Internacional

Isenção de visto para chineses no Brasil entra em vigor e destrava relação diplomática

A isenção de visto para cidadãos chineses no Brasil finalmente entra em vigor no próximo dia 11 de maio, encerrando um impasse diplomático que se arrastava há meses entre Brasil e China. A medida foi anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em janeiro e agora passa a valer oficialmente.

A partir da data, portadores de passaporte chinês poderão entrar no país sem necessidade de visto para estadias de até 30 dias.

Impasse diplomático atrasou implementação da medida

Apesar do anúncio político, a liberação enfrentou resistência técnica dentro do governo brasileiro. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil defendia que a isenção fosse formalizada por meio de um acordo bilateral completo entre os dois países.

A China, por sua vez, considerava desnecessária a formalização, já que a própria isenção concedida a brasileiros havia sido adotada de forma unilateral anteriormente.

O impasse só foi resolvido após a publicação de uma nota oficial assinada pelo embaixador brasileiro na China, Marcos Galvão, no Diário Oficial da União.

Pressão interna acelerou decisão do governo brasileiro

A demora na implementação começou a gerar desconforto tanto em setores diplomáticos quanto empresariais, que viam a medida como estratégica para o fortalecimento das relações bilaterais.

Dentro do governo, a Casa Civil da Presidência da República foi uma das principais defensoras da liberação, especialmente pelo impacto na atração de investimentos chineses.

O então ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, já havia articulado medidas para facilitar a concessão de vistos a técnicos de empresas chinesas que atuam no país.

Cresce fluxo de investimentos e emissão de vistos

A decisão ocorre em meio ao aumento da presença econômica chinesa no Brasil. Em 2025, os investimentos da China no país chegaram a US$ 6,1 bilhões, alta de 45%, segundo levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China.

O crescimento também se reflete na emissão de vistos. Em 2023, o consulado brasileiro em Pequim registrou 16 mil emissões. No ano seguinte, o número subiu para 30 mil. Apenas nos quatro primeiros meses de 2026, já foram concedidos 15 mil vistos.

Turismo e agenda diplomática também influenciaram decisão

O Ministério do Turismo também pressionou pela implementação da medida. O ministro Gustavo Feliciano pretende usar a nova regra para ampliar a presença de turistas chineses no Brasil, especialmente durante participação na Feira de Turismo de Xangai.

Além disso, a liberação foi facilitada após sinal verde da China para a visita do chanceler brasileiro Mauro Vieira, prevista para junho.

Relação Brasil-China entra em nova fase diplomática

A visita de Vieira deve marcar o quinto Diálogo Estratégico entre os dois países e reforçar iniciativas como o Ano Cultural Brasil-China, que ocorre em 2026.

A isenção de visto também representa reciprocidade em relação à decisão chinesa, que há cerca de um ano liberou a entrada de brasileiros sem visto para viagens de até 30 dias.

Medida é temporária, mas pode ser prorrogada

Apesar de ter validade inicial até o fim de 2026, a expectativa diplomática é de que a isenção seja prorrogada por ambos os lados.

Atualmente, a China mantém política de entrada sem visto para cidadãos de cerca de 50 países, mas o Brasil foi o único a adotar reciprocidade plena na medida.

Regras de permanência têm diferenças entre os países

Há, no entanto, diferenças na aplicação. No caso dos chineses no Brasil, a entrada sem visto é limitada a uma estadia única de 30 dias. Já brasileiros beneficiados pela política chinesa podem entrar e sair do país diversas vezes dentro das regras de permanência estabelecidas.

FONTE: O Globo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Marcelo Nínio

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