Internacional

Rota Bioceânica: integração contra o crime organizado é desafio para liberar cargas

Com previsão de entrar em operação em 2028, a Rota Bioceânica deverá ampliar as conexões comerciais entre o Brasil e os países vizinhos, criando novas oportunidades para as exportações e para o agronegócio de Mato Grosso do Sul. Ao mesmo tempo, a abertura do corredor aumenta a preocupação dos órgãos de controle com a possibilidade de uso da nova ligação por organizações envolvidas no tráfico internacional.

Para a Receita Federal, o principal desafio será conciliar a agilidade necessária ao transporte de mercadorias com mecanismos capazes de impedir a entrada e a circulação de cargas ilícitas. A estratégia envolve maior integração entre instituições brasileiras e cooperação com os países que farão parte do corredor.

Integração entre órgãos é considerada essencial

O superintendente substituto da 1ª Região Fiscal da Receita Federal, Erivelto Alencar, defende que a integração entre os órgãos de segurança e fiscalização seja estabelecida também no nível estratégico das instituições.

Segundo ele, a Receita já firmou um protocolo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e o Ministério Público Federal (MPF), mas a experiência precisa ser ampliada nacionalmente.

“A gente precisa disso nacionalmente: integrar as instituições para que a diretriz venha de cima para baixo.”

A 1ª Região Fiscal da Receita Federal tem sede em Brasília e abrange Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins.

De acordo com Alencar, as equipes que atuam em alfândegas e rodovias já compartilham informações de inteligência e fiscalização para identificar cargas de drogas e contrabando. A avaliação, porém, é que a integração não pode depender apenas de iniciativas na ponta.

A proposta envolve uma atuação coordenada entre Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Receita Federal e Ministério Público Federal, com diretrizes definidas pelas instâncias superiores do governo.

Facções podem acompanhar novo fluxo comercial

A preocupação também está relacionada à capacidade de adaptação e ao poder financeiro das organizações criminosas.

Alencar afirma que facções como PCC e Comando Vermelho são monitoradas diante da criação do novo corredor. Ele ressalva, porém, que não há evidência concreta, até o momento, de ligação entre empresas interessadas em operar na Rota Bioceânica e o crime organizado.

A avaliação da Receita é preventiva. Com a alteração do fluxo de mercadorias, organizações que já atuam no tráfico internacional podem tentar utilizar a nova infraestrutura para transportar produtos ilícitos.

“Naturalmente o crime também vai se movimentar e, pela dinâmica, também vai tentar entrar com mercadorias ilícitas e principalmente entorpecente por Porto Murtinho. Nós temos essa preocupação.”

Cocaína não é a única fonte de renda

A cocaína continua sendo apontada como um dos principais produtos movimentados pelo tráfico, mas, segundo Alencar, as facções ampliaram o leque de atividades.

Além de entorpecentes, organizações criminosas passaram a atuar com produtos como eletrônicos, cigarros, medicamentos e produtos destinados ao emagrecimento.

Na avaliação do representante da Receita, o objetivo central dessas atividades é ampliar a capacidade financeira das organizações.

“O crime organizado está preocupado em manter o poder dele, de fato, mas o que eles querem é dinheiro.”

Poder financeiro cria vantagem para o crime

Outro obstáculo apontado pela Receita está na diferença de capacidade financeira entre o Estado e as organizações criminosas.

Alencar observa que uma organização pode adquirir rapidamente veículos e outros recursos necessários para transportar drogas, enquanto os órgãos públicos precisam seguir processos de licitação e depender da disponibilidade orçamentária.

Por isso, segundo ele, o enfrentamento ao crime organizado precisa envolver diferentes instituições. Uma atuação isolada não seria suficiente para combater grupos com elevada capacidade econômica.

Fiscalização deve combinar inteligência e gestão de risco

A estratégia da Receita Federal para a Rota Bioceânica combina fiscalização de fronteira, inteligência e investigação financeira.

A apreensão de uma carga ilegal é considerada apenas uma etapa do trabalho. As informações obtidas durante uma operação podem ajudar a identificar os responsáveis pelo transporte, chegar às organizações e alcançar seus líderes.

“Não adianta só desmantelar ali o atravessador, a pessoa que está transportando, mas sim os líderes das organizações criminosas que cometem diversos ilícitos.”

A Receita já conta com equipes especializadas em inteligência e investigação. Alencar cita como exemplo uma operação contra o contrabando de perfumes que começou com a apreensão de R$ 10 milhões em mercadorias e, a partir dos dados obtidos, permitiu identificar R$ 300 milhões em movimentações financeiras relacionadas a uma organização criminosa.

Sistemas aduaneiros devem antecipar informações

Para o início das operações da nova rota, a Receita aposta também na gestão de risco aduaneiro e no compartilhamento internacional de dados.

A proposta é receber informações sobre as cargas antes de sua chegada ao Brasil. Com esses dados, os sistemas podem identificar operações consideradas de maior risco e direcioná-las para fiscalização.

O sistema Sintia, utilizado para o intercâmbio internacional de informações, permitirá às aduanas acessar antecipadamente dados sobre mercadorias que circulam pelo Mercosul e pela Rota Bioceânica.

Na prática, uma carga que saia da China, passe pelo porto de Iquique, no Chile, e tenha o Brasil como destino poderá ser analisada antes de chegar ao território brasileiro. Dessa forma, a fiscalização poderá concentrar esforços nas operações que apresentarem sinais de risco, sem a necessidade de parar todos os veículos.

Segundo Alencar, mais de 99% dos operadores atuam de forma regular. Por isso, uma fiscalização seletiva é considerada necessária para evitar impactos desnecessários sobre o comércio internacional.

“Nós não temos como parar cem por cento das cargas.”

Integração entre países ainda é desigual

Um dos pontos de atenção é o nível de integração dos sistemas aduaneiros dos países envolvidos.

De acordo com Alencar, os sistemas da Receita Federal brasileira apresentam mais de 99% de integração com o Sintia. Paraguai e Chile, entretanto, ainda estão em um estágio inferior nesse processo.

Para a Receita, a eficiência da gestão de risco dependerá também da evolução dos sistemas dos demais países. A avaliação é que não basta o Brasil possuir mecanismos avançados de controle se os parceiros do corredor não adotarem estruturas semelhantes.

Centro de Controle de Fronteira é ponto de atenção

Além dos sistemas de informação, a estrutura física de fiscalização é considerada estratégica para o funcionamento da Rota Bioceânica.

O Centro Integrado de Controle de Fronteira, que deverá funcionar em território brasileiro com participação do Paraguai, ainda não começou a ser construído.

A estrutura é vista como um dos pontos importantes para integrar as ações de controle na fronteira e acompanhar o aumento esperado no fluxo de mercadorias.

Rota Bioceânica amplia desafios de segurança

A expectativa da Receita é que as organizações criminosas tentem explorar o novo corredor assim que o fluxo comercial estiver consolidado. Por isso, o controle não deverá se limitar à apreensão de cargas nas fronteiras.

A estratégia defendida envolve integração institucional, cooperação internacional, inteligência, gestão de risco e rastreamento financeiro. O objetivo é dificultar não apenas o transporte de mercadorias ilícitas, mas também a atuação das estruturas que financiam e coordenam essas operações.

Especialistas citados na discussão sobre segurança apontam que falhas de integração entre órgãos públicos e fragilidades na atuação estatal contribuíram para a expansão de organizações como PCC e Comando Vermelho. Esses grupos passaram a diversificar suas atividades e a movimentar recursos em setores da economia formal, inclusive no mercado financeiro.

FONTE: Campo Grande News
TEXTO: Redação
IMAGEM:  Toninho Ruiz

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Informação

Operação Perfume de Mulher investiga esquema de descaminho de perfumes e lavagem de dinheiro

A Receita Federal, o Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) deflagraram nesta terça-feira (22) a Operação Perfume de Mulher, que apura a atuação de uma suposta organização criminosa envolvida com descaminho de perfumes, evasão de divisas e lavagem de capitais.

A investigação alcança operações realizadas nos estados de Mato Grosso do Sul, São Paulo e Pernambuco. Segundo os órgãos, o grupo seria responsável pela entrada irregular de perfumes importados no Brasil e pela posterior distribuição dos produtos para diferentes regiões do país.

Investigação aponta mais de 20 apreensões

As apurações começaram a partir do trabalho conjunto dos órgãos de fiscalização e investigação. Entre 2024 e 2026, foram identificadas mais de 20 apreensões relacionadas ao grupo investigado.

Uma das principais ações ocorreu em outubro de 2025, quando foram retidos aproximadamente R$ 10 milhões em perfumes importados irregularmente.

O mercado clandestino de perfumes estrangeiros provoca impactos na arrecadação de impostos, na concorrência com empresas regulares e na economia formal. De acordo com os investigadores, esses produtos estão entre as mercadorias de maior valor agregado comercializadas ilegalmente no país.

Perfumes entravam pelo Paraguai

Segundo os elementos reunidos durante a investigação, os produtos, principalmente perfumes árabes, eram introduzidos clandestinamente no território brasileiro pela região de fronteira de Ponta Porã (MS).

Depois de ingressarem no país, as mercadorias eram encaminhadas para depósitos clandestinos. Inicialmente, parte dos produtos era armazenada em Campo Grande. Posteriormente, a estrutura teria sido ampliada para centros de distribuição localizados em São Paulo e Pernambuco.

A partir desses pontos, os perfumes eram enviados para consumidores de diferentes estados brasileiros.

Vendas usavam redes sociais e marketplaces

As investigações apontam que a comercialização ocorria principalmente pela internet, utilizando redes sociais, marketplaces e plataformas de comércio eletrônico.

O grupo também teria recorrido a influenciadores digitais para ampliar a divulgação dos produtos. Em um dos sites associados à estrutura investigada, a empresa se apresentava como uma das principais referências em perfumaria árabe no Brasil e afirmava contar com diversas revendas espalhadas pelo país.

Investigação aponta uso de empresas e documentos falsos

Para dar aparência regular às operações, os investigadores identificaram indícios de utilização de notas fiscais inidôneas, declarações de conteúdo falsas e diferentes pessoas jurídicas.

Também foram encontrados elementos que apontam para possíveis práticas de lavagem de dinheiro, incluindo empresas de fachada, uso de terceiros para movimentações e ocultação de patrimônio.

As análises ainda identificaram transações financeiras incompatíveis com a capacidade econômica atribuída aos investigados. Segundo os órgãos envolvidos, parte das operações com fornecedores estrangeiros teria utilizado criptoativos.

Movimentação financeira supera R$ 300 milhões

As análises financeiras realizadas durante a investigação apontaram movimentações superiores a R$ 300 milhões em contas bancárias relacionadas aos investigados.

O volume financeiro identificado, segundo as autoridades, demonstra a dimensão econômica atribuída ao esquema sob investigação.

Operação cumpre 16 mandados de busca e apreensão

Por determinação da 3ª Vara Federal de Campo Grande, as equipes cumprem 16 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Pernambuco.

A decisão judicial também autorizou a apreensão de bens relacionados aos investigados até o limite de R$ 100 milhões, incluindo ativos em criptomoedas.

Além das medidas patrimoniais, foi determinada a prisão da pessoa apontada pela investigação como responsável pela coordenação das atividades do grupo.

Mais de 100 agentes participam da operação

A força-tarefa reúne 130 integrantes dos órgãos envolvidos. A Receita Federal participa com 50 auditores-fiscais e analistas tributários. O Ministério Público Federal mobilizou outros 50 integrantes, enquanto o Ministério Público de Mato Grosso do Sul participa com 30.

Segundo os órgãos, esta é a primeira operação realizada em Mato Grosso do Sul com a participação simultânea da Receita Federal, GAECO-MPF e GAECO-MPE/MS.

A investigação busca esclarecer a extensão da estrutura, identificar os responsáveis pelas diferentes etapas do esquema e avançar sobre o patrimônio supostamente obtido por meio das atividades investigadas.

FONTE: Receita Federal
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Receita Federal

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Logística

Hidrovia do Paraguai impulsiona logística e integra cinco países da América do Sul

A Hidrovia do Paraguai é um dos mais importantes corredores de transporte hidroviário da América do Sul, desempenhando papel estratégico na movimentação de cargas entre Brasil, Bolívia, Paraguai, Argentina e Uruguai. Com 3.442 quilômetros de extensão navegável, a via conecta regiões produtoras aos mercados da Bacia do Prata e ao comércio internacional, fortalecendo a integração logística do continente.

Corredor reduz custos e fortalece exportações brasileiras

No Brasil, a hidrovia é administrada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e tem importância significativa para o escoamento de grãos, minérios, combustíveis e outras mercadorias produzidas principalmente na região Centro-Oeste.

O transporte aquaviário é apontado como uma alternativa mais eficiente do ponto de vista logístico, pois reduz os custos de frete, aumenta a competitividade das exportações e diminui o fluxo de caminhões nas rodovias. Um único comboio de barcaças, por exemplo, consegue transportar uma carga equivalente à de centenas de veículos de transporte rodoviário.

Trecho brasileiro atende Mato Grosso e Mato Grosso do Sul

A parte brasileira da Hidrovia do Rio Paraguai (HN-950) possui 1.272 quilômetros de extensão, ligando o município de Cáceres (MT) à confluência com o rio Apa, em Mato Grosso do Sul.

Nesse percurso, o corredor faz divisa com o Paraguai por aproximadamente 330 quilômetros e com a Bolívia por cerca de 48 quilômetros. Sua área de influência abrange 20 municípios dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, reunindo uma população estimada em 1,17 milhão de habitantes.

Entre os principais municípios beneficiados estão Cuiabá, Cáceres e Poconé, em Mato Grosso, além de Corumbá, Ladário, Miranda, Aquidauana e Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul.

Capacidade de transporte varia conforme o trecho

As condições de navegação mudam ao longo da hidrovia. No chamado Tramo Sul, entre a foz do rio Apa e Corumbá (MS), circulam grandes comboios comerciais com capacidade para transportar até 24 mil toneladas de carga em uma única viagem.

Já no Tramo Norte, entre Corumbá e Cáceres, a navegação ocorre com embarcações de menor porte devido às características do rio, como trechos assoreados, maior quantidade de ilhas fluviais e curvas acentuadas.

Atualmente, a hidrovia movimenta aproximadamente 10 milhões de toneladas de cargas por ano, tendo como principais produtos transportados minério de ferro, manganês, soja, combustíveis e outros insumos essenciais para a economia regional.

Via é estratégica para países sem saída para o mar

Além da importância para o Brasil, a Hidrovia do Paraguai representa uma rota fundamental para Paraguai e Bolívia, países que não possuem acesso direto ao oceano. O corredor garante uma alternativa eficiente para operações de exportação e importação, ampliando a conexão desses mercados com o comércio internacional.

No território brasileiro, a hidrovia também está integrada a projetos de infraestrutura, como a futura Rota Bioceânica, que deverá ampliar as opções de transporte e fortalecer a competitividade da região Centro-Oeste.

Brasil, Paraguai e Bolívia discutem modelo de gestão conjunta

Por se tratar de uma hidrovia internacional, sua operação depende da cooperação entre os países que compartilham suas águas. Nesse contexto, Brasil, Paraguai e Bolívia negociam um acordo para implantar um modelo de governança compartilhada no trecho compreendido entre Corumbá (MS) e a foz do rio Apa.

A proposta prevê a padronização de serviços essenciais para a navegação, incluindo balizamento, sinalização náutica, monitoramento hidrológico, comunicação operacional e manutenção das condições de navegabilidade.

O plano também contempla a adoção de tecnologias para acompanhar o tráfego de embarcações e monitorar aspectos ambientais, com o objetivo de aumentar a segurança, a eficiência das operações e a previsibilidade logística no corredor hidroviário.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: AESCOM/MPor

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Portos

Porto de minério em MS receberá investimento bilionário para dobrar capacidade operacional

O maior terminal de movimentação de minério de Mato Grosso do Sul está prestes a passar por uma ampla transformação. A LHG Mining, empresa controlada pela holding dos empresários Wesley e Joesley Batista, apresentou um projeto para ampliar a estrutura do Porto Gregório Curvo, localizado às margens do Rio Paraguai, em Corumbá.

A proposta prevê elevar a capacidade estática de armazenamento de minério das atuais 700 mil toneladas para 1,5 milhão de toneladas. Além disso, a empresa pretende ampliar significativamente a capacidade de embarque, alcançando até 15 milhões de toneladas anuais de minério de ferro e manganês.

Para que a expansão seja executada, o empreendimento ainda depende de licenciamento e autorizações ambientais.

Investimento supera R$ 1,9 bilhão

O projeto foi orçado em aproximadamente R$ 1,91 bilhão e figura entre os maiores investimentos previstos para Mato Grosso do Sul nos próximos anos.

A iniciativa será debatida em audiência pública marcada para Corumbá, etapa necessária dentro do processo de licenciamento ambiental.

Atualmente, o porto opera com licença emitida pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) e está localizado no distrito de Porto Esperança, a cerca de 90 quilômetros da área urbana de Corumbá.

Estrutura contará com ferrovia, pátios e novo sistema de embarque

A expansão contempla uma série de obras de infraestrutura voltadas à modernização da logística mineral da região.

Entre os investimentos previstos estão:

  • Implantação de estrutura ferroviária;
  • Construção de sistema de virador de vagões;
  • Instalação de transportadores de correia;
  • Ampliação do pátio de estocagem de minério;
  • Construção de um novo píer de embarque;
  • Sistemas de controle ambiental para redução de poeira.

Segundo o projeto, os vagões carregados chegarão ao terminal por ferrovia e serão descarregados automaticamente por meio de equipamentos específicos. O minério seguirá para áreas de armazenamento compostas por sete grandes pilhas, atendidas por 22 transportadores de correia.

Transporte fluvial foi escolhido por emitir menos gases

De acordo com estudos apresentados pela mineradora, a opção pelo transporte hidroviário foi definida após análises comparativas entre os modais rodoviário, ferroviário e fluvial.

O relatório aponta que as barcaças apresentam menor emissão de gases de efeito estufa quando comparadas aos demais sistemas de transporte de carga.

A estratégia reforça o papel da Hidrovia do Paraguai como corredor logístico para o escoamento da produção mineral do Centro-Oeste brasileiro.

Obras podem gerar mais de 1,6 mil empregos

A empresa estima que cerca de 1.642 trabalhadores sejam empregados diretamente durante as etapas de implantação do projeto.

As vagas deverão ser distribuídas entre atividades de terraplanagem, construção civil, montagem eletromecânica, gerenciamento operacional e comissionamento dos sistemas.

O cronograma prevê que as obras ocorram entre 2026 e 2029, com início das operações ampliadas previsto para o ano de 2029.

Intervenções exigirão alterações em áreas do Pantanal

A ampliação do terminal também envolve impactos ambientais que estão sendo analisados pelos órgãos competentes.

Entre as intervenções previstas estão a remoção de vegetação em uma área de 66,5 hectares, movimentação de grandes volumes de terra e construção de uma ponte para interligar diferentes setores do empreendimento separados por um corixo — curso d’água típico do Pantanal.

Somente para a construção da estrutura ferroviária, o volume estimado de aterro supera 1,5 milhão de metros cúbicos de terra, equivalente à carga de mais de 107 mil caminhões.

Projeto prevê medidas para reduzir impactos ambientais

O estudo ambiental reconhece que a ampliação poderá provocar aumento temporário na emissão de poeira e gases provenientes de máquinas e veículos utilizados durante as obras.

Por outro lado, a empresa argumenta que a substituição gradual do transporte rodoviário pelo ferroviário poderá reduzir a concentração de partículas na região de Porto Esperança.

O projeto também prevê sistemas de aspersão de água para controle de poeira nas áreas de armazenamento de minério.

Dragagem do Rio Paraguai integra planejamento da expansão

Outro ponto previsto no projeto é a realização de intervenções na calha do Rio Paraguai, incluindo operações de dragagem para garantir melhores condições de navegação.

A medida dialoga com as discussões sobre a futura concessão da Hidrovia do Paraguai, prevista pelo governo federal para os próximos anos, e considerada estratégica para o desenvolvimento logístico do Centro-Oeste.

Caso receba todas as licenças necessárias, a expansão poderá transformar o Porto Gregório Curvo em um dos principais polos de exportação mineral do país.

FONTE: Correio do Estado
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Correio do Estado

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Informação

Aneel aprova 900 MW em energia solar e suspende operação de hidrelétrica em MG

A Agência Nacional de Energia Elétrica avançou com novos projetos de energia solar no Brasil ao registrar pedidos de outorga que somam 900 MW de capacidade instalada na Bahia. Ao mesmo tempo, a agência autorizou a suspensão parcial das operações de uma hidrelétrica em Minas Gerais após problemas estruturais identificados pela empresa responsável.

Além disso, a autarquia também liberou testes operacionais de usinas fotovoltaicas em Mato Grosso do Sul.

Bahia terá novos projetos de energia solar

A Aneel registrou os Documentos de Requerimento de Outorga (DRO) das usinas solares Oliveira dos Brejinhos I a XVIII, localizadas no município de Oliveira dos Brejinhos, na Bahia.

Os empreendimentos, que totalizam 900 MW de potência, estão sob responsabilidade da DMA Gestão Empresarial.

Os DROs representam uma etapa anterior à concessão definitiva da outorga e permitem que os empreendedores avancem em processos como licenciamento ambiental e solicitação de acesso ao sistema elétrico junto ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

A iniciativa reforça o avanço da geração de energia solar no Nordeste, região que concentra alguns dos maiores investimentos em fontes renováveis do país.

Hidrelétrica em Minas Gerais tem operação suspensa

A Aneel também aprovou o pedido da DME Energética para suspender temporariamente a operação comercial das unidades geradoras 01 e 04 da UHE Pedro Affonso Junqueira (Antas I), em Poços de Caldas (MG).

As duas unidades somam 2,82 MW de capacidade instalada.

Segundo a empresa, a UG01 apresentou um elevado nível de corrosão em parte do conduto forçado localizado entre a válvula gaveta e a entrada da turbina. A situação gerou risco de vazamento e até possibilidade de inundação da casa de máquinas.

Obras devem durar até oito meses

Como solução, a companhia fará a substituição completa do trecho comprometido, incluindo demolição da estrutura de ancoragem existente e instalação de um novo conduto.

A previsão é que os trabalhos sejam concluídos em aproximadamente oito meses, considerando etapas técnicas, licitação e execução das obras.

Já a UG04 está fora de operação desde abril devido a uma falha no regulador de velocidade. A empresa informou que será necessário desenvolver um novo projeto e fabricar outro equipamento, já que o modelo atual é antigo e não possui mais condições de reparo pelo fabricante.

Usinas solares iniciam testes em Mato Grosso do Sul

A Casa dos Ventos recebeu autorização da Aneel para iniciar os testes das unidades geradoras das UFVs Fótons de São George 02 e 04, em Campo Grande (MS).

As estruturas somam 156,4 MW de capacidade instalada e fazem parte do Complexo Rio Brilhante, projeto que deverá atingir cerca de 491 MW quando estiver totalmente concluído.

Na semana passada, a empresa já havia obtido autorização para testar outras unidades das UFVs Fótons de São George 01, 03 e 05, acrescentando mais 234,6 MW ao complexo.

A previsão é que as obras sejam finalizadas até setembro de 2026, fortalecendo a expansão da energia renovável e da energia fotovoltaica no país.

FONTE: MegaWhat
TEXTO: Redação
IMAGEM: Tauan Alencar (MME)

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Exportação

Exportações de soja de MS ultrapassam 1 milhão de toneladas e crescem 59% em abril

O Mato Grosso do Sul registrou forte avanço nas exportações de soja em abril de 2026. De acordo com levantamento da Aprosoja MS, com dados da SECEX, o Estado embarcou 1,031 milhão de toneladas do grão no período, resultado 59% superior ao registrado no mesmo mês de 2025.

O crescimento acompanha o bom desempenho da safra e a manutenção da forte demanda internacional pela soja brasileira, especialmente por parte do mercado asiático.

Receita com exportações supera US$ 434 milhões

Além do aumento no volume exportado, a receita gerada pelas vendas externas também apresentou forte expansão. Em abril, o faturamento alcançou US$ 434 milhões, avanço de 73% em relação ao mesmo período do ano passado.

A China permaneceu como principal destino da produção sul-mato-grossense, concentrando 84,3% das compras realizadas no mês. Na sequência aparecem Paquistão e Irã entre os maiores importadores da soja produzida no Estado.

Segundo o boletim econômico da Aprosoja, o desempenho de Mato Grosso do Sul ficou acima da média nacional, que teve crescimento de 9% nas exportações de soja no mesmo intervalo.

Mercado asiático impulsiona vendas externas

Para o analista econômico da Aprosoja, Linneu Borges Filho, o cenário internacional segue favorecendo os embarques brasileiros, principalmente devido à demanda aquecida dos países asiáticos.

Segundo ele, mesmo diante das oscilações cambiais, o consumo global da commodity continua elevado, mantendo o ritmo forte das exportações.

Exportações de milho recuam durante entressafra

Enquanto a soja apresentou desempenho positivo, o milho teve retração nas exportações em razão do período de entressafra. Em abril, Mato Grosso do Sul embarcou cerca de 6,5 mil toneladas do cereal, queda de 60% em comparação com março de 2026.

O Egito respondeu por aproximadamente 92% das compras do milho exportado pelo Estado no período.

Cenário internacional exige atenção do setor

Apesar dos números positivos, especialistas alertam para possíveis desafios nos próximos meses. Entre os fatores de preocupação estão as incertezas climáticas e as tensões geopolíticas, que podem elevar custos logísticos e impactar o comércio internacional de grãos.

O setor produtivo acompanha o cenário com cautela, especialmente diante das mudanças no mercado global de commodities agrícolas.

FONTE: Campo Grande News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Aprosoja

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Exportação

Exportações de Mato Grosso do Sul crescem 6,26% e superávit supera US$ 2,7 bilhões

As exportações de Mato Grosso do Sul mantiveram trajetória de crescimento em 2026 e impulsionaram o desempenho da balança comercial estadual no primeiro quadrimestre do ano. Dados divulgados na Carta de Conjuntura do Setor Externo de maio, elaborada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), mostram avanço tanto em valor quanto em volume exportado.

Entre janeiro e abril, o estado somou US$ 3,61 bilhões em vendas internacionais, resultado 6,26% superior ao registrado no mesmo período de 2025.

Superávit comercial avança quase 8%

As importações sul-mato-grossenses totalizaram US$ 893,11 milhões nos quatro primeiros meses do ano, crescimento de 1,51% na comparação anual.

Com isso, o saldo positivo da balança comercial chegou a US$ 2,72 bilhões, alta de 7,91% frente ao mesmo intervalo do ano passado.

Além do aumento financeiro, o estado também registrou expansão significativa no volume embarcado. Mato Grosso do Sul exportou 9,67 milhões de toneladas no período, avanço de 16,61% em relação a 2025.

Soja, celulose e carne bovina lideram exportações

O desempenho das exportações continua sendo puxado pelo agronegócio e pela indústria de transformação.

A soja permanece como principal produto da pauta exportadora, representando 32,01% das vendas externas do estado. Em seguida aparecem a celulose, com participação de 26,02%, e a carne bovina, responsável por 19,02% das exportações.

China segue como principal destino das vendas externas

A China continua liderando entre os mercados compradores dos produtos sul-mato-grossenses, concentrando 48,29% das exportações estaduais.

Na sequência aparecem os Estados Unidos, com 8% de participação, e os Países Baixos, responsáveis por 4,23% das vendas internacionais.

Três Lagoas lidera ranking dos municípios exportadores

Entre as cidades de Mato Grosso do Sul, Três Lagoas aparece na liderança das exportações, respondendo por 17,84% do total comercializado.

Na sequência estão Ribas do Rio Pardo, com 11,62%, Dourados, com 10,65%, e Campo Grande, com 7,59%.

Agropecuária e indústria mantêm desempenho positivo

O levantamento aponta crescimento expressivo da agropecuária, com alta de 28,59% nos preços e avanço de 25,16% no volume exportado.

Já a indústria de transformação registrou aumento de 1,15% nos preços e crescimento de 0,68% no volume comercializado no mercado externo.

Portos de Paranaguá e Santos concentram embarques

Na logística de exportação, o Porto de Paranaguá concentrou 40,36% das mercadorias exportadas pelo estado.

O Porto de Santos aparece em seguida, respondendo por 37,62% da movimentação de cargas internacionais de Mato Grosso do Sul.

Governo destaca ambiente favorável aos investimentos

O secretário da Semadesc, Artur Falcette, afirmou que os resultados refletem os investimentos realizados nos últimos anos em infraestrutura, logística e competitividade econômica.

Segundo ele, o estado vem ampliando sua capacidade industrial, agregando valor à produção e diversificando mercados internacionais, fatores que têm fortalecido a agroindústria e impulsionado novas oportunidades econômicas em diferentes regiões.

FONTE: Agência de Notícias
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agência de Notícias

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Logística

Rota Bioceânica avança com ponte quase concluída, mas enfrenta desafios alfandegários e regulatórios

As obras da Rota Bioceânica seguem em ritmo acelerado, especialmente no trecho que conecta Brasil e Paraguai pela futura ponte sobre o Rio Paraguai. No entanto, especialistas e autoridades alertam que a infraestrutura física, por si só, não garantirá o funcionamento imediato do corredor logístico internacional.

Questões ligadas à alfândega, harmonização de regras e integração entre os países envolvidos ainda representam obstáculos para a operação plena do chamado Corredor Rodoviário de Capricórnio.

Entraves regulatórios podem atrasar operação da rota

De acordo com o secretário da Semadesc de Mato Grosso do Sul, Artur Falcette, a previsão é de que a ponte internacional seja concluída no segundo semestre de 2026. Mesmo assim, o funcionamento eficiente da rota dependerá de acordos institucionais entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.

Segundo ele, além das obras estruturais, os países precisarão alinhar procedimentos de fiscalização, controle migratório e legislação aduaneira para garantir segurança jurídica e previsibilidade no transporte internacional de cargas.

O entendimento entre os governos é que ainda existe um amplo trabalho diplomático e técnico em andamento para padronizar normas operacionais e tornar o corredor competitivo no comércio exterior.

Infraestrutura pronta não garante operação imediata

Relatórios discutidos entre os países envolvidos apontam que o sucesso da Rota Bioceânica dependerá da capacidade de integração entre os sistemas alfandegários e operacionais.

O documento destaca que não basta concluir estradas, acessos e pontes. Será necessário criar mecanismos permanentes de coordenação entre os países, além de procedimentos unificados para reduzir burocracias e aumentar a eficiência logística.

Outro ponto levantado é a necessidade de profissionalização das operações de fronteira, com foco na agilidade do fluxo de cargas e redução de custos para exportadores e importadores.

Setor privado cobra maior participação nas decisões

Empresas de transporte, exportadores e operadores logísticos também demonstram preocupação com a baixa participação do setor privado nas decisões estratégicas do corredor internacional.

Apesar de serem os principais usuários da futura rota comercial, representantes empresariais afirmam que ainda possuem pouca influência na definição de procedimentos operacionais, obras alfandegárias e estrutura das Áreas de Controle Integrado (ACIs).

Estudos coordenados pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) indicam que essa ausência pode gerar soluções desconectadas da realidade operacional enfrentada diariamente nas fronteiras.

Ponte da Rota Bioceânica chega a 90% de execução

O trecho considerado mais avançado da megaobra é a Ponte Internacional da Rota Bioceânica, ligando Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, à cidade paraguaia de Carmelo Peralta.

A estrutura estaiada sobre o Rio Paraguai possui 1.294 metros de extensão e já se aproxima de 90% de execução. A expectativa é de que a parte estrutural seja concluída até o fim de maio, conforme os cenários mais otimistas.

Ao todo, a Rota Bioceânica terá mais de 2,4 mil quilômetros, conectando os oceanos Atlântico e Pacífico por meio de territórios brasileiros, paraguaios, argentinos e chilenos.

Corredor pode reduzir custos logísticos e tempo de transporte

A expectativa dos países envolvidos é transformar o corredor em uma alternativa estratégica para o comércio entre a América do Sul e a Ásia.

Projeções indicam que a nova rota poderá reduzir em até 30% os custos logísticos e diminuir em até 15 dias o tempo de transporte de mercadorias, em comparação com rotas tradicionais, como o Canal do Panamá.

O projeto também é visto como uma oportunidade para atrair novos investimentos privados e ampliar a competitividade das exportações brasileiras.

Mato Grosso do Sul aposta em diversificação econômica

Mesmo sem previsão de novos investimentos estaduais diretamente ligados à operação da rota, o governo de Mato Grosso do Sul acompanha o interesse crescente de empresas na utilização do corredor.

Segundo a Semadesc, setores como citricultura, produção de amendoim e indústrias de base tecnológica estão entre as prioridades para ampliar a matriz econômica da região.

A avaliação é que a consolidação da Rota Bioceânica poderá estimular novos negócios e fortalecer o desenvolvimento econômico do Estado nos próximos anos.

Gargalos nas fronteiras ainda preocupam

O estudo sobre facilitação do comércio realizado em 2025 também identificou fragilidades nas Áreas de Controle Integrado entre os países envolvidos.

Atualmente, apenas os trechos de fronteira entre Argentina e Chile estão habilitados para o transporte internacional de cargas. Mesmo nesses pontos, o relatório aponta necessidade de melhorias estruturais e operacionais.

Já os segmentos entre Brasil e Paraguai e entre Paraguai e Argentina ainda não operam oficialmente para o fluxo internacional de mercadorias.

Outro ponto considerado sensível é a futura alfândega entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta. Apesar da aprovação da construção da ACI pelo Dnit, especialistas alertam que ainda não houve consulta técnica formal ao setor privado sobre o funcionamento do espaço.

Governança será decisiva para o sucesso do corredor

Especialistas envolvidos no projeto defendem a criação de uma governança técnico-operacional exclusiva para a Rota Bioceânica.

A proposta prevê sistemas compartilhados de informação, integração entre órgãos públicos e regras harmonizadas entre os países participantes para garantir operações mais rápidas, transparentes e seguras.

O desafio se torna ainda maior pelo fato de o Chile não integrar o Mercosul, diferentemente de Brasil, Argentina e Paraguai. Isso aumenta a complexidade institucional e exige novos mecanismos de cooperação internacional.

O estudo apoiado pelo BID reuniu representantes do setor público, empresas e associações empresariais em dezenas de encontros presenciais e virtuais. Ao todo, foram identificadas mais de 230 oportunidades de melhoria e elaboradas mais de 260 propostas para aprimorar o funcionamento do corredor.

FONTE: Campo Grande News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Toninho Ruiz

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Logística

Rota Bioceânica avança com ponte quase pronta, mas entraves alfandegários preocupam setor logístico

A construção da chamada Rota Bioceânica segue avançando em Mato Grosso do Sul, mas desafios regulatórios e alfandegários ainda ameaçam atrasar a operação completa do corredor logístico internacional. A avaliação é do secretário da Semadesc, Artur Falcette, ao analisar o estágio atual do projeto conhecido também como Corredor Rodoviário de Capricórnio.

Segundo ele, a conclusão da ponte que liga Brasil e Paraguai está prevista para o segundo semestre de 2026. No entanto, a estrutura física não será suficiente para garantir o funcionamento eficiente da rota sem acordos integrados entre os países envolvidos.

Integração entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile ainda é desafio

Além das obras de infraestrutura, os governos de Brasil, Paraguai, Argentina e Chile precisam avançar na harmonização de regras alfandegárias, procedimentos de fiscalização e segurança jurídica para assegurar previsibilidade ao transporte internacional de cargas.

De acordo com Falcette, ainda existem pendências legislativas e operacionais que precisam ser resolvidas para que o corredor se torne uma alternativa competitiva de exportação e importação.

Relatório obtido pelo Campo Grande News reforça que o sucesso da Rota Bioceânica dependerá não apenas de rodovias, pontes e acessos, mas também da capacidade institucional de integrar processos e padronizar normas entre os países participantes.

Setor privado cobra maior participação nas decisões

Outro ponto destacado pelo estudo é a baixa participação do setor privado na formulação das diretrizes operacionais do corredor.

Embora empresas de logística, exportadores, transportadoras e despachantes aduaneiros sejam os principais usuários da futura rota, o relatório aponta que esses grupos ainda possuem pouca influência nas definições sobre obras, áreas de controle integrado e procedimentos de fiscalização.

Para especialistas envolvidos nas discussões, a ausência de participação formal dos operadores econômicos pode resultar em soluções pouco eficientes ou incompatíveis com a realidade do comércio exterior.

Ponte entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta é peça-chave

Com cerca de 90% das obras executadas, a Ponte Internacional da Rota Bioceânica é considerada o principal eixo de conexão do Brasil com o corredor continental.

A estrutura estaiada possui 1.294 metros de extensão sobre o Rio Paraguai e liga Porto Murtinho (MS) à cidade paraguaia de Carmelo Peralta. A previsão mais otimista indica que a conclusão estrutural ocorra até o fim de maio.

O corredor completo terá mais de 2,4 mil quilômetros, conectando os oceanos Atlântico e Pacífico por meio de rotas terrestres que atravessam os quatro países sul-americanos.

Corredor promete reduzir custos e tempo de transporte

A expectativa em torno da Rota Bioceânica é alta entre empresários e operadores logísticos. O projeto pode reduzir em até 30% os custos de transporte e diminuir em até 15 dias o tempo de entrega de mercadorias destinadas à Ásia, em comparação com trajetos tradicionais como o Canal do Panamá.

Mesmo assim, o governo de Mato Grosso do Sul afirma que ainda não existem investimentos públicos estaduais diretamente voltados para a operação logística da rota.

Segundo Artur Falcette, o interesse crescente da iniciativa privada pode atrair novos empreendimentos para o estado, especialmente em setores estratégicos ligados à exportação.

Estado aposta em diversificação econômica

O governo sul-mato-grossense trabalha atualmente na ampliação da matriz produtiva regional. Entre as áreas consideradas prioritárias estão a citricultura, produção de amendoim e segmentos ligados à tecnologia e inovação.

A estratégia busca preparar o estado para aproveitar as oportunidades comerciais que poderão surgir com a consolidação da rota internacional.

Gargalos alfandegários preocupam especialistas

Estudo coordenado pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) identificou gargalos importantes nas chamadas Áreas de Controle Integrado (ACIs), consideradas fundamentais para o funcionamento do corredor.

Atualmente, apenas as passagens entre Argentina e Chile estão habilitadas para transporte internacional de cargas. Ainda assim, o relatório aponta necessidade urgente de melhorias operacionais e maior integração com o setor privado.

Já os trechos entre Brasil e Paraguai e entre Paraguai e Argentina ainda aguardam estruturação operacional e autorização plena.

Área alfandegária entre Brasil e Paraguai gera alerta

O trecho entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta é considerado um dos pontos mais sensíveis do projeto.

Apesar da aprovação da construção da ACI pelo Dnit, especialistas alertam que ainda não houve abertura de consulta técnica formal junto ao setor privado para definir aspectos essenciais da operação, como áreas de espera, tecnologia de fiscalização e fluxo de veículos.

O temor é que a ausência desse diálogo gere problemas operacionais futuros e comprometa a eficiência logística da Rota Bioceânica.

Governança internacional será decisiva para sucesso da rota

O relatório também destaca a necessidade de uma estrutura permanente de governança técnica entre os países envolvidos.

Como o Chile não integra o Mercosul, diferentemente de Brasil, Paraguai e Argentina, especialistas avaliam que o ambiente regulatório se torna mais complexo e exige mecanismos específicos de coordenação internacional.

O documento apoiado pelo BID reuniu representantes de governos, empresas e entidades empresariais em dezenas de reuniões presenciais e virtuais. Ao todo, foram identificadas mais de 230 oportunidades de melhoria e elaboradas 264 propostas para otimizar a operação do corredor.

FONTE: Campo Grande News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Toninho Ruiz

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Economia

Celulose lidera exportações e consolida Mato Grosso do Sul como 2º maior produtor do Brasil

A celulose assumiu a liderança das exportações de Mato Grosso do Sul em 2025, ultrapassando commodities tradicionais como soja e carne bovina. O avanço reflete a expansão de grandes indústrias instaladas no estado, especialmente em áreas antes dedicadas à agricultura e à pecuária.

Exportações de celulose ultrapassam 5,8 milhões de toneladas

De janeiro a outubro, Mato Grosso do Sul enviou 5,8 milhões de toneladas de celulose ao mercado externo, volume que representa pouco mais de 29% de tudo o que o estado exportou no período. O desempenho coloca o MS não só como o segundo maior produtor de celulose do país, mas também como líder nacional em exportações do setor.

Expansão do eucalipto e distribuição da produção

Segundo a Famasul, o estado soma 1,79 milhão de hectares de eucalipto plantados, distribuídos em 74 dos 79 municípios sul-mato-grossenses, com forte concentração na região leste.
Entre os principais polos produtivos, Ribas do Rio Pardo responde por 26,8% da produção, seguido por Três Lagoas e Água Clara, reforçando o protagonismo do chamado “corredor da celulose”.

Novas fábricas impulsionam o crescimento do setor

Atualmente, o Mato Grosso do Sul conta com quatro fábricas de celulose em operação no leste do estado. Uma quinta unidade está em construção, enquanto outras duas fábricas estão em fase de negociação para instalação — movimento que deve ampliar ainda mais a capacidade industrial nos próximos anos.

Diversificação produtiva e fortalecimento da cadeia florestal

Representantes do setor destacam que a expansão do cultivo de eucalipto trouxe maior diversificação econômica ao estado. A ampliação das áreas de floresta plantada impulsionou atividades complementares, como a produção de mudas.
Um dos destaques é um viveiro instalado há cerca de um ano e meio na região de Campo Grande, com capacidade para produzir até 500 mil mudas por mês, reforçando a cadeia florestal sul-mato-grossense.

Com informações de fontes oficiais do setor.
texto: Redação

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