Economia

Rede dos Bancos Centrais dos Países de Língua Portuguesa (BCPLP) é criada para fortalecer cooperação financeira internacional

Durante as Reuniões de Primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Grupo Banco Mundial, representantes de diversos bancos centrais oficializaram a criação da Rede dos Bancos Centrais dos Países de Língua Portuguesa (BCPLP). A iniciativa reúne instituições de Angola, Brasil, Cabo Verde, Estados da África Ocidental (Guiné-Bissau), Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

O objetivo é ampliar a cooperação econômica e financeira internacional entre países que compartilham a língua portuguesa, fortalecendo a articulação técnica e institucional entre os membros.

Cooperação estratégica entre bancos centrais lusófonos

A criação da rede representa um passo importante na consolidação de um espaço permanente de diálogo entre os bancos centrais dos países lusófonos. A proposta busca estruturar e dar continuidade às ações conjuntas já existentes, ampliando o intercâmbio de informações e experiências.

Segundo os participantes, a iniciativa reforça a capacidade de atuação conjunta e contribui para o alinhamento de posições em fóruns internacionais e multilaterais.

Presidência rotativa e agenda de temas econômicos

A BCPLP funcionará com uma presidência rotativa anual, permitindo que cada banco central conduza a agenda de discussões com foco em temas prioritários de sua realidade econômica.

Entre os objetivos está o aprofundamento de debates sobre política monetária, estabilidade financeira e desenvolvimento econômico.

A primeira reunião oficial da rede está prevista para novembro de 2026, em Luanda. Já a primeira presidência será exercida pelo Banco de Portugal em 2027.

Grupos técnicos e troca de experiências

Além dos encontros de alto nível, a estrutura da rede prevê a criação de grupos de trabalho técnicos voltados à análise de temas específicos da agenda econômica.

A proposta é estimular a troca de boas práticas entre bancos centrais, promovendo maior integração institucional e cooperação operacional entre os países participantes.

Também será instituído um comitê de política econômica, responsável por discutir desafios comuns às economias lusófonas e propor encaminhamentos conjuntos.

Integração reforça relevância da lusofonia

Com a criação da rede, os bancos centrais reforçam o compromisso com a cooperação estratégica e com o fortalecimento da presença dos países de língua portuguesa no cenário financeiro global.

A iniciativa busca ampliar a relevância da lusofonia em debates econômicos internacionais, promovendo maior articulação entre as economias envolvidas.

FONTE: Banco Central do Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/BCB

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Internacional

PIB dos EUA desacelera e inflação segue elevada, aponta OCDE

A OCDE revisou suas projeções para a economia dos Estados Unidos e passou a indicar uma desaceleração gradual do PIB dos EUA nos próximos anos, acompanhada por uma inflação ainda acima da meta. De acordo com relatório divulgado nesta quinta-feira, o crescimento econômico deve recuar de 2% em 2026 para 1,7% em 2027.

Crescimento perde força com impacto no consumo

Segundo a organização, o ritmo da economia norte-americana continuará sendo sustentado, em parte, pelos investimentos ligados à inteligência artificial, mas esses ganhos tendem a ser compensados pela desaceleração da renda real e pela redução nos gastos do consumidor.

Na atualização mais recente, a OCDE elevou a projeção de crescimento para 2026 em 0,3 ponto percentual, enquanto reduziu a estimativa para 2027 em 0,2 ponto, em comparação com o relatório anterior.

Inflação nos EUA segue pressionada

O cenário inflacionário também foi revisado. A projeção para a inflação nos EUA em 2026 subiu para 4,2%, um aumento de 1,2 ponto percentual. Já para 2027, a expectativa foi reduzida para 1,6%.

A OCDE destaca que a alta recente nos preços globais de energia e os riscos às cadeias de suprimentos contribuem para manter a inflação pressionada no curto prazo. Por outro lado, o encarecimento da energia pode estimular a expansão da produção doméstica, apesar das incertezas geopolíticas.

Tarifas e comércio influenciam cenário econômico

O relatório também aponta mudanças nas tarifas comerciais dos Estados Unidos. Desde meados de novembro, a taxa efetiva sobre importações caiu de 14% para 9,9%, o que pode ter impactos sobre o comércio exterior e a dinâmica de preços.

Juros devem permanecer estáveis até 2027

No campo da política monetária, a expectativa da OCDE é de que o Federal Reserve mantenha os juros nos EUA inalterados ao longo de 2026 e 2027.

A decisão reflete a combinação de inflação ainda elevada, especialmente nos núcleos inflacionários, e um crescimento econômico considerado resiliente, ainda que em desaceleração.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pixabay

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Economia

Selic cai para 14,75%: Copom inicia ciclo de redução de juros após quase dois anos

O Banco Central do Brasil anunciou nesta quarta-feira (18) a redução da taxa básica de juros, a Selic, de 15% para 14,75% ao ano. A decisão foi tomada pelo Comitê de Política Monetária e marca o primeiro corte desde maio de 2024, em linha com as expectativas do mercado financeiro.

Decisão busca controlar inflação e estimular a economia

A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Ao reduzir a taxa, a autoridade monetária busca equilibrar a desaceleração dos preços com a manutenção da atividade econômica e do emprego.

Segundo o Copom, a medida está alinhada à estratégia de levar a inflação para a meta estabelecida, sem comprometer a estabilidade econômica. O comitê também destacou que a decisão contribui para reduzir oscilações no nível de atividade e favorecer o pleno emprego.

Conflitos no Oriente Médio aumentam incertezas

Apesar do início do ciclo de queda dos juros, o cenário internacional segue como fator de atenção. O conflito no Oriente Médio tem elevado a incerteza global, especialmente devido à alta nos preços do petróleo, que já ultrapassaram os US$ 100 por barril.

Esse movimento pressiona os custos de combustíveis e pode impactar diretamente a inflação no Brasil. Diante desse cenário, o Copom optou por não sinalizar novos cortes nas próximas reuniões, indicando que as decisões futuras dependerão da evolução do contexto internacional.

O comitê ressaltou que acompanha os efeitos indiretos da crise, como impactos na cadeia global de suprimentos e nas commodities, que influenciam os preços internos.

Riscos inflacionários seguem no radar

O Banco Central avaliou que os riscos para a inflação — tanto de alta quanto de queda — se intensificaram após o agravamento das tensões no Oriente Médio. A expectativa do mercado para a inflação em 2026, inclusive, já apresentou elevação recente.

A autoridade monetária reforçou que as próximas decisões sobre a Selic dependerão de novos dados econômicos e da evolução dos riscos externos.

A reunião do Copom ocorreu com dois integrantes a menos, após as saídas de diretores importantes da instituição. Ainda não foram anunciados substitutos, o que reduziu o número de votantes nesta decisão.

Como o Copom define a taxa de juros

O processo de definição da Selic segue o sistema de metas de inflação. Atualmente, a meta contínua é de 3% ao ano, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

Quando as projeções indicam inflação acima da meta, a tendência é manter ou elevar os juros. Já em cenários mais controlados, como o atual, há espaço para cortes graduais.

O Banco Central também trabalha com projeções futuras, já que os efeitos das mudanças na taxa básica levam entre seis e 18 meses para impactar plenamente a economia. Neste momento, o foco está no comportamento da inflação projetada para 2027.

Fonte: G1

Texto: Redação

Imagem: Reprodução G1 / Adriano Machado / Reuters

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Economia

Galípolo afirma que melhora da inflação não indica “volta da vitória”, diz presidente do Banco Central

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira (9) que a recente melhora nos indicadores de inflação no Brasil não deve ser interpretada como um sinal definitivo de vitória no combate aos preços. Em encontro com banqueiros, em São Paulo, o dirigente destacou que o momento exige cautela e foco na calibragem da política monetária.

Inflação mostra alívio, mas atividade segue resiliente

Segundo Galípolo, houve uma surpresa positiva no comportamento da inflação, mas a atividade econômica continua demonstrando resiliência, o que demanda prudência nas decisões do BC.

“Há um reconhecimento de que o cenário inflacionário está diferente, mas isso não significa uma volta da vitória. Estamos em um momento de ajuste fino”, afirmou durante evento promovido pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC).

Cenário é melhor do que no início de 2025

O presidente do BC ressaltou que o ambiente inflacionário atual é mais favorável do que o observado no começo de 2025, quando as projeções do mercado para o IPCA se aproximavam de 6%, bem acima da meta de inflação.

“Tivemos um processo inflacionário que se acelerou, e agora chegamos a uma fase em que a palavra-chave é calibragem”, explicou.

Expectativas seguem desancoradas, alerta BC

Apesar da melhora nos indicadores, Galípolo destacou que a desancoragem das expectativas de inflação continua sendo um ponto de atenção para o Copom (Comitê de Política Monetária).

“Isso ainda incomoda bastante o Comitê. A ancoragem das expectativas é fundamental para a condução da política monetária”, afirmou.

Mercado aposta em início do corte da Selic

Atualmente, a taxa Selic está em 15% ao ano, e tanto o mercado quanto o próprio Banco Central indicam a possibilidade de início do ciclo de cortes de juros já na próxima reunião do Copom, prevista para março.

A sinalização, no entanto, reforça que eventuais ajustes dependerão da evolução da inflação, das expectativas e do comportamento da atividade econômica nos próximos meses.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Adriano Machado

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Investimento

Juros altos freiam investimentos e limitam expansão das empresas no Brasil

A permanência da taxa básica de juros em 15% ao ano segue como um dos principais entraves ao crescimento econômico no país. Com o crédito caro, empresas têm adiado projetos, reduzido planos de expansão e segurado investimentos de longo prazo, sobretudo em áreas que dependem fortemente de financiamento, como indústria, construção civil e infraestrutura.

Empresas adiam investimentos diante do custo do crédito

Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), realizada em novembro de 2025 em parceria com a Nexus, revela a dimensão do impacto dos juros elevados sobre o setor produtivo. De acordo com o levantamento, 77% das indústrias afirmam que aumentariam seus investimentos caso houvesse redução da taxa básica.

Outro estudo da entidade aponta que o alto patamar dos juros é hoje o principal obstáculo ao acesso ao crédito no Brasil. Na Sondagem Especial nº 98 – Condições de Acesso ao Crédito em 2025, elaborada com a ABDE, oito em cada dez empresas industriais que tiveram dificuldade para contratar empréstimos indicaram os juros como o maior problema nas operações de curto e médio prazo.

Garantias e falta de linhas adequadas também pesam

Além do custo financeiro, outros fatores contribuem para restringir o financiamento empresarial. Entre as empresas que enfrentaram dificuldades, 32% citaram exigências de garantias reais, como imóveis e bens móveis, enquanto 17% apontaram a ausência de linhas de financiamento adequadas às necessidades do negócio.

As restrições também aparecem no crédito de longo prazo, fundamental para investimentos estruturais, como ampliação da capacidade produtiva e aquisição de máquinas. Nesse segmento, 71% das empresas apontam os juros elevados como principal entrave, seguidos pela exigência de garantias (31%) e pela falta de linhas compatíveis (17%).

Juros altos reduzem o fôlego do crescimento

O cenário ajuda a explicar por que os investimentos produtivos perdem força em períodos prolongados de política monetária restritiva. Mesmo quando há demanda e projetos prontos para sair do papel, o custo do financiamento acaba tornando a expansão economicamente inviável.

Estudo do FMI mostra repasse rápido da Selic ao crédito

Um estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI) detalha como esse efeito se consolida no Brasil. Intitulado “Transmissão da política monetária para as taxas de empréstimo: evidências do Brasil”, o levantamento mostra que cerca de 70% do aumento da Selic é repassado às taxas de crédito em até quatro meses.

Segundo o FMI, a transmissão é ainda mais intensa nas linhas de crédito de mercado, usadas diretamente pelas empresas, onde o repasse da taxa básica é praticamente integral. Já no crédito direcionado, o impacto é bem menor, em torno de 20%, o que evidencia a sensibilidade do financiamento empresarial às decisões de política monetária.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

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Economia

Banco Central mantém Selic em 15% ao ano pela quinta reunião consecutiva

O Banco Central decidiu, mais uma vez, manter inalterada a taxa básica de juros da economia. Em reunião realizada nesta semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) optou por unanimidade pela manutenção da Selic em 15% ao ano, decisão que já era amplamente aguardada pelo mercado financeiro.

Com o novo resultado, esta é a quinta reunião consecutiva em que os juros básicos permanecem no mesmo nível, o mais elevado desde julho de 2006, quando a taxa chegou a 15,25% ao ano.

Possível início do ciclo de cortes em março

No comunicado divulgado após a reunião, o Copom sinalizou a possibilidade de iniciar a redução da Selic a partir da próxima reunião, marcada para março, desde que o cenário econômico se mantenha favorável e a inflação continue sob controle.

Segundo o Banco Central, a flexibilização da política monetária dependerá da confirmação das projeções atuais, mantendo-se, ainda assim, uma postura cautelosa para garantir a convergência da inflação à meta estabelecida.

Decisão ocorre com Copom desfalcado

A decisão foi tomada em um contexto de composição incompleta do Comitê. No final de 2025, chegaram ao fim os mandatos de dois diretores do Banco Central: Renato Gomes, responsável pela Organização do Sistema Financeiro, e Paulo Pichetti, diretor de Política Econômica.

As indicações dos substitutos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva estão previstas para ocorrer apenas após o retorno do Congresso Nacional, em fevereiro.

Após atingir 10,5% ao ano em maio do ano passado, a Selic voltou a subir a partir de setembro de 2024. O ciclo de alta levou a taxa a 15% ao ano na reunião de junho, patamar que vem sendo mantido desde então.

A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em 2025, o IPCA fechou em 4,26%, o menor resultado anual desde 2018, ficando dentro do teto da meta contínua de inflação.

Pelo modelo vigente desde janeiro, a meta central é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que estabelece um intervalo entre 1,5% e 4,5%.

Com o novo sistema de meta contínua, a inflação passa a ser avaliada mensalmente com base no acumulado de 12 meses. Assim, a verificação da convergência à meta ocorre de forma contínua, e não mais restrita ao fechamento de cada ano-calendário.

Projeções para 2026 divergem

No último Relatório de Política Monetária, divulgado no fim de dezembro, o Banco Central reduziu a projeção do IPCA para 3,5% em 2026, embora a estimativa possa ser revista devido ao comportamento recente do dólar e dos preços.

Já o mercado financeiro apresenta uma visão mais cautelosa. Segundo o boletim Focus, a inflação deve encerrar 2026 em 4%, ligeiramente acima do centro da meta. Há um mês, a projeção era de 4,05%.

Juros elevados encarecem o crédito

A manutenção da Selic em níveis elevados contribui para o controle da inflação ao encarecer o crédito e reduzir o consumo, mas também impõe desafios ao crescimento econômico.

No mesmo Relatório de Política Monetária, o Banco Central revisou a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,5% para 1,6% em 2026. O mercado, no entanto, estima uma expansão um pouco maior, de 1,8%, conforme o boletim Focus.

A taxa Selic serve como referência para as demais taxas de juros da economia e é utilizada nas operações com títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia. Ajustes na taxa influenciam diretamente o ritmo da atividade econômica, o consumo e a inflação.

Fonte: Agência Brasil

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: REPRODUÇÃO AGÊNCIA BRASIL / RAFA NEDDERMEYER

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Economia, Internacional

Trump minimiza queda do dólar e diz que moeda “está indo muito bem”

O dólar intensificou sua desvalorização nesta terça-feira (27) e registrou a maior queda diária desde abril de 2025. O movimento ocorreu após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que não vê excesso de enfraquecimento da moeda americana, mesmo com o câmbio atingindo o nível mais baixo em quase quatro anos.

Questionado por jornalistas em Iowa sobre a trajetória da moeda, Trump foi direto. Disse que o dólar “está ótimo” e destacou que os acordos comerciais firmados pelo país reforçam essa avaliação. Segundo ele, a moeda deve encontrar seu próprio patamar, o que classificou como algo “justo”.

Mercado reage e dólar cai frente a principais moedas

As declarações adicionaram pressão a um cenário já negativo para a moeda americana. Após os comentários do presidente, o Bloomberg Dollar Spot Index aprofundou as perdas e chegou a recuar até 1,2%, refletindo a desvalorização do dólar frente a todas as principais moedas globais.

O desempenho marca o pior momento da moeda desde o período de forte turbulência provocado, em abril, pelo anúncio de tarifas comerciais que abalou os mercados internacionais e levantou dúvidas sobre a previsibilidade da política econômica dos Estados Unidos.

Iene forte e política externa aumentam volatilidade

Parte da fraqueza do dólar está associada à recuperação do iene, que ganhou força desde a semana passada. Investidores passaram a considerar uma possível intervenção das autoridades japonesas para sustentar a moeda local, o que impactou diretamente o mercado cambial.

Além disso, a condução considerada errática da política externa americana tem pesado no sentimento dos investidores. Propostas controversas, como a ameaça de assumir o controle da Groenlândia, causaram desconforto entre aliados europeus e reacenderam especulações sobre a venda de ativos dos EUA, incluindo cerca de US$ 10 trilhões em Treasuries.

Pressão sobre o Fed e risco fiscal afetam confiança

Analistas também apontam outros fatores que contribuem para a desvalorização do dólar, como a pressão política sobre o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, o aumento do endividamento público e as incertezas fiscais de longo prazo. A crescente polarização política nos Estados Unidos reforça o clima de cautela entre investidores estrangeiros.

Esse cenário chama atenção porque a queda da moeda ocorre mesmo com a alta dos rendimentos dos títulos públicos americanos e com a expectativa de que o Fed interrompa o ciclo de cortes de juros após a reunião de quarta-feira (28), fatores que normalmente favoreceriam o dólar.

Dólar mais fraco pode favorecer exportações dos EUA

Apesar da reação negativa dos mercados, um dólar mais fraco pode ser visto com bons olhos pelo governo Trump. A desvalorização tende a tornar os produtos americanos mais competitivos no exterior, o que poderia ajudar a reduzir o déficit comercial do país.

Na mesma terça-feira, Trump afirmou que teria capacidade de influenciar diretamente a cotação da moeda, dizendo que poderia fazê-la “subir ou cair como um ioiô”. Em seguida, ponderou que esse tipo de intervenção seria indesejável e criticou países asiáticos por, segundo ele, buscarem desvalorizar artificialmente suas moedas.

Críticas à China e ao Japão

O presidente voltou a citar China e Japão, afirmando que historicamente ambos tentaram enfraquecer o iene e o yuan para ganhar competitividade. Segundo Trump, essa prática tornaria a concorrência desleal para os Estados Unidos, embora ele tenha ressaltado que agora defende que o dólar encontre seu valor de forma natural.

FONTE: Bloomberg Línea
TEXTO: Redação
IMAGEM: Paul Yeung/Bloomberg

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Economia

Bancos reforçam expectativa de queda dos juros em março, aponta pesquisa da Febraban

As instituições financeiras reforçaram a expectativa de que o Banco Central inicie o ciclo de queda dos juros em março, segundo a mais recente Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas, divulgada pela Febraban nesta quinta-feira (1º). O movimento ganhou força após o tom mais duro adotado pela autoridade monetária na última reunião de 2025.

O levantamento mostra que aumentou o número de bancos que enxergam março como o ponto de partida para a redução da taxa Selic, hoje em 15% ao ano, o maior patamar desde 2006.

Diminui aposta em corte já em janeiro

Enquanto cresce a expectativa por um início de flexibilização em março, caiu a parcela de instituições que esperavam um corte já em janeiro. O percentual recuou de 45,5% para 30%, indicando maior cautela do mercado quanto ao ritmo de afrouxamento monetário.

A pesquisa ouviu 20 bancos entre os dias 17 e 19 de dezembro.

Projeções indicam juros mais baixos até o fim do ano

Apesar da postura cautelosa, o mercado segue projetando redução relevante da Selic ao longo de 2026. Segundo o Boletim Focus, a taxa básica deve encerrar o ano em 12,25%.

De acordo com Rubens Sardenberg, diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Febraban, o debate agora gira em torno da velocidade desse movimento.
“Por ora, as expectativas seguem conservadoras e apontam para um ritmo moderado de cortes, mesmo com a Selic em nível elevado”, avaliou.

Inflação segue acima da meta, mas com viés de desaceleração

Em relação à inflação, 50% dos participantes acreditam que o índice em 2026 ficará alinhado ao consenso do mercado, ainda acima da meta oficial, pressionado por estímulos fiscais e expansão do crédito.

Por outro lado, 35% dos analistas projetam inflação abaixo do consenso, indicando uma possível continuidade do processo de desaceleração. O Banco Central trabalha com meta de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Atividade econômica mostra sinais de melhora

O levantamento também apontou melhora nas expectativas para o crescimento econômico em 2026. A fatia de analistas que projetam avanço de 1,8% do PIB subiu de 36,4% para 55%.

Ao mesmo tempo, diminuiu de 45,5% para 30% o grupo que esperava crescimento abaixo do consenso do mercado, indicando maior otimismo com a atividade econômica.

Crédito desacelera, mas segue em patamar elevado

A maioria dos bancos projeta que a carteira de crédito encerrará 2025 com crescimento de 9,2%, desacelerando gradualmente para 8,2% em 2026. Mesmo assim, o ritmo segue elevado, sustentado principalmente pelo crédito direcionado.

A projeção anterior apontava alta de 8,9% em 2025, mas foi revisada para cima com o avanço do crédito direcionado, que passou de 10,1% para 10,9%. O principal motor segue sendo o crédito para pessoas jurídicas, cuja expansão estimada subiu de 13,6% para 15,3%, impulsionada por programas governamentais.

No segmento das famílias, a expectativa de crescimento também avançou, de 8,4% para 8,7%, refletindo a resiliência do crédito habitacional, apesar da perda de fôlego no crédito rural.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Adriano Machado

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Economia

Modelo econômico focado no consumo deve manter Selic em dois dígitos em 2026, avalia especialista.

Cenário econômico para 2026

A economia brasileira em 2026 deve enfrentar um ambiente desafiador, marcado pela tensão entre política fiscal expansionista e o esforço de controle da inflação, segundo análise da economista Rita Mundim, apresentada no especial Perspectivas 2026, da CNN Brasil.

De acordo com a especialista, a estratégia econômica baseada no estímulo ao consumo tende a dificultar a redução dos juros e prolongar a permanência da taxa Selic em patamar elevado.

Incertezas e retirada do forward guidance

Durante o debate, Mundim explicou que o Banco Central decidiu retirar o forward guidance — mecanismo de sinalização sobre decisões futuras de política monetária — diante das incertezas provocadas pela isenção do imposto de renda.

Segundo ela, os efeitos da medida começarão a ser sentidos já no início de 2026. “Ainda não há clareza sobre como as famílias irão utilizar os cerca de R$ 28 bilhões que devem ser injetados na economia, o que aumenta a imprevisibilidade do cenário”, avaliou.

Selic em dois dígitos

A economista projeta que a Selic deve encerrar 2026 em torno de 12,5%. Para Mundim, enquanto persistir um modelo que prioriza o consumo via crédito ou por meio de benefícios sociais, os juros básicos continuarão em dois dígitos.

Esse contexto, segundo a análise, limita investimentos, encarece o crédito e reduz o potencial de crescimento sustentável da economia.

Conflito entre política fiscal e monetária

Um dos principais alertas feitos pela especialista é o desalinhamento entre política fiscal e política monetária. Enquanto o governo adota medidas para estimular a demanda, o Banco Central atua de forma restritiva, elevando os juros para conter a inflação.

Para ilustrar o cenário, Mundim comparou a dinâmica econômica a um movimento contraditório: o governo acelera os estímulos, enquanto a autoridade monetária freia a economia, pressionando ainda mais a taxa de juros, influenciada pelo Risco Brasil e pela necessidade de controlar a inflação.

Risco Brasil e impacto político

O debate também abordou o papel do Risco Brasil, indicador que reflete a confiança dos investidores internacionais na estabilidade econômica e política do país. A inflação elevada, segundo a análise, afeta diretamente o poder de compra da população e influencia a percepção econômica, com reflexos nas decisões eleitorais.

Diante desse cenário, a economista avalia que 2026 será um ano decisivo não apenas do ponto de vista econômico, mas também político, exigindo maior coordenação entre as políticas públicas.

Fonte: Com informações da CNN Brasil.
Texto: Redação

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Economia

Banco Central da Argentina anuncia mudanças na banda cambial e nova estratégia monetária

O Banco Central da Argentina (BCRA) comunicou, na segunda-feira (15), o início de uma nova etapa do programa econômico, que prevê ajustes no sistema de banda cambial e a implementação de um programa de acumulação de reservas internacionais.

Segundo a autoridade monetária, a partir de 1º de janeiro de 2026, o piso e o teto da banda da taxa de câmbio flutuante passarão a ser atualizados mensalmente, acompanhando o ritmo dos dados mensais de inflação divulgados pelo Indec. A mudança busca impedir que o teto da banda continue apresentando queda em termos reais.

Mesmo com a ampliação gradual das faixas em 1% ao mês, o banco central esclareceu que o teto da banda crescerá nominalmente abaixo da inflação, mantendo o caráter de controle cambial dentro do novo desenho da política.

Programa de reservas será iniciado em 2026

A partir do início de 2026, o BCRA também dará início a um programa de compra de dólares para reforçar as reservas internacionais, em linha com o que já havia sido antecipado pelo ministro da Economia, Luis Caputo. A estratégia estará diretamente ligada à demanda por moeda e à liquidez do mercado de câmbio.

O cenário-base de remonetização prevê a expansão da base monetária de 4,2% para 4,8% do PIB até dezembro de 2026. Esse movimento poderia ser viabilizado com a aquisição de cerca de US$ 10 bilhões, dependendo da disponibilidade de fluxos do balanço de pagamentos.

Caso a demanda por moeda avance mais 1% do PIB, o volume de compras pode chegar a US$ 17 bilhões, sem necessidade de esforços contínuos de esterilização monetária, desde que haja oferta suficiente de divisas.

Compras no mercado e normalização das reservas mínimas

O banco central informou ainda que o valor diário das compras de reservas será limitado a 5% do volume diário negociado no mercado de câmbio. A instituição também se reservou o direito de realizar compras em bloco, com o objetivo de reduzir eventuais picos de volatilidade provocados por entradas expressivas de moeda estrangeira.

Paralelamente, a autoridade monetária, presidida por Santiago Bausili, confirmou que seguirá avançando na normalização gradual da política de reservas mínimas a partir de 2026. O impacto dessas mudanças será considerado na definição do equilíbrio monetário, sempre em consonância com a estabilidade de preços e a retomada da intermediação financeira.

Foco segue sendo o controle da inflação

Mesmo com os ajustes anunciados, o Banco Central da Argentina reiterou que continuará priorizando a convergência da inflação doméstica aos níveis internacionais. A condução da política monetária seguirá orientada para garantir que a oferta de moeda acompanhe a recuperação da demanda, com preferência pelo aumento das reservas internacionais como principal canal de expansão monetária.

De acordo com o comunicado, a programação monetária estabelecerá uma trajetória consistente para os agregados monetários, de modo que o processo de desinflação seja compatível com o fortalecimento das reservas.

Transparência e viés contracionista

O BCRA também anunciou que retomará a divulgação do Relatório Trimestral de Política Monetária, a partir da edição referente a dezembro de 2025. O documento terá como objetivo apresentar a avaliação do banco central sobre o cenário econômico interno e externo, a dinâmica da inflação e os fundamentos das decisões de política monetária.

Por fim, a instituição destacou que, enquanto a inflação argentina permanecer acima da inflação internacional, a política monetária continuará operando com viés contracionista.

FONTE: Bloomberg Línea
TEXTO: Redação
IMAGEM: Erica Canepa/Bloomberg

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