Portos

Tecon Santos recebe guindastes elétricos da China em investimento de R$ 300 milhões

O navio Zhen Hua 28 atracou no Brasil trazendo ao Tecon Santos um carregamento estratégico para a modernização do terminal portuário. Vindos da China, os equipamentos incluem dois portêineres e oito guindastes elétricos RTGs, todos desmontados para transporte marítimo.

A operação faz parte de um pacote de investimentos de R$ 300 milhões realizado pela Santos Brasil, dentro de um amplo projeto de expansão, automação e descarbonização das atividades no porto.

A embarcação deixou a China em novembro de 2025 e concluiu o desembarque no litoral paulista em janeiro de 2026, utilizando trilhos conectados entre o navio e o cais para descarregar as estruturas.

Novos guindastes ampliam capacidade operacional do terminal

Os dois novos portêineres recebidos pelo terminal foram projetados para aumentar a produtividade das operações de carga e descarga no cais.

Cada equipamento possui cerca de 50 metros de altura e alcance operacional de até 70 metros. Além disso, os guindastes conseguem movimentar simultaneamente dois contêineres de 20 pés carregados, suportando até 100 toneladas por operação.

Segundo a empresa, os novos equipamentos representam não apenas renovação da frota, mas também uma ampliação efetiva da capacidade operacional do terminal portuário.

Operação remota será implantada gradualmente

A Santos Brasil informou que a operação convencional dos novos equipamentos deve começar em fevereiro. Já a implementação da operação remota de guindastes ocorrerá de forma progressiva.

O processo inclui testes técnicos, integração de sistemas e treinamento das equipes responsáveis pela operação à distância. A expectativa é que a transição completa para o modelo remoto leve até um ano.

Com isso, o terminal avança no processo de automação e digitalização das atividades portuárias.

Tecnologia promete mais segurança e produtividade

Os novos portêineres contam com o sistema Truck Position System (TPS), tecnologia que permite o alinhamento preciso das carretas durante os procedimentos de embarque e desembarque de contêineres.

A empresa acredita que a inovação deve elevar os níveis de segurança operacional e aumentar a eficiência logística do cais.

Além disso, os equipamentos já foram preparados para funcionamento integrado ao centro de controle remoto do terminal, alinhando o Tecon Santos às tendências globais de automação portuária.

RTGs elétricos devem reduzir emissões em até 97%

Os oito novos RTGs elétricos passam a integrar a frota sustentável do terminal, que já operava outras oito unidades movidas a eletricidade.

A meta da Santos Brasil é acelerar a substituição dos modelos movidos a diesel. A empresa prevê a aquisição de mais 30 RTGs elétricos nos próximos anos.

De acordo com a companhia, cada equipamento elétrico evita a emissão de aproximadamente 20 toneladas de CO₂ por mês. Quando toda a frota antiga for substituída, a expectativa é alcançar uma redução mensal de 713 toneladas de dióxido de carbono, equivalente a uma queda de 97% nas emissões dessa etapa operacional.

Modernização do Tecon Santos prevê R$ 3 bilhões até 2031

A chegada dos equipamentos integra um projeto iniciado em 2019 para ampliação e modernização do Tecon Santos, considerado um dos principais terminais portuários do país.

O plano prevê investimentos totais de cerca de R$ 3 bilhões até 2031. Segundo a empresa, aproximadamente R$ 2 bilhões já foram aplicados.

Os aportes também fazem parte do Plano de Transição Climática da companhia, que estabelece como meta atingir operações net zero até 2040.

Automação e sustentabilidade redefinem setor portuário

A operação envolvendo o navio vindo da China chama atenção pelo porte dos equipamentos, pelo volume do investimento e pelo impacto tecnológico e ambiental previsto para o terminal.

Mais do que ampliar a infraestrutura física, o projeto busca combinar automação portuária, eficiência logística e redução de emissões em uma única estratégia de longo prazo.

Com a chegada dos novos portêineres e RTGs elétricos, o Tecon Santos reforça sua aposta em um modelo operacional mais conectado, inteligente e menos dependente de combustíveis fósseis.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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Portos

Portos brasileiros adotam incentivos para reduzir emissões de carbono

Estudo da ANTAQ aponta avanços em descarbonização e uso de hidrogênio verde nos portos

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) aprovou o Eixo 3 do estudo “Diagnóstico de Descarbonização, Infraestrutura e Aplicações do Hidrogênio nos Portos”. O levantamento analisou iniciativas de cinco portos brasileiros voltadas à redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE), transição energética e aplicação do hidrogênio verde.

Os portos selecionados foram: Itaqui (MA), Pecém (CE), Paranaguá (PR), Santos (SP) e Açu (RJ). Todos se destacaram pelo bom desempenho no Índice de Desempenho Ambiental (IDA), pelos projetos em andamento de energia renovável e pelas experiências em descarbonização portuária.

Importância estratégica para o Brasil

Segundo o diretor da ANTAQ, Caio Farias, a descarbonização dos portos é fundamental para manter a competitividade do país no comércio internacional e atender às metas climáticas globais. Ele ressaltou a necessidade de políticas públicas, incentivos econômicos e parcerias internacionais para consolidar a infraestrutura sustentável.

“O alinhamento do Brasil às melhores práticas globais exige investimentos contínuos, capacitação técnica e cooperação internacional para garantir uma transição energética eficiente e duradoura”, destacou Farias.

Incentivos aos navios de baixo carbono

Todos os portos avaliados já oferecem benefícios a navios com menor pegada de carbono, como descontos tarifários e prioridade de atracação. Além disso, avançam na criação de Planos de Descarbonização. O Porto do Açu já possui um documento consolidado, enquanto os demais estão em fase de elaboração.

Entre as principais medidas em andamento estão:

  • instalação de painéis solares;
  • contratação de energia renovável certificada;
  • substituição de equipamentos a combustão por elétricos;
  • modernização da rede elétrica;
  • desenvolvimento de parcerias para uso de combustíveis de baixo carbono.

Inventário de emissões

Três portos – Santos, Itaqui e Açu – já possuem inventários completos de emissões de GEE. O destaque vai para o Porto do Açu, que incluiu o Escopo 3, abrangendo atividades como dragagem e transporte logístico, responsáveis pelo maior volume de emissões.

Recomendações do estudo

O relatório recomenda a criação de um Plano Nacional de Hidrogênio Verde e a implementação de incentivos fiscais para acelerar a adoção de combustíveis limpos. Também aponta a importância de parcerias público-privadas para estruturar corredores verdes de exportação e fomentar investimentos em pesquisa e desenvolvimento de tecnologias sustentáveis.

Entre as propostas, está a criação de corredores de transporte ecológicos, capazes de reduzir emissões da navegação global e melhorar a qualidade do ar em comunidades costeiras.

Cooperação internacional

O estudo faz parte do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre a ANTAQ e a Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ). O projeto está dividido em três eixos:

  • Eixo 1 (2021): revisão da experiência internacional em descarbonização portuária;
  • Eixo 2 (2024): diagnóstico do setor em conjunto com o Ministério de Portos e Aeroportos;
  • Eixo 3 (2025): análise de casos práticos em portos brasileiros.

Com isso, a ANTAQ busca consolidar diretrizes e boas práticas para a descarbonização dos portos brasileiros, tornando-os mais sustentáveis e alinhados às exigências internacionais.

FONTE: ANTAQ
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/ANTAQ

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