Aeroportos

Companhias aéreas enfrentam alta nos custos e devem ter queda de 50% na lucratividade em 2026

O aumento das tensões no Oriente Médio tem provocado impactos significativos na aviação mundial. Segundo projeções da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), os gastos adicionais com combustível devem elevar em cerca de US$ 100 bilhões os custos das companhias aéreas neste ano, reduzindo drasticamente a rentabilidade do setor.

A expectativa é que o lucro líquido global das empresas aéreas caia de aproximadamente US$ 45 bilhões registrados em 2025 para cerca de US$ 23 bilhões em 2026. Com isso, a margem líquida da indústria deve recuar de 4,2% para 2%.

As estimativas foram apresentadas por Willie Walsh, diretor-geral da IATA, durante a 82ª Assembleia Geral Anual da entidade, realizada no Rio de Janeiro.

Demanda por viagens continua em crescimento

Apesar do cenário de custos elevados, a entidade não classifica a situação atual como uma crise para a aviação comercial. Isso porque a demanda global por voos segue avançando, embora em ritmo inferior ao projetado antes do agravamento do conflito.

De acordo com a IATA, o segmento de passageiros deve registrar crescimento de 2,1%, enquanto o transporte de cargas aéreas tem previsão de expansão de 0,7%.

Walsh destacou que o período mais crítico para o setor ocorreu entre março e abril. Dados consolidados mostram que a demanda global por transporte aéreo, medida em quilômetros pagos por passageiro, apresentou queda de 3,4% em abril na comparação com o mesmo mês do ano anterior.

Entretanto, ao excluir os mercados do Oriente Médio, o desempenho global teria apresentado crescimento de 1,2%, evidenciando que os impactos da guerra estão concentrados principalmente na região.

Passageiros mantêm planos de viagem apesar das tarifas mais altas

O executivo afirmou que o aumento do preço do combustível tem levado as empresas a reajustarem as tarifas aéreas. Ainda assim, os consumidores continuam demonstrando disposição para viajar.

Pesquisas realizadas pela entidade indicam que 86% dos passageiros consideram natural que os preços das passagens acompanhem a valorização do petróleo. Além disso, quase metade dos entrevistados pretende gastar mais com viagens em 2026 do que no ano anterior, enquanto 43% afirmam que manterão o mesmo orçamento.

Segundo Walsh, esse comportamento sustenta a expectativa de uma temporada de verão forte no Hemisfério Norte. A principal dúvida, no entanto, é por quanto tempo viajantes e empresas conseguirão absorver os custos crescentes da conectividade aérea.

IATA critica falhas na cadeia de suprimentos da indústria

Durante o evento, o diretor-geral da IATA também direcionou críticas à cadeia de suprimentos aeroespacial, apontando atrasos recorrentes na entrega de aeronaves e motores.

Segundo ele, a carteira global de pedidos ultrapassa 18 mil aeronaves, enquanto a idade média da frota mundial atingiu o recorde de 15,2 anos. Além disso, mais de 5 mil aeronaves modernas e mais eficientes em consumo de combustível deixaram de ser entregues conforme o planejado.

Na avaliação da entidade, esses problemas geraram perdas superiores a US$ 11 bilhões para as companhias aéreas somente em 2025, devido ao aumento dos custos de leasing, manutenção e menor eficiência operacional.

Fabricantes de motores são alvo de críticas

Walsh afirmou que o setor perdeu a paciência com os fabricantes de motores e cobrou maior comprometimento com qualidade e prazos de entrega.

O executivo argumentou que, enquanto as empresas aéreas enfrentam atrasos e problemas técnicos, os fabricantes vêm registrando crescimento expressivo de lucros. Para ele, a indústria precisa voltar a priorizar a confiabilidade dos equipamentos e atender às necessidades dos clientes.

Segurança aérea segue como referência mundial

Apesar dos desafios econômicos e operacionais, a segurança continua sendo um dos pontos fortes da aviação global.

Dados apresentados pela IATA mostram que quase 5 bilhões de passageiros viajaram em cerca de 39 milhões de voos durante o último ano. Nesse período, foram registrados 51 acidentes, dos quais oito tiveram consequências fatais.

Segundo Walsh, a evolução contínua da segurança depende da adoção de padrões globais, regulamentações consistentes e compartilhamento de dados entre autoridades e empresas do setor.

Para a entidade, a aplicação uniforme das melhores práticas internacionais permanece essencial para reduzir riscos e fortalecer ainda mais a segurança do transporte aéreo mundial.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Lindsey Wasson

Ler Mais
Informação

Power banks em voos: companhias aéreas adotam novas regras para transporte de baterias portáteis

Passageiros que pretendem viajar com power banks precisam redobrar a atenção às novas regras de segurança adotadas pelas companhias aéreas. As medidas seguem orientações da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e estabelecem limites para o transporte de carregadores portáteis em aeronaves.

As mudanças envolvem restrições de capacidade, forma de armazenamento durante o voo e proibição de uso em determinadas situações, com foco na prevenção de incidentes relacionados às baterias de lítio.

Limite de capacidade dos power banks

Pelas novas determinações, cada passageiro poderá embarcar com até dois carregadores portáteis de no máximo 100 Wh, capacidade equivalente a cerca de 27 mil mAh.

Já os aparelhos com capacidade entre 100 Wh e 160 Wh só poderão ser transportados mediante autorização prévia da companhia aérea, normalmente solicitada no momento do check-in.

Equipamentos que ultrapassem 160 Wh continuam proibidos em voos comerciais.

Onde os aparelhos devem ser transportados

As novas regras também alteram a forma de acomodação dos dispositivos dentro da aeronave.

Os power banks deverão permanecer obrigatoriamente em mochilas, bolsas ou itens pessoais posicionados sob o assento ou nos bolsões das poltronas. O armazenamento no compartimento superior da cabine, junto às malas de mão, não será permitido.

Outra orientação importante é que os carregadores portáteis não devem ser conectados às entradas USB da aeronave durante o voo.

Além disso, segue proibido o envio desses equipamentos na bagagem despachada.

Medidas buscam evitar riscos de incêndio

As restrições foram implementadas com base em recomendações da Organização da Aviação Civil Internacional (Oaci), após registros de incidentes envolvendo superaquecimento e princípios de incêndio causados por baterias de lítio em aeronaves.

O objetivo das novas exigências é ampliar a segurança operacional e reduzir riscos durante os voos.

Plataforma ajuda passageiros a verificar limites

Os viajantes podem consultar informações detalhadas sobre as regras no portal Tem Regra, que reúne orientações sobre o transporte de eletrônicos em aeronaves.

A plataforma também oferece uma calculadora que converte a capacidade dos aparelhos de mAh para Wh, permitindo que o passageiro verifique se o equipamento está dentro dos limites autorizados para embarque.

Veja o que muda no transporte de power banks

  • Cada passageiro poderá levar até dois aparelhos de até 100 Wh;
  • Equipamentos entre 100 Wh e 160 Wh exigem autorização da companhia aérea;
  • Power banks acima de 160 Wh estão proibidos;
  • Os dispositivos devem permanecer em bolsas ou mochilas durante o voo;
  • Não podem ser armazenados no compartimento superior da cabine;
  • O transporte em bagagem despachada continua vetado;
  • O uso conectado às entradas USB da aeronave não é permitido.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MPor

Ler Mais
Internacional

Como aviões comerciais continuam operando em meio a conflitos no Oriente Médio

Enquanto a tensão aumenta sobre o Irã e o Golfo, o tráfego aéreo comercial segue intenso, mesmo em rotas alteradas para garantir a segurança de passageiros e tripulações. O controle de voos tornou-se ainda mais complexo, exigindo coordenação e atenção máxima dos controladores de tráfego aéreo.

Tráfego aéreo desviado e rotas alternativas

Nos últimos 15 dias, enquanto drones e mísseis cruzavam o céu, controladores monitoravam aviões de passageiros por rotas mais seguras, ainda que congestionadas. Mapas de rastreamento mostram aumento de tráfego sobre regiões como Egito e Geórgia, à medida que as companhias aéreas buscam desviar aeronaves de áreas de risco.

Cada controlador supervisiona uma porção do espaço aéreo e coordena entradas e saídas com colegas. Em condições normais, um controlador acompanha cerca de seis aviões simultaneamente; em situações de conflito, esse número pode dobrar. Brian Roche, controlador aposentado do Reino Unido, alerta: “O cérebro consegue manter esse nível de concentração por apenas 20 a 30 minutos”.

Turnos curtos para evitar sobrecarga

Para lidar com o aumento do fluxo, os turnos de controladores são adaptados: normalmente, duram 45 a 60 minutos, seguidos por 20 a 30 minutos de descanso. Em períodos de guerra, a prática reduz os turnos para 20 minutos, com pausas iguais, garantindo segurança e concentração.

“Os controladores estão realizando turnos incríveis, lidando com volumes igualmente impressionantes de tráfego aéreo”, destaca Roche.

Lições do passado: MH17 e acidentes recentes

O acidente do voo MH17 da Malaysia Airlines, derrubado por um míssil em 2014 na Ucrânia e que matou 298 pessoas, exemplifica os riscos de voar sobre áreas de conflito. Mais recentemente, seis tripulantes americanos morreram após a queda de um avião-tanque no oeste do Iraque.

Incidentes assim reforçam a necessidade de rotas alternativas, planejamento antecipado e monitoramento constante do espaço aéreo.

Coordenação entre pilotos e controladores

Quando há fechamento parcial do espaço aéreo, os controladores informam os pilotos sobre rotas alternativas, combustível disponível e aeroportos aptos a receber cada tipo de aeronave. A separação segura entre aviões é fundamental, considerando turbulência causada por grandes jatos e diferenças de tamanho entre aeronaves.

Pilotos com experiência na região destacam que fechamentos repentinos são raros. “A maioria das companhias aéreas planeja com antecedência para evitar zonas de conflito. Neste caso, sabíamos que algo se formaria no Oriente Médio”, afirma John, piloto que prefere não ter seu nome divulgado.

Tripulação preparada e passageiros tranquilos

Além dos pilotos, comissários de bordo têm papel essencial em manter a calma dos passageiros durante conflitos. Hannah, que lidera equipes em voos de longa distância, ressalta: “Nosso trabalho vai muito além de servir refeições. Garantimos a segurança e o bem-estar dos passageiros em todas as situações”.

Alterações de rotas e escalas extras exigem adaptação da equipe, mas fazem parte da rotina. “Como comissários, sentimos que somos parte de uma grande família, unidos pelas asas”, completa Hannah.

Segurança e rotina aérea mantidas

Apesar dos desafios, o setor de aviação comercial continua a operar com segurança, disciplina e procedimentos rigorosos, garantindo que os passageiros cheguem ao destino mesmo em meio a crises geopolíticas.

FONTE: Estado de Minas
TEXTO: Redação
IMAGEM: FlightRadar24

Ler Mais
Aeroportos

Incidente grave em Guarulhos: avião da Gol e cargueiro da Atlas Air pousam quase ao mesmo tempo

Um incidente grave em Guarulhos envolvendo duas aeronaves de grande porte acendeu alerta no Aeroporto Internacional de São Paulo. A ocorrência envolveu um Boeing 737-800 da Gol Linhas Aéreas e um cargueiro Boeing 747-8F da Atlas Air, que realizaram pousos praticamente simultâneos em pistas paralelas.

Vídeos publicados por um canal especializado em aviação mostram as duas aeronaves lado a lado na fase de aproximação final, momento considerado crítico do voo. As imagens indicam que os aviões estavam muito próximos enquanto se preparavam para tocar o solo nas pistas 10R e 10L.

Aproximação final expôs perda de separação

Registros de plataformas de rastreamento de voos apontam que a separação mínima entre aeronaves — requisito essencial da segurança operacional na aviação civil — pode não ter sido mantida durante a aproximação.

A chamada separação regulamentar estabelece distâncias mínimas obrigatórias, sobretudo em etapas sensíveis como decolagem e pouso. A perda desse parâmetro eleva o nível de risco, ainda que não resulte em colisão ou danos materiais.

Por que Guarulhos não permite pousos simultâneos

O episódio ganhou maior repercussão porque o aeroporto de Guarulhos não possui homologação para pousos simultâneos em pistas paralelas.

Diferentemente de alguns terminais internacionais com maior espaçamento entre pistas, Guarulhos enfrenta limitações estruturais e operacionais. Entre os fatores estão:

  • Distância reduzida entre as pistas;
  • Rotas potencialmente conflitantes em caso de arremetida;
  • Relevo da região;
  • Intenso tráfego aéreo no principal hub do país.

Para que operações simultâneas sejam autorizadas, é necessária certificação técnica específica, além de condições operacionais compatíveis com os padrões internacionais de segurança — requisitos que não se aplicam ao aeroporto paulista.

Cenipa investiga incidente classificado como grave

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos abriu investigação para apurar as circunstâncias da ocorrência. O caso foi oficialmente enquadrado como incidente grave, classificação utilizada quando há risco significativo à segurança, mesmo sem registro de acidente.

As apurações devem avaliar pontos como:

  • Atuação do controle de tráfego aéreo;
  • Procedimentos operacionais adotados;
  • Comunicação entre pilotos e controladores;
  • Condições do fluxo aéreo no momento do fato.

A investigação segue em andamento e será concluída com a identificação das causas e, se necessário, a emissão de recomendações para reforço da segurança operacional.

CONFIRA O VÍDEO

FONTE: Diário do Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Veja

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook