Negócios

Cooperação Brasil-China avança em energia, minerais e tecnologia

A cooperação entre Brasil e China entra em uma nova fase marcada pela integração em setores estratégicos como energia, minerais críticos e tecnologia. Especialistas avaliam que a parceria entre os dois países tende a ganhar ainda mais relevância diante da necessidade global de transição energética, expansão industrial e segurança no abastecimento de recursos.

O tema foi discutido durante seminário promovido pelo Conselho Empresarial Brasil‑China, onde especialistas apontaram que a relação bilateral está evoluindo além do comércio tradicional, incorporando inovação tecnológica, investimentos produtivos e desenvolvimento de novas cadeias industriais.

Petróleo fortalece papel do Brasil no abastecimento da China

Durante o evento, o economista-chefe do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, Aldrin Wernersbach, destacou o crescimento da importância do Brasil como fornecedor de energia para a China.

Segundo ele, em 2025 as exportações brasileiras de petróleo bruto para o país asiático alcançaram cerca de 870 mil barris por dia, o que representa aproximadamente 45% das vendas externas brasileiras do produto.

O avanço é impulsionado pela ampliação da produção nacional, especialmente nas reservas do pré‑sal brasileiro, além da estratégia chinesa de diversificar fornecedores de energia em um cenário internacional marcado por conflitos em regiões produtoras de hidrocarbonetos.

Biocombustíveis ampliam oportunidades de parceria

Outro campo promissor para a cooperação bilateral é o setor de biocombustíveis, no qual o Brasil ocupa posição de destaque global.

Wernersbach destacou que o país é um dos maiores produtores de etanol do mundo e também avança no desenvolvimento de biodiesel e combustível sustentável de aviação (SAF).

Na avaliação do especialista, há forte convergência entre as metas de descarbonização da China e a experiência brasileira em energia renovável, o que pode ampliar projetos conjuntos nos próximos anos.

Minerais estratégicos ganham importância com eletrificação global

No setor de mineração, a gerente de relações externas da Vale, Luciana Brum, afirmou que o Brasil tem potencial para se tornar um fornecedor ainda mais relevante de minerais estratégicos para a indústria chinesa.

Além do tradicional minério de ferro, a executiva destacou a crescente demanda por cobre, níquel e lítio, matérias-primas essenciais para tecnologias ligadas à eletrificação, inteligência artificial e infraestrutura digital.

Segundo ela, a expansão de data centers, sistemas elétricos e tecnologias digitais está impulsionando o consumo global desses recursos naturais.

Tecnologia chinesa pode impulsionar modernização industrial

A presença crescente de empresas chinesas no Brasil também abre espaço para avanços na modernização industrial, afirmou o vice-presidente da Comexport, Roberto Milani.

Ele citou o aumento da oferta de produtos ligados à transição energética, como painéis solares e veículos elétricos, que podem estimular o desenvolvimento de cadeias produtivas locais.

De acordo com Milani, a instalação de fabricantes chineses no país tende a incentivar a criação de fornecedores nacionais e produção de componentes, em um processo gradual de nacionalização industrial.

Novas áreas de cooperação entre Brasil e China

Especialistas também apontaram outras frentes com grande potencial de parceria entre os dois países, incluindo:

  • data centers
  • hidrogênio verde
  • mobilidade urbana sustentável
  • infraestrutura logística

A combinação da capacidade tecnológica chinesa com os recursos naturais e a energia renovável do Brasil pode impulsionar projetos conjuntos nessas áreas.

Parceria estratégica ganha força no cenário global

De forma geral, os especialistas destacaram que a relação Brasil-China está evoluindo para um nível mais estratégico, baseado na complementaridade entre os dois países.

Enquanto o Brasil oferece recursos energéticos, minerais e potencial agrícola, a China contribui com capacidade industrial, tecnologia e investimentos.

Em um contexto internacional marcado por incertezas geopolíticas e transformações econômicas, essa cooperação pode abrir novas oportunidades para o desenvolvimento econômico e a modernização produtiva de ambas as nações.

FONTE: Xinhua
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ibrachina

Ler Mais
Comércio, Comércio Exterior, Exportação

Exportações brasileiras para a China recuam 7,5% em meio a tensões globais e China amplia domínio sobre importações

A guerra tarifária entre China e EUA, a queda nos preços das commodities e a diversificação dos fornecedores chineses mudaram o cenário da balança comercial entre Brasil e seu principal parceiro asiático.

A relação comercial entre Brasil e China passou por transformações importantes no primeiro semestre de 2025. Pela primeira vez em uma década, as exportações brasileiras para a China caíram significativamente, somando US$ 47,7 bilhões — queda de 7,5% em comparação com o mesmo período de 2024. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC).

Essa retração ocorre em um contexto internacional conturbado, com destaque para a intensificação da guerra tarifária entre Estados Unidos e China, iniciada pelo presidente norte-americano Donald Trump. Em resposta, a China acelerou sua estratégia de diversificação de fornecedores, reduzindo sua dependência de parceiros tradicionais como o Brasil.

Queda nas exportações e perda de superávit

Apesar de seguir como principal destino das exportações brasileiras, com 28,7% de participação, o volume embarcado sofreu fortes baixas em produtos-chave. A soja, principal item exportado, registrou crescimento de 5% no volume, mas a queda nos preços derrubou o valor negociado para US$ 18,9 bilhões — uma redução de 6% na receita.

Outro destaque negativo foi o petróleo bruto, que sofreu sua maior retração em cinco anos, com queda de 7% no volume e de 15% no faturamento, totalizando US$ 9,3 bilhões. O impacto foi significativo na balança comercial, que, embora ainda positiva, teve seu superávit com os chineses reduzido para US$ 12 bilhões — o menor desde 2019 e quase metade do registrado no primeiro semestre de 2024.

China amplia presença no mercado brasileiro

Na contramão, as importações do Brasil vindas da China cresceram 22%, atingindo um novo recorde: US$ 35,7 bilhões. A participação chinesa nas compras brasileiras subiu para 26,3%, o maior percentual já registrado no comércio bilateral.

Esse crescimento foi impulsionado especialmente pelo aumento nas importações de veículos híbridos e aço. As compras de carros híbridos somaram US$ 1,38 bilhão — alta de 52% —, enquanto os laminados planos de aço cresceram impressionantes 318%, totalizando US$ 294 milhões.

Segundo especialistas, esses picos foram influenciados por uma corrida de antecipação às novas tarifas sobre veículos elétricos no Brasil, que subiram de 25% em julho de 2024 para 30% em julho de 2025. Mesmo com uma pequena retração em relação a 2024, os veículos chineses ganharam protagonismo, aparecendo pela primeira vez como o segundo bem mais vendido para o Brasil.

De acordo com o Icomex/FGV, entre 2002 e 2025, o Brasil passou de 17º para 6º maior mercado da indústria automotiva chinesa, representando 5,6% das vendas globais de veículos do país asiático.

Crescimento das exportações de industrializados e terras-raras

Apesar da concentração ainda alta em commodities, os embarques de bens industrializados brasileiros para a China avançaram. Destaque para o crescimento nas vendas de torneiras, dispositivos de aquecimento e aferidores de gases, além da valorização das exportações de terras-raras — compostos essenciais para a indústria de eletrônicos, turbinas e baterias de carros elétricos.

As exportações brasileiras de compostos de terras-raras para a China somaram US$ 6,7 milhões no semestre, mais que o triplo do valor registrado em todo o ano de 2024. O aumento coincide com o fortalecimento da presença do Brasil nesse mercado estratégico, impulsionado por acordos internacionais envolvendo China e EUA.

Contexto geopolítico influencia comércio bilateral

O cenário de tensões entre as duas maiores economias do mundo impactou diretamente a dinâmica do comércio internacional. A China, que encerrou o semestre com um superávit comercial global de US$ 586 bilhões, vem ganhando espaço como fornecedora global com preços competitivos e alta capacidade produtiva.

Segundo José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), o avanço da China sobre o mercado brasileiro reflete uma mudança estrutural no comércio global: “A China hoje concorre com tudo, produz de tudo e tem preço competitivo em tudo. O mundo está se adaptando a essa nova realidade”.

FONTES: ICL NOTÍCIAS / COMEX DO BRASIL / FGV / MDIC
TEXTO: REDAÇÃO
IMAGEM: FREEPIK

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook