Portos

Terminal elétrico em Suape deve revolucionar logística portuária no Nordeste

O Porto de Suape, em Pernambuco, se prepara para um salto estratégico na logística brasileira com a implantação do primeiro terminal de contêineres 100% elétrico da América Latina. O projeto promete elevar em 55% a capacidade operacional do complexo, alcançando a movimentação anual de até 400 mil TEUs.

A iniciativa, liderada pela APM Terminals, braço do grupo Maersk, conta com investimento de R$ 2,1 bilhões e tem previsão de inauguração no segundo semestre de 2026. A expectativa é que o novo terminal fortaleça a posição do porto no cenário global, ampliando a atração de novas rotas marítimas e impulsionando a economia do Nordeste.

Localização estratégica fortalece papel de hub logístico

Com movimentação anual de cerca de 24 milhões de toneladas, o Porto de Suape já figura entre os principais do país. Sua localização privilegiada, entre Bahia e Ceará, facilita o acesso aos maiores mercados consumidores da região, além de otimizar rotas para a Europa e América do Norte.

Estudos do setor apontam o porto como forte candidato a se consolidar como um hub portuário, conectando rotas de longo curso com mercados internacionais, incluindo Mediterrâneo, Golfo e norte europeu.

Estrutura moderna e tecnologia de ponta

O novo terminal ocupará uma área de 495 mil m² — equivalente a 69 campos de futebol — e contará com 430 metros de cais e profundidade de 15,5 metros. A estrutura será capaz de receber navios da classe Super Panamax, os maiores em operação no Brasil.

Parte do investimento, cerca de R$ 241 milhões, será destinada a equipamentos de alta tecnologia, incluindo:

  • Guindastes STS para carga e descarga de navios
  • e-RTGs para movimentação de contêineres
  • Caminhões elétricos de transporte interno

Os sistemas contarão com sensores inteligentes, operação remota e foco em segurança operacional e acessibilidade. A infraestrutura também incluirá gates automatizados, rede 5G própria e tecnologia de shore power, que permite aos navios desligarem seus motores enquanto atracados.

Geração de empregos e qualificação profissional

O impacto socioeconômico do projeto já é significativo. Durante as obras, foram gerados cerca de 2.500 empregos diretos e indiretos. Na fase operacional, a previsão é de aproximadamente 1.750 novos postos de trabalho.

Além disso, há investimento em capacitação profissional, com destaque para a parceria com o Senai na criação de uma pós-graduação técnica em mecânica eletroportuária, voltada à operação dos novos sistemas.

Sustentabilidade e descarbonização no setor portuário

A adoção de equipamentos elétricos faz parte da estratégia global de descarbonização da Maersk, que prevê reduzir em 70% as emissões de CO₂ até 2030 e atingir emissões líquidas zero até 2040.

O modelo elimina o uso de combustíveis fósseis, reduzindo a emissão de gases de efeito estufa, além de diminuir a poluição sonora e melhorar a qualidade do ar no entorno do porto.

Outro benefício relevante é a redução de custos operacionais, já que equipamentos elétricos exigem menos manutenção e oferecem maior integração com sistemas digitais, favorecendo a automação logística e o monitoramento em tempo real.

Tendência global e vantagem competitiva

A eletrificação de operações portuárias já é uma tendência mundial, e o Brasil se destaca pela alta disponibilidade de energia limpa, fator decisivo para a viabilidade do projeto em Suape.

Com isso, o terminal se posiciona como referência em inovação tecnológica, sustentabilidade e eficiência, consolidando Pernambuco como um dos principais polos logísticos da América Latina.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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