Transporte

Mercado de afretamento de navios segue aquecido com demanda elevada e oferta restrita

O mercado de afretamento de navios porta-contêineres continua registrando desempenho positivo, sustentado pela forte procura por embarcações em praticamente todas as faixas de capacidade. A avaliação consta na mais recente análise da consultoria Alphaliner, especializada no setor de transporte marítimo.

Escassez de embarcações limita novos contratos

Apesar da demanda aquecida, a baixa disponibilidade de navios segue sendo um dos principais obstáculos para a ampliação das negociações. A restrição é mais evidente entre embarcações com capacidade superior a 3.000 TEUs, reduzindo o número de novos contratos fechados.

Nas últimas semanas, o cenário também foi influenciado por uma desaceleração temporária das atividades comerciais devido à realização da feira Posidonia, em Atenas, considerada um dos eventos mais relevantes da indústria marítima global.

Segmento de menor porte concentra negociações

Com a oferta limitada de grandes embarcações, os contratos têm se concentrado principalmente nos navios com capacidade inferior a 2.000 TEUs, onde há maior disponibilidade no mercado.

Ao mesmo tempo, os contratos de longo prazo continuam escassos. O movimento reflete uma postura mais cautelosa das empresas de navegação diante das incertezas que ainda cercam o setor de transporte marítimo internacional.

Taxas de afretamento permanecem em patamares elevados

Segundo a Alphaliner, as taxas de afretamento seguem em níveis considerados saudáveis e relativamente estáveis na maior parte dos segmentos.

Em alguns casos, navios com características diferenciadas ou posicionados em regiões estratégicas conseguiram obter valores acima da média do mercado, estabelecendo novos referenciais para determinadas categorias de embarcações.

Falta de navios reduz movimentação entre os VLCS

No segmento dos navios VLCS (Very Large Container Ships), com capacidades entre 7.500 e 13.000 TEUs, não houve registro de novos contratos nas últimas duas semanas.

De acordo com a consultoria, a ausência de negociações não está relacionada à falta de interesse por parte dos operadores, mas sim à escassez de embarcações disponíveis para entrega imediata.

GSL encomenda dez novos porta-contêineres de médio porte

Entre os navios do segmento LCS (5.300 a 7.499 TEUs), também não foram identificadas novas operações de afretamento. No entanto, o mercado foi movimentado pela informação de que a armadora Global Ship Lease (GSL) encomendou a construção de dez novos navios porta-contêineres.

As embarcações deverão ser entregues entre 2028 e 2030 e, segundo estimativas da Alphaliner, serão construídas na China, com capacidade superior a 6.000 TEUs e estrutura voltada para o transporte de cargas refrigeradas.

Ainda de acordo com a consultoria, os navios já teriam contratos de afretamento assegurados por aproximadamente sete anos, possivelmente junto à MSC.

Mercado Panamax registra apenas uma nova contratação

A atividade também permaneceu limitada entre os navios Panamax clássicos, com capacidade entre 4.000 e 5.299 TEUs.

Nas duas últimas semanas, foi registrado apenas um novo contrato envolvendo um navio recém-construído de 4.600 TEUs. A embarcação teria sido contratada para uma operação de curto prazo, com remuneração na faixa inferior de US$ 60 mil por dia.

Perspectiva é de continuidade da oferta limitada

Para os próximos meses, a expectativa da Alphaliner é de que a disponibilidade reduzida de navios continue restringindo o volume de novas contratações.

Mesmo com a demanda por capacidade de transporte marítimo permanecendo forte, a limitação da oferta deverá seguir como fator determinante para o comportamento do mercado de afretamento.

FONTE: Mundo Marítimo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Logística

Canal do Panamá avalia restrições para navios diante do risco de nova crise hídrica

A Autoridade do Canal do Panamá iniciou estudos para uma eventual redução dos limites de profundidade permitidos para embarcações que utilizam a hidrovia. A medida preventiva busca minimizar os impactos de um possível retorno do fenômeno El Niño, que pode comprometer os níveis de água essenciais para o funcionamento da rota marítima.

A iniciativa ocorre após a severa crise hídrica registrada entre 2023 e 2024, quando a escassez de água reduziu a capacidade operacional do canal, provocando congestionamentos de navios, aumento dos custos logísticos e alterações em importantes rotas comerciais internacionais.

Revisão das regras pode antecipar ajustes operacionais

De acordo com o administrador do Canal do Panamá, Ricaurte Vásquez, as equipes técnicas já começaram a revisar os parâmetros utilizados para definir os limites de carga das embarcações com base na profundidade disponível.

Tradicionalmente, essa avaliação é realizada no fim do ano, mas o monitoramento antecipado reflete a preocupação com possíveis mudanças nas condições climáticas.

Atualmente, o sistema opera com calado máximo de até 50 pés graças ao volume de chuvas registrado nos últimos meses. Nas eclusas Neopanamax, utilizadas por navios de grande porte, o limite operacional varia entre 47 e 49,5 pés.

Segundo a autoridade panamenha, caso haja deterioração das condições hidrológicas, uma redução inicial de um pé poderá ser aplicada já no final de junho.

Canal do Panamá movimenta cerca de 5% do comércio marítimo global

Considerado um dos principais corredores logísticos do mundo, o Canal do Panamá conecta os oceanos Atlântico e Pacífico e desempenha papel estratégico para o comércio internacional.

A hidrovia atende mais de 1.700 portos distribuídos em cerca de 160 países e responde por aproximadamente 5% do comércio marítimo mundial.

Após superar as restrições impostas pela seca recente, o canal encerrou o ano fiscal de 2025 com receita recorde de US$ 5,7 bilhões. No período, foram registrados 13.404 trânsitos de embarcações, crescimento de 19,3% em relação ao exercício anterior, com movimentação próxima de 489 milhões de toneladas de carga.

Restrição no calado pode reduzir capacidade de transporte

Embora uma eventual redução de um pé no calado pareça pequena, especialistas do setor marítimo alertam para impactos relevantes na operação dos navios.

Durante a crise hídrica anterior, estudos apontaram que cada pé de restrição poderia representar uma perda de cerca de 400 TEUs em grandes navios porta-contêineres.

Na prática, isso significa menos carga transportada por viagem, redução da eficiência operacional e possível aumento dos custos para armadores e embarcadores.

Em cenários mais críticos, empresas de navegação podem ser obrigadas a redistribuir mercadorias, utilizar embarcações adicionais ou até redirecionar rotas, ampliando os tempos de trânsito e os custos logísticos globais.

Comércio exterior brasileiro acompanha cenário com atenção

As possíveis restrições também são monitoradas de perto pelo setor de comércio exterior brasileiro. O Canal do Panamá é uma rota estratégica para cargas destinadas à costa oeste dos Estados Unidos, países da América Central e parte dos mercados asiáticos.

Além dos contêineres, a hidrovia é utilizada para o transporte de fertilizantes, produtos químicos e diversas commodities agrícolas, fundamentais para a balança comercial brasileira.

Ao iniciar as avaliações de forma antecipada, a Autoridade do Canal do Panamá demonstra uma postura mais preventiva em relação à crise anterior. O objetivo é garantir maior previsibilidade operacional e reduzir riscos para as cadeias globais de suprimentos, evitando interrupções que possam afetar o fluxo do comércio internacional.

FONTE: Agência Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Modais em Foco

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Logística

Maersk registra crescimento em todas as áreas de negócios no 1º trimestre de 2026

A Maersk encerrou o primeiro trimestre de 2026 com crescimento operacional em todas as suas unidades de negócio. A companhia reportou EBIT de US$ 340 milhões, resultado impulsionado pelo avanço nos volumes transportados, ganhos de eficiência operacional e controle rigoroso de custos.

Segundo a empresa, o desempenho foi sustentado pela expansão da demanda em diferentes regiões do mundo, mesmo diante da volatilidade do mercado global de transporte marítimo e das incertezas geopolíticas.

Crescimento da demanda impulsiona resultados da Maersk

De acordo com Vincent Clerc, a companhia manteve crescimento consistente nos segmentos de Transporte Marítimo, Logística e Serviços e Terminais ao longo do trimestre.

O executivo destacou que, apesar da pressão causada pelo excesso de capacidade no setor de navegação, a empresa conseguiu reduzir em 7% o custo unitário da operação marítima graças à flexibilidade da rede logística global.

A Maersk também afirmou que os impactos do conflito no Oriente Médio tiveram efeito limitado sobre a demanda e os resultados financeiros da companhia no período.

EBITDA supera US$ 1,8 bilhão

Os resultados financeiros apontam EBITDA de US$ 1,8 bilhão no primeiro trimestre de 2026. Embora abaixo dos US$ 2,7 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior, a empresa observou melhora na margem operacional em relação ao trimestre anterior.

A margem EBIT atingiu 2,6%, avanço de 1,7 ponto percentual frente ao quarto trimestre de 2025.

Segundo a companhia, o crescimento das exportações da China ajudou a impulsionar a demanda global por transporte de contêineres nos primeiros meses do ano.

Transporte Marítimo amplia volumes embarcados

O segmento de Transporte Marítimo apresentou crescimento de 9,3% nos volumes embarcados, com taxa de utilização de ativos de 96%.

Mesmo com pressão contínua nas tarifas de frete devido ao excesso de capacidade da indústria, a estabilidade dos custos operacionais e a redução nos gastos com bunker ajudaram a compensar parte dos impactos negativos.

O EBIT da divisão ficou em US$ -192 milhões no trimestre.

Logística e Serviços mantém expansão de receita

Na área de Logística e Serviços, a Maersk registrou crescimento de receita de 8,7%, além da oitava expansão consecutiva da margem EBIT na comparação anual.

A companhia atribui o desempenho à evolução dos produtos Air e Middle Mile, somados aos ganhos estruturais de eficiência e à disciplina no controle de despesas operacionais.

O EBIT do segmento alcançou US$ 173 milhões.

Segmento de Terminais segue em alta

O setor de Terminais também apresentou resultados positivos no período, com aumento de 4,3% na movimentação de volumes.

A receita cresceu 6,7%, enquanto a receita por movimento avançou 3,4%, favorecida pela melhora tarifária, impactos cambiais positivos e melhor composição operacional dos terminais.

O EBIT da unidade atingiu US$ 436 milhões no primeiro trimestre.

Maersk encomenda novos navios de grande porte

Como parte da estratégia de renovação da frota, a Maersk anunciou a encomenda de oito novos navios com capacidade para 18.600 TEUs.

As embarcações, previstas para entrega entre 2029 e 2030, contarão com motores de combustível duplo, permitindo operação tanto com combustível convencional quanto com gás liquefeito.

Segundo a empresa, a medida amplia a flexibilidade operacional da rede global e fortalece a estratégia de eficiência e sustentabilidade no transporte marítimo.

FONTE: Maersk
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Transporte

MSC alcança 1.000 navios e consolida liderança no transporte marítimo global

A gigante do transporte marítimo Mediterranean Shipping Company (MSC) atingiu um marco histórico ao se tornar a primeira empresa do mundo a operar uma frota de 1.000 navios porta-contêineres. A informação foi divulgada pela consultoria asiática Linerlytica, especializada no setor.

Entrega de novo navio garante recorde

O feito foi possível após a entrega do navio MSC Migsan, com capacidade para 11.480 TEUs, construído pelo estaleiro Zhoushan Changhong Shipyard. A incorporação da embarcação elevou a frota da companhia ao patamar inédito de quatro dígitos na indústria de contêineres.

Expansão acelerada e liderança global

Empresa privada e maior armadora de contêineres do planeta, a MSC ultrapassou a dinamarquesa Maersk há cerca de cinco anos, consolidando sua posição no topo do ranking mundial. Atualmente, sua frota é cerca de 57% maior que a da principal concorrente.

Com capacidade total de aproximadamente 7,3 milhões de TEUs, a companhia alcança um volume equivalente à soma das frotas de outras grandes operadoras globais, como Hapag-Lloyd, Ocean Network Express, Evergreen Marine e HMM.

Crescimento impulsionado pelo mercado

Segundo especialistas, o avanço da empresa coincide com o período de maior valorização já registrado no mercado de transporte de contêineres, especialmente a partir de 2020. O diferencial da MSC está no fato de ter ampliado sua presença global majoritariamente por meio de crescimento orgânico, sem depender de grandes aquisições.

Sucessão familiar e legado

A companhia também anunciou recentemente mudanças em sua estrutura de comando. O fundador Gianluigi Aponte, de 85 anos, transferiu o controle do grupo para seus filhos, Diego Aponte e Alexa Aponte.

“Essa transição reflete não apenas o comprometimento e as conquistas deles, mas também a continuidade da tradição marítima da nossa família”, afirmou o empresário.

Natural de Nápoles, Aponte fundou a MSC em 1970 e transformou a companhia em um dos maiores conglomerados do setor, com forte atuação também no mercado de cruzeiros.

Fortuna e relevância global

A família Aponte figura entre as mais ricas do mundo, aparecendo regularmente na lista de bilionários da Forbes e sendo frequentemente apontada como a mais rica da Suíça.

FONTE: Splash 247
TEXTO: Redação
IMAGEM:  Zhoushan Changhong International Shipyard

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Logística

Hélice naval gigante sustenta 90% do comércio global e redefine eficiência dos navios

Pouco visível ao público, a hélice naval é um dos componentes mais críticos da logística marítima global. Presente nos maiores navios porta-contêineres do planeta, essa estrutura pode pesar até 131 toneladas, medir cerca de 11 metros de diâmetro e custar até US$ 4 milhões por unidade.

Mesmo representando apenas entre 3% e 5% do custo total de uma embarcação, sua função é essencial: garantir eficiência, desempenho e continuidade nas operações que sustentam cerca de 90% do comércio mundial.

Evolução acompanha crescimento dos navios

O avanço tecnológico das hélices acompanha a evolução dos gigantes dos mares. Um exemplo é o MSC Irina, considerado um dos maiores navios do mundo, com quase 400 metros de comprimento e capacidade superior a 24 mil TEUs.

A diferença em relação ao passado é expressiva. O RMS Titanic, lançado em 1912, possuía hélices de cerca de 7 metros e 38 toneladas. Hoje, os padrões mudaram significativamente:

  • Diâmetro: entre 10 e 11,6 metros
  • Peso: entre 100 e 131 toneladas
  • Estrutura: de 4 a 6 pás
  • Material: liga de alumínio-níquel-bronze
  • Produção: até 4 meses

Produção concentrada e altamente especializada

A fabricação dessas hélices exige tecnologia avançada e precisão extrema. A alemã Mecklenburger Metallguss domina mais de 60% do mercado global, refletindo o alto nível de especialização necessário.

Pequenas variações na geometria das pás podem reduzir a eficiência do navio em até 10%, o que exige controle rigoroso em todas as etapas produtivas.

Processo industrial de alta precisão

A produção de uma hélice marítima envolve meses de trabalho e diversas etapas técnicas:

  • Modelagem digital em 3D e criação de moldes milimétricos
  • Fundição com metal a mais de 1.200 °C
  • Resfriamento controlado para evitar falhas estruturais
  • Usinagem com máquinas CNC de alta precisão
  • Acabamento manual, polimento e balanceamento

Além disso, são realizadas mais de 200 horas de inspeção, incluindo testes por ultrassom para detectar microfissuras.

Eficiência energética e impacto logístico

Hélices maiores operam com menor rotação e maior deslocamento de água, reduzindo turbulência e melhorando o consumo de combustível. Em rotas intercontinentais — como entre Ásia e Europa — isso representa ganhos significativos de eficiência.

Essas estruturas trabalham em conjunto com motores de alta potência, como os da MAN Energy Solutions e da WinGD, que podem alcançar até 100 mil hp.

Qualquer falha pode interromper operações por semanas, afetando cadeias logísticas globais. Por isso, navios desse porte passam por inspeções rigorosas e frequentemente operam com peças sobressalentes nas primeiras viagens.

Tecnologia silenciosa que sustenta o comércio

Apesar de operar longe dos olhos do público, a hélice naval é uma das engrenagens mais sofisticadas da indústria moderna. Sua combinação de escala, precisão e impacto direto na eficiência operacional mostra como tecnologias aparentemente invisíveis são fundamentais para manter o fluxo do comércio internacional.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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Portos

TCP recebe primeiro navio a operar com novo calado máximo de 13,30 metros

Navios podem transportar mais cargas por viagem após ampliação

A TCP, empresa que administra o Terminal de Contêineres de Paranaguá, recebeu, na última semana de janeiro, o navio MSC Bianca, primeiro porta-contêineres a operar com o novo calado operacional (profundidade entre a parte mais baixa do navio a linha d’água) do canal de acesso ao Porto de Paranaguá, de 13,30 metros.

Com 328 metros de comprimento (LOA), 48 metros de largura (boca) e capacidade para transportar mais de 11 mil TEUs (medida equivalente a um contêiner de 20 pés), a atracação do navio marca o início de uma nova etapa para o Terminal após a atualização dos parâmetros de profundidade.

Segundo Carolina Merkle Brown, gerente comercial de armadores da TCP, a operação do primeiro navio sob as novas dimensões traduz, na prática, os benefícios do avanço para clientes e armadores.

“Com o novo calado, os navios podem otimizar e aumentar o volume de embarque em desembarque em nosso porto, reduzindo limitações operacionais e aumentando a previsibilidade das operações. Na prática, isso se traduz em melhor utilização da capacidade das embarcações e ganhos reais de eficiência. O resultado é mais competitividade para os armadores, exportadores e importadores que utilizam o Terminal, com potencial para redução de custos logísticos e maior segurança no planejamento das cadeias de suprimento”, explica.

Desde 2024, o calado operacional do canal de acesso ao porto vem sendo ampliado de forma gradativa, e a revisão mais recente, homologada pela Portos do Paraná e aprovada pela Marinha do Brasil e pela Praticagem, permite ganhos de capacidade conforme a janela de maré e o porte das embarcações: para navios de até 300 metros de comprimento, o calado a maré zero passa de 12,80 para 13,00 metros, podendo chegar a 13,30 metros com 30 centímetros de maré positiva.

Já os navios de 336 a 366 metros mantêm o limite de 12,80 metros em maré zero, mas passam a operar com 13,10 metros com 30 centímetros de maré positiva e com o calado máximo de 13,30 metros quando a maré alcançar 50 centímetros. Considerando esse acréscimo nas condições em que o calado máximo é aplicado, estima-se que os navios porta-contêineres possam transportar aproximadamente 400 TEUs cheios adicionais por viagem, com impacto direto na eficiência logística e no volume movimentado pelo Terminal.

De acordo com Rafael Stein Santos, superintendente institucional e jurídico da TCP, “o aprofundamento do canal de acesso é um catalisador para a economia da região e do país, porque com o ganho de capacidade operacional todas as atividades econômicas que estão ligadas ao porto, de forma direta ou indireta, também crescem no mesmo ritmo. Os esforços empregados, especialmente pela Autoridade Portuária, para a melhoria de condição de acesso ao Porto são fundamentais para que a TCP se mantenha na vanguarda das operações portuárias no Brasil”.

Pioneira na operação de embarcações de grande porte, a TCP foi o primeiro terminal portuário do Brasil a receber navios de 366 metros de comprimento. Com os novos parâmetros de calado, essas embarcações passam a utilizar o Terminal com ainda mais eficiência e capacidade, reforçando a posição de Paranaguá como um hub estratégico para rotas de longo curso.

O Terminal de Contêineres de Paranaguá é o maior concentrador de linhas marítimas da costa brasileira, com 23 escalas fixas semanais entre operações de longo curso e cabotagem.

FONTE: TCP
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/TCP

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Transporte

Evergreen encomenda 23 navios porta-contêineres de médio porte com entregas entre 2028 e 2029

A Evergreen Marine confirmou a encomenda de 23 navios porta-contêineres de médio porte, com entregas previstas entre 2028 e 2029. O novo programa de construção será executado em estaleiros chineses e amplia a estratégia de crescimento e renovação da frota da armadora, segundo informações divulgadas pela Alphaliner.

Estaleiros chineses concentram o novo programa de construção

Os contratos foram distribuídos entre os estaleiros Yangzijiang Shipbuilding e CSSC Guangzhou Wenchong Shipyard. As encomendas serão formalizadas por meio da Evergreen Marine (Asia), subsidiária da companhia registrada em Singapura.

O plano contempla:

  • 7 navios de 5.900 TEUs, que serão construídos pela Yangzijiang Shipbuilding;
  • 16 navios de 3.100 TEUs, que ficarão a cargo do estaleiro Guangzhou Wenchong.

Com essa nova rodada de investimentos, a Evergreen passa a contar com uma carteira total de 53 navios encomendados, considerando pedidos anteriores.

Propulsão convencional com foco em flexibilidade futura

Apesar de optar por propulsão convencional, a Evergreen pretende que as novas embarcações sejam preparadas para adaptações futuras, possibilitando a conversão para combustíveis alternativos, como metanol ou gás natural liquefeito (GNL). A medida segue a tendência do setor marítimo de buscar maior flexibilidade diante das exigências ambientais e regulatórias.

As primeiras entregas estão previstas para meados de 2028, com conclusão do cronograma ao longo de 2029.

Valores variam conforme porte e especificações técnicas

De acordo com a armadora, os valores dos contratos variam conforme o tamanho e o nível de especificação de cada navio:

  • Entre US$ 67 milhões e US$ 82 milhões para as embarcações maiores;
  • Entre US$ 46 milhões e US$ 56 milhões para os navios de menor porte.

O custo final dependerá das soluções técnicas e dos equipamentos definidos para cada unidade.

Projetos consagrados no segmento de médio porte

O estaleiro Guangzhou Wenchong será responsável por uma variante do projeto “Wenchong Swan 3100”, modelo já conhecido pela Evergreen. Atualmente, a armadora opera 11 navios dessa classe, identificados internamente como “Classe Ever-V”.

Já a Yangzijiang Shipbuilding costuma trabalhar com projetos desenvolvidos pelo Instituto Chinês de Projeto e Pesquisa de Navios Mercantes (MARIC). Nesse segmento, o modelo “MARIC Hercules 6000” é frequentemente adotado, embora o projeto final das novas unidades ainda não tenha sido oficialmente confirmado.

Fonte: Mundo Marítimo (com informações da Alphaliner).

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: REPRODUÇÃO MUNDO MARÍTIMO

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Transporte

Ocean Alliance lança novo produto e redefine serviços marítimos globais a partir de 2026

A Ocean Alliance, formada por CMA CGM, Cosco Shipping, Evergreen e OOCL, anunciou o lançamento do “Ocean Alliance Day 10 Product”, nova configuração de serviços que entrará em vigor em 2026. A iniciativa consolida a estrutura operacional da aliança e foi apresentada durante a Convenção Portuária e de Transporte Marítimo da Ocean Alliance, realizada nos dias 20 e 21 de janeiro.

Rede contará com 41 serviços e quase 400 navios

Com o novo produto, a Ocean Alliance passará a operar 41 serviços nas principais rotas Leste-Oeste, utilizando um total de 394 navios porta-contêineres. Desse total, 130 embarcações pertencem à frota da CMA CGM. A capacidade combinada da aliança alcança 5,3 milhões de TEUs, reforçando sua posição entre as maiores redes marítimas do mundo.

Forte presença nas rotas Ásia–Europa

No comércio entre Ásia e Norte da Europa, a aliança oferecerá sete serviços, garantindo ampla cobertura portuária tanto na origem quanto no destino. Essa rota contará com 102 navios, sendo 30 da CMA CGM. Já entre a Ásia e o Mediterrâneo, serão quatro serviços, operados por 54 embarcações, incluindo 26 navios da CMA CGM.

Transpacífico concentra maior número de serviços

A rota transpacífica será atendida por 22 serviços, refletindo a relevância estratégica desse corredor. Oito deles conectarão a Ásia à costa leste dos Estados Unidos, com 100 navios em operação, enquanto 14 ligarão a Ásia à costa oeste dos EUA e do Canadá, com 99 embarcações. A CMA CGM participará com 41 navios na costa leste e 25 na costa oeste.

Oriente Médio e Atlântico Norte também fazem parte da malha

A malha operacional inclui ainda três serviços entre a Ásia e o Golfo Pérsico, com 21 navios, além de três serviços transatlânticos ligando o norte da Europa à costa leste dos Estados Unidos, operados por 18 embarcações.

Os serviços diretos entre a Ásia e o Mar Vermelho seguem suspensos por tempo indeterminado. Nessa rota, a movimentação de cargas continua sendo realizada pela CMA CGM por meio de um serviço independente, fora da estrutura da aliança.

Acordo da aliança segue válido até 2032

A apresentação do Ocean Alliance Day 10 Product integra o acordo em vigor entre CMA CGM, Cosco Shipping, Evergreen e OOCL, com validade mínima até 2032. Desde sua criação, em 2017, a aliança vem expandindo uma rede global que conecta a Ásia à Europa, ao Oriente Médio e às costas leste e oeste da América do Norte, com escalas diretas e tempos de trânsito otimizados.

Compromisso com descarbonização permanece

Paralelamente à nova oferta operacional, a CMA CGM reafirmou sua meta de atingir a neutralidade de carbono até 2050. A companhia informou que está se preparando para operar cerca de 200 navios porta-contêineres movidos a energias de baixa emissão até 2031, parte dos quais já integra a rede da Ocean Alliance.

FONTE: Mundo Marítimo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Logística

COSCO aposta em newcastlemax com capacidade para contêineres e amplia encomendas de navios porta-contêineres

A COSCO Shipping Bulk, braço de granéis secos do grupo chinês, está redefinindo os limites entre o transporte graneleiro e o liner shipping. A companhia encomendou uma série de newcastlemax capazes de transportar contêineres, movimento que reforça a flexibilidade de carga como ativo estratégico em um mercado cada vez mais volátil.

Paralelamente, a COSCO também confirmou uma grande rodada de encomendas de navios porta-contêineres, totalizando 18 novas embarcações, com investimento estimado em US$ 2,7 bilhões.

Detalhes do projeto dos newcastlemax multifuncionais

A construção de três graneleiros de 210 mil toneladas de porte bruto (dwt) ficará a cargo do estaleiro CSSC Qingdao Beihai Shipbuilding. As embarcações terão projeto preparado para metanol e amônia e capacidade para transportar contêineres, carga geral e granéis sólidos.

O design foi desenvolvido pelo Shanghai Merchant Ship Design and Research Institute (SDARI) e os navios serão classificados pela China Classification Society. Com cerca de 300 metros de comprimento e 50 metros de boca, os navios mantêm as dimensões típicas de um newcastlemax, mas incorporam a possibilidade de embarque de contêineres, algo inédito nesse segmento tradicionalmente dedicado apenas a granéis.

O contrato envolve, além da COSCO Shipping Bulk, o estaleiro CSSC Beihai Shipbuilding, a CSSC Trading e a Zheshang Financial Leasing, evidenciando o porte financeiro e estratégico do projeto.

Beihai reforça liderança no mercado global

O novo desenho representa uma evolução significativa da plataforma 210.000 dwt, considerada um dos principais produtos do estaleiro Beihai, que mantém posição dominante no mercado global de newcastlemax. Recentemente, o estaleiro também garantiu novos contratos com o Seacon Shipping Group, fortalecendo ainda mais sua liderança no segmento.

Estratégia da COSCO para modernizar a frota

Para a COSCO, o acordo faz parte de um plano mais amplo de expansão e modernização da frota de newcastlemax. O grupo também aparece como operador final de quatro novos navios de 210 mil dwt encomendados ao Dalian Shipbuilding Industry Co, marcando a segunda rodada de pedidos desse tipo em 2025.

No início do ano, a empresa já havia aprovado a construção de dez unidades semelhantes nos estaleiros COSCO Shipping Heavy Industry Zhoushan e CSSC Qingdao Beihai, com entregas previstas até o final de 2028.

Flexibilidade de carga ganha protagonismo

Embora a ideia de transportar contêineres em graneleiros já tenha sido vista como algo pontual, o conceito ganhou força durante a pandemia, quando os mercados de frete sofreram fortes distorções. Nesse período, contêineres passaram a ser embarcados em graneleiros, madeira foi transportada em newcastlemax, e até veículos ocuparam espaço em navios originalmente projetados para outras cargas.

Em 2022, a Star Bulk foi uma das primeiras armadoras de capesize a obter aprovação de classe para transporte de contêineres. Empresas como Swire Bulk também utilizaram navios de granéis secos para esse fim. A escassez de capacidade no transporte regular e os altos valores de afretamento estimularam soluções criativas — experiência que a COSCO agora incorpora diretamente em seus novos projetos de construção.

Histórico de inovação entre segmentos

Maior armador do mundo, a COSCO já tem histórico de misturar funções entre tipos de navios. Em 2022, por exemplo, a empresa passou a transportar automóveis em um navio pulp carrier, após desenvolver uma estrutura dobrável que permitia empilhar veículos em embarcações não convencionais para esse tipo de carga.

Mega encomenda de porta-contêineres e aposta em LNG

Além dos graneleiros, a COSCO confirmou a encomenda de 18 navios porta-contêineres, reforçando escala e opções de combustível alternativo em sua frota.

De acordo com registros regulatórios, foram encomendados:

  • 12 navios de 18.000 TEU, com propulsão dual-fuel LNG, no estaleiro Jiangnan Shipyard;
  • 6 navios de 3.000 TEU, com propulsão convencional, no COSCO Zhoushan Shipyard.

Os navios movidos a GNL (LNG) têm custo unitário de pouco menos de RMB 1,4 bilhão (cerca de US$ 200,7 milhões), totalizando RMB 16,8 bilhões. As entregas estão programadas para 2028 e 2029.

Este será o primeiro grande movimento da COSCO com LNG como combustível marítimo alternativo. Até então, o grupo vinha priorizando projetos preparados para metanol, além da propulsão tradicional.

Projeto consolidado e cronograma de entregas

Segundo a Alphaliner, os novos porta-contêineres de 18.000 TEU seguem um projeto próprio do estaleiro Jiangnan, que já possui 12 navios idênticos encomendados pela CMA CGM, parceira da COSCO na Ocean Alliance, também com entregas previstas para 2028 e 2029.

O estaleiro Jiangnan mantém uma longa relação com a COSCO, tendo entregue anteriormente navios de 5.100 TEU, 4.700 TEU e 21.000 TEU ao grupo.

Já os seis navios de 3.000 TEU construídos em Zhoushan terão preço unitário próximo de RMB 330 milhões (cerca de US$ 47,3 milhões) e devem ser entregues entre meados e o final de 2028.

FONTE: Splash 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Splash 247

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Comércio Exterior

Mercado de afretamento de contêineres tem em 2025 o melhor desempenho fora do boom pós-Covid

Mesmo diante de um ambiente marcado por instabilidade geopolítica, riscos regulatórios e volatilidade logística, o mercado de afretamento de navios porta-contêineres encerrou 2025 com um desempenho considerado excepcional. Análise da Alphaliner aponta que o ano foi o melhor fora do ciclo de expansão pós-Covid para os armadores não operadores (NOOs), evidenciando a capacidade do setor de absorver choques externos e manter elevados níveis de atividade.

Segundo a consultoria, o início do novo ciclo mantém o mesmo fôlego, embora o cenário siga cercado por incertezas que podem afetar a trajetória positiva do mercado.

Canal de Suez e Mar Vermelho concentram principal risco

O fator de maior atenção é um possível retorno em larga escala das rotas pelo Canal de Suez e Mar Vermelho, caso a segurança regional seja restabelecida. No curto prazo, ajustes operacionais e congestionamentos tendem a sustentar a demanda por capacidade. Porém, no médio e longo prazo, a redução das distâncias de navegação pode tornar parte significativa da frota excedente, pressionando o equilíbrio do mercado de afretamento.

Política comercial dos EUA adiciona volatilidade

Outro ponto de incerteza destacado pela Alphaliner é o ambiente político nos Estados Unidos. Permanecem dúvidas sobre tarifas de importação, sujeitas a revisões, além das taxas portuárias previstas na Seção 301 do USTR, ainda sem definição. A expectativa é de que o tema volte a gerar tensões ao fim do período de pausa regulatória, em novembro.

Conflitos globais ampliam riscos ao transporte marítimo

O relatório também chama atenção para o cenário geopolítico, que registra um número recorde de conflitos ativos ou latentes. Entre os focos de risco estão a guerra entre Rússia e Ucrânia, as tensões entre China e Taiwan, o aumento da atuação dos EUA na América Latina e a instabilidade persistente no Oriente Médio. Qualquer escalada nesses pontos pode provocar impactos relevantes no transporte marítimo de contêineres.

Volumes de carga podem surpreender positivamente

Apesar dos desafios, o panorama não é apenas negativo. Assim como ocorreu em 2024 e 2025, os volumes de carga podem superar expectativas. A Alphaliner destaca potencial de crescimento mais intenso nas rotas para África, subcontinente indiano e Ásia, além de desempenho consistente na América Latina, onde o comércio segue aquecido. Esse movimento ajuda a conter riscos de excesso de capacidade e sustenta as taxas de frete, que, após quedas ao longo de 2025, se recuperaram nas últimas semanas do ano.

Oferta de navios cresce menos em 2026

Do lado da oferta, a entrada de novos navios será mais moderada em 2026, com cerca de 1,5 milhão de TEUs, abaixo dos 2,2 milhões de TEUs registrados em 2025. Para novos operadores, esse cenário favorece o mercado, já que a escassez de capacidade disponível deve limitar uma eventual desaceleração. Ainda assim, a consultoria alerta que 2027 e 2028 tendem a ser mais desafiadores, com a chegada prevista de 3 milhões e 4,4 milhões de TEUs, respectivamente.

Navios de grande porte seguem altamente demandados

Entre os segmentos, os Very Large Container Ships (VLCS), com capacidade entre 7.500 e 13.000 TEUs, continuam registrando forte procura. As companhias de navegação têm buscado garantir capacidade com antecedência, inclusive por meio de contratos de longo prazo. Um exemplo citado é a extensão dos contratos dos navios ZIM Norfolk e ZIM Xiamen (9.115 TEUs) por 60 meses, a cerca de US$ 47 mil por dia, com início no terceiro trimestre de 2027.

Classic Panamax mantém atratividade no mercado

O segmento Classic Panamax (4.000 a 5.299 TEUs) também segue em expansão e figura entre os favoritos dos afretadores. A demanda permaneceu firme até o fim de 2025, com relatos de extensões contratuais para navios de 4.250 TEUs por 36 meses, a taxas entre US$ 30 mil por dia. Com baixa disponibilidade no curto prazo, a perspectiva permanece positiva para os NOOs, desde que o ritmo da demanda seja mantido.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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