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Ponte Bioceânica avança, mas obras de acesso ainda impedem conclusão da ligação entre Brasil e Paraguai

A Ponte Bioceânica, que conectará Porto Murtinho (MS) a Carmelo Peralta, no Paraguai, alcançou um importante marco com a união das duas extremidades da estrutura sobre o rio Paraguai. No entanto, apesar do avanço na construção, a falta de acessos viários e de infraestrutura complementar ainda impede a entrega definitiva da obra.

A cerimônia oficial que celebraria o chamado “beijo das aduelas” foi cancelada devido ao mau tempo. Mesmo sob temperatura de 10°C, representantes dos governos brasileiro e paraguaio participaram de um encontro simbólico no ponto de conexão da ponte, que possui 1.294 metros de extensão.

Rota Bioceânica promete reduzir tempo das exportações brasileiras

Considerada um dos principais marcos da Rota Bioceânica, a ponte faz parte de um corredor logístico que pretende ligar o Porto de Santos, no litoral brasileiro, aos portos chilenos de Antofagasta e Iquique, no oceano Pacífico.

A expectativa é que a nova rota reduza em aproximadamente 7 mil quilômetros o trajeto das cargas destinadas à Ásia e à Oceania, diminuindo o tempo de transporte entre 17 e 20 dias e reduzindo os custos logísticos para os exportadores brasileiros.

Hoje, grande parte dessas mercadorias segue por rotas mais longas, passando pelo Canal do Panamá ou contornando o continente africano.

Brasil e Paraguai avançam em ritmos diferentes

Apesar da conexão física da ponte, as obras de acesso apresentam estágios distintos em cada lado da fronteira.

No Brasil, ainda falta concluir os 13,1 quilômetros de ligação entre a BR-267 e a ponte. O investimento estimado é de cerca de R$ 250 milhões, mas os recursos ainda não estão previstos no orçamento federal. A previsão oficial é de que esse trecho fique pronto apenas em 2027.

Já no Paraguai, os trabalhos nos 3,8 quilômetros que ligam a ponte à rodovia PY-15 seguem em andamento, com expectativa de conclusão até novembro deste ano ou, no máximo, janeiro de 2027.

Infraestrutura e aduana ainda são desafios

Além das obras viárias, a operação da Rota Bioceânica depende da implantação do Centro Integrado de Controle da Fronteira (Ciof), onde os órgãos dos dois países realizarão procedimentos conjuntos de fiscalização e despacho aduaneiro.

O modelo de controle integrado foi aprovado após cerca de um ano e meio de negociações entre Brasil e Paraguai. Entretanto, segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), o projeto do centro aduaneiro ainda passa por ajustes técnicos solicitados pelos órgãos responsáveis pela fiscalização de fronteira.

Também será necessária a ampliação das equipes de fiscalização, especialmente em órgãos como o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Obra brasileira ainda depende de recursos

De acordo com o DNIT, cerca de 38,1% das obras do lado brasileiro foram executadas.

Os trabalhos incluem serviços de terraplenagem, infraestrutura de apoio e a construção de sete Obras de Arte Especiais (OAEs), entre elas seis pontes e um viaduto. Até o momento, apenas duas dessas estruturas foram finalizadas.

O empreendimento possui investimento previsto de R$ 472 milhões. Desse total, R$ 220,7 milhões já foram empenhados e R$ 184,7 milhões efetivamente aplicados. Os recursos restantes deverão ser destinados à continuidade das obras, enquanto novas verbas poderão ser liberadas conforme o andamento do cronograma.

Segundo o diplomata João Carlos Parkinson, coordenador brasileiro das negociações dos corredores bioceânicos, a diferença no ritmo das obras ocorre porque o lado brasileiro apresenta condições geográficas mais complexas.

O terreno pantanoso exige intervenções mais robustas de terraplenagem, tornando a execução mais lenta e onerosa do que no lado paraguaio.

Corredor internacional ainda enfrenta gargalos logísticos

Entre maio e junho deste ano, técnicos da Receita Federal percorreram aproximadamente 4 mil quilômetros pelos quatro países que integram a Rota Bioceânica — Brasil, Paraguai, Argentina e Chile — para avaliar as condições de infraestrutura e fiscalização.

A missão concluiu que o corredor possui grande potencial para impulsionar o comércio exterior brasileiro, mas identificou diversos obstáculos que ainda precisam ser superados.

No Paraguai, embora as rodovias pavimentadas tenham recebido avaliação positiva, postos de aduana e imigração ainda operam em instalações improvisadas. Também existem trechos sem pavimentação e ligações rodoviárias em fase de construção.

Na Argentina, foram observadas restrições em pontes, ausência de acostamentos em alguns segmentos e limitações na infraestrutura das fronteiras.

Já no Chile, tanto os portos de Iquique quanto de Antofagasta foram considerados aptos para atender ao aumento da demanda. O principal desafio está na travessia da Cordilheira dos Andes, que exige adaptações operacionais para o transporte de cargas e preparo específico dos motoristas.

Expectativa é transformar o comércio exterior brasileiro

Quando estiver totalmente concluída, a Ponte Bioceânica será um dos principais eixos logísticos da América do Sul, fortalecendo a integração entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.

Enquanto isso, a travessia entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta continua sendo realizada por balsa, à espera da conclusão dos acessos, das estruturas aduaneiras e das obras complementares que permitirão o funcionamento pleno do corredor internacional.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Logística

Hidrovia do Paraguai impulsiona logística e integra cinco países da América do Sul

A Hidrovia do Paraguai é um dos mais importantes corredores de transporte hidroviário da América do Sul, desempenhando papel estratégico na movimentação de cargas entre Brasil, Bolívia, Paraguai, Argentina e Uruguai. Com 3.442 quilômetros de extensão navegável, a via conecta regiões produtoras aos mercados da Bacia do Prata e ao comércio internacional, fortalecendo a integração logística do continente.

Corredor reduz custos e fortalece exportações brasileiras

No Brasil, a hidrovia é administrada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e tem importância significativa para o escoamento de grãos, minérios, combustíveis e outras mercadorias produzidas principalmente na região Centro-Oeste.

O transporte aquaviário é apontado como uma alternativa mais eficiente do ponto de vista logístico, pois reduz os custos de frete, aumenta a competitividade das exportações e diminui o fluxo de caminhões nas rodovias. Um único comboio de barcaças, por exemplo, consegue transportar uma carga equivalente à de centenas de veículos de transporte rodoviário.

Trecho brasileiro atende Mato Grosso e Mato Grosso do Sul

A parte brasileira da Hidrovia do Rio Paraguai (HN-950) possui 1.272 quilômetros de extensão, ligando o município de Cáceres (MT) à confluência com o rio Apa, em Mato Grosso do Sul.

Nesse percurso, o corredor faz divisa com o Paraguai por aproximadamente 330 quilômetros e com a Bolívia por cerca de 48 quilômetros. Sua área de influência abrange 20 municípios dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, reunindo uma população estimada em 1,17 milhão de habitantes.

Entre os principais municípios beneficiados estão Cuiabá, Cáceres e Poconé, em Mato Grosso, além de Corumbá, Ladário, Miranda, Aquidauana e Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul.

Capacidade de transporte varia conforme o trecho

As condições de navegação mudam ao longo da hidrovia. No chamado Tramo Sul, entre a foz do rio Apa e Corumbá (MS), circulam grandes comboios comerciais com capacidade para transportar até 24 mil toneladas de carga em uma única viagem.

Já no Tramo Norte, entre Corumbá e Cáceres, a navegação ocorre com embarcações de menor porte devido às características do rio, como trechos assoreados, maior quantidade de ilhas fluviais e curvas acentuadas.

Atualmente, a hidrovia movimenta aproximadamente 10 milhões de toneladas de cargas por ano, tendo como principais produtos transportados minério de ferro, manganês, soja, combustíveis e outros insumos essenciais para a economia regional.

Via é estratégica para países sem saída para o mar

Além da importância para o Brasil, a Hidrovia do Paraguai representa uma rota fundamental para Paraguai e Bolívia, países que não possuem acesso direto ao oceano. O corredor garante uma alternativa eficiente para operações de exportação e importação, ampliando a conexão desses mercados com o comércio internacional.

No território brasileiro, a hidrovia também está integrada a projetos de infraestrutura, como a futura Rota Bioceânica, que deverá ampliar as opções de transporte e fortalecer a competitividade da região Centro-Oeste.

Brasil, Paraguai e Bolívia discutem modelo de gestão conjunta

Por se tratar de uma hidrovia internacional, sua operação depende da cooperação entre os países que compartilham suas águas. Nesse contexto, Brasil, Paraguai e Bolívia negociam um acordo para implantar um modelo de governança compartilhada no trecho compreendido entre Corumbá (MS) e a foz do rio Apa.

A proposta prevê a padronização de serviços essenciais para a navegação, incluindo balizamento, sinalização náutica, monitoramento hidrológico, comunicação operacional e manutenção das condições de navegabilidade.

O plano também contempla a adoção de tecnologias para acompanhar o tráfego de embarcações e monitorar aspectos ambientais, com o objetivo de aumentar a segurança, a eficiência das operações e a previsibilidade logística no corredor hidroviário.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: AESCOM/MPor

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Agronegócio

Empresas brasileiras do agro aceleram expansão no Paraguai e ampliam investimentos no país

O Paraguai deixou de ser apenas destino de produtores rurais brasileiros interessados em terras agrícolas e passou a atrair empresas de diversos segmentos do agronegócio. Grandes indústrias, startups e companhias de tecnologia têm intensificado seus investimentos no país, impulsionadas por um ambiente de negócios considerado mais competitivo, custos operacionais reduzidos e incentivos fiscais.

Além da proximidade com o mercado brasileiro, fatores como energia elétrica de baixo custo, estabilidade econômica e políticas de incentivo à produção vêm consolidando o país vizinho como um dos principais polos de investimentos da América do Sul.

Economia em crescimento reforça confiança dos investidores

O cenário econômico favorável tem sido um dos principais motores dessa expansão. Após registrar crescimento de 6,6% do Produto Interno Bruto (PIB) no último ano, alcançando US$ 49,2 bilhões, o Paraguai mantém perspectivas positivas para 2026, com expectativa de alta de 4,4%, segundo o Banco Central paraguaio.

O fluxo de capital estrangeiro também segue em expansão. Dados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) apontam que o país recebeu US$ 1,18 bilhão em investimento estrangeiro direto em 2025, um recorde histórico. Desse total, empresas brasileiras responderam por US$ 76,6 milhões.

Gigantes do agro ampliam presença no mercado paraguaio

Entre os principais investimentos está o retorno da JBS ao Paraguai após oito anos. A companhia anunciou um plano de investimentos de US$ 70 milhões, que será executado ao longo de dois anos.

A primeira etapa incluiu a aquisição da empresa local Pollos Amanecer, especializada na produção de frangos. Segundo Wesley Batista, a decisão foi baseada na competitividade oferecida pelo país, especialmente pela disponibilidade de grãos, mão de obra qualificada e custos de produção mais baixos.

O movimento acompanha uma tendência observada em diferentes áreas do setor agroindustrial, que busca ampliar operações em mercados mais competitivos.

Tecnologia e genética animal também apostam na expansão

O avanço das empresas brasileiras não se limita à indústria frigorífica.

A desenvolvedora de soluções para o campo Agrotis escolheu o Paraguai como primeiro destino de sua expansão internacional, acompanhando clientes brasileiros que passaram a operar no país e demandam sistemas de gestão agrícola.

Já a multinacional Topigs Norsvin, referência mundial em genética suína, inaugurou uma central de inseminação artificial para atender o crescimento da suinocultura paraguaia. O investimento foi de aproximadamente R$ 5 milhões e marca a consolidação da empresa no mercado local.

O segmento de startups também acompanha esse movimento. A proptech Reland, especializada na comercialização de imóveis rurais, estruturou operações no Paraguai para atender principalmente investidores brasileiros interessados em propriedades agrícolas.

Lei da Maquila amplia competitividade industrial

Um dos principais atrativos para empresas estrangeiras é a Lei da Maquila, política vigente desde 1997 que concede benefícios fiscais para indústrias voltadas à exportação.

Pelo regime, empresas podem importar máquinas e matérias-primas com isenção tributária e recolher apenas um imposto de 1% sobre o valor agregado durante o processo produtivo.

Atualmente, mais de 300 empresas utilizam esse modelo, que tem impulsionado a industrialização e fortalecido as exportações paraguaias.

Nos primeiros quatro meses de 2026, as empresas enquadradas na Lei da Maquila exportaram cerca de US$ 471 milhões, sendo o Brasil o principal destino das mercadorias.

Baixa carga tributária e energia barata impulsionam investimentos

Além dos incentivos industriais, o sistema tributário paraguaio é considerado um diferencial competitivo.

O país adota o chamado modelo 10-10-10, composto por 10% de Imposto sobre Valor Agregado (IVA), 10% de imposto de renda empresarial e 10% de imposto de renda da pessoa física.

Outro fator relevante é o custo da energia elétrica, abastecida majoritariamente pela usina de Itaipu, o que garante tarifas significativamente inferiores às praticadas no Brasil.

Os custos trabalhistas também são menores, já que a legislação local prevê encargos reduzidos em comparação ao modelo brasileiro.

Infraestrutura avança com a Rota Bioceânica

Apesar das vantagens competitivas, especialistas apontam que a infraestrutura logística ainda representa um desafio para alguns segmentos industriais.

Entretanto, a expectativa é de melhora com a implantação da Rota Bioceânica, corredor rodoviário que ligará Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, conectando os oceanos Atlântico e Pacífico.

A nova rota deverá facilitar o transporte de commodities e reduzir custos logísticos para empresas exportadoras instaladas no Paraguai.

Mercado exige planejamento antes da expansão

Embora o ambiente de negócios seja favorável, especialistas alertam que instalar uma operação no Paraguai exige planejamento estratégico.

Questões como certificações sanitárias, registros regulatórios, logística internacional e características de cada segmento precisam ser avaliadas antes da migração de parte da produção.

Em alguns casos, modelos híbridos — mantendo parte da operação no Brasil e outra no Paraguai — podem oferecer melhores resultados do que a transferência integral das atividades.

Além disso, empresários destacam que o mercado interno paraguaio é relativamente pequeno, tornando mais vantajoso utilizar o país como plataforma de produção e exportação para outros mercados da América do Sul.

FONTE: AG Feed
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/AG Feed

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Logística

Ponte do Corredor Bioceânico está a poucos metros de unir Brasil e Paraguai

A construção da Ponte do Corredor Bioceânico avança para um dos momentos mais aguardados desde o início das obras. Faltam apenas 13,60 metros para que a estrutura faça a ligação física entre Porto Murtinho (MS), no Brasil, e Carmelo Peralta, no Paraguai, consolidando um marco histórico para a integração logística da América do Sul.

A previsão é que o encontro das duas extremidades da ponte aconteça ainda em junho, representando um passo decisivo rumo à conclusão de uma das mais importantes obras de infraestrutura da região.

Obra entra na fase final de conexão

Os trabalhos atuais estão concentrados na preparação do segmento central que unirá definitivamente os trechos construídos a partir das margens brasileira e paraguaia do rio Paraguai.

Uma das etapas técnicas em andamento envolve o reposicionamento dos chamados carros de avanço, equipamentos utilizados na execução da estrutura principal da ponte. Após essa operação, restará apenas a concretagem da seção de fechamento, responsável por concluir a ligação entre os dois países.

Construção já ultrapassa 85% de execução

De acordo com o mais recente relatório de acompanhamento da obra, divulgado em junho de 2026, a Ponte Bioceânica alcançou 86% de execução ao final de abril. Em maio, a expectativa era atingir um índice próximo de 88%.

Os vãos laterais da estrutura já tiveram suas etapas de concretagem finalizadas tanto no lado brasileiro quanto no paraguaio. Com isso, as equipes concentram esforços exclusivamente no vão central, considerado a última grande fase da construção.

Acessos rodoviários seguem em desenvolvimento

Enquanto a conexão principal se aproxima, as obras complementares continuam avançando.

Entre os serviços em execução estão a instalação das lajes superiores da ponte, estruturas de apoio previstas no projeto e melhorias nos acessos rodoviários.

No lado brasileiro, equipes trabalham na implantação de dispositivos de proteção, além de atividades de terraplenagem, cercamento, limpeza das áreas de domínio e adequações da infraestrutura viária que dará suporte ao novo corredor logístico.

Corredor Bioceânico promete transformar a logística regional

Quando entrar em operação, a Ponte do Corredor Bioceânico será um elo estratégico para a integração entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, fortalecendo o transporte de cargas e ampliando a competitividade das exportações sul-americanas.

O empreendimento faz parte do projeto do Corredor Bioceânico, rota que busca conectar o Oceano Atlântico ao Pacífico, reduzindo distâncias, custos logísticos e tempo de transporte para diversos mercados internacionais.

Além dos benefícios para o comércio exterior, a nova travessia deverá estimular investimentos, gerar oportunidades econômicas e facilitar a circulação de pessoas entre os dois países.

Marco histórico previsto para junho

Financiada pela Itaipu Binacional no lado paraguaio e executada pelo Consórcio Binacional PYBRA, a obra se aproxima de seu momento mais simbólico.

Caso o cronograma seja mantido, as estruturas construídas a partir do Brasil e do Paraguai deverão se encontrar no centro do rio Paraguai em 26 de junho, marcando oficialmente o início da etapa final de um projeto que promete redefinir a conectividade logística da região.

FONTE: MPOC Paraguai
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Logística

Rota Bioceânica avança com ponte quase concluída, mas enfrenta desafios alfandegários e regulatórios

As obras da Rota Bioceânica seguem em ritmo acelerado, especialmente no trecho que conecta Brasil e Paraguai pela futura ponte sobre o Rio Paraguai. No entanto, especialistas e autoridades alertam que a infraestrutura física, por si só, não garantirá o funcionamento imediato do corredor logístico internacional.

Questões ligadas à alfândega, harmonização de regras e integração entre os países envolvidos ainda representam obstáculos para a operação plena do chamado Corredor Rodoviário de Capricórnio.

Entraves regulatórios podem atrasar operação da rota

De acordo com o secretário da Semadesc de Mato Grosso do Sul, Artur Falcette, a previsão é de que a ponte internacional seja concluída no segundo semestre de 2026. Mesmo assim, o funcionamento eficiente da rota dependerá de acordos institucionais entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.

Segundo ele, além das obras estruturais, os países precisarão alinhar procedimentos de fiscalização, controle migratório e legislação aduaneira para garantir segurança jurídica e previsibilidade no transporte internacional de cargas.

O entendimento entre os governos é que ainda existe um amplo trabalho diplomático e técnico em andamento para padronizar normas operacionais e tornar o corredor competitivo no comércio exterior.

Infraestrutura pronta não garante operação imediata

Relatórios discutidos entre os países envolvidos apontam que o sucesso da Rota Bioceânica dependerá da capacidade de integração entre os sistemas alfandegários e operacionais.

O documento destaca que não basta concluir estradas, acessos e pontes. Será necessário criar mecanismos permanentes de coordenação entre os países, além de procedimentos unificados para reduzir burocracias e aumentar a eficiência logística.

Outro ponto levantado é a necessidade de profissionalização das operações de fronteira, com foco na agilidade do fluxo de cargas e redução de custos para exportadores e importadores.

Setor privado cobra maior participação nas decisões

Empresas de transporte, exportadores e operadores logísticos também demonstram preocupação com a baixa participação do setor privado nas decisões estratégicas do corredor internacional.

Apesar de serem os principais usuários da futura rota comercial, representantes empresariais afirmam que ainda possuem pouca influência na definição de procedimentos operacionais, obras alfandegárias e estrutura das Áreas de Controle Integrado (ACIs).

Estudos coordenados pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) indicam que essa ausência pode gerar soluções desconectadas da realidade operacional enfrentada diariamente nas fronteiras.

Ponte da Rota Bioceânica chega a 90% de execução

O trecho considerado mais avançado da megaobra é a Ponte Internacional da Rota Bioceânica, ligando Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, à cidade paraguaia de Carmelo Peralta.

A estrutura estaiada sobre o Rio Paraguai possui 1.294 metros de extensão e já se aproxima de 90% de execução. A expectativa é de que a parte estrutural seja concluída até o fim de maio, conforme os cenários mais otimistas.

Ao todo, a Rota Bioceânica terá mais de 2,4 mil quilômetros, conectando os oceanos Atlântico e Pacífico por meio de territórios brasileiros, paraguaios, argentinos e chilenos.

Corredor pode reduzir custos logísticos e tempo de transporte

A expectativa dos países envolvidos é transformar o corredor em uma alternativa estratégica para o comércio entre a América do Sul e a Ásia.

Projeções indicam que a nova rota poderá reduzir em até 30% os custos logísticos e diminuir em até 15 dias o tempo de transporte de mercadorias, em comparação com rotas tradicionais, como o Canal do Panamá.

O projeto também é visto como uma oportunidade para atrair novos investimentos privados e ampliar a competitividade das exportações brasileiras.

Mato Grosso do Sul aposta em diversificação econômica

Mesmo sem previsão de novos investimentos estaduais diretamente ligados à operação da rota, o governo de Mato Grosso do Sul acompanha o interesse crescente de empresas na utilização do corredor.

Segundo a Semadesc, setores como citricultura, produção de amendoim e indústrias de base tecnológica estão entre as prioridades para ampliar a matriz econômica da região.

A avaliação é que a consolidação da Rota Bioceânica poderá estimular novos negócios e fortalecer o desenvolvimento econômico do Estado nos próximos anos.

Gargalos nas fronteiras ainda preocupam

O estudo sobre facilitação do comércio realizado em 2025 também identificou fragilidades nas Áreas de Controle Integrado entre os países envolvidos.

Atualmente, apenas os trechos de fronteira entre Argentina e Chile estão habilitados para o transporte internacional de cargas. Mesmo nesses pontos, o relatório aponta necessidade de melhorias estruturais e operacionais.

Já os segmentos entre Brasil e Paraguai e entre Paraguai e Argentina ainda não operam oficialmente para o fluxo internacional de mercadorias.

Outro ponto considerado sensível é a futura alfândega entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta. Apesar da aprovação da construção da ACI pelo Dnit, especialistas alertam que ainda não houve consulta técnica formal ao setor privado sobre o funcionamento do espaço.

Governança será decisiva para o sucesso do corredor

Especialistas envolvidos no projeto defendem a criação de uma governança técnico-operacional exclusiva para a Rota Bioceânica.

A proposta prevê sistemas compartilhados de informação, integração entre órgãos públicos e regras harmonizadas entre os países participantes para garantir operações mais rápidas, transparentes e seguras.

O desafio se torna ainda maior pelo fato de o Chile não integrar o Mercosul, diferentemente de Brasil, Argentina e Paraguai. Isso aumenta a complexidade institucional e exige novos mecanismos de cooperação internacional.

O estudo apoiado pelo BID reuniu representantes do setor público, empresas e associações empresariais em dezenas de encontros presenciais e virtuais. Ao todo, foram identificadas mais de 230 oportunidades de melhoria e elaboradas mais de 260 propostas para aprimorar o funcionamento do corredor.

FONTE: Campo Grande News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Toninho Ruiz

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Logística

Rota Bioceânica avança com ponte quase pronta, mas entraves alfandegários preocupam setor logístico

A construção da chamada Rota Bioceânica segue avançando em Mato Grosso do Sul, mas desafios regulatórios e alfandegários ainda ameaçam atrasar a operação completa do corredor logístico internacional. A avaliação é do secretário da Semadesc, Artur Falcette, ao analisar o estágio atual do projeto conhecido também como Corredor Rodoviário de Capricórnio.

Segundo ele, a conclusão da ponte que liga Brasil e Paraguai está prevista para o segundo semestre de 2026. No entanto, a estrutura física não será suficiente para garantir o funcionamento eficiente da rota sem acordos integrados entre os países envolvidos.

Integração entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile ainda é desafio

Além das obras de infraestrutura, os governos de Brasil, Paraguai, Argentina e Chile precisam avançar na harmonização de regras alfandegárias, procedimentos de fiscalização e segurança jurídica para assegurar previsibilidade ao transporte internacional de cargas.

De acordo com Falcette, ainda existem pendências legislativas e operacionais que precisam ser resolvidas para que o corredor se torne uma alternativa competitiva de exportação e importação.

Relatório obtido pelo Campo Grande News reforça que o sucesso da Rota Bioceânica dependerá não apenas de rodovias, pontes e acessos, mas também da capacidade institucional de integrar processos e padronizar normas entre os países participantes.

Setor privado cobra maior participação nas decisões

Outro ponto destacado pelo estudo é a baixa participação do setor privado na formulação das diretrizes operacionais do corredor.

Embora empresas de logística, exportadores, transportadoras e despachantes aduaneiros sejam os principais usuários da futura rota, o relatório aponta que esses grupos ainda possuem pouca influência nas definições sobre obras, áreas de controle integrado e procedimentos de fiscalização.

Para especialistas envolvidos nas discussões, a ausência de participação formal dos operadores econômicos pode resultar em soluções pouco eficientes ou incompatíveis com a realidade do comércio exterior.

Ponte entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta é peça-chave

Com cerca de 90% das obras executadas, a Ponte Internacional da Rota Bioceânica é considerada o principal eixo de conexão do Brasil com o corredor continental.

A estrutura estaiada possui 1.294 metros de extensão sobre o Rio Paraguai e liga Porto Murtinho (MS) à cidade paraguaia de Carmelo Peralta. A previsão mais otimista indica que a conclusão estrutural ocorra até o fim de maio.

O corredor completo terá mais de 2,4 mil quilômetros, conectando os oceanos Atlântico e Pacífico por meio de rotas terrestres que atravessam os quatro países sul-americanos.

Corredor promete reduzir custos e tempo de transporte

A expectativa em torno da Rota Bioceânica é alta entre empresários e operadores logísticos. O projeto pode reduzir em até 30% os custos de transporte e diminuir em até 15 dias o tempo de entrega de mercadorias destinadas à Ásia, em comparação com trajetos tradicionais como o Canal do Panamá.

Mesmo assim, o governo de Mato Grosso do Sul afirma que ainda não existem investimentos públicos estaduais diretamente voltados para a operação logística da rota.

Segundo Artur Falcette, o interesse crescente da iniciativa privada pode atrair novos empreendimentos para o estado, especialmente em setores estratégicos ligados à exportação.

Estado aposta em diversificação econômica

O governo sul-mato-grossense trabalha atualmente na ampliação da matriz produtiva regional. Entre as áreas consideradas prioritárias estão a citricultura, produção de amendoim e segmentos ligados à tecnologia e inovação.

A estratégia busca preparar o estado para aproveitar as oportunidades comerciais que poderão surgir com a consolidação da rota internacional.

Gargalos alfandegários preocupam especialistas

Estudo coordenado pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) identificou gargalos importantes nas chamadas Áreas de Controle Integrado (ACIs), consideradas fundamentais para o funcionamento do corredor.

Atualmente, apenas as passagens entre Argentina e Chile estão habilitadas para transporte internacional de cargas. Ainda assim, o relatório aponta necessidade urgente de melhorias operacionais e maior integração com o setor privado.

Já os trechos entre Brasil e Paraguai e entre Paraguai e Argentina ainda aguardam estruturação operacional e autorização plena.

Área alfandegária entre Brasil e Paraguai gera alerta

O trecho entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta é considerado um dos pontos mais sensíveis do projeto.

Apesar da aprovação da construção da ACI pelo Dnit, especialistas alertam que ainda não houve abertura de consulta técnica formal junto ao setor privado para definir aspectos essenciais da operação, como áreas de espera, tecnologia de fiscalização e fluxo de veículos.

O temor é que a ausência desse diálogo gere problemas operacionais futuros e comprometa a eficiência logística da Rota Bioceânica.

Governança internacional será decisiva para sucesso da rota

O relatório também destaca a necessidade de uma estrutura permanente de governança técnica entre os países envolvidos.

Como o Chile não integra o Mercosul, diferentemente de Brasil, Paraguai e Argentina, especialistas avaliam que o ambiente regulatório se torna mais complexo e exige mecanismos específicos de coordenação internacional.

O documento apoiado pelo BID reuniu representantes de governos, empresas e entidades empresariais em dezenas de reuniões presenciais e virtuais. Ao todo, foram identificadas mais de 230 oportunidades de melhoria e elaboradas 264 propostas para otimizar a operação do corredor.

FONTE: Campo Grande News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Toninho Ruiz

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Logística

Corredor Bioceânico: ponte no rio Paraguai entra na fase final e impulsiona ligação entre Brasil e Pacífico

A construção da Ponte Internacional da Rota Bioceânica avança para a etapa final e se consolida como um dos principais pilares do Corredor Bioceânico de Capricórnio, projeto que pretende conectar o Brasil aos portos do norte do Chile. A iniciativa cria uma alternativa estratégica para o comércio exterior ao integrar o Oceano Atlântico ao Pacífico por meio de uma rota terrestre de mais de 2,4 mil quilômetros.

Estrutura estratégica para a logística internacional

Com 1.294 metros de extensão e 29 metros de altura, a ponte está sendo erguida sobre o rio Paraguai, ligando Porto Murtinho (MS) à cidade de Carmelo Peralta, no Paraguai. O investimento chega a R$ 424,3 milhões, com financiamento da Itaipu Binacional.

A obra é considerada fundamental para a consolidação da Rota Bioceânica, ampliando a competitividade logística do Brasil e de países vizinhos. Além da travessia, estão previstas estruturas alfandegárias em ambos os lados da fronteira para dar suporte ao fluxo de cargas.

A estimativa inicial da Receita Federal é de circulação de cerca de 250 caminhões por dia, número que deve crescer conforme a rota se torne uma alternativa mais eficiente para exportações e importações entre o Mercosul e a Ásia.

Avanço das obras e prazos

Atualmente, a ponte está com cerca de 90% das obras concluídas. A expectativa é que as duas extremidades da estrutura sejam conectadas até o fim de maio.

No lado brasileiro, o acesso à ponte inclui um trecho de 13,1 quilômetros que liga a BR-267 à nova travessia. Essa etapa já alcançou aproximadamente 35% de execução e envolve desafios técnicos, como a construção de pontes e bueiros em áreas alagadiças.

Já os centros aduaneiros ainda aguardam definições, especialmente por parte das autoridades paraguaias, para que as obras sejam iniciadas.

Integração regional e desenvolvimento

O Corredor Bioceânico tem como objetivo promover integração econômica e logística entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. O projeto conecta regiões do Sul, Sudeste e Centro-Oeste brasileiro a mercados internacionais, fortalecendo o comércio e incentivando o desenvolvimento regional.

A iniciativa faz parte da Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana (IIRSA), com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que atua no planejamento estratégico e financiamento de projetos estruturantes.

Impactos esperados no comércio exterior

Atualmente, o transporte de mercadorias entre o Brasil e a Ásia pode levar cerca de 30 dias. Com a nova rota, a expectativa é reduzir esse prazo para aproximadamente 10 dias, o que representa ganhos significativos em eficiência e redução de custos.

Além disso, a infraestrutura logística bioceânica deve beneficiar o comércio com a Oceania e a costa oeste dos Estados Unidos, além de impulsionar setores como agronegócio, especialmente na exportação de grãos, carne e celulose.

A ponte desempenha papel essencial nesse cenário ao encurtar distâncias e melhorar a competitividade dos produtos sul-americanos no mercado global.

FONTE: NSC Total
TEXTO: Redação
IMAGEM: Saul Schramm, Secom MS

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Comércio Exterior

Brasil e Peru firmam acordo para ampliar cooperação aduaneira e fortalecer comércio exterior

O secretário especial da Receita Federal, Robinson Sakiyama Barreirinhas, cumpriu agenda oficial em Lima, no Peru, onde formalizou um Memorando de Entendimento (MoU) com o superintendente da administração tributária peruana, Javier Eduardo Franco Castillo. O objetivo do acordo é intensificar a cooperação aduaneira entre Brasil e Peru, ampliando mecanismos conjuntos de atuação.

O documento estabelece diretrizes para fortalecer o intercâmbio de informações, promover assistência mútua, incentivar treinamentos e viabilizar operações integradas. A iniciativa também prevê o compartilhamento de boas práticas voltadas ao controle aduaneiro, ao combate de ilícitos e à facilitação do comércio exterior.

Rota estratégica Brasil–Peru ganha destaque

A formalização do acordo ocorre em meio ao avanço da rota logística que conecta o Brasil ao Porto de Chancay, no Peru — considerado um novo ponto estratégico para acesso ao mercado asiático. O corredor, inserido no chamado quadrante Rondon, vem sendo analisado como alternativa para impulsionar a competitividade brasileira no eixo Ásia-Pacífico.

Levantamento recente da Receita Federal indica que o fortalecimento de instrumentos como o MoU é fundamental para garantir maior eficiência na operação da rota. Entre os pontos destacados estão:

  • interoperabilidade de sistemas aduaneiros;
  • harmonização de procedimentos internacionais;
  • segurança e agilidade no comércio exterior;
  • integração operacional entre aduanas de fronteira.

Esses fatores devem contribuir para um ambiente mais seguro e eficiente no fluxo comercial entre os países.

Cooperação aduaneira mais ampla e estruturada

O memorando firmado cria bases permanentes para a atuação conjunta entre as administrações aduaneiras dos dois países. Entre as principais ações previstas estão:

  • troca de informações para prevenção e repressão de ilícitos;
  • realização de treinamentos e capacitações bilaterais;
  • compartilhamento de técnicas e experiências;
  • possibilidade de operações conjuntas em fronteiras terrestres, fluviais e aéreas;
  • definição de canais diretos de comunicação entre as autoridades.

O acordo também reforça compromissos internacionais já assumidos, alinhando-se a padrões globais de segurança e facilitação do comércio.

Agenda institucional e articulação com o governo peruano

Durante a visita oficial, a comitiva brasileira participou de reuniões com representantes de diferentes órgãos do governo peruano, incluindo setores ligados às relações exteriores, comércio, infraestrutura e sanidade. Os encontros tiveram como foco ampliar a integração e alinhar estratégias para o desenvolvimento logístico regional.

Impactos para o Brasil no cenário internacional

Com a consolidação do Porto de Chancay como hub logístico no Pacífico, o Brasil busca se antecipar com medidas que garantam maior eficiência e segurança nas operações comerciais. O novo acordo deve trazer benefícios como:

  • mais segurança jurídica no comércio bilateral;
  • fortalecimento da fronteira Brasil–Peru;
  • preparação para o aumento do fluxo no corredor bioceânico amazônico;
  • maior inserção nas rotas comerciais com a Ásia.

A iniciativa representa um passo estratégico para ampliar a presença brasileira no comércio internacional e diversificar suas rotas de exportação.

FONTE: Receita Federal
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Receita Federal

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Logística

Argentina investe R$ 532 milhões na Rota Bioceânica para acelerar exportações ao mercado asiático

A Argentina anunciou um investimento de até US$ 100 milhões (cerca de R$ 532 milhões) para acelerar as obras da Rota Bioceânica, corredor logístico estratégico que liga o Atlântico ao Pacífico por meio de Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. A iniciativa busca reduzir custos logísticos, encurtar distâncias até a Ásia e tornar as cadeias de suprimento sul-americanas mais competitivas.

Estimativas oficiais indicam que o projeto pode gerar redução de até 30% nos custos de transporte, em um cenário de crescente disputa por mercados internacionais e rotas mais eficientes.

Como foi estruturado o financiamento das obras

O aporte financeiro foi viabilizado por meio de um empréstimo junto ao Fonplata, autorizado pela Câmara de Deputados da província de Salta em 2025 e formalizado pelo Decreto nº 22/2026. Os recursos serão direcionados à aceleração de trechos críticos no norte argentino, onde ainda há segmentos sem pavimentação e limitações de segurança para o tráfego de cargas pesadas.

Além da pavimentação, o pacote contempla recuperação estrutural e melhorias na segurança viária, com foco em garantir maior previsibilidade ao transporte rodoviário de longa distância.

Trechos estratégicos recebem prioridade

Um dos principais focos das intervenções é a Ruta Provincial 54, entre Pozo Hondo e Misión La Paz. O trecho terá 147 quilômetros contemplados pelas obras, incluindo 28 quilômetros ainda não asfaltados, considerados um gargalo logístico que encarece fretes e aumenta o desgaste de veículos.

A expectativa é eliminar pontos críticos que impactam diretamente o custo e o tempo das operações de exportação.

Alternativa terrestre ao Canal do Panamá

Com extensão superior a 2.400 quilômetros, a Rota Bioceânica conecta regiões produtoras do interior do Mercosul a portos chilenos no Pacífico, criando uma alternativa terrestre ao transporte marítimo via Canal do Panamá.

A redução de distâncias pode encurtar o tempo de viagem em até 15 dias para embarques com destino à Ásia, especialmente de grãos, carnes e minérios, setores-chave das exportações regionais.

Infraestrutura moderna aumenta confiabilidade logística

As melhorias incluem pistas adequadas, acostamentos modernizados e traçados ajustados para cargas pesadas, o que tende a elevar a confiabilidade do transporte internacional. Exportadores, transportadoras e operadores logísticos passam a operar com menor risco de atrasos, redução de custos de manutenção e maior previsibilidade de entrega.

Integração aduaneira e digital nas fronteiras

Além das obras físicas, o plano argentino prevê a modernização dos processos aduaneiros e a integração digital entre órgãos de fronteira. Parte dos recursos será aplicada na implantação de um complexo de controle integrado, conectado aos sistemas aduaneiros do Paraguai.

O modelo reduz filas, burocracia e tempo de espera nas fronteiras, permitindo análise antecipada de dados de cargas e veículos. A proposta segue padrões já adotados em corredores logísticos da Europa e da Ásia.

Impactos econômicos e logísticos esperados

Especialistas apontam a Rota Bioceânica Mercosul–Pacífico como uma solução complementar ao Canal do Panamá, especialmente em períodos de congestionamento ou restrições operacionais. Cadeias produtivas que demandam prazo reduzido ou maior flexibilidade logística tendem a se beneficiar do corredor terrestre e de novos hubs portuários no norte do Chile.

Entre os principais fatores que sustentam a redução de custos estão:

  • Encurtamento do trajeto entre centros produtores e portos do Pacífico
  • Menos atrasos em fronteiras, com controles integrados e sistemas digitais
  • Infraestrutura mais eficiente, com menor consumo de combustível e tempo de viagem
  • Estímulo a investimentos privados em terminais, armazéns e serviços logísticos

Perguntas frequentes sobre a Rota Bioceânica

A rota será usada apenas para cargas?
A prioridade é o transporte de cargas, mas o corredor também poderá ser utilizado por veículos de passageiros, conforme as normas de cada país.

Quais setores devem utilizar mais a rota?
Agropecuária, mineração, indústria de alimentos processados e bens manufaturados de exportação estão entre os principais usuários esperados.

O investimento cobre toda a obra?
O aporte de US$ 100 milhões é direcionado principalmente ao trecho argentino e não contempla todas as obras necessárias nos demais países envolvidos.

Há potencial para investimentos privados?
A melhoria da infraestrutura e da previsibilidade logística tende a atrair investimentos privados em centros de distribuição, terminais de carga e serviços de apoio ao transporte internacional.

FONTE: Terra Brasil Notícias
TEXTO: Redação
IMAGEM: Governo do MS

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Logística

Ponte Bioceânica alcança 84% de conclusão e aproxima Brasil, Paraguai, Argentina e Chile

A Ponte Bioceânica, que cruza o Rio Paraguai e será um dos principais marcos da integração logística entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, chegou a 84% de execução. A informação foi confirmada durante uma vistoria técnica que evidenciou a dimensão da estrutura que conectará os países pela futura rota internacional.

O acesso de 13,1 km, ligando a BR-267 à cabeceira da ponte em Porto Murtinho, conta com investimento de R$ 574 milhões. O trecho é executado pelo Consórcio PDC Fronteira, formado pelas empresas Caiapó, DP Barros e Paulitec.

Estrutura em ritmo acelerado

Do lado brasileiro, as equipes trabalham simultaneamente em pilares de concreto, instalação de vigas verticais e horizontais e no lançamento das pré-lajes dos viadutos de acesso.
O chamado “trem de avanço” já atingiu 188 dos 350 metros do vão central sobre o Rio Paraguai.

A passarela terá 21 metros de largura, ficará 35 metros acima da calha do rio e contará com 1.300 metros de extensão.

Divisão da obra e previsão de entrega

Com 1.294 metros, a ponte é composta por três segmentos: dois viadutos de acesso, um em cada margem, e um trecho estaiado de 632 metros, onde está o vão central de 350 metros.

A previsão atual é que a ponte internacional entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta, no Paraguai, seja concluída em fevereiro de 2026 — três meses além do prazo inicial.

Investimento multibilionário paraguaio

A construção integra um megaprojeto de US$ 1,1 bilhão financiado pelo Paraguai para desenvolver os 580 km entre Carmelo Peralta e Pozo Hondo.

Desse total, US$ 440 milhões já foram aplicados na conclusão do trecho Carmelo–Loma Plata; US$ 100 milhões financiam a ponte internacional; US$ 354 milhões destinam-se à pavimentação da PY-15 (Picada 500); e US$ 200 milhões atenderão o segmento entre Centinela e Mariscal.

FONTE: Campo Grande News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Toninho Ruiz

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