Internacional

UE aprova acordo comercial com o Mercosul apesar da resistência da França

A União Europeia autorizou nesta sexta-feira (9) o avanço do acordo comercial entre UE e Mercosul, encerrando um impasse que se arrastava há mais de 25 anos. A decisão foi tomada durante reunião de embaixadores em Bruxelas, com apoio da maioria dos 27 países do bloco, mesmo diante da oposição liderada pela França, segundo fontes diplomáticas ouvidas pela AFP.

Com o sinal verde, o pacto deve ser oficialmente assinado na próxima semana, no Paraguai, abrindo caminho para uma das maiores áreas de livre comércio do mundo.

Impacto econômico e estratégico do acordo UE-Mercosul

A Comissão Europeia considera o tratado fundamental para estimular exportações, fortalecer a economia do continente e ampliar laços diplomáticos em um cenário global marcado por incertezas. O acordo aproxima a UE de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, criando um mercado integrado de mais de 700 milhões de consumidores.

Segundo estimativas do bloco, a eliminação de tarifas sobre mais de 90% dos produtos comercializados deve gerar uma economia anual de cerca de € 4 bilhões em taxas alfandegárias para empresas europeias, além de impulsionar setores como automóveis, máquinas, vinhos e bebidas alcoólicas.

França lidera oposição, mas não consegue barrar o pacto

Apesar do apoio majoritário, o acordo enfrentou resistência interna. A França articulou uma tentativa de bloqueio, alegando que o tratado ameaça o setor agrícola europeu ao permitir maior entrada de produtos agrícolas sul-americanos mais baratos, como carne, açúcar, arroz, mel, soja e derivados.

Irlanda, Polônia e Hungria também votaram contra, mas a adesão de países como Itália, que havia pedido adiamento no fim de 2024, garantiu a aprovação final.

Maior acordo de livre comércio já negociado pela UE

O comissário europeu de Comércio, Maros Sefcovic, classificou o tratado como o maior acordo de livre comércio já negociado pela União Europeia e destacou seu caráter estratégico. Países como Alemanha e Espanha defenderam o pacto, enxergando nele uma oportunidade de fortalecer suas indústrias diante da concorrência chinesa e das tarifas impostas pelos Estados Unidos.

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou anteriormente que o acordo representa um sinal claro em defesa do multilateralismo e do fortalecimento das relações internacionais em um ambiente global cada vez mais competitivo.

Garantias ao setor agrícola e criação de fundo de crise

Para reduzir a resistência de agricultores europeus, a Comissão Europeia anunciou medidas compensatórias. Entre elas, a criação de um fundo de crise de € 6,3 bilhões e mecanismos de salvaguarda que permitem suspender tarifas preferenciais caso haja aumento excessivo de importações agrícolas.

Além disso, o acordo prevê a proteção de mais de 340 produtos europeus com indicação geográfica, como o champanhe francês e o feta grego, impedindo o uso indevido de nomes tradicionais no mercado sul-americano.

Protestos de agricultores marcam véspera da aprovação

Mesmo com as garantias, o anúncio do aval provocou protestos. Agricultores franceses ocuparam Paris com tratores, enquanto produtores belgas bloquearam rodovias em diversas regiões. Representantes do setor afirmam que há um clima de forte insatisfação e temor quanto aos impactos do acordo sobre a agricultura local.

FONTE: Le Monde
TEXTO: Redação
IMAGEM: FREDERICK FLORIN / AFP

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Internacional

Acordo Mercosul-UE avança e União Europeia prevê assinatura em breve

A União Europeia sinalizou avanço nas negociações para a conclusão do acordo Mercosul-UE e trabalha com a expectativa de formalizar o pacto em um futuro próximo. A avaliação foi divulgada nesta segunda-feira (5) pela Comissão Europeia, que apontou progresso nas conversas internas entre os países do bloco.

Comissão Europeia indica progresso nas negociações

A porta-voz da Comissão Europeia, Paula Pinho, afirmou que os Estados-membros estão alinhados e que o bloco está “no caminho certo” para fechar o acordo. Embora não tenha confirmado a data de 12 de janeiro, mencionada anteriormente como possível para a assinatura, a representante reforçou que o desfecho pode ocorrer em breve.

Reunião emergencial debate pontos sensíveis do acordo

Como parte do processo, a Comissão informou a convocação de uma reunião emergencial dos ministros da Agricultura da União Europeia, marcada para esta quarta-feira (7), em Bruxelas. O objetivo é discutir ajustes e novos pontos do texto antes da votação prevista para sexta-feira (9).

Diplomatas europeus indicam que o encontro busca reduzir resistências e avançar em consensos, especialmente sobre temas ligados ao setor agrícola.

Maior área de livre comércio do mundo

Negociado ao longo de 25 anos, o acordo entre a UE e o Mercosul tem potencial para criar a maior área de livre comércio do mundo, fortalecendo as relações econômicas entre os 27 países europeus e Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

Resistência de França e Itália atrasou assinatura

A tentativa de assinar o pacto em dezembro do ano passado, durante reunião em Foz do Iguaçu, foi adiada após França e Itália manifestarem oposição. Os dois países alegaram preocupações com os impactos do acordo sobre seus produtores rurais, pressionando por mais tempo de análise.

Benefícios comerciais e temor no setor agrícola

Pelo acordo, a União Europeia ampliaria as exportações de veículos, máquinas, vinhos e bebidas alcoólicas para os países do Mercosul, em um contexto de crescentes tensões comerciais globais.

Em contrapartida, o pacto facilitaria o acesso ao mercado europeu de produtos sul-americanos como carne bovina, açúcar, arroz, mel e soja. Esse ponto gera preocupação entre agricultores europeus, que temem a concorrência de produtos com preços mais baixos, especialmente do Brasil.

Pedido por salvaguardas e regras mais rígidas

Diante desse cenário, França e Itália defendem a inclusão de cláusulas de salvaguarda, controles mais rigorosos sobre importações e exigências ambientais e sanitárias mais severas para os produtores do Mercosul, como forma de proteger o setor agrícola europeu.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters

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Comércio Internacional

Mercosul cobra União Europeia e alerta: prazo para acordo de livre comércio não é ilimitado

Representantes do Mercosul enviaram um recado direto à União Europeia: o bloco sul-americano está disposto a avançar na assinatura do acordo de livre comércio, mas não aceitará adiamentos indefinidos. A declaração ocorre após o anúncio do adiamento da formalização do tratado, que era esperada para a cúpula presidencial do Mercosul, diante da resistência de agricultores europeus.

Segundo o chanceler do Paraguai, Rubén Ramírez, o entendimento é de que a UE enfrenta trâmites institucionais internos, mas isso não pode se estender sem limites. “Há disposição para avançar, porém os prazos não são infinitos”, afirmou após reunião ministerial em Foz do Iguaçu.

Nova data ainda não foi confirmada oficialmente

Fontes da Comissão Europeia e diplomatas em Bruxelas indicaram que a nova previsão para assinatura do acordo seria 12 de janeiro, no Paraguai, país que assume a presidência rotativa do Mercosul. Ramírez, no entanto, afirmou que não houve comunicação formal.

De acordo com o ministro, nem ele nem o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, receberam confirmação oficial da UE sobre essa data. A informação, segundo Ramírez, circula apenas na imprensa europeia.

Negociação histórica pode criar maior área de livre comércio do mundo

O acordo Mercosul–União Europeia está em negociação há cerca de 25 anos e, se concluído, dará origem à maior área de livre comércio global. O Mercosul é formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

Ramírez ressaltou que há vontade política para a assinatura, mas alertou que a indefinição pode levar o bloco a priorizar outros parceiros estratégicos. Entre eles estão Catar, Emirados Árabes Unidos e a ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático).

Resistência de agricultores europeus trava avanço

Produtores rurais, especialmente na França e na Itália, se posicionam contra o acordo por temerem a entrada de produtos agrícolas do Mercosul, como carne, arroz, mel e soja, considerados mais competitivos por conta de normas produtivas menos rígidas.

Apesar disso, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou recentemente acreditar que o acordo possa ser finalizado em janeiro. Um porta-voz do governo alemão reforçou a avaliação, afirmando que a discussão gira mais em torno do “quando” do que do “se” o tratado será assinado. Alemanha, Espanha e países nórdicos apoiam a conclusão do acordo.

Para a UE, o tratado ampliaria as exportações de veículos, máquinas, equipamentos, vinhos e destilados para a América do Sul.

Pressão política e cenário interno europeu

O Brasil ocupa atualmente a presidência rotativa do Mercosul. Na quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que recebeu um pedido de “paciência” da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, em relação à conclusão do acordo. Lula disse que levará essa solicitação aos demais líderes do bloco.

Já o chanceler argentino, Pablo Quirno, defendeu uma reavaliação da política externa do Mercosul, com foco em acordos bilaterais mais rápidos e com resultados concretos.

Embora o texto do acordo inclua cláusulas de salvaguarda para proteger o setor agrícola, fontes do governo brasileiro avaliam que, na França, a oposição extrapola critérios técnicos. Segundo essa avaliação, o ambiente político interno francês tem peso decisivo na resistência ao tratado.

Nesta sexta-feira, agricultores franceses protestaram em frente à residência de veraneio do presidente Emmanuel Macron, lançando esterco na área como forma de manifestação contra o acordo e outras pautas do setor.

Relações regionais e tensões políticas

Durante a agenda em Foz do Iguaçu, Lula inaugurou a Ponte da Integração Brasil–Paraguai, que liga os dois países. O presidente paraguaio, Santiago Peña, participará de cerimônia semelhante neste sábado, do lado paraguaio da fronteira.

As relações entre Brasil e Paraguai passaram por momentos de tensão em 2024, após a revelação de uma operação de espionagem da inteligência brasileira contra instituições paraguaias. O governo Lula reconheceu a ação, atribuindo a responsabilidade à gestão anterior.

No âmbito regional, Lula e o presidente argentino Javier Milei ainda não realizaram reunião bilateral. Milei, que chegou recentemente a Foz do Iguaçu, gerou controvérsia ao publicar nas redes sociais um mapa com críticas a países governados pela esquerda na América do Sul.

FONTE: O Dia
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/AFP

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Comércio Internacional

Acordo Mercosul-UE divide Europa e enfrenta resistência da França

Em meio a divergências internas, Alemanha e Espanha intensificaram a pressão para que a União Europeia avance na aprovação do acordo Mercosul-UE. Nesta quinta-feira (18), o chanceler alemão Friedrich Merz e o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez pediram apoio dos líderes europeus para a assinatura do tratado de livre comércio com o bloco sul-americano. A iniciativa, no entanto, encontra forte resistência da França, que afirma que o pacto ainda não reúne condições para ser concluído.

Negociado há aproximadamente 25 anos, o acordo entre Mercosul e União Europeia é considerado o maior da UE em termos de redução de tarifas comerciais, com potencial impacto significativo nas relações econômicas globais do bloco.

Redução da dependência da China e reação às tarifas dos EUA

Países como Alemanha, Espanha e nações nórdicas avaliam que o tratado pode fortalecer as exportações europeias, especialmente diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos, além de diminuir a dependência estratégica da China. O acesso facilitado a minerais estratégicos também é visto como um ganho relevante.

Para Sánchez, o acordo é essencial para ampliar a influência da Europa no cenário internacional. Segundo ele, trata-se de um passo necessário para reforçar o peso geoeconômico e geopolítico da UE em um momento de tensão global, tanto com adversários declarados quanto com aliados tradicionais. Merz reforçou o argumento ao afirmar que a credibilidade da política comercial europeia depende de decisões imediatas.

Resistência de agricultores e impasse político

Apesar do apoio de parte dos governos, o pacto enfrenta críticas de setores agrícolas europeus, que temem a entrada de commodities mais baratas, prejudicando produtores locais. A Comissão Europeia, presidida por Ursula von der Leyen, está disposta a viajar ao Brasil para formalizar o acordo fechado no ano passado com Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

No entanto, a aprovação exige maioria qualificada: o apoio de pelo menos 15 países, que representem 65% da população da UE. Atualmente, Polônia e Hungria se posicionam contra, enquanto França e Itália demonstram preocupação com o impacto do aumento das importações de carne bovina, açúcar, aves e outros produtos agrícolas.

Macron afirma que “a França não está pronta”

Maior produtor de carne bovina da União Europeia, o presidente francês Emmanuel Macron reiterou que o país não considera o acordo viável neste momento. Segundo ele, os números apresentados não justificam a assinatura e há articulações com Polônia, Bélgica, Áustria e Irlanda para adiar a decisão.

Mesmo com um acordo provisório firmado entre parlamentares e governos europeus para criar salvaguardas que limitem a importação de produtos agrícolas sensíveis, Macron insiste na necessidade de reciprocidade. Ele defende que itens produzidos com pesticidas proibidos na UE, por exemplo, não tenham acesso ao mercado europeu.

Protestos tomam as ruas de Bruxelas

Enquanto as discussões avançavam dentro da cúpula, manifestações ganharam as ruas de Bruxelas. Cerca de 150 tratores bloquearam vias próximas ao local do encontro e ao Parlamento Europeu. Agricultores lançaram fogos de artifício e batatas contra a polícia, em protesto contra o acordo.

Faixas exibidas nos tratores questionavam a importação de produtos estrangeiros e pediam o fim das negociações com o Mercosul. Diante da mobilização, a polícia montou barreiras, fechou túneis e deixou tropas de choque e canhões de água em prontidão.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Yves Herman

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Agricultura

Protesto de agricultores em Bruxelas contra acordo Mercosul–União Europeia paralisa a cidade.

Tratores bloqueiam acessos e ampliam tensão na capital belga

Milhares de agricultores de diversos países europeus tomaram as ruas de Bruxelas nesta quinta-feira (18/12) para protestar contra a iminente assinatura do acordo Mercosul–União Europeia, prevista para o próximo sábado, em Foz do Iguaçu. Desde a noite de quarta-feira, manifestantes começaram a chegar à capital da Bélgica e, nas primeiras horas do dia, bloquearam rodovias de acesso com cerca de mil tratores, provocando congestionamentos generalizados.

Confrontos com a polícia e atos de vandalismo

A mobilização evoluiu para confrontos diante do Parlamento Europeu. Houve incêndio de pneus, lançamento de batatas e ovos contra a polícia de choque e uso de gás lacrimogêneo e canhões de água pelas forças de segurança. Fogos de artifício e atos de vandalismo marcaram o protesto, incluindo a colocação de um caixão de madeira com a palavra “agricultura” em uma estátua.

Temor de concorrência desleal no mercado europeu

Os agricultores afirmam que o pacto pode inundar o mercado europeu com produtos latino-americanos que não estariam sujeitos às mesmas regras rigorosas da União Europeia, o que reduziria preços e pressionaria produtores locais. Além do acordo comercial, o grupo também protesta contra planos da UE para reformar subsídios agrícolas, com receio de cortes.

Conselho Europeu atrasa início e recebe representantes

A capital belga sedia a reunião do Conselho Europeu, presidido por António Costa, ex-primeiro-ministro de Portugal. Embora o tema central seja o apoio financeiro à Ucrânia, as divergências sobre o acordo comercial levaram o assunto à mesa dos líderes dos 27 países do bloco. O início do encontro atrasou mais de uma hora devido aos protestos. Costa e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, receberam representantes dos agricultores para ouvir reivindicações.

Cláusulas de salvaguarda entram no debate

A expectativa de assinatura do tratado — que criaria a maior zona de livre comércio do mundo — enfrenta resistência de França e Itália. Na véspera, o Parlamento Europeu e a Comissão Europeia concordaram em incluir cláusulas de salvaguarda para proteger agricultores europeus de impactos negativos causados por um aumento expressivo das importações latino-americanas.

Esses dispositivos autorizam investigações quando produtos agrícolas sensíveis entrarem em volumes elevados ou a preços significativamente inferiores aos europeus. Também permitem apuração de mercadorias que não cumpram normas da UE, como bem-estar animal, proteção trabalhista e uso de pesticidas. Em caso de prejuízo comprovado, benefícios comerciais podem ser suspensos.

França mantém oposição ao tratado

Mesmo com as alterações, o presidente francês Emmanuel Macron reiterou a rejeição ao acordo. “A posição da França é clara desde o início: o acordo é insuficiente e não deve ser assinado”, afirmou ao chegar à cúpula.

Impasse político e pressão por decisão

Para que a presidente da Comissão Europeia viaje ao Brasil no sábado e assine o acordo após 25 anos de negociações, é necessária uma maioria qualificada entre os países do bloco. O tratado prevê facilitar a entrada na Europa de carne, açúcar, arroz, mel e soja sul-americanos, enquanto amplia exportações europeias de automóveis, máquinas, vinhos e licores.

No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que um novo adiamento pode inviabilizar o acordo durante seu mandato. Em seguida, afirmou ter conversado com a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni e que a discussão sobre um possível adiamento pode ser levada ao Mercosul.

Fonte: Reuters
Texto: Redação

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Comércio

CNI defende acordo de livre comércio mais amplo entre Brasil e México

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que o Brasil precisa avançar na negociação de um acordo de livre comércio mais abrangente com o México, considerado um mercado prioritário na agenda internacional da indústria brasileira. Para a entidade, o fortalecimento do diálogo bilateral é essencial para preservar e ampliar a relação comercial entre os dois países, especialmente no atual cenário econômico.

Possíveis medidas mexicanas preocupam exportadores brasileiros

A CNI aguarda a confirmação de eventuais mudanças no escopo das medidas anunciadas pelo governo mexicano para calcular com maior precisão os impactos sobre as exportações brasileiras. Ainda assim, estimativas preliminares feitas com base na proposta inicial indicam que as medidas podem afetar cerca de US$ 1,7 bilhão, o equivalente a 14,7% do total exportado pelo Brasil ao México em 2024.

Acordos atuais são considerados insuficientes

Na avaliação da entidade, os acordos bilaterais em vigor não são suficientes para garantir a competitividade dos produtos brasileiros no mercado mexicano. Em um contexto de mudanças nas regras comerciais, a CNI alerta para o risco de perda de espaço da indústria nacional caso não haja avanços na modernização do marco regulatório entre os países.

Diálogo bilateral é visto como caminho para evitar tarifas

A CNI defende que os governos do Brasil e do México intensifiquem as negociações para buscar isenções ou tratamentos diferenciados aos produtos brasileiros diante das tarifas de importação anunciadas pelo México. Segundo a entidade, essas medidas vão na contramão das negociações em curso e podem comprometer o equilíbrio comercial.

Modernização dos acordos é prioridade

Para a indústria, a manutenção do compromisso bilateral passa pelo cumprimento ágil do plano de trabalho para atualização dos acordos comerciais, com foco em regras mais modernas e compatíveis com o comércio internacional. Um acordo mais amplo, avalia a CNI, traria maior previsibilidade, segurança jurídica e oportunidades de crescimento para as exportações brasileiras.

FONTE: Portal da Indústria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal da Indústria

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Comércio Exterior

China lança iniciativa “Grande Mercado para Todos” para ampliar importações e reduzir superávit comercial

Com foco em equilibrar sua balança comercial e reforçar o compromisso com o livre comércio, a China anunciou nesta terça-feira (4) a criação da iniciativa “Grande Mercado para Todos: Exportar para a China”, voltada a incentivar importações e fortalecer a cooperação econômica global.

Estratégia para reduzir desequilíbrios comerciais

A medida surge em meio a crescentes tensões comerciais entre a China e os Estados Unidos, num contexto em que o país asiático mantém altos superávits com diversas nações. Apesar do avanço nas exportações de produtos manufaturados, o ritmo das importações chinesas tem sido tímido, o que, segundo economistas, contribui tanto para pressões deflacionárias internas quanto para atritos no comércio internacional.

Plano global de cooperação econômica

O ministro do Comércio, Wang Wentao, explicou que o programa prevê a realização de dez grandes eventos anuais, com a participação de cinco a seis países em cada edição. O objetivo, afirmou, é tornar a China o principal destino de exportação e promover “cooperação vantajosa para todos”.

O anúncio ocorreu durante uma cerimônia em Xangai, com a presença do primeiro-ministro Li Qiang, na véspera da China International Import Expo (CIIE) — feira internacional de importação que acontece de 5 a 10 de novembro e serve como vitrine para o comércio global.

Abertura comercial e desafios de credibilidade

Lançada em 2018 pelo presidente Xi Jinping, a CIIE busca reforçar a imagem da China como defensora do livre comércio e contrapor críticas sobre seu expressivo superávit comercial com parceiros internacionais.

No entanto, o evento já foi alvo de questionamentos. Em 2023, a Câmara de Comércio Europeia classificou a feira como uma “vitrine política”, afirmando que os superávits chineses com países europeus continuavam crescendo, mesmo após o início da exposição.

A nova iniciativa tenta responder a essas críticas ao incentivar maior abertura de mercado, diversificação de importações e parcerias comerciais equilibradas, reforçando o papel da China como ator central no comércio internacional.

FONTE: Investimentos e Notícias
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ling Tang/Unsplash

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Comércio

Acordo Mercosul-Efta tem cláusula para acelerar vigência do livre comércio

Cláusula de “vigência bilateral” permite, na prática, que acordo passe a valer entre países que ratifiquem seus termos, sem necessidade de aceite por todo o bloco

Mercosul e Efta — de Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein — inseriram em seu acordo de livre comércio, a ser assinado nesta terça-feira (16), cláusula que deve acelerar a vigência dos termos e pode ajudar a evitar possíveis “resistências”.

A cláusula de “vigência bilateral” permite, na prática, que o acordo passe a valer entre países que ratifiquem seus termos, sem necessidade de aceite por todo o bloco, explicou em entrevista à CNN a secretária de Comércio Exterior do Mdic (Ministério do Desenvolvimento e Indústria), Tatiana Prazeres.

Segue um exemplo: Brasil e Islândia, caso aprovem internamente o trato, podem passar a usufruir de seus termos mesmo que Argentina ou Suíça ainda não tenham aceitado as condições.

A cláusula pode driblar um possível impasse envolvendo a Suíça, cuja democracia traz instrumento que permite levar decisões do Parlamento ao voto popular. Em 2021, o acordo comercial do país com a Indonésia acabou em referendo por meio desta ferramenta.

O governo brasileiro não descarta que o Mercosul-Efta tenha o mesmo destino.

Prazeres destaca que o acordo entre Mercosul e União Europeia também conta com item de “vigência bilateral”. Neste caso, porém, é necessário que haja ratificação de toda a UE e de apenas um país do sul-americano — a regra, nos bastidores, ficou conhecida como “cláusula antiperonista”

Ao contrário do Mercosul-UE, a tradução do acordo com o Efta, para os idiomas falados em todos os países envolvidos, acontecerá após a assinatura do trato em inglês. Então, serão iniciados os trâmites internos.

Segundo a secretária do Mdic, a expectativa do governo federal é de que o Mercosul-Efta seja apreciado pelo Congresso Nacional ainda em 2025.

Selo de qualidade

O governo federal já estima ganhos com a parceria. Além de aumento nas trocas, técnicos da Esplanada dos Ministérios esperam que o trato dê ao Brasil um “selo de qualidade”.

O Efta é considerado um bloco econômico “exigente”, desde o ponto de vista de qualidade da mercadoria a requisitos fitossanitários e ambientais. Assim, a abertura deste mercado é uma espécie de “chancela” aos produtos brasileiros.

Este ganho “reputacional” é especialmente importante para o agronegócio brasileiro, que não raramente nos últimos anos teve de defender requisitos cumpridos por suas mercadorias.

Secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), Luis Rua destacou em entrevista à CNN que o acordo traz, além do “selo de qualidade”, benefícios para mercados de alto valor agregado — que geram mais emprego e inovação.

Estão entre os segmentos com maior potencial para aumentarem suas vendas para estes europeus as carnes bovina e de aves, além do café, do suco de laranja e do etanol, por exemplo.

A carne bovina ganhou uma cota de três mil toneladas alíquota zero; a carne de aves, de mil toneladas, destaca o secretário.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio

Acordo de livre comércio entre Mercosul e EFTA será assinado no dia 16

Parceria permitirá acesso a mercado de quatro países europeus

O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), bloco formado por Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein, será assinado no dia 16 de setembro, no Rio de Janeiro

O anúncio foi feito, por meio de nota, pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE). O acordo será assinado durante a reunião de chanceleres do Mercosul, que será presidida pelo ministro, embaixador Mauro Vieira. O Brasil está na presidência temporária do bloco. 

“Para o Brasil, a consolidação da união aduaneira, a diversificação das parcerias econômico-comerciais do Mercosul e a modernização e aprofundamento dos acordos regionais vigentes constituem objetivos essenciais, em meio a cenário internacional instável e complexo. A presidência brasileira enfatizará, ainda, a importância do apoio ao processo de adesão plena da Bolívia ao bloco”, diz o comunicado. 

As negociações para o acordo tiveram início em junho de 2017, em Buenos Aires. No total, foram 14 rodadas de negociações até a conclusão em julho deste ano.

Criada em 1960, a EFTA é uma organização intergovernamental que reúne uma população de 15 milhões de habitantes, e possui um Produto Interno Bruto (PIB) somado de US$ 1,4 trilhão. Em termos de PIB per capita, Liechtenstein é considerado o segundo país mais rico do mundo, com renda média anual de US$ 186 mil por pessoa. Já a Suíça é o quarto mais rico, em termos per capita (US$ 104,5 mil). Islândia e Noruega também aparecem nas primeiras posições de países com maiores rendas médias.

Fonte: Agência Brasil

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Negócios

Mercosul e EFTA fecham acordo de livre comércio após oito anos de negociação

Parceria com Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein deve impulsionar exportações e reduzir tarifas, em meio às tensões comerciais com os EUA

O Mercosul assinará, no próximo dia 16 de setembro, durante cúpula no Rio de Janeiro, um acordo de livre comércio com o EFTA (Associação Europeia de Livre Comércio), formado por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein. As informações são do jornalista e comentarista do ICL Notícias Jamil Chade, em sua coluna no UOL.

O pacto, concluído em julho após oito anos de negociações, representa um passo estratégico para aproximar as economias sul-americanas de mercados desenvolvidos fora da União Europeia.

Com a assinatura, será criada uma nova zona de livre comércio abrangendo quase 300 milhões de pessoas e um PIB (Produto Interno Bruto) combinado de cerca de US$ 4,3 trilhões. Estima-se que 97% das exportações entre os dois blocos sejam beneficiadas.

Resposta do Mercosul às tensões com os EUA

Embora a negociação estivesse em curso há anos, os últimos desdobramentos geopolíticos e comerciais aceleraram o processo. O acordo foi impulsionado por reações às tarifas impostas pelos Estados Unidos tanto ao Brasil quanto a países europeus como a Suíça.

Um episódio simbólico da tensão foi a ida do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à final do US Open, a convite da Rolex, em meio a críticas sobre tarifas americanas de até 39% sobre produtos suíços — mais que o dobro das taxas aplicadas à UE e quase quatro vezes maiores que as cobradas do Reino Unido.

Nesse contexto, o acordo se apresenta como uma forma de fortalecer laços comerciais alternativos e garantir competitividade às exportações, sobretudo para economias altamente dependentes do comércio exterior, como a Suíça e a Noruega.

Abrangência econômica e setores beneficiados

Além da redução de tarifas, o tratado estabelece diretrizes sobre comércio de serviços, investimentos, propriedade intelectual, compras públicas, concorrência, regras de origem, defesa comercial e barreiras sanitárias e técnicas. Há ainda um capítulo específico sobre comércio e desenvolvimento sustentável, além da criação de um mecanismo de solução de controvérsias.

O comércio bilateral entre Brasil e EFTA somou US$ 7,2 bilhões em 2024. Do lado brasileiro, destacam-se exportações de ouro, café, soja, carnes e produtos químicos. As importações se concentram em máquinas, equipamentos, petróleo, gás e frutos do mar — especialmente da Noruega.

A expectativa é de que o acordo traga ganhos concretos. Segundo o governo suíço, até 95% das exportações do país para o Mercosul terão isenção tarifária ao fim dos prazos de transição. Isso pode resultar em uma economia anual de até US$ 180 milhões em tarifas aduaneiras.

A Suíça vê o pacto como o acordo de livre comércio com maior potencial de economia desde suas tratativas com a União Europeia, China e Índia. Em 2024, o país exportou mais de US$ 4 bilhões em mercadorias para o Mercosul, enquanto as importações foram de US$ 762 milhões.

Competição com a União Europeia

A assinatura também tem um componente geopolítico: impede que Suíça e Noruega fiquem em desvantagem frente à União Europeia, que ainda negocia seu próprio acordo com o Mercosul — agora pressionada a concluí-lo até o final do ano. Para o lado europeu do EFTA, o pacto representa a chance de ampliar a venda de produtos estratégicos como energia, serviços marítimos e frutos do mar, além de garantir cotas bilaterais para exportação de produtos agrícolas sensíveis.

Ao consolidar esse novo acordo, o Mercosul fortalece sua presença global e envia um sinal claro de abertura econômica, em um momento em que o comércio internacional vive um redesenho das alianças tradicionais.

Fonte: ICL Notícias

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