Internacional, Mercado Internacional

Produtores de químicos do Brasil pedem diálogo diante da ameaça de tarifas dos EUA

O grupo comercial brasileiro que representa os produtores de produtos químicos, a Abiquim, expressou preocupação com a ameaça do presidente dos EUA, Donald Trump, de impor tarifas de 50% sobre as exportações brasileiras, e pediu um diálogo técnico para resolver a disputa.

Em uma resposta por escrito à ICIS, a Abiquim afirmou que a questão tem grande relevância para o setor químico, não apenas pelas exportações diretas para os EUA, mas também porque a indústria fornece insumos essenciais para setores exportadores, como o de alimentos processados e o de celulose e papel.

Segundo a Abiquim, o setor químico brasileiro teve um grande déficit comercial com os EUA em 2024, importando cerca de US$ 10,4 bilhões e exportando apenas US$ 2,4 bilhões. O déficit resultante em favor dos EUA foi de US$ 7,9 bilhões — em volume, o déficit totalizou 6 milhões de toneladas.

Subsetores da petroquímica americana, como soda cáustica, polietileno (PE) e ácido acético, entre outros, exportam grandes volumes para o Brasil e podem ser seriamente afetados caso o país resolva retaliar as tarifas com medidas equivalentes.

“A indústria química defende que as relações comerciais internacionais sejam tratadas exclusivamente com base no ganho econômico mútuo e no livre mercado, seguindo as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). Em um cenário sujeito a interferência política, acreditamos que o diálogo técnico é a melhor forma de resolver essa questão”, afirmou a Abiquim.

Ambos os lados correm risco de perdas, já que são mercados importantes para as exportações um do outro. Portanto, negociações são necessárias para evitar prejuízos para todas as partes envolvidas.”

Fonte: ICIS – Independent Commodity Intelligence Services

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Comércio Exterior, Economia, Mercado Internacional

Lula: Nós temos que recorrer à OMC e nos juntar com outros países taxados pelos EUA

À TV Record, Lula disse que o Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) já estão em conversações com os EUA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou à TV Record, nesta quinta-feira (10) que defende a união do Brasil a outros países taxados pelos Estados Unidos para ingressar na Organização Mundial do Comércio (OMC) com um recurso. As declarações ocorrem um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter anunciado uma tarifa comercial de 50% sobre os produtos do Brasil.

Neste momento, Lula disse que o Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) já estão em conversações com os Estados Unidos. “Do ponto de vista diplomático, nós temos que recorrer à OMC. Você pode, junto com a OMC, encontrar um grupo de países que foram taxados pelos Estados Unidos e entrar com um recurso na OMC. Se nada disso der resultado, vamos ter que fazer a Lei da Reciprocidade”, afirmou.

Na ocasião, Lula considerou que a carta do presidente americano Donald Trump “não é mais dura” do que declarações que havia dado anteriormente. Em seguida, lembrou falas de Trump contra a criação de uma moeda alternativa ao dólar, medida que está em discussão entre os países dos Brics.

“Nós temos interesse de criar uma moeda de comércio entre os outros países. Eu não sou obrigado a comprar dólar para fazer relação comercial com a Venezuela, com a Bolívia, com Chile, com a Suécia, com a União Europeia, com a China. A gente pode fazer nas nossas moedas”, disse Lula. O presidente brasileiro disse que, caso Trump tenha divergência, deve levar a questão a um fórum internacional, para discutir o tema “civilizadamente”.

Fonte: InfoMoney

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Comércio Exterior, Internacional

Tarifa dos EUA sobre produtos brasileiros gera preocupação no agronegócio e na indústria de Mato Grosso

Medida de 50% nas importações pode impactar exportações de carne bovina e produtos industriais, ameaçando competitividade e fluxo comercial do estado

A recente decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 50% sobre produtos importados do Brasil acende um alerta em Mato Grosso, estado que concentra a maior produção de carne bovina do país e possui uma indústria diversificada e estratégica para o comércio bilateral.

Em nota nesta quinta-feira (10), as Federações da Agricultura e Pecuária (Famato) e das Indústrias (Fiemt) declaram acompanhar com preocupação as possíveis consequências da medida, que pode comprometer o fluxo comercial e a competitividade de diversos setores locais.

Na última segunda-feira (7), o presidente norte-americano iniciou o envio de cartas informando aos países as novas tarifas que a partir de 1º de agosto terão de pagá-las caso não firmem um novo acordo comercial. Donald Trump definiu taxas mínimas sobre produtos importados, que variam entre 20% e 50%, a depender do país.

Conforme analistas econômicos, a tarifa de 50% anunciada sobre os produtos brasileiros, em carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quarta-feira (9), seria a mais alta entre as novas taxas divulgadas até agora por Donald Trump até o momento.

Mato Grosso lidera a produção de carne bovina brasileira, com um rebanho superior a 30 milhões de cabeças. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), em 2024 o estado exportou 39.039 toneladas de carne bovina para os Estados Unidos, de um total de 303.149 toneladas embarcadas pelo Brasil. Até junho de 2025, as exportações já somavam 26,55 mil toneladas, volume que poderia ser significativamente afetado pela nova tarifa, alertam os representantes do setor agropecuário.

Paralelamente, a indústria mato-grossense também pode sentir os impactos da medida. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) indicam que os Estados Unidos foram, em 2024, o 17º principal destino das exportações do estado, com um total de US$ 415 milhões em produtos, somando 183,4 mil toneladas. Desse montante, US$ 373,6 milhões referem-se à indústria de transformação, demonstrando a relevância do setor nas relações comerciais.

Entre os principais produtos industriais exportados estão carnes (US$ 148,5 milhões), ouro (US$ 147,1 milhões), gordura animal (US$ 43,5 milhões), gelatinas (US$ 16,8 milhões) e madeira beneficiada (US$ 12,5 milhões). A agropecuária também mantém papel importante, com US$ 41,4 milhões em exportações. Nos últimos anos, carne bovina, mineração e derivados de origem animal foram os segmentos que mais ampliaram sua presença no mercado norte-americano.

No sentido contrário, os Estados Unidos são o quarto maior fornecedor de produtos para Mato Grosso, com US$ 301,8 milhões em importações, especialmente aeronaves, fertilizantes, máquinas e defensivos agrícolas, evidenciando a importância estratégica do intercâmbio comercial para ambos os lados.

Diante do cenário, a Famato defende a necessidade de o Brasil adotar uma postura firme e diplomática para preservar a competitividade do agronegócio e garantir segurança jurídica nas relações comerciais.

A Fiemt, por sua vez, reforça o compromisso com a defesa da indústria mato-grossense e a promoção de um ambiente favorável à ampliação das relações internacionais, essenciais para o desenvolvimento econômico sustentável do estado.

Fonte: Mato Grosso Canal Rural

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Comércio Exterior, Economia

Por que a Embraer (EMBR3) é a maior vítima do tarifaço de Trump contra o Brasil?

Queridinha do mercado, ação da fabricante de jatos é a mais abalada pelo tarifaço contra o Brasil por conta da sua exportação para os EUA

Dentre todas as empresas que podem ser afetadas pelas tarifas gerais de 50% anunciadas na véspera pelo presidente dos EUA, Donald Trump, uma em especial ganha destaque, principalmente por ter grande parte da sua receita proveniente de exportações para a maior economia do mundo. Trata-se da Embraer (EMBR3), cuja ação tem uma alta acumulada de mais de 100% nas suas ações no acumulado de 12 meses, mas que vinha sofrendo recentemente com as ameaças do presidente americano em tarifar o Brasil.

A XP Investimentos aponta que a Embraer tem uma alta exposição aos EUA, de cerca de 60% do faturamento. Ela exporta principalmente E1s para companhias aéreas norte-americanas e conclui a montagem de jatos executivos na Flórida; assim, os impactos diretos e indiretos podem ser significativos.

Os analistas Lucas Laghi, Fernanda Urbano e Guilherme Nippes, que assinam o relatório da XP, ressaltam dois impactos principais devido ao aumento da tarifa para produtos brasileiros.

Em primeiro lugar, na divisão Executiva, como a empresa conclui a montagem de Praetors (cerca de 55-60% do conteúdo do Brasil) e Phenoms (cerca de 35-40% do conteúdo do Brasil) em suas instalações na Flórida, parte do CPV (Custo de Produtos Vendidos) do produto é suscetível a tarifas de importação quando os jatos são enviados do Brasil para os EUA (com a Embraer como responsável pela sobretaxa).

Nesse sentido, estima um impacto de custo de US$ 95 milhões por cada 10 pontos percentuais (p.p.) de tarifa para a sua previsão de EBIT de 2026E, ou um impacto de –55-60% em nossas estimativas de EBIT (Lucro Antes de Juros e Impostos)/lucro de 2026 esperado se a tarifa de 50% for implementada, respectivamente.

Em segundo lugar, no segmento comercial, embora os clientes da ERJ sejam os responsáveis pela cobrança tarifária, a preocupação permanece com a demanda mais fraca após um ambiente inflacionário para os E1s, com riscos de adiamento de entregas caso as companhias aéreas tentem evitar tais sobretaxas, embora as cláusulas contratuais (e PDPs) da ERJ devam reduzir tais riscos.

A XP, embora veja o anúncio de Trump principalmente como uma potencial barganha, espera que a preocupação dos investidores permaneça alta, dado o impacto potencial significativo que uma tarifa de importação de 50% sobre produtos brasileiros sugeriria para a ERJ (queda 60% para a sua estimativa de lucros para 2026). Dito isso, reitera recomendação neutra no valuation, com potencial downside em relação às estimativas de consenso (e as nossas) se as tarifas permanecerem mais altas em relação ao previsto anteriormente.

Na mesma linha, o Bradesco BBI também ressalta que a Embraer é a empresa de sua cobertura mais exposta às exportações para os EUA.

Assim, estima um impacto potencial de aproximadamente US$ 220 milhões no EBIT de 2025 — cerca de 35% do total estimado para o ano. Essa estimativa considera que a tarifa entre em vigor em agosto, como estipulado na carta oficial, o que limitaria o impacto a apenas uma parte do ano.

No segmento de aviação executiva, os jatos Phenom são produzidos nos EUA, enquanto os jatos Praetor têm sua montagem final no país.

“Isso pode ajudar a mitigar parte do impacto, já que a produção local estaria isenta da tarifa. Ainda assim, não está claro se essa isenção seria total”, avalia.

Para o BBI, a Embraer pode compensar parte do impacto por meio de: i. Reajuste de preços em novos pedidos de jatos executivos (com efeito apenas na entrega); ii.Aumento de preços em serviços e peças, reduzindo indiretamente o impacto nas entregas e iii. No segmento de aviação comercial, as tarifas podem levar clientes a adiar recebimentos de aeronaves.

O UBS BB estima um impacto de aproximadamente US$ 70 milhões nos custos da Embraer e um impacto de 13% na margem financeira de 2026 para cada aumento de 10% nas tarifas. O banco considera o impacto apenas sobre jatos executivos, com 40% dos Phenoms e 60% dos Praetors sendo tarifados e 75% das vendas totais de jatos executivos para os EUA.

Fonte: InfoMoney

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Internacional, Mercado Internacional

Trump envia cartas a países oficializando tarifaço

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou, nesta segunda-feira (7/7), que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviará cartas a parceiros comerciais oficializando o início das tarifas recíprocas impostas por ele assim que assumiu o segundo mandato. As tarifas variam entre 25% e 40%. As primeiras nações que receberam o documento foram o Japão e a Coreia do Sul.

“Haverá aproximadamente 12 outros países que receberão notificações e cartas diretamente do presidente dos Estados Unidos. O presidente ainda planeja criar planos comerciais personalizados para cada país deste planeta”, disse Leavitt.

Países que receberam a carta

Japão: tarifa de 25%
Coreia do Sul: tarifa de 25%
Myanmar: tarifa de 40%
Laos: tarifa de 40%
África do Sul: tarifa de 30%
Cazaquistão: tarifa de 25%
Malásia: tarifa de 25%

A secretária de imprensa também confirmou que Trump estenderia formalmente seu prazo para a imposição de tarifas recíprocas de 9 de julho para 1º de agosto, com a intenção de dar aos países mais tempo para negociar acordos.

“O presidente também assinará um decreto executivo hoje, adiando o prazo de 9 de julho para 1º de agosto. Portanto, a tarifa recíproca, ou essas novas tarifas que serão fornecidas nesta correspondência a esses líderes estrangeiros, serão divulgadas no próximo mês, ou acordos serão firmados, e esses países continuarão a negociar com os Estados Unidos. Vimos muitos desenvolvimentos positivos na direção certa, mas o governo, o presidente e sua equipe comercial querem fechar os melhores acordos para o povo americano e para os trabalhadores americanos. É nisso que eles estão focados”, explicou Leavitt.

Até o momento os acordos anunciados são:

Reino Unido.
Vietnã.
Trégua com a China.
Japão, Coreia do Sul e União Europeia estão em negociação.

Nesta segunda, Donald Trump, publicou duas das múltiplas cartas que seu governo enviará aos parceiros comerciais tributados no chamado “Dia da Libertação”.

Segundo o documento, o governo dos EUA aplicarão a partir do dia 1º de agosto uma tarifa de 25% sobre todos os produtos importados do Japão e da Coreia do Sul.

O presidente dos EUA adotou um tom semelhante nas duas cartas ao afirmar que apesar de ter buscado negociar, as tributações são injustas a seu país e por isso que as tarifas serão impostas e ao destacar que se qualquer uma das nações tentar retaliar os EUA, sofrerão ainda mais com as tarifas norte-americanas.

Quanto ao motivo pelo qual Trump decidiu começar com os dois aliados asiáticos, Leavitt disse que “é prerrogativa do presidente e esses são os países que ele escolheu”.

Fonte: Metrópoles

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Exportação

Exportações de SC crescem no primeiro semestre, mas sentem impacto do tarifaço dos EUA

Puxadas pelo setor de proteína animal, as exportações de SC têm alta de 6,6% de janeiro a junho

Santa Catarina fechou o primeiro semestre de 2025 com US$ 5,86 bilhões na receita de exportações, 6,6% mais do que no mesmo período do ano passado. A liderança nas vendas lá fora ficou com o setor de proteína animal com exportações maiores para América Latina e Ásia enquanto nos EUA as vendas de industrializados caíram devido ao tarifaço e incertezas do governo de Donald Trump.

As importações de SC de janeiro a junho somaram US$ 16,8 bilhões, 4,9% mais que nos mesmos meses de 2024. No mês de junho, a balança comercial de SC registrou exportações de US$ 959 milhões, 6,5% mais que no mesmo semestre do ano anterior. E as importações do mês ficaram em US$ 2,7 milhões com recuo de 8,0%.

No primeiro semestre, as exportações de carnes de aves responderam pela maior receita da balança comercial, US$1,09 bilhão no período, 10,3% mais frente aos mesmos meses de 2024. A carne suína, segundo produto principal, somou US$ 851 milhões e teve crescimento de 21,1%. Além desses setores líderes, o Observatório Fiesc, que acompanha os dados da balança comercial, destacou que o maior crescimento nas exportações foi de painéis para comando elétrico, em 417,7%. Outro produto que acelerou foi o tabaco, com alta de 75,3% das vendas lá fora.

O impacto negativo do tarifaço do Trump foi sentido nos produtos de maior valor agregado, vendidos principalmente para os Estados Unidos e Europa. As exportações de motores elétricos caíram 17,9% e ficaram em US$ 81,5 milhões.

As vendas de partes de motores recuaram 18,5% e somaram US$ 201,8 milhões. As exportações de soja tiveram recuo de 29,7% e somaram US$ 229,8 milhões.

Apesar das mudanças nos EUA, o país ainda foi o principal destino das exportações catarinenses no primeiro semestre de 2025, com recuo de 1,1% frente ao mesmo período de 2024 e vendas de US$ 847,2 milhões. Em segundo lugar ficou a China, com um total de US$ 580,4 milhões e queda de 5,3%.  As vendas para o México, quinto principal destino das exportações de SC, tiveram queda de 13%.

No dado dos mercados em crescimento, o destaque foi a vizinha Argentina, com 33,4% mais de compras de SC, para US$ 438 milhões. O Japão comprou 25,8% mais e totalizou US$ 348 milhões, e o Chile registrou um salto de 39,7%, com US$ 305 milhões.

As impostações cresceram num menor ritmo, 4,9% no semestre. Mas chamaram a atenção algumas altas e baixas de produtos importantes.  Um deles foi o cobre refinado, principal produto de importação do estado. Teve um recuo de 7,4% e somou US$ 657,1 milhões. Esse menor consumo está ligado às menores exportações de equipamentos que usam essa matéria prima, como motores elétricos e compressores.

As importações de polímero de etileno, terceiro item da pauta, caíram 13,5% e somaram US$ 346,8 milhões, anotou o Observatório Fiesc. Outro setor que recuou nas importações foi o de veículos, com queda de 17,9%, para US$ 339,6 milhões.

Entre os itens que puxaram o resultado das importações para cima no semestre está aços laminados planos, com crescimento de 255,3%, totalizando US$ 301,6 milhões. As importações de autopeças e partes de veículos cresceram 16,4%, chegando a US$ 455,6 milhões.  As elevadas compras lá fora de aços planos refletem maior oferta da China e estão sendo criticadas pela indústria nacional. Uma das razões dessa maior oferta é a mudança tarifária promovida pelos EUA.

Fonte: NSC Total

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Internacional, Mercado Internacional

Tarifaço de Trump pode influenciar em acordo entre União Europeia e Mercosul

Avaliação é do economista Ricardo Amorim, diante da entrada em vigor das novas tarifas impostas pelo presidente americano

Os conflitos econômicos entre Estados Unidose a China, bem como outros países, à exemplo da Rússia e Ucrânia, têm beneficiado o Brasil e a América Latina. Segundo análise do economista Ricardo Amorim, o acordo entre União Europeia e Mercosul pode sair após 25 anos de tratativas entre o segundo semestre de 2025 e o primeiro semestre de 2026.

Palestrante do primeiro dia da Feira Brasileira de Sementes (Febrasem), em Rondonópolis, nesta quarta-feira (11), a perspectiva da assinatura do acordo decorre da possibilidade de no próximo dia 9 de julho novas tarifas impostas pelos Estados Unidos entrarem em vigor para a União Europeia entrar em vigor.

“O que bloqueia esse acordo até hoje é o protecionismo do produtor na Europa, mas, fundamentalmente, em três países: Áustria, Polônia e França”.

De acordo com Ricardo Amorim, a Áustria já teria se posicionado que “pode aprovar isso amanhã”, assim como a Polônia.

“O último é a França, mas vai acontecer. A França é um barril de pólvoras, particularmente, em volta de Paris. Se de fato no dia 9 de julho a tarifa que o Trump prometeu que colocaria entrar em vigor e o preço dos alimentos começarem a subir pesadamente na Europa, a popularidade dos governos lá vai despencar”.

Ainda segundo a análise do especialista, “na hora em que o Macron falar entre o pescoço dele e o produtor francês vai ter: ‘agricultor sinto muito, eu vou proteger o meu pescoço nessa brincadeira’”.

Brasil grande país emergente de risco zero

Atualmente existem 165 países emergentes e o Brasil nos últimos meses se tornou o único com risco geopolítico perto de risco zero no mundo.

Outro fator diante dos conflitos econômicos e geopolíticos vividos hoje, uma vez que há cerca de um ano investidores começaram a retirar dinheiro da China em eminência da reeleição do presidente Donald Trump e a promessa de endurecer as questões comerciais com a gigante da Ásia.

“A Rússia já estava em guerra e a Índia entrou há cerca de duas semanas. Só sobrou o Brasil. O resumo da ópera é simples. Vai entrar investimento no Brasil, que por sua vez vai gerar emprego, porque estamos ganhando de WO. ‘Ah, está tudo as mil maravilhas no Brasil’. Muito longe disso. É só que não está pior”, pontuou Ricardo Amorim.

Conforme o economista, entender o Brasil, entender a economia brasileira hoje, requer entender o conceito do “é o que temos para hoje”.

Diante do cenário atual brasileiro e mundial, Ricardo Amorim conclui que o “agro vai crescer em volume e receita mais do que se imagina”, uma vez que diversos países estão mirando os olhos para o Brasil, bem como a economia nacional vai crescer, “apesar dos muitos problemas que o país tem, lembrando que existem fases, então vamos aproveitar a boa fase”.

Além disso, ressaltou a importância do uso da tecnologia para as tomadas de decisões. “Da mesma forma que a tecnologia de sementes faz toda a diferença, a tecnologia geral também faz”.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio, Economia, Tributação

Tarifa de 50% sobre aço e alumínio entra em vigor hoje, diz Trump

Declaração foi feita em uma publicação nas redes sociais, após visita a uma usina da US Steel

O presidente Donald Trump anunciou na noite de sexta-feira (30) que as tarifas sobre aço e alumínio aumentarão para 50%, dobrando a taxa atual, a partir desta quarta-feira (4).

A declaração foi feita por meio de uma publicação nas redes sociais, após seus comentários em uma usina da US Steel, na Pensilvânia.

É uma grande honra para mim aumentar as tarifas sobre aço e alumínio de 25% para 50%, a partir de quarta-feira. Nossas indústrias de aço e alumínio estão se recuperando como nunca. Esta será mais uma GRANDE notícia para nossos maravilhosos trabalhadores do setor. FAÇAM A AMÉRICA GRANDE NOVAMENTE!” Donald Trump, presidente dos EUA, em post na rede social Truth Social

“Anúncio importante”

Mais cedo, durante a visita à US Steel, Trump disse que tinha um “anúncio importante”.

“Vamos impor um aumento de 25%”, disse Trump. “Vamos aumentar de 25% para 50% as tarifas sobre o aço importado para os Estados Unidos, o que protegerá ainda mais a indústria siderúrgica nos Estados Unidos. Ninguém vai conseguir contornar isso.”

Trump disse que estava considerando uma tarifa de 40%, mas executivos do setor disseram que queriam uma tarifa de 50%.

“Com 25%, eles conseguem passar por cima”, disse Trump. “Com 50%, ninguém vai passar por cima.”

Brasil x EUA

O Brasil é o segundo maior fornecedor de aço e ferro dos EUA. Em 2024, os americanos compraram US$ 4,677 bilhões (cerca de R$ 27 bilhões) em produtos brasileiros do conjunto de “Aço e Ferro”.

O volume de ferro e aço brasileiro exportado aos norte-americanos equivale a 14,9% do total importado pelos Estados Unidos. Em primeiro lugar, aparece o Canadá, com 24,2%. Depois do Brasil, estão México (10,1%), Coreia do Sul (5,9%) e Alemanha (4,6%).

Os EUA foram destino de 47,9% das exportações do grupo de aço e ferro do Brasil em 2024. O segundo maior comprador do Brasil é a China, que correspondeu por 10,7% das exportações de aço e ferro do Brasil.

Fonte: CNN Brasil

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Internacional, Mercado Internacional, Tributação

Um Resumo Incendiário Impulsionado por Conservadores Ajudou a Colocar as Tarifas de Trump em Perigo

Uma coalizão que inclui figuras de destaque da direita afirmou que o programa do presidente violava a Constituição. Um dos juízes o citou oito vezes.

Um forte sinal de que a guerra comercial impulsionada por tarifas do presidente Trump está em risco surgiu em um amicus curiae (resumo de argumentos enviado ao tribunal por terceiros) apresentado em abril por uma coalizão que incluía muitos advogados, acadêmicos e ex-funcionários conservadores e libertários de destaque.

O documento também sinalizou uma crescente ruptura entre Trump e o movimento jurídico conservador — uma cisão que veio à tona na semana anterior com os ataques do presidente à Federalist Society, cujos líderes ajudaram a escolher os juízes e ministros que ele nomeou em seu primeiro mandato.

Entre os que assinaram o documento no caso das tarifas estava Richard Epstein, professor da Universidade de Nova York e um influente estudioso libertário do direito.
“É preciso entender que o movimento conservador, enquanto movimento intelectual, é hoje consistentemente anti-Trump na maioria das questões”, disse ele.

Outros signatários incluíam Steven G. Calabresi, um dos fundadores da Federalist Society; Michael B. Mukasey, ex-juiz federal e procurador-geral no governo George W. Bush; e três ex-senadores republicanos — George F. Allen, John C. Danforth e Chuck Hagel. Liberais também assinaram o documento, como Harold Koh, ex-reitor da Faculdade de Direito de Yale.

“O documento reúne estudiosos de direito constitucional de grande nome em todo o espectro político de uma forma que raramente vi”, disse Ilya Somin, professor de direito na Universidade George Mason e advogado de um importador de vinhos e de outras empresas que processaram o governo por causa das tarifas.
“Jamais esperaria ver Richard Epstein, Steve Calabresi e Harold Koh assinando o mesmo documento sobre uma grande questão”, acrescentou. “Mas aqui estão eles, juntos, se opondo à ‘tributação por proclamação’. Donald Trump os uniu.”

O documento foi preparado por Michael W. McConnell, ex-juiz federal de apelação nomeado por Bush e atualmente professor em Stanford, e Joshua A. Claybourn, advogado e historiador. Ele dizia que o programa de Trump feria a estrutura constitucional:
“Os poderes de tributar, regular o comércio e definir o rumo econômico da nação devem permanecer com o Congresso”, dizia o documento. “Eles não podem escorregar silenciosamente para as mãos do presidente por inércia, desatenção ou interpretações criativas de estatutos que nunca tiveram a intenção de conceder tal autoridade. Essa convicção não é partidária. É constitucional. E está no cerne deste caso.”

A coalizão apresentou um documento muito semelhante em um segundo caso, no Tribunal Distrital Federal em Washington. Na quarta-feira, o tribunal de comércio decidiu a favor dos contestadores. Na quinta, o juiz do tribunal distrital seguiu o mesmo caminho, citando o documento de apoio oito vezes.

O professor McConnell disse que a notoriedade dos amici curiae — os “amigos da corte” — que assinaram o documento enviava uma mensagem clara.

“Nossa esperança é que a identidade das partes que assinam o amicus curiae sinalize a gravidade da situação”, disse McConnell. “Todos estão preocupados com a usurpação, por parte do Executivo, do controle sobre a tributação do comércio — algo que a Constituição atribui explicitamente ao Congresso.”

O professor Harold Koh, que atuou no Departamento de Estado durante o governo Obama, afirmou que algumas questões vão além da política partidária:
“Apesar das nossas diferenças políticas, os amici concordaram facilmente, como juristas, que o presidente excedeu os poderes estatutários que lhe foram delegados”, disse ele. “Ao impor unilateralmente tarifas ilimitadas sobre produtos de todo o mundo, ele usurpou de forma ilegal os poderes exclusivos do Congresso de impor tributos e tarifas e de regular o comércio exterior.”

O documento deixou claro que não se posicionava sobre o mérito econômico das tarifas:
“Os amici não aparecem para defender ou se opor a nenhuma política comercial específica”, dizia. “Eles apresentam este documento porque acreditam que a Constituição traça limites claros entre o poder legislativo e o executivo — e que esses limites estão sendo distorcidos de forma a ameaçar a própria responsabilidade democrática.”

O professor Epstein disse ter se sentido honrado em assinar o que chamou de “um documento magnífico”, que resume o caso em sua essência.
“Este caso não é difícil”, disse. “Existem casos que são imensamente importantes e, ao mesmo tempo, fáceis.”

Outros acadêmicos, porém, foram mais cautelosos. Jack Goldsmith, professor de direito em Harvard e ex-integrante do Departamento de Justiça no governo Bush, escreveu recentemente que as questões legais no caso são “difíceis e delicadas”.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, foi além. “A justificativa do presidente para impor essas tarifas poderosas era legalmente sólida e fundamentada no bom senso”, disse em uma coletiva na semana passada.

Um tribunal de apelações suspendeu temporariamente a decisão do tribunal de comércio e decidirá nos próximos dias se manterá essa suspensão. Há poucas dúvidas de que o caso chegará à Suprema Corte — e em breve.

Quando isso acontecer, os juízes terão de lidar com duas doutrinas caras ao movimento jurídico conservador, ambas contrárias à visão de Trump sobre seus próprios poderes:

  • A doutrina da não delegação, que afirma que o Congresso não pode transferir poderes legislativos ilimitados ao Executivo.
  • A doutrina das grandes questões, que exige que o Congresso autorize de forma clara e explícita qualquer ação do Executivo que possa transformar significativamente a economia.

O amicus curiae defende que, com base na separação dos poderes, essas doutrinas exigem que os tribunais rejeitem o programa de Trump:
“Este caso apresenta ao tribunal uma escolha — não entre políticas comerciais concorrentes, mas entre visões opostas de governança constitucional”, dizia o texto.
“Uma delas preserva o equilíbrio definido pelos fundadores, exigindo que decisões econômicas de grande porte tenham autorização legislativa explícita. A outra permitiria que o Executivo reconfigurasse unilateralmente a estrutura comercial do país com base em uma linguagem estatutária vaga e genérica, jamais destinada a respaldar tal ação.”
“O tribunal”, concluiu o documento, “deve escolher a primeira opção.”

Fonte: The New York Times

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Internacional, Mercado Internacional, Tributação

AGORA: Tribunal dos EUA aceita recurso de Trump e restabelece tarifaço

Um tribunal federal de apelações dos Estados Unidos suspendeu uma liminar e restabeleceu nesta quinta-feira, 29, o tarifaço do presidente Donald Trump, que havia sido bloqueado pela Justiça na quarta-feira.

Trump impôs tarifas duras a boa parte dos países do mundo, gerando uma turbulência nos mercados globais. As taxações mais altas foram impostas inicialmente a China, México e Canadá. Entre recuos e negociações, o presidente americano reduziu alíquotas. As tarifas dos EUA à China, que eram de 145%, por exemplo, foram reduzidas a 30%. Já as da China aos EUA, que eram de 125%, foram a 10%.

A decisão de bloqueio foi emitida na quarta-feira por três juízes do Tribunal de Comércio Internacional, em Nova York, e atendia a uma série de processos que acusam Trump de ferir os limites constitucionais da presidência.

Pelo menos sete processos questionam a legalidade das tarifas. Normalmente, para imposição de tarifas, é preciso que o Congresso americano aprove, o que não vem ocorrendo neste caso. O presidente tem usado a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, de 1977, para impor as tarifas.

Os processos argumentam que a lei não autoriza o uso de tarifas como medida emergencial e que o déficit comercial que os Estados Unidos têm com os países não é uma “ameaça” que justifique a aplicação da legislação.

Fonte: Veja

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