Logística

Canal do Panamá opera no limite com alta no transporte de GNL após conflito com Irã

O Canal do Panamá está operando em sua capacidade máxima, impulsionado pelo aumento da demanda por transporte de gás natural liquefeito (GNL) em meio ao conflito envolvendo o Irã. A informação foi confirmada pelo administrador da via, Ricaurte Vásquez, que destacou a intensificação do fluxo de embarcações nos últimos dias.

Atualmente, o canal registra a passagem diária de 36 a 38 navios, número acima da média prevista para o período.

Conflito no Oriente Médio impacta rotas marítimas

A guerra na região do Irã tem provocado mudanças significativas nas rotas marítimas globais. Com dificuldades de acesso ao Canal de Suez e o fechamento do Estreito de Ormuz, navios cargueiros — especialmente os que transportam energia — passaram a buscar alternativas para manter suas operações.

Nesse cenário, o Canal do Panamá tem se consolidado como uma rota estratégica, principalmente para o escoamento de GNL dos Estados Unidos para mercados consumidores.

Aumento da demanda por navios de GNL

Segundo a administração do canal, houve crescimento expressivo na procura por passagem de navios transportadores de gás natural liquefeito, especialmente aqueles que partem de portos norte-americanos.

Antes mesmo do início do conflito, o canal já registrava aumento no tráfego desse tipo de embarcação. Agora, a autoridade local se prepara para disponibilizar uma vaga diária para navios de GNL, número significativamente superior à média anterior de quatro por mês.

Capacidade máxima após período de restrições

O funcionamento pleno do Canal do Panamá ocorre após a recuperação dos níveis de água, afetados por uma seca recente que levou à imposição de restrições entre 2023 e 2024.

Com a normalização, a via voltou a operar no limite, superando a previsão inicial de cerca de 34 travessias diárias para o atual ano fiscal.

Manutenção não deve afetar operações

A autoridade do canal informou que o programa de manutenção programado entre março e setembro não terá impacto no fluxo de embarcações. A prioridade segue sendo garantir o transporte eficiente de cargas, especialmente em um cenário global de instabilidade logística.

Janela sazonal favorece transporte de energia

Tradicionalmente, o primeiro trimestre do ano registra queda na movimentação de navios de contêineres vindos da Ásia. Essa redução abre espaço para ampliar o número de passagens de embarcações voltadas ao transporte de commodities energéticas, como o GNL.

A tendência é que o canal continue desempenhando papel central na logística global, oferecendo uma rota mais curta e eficiente para atender à crescente demanda internacional.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Enea Lebrun

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Transporte

Cancelamentos de viagens marítimas chegam a 8% em meio a tensões no Estreito de Ormuz

O aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, especialmente envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, já começa a refletir no transporte marítimo de contêineres. De acordo com análise da consultoria Drewry, cerca de 8% dos itinerários programados por companhias de navegação foram cancelados nas principais rotas globais nas próximas semanas.

A instabilidade em torno do Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas para o comércio mundial, levou algumas linhas de navegação a suspender reservas relacionadas ao Golfo Pérsico e redirecionar embarcações para trajetos alternativos.

Desvios de rotas e atrasos no Mar Vermelho pressionam o setor

Além da situação no Golfo, o setor também continua lidando com atrasos na normalização das rotas pelo Mar Vermelho e pelo Canal de Suez.

Com a persistência dos riscos na região, muitos serviços seguem operando pelo trajeto mais longo ao redor do Cabo da Boa Esperança, aumentando tempo de trânsito e custos operacionais para o transporte marítimo internacional.

Mais de 50 cancelamentos registrados entre março e abril

Segundo levantamento da Drewry, entre as semanas 11 e 15 do calendário logístico — período de 9 de março a 12 de abril — foram anunciados 55 cancelamentos de viagens, considerando aproximadamente 705 partidas programadas.

O volume representa uma taxa de cancelamento de 8% nas rotas analisadas. Ainda assim, o impacto operacional permanece relativamente controlado no curto prazo.

A expectativa é de que 92% das viagens planejadas sejam realizadas conforme o cronograma, mantendo a maior parte da capacidade marítima ativa.

Rota transpacífica concentra maioria dos cancelamentos

A análise também indica que os cancelamentos estão concentrados em rotas específicas do comércio global.

A distribuição observada foi a seguinte:

  • 53% dos cancelamentos ocorreram na rota transpacífica em direção ao leste
  • 27% na rota transatlântica rumo ao oeste
  • 20% nos serviços entre Ásia e Europa/Mediterrâneo

Esses corredores marítimos fazem parte das chamadas rotas leste-oeste, consideradas as mais importantes do transporte global de contêineres.

Alianças marítimas apresentam desempenhos diferentes

Entre as alianças operacionais avaliadas pela Drewry, a Gemini Cooperation apresentou um desempenho considerado mais estável.

A parceria registrou uma taxa de cancelamento de apenas 3%, sem interrupções nas principais rotas leste-oeste, o que indica maior regularidade na programação de serviços.

Tarifas de frete apresentam leve alta global

O cenário de incerteza também começa a influenciar o mercado de fretes marítimos. O Índice Mundial de Contêineres (WCI) da Drewry registrou alta semanal de 3%, alcançando US$ 1.958 por FEU (contêiner de 40 pés).

Entre as principais rotas, o comportamento das tarifas foi distinto:

  • Transpacífico: aumento de 8%
  • Transatlântico: queda de 2%
  • Ásia–Europa/Mediterrâneo: valores relativamente estáveis

Risco de capacidade reduzida no transporte marítimo

Para a consultoria, apesar da estabilidade atual das tarifas, fatores operacionais podem alterar esse cenário nas próximas semanas.

Entre os pontos de atenção estão:

  • congestionamento portuário
  • desvios de rotas marítimas
  • ajustes na programação das companhias

Além disso, viagens mais longas podem manter navios e contêineres vazios ocupados por períodos maiores, reduzindo gradualmente a capacidade efetiva disponível no mercado.

Impacto para embarcadores pode aumentar

No curto prazo, os donos de carga (shippers) tendem a sentir impacto limitado. No entanto, se as interrupções nas rotas persistirem, o mercado pode enfrentar:

  • tempos de trânsito mais longos
  • redução de capacidade logística
  • maior volatilidade nas tarifas de frete marítimo

Esse cenário afetaria principalmente as principais rotas leste-oeste do comércio global, fundamentais para o fluxo de mercadorias entre Ásia, Europa e Américas.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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