Exportação

Exportadores brasileiros antecipam embarques aos EUA diante de risco de alta nas tarifas

Com a entrada em vigor da nova tarifa adicional de 10% dos Estados Unidos, exportadores brasileiros correm para antecipar embarques ao mercado norte-americano. O movimento ocorre em meio à incerteza sobre possível elevação da alíquota para 15% e ao risco de novas sobretaxas com base na Seção 301 da legislação comercial dos EUA.

A nova taxa global passou a valer na terça-feira (24) e substitui o chamado “choque tarifário” anterior, que impunha sobretaxas de 40% e 50% a parte das exportações brasileiras.

Novo cenário tarifário nos EUA

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), indicam que, antes de decisão da Suprema Corte dos EUA derrubar as tarifas impostas com base no IEEPA (Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional), cerca de 22% das exportações brasileiras ao mercado americano estavam sujeitas às sobretaxas mais elevadas.

Após a decisão judicial e atos executivos que eliminaram essas cobranças, o cenário mudou:

  • 25% das exportações brasileiras passaram a pagar tarifa adicional de 10%, com possibilidade de aumento para 15%;
  • 46% não enfrentam sobretaxa;
  • 29% permanecem sujeitas a tarifas entre 10% e 50%, com base na Seção 232, aplicada a produtos como aço, alumínio e madeira.

A nova tarifa global está fundamentada na Seção 122 da lei comercial dos anos 1970.

Risco da Seção 301 preocupa indústria

Apesar da carga tributária atual ser mais branda, a Abimaq trabalha com um cenário mais cauteloso: aumento da tarifa para 15% e eventual desfecho desfavorável na investigação aberta contra o Brasil com base na Seção 301.

O presidente da entidade, José Velloso, avalia que a Seção 301 pode resultar em sobretaxas específicas contra produtos brasileiros, diferentemente da tarifa global de 10%, que atinge todos os fornecedores.

Segundo ele, mesmo uma elevação aparentemente pequena, de 10% para 15%, representa grande insegurança para importadores norte-americanos.

A advogada especializada em comércio exterior Vera Kanas, sócia da VK Law, observa que a Seção 122 permite tarifa de até 15%, mas questiona a base legal da medida vinculada ao déficit comercial dos EUA. Para ela, há risco de contestação no Congresso ou até nova judicialização na Suprema Corte.

Setor calçadista ganha competitividade

Para a Abicalçados, o novo ambiente tarifário trouxe melhora relativa na competitividade do produto brasileiro.

Com a substituição da sobretaxa de 50% por uma tarifa global de 10%, os calçados nacionais deixaram de enfrentar desvantagem frente a concorrentes asiáticos no mercado americano.

Até julho de 2025, antes do choque tarifário, as exportações brasileiras de calçados aos EUA haviam crescido 15,3% em volume na comparação anual. No entanto, entre agosto e dezembro de 2025, já sob a sobretaxa, houve queda de 23,4% nos embarques.

A entidade classifica o momento como de “otimismo cauteloso”.

Investigação pode ampliar tensão comercial

A investigação com base na Seção 301 foi aberta em 15 de julho do ano passado e já está em estágio avançado. As alegações envolvem supostas práticas discriminatórias que afetariam o comércio dos EUA, incluindo temas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico — como o Pix — propriedade intelectual e questões ambientais.

Velloso afirma que a defesa brasileira foi consistente, mas avalia que a decisão pode ter caráter político. Caso o Brasil seja penalizado, o governo americano poderá impor tarifas adicionais sobre qualquer produto nacional, a qualquer momento.

A expectativa é de que o desfecho ocorra entre o fim de maio e junho.

Estratégia é antecipar exportações

Diante desse cenário, entidades do setor orientam empresas a antecipar vendas e embarques aos EUA, se possível com chegada das mercadorias até meados de abril. Considerando que o processo completo de exportação até o desembarque leva cerca de 45 dias, o tempo é fator decisivo.

José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil, reforça que a recomendação geral é adiantar embarques sempre que viável, embora isso dependa de negociação com importadores e da volatilidade cambial.

Ele também destaca que muitos produtos isentos da tarifa global de 10% são commodities, o que pode reduzir a participação de bens com maior valor agregado na pauta exportadora brasileira aos EUA.

Seção 232 adiciona complexidade

Outro fator de preocupação é a Seção 232, que mantém sobretaxas justificadas pela proteção da indústria americana de aço e alumínio.

Além das tarifas de até 50% já aplicadas a esses metais, o governo dos EUA incluiu, em julho de 2025, novos produtos intensivos em aço na lista, afetando máquinas rodoviárias e equipamentos de construção e mineração.

Nesse caso, a tributação incide proporcionalmente ao conteúdo de aço no produto. Se o aço representar 20% do custo da máquina, por exemplo, essa parcela paga 50% de imposto, enquanto os demais 80% ficam sujeitos à tarifa geral de 10%.

Impacto nas exportações brasileiras

A Abimaq registrou exportações de US$ 14 bilhões em 2025, sendo os Estados Unidos o principal destino, com US$ 3,2 bilhões. Antes do choque tarifário, as vendas ao mercado americano haviam alcançado US$ 4 bilhões.

Segundo o setor, a queda não foi maior devido a contratos já firmados e ao perfil específico dos produtos exportados, que mantiveram a demanda por parte de importadores americanos.

No entanto, caso novas sobretaxas sejam aplicadas, há risco de perda gradual de contratos e substituição de fornecedores.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pexels

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Comércio Exterior

Nova Ordem Executiva dos EUA reduz tarifas e amplia competitividade do Brasil

O governo dos Estados Unidos revogou, na sexta-feira (20/2), as Ordens Executivas que aplicavam tarifas de 40% sobre produtos brasileiros, além das tarifas recíprocas de 10% vigentes para diversos países.

No mesmo dia, foi publicada uma nova ordem estabelecendo tarifa global de 10%, com exceções para determinados produtos. No sábado (21), os EUA anunciaram a intenção de aumentar essa tarifa para 15%, mas o ato formal ainda não foi publicado.

Antes das mudanças, cerca de 22% das exportações brasileiras para os EUA enfrentavam tarifas adicionais de 40% ou 50%. Com as novas medidas, aproximadamente 25% das exportações do Brasil (US$ 9,3 bilhões) passam a ser tributadas em 10% ou 15%, alinhando-se à tarifa aplicada a outros países.

Produtos brasileiros ganham competitividade

Segundo estimativas, 46% das exportações brasileiras para os EUA em 2025 (US$ 17,5 bilhões) não terão tarifas adicionais, devido às exceções previstas na Ordem Executiva. Produtos já abrangidos pela Seção 232, que somam 29% das exportações (US$ 10,9 bilhões), continuam sujeitos às tarifas específicas definidas nesse mecanismo.

O novo regime aumenta a competitividade de setores estratégicos do Brasil no mercado norte-americano. Entre os segmentos beneficiados estão máquinas e equipamentos, calçados, móveis, confecções, madeira, produtos químicos e rochas ornamentais, que deixam de enfrentar tarifas de 50% e passam a competir sob alíquota de 10% ou 15%.

Destaque para aeronaves e agropecuária

Uma novidade do novo regime é a exclusão das aeronaves das novas tarifas, que passam a ter alíquota zero (antes 10%). Aeronaves foram o terceiro principal item da pauta exportadora brasileira para os EUA em 2024 e 2025, com alto valor agregado e importante conteúdo tecnológico.

No setor agropecuário, produtos como pescados, mel, tabaco e café solúvel também têm redução de alíquota de 50% para 10% ou 15%, competindo em condições equivalentes aos fornecedores internacionais.

Comércio bilateral Brasil-EUA em 2025

Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e Estados Unidos atingiu US$ 82,8 bilhões, 2,2% acima do registrado em 2024. As exportações brasileiras totalizaram US$ 37,7 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 45,1 bilhões, gerando déficit comercial de US$ 7,5 bilhões para o Brasil.

Os dados são estimativos, considerando que a classificação tarifária dos produtos envolve consolidação de códigos HTS e critérios adicionais de aplicação nos EUA, podendo gerar pequenas variações nas alíquotas efetivas.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Getty Images

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Comércio Internacional

Trump ameaça aumentar tarifas para países que “fizerem joguinhos”

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (23) que qualquer país que tentar manipular a recente decisão da Suprema Corte enfrentará tarifas mais altas.

Declaração do presidente

Em postagem na rede social Truth Social, Trump afirmou que países que “fizerem joguinhos”, especialmente aqueles que historicamente exploraram os EUA, terão tributos aduaneiros superiores aos já anunciados. “Qualquer país que queira fazer joguinhos com a ridícula decisão da Suprema Corte enfrentará tarifas muito mais altas, e piores, do que as anunciadas recentemente”, escreveu.

Decisão da Suprema Corte

Na sexta-feira (20), a Suprema Corte norte-americana considerou, por 6 votos a 3, que as tarifas aplicadas por Trump no ano passado, com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), são ilegais. A medida afetava diversas nações e gerou incerteza sobre o reembolso dos US$ 134 bilhões já pagos por empresas que sofreram os tributos.

Novas medidas de tarifas

Após a decisão, Trump anunciou uma nova taxa global de 10%, que entraria em vigor em 24 de fevereiro, fundamentada em uma seção da lei que limita a alíquota a 150 dias, podendo ser estendida com autorização do Congresso dos EUA. No sábado (21), o presidente aumentou a tarifa para 15%, sinalizando um endurecimento na política comercial.

FONTE: CNN
TEXTO: Redação
IMAGEM:  REUTERS/Kevin Lamarque

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Comércio Exterior

Trump remove tarifa de 40% e libera produtos agrícolas do Brasil para os EUA

Donald Trump assinou, nesta quinta-feira (20), uma ordem executiva que revoga as sobretaxas de 40% sobre uma série de produtos agrícolas brasileiros. A medida passa a valer em 13 de novembro, abrindo caminho para a retomada das exportações nacionais a pleno ritmo.

Principais exportações brasileiras são beneficiadas

A lista contempla itens estratégicos para o comércio exterior brasileiro, como café, carne bovina, frutas e petróleo — alguns dos produtos de maior peso na pauta de exportações aos Estados Unidos.

A remoção das tarifas acompanha o decreto global anunciado em 14 de novembro, que eliminou as chamadas tarifas recíprocas para diversos bens importados pelos EUA. Com isso, o Brasil já havia deixado de pagar uma alíquota adicional de 10% na última semana.

Sobretaxas impostas no “tarifaço” são anuladas

Com a nova decisão, as sobretaxas de 50% aplicadas durante o tarifaço são totalmente zeradas. Importadores que tiveram cargas tarifadas após a data de retirada das cobranças serão reembolsados.

A medida reverte o decreto de 30 de julho, que classificava como “emergência nacional” as supostas ações do governo brasileiro consideradas “incomuns” e “extraordinárias” por Washington.

Negociação entre Trump e Lula destravou impasse

Segundo comunicado da Casa Branca, a revogação ocorreu após uma conversa telefônica entre Trump e o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, em 6 de outubro. Ambos teriam concordado em avançar nas negociações tarifárias.

Trump mencionou que recomendações técnicas e a demanda interna norte-americana também pesaram na decisão.

Setor produtivo brasileiro comemora decisão

Café: retomada de espaço no mercado americano

Para o diretor-geral do Cecafé, Marcos Matos, a isenção chega como um “presente de Natal antecipado”. Ele afirma que o café brasileiro vinha perdendo espaço para concorrentes como Colômbia e Vietnã.

“Agora é correr para reconquistar os blends e reduzir impactos”, destacou.

Carne bovina: estabilidade garantida

A Abiec classificou a decisão como importante para a “estabilidade do comércio internacional”, preservando condições equilibradas para todos os países e reforçando a competitividade da carne bovina brasileira.

Indústria vê avanço nas relações bilaterais

A CNI chamou a retirada das tarifas de “avanço concreto” na agenda bilateral, lembrando que o Brasil é um dos principais parceiros comerciais dos EUA.

A Fiemg destacou o papel da diplomacia. Para o presidente Flávio Roscoe, o diálogo direto entre os governos foi essencial para “reestabelecer previsibilidade aos exportadores”.

Efeito imediato para empresas brasileiras

A Amcham Brasil afirmou que o decreto tem efeito imediato, fortalecendo a competitividade das empresas brasileiras e indicando “um resultado concreto” do diálogo de alto nível entre os dois países.

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que Brasil e Estados Unidos não podiam ficar sujeitos a “fofocas e intrigas”, e que o contato direto entre os presidentes trouxe a situação “de volta à normalidade”.

Para o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luis Rua, a decisão reabre plenamente o mercado americano para cadeias importantes como frutas, castanhas, madeiras, carne bovina e água de coco.

Setor de pescados fica de fora da isenção

O único setor que demonstrou frustração foi o de pescados, que não entrou na lista de isenções. Com exportações anuais de cerca de US$ 300 milhões, o presidente da Abipesca, Eduardo Lobo, lamentou a falta de avanços.

“Estamos felizes pelos demais setores, mas frustrados pela falta de priorização do pescado”, afirmou.

Com informações de CNN Brasil.
Texto Redação

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Economia

Tarifas dos EUA já reduzem exportações do Brasil, aponta Fazenda

Exportações brasileiras sofrem impacto direto

O Ministério da Fazenda confirmou que as tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros já provocam queda significativa nas vendas externas do país. A informação consta no boletim Macrofiscal da Secretaria de Política Econômica (SPE), divulgado nesta quinta-feira (13).

Entre agosto e outubro, as exportações brasileiras para o mercado norte-americano recuaram aproximadamente US$ 2,5 bilhões, uma redução de 24,9% em relação ao mesmo período de 2023. Segundo o relatório, o declínio se intensificou mês a mês: 16,5% em agosto, 19,4% em setembro e expressivos 37,9% em outubro.

Produtos mais afetados pelas novas tarifas

As tarifas, em vigor desde agosto, atingiram de forma mais severa alguns dos principais itens da pauta exportadora. Entre os produtos com maiores perdas estão:

  • Petróleo bruto: queda de US$ 404 milhões (-30,3%);
  • Carne bovina congelada: recuo de US$ 165,2 milhões (-60,5%);
  • Celulose de eucalipto: redução de US$ 126 milhões (-33,0%);
  • Ferro bruto: queda de US$ 119 milhões (-27,8%);
  • Açúcar de cana refinado: baixa de US$ 111 milhões (-91,6%).

Superávit segue positivo e mercados são redirecionados

Apesar da retração nos embarques para os EUA, o desempenho geral das exportações brasileiras permaneceu positivo. Em outubro, a balança comercial registrou superávit de US$ 7 bilhões.

O boletim também destaca que houve um redirecionamento comercial relevante. Para a Argentina, avançaram as vendas de automóveis, caminhões-trator, energia elétrica e veículos de carga leve. Já para a China, cresceram as exportações de soja, carne bovina, petróleo bruto e minério de ferro.

Segundo a SPE, esse movimento ajuda a amortecer o impacto das tarifas:

“O impacto das tarifas norte-americanas vem sendo parcialmente compensado pela diversificação de mercados e por políticas de apoio que sustentam a produção, o emprego e a resiliência do setor exportador.”

Negociações diplomáticas seguem em andamento

As tratativas para suspender as tarifas já ocorreram em três encontros entre o chanceler brasileiro Mauro Vieira e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, principal negociador das medidas. O governo brasileiro pressiona para que as taxas sejam retiradas ainda durante a fase de negociação.

A iniciativa integra a nova agenda diplomática firmada entre Brasil e Estados Unidos após a primeira reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Donald Trump, realizada em 26 de outubro, na Malásia.

Com informações da SPE/Ministério da Fazenda.
Texto: Redação

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Exportação

Exportações do Brasil sobem apesar de queda de 38% nas vendas aos EUA

As exportações brasileiras cresceram mais do que o esperado em outubro, mesmo com uma queda de 37,8% nos embarques para os Estados Unidos, levando alguns economistas a considerarem revisar para cima suas projeções de superávit comercial para 2025.

Os embarques para a China têm sustentado o desempenho das exportações nos últimos meses, embora as perspectivas para 2026 permaneçam incertas devido às negociações tarifárias em andamento entre China e EUA.

O superávit comercial do Brasil atingiu US$ 7 bilhões em outubro, ante US$ 4,1 bilhões no mesmo mês do ano anterior, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). As exportações somaram US$ 32 bilhões, alta de 9,1%, enquanto as importações caíram 0,8%, para US$ 25 bilhões.

No acumulado do ano, o superávit comercial está em US$ 52,4 bilhões. As exportações entre janeiro e outubro chegaram a US$ 289,7 bilhões, aumento de 1,9% em relação ao mesmo período de 2024. As importações totalizaram US$ 237,3 bilhões, alta de 7,1%. O volume total de comércio atingiu US$ 527,7 bilhões.

“Surpresa positiva”

“Prevíamos um superávit de US$ 6,1 bilhões em outubro, então o resultado foi uma surpresa positiva”, disse André Valério, economista do Banco Inter. Ele observou que esse desempenho pode levar a uma revisão da estimativa de superávit comercial do banco para 2025, atualmente em US$ 61 bilhões. Agora, um superávit mais próximo de US$ 63 bilhões é possível.

Lucas Barbosa, economista da AZ Quest, destacou o forte volume exportado. Dados da Secex mostram que o volume das exportações subiu 3,4% em relação ao mês anterior. “Isso levou o volume dessazonalizado ao nível mais alto da série histórica desde janeiro de 2006. É um recorde, apesar das barreiras comerciais globais deste ano, incluindo restrições sanitárias às aves, problemas na safra de café e tarifas dos EUA”, afirmou.

Valério classificou o cenário de exportações em 2025 como “um pouco atípico” devido às tarifas americanas e seus efeitos. “Houve outra queda acentuada nas exportações para os EUA, enquanto a China continua comprando fortemente, absorvendo boa parte da oferta excedente atual”, disse. O açúcar é um exemplo: os embarques para os EUA diminuíram, enquanto a China absorveu a maior parte da produção.

Segundo José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), a surpresa nas exportações de outubro veio principalmente da China. As exportações para o país cresceram 33,4% em relação a outubro de 2024, impulsionadas por soja (+74,9%), minério de ferro (+27,7%), petróleo bruto (+46,9%) e carne bovina (+43,6%). A participação da China nas exportações totais do Brasil passou de 23,6% em outubro de 2024 para 28,8% em outubro de 2025.

Castro observou que a carne bovina é um dos produtos afetados pelas tarifas dos EUA, mas tem sido redirecionada para a China e novos mercados.

Comércio EUA-China

Valério disse que a frágil trégua comercial entre EUA e China é motivo de preocupação. “A China está se comprometendo a comprar mais soja dos EUA, o que pode afetar nosso desempenho. As exportações de soja neste ano estão excepcionalmente altas”, afirmou.

Ele lembrou, contudo, que uma situação semelhante em 2018 ajudou o Brasil a ganhar participação no mercado chinês, mesmo após a normalização das relações. “Podemos ver outro ganho de mercado, mesmo que a China retome as compras dos EUA”, acrescentou.

Herlon Brandão, diretor de estatísticas e estudos de comércio do MDIC, apontou que as exportações para os EUA têm caído em ritmo acelerado: queda de 16,5% em agosto, 20,3% em setembro e 37,9% em outubro, na comparação anual.

Brandão ressaltou que essa queda não se deve apenas às tarifas. Mesmo produtos que ainda têm tarifa zero registraram retração nas exportações, o que pode indicar uma demanda mais fraca dos EUA. Ele citou como exemplos combustíveis, celulose e ferro-gusa.

Ele afirmou que ainda é cedo para confirmar uma ampla reorientação das exportações brasileiras, embora algumas commodities possam encontrar novos compradores com mais facilidade. Já os bens industriais, como máquinas e equipamentos, enfrentariam maiores dificuldades.

Apoio da Argentina

Valério também destacou o papel da Argentina no comércio brasileiro. As exportações para o país vizinho desaceleraram em outubro, mas continuam fortes, principalmente devido aos embarques de veículos. Ele alertou que 2026 traz novas incertezas. “Há pouco otimismo por causa dos desafios estruturais da Argentina. Grande parte do comércio atual é sustentada pelo peso artificialmente valorizado mantido pelas bandas cambiais do presidente Javier Milei”, disse.

Castro compartilha dessa preocupação, projetando um superávit comercial do Brasil com a Argentina de cerca de US$ 4 bilhões em 2025, mas espera que ele caia para perto de zero em 2026.

Dados da Secex mostram que as exportações para a Argentina subiram 5,8% em outubro e acumulam alta de 41,4% no ano.

Quanto às importações, Valério observou que, excluindo plataformas de petróleo, os números apontam desaceleração. “O crescimento das importações está diminuindo, especialmente do setor industrial, que nos últimos anos impulsionou as compras externas, principalmente de bens de capital. Ainda assim, as importações permanecem robustas, em US$ 25 bilhões por mês, um nível elevado.”

Ele também destacou uma queda de 43% nas importações da Rússia em outubro, devido à redução nos embarques de diesel e fertilizantes. No acumulado do ano, as importações da Rússia caíram 13,1%.

Barbosa, da AZ Quest, afirmou que, com a recente melhora nos preços das commodities, o Brasil poderá manter ou aumentar ligeiramente seus níveis de exportação no próximo ano. “Se a atividade econômica interna desacelerar e reduzir a demanda por importações, o saldo comercial poderá melhorar entre 2025 e 2026.”

A AZ Quest projeta um superávit comercial de US$ 60 bilhões a US$ 65 bilhões em 2025, embora Barbosa observe que as fortes importações no início do ano limitaram o saldo. Para 2026, ele espera que o superávit suba para cerca de US$ 70 bilhões, impulsionado por uma esperada desaceleração das importações e pela continuidade da força nas exportações.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Rogerio Vieira/Valor

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Exportação

Setores gaúchos encontram novos mercados após tarifas dos EUA

Setores exportadores do Rio Grande do Sul reagiram rapidamente às sobretarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. No último trimestre, sete segmentos conseguiram redirecionar suas exportações para outros destinos, amenizando o impacto das medidas. Entre eles estão tabaco, armas e munições, veículos, borracha, obras de pedra, ferro e aço, e móveis.

O levantamento técnico, conduzido pelo economista-chefe da CDL POA, Oscar Frank, analisou o comportamento de dez setores diante do novo cenário tarifário. O estudo mostrou que, ao excluir as vendas para os EUA, vários produtos gaúchos conseguiram ampliar sua presença em outros mercados.

Crescimento expressivo em novos destinos

Um dos destaques foi o tabaco, cujas exportações cresceram 61,5% para a Indonésia e impressionantes 15.375% para a Suíça no bimestre de agosto e setembro de 2025, em comparação ao mesmo período do ano anterior. Segundo Frank, o estudo utilizou um cenário hipotético sem o “tarifaço” americano para medir o desempenho real após a aplicação das sobretaxas.

“O tarifaço começou em agosto, mas em julho já observamos um comportamento diferente dos agentes econômicos, que anteciparam embarques. Estimamos o que seria esperado para os meses de julho, agosto e setembro e comparamos com o que de fato ocorreu”, explicou o economista.

Setores mais e menos afetados

De acordo com o levantamento, os sete setores mencionados conseguiram compensar total ou parcialmente as perdas nas vendas aos Estados Unidos. No entanto, o impacto das tarifas foi desigual. Produtos com demanda internacional diversificada se adaptaram melhor, enquanto segmentos dependentes de nichos regulados ou com mercados restritos registraram queda.

Os setores de madeira, calçados e alumínio apresentaram resultados negativos, com redução líquida nas exportações, mesmo ao desconsiderar o comércio com os EUA.

RS entre os estados mais afetados

O Rio Grande do Sul foi um dos estados mais prejudicados pelas tarifas norte-americanas, enfrentando uma alíquota média efetiva de 44,7%, acima da média nacional de 34,6%. A variação entre os estados se explica pela relevância dos produtos afetados e pela participação de cada item na pauta exportadora destinada ao mercado americano entre janeiro e setembro de 2025.

FONTE: Correio do Povo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Fabio Scremin/APPA

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Comércio Exterior

Brasil busca solução para tarifas de carne bovina nos EUA

A indústria de carne bovina do Brasil aguarda uma definição sobre as tarifas adicionais aplicadas pelos Estados Unidos nos próximos 60 dias. A previsão foi feita por Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).

“Eu acredito que, em um prazo entre 30 e 60 dias, isso deve estar equacionado”, declarou Perosa, destacando o otimismo da associação diante das negociações bilaterais após o encontro dos presidentes Lula e Donald Trump, na Malásia, no fim do mês passado.

Queda nas exportações e impacto do aumento de tarifas

As exportações de carne bovina do Brasil para os EUA, atualmente o segundo maior mercado do produto brasileiro após a China, sofreram queda desde agosto, quando foram impostas as taxas adicionais. Perosa afirmou que espera boas notícias em breve, com a possível retirada das tarifas, o que permitiria a retomada do fluxo comercial.

O aumento tarifário elevou o imposto sobre a carne brasileira para 76,4%, sendo 50 pontos percentuais referentes à taxa adicional. Antes, a alíquota já era de 26,4% para exportar aos Estados Unidos.

Negociações bilaterais e outros produtos brasileiros

Além da carne bovina, o Brasil busca a redução de tarifas para outros itens, como o café, reforçando a importância do país norte-americano como maior consumidor mundial e principal importador de grãos brasileiros.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/InfoMoney

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Importação

Importações brasileiras devem bater recorde em 2025, aponta CNI

Aumento das importações pode afetar balança comercial do Brasil

O Brasil deve registrar um volume recorde de importações em 2025, segundo projeção divulgada nesta sexta-feira (17) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O crescimento da demanda por produtos estrangeiros e os preços mais competitivos praticados no exterior são os principais fatores apontados pela entidade para o avanço nas compras internacionais.

Projeção para 2025: US$ 287,1 bilhões em importações

De acordo com o boletim econômico trimestral da CNI, a estimativa é que o país importe US$ 287,1 bilhões no próximo ano, valor 4,8% superior ao registrado em 2024. Apesar do crescimento, o Brasil ainda deve encerrar 2025 com superávit na balança comercial, estimado em US$ 60,5 bilhões. O número, porém, representa queda de 8,2% em relação ao superávit de US$ 74,6 bilhões obtido em 2024.

A balança comercial mede a diferença entre exportações e importações em determinado período. Mesmo com o superávit mantido, a alta nas importações tende a pressionar esse saldo.

Setores com maior alta nas importações

Entre janeiro e setembro de 2025, o país já importou US$ 212,3 bilhões, o que representa um aumento de 8,2% na comparação com o mesmo período de 2024. Os setores que mais contribuíram para esse crescimento foram:

  • Bens de capital: alta de 26,7%
  • Bens intermediários: aumento de 9,4%
  • Bens de consumo: crescimento de 4%

Segundo a CNI, não há sinais de desaceleração nas importações até o fim do ano. A entidade reforça que “essa demonstração de força das importações marcou o ano de 2025”, e que a tendência é de manutenção desse ritmo.

Exportações enfrentam entraves com os Estados Unidos

A projeção da CNI também chama atenção para o impacto da nova política comercial dos Estados Unidos, que tem afetado diretamente as exportações da indústria de transformação brasileira. Desde agosto, alguns produtos brasileiros enfrentam tarifas de até 50%, com base em acusações de “práticas comerciais desleais” e no processo judicial envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Ainda assim, a CNI prevê que as exportações brasileiras devem crescer 2,3% em 2025, impulsionadas pelos resultados positivos da indústria extrativa, agropecuária e da própria indústria de transformação nos primeiros meses do ano.

Diplomacia tenta amenizar tensões

Na tentativa de reduzir os atritos comerciais com os Estados Unidos, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, se reuniu com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, na última quinta-feira (16). O encontro, realizado na Casa Branca, foi classificado por Vieira como “produtivo”, mas ainda não há anúncios de mudanças nas tarifas.

FONTE: Com informações da CNI.
TEXTO: Redação

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Comércio Exterior

EUA impõem novas tarifas sobre madeira e móveis importados a partir de outubro

Os Estados Unidos começaram a aplicar novas tarifas sobre madeira, móveis e utensílios de cozinha importados nesta terça-feira (14.out.2025). A medida, em vigor desde a meia-noite, estabelece taxas de 10% para madeira de construção e 25% para móveis e eletrodomésticos de cozinha, afetando principalmente produtos vindos do Canadá, China, Vietnã e México.

Aumento gradual das taxas em 2026

Os percentuais devem subir já no início de 2026. A partir de 1º de janeiro, o imposto sobre móveis importados passará para 30%, enquanto armários e itens de cozinha terão taxa de 50%. Alguns países, porém, receberão tratamento diferenciado devido a acordos comerciais. O Reino Unido terá limite de 10%, e na União Europeia e Japão, o teto será de 15%.

Justificativa e impactos comerciais

De acordo com a Casa Branca, as novas tarifas têm como objetivo proteger a segurança nacional — argumento semelhante ao usado em medidas anteriores aplicadas ao aço, alumínio, automóveis e cobre.

O Canadá, que responde por cerca de um quarto das importações de madeira dos Estados Unidos, será um dos países mais afetados, mesmo sendo parte do USMCA, o acordo de livre comércio entre EUA, México e Canadá.

Aplicação das tarifas

As novas taxas incidem sobre todos os produtos das categorias mencionadas que entrarem no território norte-americano, independentemente da origem. Elas não se somam às tarifas já existentes, que variam entre 10% e 50%, conforme o país exportador.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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