Agronegócio

Fiscalização eletrônica da tabela do frete acende alerta no agronegócio brasileiro

A partir de 6 de outubro, entrou em vigor a fiscalização eletrônica da tabela de piso mínimo do frete rodoviário, implementada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A medida revelou uma prática até então tolerada: o descumprimento da tabela de frete, vigente desde 2018, quando foi criada pela Lei 13.703 após a greve dos caminhoneiros.

Com o novo sistema, a ANTT passou a cruzar informações em tempo real por meio do Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e), permitindo identificar irregularidades nas operações de transporte. O setor agropecuário, um dos mais impactados, teme aumento de custos logísticos, insegurança jurídica e dificuldades no escoamento de grãos e fertilizantes.

Mercado operava fora da tabela desde 2018

Segundo Fernando Bastiani, pesquisador do Esalq-Log/USP — grupo que participou da criação da regra —, a fiscalização era praticamente inexistente, e o mercado funcionava com base na oferta e demanda. “Agora as empresas estão tentando se adequar, e o mercado ficou praticamente paralisado”, afirma.

Ele explica que, em 2025, os preços do frete ficaram acima do piso durante a safra, mas, nas rotas longas, como Mato Grosso a Santos (SP) e Paranaguá (PR), muitos contratos não respeitavam os valores mínimos.

A plataforma Fretebras, referência no transporte de cargas, confirma o impacto imediato. De acordo com Federico Veja, CEO da empresa, a demanda por embarques caiu 20%, enquanto a oferta de caminhoneiros subiu na mesma proporção. “A tabela estabelece um piso real, o que favorece os motoristas, mas pressiona os custos das commodities agrícolas, como a soja”, explicou.

Entidades do agro contestam metodologia da tabela

Mais de 50 entidades do agronegócio enviaram ofício à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) pedindo uma revisão da metodologia da tabela da ANTT. O documento solicita que a bancada leve a discussão aos ministérios da Agricultura, Transportes, Fazenda e à Casa Civil, para a abertura de um diálogo técnico sobre o tema.

As instituições argumentam que os critérios de cálculo do piso mínimo são imprecisos e desatualizados, desconsiderando diferenças regionais, tipos de carga, rotas e até a idade média da frota nacional, estimada em 20 anos.

No setor de fertilizantes, o Sindiadubos (Sindicato da Indústria de Adubos e Corretivos Agrícolas) estima aumento de custos entre 35% e 50%, dependendo da rota.

“Essa nova precificação pode gerar distorções não apenas no transporte, mas também no preço dos alimentos”, afirma Veríssimo Cubas, gerente executivo da entidade.

Como muitas viagens são realizadas com retorno vazio, o cálculo da ANTT para incluir o frete de ida e volta amplia ainda mais os custos.

Logística de grãos também sente os efeitos

No mercado de grãos, a tabela tem incentivado o uso de caminhões de nove eixos, que possuem preço proporcionalmente menor que os de sete eixos ou menos, o que gera desequilíbrio na oferta.

“Isso distorce o mercado e causa escassez de caminhões maiores”, comenta Bastiani.

A Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz) também se manifestou. De acordo com sua diretora executiva, Andressa Silva, o frete de veículos menores pode representar até 25% do custo total do produto transportado. Ela alerta ainda que muitos embarcadores desconhecem as novas regras do MDF-e e podem ser multados indevidamente.

Caminhoneiros defendem rigor; ANTT garante diálogo

Para os caminhoneiros autônomos, a fiscalização é positiva. Wallace Landim, o Chorão, presidente da Abrava, afirma que tradings e embarcadores estão boicotando motoristas com veículos menores como forma de pressão. “São empresas que atuavam fora da lei e agora cancelam contratos para evitar a tabela. Tenho recebido várias reclamações do Centro-Oeste”, relatou.

A ANTT, por sua vez, informou que mantém diálogo com o setor, esclarecendo dúvidas e promovendo eventos como o 1º Encontro Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas, realizado em 2 de outubro. Sobre as multas, o órgão afirma que os dados ainda estão sendo consolidados, mas as penalidades para embarques fora da tabela variam de R$ 550 a R$ 10,5 milcaminhoneiros não são multados.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Wenderson Araújo / CNA

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Portos

Movimentação de cargas no Porto de São Francisco do Sul cresce em setembro e no acumulado de 2025

O Porto de São Francisco do Sul, em Santa Catarina, encerrou setembro de 2025 com alta na movimentação de cargas tanto no mês quanto no acumulado do ano, em comparação ao mesmo período de 2024. Foram movimentadas 1,53 milhão de toneladas, um crescimento de 3,3% em relação às 1,48 milhão de toneladas registradas em setembro do ano anterior.

De janeiro a setembro de 2025, o porto alcançou 13,5 milhões de toneladas movimentadas, volume 5% superior ao registrado no mesmo intervalo de 2024, quando o total somou 12,9 milhões de toneladas.

Soja e milho lideram exportações

As exportações responderam por 824,7 mil toneladas em setembro. Entre os principais produtos embarcados, a soja representou 543 mil toneladas, seguida pelo milho, com 271 mil toneladas, consolidando o porto como ponto estratégico para o agronegócio brasileiro.

Nas importações, o total chegou a 708 mil toneladas. Os fertilizantes representaram 318 mil toneladas, enquanto as bobinas de aço somaram 369 mil toneladas, reforçando o papel do terminal também no abastecimento da indústria nacional.

Infraestrutura e eficiência impulsionam resultados

De acordo com o secretário de Portos, Aeroportos e Ferrovias (Spaf), Beto Martins, o desempenho é resultado da estrutura moderna e da capacidade operacional do porto.

“O Porto de São Francisco está preparado para atender às exigências do mercado. Esses números confirmam sua importância para o comércio internacional catarinense e brasileiro”, destacou Martins.

O presidente do Porto, Cleverton Vieira, também ressaltou o trabalho integrado que vem sendo desenvolvido ao longo do ano.

“Chegar a 13,5 milhões de toneladas até setembro demonstra a força do Porto de São Francisco do Sul como eixo estratégico para exportações e importações, especialmente nos setores do agronegócio e da indústria”, afirmou.

Porto consolida posição estratégica no Sul do Brasil

Com resultados positivos mês a mês, o Porto de São Francisco do Sul se consolida como um dos principais terminais logísticos do Sul do país, ampliando sua relevância nas rotas de exportação e importação. O desempenho reforça o papel do porto como motor econômico regional, contribuindo para o crescimento da cadeia produtiva catarinense e para a integração do Brasil ao comércio global.

FONTE: Agência de Notícias SECOM
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gustavo Rotta

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Agronegócio

Paranaguá registra a primeira transmissão de DUIMP para carga a granel de fertilizantes

A primeira transmissão da Declaração Única de Importação (DUIMP) para carga a granel de fertilizantes no Brasil, foi realizada em Paranaguá (PR), no último dia 06 de outubro. O teste foi assistido pela Receita Federal, Ministério da Agricultura, Receita Estadual do Paraná; conduzido pela Nosso Porto Serviços Aduaneiros Ltda e representantes do importador Fertipar Fertilizantes do Paraná Ltda. 

A transmissão marca um passo importante na modernização dos processos de importação, integrando as operações ao Portal Único de Comércio Exterior, ferramenta que reúne, em um só sistema, todos os intervenientes do comércio internacional.

Processo mais ágil e simplificado

De acordo com a despachante aduaneira Susana Marques Kmiecik Lima, responsável pela operação, o preenchimento da DUIMP trouxe maior agilidade ao procedimento. “O preenchimento em si é mais simples porque puxa automaticamente alguns dados, principalmente do sistema da Marinha Mercante. O que mudou de forma significativa é que, antes, era preciso solicitar uma licença de importação junto ao Ministério da Agricultura, enquanto hoje, para a maioria dos fertilizantes, não há mais essa exigência. O registro da Duimp passou a ser  feito diretamente no Portal Único, sem etapas prévias junto aos órgão anuentes,” explica.

Ajustes necessários para cargas a granel

Apesar dos avanços, o processo ainda passa por ajustes, sobretudo no caso das cargas a granel, que possuem características específicas. “No granel existe a particularidade do peso transportado e do peso efetivamente descarregado, que só pode ser confirmado após a operação do navio. Essa é uma das informações que precisará ser ajustada na DUIMP em um segundo momento, etapa essencial para a validação completa do processo.” detalha Susana.

No caso da carga-teste, a operação do navio está prevista para o próximo dia 16 de outubro em Paranaguá (PR). Trata-se de 9.300 toneladas de fertilizante mineral simples e complexo com origem China.

Fortalecimento da categoria

O Sindicato dos Despachantes Aduaneiros (SDA) reafirma seu compromisso com o fortalecimento da categoria e o apoio constante aos seus associados. De acordo com o presidente Flávio Demetrio da Silva, “a transmissão da primeira Duimp a granel contou com o apoio e intermediação direta do SDA.” Essa atuação reforça o papel do sindicato como agente facilitador nas inovações do comércio exterior, assegurando que os despachantes aduaneiros estejam sempre preparados para os avanços do setor.

O que é a DUIMP

A Declaração Única de Importação (DUIMP) foi criada como parte do Programa Portal Único de Comércio Exterior, iniciativa que busca simplificar, padronizar e digitalizar os procedimentos de importação e exportação no Brasil.

Até então, as importações eram registradas por meio da Declaração de Importação (DI), no Siscomex Importação Web. Com a DUIMP, todos os dados passam a ser concentrados em uma única ferramenta, o que facilita a gestão de riscos, integra órgãos anuentes e dá maior transparência às operações.

A adoção da DUIMP vem sendo implementada de forma gradual, com testes em diferentes tipos de carga, até que se torne obrigatória para todas as operações.

Reconhecimento e experiência

A Nosso Porto Serviços Aduaneiros Ltda, empresa com mais de 20 anos no mercado,  foi selecionada pela Receita Federal para conduzir esse primeiro teste. Com sede em Paranaguá e filial em Santos, a empresa possui um histórico sólido no agronegócio e atende desde  pequenos produtores até multinacionais Para Susana, participar do piloto é motivo de orgulho e responsabilidade. “É um marco para todos nós. Acompanhamos a evolução do comércio exterior por décadas e agora temos a oportunidade de contribuir com a modernização do sistema, garantindo mais eficiência para importadores e para o próprio país”.

TEXTO: REDAÇÃO
IMAGENS: DIVULGAÇÃO

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Sustentabilidade

Brasil e Reino Unido firmam memorando de entendimento em fertilizantes sustentáveis

Acordo prevê ações conjuntas em produção e uso sustentável de fertilizantes, inovação agrícola e segurança alimentar

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), representado pelo secretário-executivo adjunto, Cleber Soares, e pelo secretário adjunto de Comércio e Relações Internacionais, Marcel Moreira, concluiu, entre os dias 8 e 12 de setembro, missão oficial ao Reino Unido com a assinatura de um memorando de entendimento voltado a promover a produção e o uso sustentável de fertilizantes, além de ampliar a cooperação científica entre os dois países.  

O acordo estabelece iniciativas conjuntas em pesquisa, inovação e compartilhamento de boas práticas para otimizar a gestão do nitrogênio, reduzir emissões de gases de efeito estufa e proteger os solos. O entendimento também prepara Brasil e Reino Unido para apresentar resultados durante a 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), que será realizada em Belém, em novembro deste ano.  

O memorando foi firmado no contexto da criação do Centro de Excelência em Fertilizantes e Nutrição de Plantas (CEFENP), lançado em 2025 no âmbito do Plano Nacional de Fertilizantes. O CEFENP tem como objetivo estimular pesquisa, inovação e a troca de conhecimentos em nutrição de plantas, conectando instituições nacionais e internacionais para contribuir com a segurança alimentar e o uso sustentável de insumos agrícolas. 

Durante encontro com o Department for Environment, Food and Rural Affairs (DEFRA), foram discutidos temas como a regionalização para influenza aviária, a habilitação de ovos, lácteos e pescado, além do reconhecimento do Brasil como livre de febre aftosa sem vacinação. O governo britânico manifestou disposição em acelerar a análise dos dossiês sanitários, enquanto o Brasil ressaltou a robustez de seus controles e defendeu que a aquicultura seja avaliada separadamente da pesca extrativa. 

A agenda incluiu ainda compromissos acadêmicos e científicos. Na Universidade de Oxford, a delegação brasileira apresentou propostas ligadas ao CEFENP e debateu tecnologias voltadas à nutrição de plantas, como a produção de amônia verde e processos bioquímicos para ampliar a eficiência no uso de nutrientes. Já no Rothamsted Research, os representantes conheceram campos experimentais ativos desde 1843 e arquivos históricos de solo e plantas, reforçando a relevância de parcerias de longo prazo. 

O Reino Unido é um dos principais parceiros do Brasil na Europa. Em 2024, as importações britânicas de produtos agropecuários brasileiros somaram US$ 1,8 bilhão, com destaque para carnes, produtos florestais, soja e café. No mesmo ano, oito novos produtos brasileiros foram habilitados para o mercado britânico: feno processado, polpa cítrica desidratada, farelo de mandioca, erva-mate processada, flor seca de cravo-da-índia, fibra de coco, Dry Distillers Grains (DDG) de milho e fruto seco de macadâmia. 

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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Portos

Porto de São Francisco do Sul – Tempo de espera dos navios de fertilizantes cai 70%

Maior porto de Santa Catarina em movimentação de cargas, São Francisco do Sul reduziu em 70%, este ano, o tempo de espera das embarcações para o descarregamento de fertilizantes.

O resultado foi obtido graças à edição de uma norma interna da diretoria do Porto, em abril, a pedido do governador Jorginho Mello, que deu preferência de atracação para os navios com fertilizantes, num dos berços do terminal.

Assim, de acordo com os dados mais recentes da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), o tempo de espera, que em março chegava a 28 dias, diminuiu para oito dias em junho.

Com essa mudança, o terminal portuário do Norte catarinense ficou mais rápido que o vizinho Porto de Paranaguá, que em junho demorou 12 dias para desembarcar um navio de fertilizantes.

Até o mês de agosto, o desembarque de fertilizantes pelo porto do Norte catarinense alcançou 1,8 milhão de toneladas, o que representa 7% do total importado pelo país.

O produto, que é utilizado para melhorar a produtividade e a qualidade da agricultura, tem como principais provedores a Rússia, Canadá e China, além de Estados Unidos e Marrocos. O restante dos fertilizantes é originário de países do Oriente Médio, como Israel, Omã, Arábia Saudita e Irã.

Para o presidente do Porto de São Francisco do Sul, Cleverton Vieira, a redução no tempo de espera dos navios assegura a diminuição dos custos de toda a cadeia logística envolvida com fertilizantes. “A medida tem impacto positivo no agronegócio catarinense e brasileiro, já que nosso porto é uma das principais portas de entrada do adubo no país”.

Homenagem
Graças à relevante parceria na importação de fertilizantes, a Federação das Cooperativas Agropecuárias de Santa Catarina (Fecoagro) homenageou o Porto de São Francisco, nesta segunda-feira, 8, durante uma sessão solene na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, que comemorou os 50 anos da entidade.

O presidente Cleverton Vieira recebeu uma placa em “reconhecimento aos relevantes serviços prestados à Fecoagro e ao desenvolvimento do agronegócio e do cooperativismo agropecuário em Santa Catarina”.

Fertilizante x Agrotóxico
Os fertilizantes, que não pertencem à família dos agrotóxicos, são nutrientes utilizados na agricultura para fortalecer o solo e conseguir ganho na produtividade. Eles são essenciais para as plantações de milho, soja, arroz e trigo. O adubo em pequenas bolinhas (similar às de isopor) é produzido artificialmente em fábricas, que fazem a mistura de elementos minerais como nitrogênio, fósforo, calcário e potássio.

A partir da diretriz do governador Jorginho Mello para que o Porto atenda adequadamente a todos os segmentos de carga, fizemos uma revisão da regra de atracação atribuindo preferência aos navios que descarregam fertilizantes.
Isso assegurou a redução de custos para toda a cadeia logística, já que a partir da nova regra estes navios estão ficando menos tempo na espera.

Fonte: Porto de São Francisco do Sul

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Comércio Exterior

Dependência de fertilizantes russos deixa Brasil vulnerável a mais taxações dos EUA

O Brasil pode ser alvo de novas taxas dos Estados Unidos por comprar fertilizantes da Rússia, seu principal fornecedor.

Os fertilizantes químicos funcionam como um tipo de adubo, usado para preparar e estimular a terra para o plantio.

O presidente Donald Trump aplicou uma tarifa adicional à Índia nesta quarta-feira (6) por comprar petróleo dos russos. Segundo ele, isso contribui “para a manutenção da guerra contra a Ucrânia”.

Com a nova taxa, a tarifa total aplicada à Índia subiu para 50% — empatando com a do Brasil e deixando o país asiático entre os mais taxados por Trump.

Ainda na quarta-feira, Trump declarou que mais tarifas podem ser impostas.

Se o Brasil for alvo de algo semelhante, a produção de alimentos no Brasil pode ser afetada, com aumento nos custos para o agricultor e o consumidor, diz o consultor Carlos Cogo.

Segundo o especialista, a dependência da importação do Brasil torna o país “vulnerável” a esses tipos de aumento.

No mercado de fertilizantes, existem três insumos que são os mais relevantes, que formam o NPK, aponta Cicero Lima, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV AGRO). São eles:

o nitrogênio (N), que o Brasil importa 95%;

o fosfato (P), o qual 75% é comprado no exterior;

e o potássio (K), com 91% vindo de fora do país.

Cogo aponta os principais motivos que explicam essa dependência. Veja abaixo.

➡️Faltam matérias-primas: no país, não há muitas reservas de componentes que são fundamentais para a produção dos fertilizantes, principalmente nitrogênio e potássio.

O potássio, por exemplo, está concentrado em países como Canadá, Rússia e Bielorrússia, que dominam o mercado mundial.

Já a indústria nacional de nitrogenados é pequena, porque a produção exige gás natural barato. Assim, perde competitividade frente a países como EUA, Rússia e Catar.

No caso do fosfato, as reservas têm qualidade inferior e são mais caras de explorar.

➡️Demanda grande: a produção nacional não consegue atender tudo o que a agricultura brasileira consome de fertilizante.

Apesar de ser grande produtor de alimentos, o Brasil tem solo pobre em nutrientes. Por isso, precisa de adubação frequente para manter a produtividade. Saiba mais abaixo.

Essa procura por fertilizante vem, principalmente, de produtos como a soja, milho, café e cana-de-açúcar.

➡️ Altos custos: importar sai mais barato, porque a logística no Brasil é cara e a infraestrutura é limitada, aponta Cogo.

O Brasil tem um Plano Nacional de Fertilizantes, criado em 2022. A meta é produzir entre 45% e 50% do insumo que o país consome até 2050.

Para isso, o governo pretende gastar mais de R$ 25 bilhões até 2030, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária.

Para o consultor Cogo, são necessários grandes investimentos, incentivos e infraestrutura para aumentar a produção.

Dá para trocar de fornecedor?

A Rússia é o 2° maior produtor mundial de fertilizantes potássicos e nitrogenados e o 4° maior de fosfatados. Em 2024, o país foi o principal fornecedor desses insumos para o Brasil, sendo, de acordo com a consultoria Cogo:

53% de fosfato monoamônico (que fornece nitrogênio e fósforo às plantas);

40% de cloreto de potássio;

20% de ureia.

“É um volume muito grande para que qualquer outro fornecedor consiga atender à demanda do Brasil”, diz Lima.

Trocar a Rússia no fornecimento desses componentes para o Brasil não seria rápido, aponta Cogo. Isso porque seria necessário fazer uma reestruturação logística das compras e realizar negociações diplomáticas para fechar novos acordos e abrir mercados.

Entre as alternativas possíveis de novos vendedores, o Brasil poderia ampliar parcerias com Canadá, Marrocos, Nigéria e outros países do Oriente Médio, afirma Cogo.

Mas ele alerta que outros países também buscam evitar sanções e podem disputar os mesmos fornecedores.

Por que o Brasil consome tanto fertilizante?

O Brasil é o 4° maior consumidor de fertilizantes do mundo. Isso acontece porque o solo do país é quimicamente pobre em nutrientes, principalmente no Cerrado, afirma Cogo.

Segundo o consultor, a região tem baixa disponibilidade de elementos essenciais, como fósforo e potássio, além de ter elevada acidez.

Somado a isso, está o clima tropical do país. O Brasil sofre com chuvas intensas, que favorecem a lixiviação, processo em que os nutrientes são rapidamente perdidos do solo.

É diferente do que acontece em países de clima temperado, onde a terra é naturalmente mais fértil e as perdas são menores.

A agricultura intensiva também aumenta a necessidade de fertilizantes. Ela permite várias safras por ano, o que exige reposição constante de nutrientes.

Os cultivos que são voltados para a exportação, como a soja, o milho, a cana-de-açúcar, o café e o algodão, exigem muitos nutrientes. Portanto, precisam de grandes volumes de adubos químicos para manter produtividade.

Fonte: G1

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Comércio Exterior

Setor brasileiro de fertilizantes fica fora da nova tarifa dos EUA e evita impactos imediatos

Produtos essenciais para a agricultura, como fertilizantes NPK e micronutrientes, não sofrerão taxação adicional; comércio entre Brasil e EUA no segmento é pouco expressivo

Nova tarifa dos EUA atinge diversos produtos brasileiros, mas exclui fertilizantes

No dia 31 de julho, o governo dos Estados Unidos anunciou a aplicação de uma tarifa extra de 40% sobre uma série de produtos importados do Brasil. A medida, que visa proteger a indústria americana, passa a valer uma semana após sua publicação e, em alguns casos, eleva a carga tributária total para até 50%.

No entanto, uma análise da consultoria GlobalFert revelou que os fertilizantes usados na agricultura brasileira ficaram de fora dessa nova taxação, evitando impactos diretos ao setor.

Fertilizantes essenciais ficam isentos da nova taxação

Produtos à base de nitrogênio, fósforo e potássio (NPK), além de micronutrientes como boro, zinco, enxofre e magnésio, não sofrerão a sobretaxa adicional. Também seguem isentos compostos como hidróxido de potássio, sulfatos de zinco, manganês e magnésio, além de materiais industriais com uso agrícola, como silício técnico e óxido de alumínio.

A exclusão destes itens da lista tarifária foi possível graças à aplicação rigorosa da classificação pelo código HTSUS (Harmonized Tariff Schedule of the United States), que determina quais produtos estão sujeitos a impostos, cotas ou exceções.

Comércio entre Brasil e EUA no setor é pouco expressivo

Segundo dados da GlobalFert, os Estados Unidos não representam um parceiro comercial relevante para o Brasil no segmento de fertilizantes. Nos últimos cinco anos, apenas 0,4% das exportações brasileiras de fertilizantes NPK tiveram os EUA como destino.

Do lado das importações, os fertilizantes americanos corresponderam a cerca de 1% do total recebido pelo Brasil, com uma leve queda para 0,7% no primeiro semestre de 2025.

Setor de fertilizantes brasileiro evita efeitos diretos do tarifaço

Com a manutenção da isenção para fertilizantes e produtos relacionados, o segmento agrícola brasileiro evita pressões imediatas causadas pela nova política tarifária dos Estados Unidos. Isso contribui para preservar a competitividade da agricultura nacional e garante a continuidade do abastecimento de insumos essenciais para a próxima safra.

Fonte: Portal do Agronegócio

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Investimento

Fábricas da Petrobras reduzem dependência brasileira de fertilizantes nitrogenados

Durante reunião do Confert, presidente da companhia afirma que novas unidades vão atender 35% nacional da demanda por ureia

A retomada dos investimentos da Petrobras em fábricas de fertilizantes hidrogenados deve reduzir significativamente a dependência brasileira de insumos importados nessa área. Segundo a presidente da companhia, Magda Chambriard, a entrada em operação de quatro fábricas nos estados do Paraná, Bahia, Sergipe e Mato Grosso do Sul atenderá 35% da demanda nacional por fertilizantes à base de ureia até 2028. Atualmente, quase 100% da ureia utilizada pela agricultura brasileira vem de fora do país.

Os números foram apresentados por Chambriard durante a 5ª Reunião Ordinária do Confert, o Conselho Nacional de Fertilizantes (Confert), realizada nesta terça-feira (22/7) na sede do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A reunião foi presidida pelo vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin.

“O agro e o setor de petróleo estão se fundindo cada vez mais. E o fertilizante é uma excelente oportunidade para a gente ampliar o nosso mercado de gás”, afirmou Chambriard. A presidente citou ainda as parcerias com a Embrapa para o desenvolvimento de fertilizantes de alta eficiência, com produção de amônia a arla, além de ureia.

Os investimentos da Petrobras somam R$ 900 milhões no período de 2025-29 nas fábricas de Araucária (Ansa), no Paraná; Fafen, na Bahia e em Sergipe; e UFN-III, em Três Lagoas (MS). Segundo Chambriard, os projetos estão gerando entre 13 mil e 15 mil postos de trabalho.

 Na abertura da reunião, Alckmin destacou a importância dos investimentos do país nesse setor. “Brasil é grande exportador, produtor e exportador de proteína animal e vegetal. Neste ano nós vamos ter uma safra recorde, 10% a mais. E a demanda por fertilizantes é crescente”.

Bioinsumos

A reunião do Confert também aprovou a inclusão de 16 novos projetos à sua Carteira de Projetos Estratégicos, sendo 14 da Embrapa, um do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e um do setor privado.

Embrapa – Dos 14 projetos da Embrapa. 11 se referem a pesquisa e desenvolvimento de soluções sustentáveis envolvendo biofertilizantes, bioinsumos, bioestimulantes e bioinoculadores. Exemplo: Desenvolvimento de bactérias promotoras de crescimento para mudas florestais de espécies importantes para o segmento industrial de celulose.

Setor privado – Projeto da Prumo Logística para estruturação de um Hub de Hidrogênio de Baixo Carbono no Porto de Açu, Rio de Janeiro, com foco na criação de um ecossistema industrial integrado para produção de hidrogênio sustentável e seus derivados, como amônia e metanol.

Mapa – Regulamentação da Lei de Bioinsumos, sancionada em dezembro de 2024. A lei dispõe sobre a produção, a importação, a exportação, o registro, a comercialização, o uso, a inspeção, a fiscalização, a pesquisa, a experimentação, a embalagem, a rotulagem, a propaganda, o transporte, o armazenamento, as taxas, a prestação de serviços, a destinação de resíduos e embalagens e os incentivos à produção de bioinsumos para uso agrícola, pecuário, aquícola e florestal, inclusive sobre a produção com objetivo de uso próprio.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços

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Comércio

Mercado de fertilizantes registra alta de preços em julho e pressiona relação de troca para produtores rurais

Volatilidade na ureia, valorização dos fosfatados e desvalorização do real impactam diretamente o custo dos insumos e desfavorecem o poder de compra no campo, aponta relatório do Itaú BBA

Cenário do mercado de fertilizantes em julho

O boletim Radar Agro, publicado em 15 de julho de 2025 pela Consultoria Agro do Itaú BBA, revelou que o mercado de fertilizantes continua sob pressão neste mês. O relatório destaca a forte volatilidade da ureia, a valorização consistente dos fosfatados e a estabilidade dos potássicos, que começam a apresentar sinais de alta. A desvalorização do real frente ao dólar também tem contribuído para o aumento dos custos, afetando negativamente a relação de troca para os produtores rurais.

Ureia: cenário volátil com impacto internacional

A ureia iniciou o mês com expressiva alta nos preços, influenciada pelo conflito entre Israel e Irã, que provocou a suspensão do fornecimento de gás natural de Israel ao Egito – insumo essencial na produção da ureia. Essa instabilidade elevou os preços em mais de US$ 100 por tonelada. Mesmo após o fim do conflito e a retomada da produção no Egito, os preços seguem elevados, com cotações girando em torno de US$ 490/t CFR Brasil. A demanda contínua da Índia, com volumes licitados ainda não totalmente atendidos, tem sustentado a alta no mercado.

Fosfatados: valorização impulsionada por custos e demanda

Os fosfatados mantêm trajetória de valorização, impulsionados pelo aumento dos custos das matérias-primas, oferta restrita e demanda aquecida. O MAP (fosfato monoamônico) atingiu o patamar de US$ 765/t CFR Brasil, representando uma alta de US$ 130/t desde o início do ano. O aumento no preço do ácido fosfórico, insumo essencial para a produção de fosfatados, reforça a tendência de alta em toda a cadeia. Brasil e Índia permanecem como mercados com demanda sólida.

Potássicos: estabilidade local e possíveis altas globais

No Brasil, os preços dos potássicos continuam estáveis, girando em torno de US$ 360/t CFR. No entanto, negociações entre China e Índia têm sinalizado novos patamares mínimos para os preços internacionais, o que pode influenciar em futuras elevações. Brasil e Índia seguem como os principais países importadores do produto, o que reforça a relevância desses movimentos globais no cenário nacional.

Câmbio desfavorável eleva custos dos insumos

A recente desvalorização do real frente ao dólar tem agravado os custos dos fertilizantes e defensivos, mesmo diante de um cenário já marcado por preços elevados. Esse fator amplia ainda mais os desafios para os produtores brasileiros, que enfrentam uma piora na relação de troca dos fertilizantes por grãos e outras commodities.

Impactos por cultura: relação de troca mais desfavorável

O relatório do Itaú BBA apresenta indicadores gráficos que mostram como a elevação dos preços dos fertilizantes impacta diferentes culturas:

  • Soja: A relação de troca em 2025 é desfavorável, exigindo mais sacas por tonelada de insumo.
  • Milho: Segue tendência semelhante à da soja, com aumento dos custos em relação ao valor do grão.
  • Algodão: Relação de troca variável, com oscilações conforme as cotações internacionais.
  • Café e Açúcar: Perda de poder de compra frente aos fertilizantes devido à valorização dos insumos.
  • Trigo e Arroz: Apresentam indicadores menos favoráveis que nos anos anteriores.
  • Boi Gordo: O número de arrobas necessário para adquirir fertilizantes aumentou, revelando o encarecimento também para a pecuária.

O cenário atual indica um momento de cautela para o produtor rural, que enfrenta aumento no custo dos fertilizantes, volatilidade internacional e pressão cambial. A combinação desses fatores compromete a rentabilidade e impõe desafios na tomada de decisão para o planejamento das próximas safras.

Fonte: Portal do Agronegócio

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Logística

Em ampliação de serviços logísticos, VLI inaugura solução para descarga de vagões com insumos para fertilizantes em Uberaba (MG)

A VLI, companhia de soluções logísticas que opera ferrovias, portos e terminais, inaugurou uma nova modalidade de serviços ferroviários na qual oferece toda sua expertise para a execução de operações mais eficientes de descarga de vagões dentro dos complexos industriais de seus clientes. A primeira experiência com este novo modelo de negócio teve início neste mês de maio, com a companhia assumindo a operacionalização do descarregamento dos fluxos de rocha fosfática e enxofre dentro da planta industrial da Mosaic, uma das maiores produtoras globais de fertilizantes, em Uberaba, no Triângulo Mineiro. E logo no primeiro mês de implementação, foram registrados incrementos de performance de 10% em relação aos resultados operacionais verificados para estas commodities em relação aos meses anteriores.

A VLI já realizava as movimentações de ambas as cargas para a Mosaic por meio da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) sem, no entanto, executar as operações de descarregamento. Para a rocha fosfática, a companhia vinha executando somente o transporte entre duas plantas industriais deste cliente entre Catalão (GO) e Uberaba (MG). Já para enxofre, o serviço se restringia até então ao fluxo desde o Terminal Integrador Luiz Antônio Mesquita (Tiplam), na Baixada Santista, também com destino ao complexo instalado na cidade do Triângulo Mineiro. Agora, além destes transportes, a VLI incluiu às suas entregas os serviços de recebimento, manobra e abertura dos vagões, a limpeza das correias transportadoras dos produtos e a manutenção das vias permanentes instaladas nas dependências industriais da Mosaic, que os vinha executando “in-house”. Para assumir o novo escopo, alinhado ao foco estratégico da Mosaic em inovação logística e no fortalecimento de seu core business, a VLI realizou a contratação de 89 profissionais.

Ao disponibilizar sua expertise para este tipo de operações, a VLI não apenas alivia a demanda operacional do cliente, como também aumenta sua participação no mercado de fertilizantes. “Esta operação mostra uma VLI capaz de coordenar a cadeia logística dos nossos clientes de ponta a ponta. A cocriação de soluções como esta é um dos focos da companhia, com ganhos mútuos. Por um lado, os clientes podem se dedicar integralmente ao seu core, sem que precisem se ocupar de nenhuma etapa do transporte. Por parte da VLI, os ganhos vêm em forma de maximização do ciclo de vagões e locomotivas, bem como de receita complementar para a companhia, com a oferta de novos serviços”, afirma Carolina Hernandez, diretora-executiva Comercial da VLI.

O Brasil é um importante consumidor global de fertilizantes, sendo o quarto maior do mundo. O país importa grande parte dos fertilizantes que utiliza, mas tem aumentado sua produção interna buscando reduzir essa dependência. Por isso mesmo, oferece grandes oportunidades de otimização e ganho de escala que a ferrovia pode oferecer. Atualmente, 85% desse fluxo logístico ainda é feito por via rodoviária. “Prova deste potencial são os ganhos operacionais que proporcionamos à Mosaic logo no primeiro mês da implantação destes novos serviços e nosso horizonte é que possamos captar volumes que podem chegar a 17% ainda em 2025”, complementa Carolina.

A VLI é a principal empresa atuante no transporte ferroviário de insumos para fertilizantes no Brasil, movimentando cerca de 10 milhões de toneladas anualmente. A companhia tem um papel fundamental nos fluxos de insumos importados, desde os terminais portuários localizados nos Corredores Leste, Norte e Sudeste até os clientes que os beneficiam para entrega ao produtor rural.

Corredor Sudeste da FCA

O corredor Sudeste da Ferrovia Centro-Atlântica é um sistema logístico de alta eficiência, que atende fluxos de importação e de exportação por meio do Terminal Integrador Portuário Luiz Antonio Mesquita, o Tiplam. Sua área de cobertura abrange estados como São Paulo, Minas Gerais, Goiás e o Distrito Federal, movimentando açúcar, grãos e fertilizantes, majoritariamente.

A estrutura do corredor também inclui dois terminais integradores, em Uberaba (MG) e Guará (SP), onde é feito o transbordo da carga para o sistema ferroviário. Além da alta eficiência ofertada aos clientes, o Tiplam também gera impactos positivos na região da Baixada Santista, uma vez que todos os seus fluxos de exportação são feitos por ferrovia, contribuindo para o trânsito e o ambiente da região, uma vez que o modal ferroviário é até nove vezes menos intensivo que o rodoviário na emissão de CO² na atmosfera.

Fonte: Datamar News

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