Agronegócio

Brasil amplia exportações do agronegócio com novos mercados na Nova Zelândia e Turquia

O agronegócio brasileiro ganhou novos espaços no comércio internacional após a conclusão de negociações que liberaram a entrada de produtos do país na Nova Zelândia e na Turquia. As autorizações foram anunciadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária e reforçam a estratégia do governo de ampliar as exportações agropecuárias.

Nova Zelândia autoriza carne suína processada e bile ovina

O governo da Nova Zelândia aprovou a importação de carne suína termoprocessada e de bile ovina produzidas no Brasil.

A carne suína termoprocessada passa por tratamentos térmicos — como cozimento, esterilização ou fritura — que aumentam a segurança alimentar e prolongam o tempo de conservação. Esse tipo de produto costuma apresentar sabor mais marcante e geralmente é comercializado embalado em gordura.

Por se tratar de um item com maior valor agregado, a autorização representa uma nova oportunidade para as exportações brasileiras de carne suína em um mercado reconhecido pelo alto poder de compra.

Dados do comércio exterior mostram que, em 2025, as vendas de produtos agropecuários brasileiros para a Nova Zelândia alcançaram aproximadamente US$ 107 milhões.

Turquia libera entrada de mel e produtos apícolas

Outra conquista comercial envolve a Turquia, que autorizou a importação de mel brasileiro e de outros produtos apícolas. A abertura tende a fortalecer a presença do setor no mercado turco e ampliar as oportunidades para produtores e exportadores do país.

No ano de 2025, a Turquia comprou mais de US$ 3,2 bilhões em produtos agropecuários do Brasil. Entre os principais itens exportados estão soja em grãos, algodão e café.

Agronegócio brasileiro soma mais de 500 novas aberturas de mercado

Com as novas autorizações, o agronegócio do Brasil alcança a marca de 544 aberturas de mercado internacional desde o início de 2023, segundo dados do governo federal. O número reflete a estratégia de diversificação de destinos para os produtos agrícolas brasileiros, ampliando a presença do país no comércio global.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação Ministério da Agricultura

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Exportação

Mel gaúcho mira mercado europeu e aposta em acordo Mercosul–União Europeia

A apicultura gaúcha, uma das mais relevantes do Brasil ao lado da produção paranaense, acompanha com expectativa a possibilidade de ampliar sua presença no mercado da União Europeia. O interesse cresce após a assinatura do acordo comercial entre o bloco europeu e o Mercosul, que pode abrir novas oportunidades para o mel brasileiro em um cenário de mudanças no comércio internacional.

Exportações concentradas e impacto do mercado norte-americano

Atualmente, cerca de 60% da produção nacional de mel, estimada em aproximadamente 60 mil toneladas ao ano, é destinada à exportação. Os Estados Unidos seguem como principal destino, respondendo por 75% a 80% dos embarques. No entanto, a sobretaxa de 50% imposta ao mel brasileiro desde agosto do ano passado deve pressionar os resultados ao longo deste ano.

O mercado europeu absorve em torno de 15% das exportações, com destaque para a Alemanha e, fora da União Europeia, a Inglaterra. A expectativa do setor é que esse percentual cresça caso as exigências técnicas e sanitárias sejam atendidas.

Exigências sanitárias e resíduos no centro das negociações

Segundo Aroni Sattler, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e integrante da Comissão Técnica Científica da Federação Apícola do RS (Fargs), o principal desafio para acessar o mercado europeu está no controle de resíduos químicos.

De forma geral, defensivos utilizados nas lavouras não afetam diretamente as abelhas, mas podem deixar traços no mel. Esses níveis, embora aceitos pela legislação brasileira, nem sempre atendem aos padrões mais rigorosos da União Europeia, o que exige ajustes e maior controle de qualidade por parte dos produtores.

Barreiras comerciais e pressão de produtores europeus

Além dos critérios técnicos, o setor enfrenta entraves de natureza mercadológica. Conforme Sattler, quando o mel brasileiro ganha espaço na Europa e passa a competir com a produção local, surgem pressões por regras mais restritivas, muitas vezes justificadas por questões sanitárias.

Esse movimento, segundo ele, funciona como uma forma de barganha comercial, comum em mercados agrícolas altamente competitivos. Protestos recentes de agricultores franceses contra o acordo Mercosul–União Europeia ilustram esse tipo de reação à entrada de produtos mais competitivos.

Oportunidade aberta pela guerra no Leste Europeu

Um fator que pode favorecer o mel brasileiro é a redução da oferta da Ucrânia, tradicional fornecedora do mercado europeu, em razão do conflito com a Rússia. Esse espaço pode ser ocupado por países do Mercosul, desde que cumpram as exigências técnicas e consigam lidar com a resistência de produtores locais.

Produção, mercado interno e novos canais de consumo

Além da adaptação às normas europeias e da expectativa de revisão das tarifas norte-americanas, o setor aposta no aumento da produtividade apícola, com mais quilos de mel por colmeia ao ano. Isso permitiria atender tanto o mercado externo quanto o consumo interno, que absorve cerca de 40% da produção nacional.

Uma das apostas é a inclusão do mel na merenda escolar, o que ampliaria significativamente a demanda e daria maior estabilidade ao setor.

Apicultura presente em quase todo o Rio Grande do Sul

A atividade está distribuída por praticamente todos os municípios gaúchos, envolvendo desde agricultores familiares, para quem o mel representa renda complementar, até apicultores profissionais, com duas mil a três mil colmeias voltadas à exportação. Cada grupo responde por cerca de 50% da produção estadual, que em anos regulares varia entre 8 mil e 9 mil toneladas.

Após perdas provocadas pelo clima no ano passado, a expectativa para 2026 é de recuperação, impulsionada por boas condições na primavera e pela safra do mel de soja, especialmente nas regiões da Campanha, Missões e Planalto, além de perspectivas positivas nos Campos de Cima da Serra e na Metade Sul.

FONTE: Correio do Povo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Alberto Marsaro Júnioir / Embrapa Trigo / Divulgação / CP

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