Transporte

Corredor marítimo verde: Brasil, Noruega e Holanda avançam em projeto inédito no Atlântico

Brasil, Noruega e Holanda deram mais um passo rumo à descarbonização do transporte marítimo internacional com a apresentação do primeiro estudo de viabilidade técnica e econômica para a criação de um corredor marítimo verde no Atlântico Sul. A proposta busca conectar o Brasil à Europa por meio de rotas operadas com combustíveis de baixa ou zero emissão de carbono.

O estudo foi apresentado na Embaixada da Noruega, em Brasília, e aponta caminhos para reduzir o impacto ambiental do transporte marítimo entre os países.

Transporte marítimo gera milhões de toneladas de CO₂

De acordo com o levantamento, as operações marítimas entre Brasil e Europa emitiram aproximadamente 4,7 milhões de toneladas de CO2 equivalente em 2023.

Somente nas rotas entre Brasil e Noruega, 88 viagens de grandes cargueiros foram responsáveis pela emissão de 116 mil toneladas de CO2e. A maior parte das emissões está relacionada ao transporte de commodities como soja, minério de ferro e celulose.

Estudo identifica três rotas prioritárias

O documento foi elaborado pela consultoria norueguesa DNV após mais de um ano de cooperação entre os governos envolvidos.

O estudo definiu três rotas consideradas estratégicas para implantação do corredor verde:

  • Vila do Conde (PA) – Karmøy (Noruega)
  • Santos (SP) – Rotterdam (Holanda)
  • Pecém (CE) – Rotterdam (Holanda)

A rota entre Vila do Conde e Karmøy concentra cerca de 66% das emissões bilaterais entre Brasil e Noruega, segundo os dados apresentados.

Já o corredor entre Pecém e Rotterdam deverá priorizar exportações de hidrogênio verde, amônia verde e ferro verde, alinhadas às metas ambientais da União Europeia.

Combustíveis verdes ainda elevam custos operacionais

O estudo analisou o uso de três alternativas de combustíveis sustentáveis para navegação:

  • Biodiesel (FAME)
  • Amônia verde
  • Metanol verde

Apesar do potencial de neutralização das emissões, operar embarcações com combustíveis verdes ainda apresenta custos superiores aos sistemas convencionais movidos a combustíveis fósseis.

Na rota entre Vila do Conde e Karmøy, por exemplo, o custo do biodiesel pode ficar 43% acima da operação tradicional entre 2026 e 2040. Já o metanol verde pode elevar os gastos em até 109%.

Por outro lado, o biodiesel aparece como alternativa mais viável no curto prazo, já que pode ser utilizado nos motores atuais sem necessidade de grandes adaptações.

Novas regras da IMO podem acelerar transição

A implementação do novo marco regulatório da Organização Marítima Internacional (IMO) deve impulsionar a adoção de combustíveis sustentáveis no setor naval.

O chamado IMO Net-Zero Framework prevê multas para embarcações que ultrapassarem limites de emissão de carbono, com penalidades que podem chegar a US$ 380 por tonelada de CO2e.

Segundo o estudo, essas regras tendem a reduzir gradualmente a diferença de custo entre combustíveis fósseis e opções sustentáveis ao longo dos próximos anos.

Brasil aposta em energia renovável e infraestrutura portuária

A parceria internacional se apoia nas características complementares dos três países envolvidos.

O Brasil entra no projeto com uma matriz energética majoritariamente renovável e portos estratégicos como Santos, Pecém, Itaqui, Açu, Rio Grande e Navegantes.

A Noruega contribui com tecnologia marítima avançada e experiência em soluções para navegação sustentável. Já a Holanda oferece a estrutura logística do porto de Rotterdam, considerado um dos maiores da Europa.

Falta de coordenação ainda é desafio para o setor

Especialistas envolvidos no projeto apontam que o principal obstáculo para a criação dos corredores verdes não está apenas nos investimentos, mas também na articulação entre governos, armadores, produtores e operadores portuários.

Entre as recomendações do estudo estão a formação de consórcios internacionais e contratos de longo prazo para dar segurança econômica aos investimentos em infraestrutura e novas embarcações.

O Ministério de Portos e Aeroportos também informou que o Brasil ainda precisa avançar na regulamentação específica para combustíveis sustentáveis voltados ao transporte marítimo.

Países preparam edital bilionário para pesquisa e inovação

Como parte da cooperação, Brasil, Noruega e Holanda estudam lançar ainda em 2026 um edital conjunto de pesquisa e desenvolvimento.

A iniciativa, em parceria com a Finep, poderá destinar cerca de R$ 450 milhões para projetos ligados a combustíveis verdes e tecnologias voltadas à descarbonização das rotas marítimas.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Sustentabilidade

China instala sistema de energia limpa em base científica na Antártida para enfrentar noite polar

A China colocou em operação um avançado sistema de energia híbrida na Antártida para abastecer a Estação Qinling, localizada no Mar de Ross. A estrutura combina energia solar, turbinas eólicas, hidrogênio, baterias especiais para baixas temperaturas e geradores a diesel, garantindo funcionamento contínuo mesmo durante a longa noite polar.

O projeto faz parte da estratégia chinesa de ampliar sua presença científica no continente antártico e reduzir a dependência de combustíveis fósseis em áreas remotas e de difícil acesso.

Estação Qinling opera em uma das regiões mais extremas do planeta

Instalada na Ilha Inexpressible, na Baía Terra Nova, a Estação Qinling é a quinta base científica da China na Antártida. A unidade iniciou oficialmente suas atividades em fevereiro de 2024 e foi projetada para funcionar durante todo o ano.

A estrutura pode abrigar até 80 pesquisadores no verão e cerca de 30 pessoas durante o inverno antártico.

O sistema energético começou a operar em março de 2025 e foi desenvolvido para enfrentar condições extremas, como temperaturas negativas intensas, ventos fortes, gelo constante e longos períodos sem luz solar.

Sistema híbrido combina energia solar, eólica e hidrogênio

A infraestrutura energética da base inclui turbinas eólicas de 100 quilowatts, painéis solares com capacidade de 130 quilowatts, baterias de baixa temperatura e uma unidade de hidrogênio capaz de gerar energia contínua.

O modelo permite alternar diferentes fontes de geração conforme as condições climáticas da Antártida. Em períodos de vento forte, a produção eólica assume parte do abastecimento. Já durante os momentos de maior incidência solar, os painéis fotovoltaicos alimentam laboratórios, alojamentos e sistemas de comunicação.

Quando não há vento nem luz solar suficiente, o armazenamento em baterias e o sistema de hidrogênio entram em operação para manter a estação ativa.

Hidrogênio garante energia durante a noite polar

Um dos principais desafios das bases científicas na Antártida é a chamada noite polar, período em que a região permanece semanas ou meses sem luz solar.

Para enfrentar essa condição, a Estação Qinling utiliza o hidrogênio como reserva estratégica de energia. Segundo informações divulgadas por veículos chineses, a unidade consegue fornecer 30 quilowatts de eletricidade contínua por até 14 dias sem geração solar.

As baterias especiais instaladas na base também foram desenvolvidas para suportar temperaturas extremamente baixas, condição que normalmente reduz o desempenho de sistemas convencionais de armazenamento energético.

China quer reduzir uso de diesel na Antártida

Apesar do foco em energia renovável, a estação mantém geradores a diesel como sistema de apoio e segurança operacional. O modelo híbrido garante redundância energética em situações de baixa geração renovável ou falhas técnicas.

A meta da China é fazer com que cerca de 60% da energia consumida na Qinling venha de fontes limpas, reduzindo a necessidade de transporte de combustível por navios e aeronaves — operações consideradas caras, complexas e ambientalmente sensíveis.

Base amplia presença científica chinesa no Mar de Ross

A localização da Estação Qinling fortalece a atuação chinesa em uma área estratégica para pesquisas climáticas e ambientais.

O Mar de Ross é considerado uma das regiões mais relevantes da Antártida para estudos sobre oceanografia, glaciologia, mudanças climáticas e ecossistemas polares.

Com a nova estrutura, a China amplia sua capacidade de coleta de dados científicos e reforça sua presença em uma região onde a pesquisa também possui importância geopolítica.

Projeto pode servir de modelo para áreas isoladas

Além do uso na Antártida, a experiência da Estação Qinling pode contribuir para soluções energéticas em regiões remotas ao redor do mundo.

A integração entre energia eólica, solar, hidrogênio e baterias em ambientes extremos pode ajudar no desenvolvimento de sistemas para ilhas isoladas, regiões montanhosas e comunidades sem acesso estável à rede elétrica.

A operação da base demonstra que a combinação entre fontes renováveis, armazenamento energético e geração emergencial pode garantir fornecimento contínuo mesmo em ambientes severos e de difícil logística.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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Internacional

Uruguai e Argentina avançam em negociações sobre usina de hidrogênio verde na fronteira

Os governos do Uruguai e da Argentina deram novos passos nas negociações envolvendo a instalação de uma usina de hidrogênio verde próxima ao rio Uruguai, área que divide os dois países. O tema foi discutido na última terça-feira (12) durante reunião realizada em Montevidéu entre representantes diplomáticos das duas nações.

O empreendimento, liderado pela multinacional HIF Global, prevê investimentos superiores a US$ 5 bilhões, equivalente a cerca de R$ 24,4 bilhões.

Governo uruguaio avalia impactos ambientais

Após o encontro, o chanceler uruguaio, Mario Lubetkin, afirmou que as conversas avançaram de forma positiva e destacou que ainda existem etapas importantes antes da possível concretização do projeto.

Segundo o governo uruguaio, o estudo de impacto ambiental da futura planta industrial segue em análise. Além disso, Montevidéu também considera alternativas para a localização da usina, atendendo a uma das principais preocupações apresentadas por Buenos Aires.

A proposta inicial prevê a instalação da unidade no departamento de Paysandú, no norte uruguaio, a poucos quilômetros do rio Uruguai.

Cidade argentina teme efeitos no turismo e no meio ambiente

O projeto mantém autoridades e moradores da cidade argentina de Colón em estado de atenção devido aos possíveis impactos ambientais e reflexos sobre o turismo local.

O representante argentino, Pablo Quirno, avaliou de forma positiva a decisão uruguaia de considerar as observações ambientais feitas pela Argentina durante a análise técnica do empreendimento.

Ele também ressaltou que o Uruguai possui autonomia para receber investimentos estrangeiros, desde que atendam às exigências nacionais, mas destacou que o diálogo entre os países é fundamental para evitar futuros conflitos diplomáticos.

Possível mudança de localização está em análise

Embora ainda não exista definição oficial, veículos da imprensa local indicam que a usina poderá ser transferida para outra área dentro do mesmo departamento uruguaio.

A relação entre Montevidéu e Buenos Aires já enfrentou tensões semelhantes em anos anteriores devido à instalação de indústrias próximas ao rio compartilhado.

Histórico de conflitos entre Uruguai e Argentina

Em 2010, os dois países encerraram uma longa disputa diplomática relacionada à instalação de uma fábrica de celulose em território uruguaio, também nas proximidades do rio Uruguai.

Anos depois, o ex-presidente uruguaio Tabaré Vázquez revelou que, durante o período de tensão, chegou a considerar a possibilidade de um conflito armado com o país vizinho.

FONTE: UOL
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Folha de São Paulo

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Sustentabilidade

Porto de Santos lidera avanço da energia limpa nos portos brasileiros

O setor portuário brasileiro tem acelerado investimentos em energia limpa e tecnologias sustentáveis para reduzir as emissões de gases de efeito estufa no transporte marítimo. Responsável por mais de 95% do comércio exterior do Brasil, a atividade marítima enfrenta pressão internacional para diminuir seu impacto ambiental, já que responde por cerca de 3% das emissões globais relacionadas à energia.

Estudos apontam que, sem mudanças estruturais, as emissões do setor podem crescer entre 90% e 130% até 2030, na comparação com os níveis registrados em 2008.

Portos brasileiros ampliam ações de descarbonização

Entre as principais iniciativas adotadas pelos portos nacionais estão a eletrificação de equipamentos, o uso de sistemas de abastecimento elétrico para embarcações atracadas — conhecidos como Onshore Power Supply (OPS) — além do monitoramento de emissões e investimentos em combustíveis de baixo carbono e hidrogênio verde.

O Porto de Santos, maior complexo portuário do Hemisfério Sul, está entre os destaques desse movimento. Desde 2024, o terminal utiliza o sistema OPS para fornecer energia elétrica a rebocadores atracados, substituindo o consumo de diesel.

A energia utilizada é gerada pela Usina Hidrelétrica de Itatinga, localizada em Bertioga (SP), contribuindo diretamente para a redução das emissões de gás carbônico (CO2) nas operações portuárias.

Paranaguá investe em energia solar e logística ferroviária

No Paraná, o Porto de Paranaguá também vem ampliando medidas voltadas à sustentabilidade. Entre os projetos em andamento está a conclusão do Moegão, estrutura que aumentará a capacidade de movimentação ferroviária no terminal.

Além disso, sistemas de energia solar instalados em áreas portuárias ajudam a reduzir as emissões desde 2023, fortalecendo a eficiência operacional e a matriz energética limpa do complexo.

Porto de Suape terá terminal totalmente eletrificado

Em Pernambuco, o Porto de Suape prepara a implantação do primeiro terminal de contêineres 100% eletrificado da América Latina. O projeto prevê equipamentos movidos exclusivamente a energia elétrica, automação operacional e integração digital das operações.

A expectativa é que a nova estrutura entre em funcionamento até o fim deste ano, consolidando o porto como referência em infraestrutura portuária sustentável.

Pecém e Porto do Açu apostam no hidrogênio verde

No Ceará, o Complexo do Pecém avança na criação de um hub de hidrogênio verde, aproveitando o potencial regional de geração de energia renovável. O projeto inclui iniciativas voltadas à produção de amônia verde e expansão da infraestrutura logística para atender à nova demanda energética a partir de 2030.

Já o Porto do Açu, no Rio de Janeiro, trabalha na implementação de um corredor verde voltado ao abastecimento com combustíveis de baixo carbono. O complexo também desenvolve projetos ligados ao hidrogênio e à descarbonização da indústria siderúrgica.

Sustentabilidade se torna prioridade no setor marítimo

Com o aumento das exigências ambientais globais, os portos brasileiros intensificam investimentos em inovação, eficiência energética e redução de emissões. A tendência é que projetos ligados à transição energética, eletrificação e combustíveis renováveis ganhem ainda mais espaço nos próximos anos.

FONTE: A Tribuna
TEXTO: Redação
IMAGEM: Vanessa Rodrigues/AT/Arquivo

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Portos

Portos brasileiros aceleram projetos de eletrificação e energia limpa para reduzir emissões

Os portos brasileiros vêm ampliando investimentos em eletrificação, uso de energia renovável e adoção de combustíveis limpos como parte da estratégia de descarbonização do setor. O avanço ocorre em um segmento responsável por mais de 95% do comércio exterior do Brasil e que, globalmente, representa cerca de 3% das emissões de gases de efeito estufa ligadas à energia no transporte marítimo.

Setor portuário busca reduzir impacto ambiental

Dados do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) apontam que, sem mudanças estruturais, as emissões do transporte marítimo podem alcançar até 130% dos níveis registrados em 2008 até o ano de 2030.

Além das emissões geradas pelos navios, os complexos portuários brasileiros enfrentam desafios relacionados ao intenso fluxo de caminhões, trens e limitações da infraestrutura terrestre, fatores que aumentam a pressão ambiental sobre o setor.

Diante desse cenário, o governo federal passou a fortalecer a Política de Sustentabilidade para o Transporte, lançada em 2025. A iniciativa estabelece diretrizes ambientais, sociais e de governança para os segmentos portuário, aeroportuário e hidroviário.

Segundo o secretário nacional de Portos, Alex Ávila, o objetivo é ampliar ações sustentáveis com planejamento técnico e integração institucional.

Porto de Santos já utiliza energia elétrica para embarcações

Entre os principais exemplos em operação está o Porto de Santos, em São Paulo, que desde 2024 utiliza o sistema Onshore Power Supply (OPS) para fornecer energia elétrica a rebocadores atracados. O abastecimento é realizado com energia proveniente da usina hidrelétrica de Itatinga.

A medida reduz o consumo de combustíveis fósseis durante as operações portuárias e diminui a emissão de poluentes na região.

Paranaguá, Suape e Pecém ampliam projetos sustentáveis

No Porto de Paranaguá, no Paraná, investimentos em ferrovia e sistemas de geração fotovoltaica vêm sendo utilizados para aumentar a eficiência operacional e reduzir impactos ambientais.

Já o Porto de Suape, em Pernambuco, trabalha na implantação de um terminal de contêineres totalmente eletrificado, com previsão de conclusão até o fim deste ano.

Enquanto isso, os portos de Pecém, no Ceará, e do Açu, no Rio de Janeiro, avançam em projetos ligados à produção e exportação de hidrogênio verde, amônia verde e corredores logísticos voltados a combustíveis de baixo carbono a partir de 2030.

Governo amplia monitoramento ambiental no setor marítimo

Na área regulatória, o MPor coordena atualmente o Programa de Descarbonização de Portos (PND-Portos) e o Índice de Desempenho Ambiental da Navegação (IDA-Navegação), desenvolvido em parceria com a Infra S.A.

O indicador reúne 39 métricas divididas em quatro dimensões para monitorar o desempenho ambiental das embarcações que operam nos portos brasileiros.

Transição energética deve transformar infraestrutura portuária

De acordo com o ministério, a combinação entre políticas públicas, monitoramento ambiental e modernização da infraestrutura será fundamental para impulsionar a transição energética do setor portuário nos próximos anos.

A estratégia também busca alinhar os portos brasileiros aos compromissos climáticos assumidos pelo país e às novas exigências ambientais do comércio internacional.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Canal Rural

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Portos

Portos brasileiros aceleram transição sustentável para reduzir emissões no transporte marítimo

Responsável por movimentar a maior parte do comércio internacional e mais de 95% das exportações brasileiras, o transporte marítimo também enfrenta pressão crescente para reduzir os impactos ambientais. Atualmente, o setor responde por cerca de 3% das emissões globais de gases de efeito estufa ligadas à energia.

Projeções indicam que, caso o ritmo atual seja mantido, as emissões da navegação mundial poderão atingir entre 90% e 130% dos níveis registrados em 2008 até o ano de 2030.

Portos brasileiros ampliam ações de descarbonização

Nos portos brasileiros, o desafio ambiental envolve não apenas as emissões dos navios, mas também o intenso fluxo de caminhões e trens nas áreas portuárias e as limitações da infraestrutura logística terrestre.

Para enfrentar esse cenário, o Ministério de Portos e Aeroportos vem intensificando políticas voltadas à transição energética, eficiência operacional e adoção de tecnologias limpas.

Entre as principais iniciativas estão a eletrificação de equipamentos, o fornecimento de energia elétrica para embarcações atracadas — sistema conhecido como Onshore Power Supply (OPS) — além de investimentos em combustíveis sustentáveis e projetos de hidrogênio verde.

Segundo o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, o objetivo é fortalecer políticas públicas alinhadas à sustentabilidade e estimular práticas ambientais no setor logístico nacional.

Política de sustentabilidade impulsiona setor portuário

Lançada em 2025, a Política de Sustentabilidade do modal de transporte passou a orientar os setores portuário, aeroportuário e hidroviário com base em critérios ESG — sigla para práticas ambientais, sociais e de governança.

A proposta busca integrar eficiência logística, transparência e responsabilidade socioambiental na infraestrutura brasileira.

De acordo com o secretário nacional de Portos, Alex Ávila, os portos deixaram de ser apenas pontos de circulação de mercadorias e passaram a desempenhar papel estratégico na descarbonização da navegação e no desenvolvimento de novas soluções energéticas.

Portos investem em energia limpa e infraestrutura verde

Diversos complexos portuários do país já colocam em prática projetos sustentáveis.

No Porto de Santos, em São Paulo, o sistema OPS passou a abastecer rebocadores com energia elétrica produzida pela usina hidrelétrica de Itatinga, reduzindo o consumo de diesel e as emissões de CO₂.

Em Paranaguá, no Paraná, os investimentos incluem ampliação da logística ferroviária e instalação de sistemas de energia solar para aumentar a eficiência operacional e diminuir impactos ambientais.

Já o Porto de Suape, em Pernambuco, avança para se tornar o primeiro terminal de contêineres totalmente eletrificado da América Latina, com operação automatizada e equipamentos movidos exclusivamente a energia elétrica.

No Ceará, o Complexo do Pecém aposta na consolidação de um polo de hidrogênio verde, aproveitando o potencial regional de geração de energia renovável. O projeto também prevê produção de amônia verde e expansão da infraestrutura portuária.

Enquanto isso, o Porto do Açu, no Rio de Janeiro, desenvolve iniciativas ligadas à criação de um corredor verde para combustíveis de baixo carbono e projetos de descarbonização da indústria siderúrgica.

Brasil fortalece agenda ESG no setor marítimo

O Ministério de Portos e Aeroportos também vem ampliando ferramentas voltadas à sustentabilidade no setor aquaviário.

Entre elas está o Índice de Desempenho Ambiental da Navegação (IDA-Navegação), desenvolvido em parceria com a Infra S.A., que mede a performance ambiental das embarcações por meio de 39 indicadores.

Outro destaque é o Programa de Descarbonização de Portos (PND-Portos), criado para reduzir gradualmente as emissões de gases de efeito estufa e modernizar a infraestrutura logística nacional.

Segundo o ministro Tomé Franca, os programas serão fundamentais para alinhar o Brasil às melhores práticas internacionais em sustentabilidade e eficiência energética no setor portuário.

Empresas recebem reconhecimento por práticas sustentáveis

Na relação com a iniciativa privada, o governo federal consolidou o chamado Pacto pela Sustentabilidade, iniciativa que reúne empresas comprometidas com ações ESG.

Durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em Belém no ano passado, 36 empresas receberam selos de excelência por projetos voltados à inovação e sustentabilidade no setor de transportes.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Vosmar Rosa

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Sustentabilidade

Energia solar em Itaipu pode dobrar capacidade e impulsionar diversificação energética

A usina de Itaipu, localizada na fronteira entre Brasil e Paraguai, vem ampliando suas pesquisas em energia solar fotovoltaica como alternativa complementar à geração hidrelétrica. O projeto utiliza o próprio reservatório da usina, que possui cerca de 1,3 mil km² de área, como base para instalação de painéis solares flutuantes.

O lago tem aproximadamente 170 km de extensão e largura média de 7 km, o que abre espaço para estudos sobre o aproveitamento do espelho d’água na produção de eletricidade.

Planta piloto utiliza menos de 10 mil m² do lago

O experimento em andamento conta com 1.584 painéis fotovoltaicos instalados em uma área inferior a 10 mil m², posicionados a cerca de 15 metros da margem paraguaia, em região com profundidade média de 7 metros.

A estrutura tem capacidade de gerar até 1 megawatt-pico (MWp), energia suficiente para abastecer cerca de 650 residências. Toda a produção é destinada ao consumo interno da usina e não está conectada ao sistema hidrelétrico principal.

Projeto funciona como laboratório de pesquisa

A chamada “ilha solar” de Itaipu tem caráter experimental e serve como plataforma de testes para futuras aplicações em escala maior. Os estudos envolvem desde a eficiência dos painéis até impactos ambientais, como comportamento de peixes, variação de temperatura da água e influência de ventos no desempenho da estrutura.

Também são avaliadas a estabilidade dos flutuadores, a fixação no solo e a durabilidade do sistema em ambiente aquático.

Potencial energético pode se aproximar da hidrelétrica

Segundo o superintendente de Energias Renováveis da Itaipu Binacional, Rogério Meneghetti, o potencial teórico da tecnologia é significativo. Ele destaca que, caso cerca de 10% do reservatório fosse coberto por placas solares, a geração poderia se aproximar da capacidade de uma nova usina do porte de Itaipu.

Apesar disso, ele reforça que a hipótese ainda é distante e depende de diversos estudos técnicos e ambientais.

Integração com novas fontes e atualização do tratado

A expansão da energia solar em Itaipu também levanta discussões sobre o Tratado de Itaipu, firmado em 1973 entre Brasil e Paraguai, que regulamenta a operação da usina.

Estimativas preliminares indicam que a instalação de uma capacidade solar de 3 mil MW poderia levar cerca de quatro anos, o equivalente a aproximadamente 20% da potência atual da hidrelétrica.

O investimento inicial do projeto é de US$ 854,5 mil (cerca de R$ 4,3 milhões), executado por um consórcio binacional formado pelas empresas Sunlution (Brasil) e Luxacril (Paraguai).

Itaipu investe em múltiplas fontes de energia

A diversificação energética da usina vai além da solar. O complexo Itaipu Parquetec, em Foz do Iguaçu, desenvolve projetos em hidrogênio verde, baterias e biocombustíveis, consolidando um ecossistema de inovação em energia limpa.

Hidrogênio verde ganha destaque em pesquisas

No Centro Avançado de Tecnologia de Hidrogênio, pesquisadores trabalham com a produção de hidrogênio verde por meio da eletrólise da água, processo que separa hidrogênio e oxigênio sem emissão de dióxido de carbono.

A tecnologia é considerada estratégica para setores como indústria química, siderúrgica, agrícola e transporte.

Segundo o gerente do centro, Daniel Cantani, o espaço funciona como plataforma de testes para empresas e instituições que desenvolvem soluções movidas a hidrogênio.

Um dos projetos já resultou na apresentação de um barco movido a hidrogênio durante a COP30, em Belém, utilizado em ações de coleta seletiva em comunidades ribeirinhas.

Pesquisa em armazenamento de energia avança

Outro eixo de inovação no Itaipu Parquetec envolve o desenvolvimento de sistemas de armazenamento energético, com foco em baterias e células protótipo. As pesquisas buscam soluções para garantir reserva de energia em instalações fixas e industriais.

Biogás transforma resíduos em combustível limpo

A usina também investe na produção de biogás e biometano a partir de resíduos orgânicos gerados internamente e materiais apreendidos em ações de fiscalização.

O processo de biodigestão transforma esses resíduos em energia utilizada em veículos dentro do complexo de Itaipu.

Em quase nove anos, mais de 720 toneladas de resíduos foram processadas, gerando combustível suficiente para percorrer cerca de 480 mil quilômetros — o equivalente a 12 voltas ao redor da Terra.

Futuro aponta para combustíveis avançados

Além do biogás, a planta experimental também desenvolve o bio-syncrude, um óleo sintético que pode ser usado na produção de SAF (combustível sustentável de aviação).

Para especialistas do setor, combustíveis como hidrogênio, SAF e biometano devem ganhar protagonismo na próxima década, impulsionados por novas legislações e metas de transição energética.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Tânia Rêgo/Agência Brasil

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Logística

Hyundai lança caminhões a hidrogênio na América do Sul com projeto inovador no Uruguai

A Hyundai deu início à operação da primeira frota de caminhões a hidrogênio na América do Sul, marcando um avanço relevante no transporte sustentável da região. O projeto está sendo implementado no Uruguai, com oito unidades do modelo Hyundai XCIENT Fuel Cell voltadas para a logística de madeira.

A iniciativa vai além da introdução dos veículos e aposta em um modelo integrado que inclui produção de hidrogênio verde, infraestrutura de abastecimento e uso final no mesmo ecossistema.

Modelo integrado impulsiona hidrogênio verde

O projeto faz parte do chamado Projeto Kahirós, conduzido por um consórcio local que reúne empresas de energia, logística e parceiros da montadora. A proposta envolve a construção de uma planta de eletrólise abastecida por energia solar, com capacidade estimada de produzir cerca de 77 toneladas de hidrogênio verde por ano.

Com investimento aproximado de US$ 40 milhões — financiado pelo Grupo Santander e com apoio da International Finance Corporation e de um fundo ligado à ONU — o projeto prevê operação contínua ao longo da próxima década.

A estratégia adota um modelo verticalizado, no qual a produção e o consumo do hidrogênio ocorrem no mesmo local, reduzindo custos logísticos e aumentando a eficiência do sistema.

Aplicação prática ainda depende de projetos estruturados

O uso de caminhões movidos a hidrogênio ainda está concentrado em operações específicas, com rotas bem definidas e demanda previsível. No caso uruguaio, a escolha da cadeia florestal atende a esses critérios, permitindo melhor planejamento da infraestrutura e controle de custos.

Diferentemente dos caminhões elétricos a bateria, que já avançam em modelos mais amplos, o hidrogênio ainda exige projetos estruturados para garantir viabilidade econômica e operacional.

Desempenho do Hyundai XCIENT Fuel Cell

O modelo utilizado na operação, o Hyundai XCIENT Fuel Cell, já está presente em mercados como Europa e América do Norte. O caminhão combina duas células de combustível que geram potência equivalente a 245 cv, alimentando um motor elétrico de 469 cv e torque de 2.237 Nm.

O sistema conta com dez tanques de armazenamento, com capacidade total de 68 kg de hidrogênio, além de uma bateria de 72 kWh. A autonomia pode chegar a 720 quilômetros, com reabastecimento mais rápido em comparação aos veículos elétricos tradicionais.

Voltado ao transporte pesado, o caminhão suporta até 37,2 toneladas de peso bruto combinado.

Tecnologia validada, mas com desafios de escala

A Hyundai já acumula experiência global com o modelo. Na Europa, os caminhões superam 20 milhões de quilômetros rodados desde 2020, enquanto na América do Norte já ultrapassaram 1,6 milhão de quilômetros desde 2023.

Apesar da validação técnica, a expansão da tecnologia ainda enfrenta desafios importantes, como o alto custo do hidrogênio e a necessidade de infraestrutura dedicada.

O projeto no Uruguai demonstra que o hidrogênio verde no transporte é viável quando há integração entre produção, abastecimento e uso. No entanto, a ampliação para um mercado mais amplo ainda depende de avanços estruturais e econômicos.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Modais em Foco

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Portos

Porto de Santos investe R$ 40 milhões em tarifas verdes para impulsionar transição energética

Enquanto o Brasil consolida seu papel de destaque na agenda climática global com a COP30, o Porto de Santos busca protagonismo nacional na transição energética do setor marítimo. A Autoridade Portuária de Santos (APS) vem implementando uma série de ações alinhadas às metas de descarbonização da Organização Marítima Internacional (IMO) e do Acordo de Paris, transformando o maior porto da América Latina em um polo de logística sustentável.

Desde 2023, a APS abriu mão de R$ 40,6 milhões em tarifas portuárias para incentivar navios e terminais verdes. Somente em 2025, os descontos chegam a R$ 16,8 milhões, valor destinado a estimular práticas ambientais responsáveis, como a elaboração de inventários de emissões de gases de efeito estufa e o uso de matrizes energéticas limpas.

Segundo o presidente da APS, Anderson Pomini, a renúncia de receita representa um investimento estratégico: “Não é perda, é investimento. Estar à frente desse processo significa consolidar uma vantagem competitiva para atrair parceiros que priorizam cadeias logísticas sustentáveis”, afirmou.

Três pilares da descarbonização portuária

O transporte marítimo é responsável por 80% do comércio mundial e por 3% das emissões globais de gases de efeito estufa (GEE), conforme a IMO. Por isso, a transformação dos portos é considerada essencial para cumprir os compromissos do Acordo de Paris. As frentes de atuação envolvem eficiência logística, uso de biocombustíveis e energia elétrica renovável.

Em outubro, a APS assinou contrato com a Fundação Valenciaport para desenvolver um Plano de Descarbonização e um Plano Diretor Energético (PDE). O trabalho, com duração prevista de 22 meses, irá definir metas e ações para reduzir as emissões em todas as operações do complexo portuário da Baixada Santista, abrangendo navios, terminais, transporte ferroviário e rodoviário.

O PDE estabelecerá diretrizes para a substituição gradual dos combustíveis fósseis por fontes de energia limpa, reforçando o compromisso do Porto de Santos com uma infraestrutura de baixo carbono.

Energia renovável e tecnologia no cais

Desde 2024, o Porto de Santos opera um projeto pioneiro de eletrificação do cais, abastecido pela Usina Hidrelétrica de Itatinga, que fornece energia limpa e renovável para cerca de 20 rebocadores. A APS também negocia a ampliação do fornecimento.

A busca por eficiência logística conta com o apoio do Parque de Inovação Tecnológica de São José dos Campos (PIT), responsável por desenvolver soluções inteligentes para o sequenciamento de caminhões e navios, reduzindo o tempo de espera e, consequentemente, as emissões de carbono.

O VTMIS (Sistema de Gerenciamento de Informações do Tráfego de Embarcações), atualmente em fase de implantação, promete ser outro avanço importante, otimizando a movimentação marítima e tornando as operações mais seguras e sustentáveis.

Para o diretor de Operações da APS, Beto Mendes, a inovação é indispensável: “Como o maior porto do hemisfério sul, temos o dever de unir eficiência e sustentabilidade. Parcerias com centros de inovação, como o PIT, preparam o Porto de Santos para o futuro”, afirmou.

Produção de hidrogênio verde e combustíveis limpos

A repotencialização da Usina de Itatinga, em estudo, deve aumentar a capacidade de geração energética e incluir a produção de hidrogênio verde. Atualmente, a usina já supre quase toda a demanda da APS, mas o objetivo é expandir o fornecimento para abastecer diretamente as operações portuárias.

As instalações de gás natural da Baixada Santista também se firmam como diferencial competitivo, possibilitando o abastecimento de navios com combustíveis de baixo carbono — passo essencial para a consolidação de corredores marítimos verdes, segundo Sidnei Aranha, superintendente de Meio Ambiente da APS.

“Queremos garantir que os portos de origem e destino ofereçam condições para o uso de combustíveis de baixo impacto ambiental. Isso consolida o Porto de Santos como elo fundamental da transição energética marítima”, explicou Aranha.

Gestão ambiental baseada em dados

Desde 2021, a APS elabora um inventário anual de emissões de gases de efeito estufa, seguindo a metodologia do Programa Brasileiro GHG Protocol, validado pela CETESB. O levantamento cobre 400 mil m² de áreas operacionais em Santos, Guarujá e Bertioga, além de 19,5 milhões de m² de áreas vegetadas sob sua gestão.

Para Aranha, a mensuração precisa das emissões é fundamental para o planejamento estratégico. “O inventário é nossa bússola. Saber nossa pegada de carbono nos permite investir onde o impacto climático é maior”, destacou.

Os relatórios completos estão disponíveis no site oficial da APS.

FONTE: Porto de Santos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Porto de Santos

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Portos

Portos brasileiros adotam incentivos para reduzir emissões de carbono

Estudo da ANTAQ aponta avanços em descarbonização e uso de hidrogênio verde nos portos

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) aprovou o Eixo 3 do estudo “Diagnóstico de Descarbonização, Infraestrutura e Aplicações do Hidrogênio nos Portos”. O levantamento analisou iniciativas de cinco portos brasileiros voltadas à redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE), transição energética e aplicação do hidrogênio verde.

Os portos selecionados foram: Itaqui (MA), Pecém (CE), Paranaguá (PR), Santos (SP) e Açu (RJ). Todos se destacaram pelo bom desempenho no Índice de Desempenho Ambiental (IDA), pelos projetos em andamento de energia renovável e pelas experiências em descarbonização portuária.

Importância estratégica para o Brasil

Segundo o diretor da ANTAQ, Caio Farias, a descarbonização dos portos é fundamental para manter a competitividade do país no comércio internacional e atender às metas climáticas globais. Ele ressaltou a necessidade de políticas públicas, incentivos econômicos e parcerias internacionais para consolidar a infraestrutura sustentável.

“O alinhamento do Brasil às melhores práticas globais exige investimentos contínuos, capacitação técnica e cooperação internacional para garantir uma transição energética eficiente e duradoura”, destacou Farias.

Incentivos aos navios de baixo carbono

Todos os portos avaliados já oferecem benefícios a navios com menor pegada de carbono, como descontos tarifários e prioridade de atracação. Além disso, avançam na criação de Planos de Descarbonização. O Porto do Açu já possui um documento consolidado, enquanto os demais estão em fase de elaboração.

Entre as principais medidas em andamento estão:

  • instalação de painéis solares;
  • contratação de energia renovável certificada;
  • substituição de equipamentos a combustão por elétricos;
  • modernização da rede elétrica;
  • desenvolvimento de parcerias para uso de combustíveis de baixo carbono.

Inventário de emissões

Três portos – Santos, Itaqui e Açu – já possuem inventários completos de emissões de GEE. O destaque vai para o Porto do Açu, que incluiu o Escopo 3, abrangendo atividades como dragagem e transporte logístico, responsáveis pelo maior volume de emissões.

Recomendações do estudo

O relatório recomenda a criação de um Plano Nacional de Hidrogênio Verde e a implementação de incentivos fiscais para acelerar a adoção de combustíveis limpos. Também aponta a importância de parcerias público-privadas para estruturar corredores verdes de exportação e fomentar investimentos em pesquisa e desenvolvimento de tecnologias sustentáveis.

Entre as propostas, está a criação de corredores de transporte ecológicos, capazes de reduzir emissões da navegação global e melhorar a qualidade do ar em comunidades costeiras.

Cooperação internacional

O estudo faz parte do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre a ANTAQ e a Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ). O projeto está dividido em três eixos:

  • Eixo 1 (2021): revisão da experiência internacional em descarbonização portuária;
  • Eixo 2 (2024): diagnóstico do setor em conjunto com o Ministério de Portos e Aeroportos;
  • Eixo 3 (2025): análise de casos práticos em portos brasileiros.

Com isso, a ANTAQ busca consolidar diretrizes e boas práticas para a descarbonização dos portos brasileiros, tornando-os mais sustentáveis e alinhados às exigências internacionais.

FONTE: ANTAQ
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/ANTAQ

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