Internacional

Acordo Mercosul-UE avança no Congresso e entra na pauta de comissão da Câmara

O acordo Mercosul-União Europeia deu o primeiro passo no Congresso Nacional e pode ser analisado nesta terça-feira (10) por uma comissão da Câmara dos Deputados. O tratado está na pauta do colegiado responsável por representar o Brasil no Parlamento do Mercosul (Parlasul).

A expectativa entre parlamentares é de uma votação sem grandes debates, abrindo caminho para que o texto avance às próximas etapas de tramitação. A apreciação em plenário, no entanto, deve ocorrer apenas após o Carnaval.

Relatório defende aprovação do tratado

O parecer em análise foi elaborado pelo deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), presidente da comissão, e recomenda que o Congresso aprove o acordo firmado entre os dois blocos econômicos. O posicionamento foi apresentado pelo parlamentar durante reunião com líderes partidários da Câmara, realizada na segunda-feira (9).

Segundo Chinaglia, os deputados não poderão alterar o conteúdo do tratado, já negociado entre o Mercosul e a União Europeia, cabendo ao Legislativo apenas aprovar ou rejeitar o texto. A votação pode ser adiada caso algum parlamentar apresente pedido de vista, o que ampliaria o prazo de análise.

Apoio político e do agronegócio

Nos bastidores do Congresso, a avaliação é de que a aprovação do acordo é provável. O tratado reúne apoio de parlamentares de diferentes correntes políticas e conta com respaldo expressivo do agronegócio, setor que vê no acordo uma oportunidade de ampliação de mercados.

Em entrevista, Arlindo Chinaglia afirmou que o tratado tende a impulsionar a economia brasileira ao ampliar as trocas comerciais e reduzir tarifas. Segundo ele, o acordo elimina 95% das tarifas sobre produtos importados pela União Europeia, o que pode resultar em mais investimentos e geração de empregos no país.

“O acordo garante acesso preferencial a um mercado de 450 milhões de consumidores e a um PIB superior a US$ 22 trilhões, o que significa mais exportações, mais investimentos e mais postos de trabalho no Brasil”, afirmou o deputado.

Tramitação e próximos passos

Após mais de 26 anos de negociações, o acordo Mercosul-UE foi oficialmente assinado em 17 de janeiro, durante cerimônia realizada em Assunção, no Paraguai. O tratado cria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo e reforça as relações comerciais entre a América do Sul e a Europa.

Para entrar em vigor, o documento precisa ser ratificado pelos parlamentos de todos os países do Mercosul. No Brasil, a tramitação começa pela Câmara dos Deputados e, posteriormente, segue para o Senado Federal.

Estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) estima que o acordo pode elevar o PIB brasileiro em 0,46% até 2040.

Principais pontos do acordo Mercosul-UE

Eliminação de tarifas alfandegárias

  • Redução gradual de tarifas sobre a maior parte de bens e serviços
  • Mercosul: tarifa zero para 91% dos produtos europeus em até 15 anos
  • União Europeia: eliminação de tarifas sobre 95% dos bens do Mercosul

Impacto imediato para a indústria

  • Tarifa zero para produtos industriais como máquinas e equipamentos

Acesso ampliado ao mercado europeu

  • Preferência para empresas do Mercosul
  • Mais previsibilidade e redução de barreiras técnicas

Compromissos ambientais obrigatórios

  • Produtos beneficiados não podem estar ligados a desmatamento ilegal
  • Possibilidade de suspensão do acordo em caso de descumprimento do Acordo de Paris

FONTE: R7
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ricardo Stuckert/PR

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Comércio Internacional

Acordo Mercosul-União Europeia: aprovação no Congresso brasileiro pode acelerar processo na Europa

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços afirmou nesta quinta-feira (22) que o governo brasileiro segue empenhado em garantir a rápida ratificação do acordo Mercosul-União Europeia pelo Congresso Nacional. Segundo ele, o avanço do processo legislativo no Brasil e nos demais países do bloco sul-americano pode influenciar positivamente a tramitação do tratado no continente europeu.

A declaração ocorre após o Parlamento Europeu decidir, por maioria simples, acionar a Justiça para questionar aspectos da tramitação legislativa do acordo, movimento que pode retardar sua aprovação e entrada em vigor na União Europeia.

Brasil busca dar exemplo na ratificação do acordo

Durante coletiva de imprensa, Alckmin destacou que o país pretende liderar pelo exemplo ao acelerar a análise do texto no Legislativo brasileiro. Ao lado do senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, o ministro reforçou que o governo trabalha para que o Senado avance rapidamente na ratificação.

“O Brasil deve ser o exemplo e buscar uma aprovação célere”, afirmou. Para Alckmin, embora o impasse europeu não esteja sob controle do governo brasileiro, a atuação interna pode contribuir para destravar o processo internacional.

Impasse europeu e expectativa de superação

O vice-presidente reconheceu que a decisão do Parlamento Europeu representa um obstáculo momentâneo, mas demonstrou otimismo quanto à superação do impasse. Segundo ele, o objetivo é criar condições para que a Comissão Europeia avance com mais agilidade na condução do acordo.

Alckmin ressaltou que o Brasil continuará colaborando institucionalmente para que o tratado avance, mesmo diante das dificuldades enfrentadas no cenário europeu.

Acordo é visto como estratégico em cenário global instável

Ao comentar o contexto internacional, o ministro classificou o acordo Mercosul-UE como estratégico em um momento marcado por instabilidade geopolítica e crescimento do protecionismo. Para ele, trata-se de uma iniciativa histórica por envolver dois grandes blocos econômicos e por reforçar o diálogo multilateral.

O acordo, segundo Alckmin, tem potencial para ampliar mercados, estimular investimentos recíprocos, fortalecer o multilateralismo e gerar avanços em sustentabilidade, além de aproximar sociedades dos dois continentes.

Congresso promete acelerar tramitação

Na mesma coletiva, o senador Nelsinho Trad afirmou que o Parlamento brasileiro está disposto a colaborar para dar celeridade ao processo. Ele destacou que há alinhamento também entre os países do Mercosul, como Argentina, Uruguai e Paraguai, no sentido de acelerar a tramitação legislativa.

De acordo com o senador, o ambiente político é favorável para que o acordo avance de forma mais rápida nos parlamentos do bloco sul-americano.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Cadu Gomes/VPR

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Internacional

Davos 2026: Brasil busca se posicionar como porto seguro para investimentos

O Fórum Econômico Mundial 2026, iniciado nesta segunda-feira (19) em Davos, na Suíça, reúne líderes globais sob o tema “A Spirit of Dialogue”. Em um ambiente marcado por tensões geopolíticas e incertezas econômicas, o Brasil chega ao encontro com a estratégia de reforçar uma imagem de previsibilidade e segurança para negócios, priorizando uma agenda técnica em vez de discursos políticos.

Agenda brasileira sem protagonismo presidencial

Diferentemente de outras edições, o país não conta com uma comitiva liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nem com a presença do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ou do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Ainda assim, o governo tenta utilizar o WEF como extensão de uma agenda construída ao longo dos últimos meses, centrada em três eixos considerados estratégicos: acesso a mercados, segurança institucional e infraestrutura digital do Estado.

Acordo Mercosul–UE reforça credenciais comerciais

O primeiro pilar da estratégia brasileira chega fortalecido a Davos com a assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, firmada na sexta-feira (17), após mais de 25 anos de negociações. O anúncio ocorre em um momento sensível, já que o próprio WEF aponta o confronto geoeconômico como um dos principais riscos globais de curto prazo, com comércio, tecnologia e finanças cada vez mais utilizados como instrumentos de disputa entre países.

Para o Brasil, o acordo funciona como um sinal concreto de abertura comercial e integração às cadeias globais, em um fórum onde investidores e governos reavaliam riscos e redesenham estratégias internacionais.

Previsibilidade institucional entra no centro do discurso

O segundo eixo apresentado pelo país é institucional. Em meio ao debate recorrente sobre a queda de confiança em governos, empresas e meios de comunicação — tema frequente em relatórios como o Edelman Trust Barometer —, o Brasil busca se afastar da imagem de instabilidade.

A mensagem levada a Davos é pragmática: o país pretende ser visto como um grande mercado com regras claras, segurança jurídica e contratos previsíveis, capazes de sustentar decisões de investimento de longo prazo em um cenário global cada vez mais seletivo.

Infraestrutura digital como ativo econômico

A terceira frente é a agenda digital, que explica a participação da ministra da Gestão e da Inovação, Esther Dweck. Ela integra uma programação paralela ligada à Colaboração Digital Global do WEF, iniciativa na qual o Brasil assumiu a presidência de um dos grupos estratégicos.

O foco está no fortalecimento da infraestrutura digital do Estado, incluindo sistemas de identidade, credenciais e serviços públicos digitais. Esse tema ganha relevância para o setor privado por impactar diretamente processos como abertura de empresas, compliance, contratações públicas e acesso a serviços, posicionando a eficiência administrativa como diferencial competitivo.

Crescimento e produtividade no debate regional

A participação brasileira também se dá por meio do debate sobre crescimento econômico e produtividade na América Latina. A ministra do Planejamento, Simone Tebet, participa da sessão “Breaking Latin America’s Growth Ceiling”, ao lado de lideranças como Ilan Goldfajn, presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), e Julio Velarde, presidente do Banco Central do Peru.

O pano de fundo das discussões regionais em Davos é o desafio de atrair investimentos e sustentar o crescimento em um mundo mais protecionista, fragmentado e cauteloso ao risco.

Mensagem final: foco em negócios

Em Davos 2026, o Brasil busca menos visibilidade política e mais credibilidade econômica. A estratégia é demonstrar, por meio de acordos, reformas e agendas técnicas, que o país está disposto a fazer negócios em um cenário internacional no qual a política voltou a influenciar diretamente o fluxo de comércio e investimentos.

FONTE: Times Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: World Economic Forum/Chris_Heeney

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Comércio Internacional

FIESC aponta acordo Mercosul-União Europeia como avanço estratégico para a indústria

A Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) avalia como um avanço estratégico a assinatura do Acordo Interino de Comércio entre o Mercosul e a União Europeia, formalizada neste sábado (17). Para a entidade, o acordo fortalece a inserção internacional do Brasil em um dos maiores mercados consumidores do mundo, com impacto positivo direto sobre a indústria catarinense.

Negociado ao longo de mais de 26 anos, o acordo envolve um universo de 720 milhões de consumidores, ampliando o potencial de acesso a mercados para produtos e serviços brasileiros.

União Europeia lidera destino das exportações catarinenses

Levantamento da FIESC mostra que, em 2025, a União Europeia superou a China e se tornou o principal destino das exportações de Santa Catarina. Em 2024, as vendas do estado ao bloco europeu somaram US$ 1,35 bilhão, alta de 10,66% em relação ao ano anterior, representando 11,1% das exportações catarinenses.

Diversificação reduz riscos comerciais

Para o presidente da FIESC, Gilberto Seleme, a assinatura ocorre em um momento oportuno, marcado por tensões geopolíticas e reconfiguração das cadeias globais de produção. Segundo ele, acordos comerciais desse porte contribuem para diversificar destinos de exportação e reduzir a exposição a mudanças abruptas no cenário internacional.

Seleme cita como exemplo impactos recentes de medidas protecionistas, como o tarifaço norte-americano, que reforçam a necessidade de ampliar parcerias comerciais.

Santa Catarina ganha protagonismo estratégico

Na avaliação da FIESC, o acordo tende a ampliar as parcerias econômicas e tecnológicas com o bloco europeu. Santa Catarina é apontada como um hub logístico e produtivo, com destaque para a infraestrutura portuária, o setor de serviços, o turismo e a integração física proporcionada pela localização geográfica.

Além do comércio, o entendimento pode estimular intercâmbio tecnológico e alianças estratégicas em setores industriais relevantes.

Acordo vai além do comércio

O Acordo de Parceria União Europeia-Mercosul é considerado o mais moderno já negociado pelo bloco sul-americano. O texto completo abrange áreas como defesa, tecnologia, direitos humanos, relações do trabalho, sustentabilidade e mudanças climáticas.

Diante da complexidade para aprovação integral, a União Europeia optou por priorizar a parte comercial, resultando no chamado Acordo Interino de Comércio.

Próximos passos para ratificação

Após a assinatura, o acordo interino seguirá para ratificação no Parlamento Europeu, por maioria simples. Nos países do Mercosul, o texto será submetido aos respectivos Congressos nacionais antes da aprovação final pelo Poder Executivo. Posteriormente, o acordo será incorporado ao Acordo de Parceria Mercosul-UE (EMPA), quando este for aprovado.

Impacto econômico e geração de empregos

Estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que, em 2024, a cada R$ 1 bilhão exportado do Brasil para a União Europeia, foram gerados 21,8 mil empregos, além da movimentação de R$ 441,7 milhões em massa salarial e R$ 3,2 bilhões em produção no país.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: FIESC

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Exportação

Exportações impulsionam economia de Santa Catarina e ampliam oportunidades com Mercosul-UE

Potência exportadora fortalece indústria catarinense
A força das exportações de Santa Catarina é um dos principais fatores que colocam o estado entre as economias mais dinâmicas do Brasil. Esse perfil internacionalizado tem ajudado empresas catarinenses a diversificar mercados externos, especialmente diante do aumento de tarifas dos Estados Unidos, e tende a ganhar novo impulso com o acordo Mercosul-União Europeia. Atualmente, Santa Catarina conta com 14 polos industriais com inserção internacional.

O destaque exportador é detalhado no estudo “Polos Industriais de Referência”, elaborado pelo Observatório Fiesc, da Federação das Indústrias de Santa Catarina, em parceria com a Rede de Observatórios do Sistema Indústria e a CNI. A pesquisa foi coordenada pelo economista Marcelo Albuquerque.

Setores industriais com presença global
Segundo o levantamento, os 14 polos catarinenses atuam no comércio exterior principalmente em sete segmentos industriais:
madeira e móveis, papel e celulose, máquinas e equipamentos, equipamentos elétricos, alimentos e bebidas, minerais não metálicos e veículos, embarcações e aeronaves.

O setor de madeira e móveis lidera em número de polos, com presença em cinco regiões do estado: Oeste, Norte, Vale do Itajaí, Serra e Sul. O estudo também aponta que os três estados da Região Sul possuem o mesmo número de polos internacionais (14 cada), ficando atrás apenas de São Paulo no ranking nacional.

Norte de SC lidera em polos internacionais
A mesorregião Norte de Santa Catarina concentra o maior número de polos com inserção internacional: são quatro, distribuídos entre os setores de madeira e móveis, papel e celulose, máquinas e equipamentos e equipamentos elétricos. Florianópolis aparece com dois polos: cerâmica de revestimento e embarcações náuticas.

No Vale do Itajaí, destacam-se os polos de embarcações e produtos de madeira. Já o Oeste catarinense reúne polos de alimentos e bebidas e madeira e móveis, enquanto o Sul concentra polos de cerâmica e produtos madeireiros. A Serra Catarinense se projeta com polos de madeira e móveis e papel e celulose.

Exportar fortalece empresas e regiões
Empresas inseridas no mercado internacional tendem a ganhar competitividade, ampliar a base de clientes e reduzir riscos ligados à sazonalidade. Além disso, a exportação estimula produtividade, inovação e geração de empregos, fortalecendo as economias regionais.

Desempenho do Norte catarinense na balança comercial
Com quatro polos internacionais, o Norte do estado apresenta os melhores resultados da balança comercial catarinense. A região abriga empresas de destaque global como WEG, Nidec, Tupy e Tigre. Em 2024, os polos da mesorregião exportaram US$ 4,97 bilhões.

Segundo o presidente da Fiesc, Gilberto Seleme, a região combina tradição industrial, diversidade produtiva e forte investimento em inovação e qualificação profissional, fatores que sustentam sua competitividade global.

Oeste, Serra e Sul: força regional nas exportações
Reconhecido como fornecedor global de proteína animal, o Oeste de Santa Catarina se destaca nas exportações de alimentos e bebidas, além de madeira e móveis. Em 2024, a região exportou US$ 1,45 bilhão, sendo US$ 638 milhões do polo de alimentos e bebidas e US$ 385,9 milhões de madeira e móveis.

A região abriga unidades de grandes grupos do setor, como BRF (Sadia e Perdigão), JBS (Seara) e Aurora Coop, referências no mercado internacional.

Na Serra Catarinense, os polos de base florestal somaram exportações expressivas em 2024: US$ 381,8 milhões em madeira e móveis e US$ 166,5 milhões em papel e celulose.

Já o Sul do estado se destaca pelos polos de cerâmica de revestimento e produtos de madeira, com exportações de US$ 105,9 milhões no setor cerâmico e US$ 54,3 milhões em madeira no último ano.

Florianópolis e Vale do Itajaí no comércio exterior
A região de Florianópolis mantém dois polos com atuação internacional — cerâmica de revestimento e indústria náutica — e exportou cerca de US$ 252,45 milhões em 2024.

O Vale do Itajaí também conta com dois polos internacionais: produtos de madeira e embarcações. No último ano, o setor madeireiro alcançou US$ 413,75 milhões em exportações, enquanto o segmento náutico somou US$ 26,23 milhões.

FONTE: NSC Total
TEXTO: Redação
IMAGEM: Patrick Rodrigues, NSC

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