Internacional

Trump encerra viagem à Ásia com visita à Coreia do Sul

Enquanto Trump voava de volta a Washington, ele disse nas redes sociais que Xi havia autorizado a compra de “quantidades massivas” de soja e outros produtos agrícolas americanos. “Nossos fazendeiros ficarão muito felizes!”, escreveu Trump. O Ministério do Comércio da China afirmou que os dois lados chegaram a um consenso na Coreia do Sul sobre a “expansão do comércio agrícola” e outras questões, mas não forneceu detalhes.

Quando o presidente Trump pediu a realização de testes nucleares, pouco antes de conversas com o líder chinês Xi Jinping, ele pode ter acrescentado inadvertidamente uma nova complicação a um dos temas mais difíceis entre seus países: a rivalidade em armas nucleares.

Trump declarou na quinta-feira que “devido aos programas de testes de outros países, instruí o Departamento de Guerra a começar a testar nossas armas nucleares em igualdade de condições”. Sua ordem pode ter sido motivada por uma afirmação do presidente Vladimir V. Putin, feita alguns dias antes, de que a Rússia havia realizado com sucesso o voo de teste de um míssil de cruzeiro movido a energia nuclear e com capacidade nuclear — embora o teste não envolvesse uma detonação.

Os movimentos em direção à retomada de testes explosivos de ogivas nucleares colocariam ainda mais em risco o tratado que, por décadas, restringiu todos, exceto alguns poucos países, de realizá-los. Se os Estados Unidos realmente retomarem os testes nucleares, “isso daria, na prática, uma carta branca à China e à Rússia para retomarem testes nucleares de rendimento total, algo que nenhum dos dois países faz há vários anos”, disse Ankit Panda, autor de The New Nuclear Age.

“O regime de não proliferação nuclear está sob imensa pressão no momento. Rússia, China e Estados Unidos nem sequer conseguem concordar sobre os princípios básicos que realmente sustentam o regime de não proliferação”, afirmou Panda, pesquisador sênior da Carnegie Endowment for International Peace.

Trump e sua administração podem esclarecer seus comentários nas próximas horas ou dias. Panda e outros especialistas disseram que Trump pode ter querido dizer que pretende testar mísseis com capacidade nuclear, e não detonar dispositivos nucleares subterrâneos.

Quando questionado posteriormente sobre suas declarações sobre testes de armas nucleares, Trump sugeriu que elas não estavam relacionadas à China. “Tinha a ver com outros”, disse ele, sem citar países. “Parece que todos estão fazendo testes nucleares.”

Mas as palavras combativas de Trump por si só podem reforçar a desconfiança de Pequim quanto às intenções nucleares dos EUA. As armas nucleares são uma área em que a falta de confiança entre China e Estados Unidos tem se aprofundado, com poucas perspectivas de um acordo rápido.

Sob o comando de Xi, a China tem expandido rapidamente seu arsenal nuclear após décadas mantendo uma força relativamente modesta. A China possui cerca de 600 ogivas nucleares, a maioria projetada para mísseis terrestres, segundo um levantamento publicado no início deste ano por especialistas da Federação de Cientistas Americanos. Isso ainda é muito menos que as milhares de ogivas nucleares que Estados Unidos e Rússia possuem.
Mas a velocidade da expansão da China, assim como a crescente ameaça de Moscou, tem provocado apelos em Washington por uma modernização mais rápida das forças nucleares dos EUA para deter dois grandes adversários.

A Rússia praticamente concluiu a modernização de todas as suas forças nucleares, e a China está modernizando e ampliando seu arsenal em uma velocidade impressionante”, disse Elbridge A. Colby, subsecretário de Defesa na administração Trump, durante sua audiência de confirmação no Senado no início deste ano.

O próximo plano de desenvolvimento da China, divulgado em resumo esta semana, prevê o “fortalecimento das capacidades de dissuasão estratégica” — termo que inclui forças nucleares — como uma prioridade militar para os próximos cinco anos. E, no mês passado, a China exibiu sua crescente coleção de mísseis com capacidade nuclear, incluindo os que podem ser lançados de submarinos e aviões bombardeiros, em um desfile militar em Pequim.

Xi usou o desfile para enfatizar a “tríade nuclear” em amadurecimento da China — isto é, a capacidade de ameaçar inimigos com ataque nuclear por terra, mar e ar —, disse Lin Po-chou, pesquisador do Instituto de Pesquisa de Defesa Nacional e Segurança, um grupo financiado pelo governo em Taipei, Taiwan.

O ritmo da expansão nuclear da China “continuará e não mudará apenas por causa do anúncio de Trump sobre o aumento dos testes de armas nucleares”, disse Lin.

Evidências de satélite sugerem que a China pode estar preparando instalações para realizar testes nucleares subterrâneos, possivelmente como um sinal de que poderia responder na mesma moeda se outros países retomarem os testes.

A China realizou seu primeiro teste nuclear em 1964 e o último em 1996, pouco antes da adoção do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares, uma moratória global adotada pela maioria dos países. (A China, assim como os Estados Unidos, assinou, mas não ratificou o tratado.)

A China realizou cerca de 45 testes no total, menos do que as centenas conduzidas pelos Estados Unidos ou pela Rússia. Como resultado, os cientistas chineses de armas nucleares provavelmente tiveram que trabalhar com menos dados do que outras potências para projetar suas ogivas. Desde 1996, a China e outras potências atômicas têm verificado e testado ogivas usando testes subcríticos, que não chegam a causar explosões atômicas.

Mas imagens de satélite revelaram novas construções em Lop Nur, o local de testes nucleares da China em Xinjiang, uma região no extremo oeste do país. A atividade inclui novos túneis que poderiam ser usados para testes nucleares subterrâneos, o que pode ajudar no desenvolvimento de novas armas nucleares, escreveram dois especialistas, Renny Babiarz e Jason Wang, em um estudo recente sobre a área.

Se Trump realmente ordenar novos testes nucleares, levaria cerca de 18 meses para que os Estados Unidos preparassem o provável local de testes em Nevada, disse Panda, o especialista da Carnegie Endowment for International Peace. China e Rússia, segundo ele, provavelmente conseguiriam agir um pouco mais rápido.

FONTE: The New York Times
IMAGEM: Haiyun Jiang/The New York Times

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Comércio Exterior

Trump deve anunciar novas tarifas contra a Colômbia nesta segunda-feira

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informou que seu governo planeja aplicar novas tarifas comerciais contra a Colômbia, aumentando a tensão entre os dois países. O anúncio está previsto para esta segunda-feira (20).

Motivo das tarifas: combate ao tráfico de drogas

A declaração ocorre após o senador republicano Lindsey Graham afirmar nas redes sociais que Trump anunciaria “grandes tarifas” devido ao suposto envolvimento da Colômbia com o tráfico de drogas.

Trump confirmou a intenção à imprensa durante viagem a Washington, dizendo: “Li a declaração do senador Graham e está correta. Estive com ele hoje e anunciamos a tarifa amanhã”.

O presidente destacou que a suspensão de ajuda financeira à Colômbia, anunciada no domingo anterior, não prejudica os esforços para combater as drogas. Segundo ele, o país estaria envolvido na produção e refino de cocaína.

Críticas à gestão colombiana

Trump afirmou: “Eles não lutam contra as drogas. Eles fabricam drogas. Eles refinam drogas. Eles produzem cocaína. Eles têm fábricas de cocaína”.

Ele acrescentou que, devido à postura do governo colombiano, todos os pagamentos dos Estados Unidos à Colômbia estão suspensos. “A Colômbia está fora de controle e agora eles têm o pior presidente que já tiveram”, completou.

O anúncio oficial das tarifas deve ocorrer ainda nesta segunda-feira, marcando mais um episódio na relação econômica e diplomática entre os dois países.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gabriel Kotico/ Divulgação Casa Branca

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Economia, Internacional, Mercado Internacional

Tarifa de 50% sobre exportações brasileiras: decisão de Trump gera reações e acirra tensões políticas e econômicas

O anúncio feito por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, de impor uma tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras a partir de 1º de agosto, provocou uma onda de reações no Brasil e no exterior. O motivo declarado por Trump foi o apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente réu no Supremo Tribunal Federal (STF), acusado de tentar liderar um golpe de Estado. O gesto foi amplamente interpretado como uma interferência direta nos assuntos internos do Brasil e gerou repercussões em diferentes esferas: política, econômica e diplomática.

A decisão, classificada pelo economista e Nobel Paul Krugman como parte de um “programa de proteção a ditadores”, foi duramente criticada por autoridades brasileiras, instituições empresariais, especialistas e parlamentares. Enquanto o governo Lula vê a medida como uma afronta à soberania nacional, políticos da oposição acusam o atual governo de criar tensões com os EUA.

Governo reage e convoca reunião de emergência

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu à decisão convocando uma reunião de emergência com ministros e afirmou que o Brasil responderá com base na Lei de Reciprocidade Econômica, em vigor desde abril. Nas redes sociais, Lula destacou que “qualquer medida de elevação de tarifas de forma unilateral será respondida” e reforçou que o processo judicial contra Bolsonaro “é de competência da Justiça Brasileira”.

Para o cientista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, a iniciativa de Trump tem potencial político relevante: “Certamente, essa dimensão política é algo positivo para a administração Lula”, afirmou. No entanto, Cortez pondera que o efeito pode ser limitado pela polarização política e pelo forte apoio da base bolsonarista.

Especialistas alertam para riscos à soberania e impacto diplomático

Oliver Stuenkel, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), destacou que “ingerências externas não pegam bem no Brasil” e que até críticos de Lula podem ver o gesto como um ataque à soberania. Já Creomar de Souza, da consultoria Dharma Politics, afirmou que a medida é uma “bola quicando” para o governo, mas alerta que “a questão é saber se o governo terá uma resposta organizada e uníssona”.

Ian Bremmer, cientista político americano, afirmou que “seria intolerável para líderes americanos se outro país fizesse o mesmo com os EUA”, enquanto Krugman classificou as tarifas como “megalomaníacas” e sem justificativa econômica, observando que o comércio com os EUA representa menos de 2% do PIB brasileiro.

Setores econômicos pedem diplomacia e cautela

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manifestou preocupação e defendeu diálogo. “Os impactos dessas tarifas podem ser graves para a nossa indústria, que é muito interligada ao sistema produtivo americano”, afirmou Ricardo Alban, presidente da entidade.

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) também pediu cautela: “A nova alíquota atinge o agronegócio nacional, impactando o câmbio e a competitividade”. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) enfatizaram os riscos de prejuízos econômicos e danos à imagem do Brasil no exterior. “É uma das maiores taxações já aplicadas na história do comércio internacional”, destacou José Augusto de Castro, presidente da AEB.

Parlamentares se dividem entre nacionalismo e acusação

Na arena política, a medida acirrou o embate entre governo e oposição. O senador Humberto Costa (PT-PE) classificou a atitude como “jogar contra o Brasil”, enquanto Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ironizou que Lula “conseguiu ferrar o Brasil”. Lindbergh Farias (PT-RJ) chamou os aliados de Bolsonaro de “traidores”, e Jaques Wagner (PT-BA) reforçou que “o Brasil não será quintal de ninguém”.

Deputados bolsonaristas, como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Filipe Barros (PL-PR), culparam Lula e o STF pela crise diplomática. Já o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) criticou a “ideologia acima da economia”, enquanto Romeu Zema (Novo-MG) falou em “perseguições” e “provocações baratas”.

Eduardo Bolsonaro e bastidores da decisão

A medida de Trump veio na esteira da atuação de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos. Em carta enviada ao jornalista Guga Chacra, assinada junto com o jornalista Paulo Figueiredo, Eduardo confirmou que manteve “intenso diálogo com autoridades do governo Trump” e que a decisão de taxar o Brasil é reflexo direto dessas conversas, com o objetivo de pressionar o STF e seu relator, Alexandre de Moraes.

STF e diplomatas reagem

O ministro Flávio Dino, do STF, destacou em publicação nas redes que a Corte age em defesa da “soberania nacional e da democracia”. Já o ministro Alexandre de Moraes ainda não se manifestou diretamente sobre o assunto, mas bastidores apontam preocupação com o uso político da medida internacional para pressionar decisões judiciais.

O que esperar daqui para frente?

A escalada tarifária imposta por Trump reabre o debate sobre o uso de políticas comerciais para fins políticos. Apesar de seus efeitos diretos sobre o comércio exterior brasileiro serem limitados em termos absolutos — segundo dados da OMC, os EUA representam 11,4% das exportações brasileiras —, os impactos simbólicos e políticos podem ser significativos, especialmente em ano pré-eleitoral.

Há incerteza quanto aos desdobramentos diplomáticos. O governo brasileiro tenta articular uma resposta que preserve os interesses econômicos do país, sem acirrar ainda mais o conflito político. O sucesso dessa resposta, segundo especialistas, dependerá da habilidade do governo em unir diferentes frentes políticas e econômicas em torno de uma reação estratégica, firme, mas diplomática.

FONTE: COMPILADO DE NOTÍCIAS – BBC NEWS/BRASIL
FOTO: REUTERS/Ken Cedeno
TEXTO: REDAÇÃO

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