Comércio Internacional

Acordo Mercosul-UE divide Europa e enfrenta resistência da França

Em meio a divergências internas, Alemanha e Espanha intensificaram a pressão para que a União Europeia avance na aprovação do acordo Mercosul-UE. Nesta quinta-feira (18), o chanceler alemão Friedrich Merz e o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez pediram apoio dos líderes europeus para a assinatura do tratado de livre comércio com o bloco sul-americano. A iniciativa, no entanto, encontra forte resistência da França, que afirma que o pacto ainda não reúne condições para ser concluído.

Negociado há aproximadamente 25 anos, o acordo entre Mercosul e União Europeia é considerado o maior da UE em termos de redução de tarifas comerciais, com potencial impacto significativo nas relações econômicas globais do bloco.

Redução da dependência da China e reação às tarifas dos EUA

Países como Alemanha, Espanha e nações nórdicas avaliam que o tratado pode fortalecer as exportações europeias, especialmente diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos, além de diminuir a dependência estratégica da China. O acesso facilitado a minerais estratégicos também é visto como um ganho relevante.

Para Sánchez, o acordo é essencial para ampliar a influência da Europa no cenário internacional. Segundo ele, trata-se de um passo necessário para reforçar o peso geoeconômico e geopolítico da UE em um momento de tensão global, tanto com adversários declarados quanto com aliados tradicionais. Merz reforçou o argumento ao afirmar que a credibilidade da política comercial europeia depende de decisões imediatas.

Resistência de agricultores e impasse político

Apesar do apoio de parte dos governos, o pacto enfrenta críticas de setores agrícolas europeus, que temem a entrada de commodities mais baratas, prejudicando produtores locais. A Comissão Europeia, presidida por Ursula von der Leyen, está disposta a viajar ao Brasil para formalizar o acordo fechado no ano passado com Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

No entanto, a aprovação exige maioria qualificada: o apoio de pelo menos 15 países, que representem 65% da população da UE. Atualmente, Polônia e Hungria se posicionam contra, enquanto França e Itália demonstram preocupação com o impacto do aumento das importações de carne bovina, açúcar, aves e outros produtos agrícolas.

Macron afirma que “a França não está pronta”

Maior produtor de carne bovina da União Europeia, o presidente francês Emmanuel Macron reiterou que o país não considera o acordo viável neste momento. Segundo ele, os números apresentados não justificam a assinatura e há articulações com Polônia, Bélgica, Áustria e Irlanda para adiar a decisão.

Mesmo com um acordo provisório firmado entre parlamentares e governos europeus para criar salvaguardas que limitem a importação de produtos agrícolas sensíveis, Macron insiste na necessidade de reciprocidade. Ele defende que itens produzidos com pesticidas proibidos na UE, por exemplo, não tenham acesso ao mercado europeu.

Protestos tomam as ruas de Bruxelas

Enquanto as discussões avançavam dentro da cúpula, manifestações ganharam as ruas de Bruxelas. Cerca de 150 tratores bloquearam vias próximas ao local do encontro e ao Parlamento Europeu. Agricultores lançaram fogos de artifício e batatas contra a polícia, em protesto contra o acordo.

Faixas exibidas nos tratores questionavam a importação de produtos estrangeiros e pediam o fim das negociações com o Mercosul. Diante da mobilização, a polícia montou barreiras, fechou túneis e deixou tropas de choque e canhões de água em prontidão.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Yves Herman

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Agricultura

Protesto de agricultores em Bruxelas contra acordo Mercosul–União Europeia paralisa a cidade.

Tratores bloqueiam acessos e ampliam tensão na capital belga

Milhares de agricultores de diversos países europeus tomaram as ruas de Bruxelas nesta quinta-feira (18/12) para protestar contra a iminente assinatura do acordo Mercosul–União Europeia, prevista para o próximo sábado, em Foz do Iguaçu. Desde a noite de quarta-feira, manifestantes começaram a chegar à capital da Bélgica e, nas primeiras horas do dia, bloquearam rodovias de acesso com cerca de mil tratores, provocando congestionamentos generalizados.

Confrontos com a polícia e atos de vandalismo

A mobilização evoluiu para confrontos diante do Parlamento Europeu. Houve incêndio de pneus, lançamento de batatas e ovos contra a polícia de choque e uso de gás lacrimogêneo e canhões de água pelas forças de segurança. Fogos de artifício e atos de vandalismo marcaram o protesto, incluindo a colocação de um caixão de madeira com a palavra “agricultura” em uma estátua.

Temor de concorrência desleal no mercado europeu

Os agricultores afirmam que o pacto pode inundar o mercado europeu com produtos latino-americanos que não estariam sujeitos às mesmas regras rigorosas da União Europeia, o que reduziria preços e pressionaria produtores locais. Além do acordo comercial, o grupo também protesta contra planos da UE para reformar subsídios agrícolas, com receio de cortes.

Conselho Europeu atrasa início e recebe representantes

A capital belga sedia a reunião do Conselho Europeu, presidido por António Costa, ex-primeiro-ministro de Portugal. Embora o tema central seja o apoio financeiro à Ucrânia, as divergências sobre o acordo comercial levaram o assunto à mesa dos líderes dos 27 países do bloco. O início do encontro atrasou mais de uma hora devido aos protestos. Costa e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, receberam representantes dos agricultores para ouvir reivindicações.

Cláusulas de salvaguarda entram no debate

A expectativa de assinatura do tratado — que criaria a maior zona de livre comércio do mundo — enfrenta resistência de França e Itália. Na véspera, o Parlamento Europeu e a Comissão Europeia concordaram em incluir cláusulas de salvaguarda para proteger agricultores europeus de impactos negativos causados por um aumento expressivo das importações latino-americanas.

Esses dispositivos autorizam investigações quando produtos agrícolas sensíveis entrarem em volumes elevados ou a preços significativamente inferiores aos europeus. Também permitem apuração de mercadorias que não cumpram normas da UE, como bem-estar animal, proteção trabalhista e uso de pesticidas. Em caso de prejuízo comprovado, benefícios comerciais podem ser suspensos.

França mantém oposição ao tratado

Mesmo com as alterações, o presidente francês Emmanuel Macron reiterou a rejeição ao acordo. “A posição da França é clara desde o início: o acordo é insuficiente e não deve ser assinado”, afirmou ao chegar à cúpula.

Impasse político e pressão por decisão

Para que a presidente da Comissão Europeia viaje ao Brasil no sábado e assine o acordo após 25 anos de negociações, é necessária uma maioria qualificada entre os países do bloco. O tratado prevê facilitar a entrada na Europa de carne, açúcar, arroz, mel e soja sul-americanos, enquanto amplia exportações europeias de automóveis, máquinas, vinhos e licores.

No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que um novo adiamento pode inviabilizar o acordo durante seu mandato. Em seguida, afirmou ter conversado com a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni e que a discussão sobre um possível adiamento pode ser levada ao Mercosul.

Fonte: Reuters
Texto: Redação

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Comércio

CNI defende acordo de livre comércio mais amplo entre Brasil e México

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que o Brasil precisa avançar na negociação de um acordo de livre comércio mais abrangente com o México, considerado um mercado prioritário na agenda internacional da indústria brasileira. Para a entidade, o fortalecimento do diálogo bilateral é essencial para preservar e ampliar a relação comercial entre os dois países, especialmente no atual cenário econômico.

Possíveis medidas mexicanas preocupam exportadores brasileiros

A CNI aguarda a confirmação de eventuais mudanças no escopo das medidas anunciadas pelo governo mexicano para calcular com maior precisão os impactos sobre as exportações brasileiras. Ainda assim, estimativas preliminares feitas com base na proposta inicial indicam que as medidas podem afetar cerca de US$ 1,7 bilhão, o equivalente a 14,7% do total exportado pelo Brasil ao México em 2024.

Acordos atuais são considerados insuficientes

Na avaliação da entidade, os acordos bilaterais em vigor não são suficientes para garantir a competitividade dos produtos brasileiros no mercado mexicano. Em um contexto de mudanças nas regras comerciais, a CNI alerta para o risco de perda de espaço da indústria nacional caso não haja avanços na modernização do marco regulatório entre os países.

Diálogo bilateral é visto como caminho para evitar tarifas

A CNI defende que os governos do Brasil e do México intensifiquem as negociações para buscar isenções ou tratamentos diferenciados aos produtos brasileiros diante das tarifas de importação anunciadas pelo México. Segundo a entidade, essas medidas vão na contramão das negociações em curso e podem comprometer o equilíbrio comercial.

Modernização dos acordos é prioridade

Para a indústria, a manutenção do compromisso bilateral passa pelo cumprimento ágil do plano de trabalho para atualização dos acordos comerciais, com foco em regras mais modernas e compatíveis com o comércio internacional. Um acordo mais amplo, avalia a CNI, traria maior previsibilidade, segurança jurídica e oportunidades de crescimento para as exportações brasileiras.

FONTE: Portal da Indústria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal da Indústria

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Comércio Exterior

China lança iniciativa “Grande Mercado para Todos” para ampliar importações e reduzir superávit comercial

Com foco em equilibrar sua balança comercial e reforçar o compromisso com o livre comércio, a China anunciou nesta terça-feira (4) a criação da iniciativa “Grande Mercado para Todos: Exportar para a China”, voltada a incentivar importações e fortalecer a cooperação econômica global.

Estratégia para reduzir desequilíbrios comerciais

A medida surge em meio a crescentes tensões comerciais entre a China e os Estados Unidos, num contexto em que o país asiático mantém altos superávits com diversas nações. Apesar do avanço nas exportações de produtos manufaturados, o ritmo das importações chinesas tem sido tímido, o que, segundo economistas, contribui tanto para pressões deflacionárias internas quanto para atritos no comércio internacional.

Plano global de cooperação econômica

O ministro do Comércio, Wang Wentao, explicou que o programa prevê a realização de dez grandes eventos anuais, com a participação de cinco a seis países em cada edição. O objetivo, afirmou, é tornar a China o principal destino de exportação e promover “cooperação vantajosa para todos”.

O anúncio ocorreu durante uma cerimônia em Xangai, com a presença do primeiro-ministro Li Qiang, na véspera da China International Import Expo (CIIE) — feira internacional de importação que acontece de 5 a 10 de novembro e serve como vitrine para o comércio global.

Abertura comercial e desafios de credibilidade

Lançada em 2018 pelo presidente Xi Jinping, a CIIE busca reforçar a imagem da China como defensora do livre comércio e contrapor críticas sobre seu expressivo superávit comercial com parceiros internacionais.

No entanto, o evento já foi alvo de questionamentos. Em 2023, a Câmara de Comércio Europeia classificou a feira como uma “vitrine política”, afirmando que os superávits chineses com países europeus continuavam crescendo, mesmo após o início da exposição.

A nova iniciativa tenta responder a essas críticas ao incentivar maior abertura de mercado, diversificação de importações e parcerias comerciais equilibradas, reforçando o papel da China como ator central no comércio internacional.

FONTE: Investimentos e Notícias
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ling Tang/Unsplash

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Comércio

Acordo Mercosul-Efta tem cláusula para acelerar vigência do livre comércio

Cláusula de “vigência bilateral” permite, na prática, que acordo passe a valer entre países que ratifiquem seus termos, sem necessidade de aceite por todo o bloco

Mercosul e Efta — de Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein — inseriram em seu acordo de livre comércio, a ser assinado nesta terça-feira (16), cláusula que deve acelerar a vigência dos termos e pode ajudar a evitar possíveis “resistências”.

A cláusula de “vigência bilateral” permite, na prática, que o acordo passe a valer entre países que ratifiquem seus termos, sem necessidade de aceite por todo o bloco, explicou em entrevista à CNN a secretária de Comércio Exterior do Mdic (Ministério do Desenvolvimento e Indústria), Tatiana Prazeres.

Segue um exemplo: Brasil e Islândia, caso aprovem internamente o trato, podem passar a usufruir de seus termos mesmo que Argentina ou Suíça ainda não tenham aceitado as condições.

A cláusula pode driblar um possível impasse envolvendo a Suíça, cuja democracia traz instrumento que permite levar decisões do Parlamento ao voto popular. Em 2021, o acordo comercial do país com a Indonésia acabou em referendo por meio desta ferramenta.

O governo brasileiro não descarta que o Mercosul-Efta tenha o mesmo destino.

Prazeres destaca que o acordo entre Mercosul e União Europeia também conta com item de “vigência bilateral”. Neste caso, porém, é necessário que haja ratificação de toda a UE e de apenas um país do sul-americano — a regra, nos bastidores, ficou conhecida como “cláusula antiperonista”

Ao contrário do Mercosul-UE, a tradução do acordo com o Efta, para os idiomas falados em todos os países envolvidos, acontecerá após a assinatura do trato em inglês. Então, serão iniciados os trâmites internos.

Segundo a secretária do Mdic, a expectativa do governo federal é de que o Mercosul-Efta seja apreciado pelo Congresso Nacional ainda em 2025.

Selo de qualidade

O governo federal já estima ganhos com a parceria. Além de aumento nas trocas, técnicos da Esplanada dos Ministérios esperam que o trato dê ao Brasil um “selo de qualidade”.

O Efta é considerado um bloco econômico “exigente”, desde o ponto de vista de qualidade da mercadoria a requisitos fitossanitários e ambientais. Assim, a abertura deste mercado é uma espécie de “chancela” aos produtos brasileiros.

Este ganho “reputacional” é especialmente importante para o agronegócio brasileiro, que não raramente nos últimos anos teve de defender requisitos cumpridos por suas mercadorias.

Secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), Luis Rua destacou em entrevista à CNN que o acordo traz, além do “selo de qualidade”, benefícios para mercados de alto valor agregado — que geram mais emprego e inovação.

Estão entre os segmentos com maior potencial para aumentarem suas vendas para estes europeus as carnes bovina e de aves, além do café, do suco de laranja e do etanol, por exemplo.

A carne bovina ganhou uma cota de três mil toneladas alíquota zero; a carne de aves, de mil toneladas, destaca o secretário.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio

Acordo de livre comércio entre Mercosul e EFTA será assinado no dia 16

Parceria permitirá acesso a mercado de quatro países europeus

O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), bloco formado por Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein, será assinado no dia 16 de setembro, no Rio de Janeiro

O anúncio foi feito, por meio de nota, pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE). O acordo será assinado durante a reunião de chanceleres do Mercosul, que será presidida pelo ministro, embaixador Mauro Vieira. O Brasil está na presidência temporária do bloco. 

“Para o Brasil, a consolidação da união aduaneira, a diversificação das parcerias econômico-comerciais do Mercosul e a modernização e aprofundamento dos acordos regionais vigentes constituem objetivos essenciais, em meio a cenário internacional instável e complexo. A presidência brasileira enfatizará, ainda, a importância do apoio ao processo de adesão plena da Bolívia ao bloco”, diz o comunicado. 

As negociações para o acordo tiveram início em junho de 2017, em Buenos Aires. No total, foram 14 rodadas de negociações até a conclusão em julho deste ano.

Criada em 1960, a EFTA é uma organização intergovernamental que reúne uma população de 15 milhões de habitantes, e possui um Produto Interno Bruto (PIB) somado de US$ 1,4 trilhão. Em termos de PIB per capita, Liechtenstein é considerado o segundo país mais rico do mundo, com renda média anual de US$ 186 mil por pessoa. Já a Suíça é o quarto mais rico, em termos per capita (US$ 104,5 mil). Islândia e Noruega também aparecem nas primeiras posições de países com maiores rendas médias.

Fonte: Agência Brasil

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Negócios

Mercosul e EFTA fecham acordo de livre comércio após oito anos de negociação

Parceria com Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein deve impulsionar exportações e reduzir tarifas, em meio às tensões comerciais com os EUA

O Mercosul assinará, no próximo dia 16 de setembro, durante cúpula no Rio de Janeiro, um acordo de livre comércio com o EFTA (Associação Europeia de Livre Comércio), formado por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein. As informações são do jornalista e comentarista do ICL Notícias Jamil Chade, em sua coluna no UOL.

O pacto, concluído em julho após oito anos de negociações, representa um passo estratégico para aproximar as economias sul-americanas de mercados desenvolvidos fora da União Europeia.

Com a assinatura, será criada uma nova zona de livre comércio abrangendo quase 300 milhões de pessoas e um PIB (Produto Interno Bruto) combinado de cerca de US$ 4,3 trilhões. Estima-se que 97% das exportações entre os dois blocos sejam beneficiadas.

Resposta do Mercosul às tensões com os EUA

Embora a negociação estivesse em curso há anos, os últimos desdobramentos geopolíticos e comerciais aceleraram o processo. O acordo foi impulsionado por reações às tarifas impostas pelos Estados Unidos tanto ao Brasil quanto a países europeus como a Suíça.

Um episódio simbólico da tensão foi a ida do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à final do US Open, a convite da Rolex, em meio a críticas sobre tarifas americanas de até 39% sobre produtos suíços — mais que o dobro das taxas aplicadas à UE e quase quatro vezes maiores que as cobradas do Reino Unido.

Nesse contexto, o acordo se apresenta como uma forma de fortalecer laços comerciais alternativos e garantir competitividade às exportações, sobretudo para economias altamente dependentes do comércio exterior, como a Suíça e a Noruega.

Abrangência econômica e setores beneficiados

Além da redução de tarifas, o tratado estabelece diretrizes sobre comércio de serviços, investimentos, propriedade intelectual, compras públicas, concorrência, regras de origem, defesa comercial e barreiras sanitárias e técnicas. Há ainda um capítulo específico sobre comércio e desenvolvimento sustentável, além da criação de um mecanismo de solução de controvérsias.

O comércio bilateral entre Brasil e EFTA somou US$ 7,2 bilhões em 2024. Do lado brasileiro, destacam-se exportações de ouro, café, soja, carnes e produtos químicos. As importações se concentram em máquinas, equipamentos, petróleo, gás e frutos do mar — especialmente da Noruega.

A expectativa é de que o acordo traga ganhos concretos. Segundo o governo suíço, até 95% das exportações do país para o Mercosul terão isenção tarifária ao fim dos prazos de transição. Isso pode resultar em uma economia anual de até US$ 180 milhões em tarifas aduaneiras.

A Suíça vê o pacto como o acordo de livre comércio com maior potencial de economia desde suas tratativas com a União Europeia, China e Índia. Em 2024, o país exportou mais de US$ 4 bilhões em mercadorias para o Mercosul, enquanto as importações foram de US$ 762 milhões.

Competição com a União Europeia

A assinatura também tem um componente geopolítico: impede que Suíça e Noruega fiquem em desvantagem frente à União Europeia, que ainda negocia seu próprio acordo com o Mercosul — agora pressionada a concluí-lo até o final do ano. Para o lado europeu do EFTA, o pacto representa a chance de ampliar a venda de produtos estratégicos como energia, serviços marítimos e frutos do mar, além de garantir cotas bilaterais para exportação de produtos agrícolas sensíveis.

Ao consolidar esse novo acordo, o Mercosul fortalece sua presença global e envia um sinal claro de abertura econômica, em um momento em que o comércio internacional vive um redesenho das alianças tradicionais.

Fonte: ICL Notícias

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Comércio Exterior

Negociações do Acordo de Livre Comércio Mercosul-Canadá serão retomadas, afirma Alckmin

Em reunião realizada nesta segunda-feira (25/8) em Brasília, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e o ministro de Comércio Internacional do Canadá, Maninder Sidhu, concordaram que há condições para a retomada das negociações do Acordo de Livre Comércio Mercosul–Canadá, paralisadas desde 2021.

Na avaliação de Alckmin, foi uma boa conversa, que demonstra a disposição das duas partes em avançar nas tratativas, que podem abrir novas oportunidades para produtores, empresários, trabalhadoras e trabalhadores do Brasil. “Podemos ampliar ainda mais essa parceria para fortalecer as relações bilaterais com o Canadá e aumentar nossas trocas comerciais”, afirmou o ministro após se reunir com Sidhu.

Para avançar neste caminho, está previsto, para outubro, uma reunião entre negociadores-chefe do Canadá e do Mercosul. Neste semestre, o Brasil tem a presidência temporária do bloco regional. A retomada formal das negociações com o Canadá, com estabelecimento de cronogramas de rodadas de negociação, será objeto de coordenação interna no bloco.

Durante a reunião, os ministros discutiram ainda a importância de fortalecer a cooperação bilateral e ampliar a complementariedade econômica em diferentes setores como mineração, agribusiness, fertilizantes, defesa, energia renovável e complexo industrial de saúde. Um trabalho a ser desenvolvido com a participação dos setores privados dos dois países.

Nesta terça-feira (26/8), o vice-presidente embarca para o México e cumprirá uma agenda de encontros políticos e empresariais em busca de ampliar mercados para produtos brasileiros. 

Potencial

Para o Brasil, o acordo com o Canadá tem potencial para ampliar o acesso a mercados, reduzir barreiras comerciais e diversificar destinos das vendas nacionais, além de possibilitar a integração de cadeias produtivas e estimular investimentos sustentáveis. Por meio de um acordo, também será possível avançar em disciplinas de facilitação de comércio, medidas sanitárias e fitossanitárias e regras que favoreçam inovação.

O Canadá é hoje o 7º destino das exportações brasileiras. O Brasil é o maior investidor latino-americano no Canadá, com oportunidades em infraestrutura, tecnologia, energia renovável e agronegócio.

Fonte: MDIC

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Internacional

Comunicado Conjunto Brasil-Canadá sobre Negociações do Acordo de Livre Comércio Mercosul-Canadá e Compromisso com o Sistema Multilateral de Comércio

O Brasil e o Canadá compartilham um compromisso histórico com o comércio aberto, justo e sustentável, atuando em conjunto para promover a prosperidade bilateral, regional e no marco do sistema global de comércio.

Ambos concordaram em intensificar os fluxos bilaterais de comércio e investimento, como parte de suas estratégias de diversificação e expansão de mercados. Nesse contexto, os dois países acolhem com satisfação a realização da missão comercial brasileira ao Canadá (em setembro, em Toronto), com vistas a ampliar ainda mais as oportunidades de negócios bilaterais. Reafirmam, igualmente, seu apoio a um sistema multilateral de comércio baseado em regras, tendo a Organização Mundial do Comércio (OMC) como pilar central, e a necessidade de defender normas comerciais globais abertas e previsíveis, que têm contribuído para o crescimento e a prosperidade de nossos países.

Como passo oportuno rumo a maior diversificação econômica, determinamos que nossos altos funcionários responsáveis pela área de comércio iniciem discussões, inclusive com uma reunião de chefes negociadores no início de outubro, com vistas à retomada das negociações do Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e o Canadá, ao lado de nossos parceiros Argentina, Paraguai e Uruguai.

A retomada das negociações comerciais entre o Mercosul e o Canadá constitui sinal inequívoco de nosso compromisso compartilhado de aprofundar os laços econômicos mutuamente benéficos e de abrir novas oportunidades relevantes para empresas, trabalhadores e comunidades nos dois lados.

Fonte: Ministério das Relações Exteriores

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Comércio, Comércio Exterior, Internacional, Mercado Internacional, Negócios

Mercosul e bloco de Suíça e Noruega chegam a acordo de livre comércio

Tratado removerá ou reduzirá os impostos sobre mais de 95% das mercadorias negociadas pelos países do bloco sul-americano e pelo EFTA, que inclui ainda Liechtenstein e Islândia

O Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), composta por Suíça, Noruega, Liechtenstein e Islândia, concluíram as negociações de um acordo de livre comércio, em um esforço para aumentar as negociações transatlânticas.

O tratado “removerá ou reduzirá os impostos sobre mais de 95% das mercadorias atualmente exportadas para o Mercosul pelas empresas da EFTA” em um período de 15 anos, disse a EFTA em um comunicado na quarta-feira (2). O acordo entrará em vigor três meses depois que todos os países membros tiverem ratificado o pacto.

Assim que isso acontecer, “os Estados da EFTA abolirão todos os direitos alfandegários sobre as importações de produtos industriais, incluindo peixes e outros produtos marinhos, originários do Mercosul”, disse o grupo europeu.

“O Mercosul eliminará ou reduzirá gradualmente os direitos alfandegários sobre a maioria dos produtos industriais, incluindo peixes e outros produtos marinhos, originários de um dos estados da EFTA.”

“Esse acordo é uma prioridade total para os países da EFTA e agora intensificamos as negociações”, disse Helene Budliger, a principal diplomata comercial da Suíça. Falando durante uma coletiva de imprensa em Buenos Aires, ela acrescentou que é difícil dizer quando o acordo entrará em vigor.

O Brasil espera ratificar o pacto durante sua presidência do Mercosul, disse o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, acrescentando que o bloco sul-americano também espera ratificar um tratado União Europeia-Mercosul no segundo semestre do ano. A Argentina passará a presidência pro tempore ao Brasil na quinta-feira, quando os chefes de Estado deverão se reunir.

O acordo com o Mercosul abre um mercado de 270 milhões de consumidores para os países europeus. Ele segue um acordo de livre comércio da EFTA com a Índia no ano passado e dois acordos menores com a Tailândia e a Malásia mais recentemente, à medida que o grupo amplia seus laços comerciais.

As negociações com o grupo do Mercosul estavam em andamento desde 2017, mas enfrentaram um revés em 2019 devido a divergências ambientais.

A UE e o Mercosul fecharam um acordo comercial há muito procurado no final do ano passado, apesar das objeções da França, que se comprometeu a liderar uma ação para obstruir sua ratificação.

Fonte: Bloomberg Línea

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