícia pegou o país de surpresa nesta quarta-feira (9).

Segundo analistas econômicos, a tarifa de 50% anunciada sobre os produtos brasileiros é a mais alta entre as novas taxas divulgadas até agora por Donald Trump.

Na última segunda-feira (7), o presidente norte-americano iniciou o envio de cartas informando aos países que a partir de 1º de agosto terão de pagá-las caso não firmem um novo acordo comercial. Trump definiu taxas mínimas sobre produtos importados, que variam entre 20% e 50%, a depender do país.

Em nota, a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) relata ver com preocupação “a promessa de taxação em cerca de 50% da carne bovina enviada para os EUA”. Para a entidade, a medida “retira o nosso produto da concorrência para esse mercado tão importante para o nosso setor”.

Conforme a Acrimat, a nova taxação dos Estados Unidos colocaria o preço da tonelada da carne bovina mato-grossense em cerca de US$ 8,6 mil, o que inviabilizaria a comercialização para aquele país.

“Solicitamos ao Governo Federal que utilize todos os recursos e esforços para a resolução desse problema, com muito diálogo e disposição. Acreditamos na soberania nacional, mas acreditamos principalmente no bom senso e na pacífica negociação antes de se tomarem medidas intempestivas que podem levar a resultados desastrosos para nossa economia”, frisa o presidente da entidade, Oswaldo Pereira Ribeiro Junior.

Também em nota, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) declarou que é preciso “cautela” e uma “diplomacia firme diante da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos ao Brasil”.

“A medida, comunicada por meio de carta oficial enviada ao governo brasileiro, representa um alerta ao equilíbrio das relações comerciais e políticas entre os países”

A FPA destaca que a nova alíquota traz reflexos diretos ao Brasil e “atinge o agronegócio nacional, com impactos no câmbio, no consequente aumento do custo de insumos importados e na competitividade das exportações brasileiras”.

Fonte: Mato Grosso Canal Rural

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