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Crédito de R$ 15 bilhões: governo define setores prioritários para acesso aos recursos

O governo federal detalhou os setores que terão prioridade no acesso à linha de crédito de R$ 15 bilhões, criada para amenizar os efeitos da guerra no Oriente Médio e das barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos.

O anúncio foi feito na quinta-feira (16) pelo presidente em exercício, Geraldo Alckmin, durante coletiva no Palácio do Planalto. A iniciativa também contempla áreas consideradas estratégicas para o país, especialmente aquelas com déficit na balança comercial brasileira, como os segmentos farmacêutico e de tecnologia da informação.

Programa será operado pelo BNDES

A nova rodada de apoio faz parte da segunda fase do Programa Brasil Soberano, lançado em 2025. A operacionalização ficará a cargo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Inicialmente voltado a empresas exportadoras afetadas pelo chamado tarifaço dos EUA, o programa ganha agora maior abrangência, incluindo setores impactados por instabilidades geopolíticas e comerciais.

As tarifas norte-americanas, que chegaram a 50%, foram posteriormente revistas e fixadas em 15% após decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, mas continuam afetando a competitividade de produtos brasileiros.

Três grupos terão acesso ao crédito

De acordo com portaria do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), três perfis de empresas poderão acessar os recursos:

Exportadoras afetadas por tarifas

O primeiro grupo reúne empresas industriais exportadoras e seus fornecedores diretamente impactados pelas tarifas dos EUA. Para se enquadrar, é necessário que as exportações tenham representado pelo menos 5% do faturamento bruto entre agosto de 2024 e julho de 2025.

Entre os mais prejudicados estão os setores de aço, cobre e alumínio, que enfrentam sobretaxas de até 50%, além de segmentos como autopeças e móveis, sujeitos a tarifas de 25%.

Setores estratégicos da economia

O segundo grupo inclui áreas consideradas essenciais para a modernização produtiva e inovação do país. Estão na lista os setores têxtil, químico, farmacêutico, automotivo, além de indústrias de máquinas, equipamentos eletrônicos, informática, borracha e minerais críticos.

Empresas com foco no Oriente Médio

O terceiro grupo contempla empresas exportadoras que atuam no mercado do Golfo Pérsico, incluindo países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar.

Nesse caso, o critério exige que as exportações tenham representado ao menos 5% do faturamento bruto entre janeiro e dezembro de 2025. A medida busca reduzir os impactos da instabilidade na região sobre o comércio exterior brasileiro.

Condições de financiamento e prazos

As linhas de crédito poderão ser utilizadas para diversas finalidades, como:

  • capital de giro
  • produção voltada à exportação
  • aquisição de bens de capital
  • investimentos em ampliação produtiva
  • inovação tecnológica e adaptação de processos

As taxas de juros variam conforme o tipo de operação. Nas contratações diretas com o BNDES, os encargos vão de 0,94% ao mês (investimentos) até 1,28% (capital de giro).

Já nas operações indiretas, realizadas por instituições financeiras, as taxas ficam entre 1,06% e 1,41% ao mês. Os prazos de carência variam de um a quatro anos, enquanto o período total para pagamento pode chegar a 20 anos, dependendo da modalidade.

Estratégia mira competitividade e crescimento

Com a iniciativa, o governo pretende fortalecer setores-chave, ampliar a competitividade internacional e reduzir vulnerabilidades da economia brasileira diante de crises externas.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: CNI/José Paulo Lacerda/Direitos reservados

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