Portos

Tarifaço dos EUA impulsiona recorde histórico de movimentação de cargas no maior porto do Brasil

Levantamento preliminar apontou o melhor desempenho mensal da história do Porto de Santos, com 17 milhões de toneladas no mês de julho.

O Porto de Santos, no litoral de São Paulo, registrou um novo recorde de movimentação de cargas no mês de julho. Segundo apurado pelo g1, um levantamento preliminar apontou o melhor desempenho mensal da história do cais santista, com 17 milhões de toneladas. Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, a marca inédita foi impulsionada, principalmente, pelo aumento das exportações após o anúncio de Donald Trump sobre a aplicação de tarifas de 50% para a entrada de produtos brasileiros nos Estados Unidos.

“A medida levou empresas a anteciparem os embarques, o que gerou um intenso fluxo de navios rumo à Europa e aos EUA, com destaque para cargas agrícolas e industriais”, afirmou o ministério, por meio de nota.

O órgão federal acrescentou que o complexo portuário conseguiu manter as operações sem impactos logísticos, apesar das condições climáticas adversas no mês de julho.

De acordo com a Autoridade Portuária de Santos (APS), a consolidação dos dados ainda está em andamento, uma vez que o cais santista conta com mais de 50 terminais e eles têm um prazo — não especificado — para enviar as informações à empresa administradora. Ainda assim, o monitoramento operacional já confirma o recorde histórico de movimentação no mês de julho deste ano.

Levantamento preliminar

Conforme divulgado pela APS, houve um aumento de 10% no embarque de granéis sólidos (grãos diversos), com 900 mil toneladas. A movimentação de contêineres cresceu 4% e chegou a 200 mil toneladas, enquanto as cargas soltas tiveram alta de 9%, com 85 mil toneladas.

A autoridade portuária afirmou que os granéis líquidos (combustíveis, solventes, entre outros) ainda não foram contabilizados, mas a expectativa é de um aumento de 10%.

Em nota, o presidente da APS, Anderson Pomini, afirmou que os dados confirmam um aumento expressivo dos embarques no cais santista, o que já havia sido constatado na primeira quinzena do mês de julho.

“São dados preliminares, mas este ‘recorde dos recordes’ demonstra a importância de Santos em momentos decisivos da história, como este”, destacou Pomini. “É um recorde absoluto que atesta a resiliência e a eficiência do Porto de Santos. Mesmo com crises externas e fechamento do canal devido a condições climáticas, houve crescimento sem gerar qualquer ocorrência nas vias de acesso”.

Também por meio de nota, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, explicou que o crescimento no volume de cargas demonstra que a infraestrutura dos portos brasileiros é capaz de suportar os aumentos.

“O Ministério de Portos e Aeroportos está trabalhando para ampliar a capacidade e eficiência operacional dos portos com os leilões que estamos preparando para este ano, como o do canal de acesso ao Porto de Santos e o do terminal de contêineres, Tecon Santos 10”, afirmou o ministro.

Fonte: G1

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Comércio Exterior

Tarifaço de 50% dos EUA ameaça um mercado de US$ 3,7 bilhões no Brasil

Os produtos florestais lideram as exportações para os EUA. Desses, cerca de US$ 1,7 bilhão vem dos estados do Sul. Só no Paraná, cerca de 40 mil empregos estão ameaçados

A decisão do presidente Donald Trump de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros impacta diretamente o setor de base florestal, com efeitos severos sobre os estados da Região Sul, em especial o Paraná — maior produtor brasileiro de madeira de pinus.

A nova tarifa entrou em vigor nesta quarta-feira, 6, e incide sobre itens como madeira serrada, painéis, portas, móveis e molduras produzidos de florestas plantadas de pinus e eucalipto. Segundo dados do setor, os produtos florestais lideram as exportações do agronegócio para os Estados Unidos, somando US$ 3,7 bilhões por ano — dos quais cerca de US$ 1,7 bilhão é originado da Região Sul.

“É uma notícia muito ruim. Justamente no que o Paraná é bom, onde se destaca, vamos ser taxados de forma muito forte e veemente”, afirma Fabio Brun, presidente da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE Florestas). O executivo também alerta para o risco de fechamento de postos de trabalho e paralisação de operações em larga escala.

“Só no Paraná cerca de 40 mil empregos estão ameaçados”, afirma o presidente.

Dependência crítica do mercado americano

A dependência do setor florestal brasileiro em relação ao mercado americano é evidente. No caso das molduras produzidas no Paraná, 98% das exportações — o equivalente a US$ 102 milhões entre janeiro e junho de 2025 — têm como destino os EUA. O mesmo ocorre com as portas de madeira: 96% da receita (US$ 34 milhões de um total de US$ 35 milhões) vem do país.

Em produtos como compensados de pinus e madeira serrada, a dependência é um pouco menor, mas ainda significativa: 33% das exportações desses itens são destinadas aos Estados Unidos.

Impacto imediato: retração e férias coletivas

Antes mesmo da publicação oficial da medida, empresas do setor já haviam adotado estratégias para conter os impactos: suspenderam os envios aos Estados Unidos, reduziram estoques e implementaram férias coletivas para evitar demissões.

“A exportação para os Estados Unidos representa volumes que não podem ser redirecionados de forma rápida a outro mercado. Buscar novos compradores é um trabalho de médio prazo e, muitas vezes, exige redução de preços”, afirma Brun.

Uma das empresas que adotaram férias coletivas foi a Braspine, empresa do Paraná que fabrica molduras de madeira, que decidiu no começo do mês adotar férias coletivas de 30 dias para 1,5 mil funcionários nas unidades de Jaguariaíva e Telemaco Borba .

“Essa turma de funcionários é toda da operação e será dividida em dois grupos, um deles sai de férias, e depois o outro sai. A ideia é manter as unidades em operação porque temos compromissos com os nossos clientes”, diz a fonte da empresa.

Celulose escapa da tarifa

Alguns produtos importantes para o setor ficaram de fora da nova tarifa. Entre eles, a celulose química (solúvel, soda, sulfato, sulfito), celulose semiquímica e a celulose feita de papel reciclado ou bambu — insumos não produzidos nos EUA e utilizados na fabricação de itens como papel higiênico e guardanapos.

Também escapou o ferro-gusa produzido com carvão vegetal, que integra a cadeia das florestas plantadas e substitui insumos de origem fóssil.

Setor florestal: motor do agro e da economia do Sul

O setor de base florestal é um dos líderes das exportações do agronegócio, como tem forte capilaridade no interior do país, especialmente no Sul. O Paraná concentra metade da produção nacional de pinus e é responsável por 15% dos empregos diretos no setor florestal.

“Estamos falando de uma cadeia produtiva bem diversificada. Além da atividade econômica, essas indústrias mantêm projetos sociais e de saúde. Ou seja, a área social também poderá ser bastante afetada com essa retração”, afirma o presidente da APRE.

Contradição com os compromissos climáticos

A medida é vista com perplexidade pelo setor, especialmente por ocorrer em um momento em que as florestas plantadas ganham destaque global como solução sustentável para o enfrentamento das mudanças climáticas. A madeira proveniente dessas florestas é considerada renovável e menos intensiva em carbono.

“O setor de base florestal plantado é hoje um dos pilares da sustentabilidade global. É difícil entender por que estamos sendo penalizados dessa forma, em um movimento que não tem base técnica, comercial ou regulatória, mas sim política”, critica Brun.

Setor pede por apoio emergencial

Nos próximos dias, a associação deve apresentar ao governo do Paraná uma série de pleitos, incluindo:

  • Liberação de linhas de financiamento subsidiadas via BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul) para pagamento da folha de funcionários;
  • Antecipação dos créditos de ICMS para exportadores de madeira;
  • Criação de programas estaduais de incentivo ao uso da madeira.

A expectativa, segundo o CEO da APRE Florestas, é que o governo estadual e o federal atuem com urgência para proteger essa cadeia do agronegócio. “Precisamos garantir empregos, renda e competitividade em meio à crise gerada pela tarifa dos EUA”.

Fonte: Exame

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Comércio Exterior

Tarifaço dos EUA atinge 77,8% das exportações brasileiras, diz CNI

Nesse universo, segundo a Confederação Nacional da Indústria, 45,8% dos produtos estão submetidos a tarifas de 40% ou 50%

Dados da CNI mostram que o tarifaço imposto por Donald Trump ao Brasil vai impactar 77,8% da pauta produtos exportados por empresas nacionais ao mercado norte-americano.

“No total, 77,8% da pauta exportadora está sujeita a alguma taxação adicional, considerando as ordens executivas que instituíram as tarifas de 10%, de 40% e a Seção 232 do Trade Expansion Act, de 25% e 50%, aplicadas exclusivamente a produtos de aço, alumínio, cobre, veículos e autopeças. Mais da metade das exportações enfrentarão sobretaxas de 50%”, diz a CNI.

O levantamento baseia-se em dados da United States International Trade Commission, com análise no nível de dez dígitos do código tarifário norte-americano, o que permite identificar com precisão os produtos sujeitos às medidas comerciais.

É importante destacar que cada medida comercial tem a própria lista de cobertura e isenções, o que significa que produtos livres de uma tarifa adicional podem estar submetidos à outra.

O cruzamento mostra que dos 77,8% das exportações sujeitas a taxação adicional, 45,8% estão submetidas a tarifas de 40% ou 50% direcionadas especificamente ao Brasil.

“Esse retrato dá a dimensão do problema enorme que teremos de enfrentar e o quanto vamos precisar avançar nas negociações para reverter essas barreiras. É um trabalho que precisa envolver governos e os setores produtivos. Os EUA são os principais parceiros comerciais da indústria, precisamos encontrar saídas”, diz Ricardo Alban, presidente da CNI.

Os dados mostram que 41,4% da pauta exportadora brasileira aos EUA, com 7.691 produtos de variados setores, está sujeita à tarifa combinada de 50%. Em 2024, a exportação desses bens alcançou 17,5 bilhões de dólares.

Principal segmento exportador ao mercado americano, a indústria de transformação responde por 69,9% desse valor, com 7.184 produtos afetados pelas tarifas combinadas, que totalizaram 12,3 bilhões de dólares em 2024.

Os setores com maior número de produtos exportados afetados pela sobretaxa combinada de 50% seriam: Vestuário e acessórios (14,6%), Máquinas e equipamentos (11,2%), Produtos têxteis (10,4%), Alimentos (9,0%), Químicos (8,7%) e Couro e calçados (5,7%).

Os setores de aço, alumínio e cobre, sobretaxados pela Seção 232, representam 9,3% da pauta e enfrentarão tarifa adicional de 50%.

Combinados, esses blocos da pauta exportadora representam 50,7% das exportações brasileiras aos americanos.

Fonte: Veja

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Comércio Exterior

Trump separa tarifas globais em 4 grupos de países; veja quais

Em comunicação confusa, o governo dos Estados Unidos separa países entre tarifas impostas, negociadas e “presenteadas” com a alíquota mais baixa, enquanto deixa apenas dois países em negociação

As tarifas comerciais de Donald Trump entram em vigor para mais de 90 países nesta quinta-feira (7), uma semana após uma atualização completa das confusas “tarifas recíprocas”. Quase ninguém escapou, nem mesmo aliados históricos, com percentuais que variam de 10% a 50%.

O Brasil aparece entre os países mais impactados: embora a tarifa recíproca seja de 10%, Trump impôs uma sobretaxa adicional de 40% sobre produtos brasileiros. A alíquota total de 50%, que entrou em vigor na última quarta-feira (6), é a mais alta do mundo junto, mas poderá ser igualada à da Índia, que tem até 27 de agosto para evitar elevação por ter relação comercial com a Rússia.

Na lista de tarifas impostas, destacam-se ainda países como Suíça (39%), que tentou, mas não conseguiu negociar um valor mais baixo; Canadá (35%) e os que compõem a União Europeia (15%).

Já países como Vietnã (20%), Indonésia (19%) e Filipinas (19%) estavam sujeitos a tarifas ainda maiores, mas conseguiram negociar alíquotas menores.

No outro extremo, Argentina, Arábia Saudita, Colômbia, Austrália e dezenas de países permanecem com a tarifa base de 10%, considerada benéfica em comparação às alíquotas impostas a outras nações.

Outros poucos permanecem na mesa de negociação com os EUA, caso de México (25%) e China (30%), que tiveram a entrada em vigor adiada e, portanto, ainda podem ter seus percentuais ajustados.

As mudanças refletem uma combinação de critérios que vão do comercial ao político. No caso brasileiro, segundo a Casa Branca, a medida é uma resposta a supostas “violações à liberdade de expressão” e “perseguição política” no país. Por outro lado, o Brasil tem a maior lista de exceções, com Washington poupando 694 itens, atenuando o impacto sobre o PIB.

Confira a seguir um resumo da situação de cada país no momento:

1. Países que sofreram imposição de tarifas

PaísTarifa recíproca (%)Tarifa total (%)
Brasil1050
Índia2550 (em 27/08)
Síria4141
Laos4040
Mianmar4040
Suíça3939
Canadá35
Iraque3535
Sérvia3535
África do Sul3030
Argélia3030
Líbia3030
Bósnia e Herzegovina3030
Cazaquistão2525
Tunísia2525
Brunei2525
Moldávia2525
Taiwan2020
Bangladesh2020
Sri Lanka2020
Tailândia1919
Malásia1919
Camboja1919
Paquistão1919
Nicarágua1818
Israel1515
Turquia1515
Costa Rica1515
Equador1515
Noruega1515
Venezuela1515
Nigéria1515
Nova Zelândia1515
Guiana1515
Jordânia1515
Trinidad e Tobago1515
Angola1515
Gana1515
Islândia1515
Costa do Marfim1515
Madagascar1515
Bolívia1515
Botsuana1515
República Democrática do Congo1515
Namíbia1515
Fiji1515
Camarões1515
Liechtenstein1515
Lesoto1515
Maurício1515
Moçambique1515
Macedônia do Norte1515
Zâmbia1515
Uganda1515
Guiné Equatorial1515
Chade1515
Papua-Nova Guiné1515
Zimbábue1515
Malawi1515
Afeganistão1515
Vanuatu1515
Nauru1515

2. Países que negociaram tarifas

PaísTarifa recíproca total (%)
Vietnã20
Indonésia19
Filipinas19
Alemanha15
Japão15
Coreia do Sul15
Irlanda15
Itália15
França15
Países Baixos15
Bélgica15
Espanha15
Suécia15
Áustria15
Polônia15
Hungria15
Dinamarca15
Eslováquia15
Finlândia15
Tchéquia15
Portugal15
Eslovênia15
Romênia15
Grécia15
Lituânia15
Bulgária15
Estônia15
Croácia15
Luxemburgo15
Letônia15
Malta15
Chipre15
Reino Unido10

3. Países que ficaram com a tarifa base

PaísTarifa total (%)
Albânia10
Andorra10
Antígua e Barbuda10
Arábia Saudita10
Argentina10
Armênia10
Austrália10
Azerbaijão10
Bahamas10
Bahrein10
Barbados10
Belize10
Benim10
Bielorrússia10
Burkina Faso10
Burundi10
Butão10
Cabo Verde10
Catar10
Chile10
Cingapura10
Colômbia10
Comores10
Coreia do Norte10
Cuba10
Djibuti10
Dominica10
Egito10
El Salvador10
Emirados Árabes Unidos10
Eritreia10
Essuatíni10
Etiópia10
Gabão10
Gâmbia10
Geórgia10
Granada10
Guatemala10
Guiné10
Guiné-Bissau10
Haiti10
Honduras10
Iêmen10
Ilhas Marshall10
Ilhas Salomão10
Irã10
Jamaica10
Kiribati10
Kosovo10
Kuwait10
Líbano10
Libéria10
Maldivas10
Mali10
Marrocos10
Mauritânia10
Micronésia10
Mônaco10
Mongólia10
Montenegro10
Nepal10
Níger10
Omã10
Palau10
Panamá10
Paraguai10
Peru10
Quênia10
Quirguistão10
República Centro-Africana10
República do Congo10
República Dominicana10
Ruanda10
Rússia10
Samoa10
San Marino10
Santa Lúcia10
São Cristóvão e Nevis10
São Tomé e Príncipe10
São Vicente e Granadinas10
Senegal10
Serra Leoa10
Somália10
Sudão10
Sudão do Sul10
Suriname10
Tajiquistão10
Tanzânia10
Timor-Leste10
Togo10
Tonga10
Turcomenistão10
Tuvalu10
Ucrânia10
Uruguai10
Uzbequistão10

4. Países que ainda negociam tarifas

PaísTarifa recíproca provisória (%)
México25
China30

Fonte: InfoMoney

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Comércio Exterior

EUA: Tarifas mais altas de Trump atingem produtos dos principais parceiros comerciais

Antes do prazo final, Trump anunciou os “bilhões de dólares” que fluirão para os EUA, em grande parte de países que, segundo ele, tiraram proveito dos Estados Unidos

As tarifas mais altas de 10% a 50% impostas pelo presidente Donald Trump a dezenas de parceiros comerciais dos Estados Unidos entraram em vigor, testando sua estratégia para reduzir os déficits comerciais dos EUA sem grandes interrupções nas cadeias globais de oferta, inflação mais alta e retaliação rígida dos parceiros comerciais.

A agência de Alfândega e Proteção da Fronteira dos EUA começou a cobrar as tarifas mais altas após semanas de suspense sobre as taxas finais de Trump e negociações frenéticas com os principais parceiros comerciais que buscavam reduzi-las.

As mercadorias carregadas em navios com destino aos EUA e em trânsito antes do prazo final podem entrar com tarifas anteriores mais baixas antes de 5 de outubro, de acordo com um aviso da agência para os expedidores emitido esta semana. As importações de muitos países estavam anteriormente sujeitas a uma tarifa básica de importação de 10% depois que Trump suspendeu as tarifas mais altas anunciadas em abril.

Mas, desde então, Trump modificou frequentemente seu plano tarifário, aplicando a alguns países taxas muito mais altas, incluindo 50% para produtos do Brasil, 39% da Suíça, 35% do Canadá e 25% da Índia. Na quarta-feira, ele anunciou uma tarifa separada de 25% sobre os produtos indianos, a ser imposta em 21 dias devido às compras de petróleo russo pelo país do sul da Ásia.

Antes do prazo final, Trump anunciou os “bilhões de dólares” que fluirão para os EUA, em grande parte de países que, segundo ele, tiraram proveito dos Estados Unidos.

“A ÚNICA COISA QUE PODE IMPEDIR A GRANDEZA DA AMÉRICA SERIA UMA CORTE DE ESQUERDA RADICAL QUE QUER VER NOSSO PAÍS FRACASSAR!”, disse Trump no Truth Social.

Oito grandes parceiros comerciais, que representam cerca de 40% dos fluxos comerciais dos EUA, chegaram a acordos para concessões comerciais e de investimento com Trump, incluindo a União Europeia, o Japão e a Coreia do Sul, reduzindo suas taxas tarifárias básicas para 15%.

O Reino Unido obteve uma taxa de 10%, enquanto o Vietnã, a Indonésia, o Paquistão e as Filipinas garantiram reduções de taxas para 19% ou 20%.

“Para esses países, as notícias são menos ruins”, disse William Reinsch, membro sênior e especialista em comércio do Center for Strategic and International Studies, em Washington.

“Haverá algum rearranjo na cadeia de oferta. Haverá um novo equilíbrio. Os preços aqui subirão, mas levará algum tempo para que isso se manifeste de forma significativa”, disse Reinsch.

Os países com tarifas muito altas, como a Índia e o Canadá, “continuarão a se esforçar para tentar consertar isso”, acrescentou.

A ordem de Trump especificou que qualquer mercadoria que tenha sido transbordada de um terceiro país para escapar das tarifas mais altas dos EUA estará sujeita a uma tarifa de importação adicional de 40%, mas seu governo divulgou poucos detalhes sobre como essas mercadorias serão identificadas ou como a disposição será aplicada.

O decreto tarifário de Trump de 31 de julho impôs tarifas acima de 10% a 67 parceiros comerciais, enquanto a taxa foi mantida em 10% para aqueles que não estão listados.

Esses impostos de importação são uma parte de uma estratégia tarifária de várias camadas que inclui tarifas setoriais baseadas na segurança nacional sobre semicondutores, produtos farmacêuticos, automóveis, aço, alumínio, cobre, madeira e outros produtos. Trump disse na quarta-feira que as tarifas sobre microchips poderiam chegar a 100%.

A China está em uma trajetória separada e enfrentará um possível aumento de tarifas em 12 de agosto, a menos que Trump aprove uma prorrogação da trégua anterior após conversas na semana passada na Suécia. Ele disse que poderá impor tarifas adicionais sobre as compras de petróleo russo pela China, pois busca pressionar Moscou a encerrar sua guerra na Ucrânia.

Fonte: InfoMoney

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Comércio Exterior, Exportação

Com tarifaço, desafio de exportadores é encontrar novos mercados

Será necessário esforço para conquistar novos compradores, diz Apex

O impacto do aumento das tarifas de importação nos Estados Unidos a partir de desta quarta-feira (6) ainda começa a se desenhar e causa incerteza para trabalhadores e empresários que atuam com os mais de três mil itens que serão sobretaxados.

Enquanto estratégias imediatas como gestão de estoques, embarques em tempo acelerado ou diminuição de produção desenham as primeiras reações, um caminho em vista é pensar novos destinos para a produção. A busca por mercados exportadores, porém, não tem resultados imediatos e exige preparações específicas.

Este périplo das empresas para novos destinos tem todo um ecossistema público-privado de apoio, com ministérios como o do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o da Agricultura e Pecuária (MAPA), a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), o SEBRAE, as associações comerciais e entidades de promoção de comércio.

Em coletiva na manhã de hoje, Jorge Viana, presidente da APEX, falou deste papel conjunto. A agência já apoia 2,6 mil das 9 mil empresas nacionais que exportam para os Estados Unidos. Para ele, vai haver mudanças, “isso não tem volta”, com as novas estratégias das empresas.

“Setores como o de produtores de mel precisarão receber apoio urgente pois o único destino de exportação destes pequenos agricultores hoje são os Estados Unidos. Vamos incluí-los em todas as políticas de apoio”, explicou Viana durante a coletiva.

De acordo com Viana, este apoio deve ser anunciado em breve, diretamente pela presidência da República. A expectativa é de que tenha elementos semelhantes àqueles do apoio emergencial às empresas atingidas pelas enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024.

A Apex também abrirá um escritório em Washington para negociar diretamente com o governo americano. Essa negociação se soma ao diálogo dos serviços consulares, que já atuam em nome do Brasil, e à pressão direta das empresas locais.

“Essa tarifa de 50% não tem nenhuma motivação comercial, ela vem da atuação de grupos políticos. O que espero que aconteça é que, com a entrada das tarifas, essa taxação se materializa e afete o consumidor lá. Ai é que entra a Apex no trabalho de criar novas alternativas de mercados, para as empresas e produtos brasileiros que tenham os Estados Unidos como mercado”, disse Viana, para quem a forte integração entre cadeias produtivas deve contar a favor nas negociações.

A Apex deve ampliar sua atuação na diversificação de fornecedores. “Os setores irão nos ajudar com o conhecimento que têm. O mundo inteiro está fazendo isso, percebendo a instabilidade com essas medidas”, completou.

Dados da ApexBrasil mostram que, entre janeiro e março deste ano, o Brasil exportou US$ 77,3 bilhões em bens, valor menor que os US$ 77,7 bilhões do mesmo período de 2024. O saldo comercial fechou positivamente em US$ 10 bilhões. Os principais produtos exportados foram petróleo bruto, soja, minério de ferro e café verde, com destaque para as exportações de bens industrializados, que tiveram alta no período, inclusive em itens como máquinas e aparelhos elétricos.

Em relação aos principais países de destino das exportações brasileiras, destacam-se China (US$ 19,8 bilhões), União Europeia (US$ 11,1 bilhões), Estados Unidos (US$ 9,7 bilhões) e Mercosul (US$ 5,8 bilhões), com destaque para a Argentina, com um aumento de 51%.

Diplomacia

O caminho diplomático para reduzir as taxas aplicadas pelos Estados Unidos ainda se mostra como uma opção, conforme divulga o governo brasileiro. O recuo do governo Trump ao isentar uma lista de 700 produtos, na semana passada, mostra que também há alguma abertura da parte do país norte-americano.

“A flexibilização das tarifas é um passo positivo, e o Brasil deve aproveitar essa oportunidade para diversificar suas exportações e reduzir sua dependência do mercado americano. Com uma abordagem estratégica e diplomática, o Brasil pode minimizar os impactos negativos das tarifas e fortalecer sua posição no comércio internacional. Nesse contexto, é importante destacar que o diálogo e as negociações tornam-se as melhores opções para evitar uma escalada de tensões comerciais entre os dois países”, explicou o advogado Raphael Jadão, sócio do RMM Advogados, que atua com arbitragem e resolução de disputas comerciais.

Outro elemento importante nesta crise está na concentração das parcerias brasileiras. Alguns analistas consideram que as exportações do Brasil têm alto índice de concentração. 50% são concentradas em cinco países (China, EUA, Argentina, Holanda e Espanha), entre 237 parceiros comerciais. 12% somente para os Estados Unidos.

“Isso nos traz um sinal de alerta e de preocupação. Pois como tivemos um desafio com os EUA neste momento, podemos ter daqui a pouco com a China, que representa quase um quarto de tudo que o país envia para o exterior. E não se acha um comprador para substituir outro tão rapidamente. Então, aquelas empresas, por exemplo, que exportam carne bovina para os Estados Unidos, que é um dos produtos que o Trump não colocou na lista de exceções e que vai passar a ter a taxação de 40% a mais. Já tinha a de 10% de abril, mais 40%, ou seja, 50% a mais do que o ano passado. A partir da próxima semana, essa empresa que exporta carne para lá não vai encontrar tão cedo um mercado para comprar a carne que ele não vai mais vender para o americano da noite para o dia. A gente tem uma dependência que traz risco, sim, para a nossa pauta de exportação”, ponderou Bruno Meurer, co-fundador e diretor de operação da Next Shipping, empresa do ramo de logística.

Mercados alternativos

A busca por novos mercados envolve elementos culturais, parcerias comerciais e atendimento a medidas de burocracia fitossanitária e de comprovação de origem.

Este processo envolve um passo a passo com algumas variações em relação a cada país e mercadoria. Segundo Meurer, de uma forma resumida, após finalizar a negociação o exportador irá produzir a mercadoria. Com ela pronta irá emitir uma documentação internacional, que é a fatura comercial e o packing list, que são os documentos comerciais da carga, apresentados para o importador. Este irá contratar o frete internacional e então a mercadoria passa à alfândega, onde passará pelo processo de fiscalização aduaneira, passar pelo registro no Sistema Integrado de Comércio Exterior e pode passar pela fiscalização presencial, que é feita em parte das cargas. Recolhidas taxas e feitas as fiscalizações na aduana, a mercadoria segue para o exterior.

“O tempo que se leva depende do tipo de produto que está sendo exportado, os que precisam de anuência de órgãos específicos, como por exemplo medicamentos, demoram mais, já roupas, como não existe um órgão específico de fiscalização o tempo é mais célere”, resume Meurer.

Condições específicas dos mercados, como preocupação com certificações ambientais ou culturais, também podem significar oportunidades. O Brasil é um dos grandes exportadores de aves para países muçulmanos, por exemplo, por conta de uma adaptação de mais de uma década à produção segundo a certificação Halal, que envolve abate com características diferentes e respeitando preceitos daquela religião.

“Por exemplo, o Brasil mantém boas relações comerciais com países do Oriente Médio, como Arábia Saudita e Dubai. No entanto, as exportações para essas regiões frequentemente demandam certificação Halal, rotulagem no idioma local, embalagens específicas e, em alguns casos, adaptações no produto, como cortes de carne diferenciados. Essa customização é fundamental para o sucesso nesses mercados. Outros produtos, com maior capacidade de adaptação, também requerem atenção similar na negociação de contratos. Ao analisar o mercado de pescados, por exemplo, é crucial considerar a demanda global, os tipos de pescado disponíveis no Brasil e seus respectivos níveis de consumo mundial. Atualmente, os Estados Unidos são um importante mercado para as exportações brasileiras de pescado. Nesse contexto, o setor de pescados pode explorar oportunidades na América do Sul e, potencialmente, em novos mercados na Europa. Contudo, a penetração no mercado asiático pode apresentar desafios”, explicou Stefânia Ladeira, especialista em comércio exterior e gerente de produtos da Saygo Comex, empresa especializada em logística de exportação para o mercado exterior.

A especialista aponta que a adaptação tem prazos e pormenores bastante variáveis, considerando elementos como a produção mundial e a capacidade de atender à demanda internacional e percebendo lacunas de produção, seja para produtos finais ou para insumos. “A identificação e compreensão das dinâmicas de oferta e demanda são cruciais para o estabelecimento de novos contratos”, disse à Agência Brasil.

Os acordos internacionais de comércio também são cruciais para entender estas oportunidades. Os anos recentes foram de aumento dos acordos de complementação econômica, inclusive com parceiros antigos como a China e o Japão, além de países da África, Oceania, América Central e Caribe. “Nestes países há redução tarifária mútua, porém cada país tem sua característica operacional e definição legal de como os produtos precisam ser registrados para importação, salvo a União Europeia que é uma união aduaneira e todos os países seguem o mesmo procedimento para importação e exportação”, explica o advogado Diego Joaquim, especialista em direito aduaneiro.

Fonte: Agência Brasil

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Comércio Exterior

Brasil aciona OMC contra tarifaço dos Estados Unidos 

Itamaraty diz que EUA violam compromissos com a entidade

O governo brasileiro acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as medidas tarifárias impostas pelos Estados Unidos contra produtos produzidos no Brasil. Na avaliação do Itamaraty, os EUA “violaram flagrantemente” compromissos assumidos com a própria OMC.

“Ao impor as citadas medidas, os EUA violam flagrantemente compromissos centrais assumidos por aquele país na OMC, como o princípio da nação mais favorecida e os tetos tarifários negociados no âmbito daquela organização”, informou, por meio de nota, o Ministério das Relações Exteriores.

O documento enviado à OMC é um pedido de consultas aos EUA, instrumento instituído com o propósito de viabilizar, às partes, uma solução negociada para a disputa antes do eventual estabelecimento de um painel.

Trata-se, portanto, de uma primeira etapa formal no âmbito do sistema de solução de controvérsias na OMC. 

Nesse documento, o governo brasileiro voltou a reiterar sua disposição para negociação. Ele espera que as consultas contribuam para uma solução para a questão. A data e o local das consultas deverão ser acordados entre as duas partes nas próximas semanas.

Trump

No mês passado, o presidente Donald Trump anunciou tarifas mais altas para produtos importados do Brasil como retaliação pelo processo de tentativa de golpe de Estado ao qual o ex-presidente Jair Bolsonaro responde na Justiça.

Na prática, as tarifas de 50% para vários produtos brasileiros inviabilizam a comercialização desses produtos com os Estados Unidos. 

Fonte: Agência Brasil

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Exportação

Setor de couros acelera exportações aos EUA antes do tarifaço

A indústria de couro brasileira intensificou a exportação por avião para os Estados Unidos na última semana para tentar entregar os produtos antes da entrada em vigor das tarifas de 50% impostas por Donald Trump. Curtumes relatam interrupção nas negociações com importadores americanos em vendas que rendem US$ 200 milhões por ano.

Confira a seguir um histórico das exportações de couro para os EUA a partir de janeiro de 2022. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:

Exportações de couro aos EUA – Jan 2022 a Maio de 2025 – TEU

O presidente executivo do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), José Fernando Bello, afirmou ao Valor que o setor está preocupado com o impacto do tarifaço e que “perde duplamente”, pois a indústria de calçados, também sobretaxada pelos EUA, deixa de comprar dos curtumes diante das incertezas do mercado.

“Para nós é bastante difícil. Os Estados Unidos são nosso segundo maior cliente; compram couro de valor agregado para as indústrias da moda e o setor automotivo. É um cliente que demoramos a conquistar, tem normas técnicas rígidas, qualidade rígida, e não gostaríamos de perdê-lo. Vamos fazer de tudo para mantê-los”, disse após participar de reunião com ministros para tratar de medidas de apoio aos exportadores diante do tarifaço.

“São US$ 200 milhões por ano. Além de perder parte dessa venda, ainda tem o cliente interno que é o calçado, que está na iminência de perder a exportação do calçado em couro. Perdemos a venda no mercado interno que também exporta para os EUA. Perdemos duas vezes, o que é bastante dramático”, completou.

Segundo ele, os curtumes nacionais relataram que os pedidos dos importadores norte-americanos não estão sendo renovados por conta da expectativa de implementação das tarifas. Bello, no entanto, não tem um levantamento do potencial prejuízo que as empresas terão se o governo não conseguir negociar a inclusão do setor na lista de exceção ou reduzir a tarifa cobrada pelos EUA.

“Alguns curtumes enviaram muita mercadoria via aérea para pegar o prazo de entrega, para estar dentro do prazo e fazer estoque com seu cliente e dar tempo de os governos se acertarem”, informou.

Em reunião nesta segunda-feira (4/8) entre representantes do setores produtivos e ministros em Brasília, Bello reiterou os pedidos do setor para que haja negociação com os EUA para eliminação das tarifas ou, ao menos, a redução das alíquotas para o patamar anterior, de 10%, tido como “aceitável” no mercado.

“Se possível, queremos eliminá-las. Pedimos também para, na medida do possível, apoiar as empresas que não estão contempladas na redução da tarifa, com linhas de créditos de financiamentos com juros subsidiados, a agilização para devolução dos créditos tributários de exportação de PIS/Cofins e o ICMS dos Estados, e construir um sistema de apoio ao desemprego que poderão vir nas indústrias com modelo parecido ao feito na pandemia”, completou.

Cada setor ouvido nesta segunda-feira deverá formalizar as demandas ao governo nos próximos dias. “O governo escutou, anotou, pediu para cada setor formalizar, protocolar as demandas, e indicar quais mercados seriam potenciais, que o governo poderia ajudar para aumentar as vendas e diminuir o impacto da não venda aos EUA”, concluiu.

Fonte: Globo Rural

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Comércio Exterior

EXCLUSIVO: “Teor político em tarifaço dos EUA é cortina de fumaça”, diz Michel Temer

Para o ex-presidente, Donald Trump está mais preocupado com o avanço dos BRICs do que com a suposta anistia a Bolsonaro. Para ele, governo brasileiro fez bravata no início das tensões com o governo americano e deve continuar a busca por diálogo para solucionar impasse

O escritório do ex-presidente da República Michel Temer, no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo, estava movimentado na tarde de terça-feira (4). Prefeitos, vereadores, lideranças políticas e empresários se revezavam à espera de uma audiência com o homem que governou o Brasil por dois anos e meio (maio de 2016 a dezembro de 2018), foi vice-presidente e deputado federal. A relevância de conversas e conselhos com Temer está ancorada em décadas de vida pública, que lhe renderam uma bagagem política e uma habilidade na solução de crises reconhecidas por aliados e adversários. Não à toa, a palavra “diálogo” foi a mais pronunciada por ele durante a entrevista exclusiva ao BRAZIL ECONOMY, entre uma agenda e outra.

Temer defende a aproximação do governo brasileiro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que aumentou as tarifas sobre produtos nacionais, o que tem afetado a economia e pressionado o Palácio do Planalto a reverter a situação. Ao mesmo tempo em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizia que ligaria para Trump apenas para convidá-lo para a COP30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima), que ocorrerá no Pará, em novembro, e não para discutir tarifas, Temer defendia a conversa como saída para o imbróglio.

Na entrevista, o ex-presidente analisa as ações de Trump, as reações de Lula, os efeitos políticos e econômicos do tarifaço e fala sobre o movimento para reunir governadores em prol de uma candidatura alternativa ao Planalto em 2026 — uma opção à polarização entre bolsonarismo e lulopetismo.

Confira os principais trechos:

BRAZIL ECONOMY – Qual a avaliação do sr. diante do tarifaço imposto às exportações brasileiras pelo presidente dos EUA, Donald Trump?

MICHEL TEMER – Lamentei muitíssimo esse tarifaço. Assim como lamentei a cassação dos vistos de ministros do Supremo Tribunal Federal e de outras figuras. Houve muita falta de diálogo, sabe? Hoje, os países têm que dialogar muito entre si — não apenas os chefes de Estado e de governo, mas também as próprias instituições, os poderes legislativos… Afinal, isso faz parte do chamado multilateralismo. No passado, 70, 80 anos atrás, quando havia alianças entre partidos ou diálogo entre Estados, a preocupação era político-institucional. Hoje, há também uma preocupação comercial.

Nosso maior parceiro comercial é a China; o segundo, os Estados Unidos. Os países árabes compram de 45% a 50% da nossa carne de frango. Temos convênios tecnológicos extraordinários com Israel. Tudo isso revela que a multilateralidade é fundamental. Mas o multilateralismo se alimenta do diálogo. Por isso, a falta de diálogo causa prejuízos.

No caso presente, o que faltou foi um diálogo inaugural entre Estados Unidos e Brasil. Porque a relação, convenhamos, não é entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. É entre a República Federativa do Brasil e os Estados Unidos da América. Isso deveria ser compreendido, para que cada um cumprisse suas funções de natureza constitucional. Portanto, é lamentável. Mas não se deve desistir.

Eles eliminaram a taxação de 50% para muitos produtos. A negociação foi aberta, o que, convenhamos, não foi fruto de relações institucionais. É verdade que o (vice-presidente) Geraldo Alckmin fez muito esforço nesse sentido, mas o avanço se deu, em grande parte, pelas relações comerciais entre empresas brasileiras e americanas — um diálogo também oportuno e sempre produtivo. Quando se inicia um diálogo, seja de quem for, as coisas se resolvem. Estamos num momento em que o diálogo começa a ser retomado, mas deveria ter ocorrido desde o início dos governos. Ainda acredito que essa questão da tarifa será ajustada de forma adequada.

Envolver a política como argumento para uma decisão econômica foi um atentado à soberania do Brasil?
Não vale a pena falar nisso. Sabe por quê? Dizer que o Brasil é soberano é fazer cocada com coco do coqueiro. Nós todos sabemos que cada país é soberano. Não há dúvida. O problema é o contato das duas soberanias, a soberania brasileira e a soberania americana. Como é que elas fazem contato? Fazem contato de natureza política, institucional e comercial. Agora, com toda franqueza, há muita bravata. Dizem que vão retalhar etc. Não dá certo. E vamos ter os pés no chão, convenhamos. O Brasil é um país poderosíssimo, mas sem dúvida o Estados Unidos é mais poderoso que o Brasil economicamente, comercialmente. Não vale a pena brigar com os Estados Unidos. Tem que dialogar.

Sobre essa questão política, que coloca a anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro como condição para rever as tarifas, é cortina de fumaça? Alguns analistas avaliam que a ação dos Brics, que discutem uma criação de moeda própria para suas transações comerciais, o que enfraqueceria o dólar, estaria por trás do tarifaço dos EUA.
Estou de acordo com essa cortina de fumaça. Que nem existe muita fumaça. É um pretexto que me parece muito claro. Porque, na verdade, é claro que o presidente Trump tem suas simpatias e preferências pelo ex-presidente Bolsonaro, mas o que está por trás disso são interesses econômicos. A questão do Brics, em que se propôs a usar um neologismo, a desdolarização, a eliminação do dólar, que eu soube, pelo menos, não teve apoio nem da China, nem da Rússia, nem da África do Sul. Mas acho que serviu como pretexto para dizer: “Olha, não mexa conosco.” Acho que foi, na verdade, um pretexto.

Como avaliou a reação do governo Lula diante do tarifaço?
A primeira reação, com toda a delicadeza que eu digo isso, foi de muita bravata. “Ninguém mexe aqui”, disseram. Não vale a pena nem se usar isso com critérios eleitoreiros. O que está em pauta agora não é eleição e nem o aspecto eleitoral. O que está em pauta é o Brasil. É assim que se cumpre a missão constitucional da Presidência da República e de outras tantas instituições. Volto a dizer: lançar palavras agressivas em relação a esse episódio, não vale a pena. Não interessa o país que venham ataques, você tem que estabelecer meios e métodos para dialogar.

Aplicar então a lei da reciprocidade seria algo muito ruim?
Eu não acho bom. Você viu que no despacho do presidente Trump? Ele diz o seguinte: “Olha aqui, são 50% e, se houver retaliação tarifária, a cada aumento que vai acrescentar mais 40%”. Então, você imagina uma tarifa de 50%, que pode passar para 90%? Acho que não vale a pena tomar esse caminho. Tem que tomar o caminho do diálogo até as últimas consequências. E o diálogo resolve.

O recuo dos EUA, de tirar alguns produtos dessa tarifa de 50%, foi uma sinalização ao diálogo?
Ajuda. É um começo de, digamos, solução. Tem que ser incentivado esse diálogo. Agora, parece que o próprio ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores) esteve com Marco Rubio (secretário de Estado dos EUA), começando uma abertura de diálogo. Sendo mais uma vez otimista, eu acho que vai resolver.

Já é possível mensurar as consequências para a economia brasileira diante do que está exposto atualmente?
Vou dizer uma experiência prática? Na sexta-feira passada, eu fiz uma palestra em Balneário do Camboriú (SC) para 5.000 empresários brasileiros que foram chamados para uma grande reunião, para ouvir as mais variadas autoridades. E depois, fora da parte das conversas no corredor, muitos se reuniram em salas comigo para conversar e eu fiquei preocupado com uma coisa: as pessoas estão um pouco desesperançadas. Começaram a dizer que vão sair do País. Isso é preocupante. É claro que eu desestimulei. O Brasil ainda é um país do futuro. Aqui se pode produzir muito. É preciso só ajustar as coisas. É preciso tranquilizar um pouco o País, pacificar um pouco o País. O País não pode ficar nessa radicalização política permanente. Às vezes até no plano pessoal. Você verifica que hoje há brasileiros contra brasileiros, instituições contra instituições. Não vale a pena. Pode ter divergência de ideias, divergência de conceitos, divergência de programas, que até é útil. Isso é fruto da democracia. Mas não pode ter crueldade, radicalização de posições, de maneira a odiar o outro, de maneira a provocar instituições. Isso não é bom para o País.

A temperatura política alta, de fato, influencia no humor do setor produtivo e nas questões econômicas…
Sim, porque a temperatura política alta queima. Ela fere, ela machuca. A temperatura tem de estar num patamar normal. E quanto mais esfriada, tanto melhor, porque pacifica as relações sociais.

Como o sr. observa uma possível aproximação do Brasil com a China incentivada ainda mais pelo tarifaço?
Acabei de falar do multilateralismo. O Brasil tem que estar próximo da China e dos Estados Unidos. Não próximo ideologicamente, nem dos Estados Unidos, nem da China. Nós temos a nossa ideologia própria, vamos dizer assim. Mas, comercialmente, ele tem que se aproximar, estar próximo dos dois países, como os demais países do mundo. O unilateralismo ou o bilateralismo não dá certo. Só dá certo o multilateralismo. É isso que se prega no país e é fruto da nossa diplomacia tradicional. Não pode preferir um país tal, um presidente tal… As relações são institucionais.

No início do ano o sr. sugeriu a união de alguns governadores para alçar um nome alternativo à polarização entre Bolsonaro e Lula. Esse tarifaço atrapalha esse projeto?
Tudo isso derivou do seguinte: os governadores, muito delicadamente, vieram me visitar ou falar comigo por telefone. Foram cinco governadores que já haviam falado comigo e depois um sexto, que é o governador Eduardo Riedel, do Mato Grosso do Sul. Ele estava muito entusiasmado com essa tese. Eu disse que eles possuem, mais ou menos, as mesmas posições. E se tem as mesmas posições, o Brasil está precisando de um projeto. Eu até tomei a liberdade de dizer que o meu governo foi, talvez, mais do que razoável, porque eu tinha um projeto que era chamado ‘Ponte para o Futuro’. Tudo que nós conseguimos – redução de inflação, redução dos juros, reforma trabalhista, previdência social, recuperação das estatais, a recuperação do PIB – estava nesse projeto. Eles deveriam se reunir, lançar um programa para o País, um projeto para o País e depois escolher dentre eles quem representaria esse projeto. Porque o que haveria não era nome contra nome numa disputa, mas programa contra programa. Você imaginou se nós tivéssemos dois ou três programas em disputa? O eleitor vê o programa e avalia se está de acordo com esse programa. Vai perguntar “quem é que representa esse programa?”. Percebe que cresce a o debate político no País? Hoje a disputa é de A contra B. Não pode ser assim, não. É projeto contra projeto. Por isso que eu propus isso. Se os governadores vão levar adiante, eu não sei. Mas acho que individualmente, pelo menos, se sensibilizaram.

Ainda é viável, mesmo diante do momento que estamos vivendo e há um ano da eleição?
Acho que dá, exatamente porque nós estamos distantes ainda das eleições. Não daria no lá na frente, porque lá na frente é capaz de cada um ser candidato por conta própria. O Brasil vive muito hoje a custa dos governadores, porque a safra de governadores é formidável. Então, eles agem muito adequadamente nos seus estados e produzem uma boa imagem do País. Agora, produzindo todos uma boa imagem do País, não dá para pensar que todos podem vir a ser candidatos à Presidência, porque é claro que divide os votos e cria problema na própria eleição. Facilita só um dos lados.

O sr. roda o Brasil, mas está em São Paulo, mais próximo do governador Tarcísio. Ele seria um nome?
Sem dúvida alguma. O Tarcísio é um nome muito adequado. Eu tive a honra de tê-lo no meu governo, ajudou muito (foi secretário da Coordenação de Projetos da Secretaria Especial do Programa de Parceria de Investimentos (PPI), responsável pelo programa de privatizações, concessões e desestatizações).Aqui em São Paulo, ele vai muito bem. Agora, é preciso politicamente ter uma estrutura que permita a eleição.

Na ausência de Bolsonaro nas urnas por estar inelegível, Tarcísio seria o nome mais viável para ocupar esse espaço?
É difícil dizer. É preciso dialogar com os demais governadores, encontrar um meio-termo. E esse meio-termo viria muito por meio de um projeto para o País.

Há chance de surgir um outsider dessa altura do campeonato ou está fora de cogitação?
Acho difícil. E também não acho conveniente. Acho que é melhor pegar quem tem uma certa experiência política ou governativa.

O tarifaço pode rachar o bolsonarismo, já que há correntes que defendem a ação dos EUA e outras mais ponderadas?
Confesso que não saberia dizer. Mas os bolsonaristas para valer são muito unidos. O Brasil viveu muito, num dado momento da história, o ‘nós contra eles’. O ‘nós’ era organizado, tinha militância. De repente, o ‘eles’ se organizou com militância. E daí divide os brasileiros. Não vale a pena. Por isso que eu sempre falo em programa, em projeto, porque o projeto pode unir pessoas. Isso que é importante para o País.

Ainda sobre o que está em discussão no campo político, o sr. acredita que houve uma trama golpista como tem apresentado a denúncia contra Bolsonaro?
Não saberia dizer. Depende dos autos. Porque ele está agora detido domiciliarmente. Depende do exame dos autos. Os autos é que vão dizer. As pessoas avaliam que abriu-se o inquérito contra fulano, pronto, já está pré-condenado. Não é assim. O inquérito vem de inquirir. Você tem que inquirir, investigar, portanto. Quando você termina a investigação, manda para o Ministério Público. O Ministério Público examina para ver se denuncia ou não. E quando denuncia, o Judiciário diz se recebe ou não recebe a denúncia. Então, o processo penal se formata em definitivo quando a o Judiciário acolhe a denúncia. Daí vem a prova, a contraprova, tem um bom caminho ainda pela frente. É o que está acontecendo no presente momento. Isso vai longe ainda.

Acredita que o julgamento não será neste ano ainda?
Não sei dizer.

O STF está um pouco acelerado, não?
As notícias dizem que é para julgar neste ano, mas o que não significa que não haverá prova e contraprova. Isso é fruto do processo penal democrático.

Como avalia o atual momento econômico do Brasil, com juros e inflação elevados
Acho péssimo. Porque a inflação, diferentemente do que se pensa, não afeta o rico. O rico, se o arroz passou de R$ 10 para R$ 20, continua comprando. A inflação atinge o pobre. Por isso que no meu governo eu fiz o possível… Peguei uma inflação de dois dígitos, entreguei com 2,75%. Porque a inflação, volto a dizer, ela prejudica precisamente os mais vulneráveis. Então é preciso ter uma política econômica que contenha os gastos públicos para poder reduzir os juros e reduzir a inflação.

Então a política do Banco Central com a Selic a 15% tem que arrefecer?
Acho que não dá, por enquanto. Eles mantêm os juros altos para impedir um volume extraordinário da inflação. Claro, porque, na verdade, os juros estão altos e a inflação também prossegue. Tem alguma coisa errada aí. Eu não sei detectar exatamente. Mas a ideia de juro alto é para combater a inflação e foi exata e precisamente o que ocorreu no meu governo.

As contas públicas um pouco descontroladas não ajuda nessa engrenagem desajustada?
Ajuda, especialmente os gastos públicos. Por isso que a ideia do teto para os gastos públicos é uma coisa importante.

A responsabilidade fiscal parece estar longe de ser o objetivo do governo, quem mantém os gastos ao mesmo tempo em que trabalha para aumentar a receita. Essa conta não está fechando…
É porque aumentar receita significa aumentar tributos. Sabe que essa história da carga tributária é sempre muito objetada. Há muita reclamação em relação a isso. Nós temos uma carga tributária razoavelmente alta. Toda vez que aumentar a carga tributária, faça um pequeno corte. Por que a volta do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) foi contestada? Porque anunciou-se que seria para aumentar a arrecadação e não é. O Imposto de Operações Financeiras é regulatório, é para regular as relações cambiais etc. Então, toda vez que você quer aumentar tributo, você tem um protesto no País. O ideal é manter, ou melhor, segurar os gastos curtos. Esse é o ideal.

A volta do IOF, então, seria uma decisão acertada do governo Lula?
Não. O primeiro equívoco foi produzi-lo sem ter pré-conversado com o Congresso e com a sociedade. Eu digo isso porque eu dou um exemplo. Eu fiz a reforma trabalhista no meu governo. Mexer em direito do trabalho é mexer em vespeiro. Mas o que eu fiz? Levei uns cinco ou seis meses para mandar o projeto para o Congresso. Por quê? Porque nesse entretempo pedi ao ministro do Trabalho para percorrer as centrais sindicais, percorrer as federações de indústria, comércio, serviço, para formatar um projeto. Mandei o projeto, foi aprovado, não houve uma greve de trabalhadores do País. Houve diálogo. Com o IOF talvez tenha havido esse equívoco. Essas coisas têm que ser conversadas.

Como avalia a reforma tributária que vai entrar em vigor?
Precisa ser regulamentada ainda. A regulamentação é que vai revelar se ela é adequada ou não. Porque adequada, liminarmente, é. Porque ela acaba, em princípio, diminuindo a burocracia tributária. No passado, quando eu fazia palestras aqui e no exterior, o que as pessoas mais reclamavam era a questão trabalhista e a burocracia tributária. Eram dois temas. Aliás, eu praticamente comecei a reforma tributária no meu governo, que foram dois anos e meio. Mas a desburocratização tributária é uma coisa interessante para o desenvolvimento do País e naturalmente para os empresários.

Mas não teria de haver junto um corte de gastos?
Sim, sem dúvida alguma.

E onde dá para cortar?
Isso vem, para mim, da reforma administrativa. Não é fácil. A reforma administrativa tem sempre resistência no Congresso, porque o funcionalismo público, especialmente o mais elevado, legitimamente tem muita influência no Congresso Nacional. Quando fui para lá, com uma relativa grande experiência que eu tinha do Legislativo, percebi que se eu quisesse fazer a reforma administrativa tinha que fazê-la silenciosamente. E fiz. Pouco se sabe, mas o quando eu cheguei no governo, tinham 60.067 cargos desocupados. Quando eles estão desocupados, você pode eliminá-los por decreto. Eu eliminei por decreto. No meu caso, o Paulo Caffarelli era presidente do Banco do Brasil. Ele me disse que em cidades pequenas aqui do Brasil, muitas vezes existem duas agências e poderíamos eliminar uma. E seria aberto um plano de demissão voluntária, para reduzir sensivelmente o número de servidores do Banco do Brasil. Essa coisa mais silenciosa da reforma administrativa, que significa corte de gastos, teria que ser efetivada também no presente momento.

Atualmente, discute-se uma nova reforma da previdência, pouco tempo depois das mudanças efetivadas durante o governo do sr. Previdência é um buraco sem fim?
É preciso discutir novamente, eu reconheço. Porque em face da longevidade, a reforma da previdência vai estourando de tempos e tempos. É indispensável revisá-la. Naquele momento, fizemos a reforma possível. Mais adiante, em face de demonstração dos problemas que os gastos previdenciários acabam aparecendo, naturalmente as pessoas se convencem de que é preciso uma nova reforma.

O Brasil está prestes a receber a COP30, com uma série de polêmicas e uma série de desafios. O senhor acredita que o Brasil vai sair menor ou maior dessa COP?
Maior. A realização no Pará, simbolicamente, é muito importante que seja feita na Amazônia. O governador Helder Barbalho tem estado aqui comigo, tem feito um trabalho excepcional para também acolher aqueles que vão para COP. Está fazendo obras e mais obras para que cause uma boa impressão. Então, acho que será um exemplo para o mundo essa reunião ambiental na Amazônia.

O Brasil poderia ter mais protagonismo nessa transição energética que tanto se fala globalmente?
Eu acho que do tocante ao setor energético, o Brasil até vai bem, porque nós temos a tal da energia limpa. Energia das mais variadas, a fotovoltaica, eólica, biomassa… O Brasil tem sido um exemplo para isso. Começou lá atrás e continua, sou obrigado a reconhecer. É muito útil para o País e, portanto, também está muito ligado ao meio ambiente. Eu sempre digo que é preciso retirar a ideologia relativa ao meio ambiente. É interessante aqui no Brasil, sempre se fala que a chamada esquerda é pela preservação do meio ambiente. E os agricultores, o agronegócio, que poderia ser chamado de direita, é pela destruição do meio ambiente. Não é verdade. No meu governo reuniram-se permanentemente o Blairo Maggi, que foi ministro da Agricultura, e o José Sarney Filho, que era ministro do Meio Ambiente, para ver se tinha faísca. Porque todos tinham que trabalhar por essa área. O pessoal do agronegócio, da agricultura, também quer preservar o meio ambiente. Todos os brasileiros têm que trabalhar pela preservação do meio ambiente. Ampliei a Chapada dos Veadeiros de 60 mil hectares para 240 mil hectares protegidos. Nós fizemos a maior reserva marinha que o mundo conhece, equivale ao território da Alemanha e da França juntos. A reserva marinha é importante porque as algas produzem oxigênio e não consomem.

Falando em esquerda e direita, o sr. se considera um centrista?
Eu não tenho nenhum apreço pelos rótulos. O que interessa para o cidadão é o resultado. Dou sempre esse exemplo trivial. Vá ao sujeito que está passando fome, pergunta o que ele quer. Ele quer comer. Vá ao desempregado. Ele quer emprego. Vá ao empresário. Ele quer financiamento, menos tributo. Vale o resultado. Agora, se o sujeito quer se rotular de esquerda, de direita, de centro, é um problema dele. Eu não tenho nenhum apreço por esses rótulos. Se quiser rotular, eu poderia ser rotulado de centro, porque eu sou a favor da moderação, do equilíbrio. Eu sou a favor da temperança, a favor do diálogo, a favor da harmonia, a favor da pacificação de todos os setores. Sem embargo de nós termos divergência ideológica, divergência programática, divergência conceitual, que é útil para a democracia. O que não é útil é, digamos, a crueldade nas relações entre brasileiros ou entre instituições. Então, se quiser me rotular, pode me rotular de centro.

A polarização faz mal para o Brasil?
Sem dúvida alguma. Polarização de ideias, não. Essa é útil, porque é fruto da democracia. O que faz mal é radicalização, que é o que ocorre atualmente no Brasil.

Pintando o quadro como um todo, político, econômico… Como o sr. enxerga o País em 2030?
Eu quero enxergar com otimismo. Espero que se resolvam todas essas questões, que a nova eleição produza bons resultados também. Que em 2030 o Brasil continue a desenvolver-se como merece.

Fonte: Brazil Economy

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Comércio Exterior

EUA vão impor inicialmente “tarifa pequena” sobre importações de produtos farmacêuticos, diz Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta terça-feira que o país vai inicialmente aplicar uma “pequena tarifa” sobre as importações de produtos farmacêuticos antes de aumentá-la para 150% em 18 meses e, posteriormente, para 250%, em um esforço para estimular a produção nacional.

“Em um ano, no máximo um ano e meio, a tarifa subirá para 150% e depois para 250%, porque queremos que os produtos farmacêuticos sejam fabricados em nosso país”, disse Trump em uma entrevista à CNBC.

Ele não especificou a alíquota inicial das tarifas sobre produtos farmacêuticos. Trump disse neste mês que as tarifas sobre produtos farmacêuticos poderiam chegar a 200%.

Trump também disse que planeja anunciar tarifas sobre semicondutores e chips “na próxima semana”, mas não deu mais detalhes.

Os Estados Unidos vêm realizando uma revisão de segurança nacional do setor farmacêutico, e a indústria vem se preparando para possíveis tarifas específicas para o setor. O governo não anunciou quando os resultados dessa investigação serão divulgados.

Um acordo entre os Estados Unidos e a UE estabelece que as tarifas sobre produtos farmacêuticos e semicondutores são atualmente zero, mas se os Estados Unidos aumentarem as tarifas após sua investigação de importação, elas serão limitadas a 15%.

Fonte: Terra

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