Portos

Conselho de Autoridade Portuária do Porto de Itajaí empossa novo presidente e apresenta balanço do primeiro semestre de 2025

O Conselho de Autoridade Portuária (CAP) do Porto de Itajaí empossou, nesta terça-feira (12), seus novos membros para o mandato 2025-2027, em cerimônia realizada no auditório da Superintendência, em Itajaí. O encontro contou com a presença do superintendente do porto, João Paulo Tavares Bastos, e tratou de pautas estratégicas para a gestão e operação portuária.

O novo presidente do CAP é José Alfredo de Albuquerque e Silva, representante do Ministério dos Portos e Aeroportos. Também tomaram posse Paulo Rogério Silva, titular pela Vigilância Agropecuária Internacional (VIGIAGRO); Silvano Domingos e Rodrigo Antônio Steffen, suplentes indicados pela Federação Nacional dos Portuários (FNP); e Ricardo de Souza, diretor de Operações do Porto de Itajaí, como representante da autoridade portuária.

Em seu discurso, José Alfredo destacou o otimismo com o atual momento do porto:

“O balanço apresentado me deixou bastante satisfeito. Depois de todos esses anos, o Porto de Itajaí tem um projeto consistente e que sinaliza a retomada de uma fase de crescimento e expansão”, afirmou.

O superintendente João Paulo Tavares Bastos reforçou a relevância do Conselho e da parceria com o Governo Federal:

“Com a constituição da empresa pública federal, as ampliações, o adensamento de cargas, a entrega do Píer Turístico e demais ações previstas para a expansão do porto, tenho plena convicção de que Itajaí voltará ao mapa do comércio mundial”, declarou.

Balanço semestral
Durante a reunião, foi apresentado o balanço do primeiro semestre de 2025, que registrou crescimento no faturamento, aumento na arrecadação de ISS e na movimentação de cargas, além do avanço de ações estratégicas iniciadas após o processo de federalização.

Outro ponto de destaque foi a atualização sobre os serviços de dragagem, essenciais para garantir a competitividade e a capacidade operacional do porto.

O encontro reafirmou o compromisso do CAP com a transparência, o planejamento e o fortalecimento contínuo das operações portuárias de Itajaí.

Fonte: Porto de Itajaí

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APM Terminals Pecém consolida o Ceará como hub estratégico

O terminal registra movimentação histórica de 389.024 TEUs; crescimento de 38,75% no primeiro semestre

A APM Terminals Pecém, no Ceará, registrou um desempenho histórico no período de janeiro a julho de 2025, consolidando o terminal como um dos principais hubs logísticos do país. Nesse período foram movimentados 389.024 TEUs (unidades equivalentes a contêineres de 20 pés), um crescimento de 38,75% em comparação aos 280.368 TEUs registrados no mesmo período de 2024.

A marca de 389 mil TEUs alcançada nesses sete meses reflete um desempenho excepcional e já sinaliza para um resultado anual muito superior ao recorde de 500 mil TEUs de 2024.

Além de fortalecer a posição do Ceará no cenário portuário nacional, o resultado reforça o papel estratégico do terminal na cadeia produtiva local, especialmente no momento em que a indústria cearense lidera o crescimento no Brasil, com alta de 39% no primeiro trimestre de 2025, segundo dados Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE.

“Este marco não apenas demonstra o potencial da APM Terminals Pecém, como também reflete nossa estratégia contínua de investimentos em infraestrutura, ampliação de capacidade e adoção de novas tecnologias. Esses pilares são essenciais para atender à crescente demanda e fortalecer a logística da região Nordeste, conectando o Brasil ao mundo, pela nova rota marítima direta para a Ásia”, afirma Daniel Rose, diretor-presidente da APM Terminals Suape e Pecém. 

No mesmo período, a movimentação geral do Porto do Pecém também apresentou crescimento significativo: foram 11,3 milhões toneladas movimentadas de janeiro a julho, uma alta de 7% na comparação com 2024.

“O contêiner foi uma das estrelas do período e deve seguir crescendo acima de dois dígitos, impulsionado pelo e-commerce, pela safra de frutas e pela cabotagem, especialmente para atender à demanda da Black Friday e do Natal. Nosso serviço para a Ásia está ganhando força. Enquanto isso, avançamos no desenvolvimento de novos negócios como algodão, carne, minerais e granito, além de projetos estratégicos para a ZPE Ceará”, ressalta André Magalhães, diretor comercial do Complexo do Pecém.

Fonte: Modais em Foco

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A Cosco Shipping busca assegurar uma participação de até 30% em acordo portuário da CK Hutchison.

A Cosco Shipping, empresa estatal de navegação da China, busca garantir uma participação de pelo menos 20% a 30% no acordo portuário ligado à CK Hutchison, segundo informou a Reuters com base em um relatório do Financial Times.

O acordo envolve a venda de 43 terminais portuários localizados em 23 países por um valor de 22,8 bilhões de dólares, incluindo um terminal em cada extremidade do Canal do Panamá.

Inicialmente, houve negociações exclusivas com o consórcio liderado pela empresa de investimentos norte-americana BlackRock e a Mediterranean Shipping Company (MSC), do bilionário italiano Gianluigi Aponte. No entanto, o processo agora está aberto a novas ofertas.

Nesse contexto, Pequim está avançando para renegociar os termos de uma venda anteriormente elogiada pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na época, Trump afirmou que o acordo permitiria que o Canal do Panamá voltasse ao controle dos EUA, retirando-o, segundo ele, das mãos da China.

Vale lembrar que a CMA CGM também demonstrou interesse em adquirir parte dos portos que a CK Hutchison está tentando vender, o que ocorreu após o fim das negociações exclusivas com o consórcio liderado pela BlackRock.

“Estamos presentes em 65 terminais ao redor do mundo, por isso estamos acompanhando essa operação de perto e, naturalmente, temos interesse em participar”, afirmou no final de julho o diretor financeiro da CMA CGM, Ramón Fernández.

Fonte: Portal Portuario

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PL-733: esboço de novo ciclo de reformas portuárias

Tramita na Câmara dos Deputados – CD o PL nº 733/25; agora sob uma Comissão Especial (tramitava, anteriormente, na Comissão do Trabalho; ainda a  primeira de um conjunto de 5 comissões). Essa mudança de encaminhamento certamente abreviará seu caminho até chegar ao Plenário da Casa.

Ele foi elaborado por uma “Comissão de Juristas” (por alguns referida como “comissão de notáveis”!). Esta foi criada quando as árvores do Natal de 2023 já piscavam; foi instalada em MAR/24 e, em OUT/24 aprovou seu relatório (416 páginas). Não sem “protestos dos trabalhadores… e anúncio de paralizações”, conforme release da CD.

Em sua Justificação formal o PL é apresentado como “oportunidade única para modernizar o setor”. Isso com a expectativa de torná-lo “mais competitivo, eficiente, justo e sustentável, além de oferecer maior segurança jurídica e oportunidades de inovação, atraindo novos investimentos e fomentando o crescimento econômico do Brasil”. Nela há, ainda, referências a “segurança e redução de riscos dos empreendimentos, aumento de confiança dos investidores e garantia de bem-estar dos trabalhadores e das comunidades locais”. Já nas peças de divulgação da CD essa visão é sintetizada por um triplo objetivo: reduzir a burocracia, estimular a livre iniciativa e aumentar a competitividade do setor portuário.

Ué! Mas objetivos muito similares não foram justamente os enunciados para proposição e argumentação da importância do então PL-8/91, que resultou na Lei dos Portos de 1993 (Lei nº 8.630/93)? E, 20 anos depois, para a Lei vigente? A propósito, vale revisitar a cerimônia (6/DEZ/12) de anúncio da MP-595/12 (embrião da Lei nº 12.815/13), cuja pauta divulgada, curiosamente, ao invés de ser uma mudança da lei/modelo, foi embasar o ambicioso “Programa de Investimentos em Logística – Portos”: rememorá-lo pode trazer surpresas!

Flashback

Inequívoco que aumento de eficiência e competitividade são objetivos-fins permanentes nos/para os portos. De capacidade também. Mas não foi exatamente isso que se observou, praticamente em marcha batida, ao longo de 3 décadas de reformas portuárias no Brasil? Os números/dados estão aí:

  1. A movimentação portuária brasileira, agregada, cresceu 3,5 vezes (1.209/341 Mt/ano): uma média anual de 4,31% (algo como o dobro da do PIB); sendo 5,02% nos 20 primeiros anos (904/341 Mt/ano: 2012-1993), e 2,95% nos 10 últimos (1.209/904 Mt/ano: 2013-2022).
  2. A eficiência/produtividade aumentou exponencialmente, medida através de qualquer indicador que se utilizar (navio, berço, terno, equipamento): 5, 10 15 ou mais vezes.
  3. Os custos foram drasticamente reduzidos, seja no cais (de forma mais significativa – entre 50% e 2/3), seja para o dono da carga (em menor escala).

No tocante ao aumento de capacidade, a Justificação do PL, SMJ, acerta no diagnóstico (“o setor ainda enfrenta desafios significativos”) mas há controvérsias quanto à causa apontada: será mesmo a “burocracia” a responsável? Ao menos, a única responsável? As evidências dessa última década e meia deixam margem a dúvidas! A ver:

No final dos anos 2000, talvez constatando a ineficácia/insuficiência do Decreto nº 6.620/08, as autoridades estavam convencidas (preocupadas?) que o Brasil padecia de limitação de capacidade e falta de competição no setor portuário. Estratégia? “Choque de oferta”! O que o dificultava/impedia? Justamente a tal da “burocracia”; burocracia para realização de arrendamentos! Como (já) “” dependiam de autorização, TUPs eram vistos como a solução ideal; desde que, pudessem operar cargas de terceiros, como os arrendamentos. A par da consolidação de uma governança hiper-centralizada, que foi sendo implementada pouco a pouco, essa combinação de condições foi a grande aposta das reformas de 2012/13, balizadas pela Lei dos Portos vigente.

Ato contínuo houve um “boom” de autorizações (quase uma centena), cujos resultados ficaram bem aquém das esperanças geradas; segundo avaliações tanto do TCU como da ANTAQ. Aliás, a maioria das autorizações nem havia saído do papel anos depois; como como mostra o relatório “Análise concorrencial: terminais de uso privado vis-à-vis terminais arrendados“, aprovado pelo Acórdão nº 499-2023-ANTAQ, em 20/SET/23.

Para ilustrá-lo, e p.ex, o relator diz no seu voto que “surpreende a representatividade dos investimentos previstos … que ainda não iniciaram suas obras” (Item-37): 96% (isso mesmo: 96%!) dos R$ 47,05 bilhões! Também que 93% das cargas movimentadas pelos TUPs o foram por aqueles outorgados antes de 2013; ou seja, antes da Lei nº 12.815/13 (Item-23d). Em síntese, nem as novas condições de exploração, nem o processo de outorga menos “burocrático” foi suficiente para viabilizar o imaginado/prometido: tudo indica que deve haver “mais coisas no ar que aviões da Panair“, na imagem, bem-humorada, de Guimarães Rosa!

Ah! Alguma semelhança com as “ferrovias de papel”; também autorizadas a partir de 2021?

O “princípio ativo” do “medicamento”!

A divulgação do PL pela CD também enfatiza mudanças no licenciamento ambiental, livre negociação de tarifas (mais propriamente, preços!), prazos contratuais (até 70 anos), contratos de transição, “janela única aquaviária”, autorregulação, “ampliação” de atribuições da ANTAQ e dos CAPs; entre outros.

No entanto o relator da Comissão Especial, Dep. Arthur Maia, com larga experiência em comissões e PLs complexos, é mais pragmático: “Todo projeto tem uma palavra-chave: ‘exclusividade’ é a deste PL”.

Em termos práticos, o fim da exclusividade no que concerne às chamadas “categorias profissionais diferenciadas” (art. 40, 4º: capatazia, estiva, conferência de carga, conserto de carga, bloco e vigilância de embarcações), centro dos debates e das disputas capital-trabalho (expressão usual no setor), se operacionaliza por comandos legais que:

a) acabam com a exclusividade do OGMO;

b) liberam operadores privados para contratar trabalhadores certificados;

c) permitem que trabalhadores atuem em qualquer porto do País.

Nenhuma surpresa com a pauta: seja pelo perfil dos membros da “comissão de juristas”, seja pelo histórico dos dois últimos ciclos de reformas portuárias brasileiras. Na verdade, essa questão remanesceu meio como uma pendência das reformas portuárias de 1993 e 2013. Assim, mais cedo ou mais tarde, inexoravelmente, ela voltaria à baila; como efetivamente aconteceu!

Sua “urgência e relevância” (para usar os justificadores das Medidas Provisórias) foram aguçadas pelas heteronomias regulatórias entre terminais arrendados e TUPs, consagradas pelo modelo balizado pela Lei nº 12.815/13 (reformas de 2012/13) – inclusive objeto de análise em uma auditoria operacional do TCU. Dessas heteronomias, “exclusividade” e OGMO são apenas algumas delas.

Para além de uma linha sobre um mapa, mais que um referencial geográfico, as Poligonais (fronteira do que está dentro e fora do Porto Organizado) é estabelecer os limites entre dois universos; dois regimes bem distintos:

  1. quem é outorgado via arrendamento (subconcessão) e quem o é por autorização;
  2. quem precisa se submeter a licitação/leilão e quem não;
  3. quem tem e quem não tem prazo contratual (para exploração); iv) com e sem bens reversíveis; v) os que devem pagar as “tarifas universais” das Tabelas Tarifárias e os que nem sempre. Tais diferenças resultaram em algumas disputas; inclusive uma há não muito tempo, em Santos, que envolveu a ANTAQ e chegou ao TRF-3.

Originalmente os “terminais de uso privativo/privado”, e as autorizações, foram concebidos como instrumento para outorga de terminais portuários integrantes de cadeias logísticas, por sua vez, integrantes de cadeias produtivas (como minério, petróleo, etc). Sua adoção para terminais de atuam no “mercado”, principalmente para os contíguos a Portos Organizados, compartilhando da mesma infraestrutura aquaviária, acabou por gerar tensões, não apenas entre capital-trabalho, mas também entre operadores outorgados por meio de um ou outro regime. Associado à liberdade e ao contorcionismo com que Poligonais foram sendo alteradas, então, essas tensões passaram a ser, em muito, potencializadas.

Uma analogia para essa questão é a linha de impedimento do futebol: a situação de um jogador não depende, “apenas”, de seu georreferenciamento (no campo) mas, também, da posição dos jogadores adversários. Ou seja, é algo relativo!

O que está/estará em discussão

Além do fim da “exclusividade”, sindicatos e federações de trabalhadores portuários identificam outros aspectos do PL como ameaças; p.ex:

  1. redução na definição de operação portuária e de trabalho portuário;
  2. extinção do OGMO e do atual sistema do TPA;
  3. desregulamentação e extinção de categorias e seus respectivos sindicatos (vigias, consertadores e bloco);
  4. extinção da atividade da guarda portuária;
  5. fragilização dos sindicatos;
  6. e restrições às negociações coletivas.

Uma digressão: como subsídio para elaboração dos planos de implementação do modelo portuário balizado pela Lei de 1993, a então CODESP, com apoio do Banco Mundial, promoveu uma conferência com lideranças/dirigentes locais, convidados de outros portos e vários consultores internacionais: a MODPORT (16-17/MAI/1996).

Um desses consultores, na exposição, compartilhou sua larga experiência e visão: “Reformas portuárias são questão tempo, dinheiro e nível de tensão social aceitável”. E exemplificou com experiência de países que despenderam longo tempo e/ou enfrentaram grandes tensões sociais em reformas, por terem optado por fazer parcos dispêndios; como outros que as promoveram rapidamente e/ou com baixo nível de tensão social, neste caso adotando planos bem estruturados e incorrido em desembolsos significativos.

Se influenciados por essa visão ou não, e apesar das inevitáveis escaramuças, que fazem parte da estratégia de cada ator do processo, aparentemente há, hoje, um clima diferente daqueles dominantes nos dois ciclos de reformas portuárias anteriores: por um lado trabalhadores estão topando analisar temas anteriormente tidos como intocáveis; por outro, empresários estão topando despender recursos para consecução dos objetivos almejados com a deflagração do atual processo e iniciativas/ações para criar a “Comissão de Juristas”; lá em 2023.

E o mais importante: ambos toparam sentar-se à mesa e procurar construir uma proposta, comum, a ser apresentada ao relator. Esta, baseada em um tripé:

  1. indenização para redução dos quadros (OGMO);
  2. garantia de remuneração básica – GRB (para quem ficar);
  3. tempo de transição (de um modelo para o outro).

No tocante ao “Programa de Incentivo de Cancelamento da Inscrição de Trabalhador Portuário” (parte da proposta em discussão), ao que se sabe, já há consenso em relação a diversos pontos:

  1. valores (totais);
  2. limite mínimo dos valores;
  3. quem é elegível para receber;
  4. fontes de recursos.

Segue em negociação:

  1. limite máximo dos valores;
  2. FDEPM como fonte;
  3. criação de “Fundo de Indenização” (com participação multilateral); iv) Inclusão de trabalhadores vinculados.

Em paralelo, as entidades dos trabalhadores sistematizaram, ainda, algo como meia centena de emendas sobre aspectos os mais variados. P.ex:

  1. vedação de trabalho intermitente e temporário;
  2. certificação profissional pelo OGMO;
  3. exclusão do artigo (28) que trata da dispensabilidade do TPA;
  4. manutenção de vigilantes e consertadores;
  5. utilização do OGMO pelos TUPs;
  6. exclusão da EPTP (empreiteira concorrente do OGMO);
  7. ajuste na multifuncionalidade;
  8. valorização da qualificação do trabalhador portuário.

Também questões mais gerais, como:

  1. previsão de serviço adequado (na verdade, reintrodução do conceito/comando);
  2. restabelecimento do Estado como regulador da atividade econômica;
  3. inclusão dos TUPs no âmbito do “incentivo à concorrência”;
  4. questões relacionadas a eficiência energética e mudanças climáticas etc.

Cenários

Desde que a família real chegou ao Brasil (1808), e “abriu os portos às nações amigas”, o Brasil passou por uns 8 ciclos de reformas portuárias (2 sob a CF/88). Normalmente para enfrentar problemas concretos da época. Nesse sentido, a pergunta que se torna imprescindível é: quais os problemas dos portos brasileiros em meados da segunda década do Século XXI (desejavelmente também a hierarquia deles)? E outra dela decorrente: o PL-733 endereça solução para eles? Todos eles? Soluções eficazes?

Como não se localiza no (longo) relatório da Comissão um diagnóstico abrangente e minucioso do quadro atual, tampouco uma contextualização histórica da evolução do setor e seu processo, não se pode ter respostas cabais àquelas perguntas.

No entanto, é possível dizer-se que o PL sistematiza um conjunto de ajustes e instrumentos específicos sobre o trabalho/mão-de-obra, certamente norteados:

  1. pela necessidade de adequá-los aos avanços tecnológicos (muitos deles já presentes nos portos brasileiros);
  2. novas formas de organização do trabalho e prestação de serviços (muitos legados pela Pandemia da Covid); iii) perfil das novas gerações; e iv) necessário encaminhamento de aposentadoria estruturada e substituição de trabalhadores idosos.

Também é possível imaginar que, associados à pauta de negociação em curso, entre empresários e trabalhadores, tais ajustes e instrumentos devem ser o fio condutor e promover uma forte inflexão nesse aspecto da dinâmica portuária brasileira.

Mas, se a intenção é ter-se um “Novo marco regulatório”, abrangente, e se o objetivo é aumento da eficiência e da competitividade “para fomentar o crescimento econômico do Brasil”, o PL poderia/deveria ter tratado de duas questões fulcrais; questões que, no máximo, foram tangenciadas no bojo de outros temas:

  1. articulações inter-modais/logísticas (também inter-funcionais e inter-institucionais);
  2. e governança dos Complexos Portuários.

Ao contrário do Porto Organizado (Poligonal), a governança destes é difusa e incipiente. Possivelmente por ter sido um conceito/instrumento introduzido no ambiente portuário no passado recente, e ainda não ter logrado ocupar lugar de destaque na (congestionada) pauta setorial.

Além delas, se o objetivo é reverter-se o processo de hiper-centralização, consolidado com o modelo das reformas de 2012/13; se o objetivo é transitar-se para um modelo mais na linha do “Landlord Port” (modelo adotado pela esmagadora maioria dos portos relevantes do mundo, cuja principal característica é autonomia), não basta apenas enunciar-se “fortalecimento” e “ampliação de competências” dos CAPs (e, mesmo, das administrações-autoridades portuárias), se seguirem centralizadas no Ministério, na Antaq e ou no Conselho do PPI (com possibilidade de atuação também do TCU) as principais decisões estratégicas que afetam os portos brasileiros, como:

  1. aprovação do Plano Mestre e PDZ de cada porto;
  2. qualificação de projetos para desestatização;
  3. aprovação de EVTEAs; iv) elaboração/aprovação de editais; v) celebração de contratos (outorgas);
  4. decisão de prorrogações (incluindo as antecipadas);
  5. aprovação de transferência de controle acionário;
  6. revisão e reajuste de tarifas;
  7. aplicação de penalidades por infrações.

Em síntese, atualmente as principais decisões estratégicas do ambiente portuário estão centralizadas: planejar (incluindo investimentos e modelagem), escolher parceiros (empresas e projetos), tarifar e punir, justamente os 4 eixos que são a essência da função de autoridade portuária no modelo “Land Lord”. Tudo se passa como se no Brasil houvesse um arranjo desempenhando a função de uma “Autoridade Portuária Nacional”!O termômetro da descentralização/autonomia não é a quantidade de atribuições ou o volume de trabalho de uma instância: é o poder de tomar decisões; principalmente decisões estratégicas! OK. Que não se chegue aos paradigmas “landlordistas” internacionais. Mas por que não se adotar, ao menos, um modelo de “instâncias” para a regulação portuária, na linha do judiciário e, mesmo, das 3 instâncias do período inicial do modelo balizado pela Lei de 1993 (Autoridade Portuária, CAP, Ministério: ainda não havia agência)? Não seria uma forma de se reduzir a demanda/processos e carga de trabalho dos órgãos de Brasília e, como consequência, minimizar-se a “carência de pessoal” e agilizar-se a tramitação de processos? A governança geral do setor também poderia ser bem aperfeiçoada no PL!

A Comissão Especial foi instalada neste 6/AGO. Como diz o relator, “o que precisa ser feito, deve ser feito agora: caso contrário, só daqui a 10 ou 20 anos”. Ainda bem que, com a nova tramitação, há novo prazo para que sejam apresentadas emendas: 5 sessões plenárias da Casa, a partir de 4/AGO (prazo em curso).

Ou seja, é possível subsidiar-se os muitos debates, que certamente ainda estão por vir, e o (preparado e bem articulado) relator na elaboração do seu substitutivo: que efetivamente tenhamos um “Novo Marco Regulatório”; abrangente, eficaz, e adequado às necessidades e aos desafios do País nessa quadra da história.

Frederico Bussinger – Engenheiro, economista e consultor. Foi diretor do Metro/SP, Departamento Hidroviário (SP), e da Codesp. Também foi presidente da SPTrans, CPTM, Docas de São Sebastião e da Confea.

Fonte: Modais Em Foco

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Portos

Porto de Açu planeja terminal exclusivo de grãos até 2028

Investimento previsto é de R$ 500 milhões e estratégia envolve alinhamento com importação de fertilizantes

O Porto de Açu, no Rio de Janeiro, conhecido como maior exportador de petróleo e gás do Brasil, quer começar uma nova fase de olho no agronegócio, aumentando a participação no embarque de fertilizantes e grãos. 

Inaugurado em 2015 e atuando no agro desde 2020, em 2024 o porto transportou cerca de 550 mil toneladas de grãos, incluindo soja, milho, café e trigo. A expectativa para 2025 é atingir 1 milhão de toneladas. 

Para isso, o porto está com uma estratégia que envolve um acordo de intenções com o governo de Goiás e a inauguração de um terminal exclusivo para grãos até 2028. Com investimento de R$ 500 milhões, a expectativa é que ele movimente 1,8 milhão de toneladas no primeiro ano e tenha potencial para atingir 3 milhões de toneladas usando apenas o modal rodoviário. 

O diretor comercial e de terminais do Porto de Açu, João Braz, falou sobre as estratégias do porto para ganhar terreno no agronegócio. 

Tudo começou com os fertilizantes

Inicialmente, a estratégia do Porto focou na importação de fertilizantes, buscando ser uma alternativa ao Porto de Vitória, que historicamente sofre com longas filas de navios e custos de demurrage, que se refere às taxas cobradas pelo atraso na devolução de contêineres após o período de tempo livre estabelecido no contrato de transporte marítimo. O Açu se posicionou como uma solução para esses períodos de gargalo.

“Para viabilizar o frete rodoviário dos fertilizantes, que se tornava muito oneroso se fosse apenas importação, buscamos a exportação de grãos como contrapartida. O grão é o produto que melhor ‘casa’ com o fertilizante para otimizar os custos logísticos”, afirmou Braz. 

Atualmente todas as saídas de grãos e de fertilizantes do porto partem do chamado TMult.

Foco em milho GMO Free

Um dos principais produtos exportados no porto é o milho GMO-Free, que não é geneticamente modificado e feito para consumo humano, utilizado na produção de cereais matinais, por exemplo. Braz explica que Açu se destaca nessa movimentação porque ele não pode ter contato com outros milhos. 

“Esse milho não é geneticamente modificado, então ele é movimentado no porto porque exige uma separação. Ele não vai tocar na ferrovia, por exemplo, porque não pode ter risco de contaminação com outro milho. Ele precisa ser movimentado via rodovias mesmo”, explicou, reforçando que esse milho vem 100% de Goiás. 

Confira os produtos do agro mais transportados pelo porto

De 2023 até agora (em toneladas)

  • Soja – 242.939
  • Milho – 134.037
  • Trigo – 32.546
  • Café- 15.549

O terminal tem capacidade para receber os navios Panamax, que são embarcações de 60.000 toneladas, e são considerados o lote padrão para a movimentação de soja. Em 2023, o TMult movimentou 2,1 milhões de toneladas, um aumento de 33% em relação ao mesmo período em 2022.

Expectativa pela ferrovia

O projeto da ferrovia EF 118, que vai ligar Vitória (ES) ao Rio de Janeiro (RJ) é a grande aposta de Açu para se consolidar no transporte de grãos. O projeto da ferrovia está na fase final de estudo. O estudo de engenharia foi entregue à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), no final de julho. 

A expectativa é que a ferrovia esteja em pleno funcionamento até 2033. Com isso, Braz conta que Açu pode atingir o volume de 8 milhões de toneladas de grãos por ano. 

“A meta é que o agronegócio atinja entre 8 a 9 milhões de toneladas de movimentação no porto em 10 anos”, encerrou.  

Porto é projeto ‘faraônico’ de Eike Batista

O Porto do Açu, localizado em São João da Barra, no norte do estado do Rio de Janeiro, foi concebido pelo empresário Eike Batista em 2007. Inicialmente, o projeto era ambicioso, visando o maior porto do país, o maior estaleiro das Américas e um polo industrial. Atualmente, ele é o maior complexo portuário industrial da América Latina, abrigando 28 empresas e 11 terminais de classe mundial.

As obras foram iniciadas em novembro de 2007, e as operações portuárias começaram em outubro de 2014, com o primeiro carregamento de minério de ferro. O custo total da obra até a entrada em operação foi de R$ 9 bilhões, superando a previsão inicial em R$ 1,4 bilhão e com um atraso de quatro anos em relação ao cronograma original.

O controle do porto foi assumido pela gestora americana EIG em dezembro de 2013, que fez um aporte de R$ 1,1 bilhão e obteve 53% da então LLX, rebatizada para Prumo Logística. Atualmente, a Prumo Logística Global S.A. é controlada pela EIG Management Company LLC (93,1%) e pelo fundo soberano de Abu Dhabi, Mubadala Development Company (6,9%).

Fonte: IstoÉ Dinheiro

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Investimento, Portos

Porto de Itajaí arrecada mais de R$ 2 milhões em ISS e investe em cultura e esporte na cidade

O Porto de Itajaí segue impulsionando o desenvolvimento econômico e social do município. Apenas no primeiro semestre de 2025, a arrecadação com o Imposto Sobre Serviços (ISS) ultrapassou a marca de R$ 2 milhões.

“Esse porto movimentado é resultado da federalização, que já trouxe mais de R$ 2 milhões em ISS para o município e gerou um faturamento de R$ 105 milhões. Isso representa pão na mesa do trabalhador e investimentos diretos na nossa cidade. É um movimento para a economia local, enquanto o país enfrenta um verdadeiro atentado estrangeiro. O Porto segue firme”, afirmou o superintendente João Paulo Tavares Bastos. 

Parte desse montante está sendo direcionada para iniciativas esportivas e culturais da cidade, por meio da Lei Municipal nº 6.825/2017 (Incentivo ao Esporte) e da Lei Municipal nº 6.637/2015 (Incentivo à Cultura). Isso permite que empresas contribuintes do ISS repassem até 30% do valor devido para apoiar projetos aprovados pelas fundações competentes.

Além de movimentar a economia e gerar empregos, o Porto de Itajaí também colabora para o fortalecimento da cidadania, contribuindo com investimentos que impactam positivamente a vida da população.

Fonte: Porto de Itajaí

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Portos

Tarifaço dos EUA impulsiona recorde histórico de movimentação de cargas no maior porto do Brasil

Levantamento preliminar apontou o melhor desempenho mensal da história do Porto de Santos, com 17 milhões de toneladas no mês de julho.

O Porto de Santos, no litoral de São Paulo, registrou um novo recorde de movimentação de cargas no mês de julho. Segundo apurado pelo g1, um levantamento preliminar apontou o melhor desempenho mensal da história do cais santista, com 17 milhões de toneladas. Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, a marca inédita foi impulsionada, principalmente, pelo aumento das exportações após o anúncio de Donald Trump sobre a aplicação de tarifas de 50% para a entrada de produtos brasileiros nos Estados Unidos.

“A medida levou empresas a anteciparem os embarques, o que gerou um intenso fluxo de navios rumo à Europa e aos EUA, com destaque para cargas agrícolas e industriais”, afirmou o ministério, por meio de nota.

O órgão federal acrescentou que o complexo portuário conseguiu manter as operações sem impactos logísticos, apesar das condições climáticas adversas no mês de julho.

De acordo com a Autoridade Portuária de Santos (APS), a consolidação dos dados ainda está em andamento, uma vez que o cais santista conta com mais de 50 terminais e eles têm um prazo — não especificado — para enviar as informações à empresa administradora. Ainda assim, o monitoramento operacional já confirma o recorde histórico de movimentação no mês de julho deste ano.

Levantamento preliminar

Conforme divulgado pela APS, houve um aumento de 10% no embarque de granéis sólidos (grãos diversos), com 900 mil toneladas. A movimentação de contêineres cresceu 4% e chegou a 200 mil toneladas, enquanto as cargas soltas tiveram alta de 9%, com 85 mil toneladas.

A autoridade portuária afirmou que os granéis líquidos (combustíveis, solventes, entre outros) ainda não foram contabilizados, mas a expectativa é de um aumento de 10%.

Em nota, o presidente da APS, Anderson Pomini, afirmou que os dados confirmam um aumento expressivo dos embarques no cais santista, o que já havia sido constatado na primeira quinzena do mês de julho.

“São dados preliminares, mas este ‘recorde dos recordes’ demonstra a importância de Santos em momentos decisivos da história, como este”, destacou Pomini. “É um recorde absoluto que atesta a resiliência e a eficiência do Porto de Santos. Mesmo com crises externas e fechamento do canal devido a condições climáticas, houve crescimento sem gerar qualquer ocorrência nas vias de acesso”.

Também por meio de nota, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, explicou que o crescimento no volume de cargas demonstra que a infraestrutura dos portos brasileiros é capaz de suportar os aumentos.

“O Ministério de Portos e Aeroportos está trabalhando para ampliar a capacidade e eficiência operacional dos portos com os leilões que estamos preparando para este ano, como o do canal de acesso ao Porto de Santos e o do terminal de contêineres, Tecon Santos 10”, afirmou o ministro.

Fonte: G1

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Portos

Neblina paralisa operações no Porto de Santos por mais de três horas

A neblina forte na manhã desta quinta-feira (7) reduziu a visibilidade no canal do Porto de Santos, suspendendo as manobras de navios cargueiros por mais de três horas

A manhã desta quinta-feira (7) começou com forte neblina sobre a Baixada Santista, o que comprometeu a visibilidade no canal de navegação e resultou na suspensão temporária das operações no Porto de Santos. A paralisação começou por volta das 4h30, afetando especialmente a entrada e saída de navios cargueiros que dependem de manobras com o auxílio de práticos.

Segundo nota atualizada da Autoridade Portuária de Santos (APS), a navegação foi liberada às 8h10, com a retomada das manobras ocorrendo cerca de 50 minutos depois, por volta das 9h. O canal permaneceu fechado por mais de três horas devido às condições climáticas adversas.

Durante o período de suspensão, a travessia de balsas e embarcações de pequeno porte continuou operando normalmente. De acordo com a Capitania dos Portos, essas embarcações possuem gerência e autonomia operacional próprias, o que permite manter as atividades mesmo em situações de baixa visibilidade.

A APS e a Capitania dos Portos seguiram monitorando as condições do tempo durante toda a manhã para garantir a segurança das operações portuárias.

Fonte: Portal BE News

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Portos

Portonave conquista selo Ouro no Programa Brasileiro GHG Protocol

Reconhecimento máximo é concedido às organizações que demonstram transparência nas emissões de gases de efeito estufa

Com excelência, aonde for. Mais do que contêineres, a excelência do Terminal Portuário também está presente na responsabilidade com a transparência nos processos e as mudanças climáticas. Pelo segundo ano consecutivo, a Portonave, localizada em Navegantes, Santa Catarina, recebeu o selo Ouro no Programa Brasileiro GHG Protocol (PBGHG), realizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), devido à publicação do Inventário de Gases de Efeito Estufa (GEE) completo. O reconhecimento foi anunciado durante o Evento Anual do Programa Brasileiro GHG Protocol – Ciclo 2025, em São Paulo, nesta terça-feira (5).

Desde o ano passado, a empresa passou a aderir anualmente ao Registro Público de Emissões (RPE), plataforma que disponibiliza de forma transparente as emissões de GEE. Há 15 anos, realiza anualmente o inventário de emissões de GEE, elaborado com base na metodologia internacional do GHG Protocol, e divulga por meio dos relatórios de sustentabilidade anuais. O GHG Protocol é uma referência mundial na verificação e qualificação de organizações nas emissões de GEE. Confira na íntegra o Inventário de Emissões de GEE 2024 da Companhia

Para conquistar o selo Ouro do PBGHG, a Portonave divulgou informações sobre as fontes do Escopo 1 (emissões liberadas como resultado direto das operações), Escopo 2 (emissões indiretas provenientes da energia elétrica adquirida) e, de modo proativo e transparente, também as emissões do Escopo 3 (emissões indiretas de fontes sobre as quais não há controle direto) – opcional para o reconhecimento. Além disso, a empresa também foi auditada por um Organismo de Verificação (OV) de inventários de GEE acreditado pelo Inmetro. O inventário foi verificado com o nível máximo de confiança pelo OV.

A iniciativa, além de proporcionar transparência aos processos, incentiva a adoção de práticas sustentáveis. Para reduzir as emissões de GEE em suas operações, a Companhia realiza investimentos constantes em infraestrutura moderna e ecológica, com menor impacto na emissão de gases poluentes.

Infraestrutura sustentável
O foco da Portonave está na redução das emissões diretas (Escopo 1), assim como das emissões indiretas (Escopo 2) que, desde 2022, são 100% provenientes de fontes renováveis. Devido aos investimentos em equipamentos que emitem menos GEE, a Companhia registrou uma redução de 63% nas emissões totais entre 2015 e 2024 – cerca de 79.874,13 tCO₂e (toneladas de carbono equivalente) emissões evitadas.

O investimento mais significativo foi a eletrificação dos 18 Rubber Tyred Gantries (RTGs) – guindastes de movimentação de contêineres antes operados a diesel. Após, esses equipamentos apresentaram redução de 96,5% na emissão de gases poluentes.

Mais 14 RTGs eletrificados foram adquiridos e têm chegada prevista para o próximo ano, assim como 2 Ship-to-Shore (STS) Cranes, guindastes para movimentação de contêineres nos navios, que são 100% elétricos. Recentemente, a operação da primeira Reach Stacker elétrica, empilhadeira para movimentação de cargas, teve início – com zero emissões diretas de dióxido de carbono (CO₂), óxidos de nitrogênio (NOx) e de enxofre (SOx). Esses equipamentos fazem parte de um investimento de R$ 439 milhões da empresa.

Em 2024, a Companhia iniciou as operações da primeira Eco Reach Stacker da América Latina, com redução de 40% das emissões de GEE, e também do primeiro Terminal Tractor Elétrico do Sul do país, ambos para movimentação de contêineres. Esses equipamentos elétricos e ecológicos são testados para avaliar a viabilidade da substituição da frota de veículos.

Há cinco anos, a autoprodução de energia renovável passou a integrar as iniciativas para a descarbonização de sua matriz energética. No acumulado de 2020 a 2024, deixou de emitir 10,73 tCO₂e na atmosfera.

Neutralização das emissões indiretas até 2027
Outra prática da Portonave, alinhada aos seus compromissos com o desenvolvimento sustentável e com a pauta climática, é a compensação das emissões. De 2022 a 2024, foram adquiridos certificados de energia renovável (I-REC), que, somados, correspondem a 199.744 MWh (unidade de energia), com a compensação das emissões totais referentes à compra de energia elétrica (Escopo 2). Para os próximos anos, a Companhia já fechou contratos de compra de energia renovável certificada, o que assegura a compensação das emissões do escopo até 2027.

Desempenho por TEU movimentado
O Terminal Portuário possui um indicador próprio para avaliar seu desempenho em relação às emissões, o Indicador de Pegada de Carbono, que considera as toneladas de carbono equivalente (tCO₂e) por TEU (unidade de medida equivalente a um contêiner de 20 pés) movimentado. No ano passado, a empresa alcançou seu menor índice (0,003 tCO₂e/TEU), uma redução de 80% em relação a 2015 (0,016 tCO₂e/TEU).

Parcerias pelo futuro
A Portonave é membro da Aliança Brasileira para Descarbonização de Portos, iniciativa que surgiu de uma parceria entre o Porto de Itaqui e o Valencia Ports, com o objetivo de buscar soluções integradas por meio da colaboração de diversos atores nacionais e internacionais, como outros portos, empresas e sindicatos. Também no último ano, a Companhia iniciou um levantamento sobre os riscos das mudanças climáticas na infraestrutura portuária, que inclui a elaboração de um plano de ação, em parceria com a Universidade do Vale do Itajaí (Univali). A publicação do estudo está prevista para este segundo semestre.

Sobre o Programa Brasileiro GHG Protocol
Realizado pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (FGVces), o Programa Brasileiro GHG Protocol é responsável pela adaptação do método GHG Protocol ao contexto brasileiro e pelo desenvolvimento de ferramentas de cálculo para estimativas de emissões de gases do efeito estufa corporativas.

Seu principal objetivo é estimular a cultura corporativa de inventário de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) no Brasil, proporcionando aos participantes acesso a instrumentos e padrões de qualidade internacional para contabilização das emissões e publicação dos inventários no Registro Público de Emissões. O PBGHG também atua na capacitação de organizações-membro para elaboração de inventários organizacionais de GEE, oferecendo treinamentos sobre o método do GHG Protocol.

Sobre a qualificação dos inventários
Para promover o aprimoramento contínuo dos inventários de Gases de Efeito Estufa (GEE), o Programa Brasileiro GHG Protocol desenvolveu a seguinte política de qualificação:

🥇Selo Ouro: indica a publicação de um inventário completo e verificado por um Organismo de Verificação (OV) de inventários de GEE acreditado pelo Inmetro.

🥈Selo Prata: indica a publicação de um inventário de GEE completo, isto é, que inclui todas as fontes de emissão de Escopo 1 (diretas) e Escopo 2 (indiretas) aplicáveis à organização.

🥉Selo Bronze: indica a publicação de um inventário de GEE parcial, isto é, que não contabiliza todas as fontes de emissão de Escopo 1 (diretas) e Escopo 2 (indiretas) existentes na organização.

Sobre a Portonave 🚢
A empresa está localizada em Navegantes, Litoral Norte de Santa Catarina, e iniciou suas atividades em 2007, como o primeiro terminal portuário privado do Brasil. Atualmente, são 1,3 mil empregos diretos e 5,5 mil indiretos. No ranking nacional, a Portonave, em 2024, esteve entre os três portos que mais movimentam contêineres cheios de longo curso, sendo o primeiro em Santa Catarina, de acordo com o Datamar. Além do destaque pela excelência operacional, a Companhia está comprometida com as práticas ESG (Meio Ambiente, Social e Governança) e investe permanentemente em projetos que visam desenvolver a comunidade.

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Comércio Exterior

TERMINAL DE CONTÊINERES DOIS (TC2) ENCERRA O PRIMEIRO SEMESTRE COM UM CRESCIMENTO DE 41% EM SUAS OPERAÇÕES

A Terminal de Contêineres Dois (TC2) encerra o primeiro semestre de 2025 com um aumento de 41% no volume de operações (em comparação com o mesmo período do ano anterior), alcançando um total de 5.492 TEUs movimentados. Esse crescimento na carga é acompanhado por um aumento nas exportações, maior frequência de viagens e também de movimentações por via terrestre.

Durante os seis primeiros meses do ano, a TC2 avançou em diversas frentes: fortaleceu sua conectividade comercial, diversificou sua matriz exportadora e melhorou sua infraestrutura e eficiência operacional.

Nesse sentido, a companhia marítima CMA CGM anunciou que, como parte do serviço Atlas, que conecta Mar del Plata ao porto de Santos (Brasil), passará a operar semanalmente, em vez de quinzenalmente; enquanto a Maersk manterá operações frequentes no porto, consolidando seu papel fundamental na conectividade do Atlântico Sul. Por sua vez, os navios frigoríficos que vinham operando recentemente com carga a granel ampliarão a diversidade de serviços logísticos.

Em linha com essas novidades, destaca-se que a terminal operou — simultaneamente — dois navios de comércio exterior, algo que não acontecia há mais de 15 anos (o Artemis da CMA CGM no cais 2 e o MV Prince of the Seas no cais 3).

Enquanto essas iniciativas refletem o dinamismo crescente do porto e os esforços voltados à valorização de sua função logística e exportadora, no campo da infraestrutura, a TC2 incorporou novos equipamentos operacionais e painéis elétricos destinados a contêineres refrigerados, com o objetivo de alcançar até 1.000 conexões simultâneas no curto prazo. Também foram realizadas obras de reparo e renovação de cabeamento, melhorando a eficiência e segurança no manuseio de cargas reefer.

Para Emilio Bustamante, o desenvolvimento do porto exige uma visão integrada, baseada na colaboração público-privada, na inovação tecnológica e em uma gestão orientada ao crescimento sustentável.
“Junto com meu sócio, Alberto Ovejero, e toda a nossa equipe, continuamos apostando no fortalecimento do porto como um nó logístico estratégico, que favoreça as exportações regionais, incentive investimentos e apoie o desenvolvimento da produção local, consolidando o crescimento da nossa cidade.”

Fonte: Todo Logistica News

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