Exportação

Brasil amplia exportações agroalimentares para a União Europeia e ganha espaço no mercado

O Brasil foi o único entre os cinco principais parceiros comerciais da União Europeia (UE) a registrar crescimento nas exportações de produtos agroalimentares para o bloco nos primeiros sete meses deste ano. Até julho, os embarques brasileiros somaram € 11,2 bilhões, o equivalente a uma participação de aproximadamente 10% nas importações europeias do setor.

No mesmo período, a União Europeia importou € 108,6 bilhões em produtos agroalimentares. A participação brasileira poderia ter sido ainda maior, mas a queda nas cotações do café reduziu o valor total das compras.

Café e soja estão entre os principais produtos importados pela UE

Entre os produtos que mais pesam na pauta de importações europeias estão café, cacau, chá e especiarias. Juntos, eles movimentaram € 20,5 bilhões em compras até julho, valor 19% inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior.

Além desses produtos, frutas, castanhas e soja aparecem entre os principais itens adquiridos pelo bloco. No caso da soja, o Brasil ampliou sua participação ao elevar o volume destinado ao mercado europeu.

Os dados da Comissão Europeia também mostram aumento nos gastos com carne bovina. Até julho, as compras do bloco alcançaram € 2,1 bilhões. Apesar da relevância desse mercado, a União Europeia suspendeu, no início deste mês, a entrada de carne bovina brasileira.

Tarifas dos EUA afetam comércio com a Europa

A política comercial adotada pelo governo de Donald Trump, marcada pela aplicação de tarifas sobre parceiros comerciais dos Estados Unidos, também repercutiu nas relações entre norte-americanos e europeus.

De janeiro a julho, as importações da União Europeia provenientes dos Estados Unidos recuaram 4%, para € 7,69 bilhões. No sentido contrário, as exportações europeias para o mercado norte-americano caíram 9%, para € 16 bilhões.

A relação comercial entre a UE e a China também perdeu ritmo. As exportações europeias para os chineses diminuíram 3%, enquanto as importações permaneceram praticamente estáveis.

Produtos agroalimentares movimentam bilhões

Entre as principais dependências da União Europeia no setor agroalimentar estão café, cacau, frutas, soja e cereais. Já entre os produtos mais exportados pelo bloco aparecem cereais processados, lácteos, vinho, café e carne suína.

Café e cacau estão entre os produtos que mais movimentam o comércio agroalimentar europeu. Até julho, a UE desembolsou € 20,5 bilhões para importar esses itens e, posteriormente, reexportou € 6,6 bilhões em produtos de maior valor agregado relacionados ao café.

No mercado de tabaco, as importações chegaram a € 3,1 bilhões, enquanto as exportações alcançaram € 4,8 bilhões.

Exportações de soja brasileira avançam

O desempenho brasileiro também aparece nos dados mais recentes de exportação. Segundo a Anec (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais), as vendas externas de soja brasileira chegaram a 7,24 milhões de toneladas neste mês.

Com exceção de fevereiro, o volume embarcado em todos os meses deste ano ficou acima do registrado nos mesmos períodos de 2025.

O acumulado já alcança 102 milhões de toneladas, aproximando-se das 109 milhões de toneladas exportadas durante todo o ano passado, conforme os dados da Anec.

Farelo de soja e DDGS também ganham mercado

As exportações brasileiras de milho apresentam ritmo mais moderado. De janeiro a setembro, os embarques somaram 19,5 milhões de toneladas.

Enquanto isso, o aumento no processamento da soja impulsionou as vendas externas de farelo de soja. Os embarques chegaram a 19,3 milhões de toneladas no acumulado do ano, diante das 23 milhões de toneladas exportadas em todo 2025.

Outro produto que vem ampliando espaço no comércio exterior é o DDGS, subproduto da fabricação de etanol de milho com alto teor de proteínas. Segundo cálculos da Anec, o Brasil já exportou 840 mil toneladas neste ano, superando as 796 mil toneladas embarcadas durante todo o ano passado.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Roosevelt Cassio/Reuters

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Comércio Internacional

Importação de soja pela China cai e aumenta pressão sobre custos da suinocultura

A redução das importações de soja pela China deve levar as compras do país ao menor nível em mais de dois anos. O movimento restringe a disponibilidade de farelo de soja no mercado asiático e eleva os custos das fábricas de ração destinadas à produção de suínos.

Como maior comprador mundial de oleaginosas, qualquer mudança no ritmo de aquisição chinês pode provocar impactos em toda a cadeia de proteína animal e influenciar a demanda futura pelo complexo soja brasileiro.

Menor oferta de farelo eleva custo da ração

A diminuição das compras de soja pela China reduz a disponibilidade de matéria-prima para a fabricação de farelo, um dos principais componentes utilizados na alimentação de animais.

Com a oferta mais restrita, as indústrias de nutrição animal chinesas passam a enfrentar maior pressão sobre suas margens. Parte desse aumento de custos tende a chegar aos produtores de suínos, elevando o preço da ração e, consequentemente, o custo de produção da carne suína.

O cenário pode afetar a competitividade da suinocultura chinesa, especialmente se os custos permanecerem elevados por um período prolongado.

Carne suína importada pode ganhar espaço

O encarecimento da produção doméstica também pode alterar a dinâmica do mercado chinês de carnes. Com custos maiores para os produtores locais, a importação de proteína animal processada pode se tornar uma alternativa mais competitiva em determinados segmentos.

Essa possibilidade abre espaço para fornecedores internacionais, incluindo produtores da América do Sul, que podem encontrar novas oportunidades no mercado chinês no médio e longo prazo.

A evolução das compras chinesas de soja, portanto, não afeta apenas o mercado de grãos. O movimento também pode influenciar os fluxos internacionais de carnes e modificar a demanda por produtos de maior valor agregado.

Brasil se prepara para ampliar produção de carnes

O cenário externo ganha importância diante da expectativa de aumento da produção brasileira de proteínas animais.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta crescimento da produção nacional de carne de frango nos anos de 2026 e 2027. As estimativas também são acompanhadas pela Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav).

A expansão da avicultura brasileira aumenta a necessidade de mercados externos capazes de absorver parte da produção adicional. Para os produtores, a manutenção de uma demanda internacional aquecida é importante para evitar excesso de oferta e pressão negativa sobre os preços no mercado interno.

Produção brasileira de carnes deve superar 34 milhões de toneladas

As projeções da Conab indicam que a produção total de carnes no Brasil deverá ultrapassar 34 milhões de toneladas no biênio 2026/2027.

O avanço reforça a trajetória de crescimento da pecuária brasileira e amplia a importância das exportações para o equilíbrio entre oferta e demanda.

Nesse contexto, o comportamento do mercado chinês será um dos fatores acompanhados pelo setor. A China é um importante participante do comércio internacional de commodities agrícolas e proteínas animais, e alterações em suas compras podem provocar reflexos nos preços e nos fluxos comerciais.

China pode mudar perfil das importações de proteína

Caso a China mantenha um ritmo reduzido de aquisição de soja em grão, a menor disponibilidade do insumo poderá continuar pressionando os custos da alimentação animal no país.

Em um cenário de produção doméstica de carnes mais cara, a necessidade de complementar a oferta interna por meio de importações pode ganhar relevância.

Para o Brasil, essa dinâmica representa uma possível mudança no perfil das exportações. Em vez de concentrar parte da demanda externa na comercialização de soja, o país pode ampliar a participação de produtos de proteína animal e itens com maior valor agregado na pauta destinada ao mercado chinês.

A evolução desse cenário dependerá, entre outros fatores, do comportamento das compras chinesas de soja, dos custos de produção asiáticos e da capacidade brasileira de manter competitividade no mercado internacional de carnes.

FONTE: Agrimídia
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agrimídia

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Agronegócio

Coamo investirá R$ 500 milhões para ampliar produção de óleo de soja no Paraná

A Coamo Agroindustrial, maior cooperativa agrícola do Brasil, planeja investir R$ 500 milhões para dobrar a capacidade de produção de óleo de soja de sua unidade em Paranaguá, no Paraná. Com a expansão, a fábrica poderá processar até 5 mil toneladas de soja por dia.

O projeto faz parte de um amplo ciclo de investimentos da Coamo, que inclui novos empreendimentos industriais, logísticos e portuários. Entre os maiores está a construção de um terminal portuário em Itapoá, em Santa Catarina, com investimento previsto de R$ 3 bilhões.

Fábrica de óleo terá expansão em duas etapas

Os investimentos na unidade de Paranaguá já começaram. Cerca de R$ 200 milhões serão aplicados ainda neste ano para elevar a capacidade diária da fábrica de 2 mil para 2,5 mil toneladas.

A segunda etapa prevê mais R$ 300 milhões e levará a capacidade total para 5 mil toneladas por dia. A proposta deverá ser submetida à assembleia anual da cooperativa, prevista para fevereiro de 2027.

O presidente executivo da Coamo, Airton Galinari, demonstra expectativa de aprovação do projeto. Por isso, segundo ele, as obras atualmente em andamento já consideram a possibilidade de uma futura duplicação da capacidade industrial.

A expansão efetiva da fábrica deverá começar no fim de 2027, após a conclusão da nova usina de biodiesel da cooperativa em Paranaguá. O empreendimento terá investimento estimado em R$ 400 milhões e ficará no terminal privado da Coamo.

Coamo também prepara novos investimentos no porto

O aumento da produção de óleo e derivados de soja exigirá melhorias na estrutura logística. A cooperativa pretende construir duas linhas para exportação de farelo de soja no Porto de Paranaguá, além de ampliar a capacidade de armazenagem.

Ainda não há um orçamento definido para essas obras. A expectativa de Galinari é que os investimentos previstos para a estrutura portuária e industrial estejam em operação até o fim de 2029.

Em paralelo, a Coamo renovou por mais 25 anos o arrendamento de uma área pertencente à União no porto paranaense. O acordo prevê R$ 100 milhões em investimentos, com aplicação dos recursos estimada para os próximos dois anos.

Estratégia busca aumentar a industrialização da soja

Os projetos integram a estratégia da Coamo de ampliar a verticalização da produção agrícola e agregar mais valor aos produtos entregues pelos cooperados.

Segundo Galinari, atualmente a cooperativa industrializa aproximadamente metade da soja recebida dos produtores. O cenário, portanto, abre espaço para ampliar a participação da agroindústria dentro das operações da companhia.

A expansão também acompanha o crescimento territorial da cooperativa. Neste ano, a Coamo avançou em três unidades de Mato Grosso do Sul e, no ano passado, ampliou sua presença em uma unidade no Paraná.

Desde janeiro, a cooperativa também adquiriu outras 15 unidades no chamado Norte Velho, incluindo a região de Londrina, onde ainda não atuava, além dos Campos Gerais. A expectativa é que essas operações aumentem o volume de grãos recebido pela empresa.

Compra de armazéns amplia capacidade de armazenagem

Entre os negócios recentes da Coamo está a aquisição de quatro instalações do fundo Pátria que eram utilizadas pela Belagrícola. O acordo, avaliado em R$ 136 milhões, foi anunciado no início de 2026.

Os ativos incluem armazéns para grãos em Sabáudia, Assaí, Bela Vista do Paraíso e Cambé, no Paraná, além de estruturas destinadas ao armazenamento de insumos agrícolas.

A Belagrícola, distribuidora de insumos controlada pelo grupo chinês Pengdu, colocou parte de suas unidades à venda dentro de um processo de recuperação extrajudicial. A empresa possui dívidas estimadas em R$ 3,2 bilhões.

Juros altos aumentam oportunidades de aquisição

De acordo com Galinari, a Coamo recebe praticamente todos os dias propostas relacionadas à aquisição ou investimento em estruturas de outras empresas, principalmente companhias que enfrentam dificuldades financeiras.

O executivo atribui parte desse movimento ao cenário de juros elevados, que aumentou a pressão financeira sobre diferentes empresas. Segundo ele, a cooperativa continuará avaliando oportunidades que tenham aderência à sua estratégia.

Apesar do interesse em ampliar a presença no mercado, existem limitações para a expansão, entre elas a disponibilidade de mão de obra necessária para operar eventuais novas unidades.

Faturamento deve superar R$ 30 bilhões

Depois de uma safra considerada positiva e diante da recuperação dos preços das commodities agrícolas, a Coamo estima crescimento de aproximadamente 10% no faturamento deste ano.

Com o avanço, a receita deve superar R$ 30 bilhões, estabelecendo um novo recorde para a cooperativa.

Para a safra 2026/27, as perspectivas também são consideradas positivas pela direção da Coamo. Segundo Galinari, em períodos marcados pelo fenômeno climático El Niño, as regiões onde a cooperativa atua costumam apresentar boas condições para a produção de grãos.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Globo Rural

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Importação

Importações de soja pela China recuam em agosto, mas acumulado do ano cresce

As importações de soja pela China recuaram em agosto na comparação anual, embora tenham avançado em relação a julho. No acumulado de janeiro a agosto, o país registrou crescimento nas compras externas, impulsionado principalmente pela safra recorde de soja do Brasil, pela eficiência da logística portuária e pela manutenção da demanda doméstica por ração animal.

Dados divulgados nesta terça-feira pela alfândega chinesa mostram que o maior comprador mundial de soja adquiriu 12,14 milhões de toneladas em agosto. O volume representa uma queda de 1,1% ante as 12,28 milhões de toneladas importadas no mesmo mês do ano passado.

Na comparação mensal, porém, houve alta de 5,7% em relação a julho.

China acumula alta nas importações de soja em 2026

Entre janeiro e agosto, as compras chinesas de soja importada chegaram a 74,11 milhões de toneladas, crescimento de 1,1% frente às 73,33 milhões de toneladas registradas no mesmo período do ano anterior.

Segundo Liu Jinlu, pesquisador agrícola da Guoyuan Futures, o avanço das importações na comparação com julho e o aumento observado no acumulado do ano foram parcialmente favorecidos pelo desempenho excepcional da produção brasileira na safra 2025/26 e pela eficiência dos portos.

A demanda interna também contribuiu para sustentar o mercado. De acordo com o pesquisador, os rebanhos chineses de gado e aves permaneceram em níveis considerados relevantes, mantendo a procura por farelo de soja, principal subproduto obtido no processamento do grão.

Compras anuais podem ficar estáveis ou abaixo do recorde de 2025

As perspectivas para o restante do ano indicam um cenário de estabilidade ou de leve retração nas importações chinesas de soja. Três analistas consultados estimam que o volume anual deverá ficar próximo ou um pouco abaixo do recorde de 111,83 milhões de toneladas registrado no ano passado.

Um dos fatores que pode limitar a demanda é a redução gradual do plantel de matrizes suínas na China. Segundo Liu Jinlu, essa tendência deve diminuir o ritmo de crescimento do consumo de ração para suínos no quarto trimestre e, consequentemente, afetar a procura por soja.

Rosa Wang, analista da Shanghai JC Intelligence Co., estima que as chegadas de soja à China somem aproximadamente 35 milhões de toneladas entre agosto e novembro. A expectativa é de que os desembarques diminuam mês a mês durante o quarto trimestre, acompanhando o comportamento sazonal do mercado.

Custos de importação e tarifas influenciam decisões dos compradores

As esmagadoras privadas de soja da China enfrentam atualmente custos elevados de importação e margens menores. O cenário ocorre antes da visita prevista do presidente Xi Jinping aos Estados Unidos no fim deste mês.

O mercado acompanha a possibilidade de redução das tarifas comerciais, o que poderia ampliar as alternativas de fornecimento para os compradores chineses. A questão ganha importância à medida que os estoques e a oferta de soja da América do Sul se aproximam do fim da temporada de comercialização.

Enquanto isso, compradores estatais chineses já teriam adquirido mais de 11 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos desde a reunião entre os líderes dos dois países, realizada em maio.

Na ocasião, foi mantido o compromisso existente de compra de 25 milhões de toneladas de soja norte-americana por ano até 2028.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Internacional

Trigo dispara mais de 6% em Chicago com tensão no Mar Negro; milho e soja também sobem

Os preços dos principais grãos negociados em Chicago registraram forte valorização nesta quarta-feira (26). O trigo liderou o movimento, com alta superior a 6%, em meio ao aumento das tensões entre Rússia e Ucrânia e aos riscos para o fluxo de exportações pelo Mar Negro.

A reação também atingiu milho e soja, sustentados pela disparada do trigo e pelas preocupações com a oferta global de commodities agrícolas.

Trigo lidera alta entre os grãos

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros de trigo encerraram o pregão com ganhos acima de 6%. O vencimento para dezembro fechou a US$ 7,48 por bushel, enquanto o contrato para maio terminou em US$ 7,71.

O milho também avançou mais de 2% e renovou máximas de vários anos. Já a soja subiu mais de 1,5%, enquanto o farelo de soja terminou a sessão com valorização superior a 2,5%.

Para Eduardo Vanin, Sênior Agriculture Strategist da Marex e analista de mercado da Agrinvest, o mercado ainda pode não ter incorporado totalmente os impactos da crise logística na região.

“O mercado de grãos ainda não precificou todo o choque logístico na região do Mar Negro”, afirmou Vanin ao Notícias Agrícolas.

Mar Negro volta ao centro das preocupações

O principal fator por trás da disparada do trigo é o agravamento do conflito no Mar Negro. Rússia e Ucrânia estão entre os maiores exportadores mundiais de cereais, e os ataques contra portos e estruturas ligadas ao comércio agrícola elevaram as preocupações sobre o abastecimento internacional.

Os ataques realizados pelos dois países já provocaram interrupções e atrasos em embarques, segundo informações divulgadas ao longo da semana. O momento é particularmente sensível porque coincide com uma importante etapa da temporada de exportações da região.

A ausência de avanços efetivos nas negociações para um cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia também contribui para manter elevado o prêmio de risco embutido nos preços dos grãos.

Ataque a navio amplia risco logístico

Segundo a Bloomberg, a MSC Mediterranean Shipping Co., maior empresa mundial de transporte marítimo de contêineres, interrompeu imediatamente novas reservas de embarques com origem ou destino no porto russo de Novorossiysk depois que um de seus navios foi atingido por um drone.

Outras estruturas russas também teriam sido alvo de ataques recentes, incluindo instalações de armazenamento e refinarias de petróleo. O aumento das ocorrências amplia as incertezas sobre a segurança da infraestrutura e das rotas de transporte na região.

Conflito também afeta mercado de farelo

Embora o trigo seja o produto mais diretamente exposto aos riscos do conflito, os efeitos se propagam para outras commodities.

Um dos principais canais de impacto sobre a soja é o mercado de farelo de girassol. Rússia e Ucrânia têm participação relevante nesse segmento e, juntas, respondem por cerca de 60% das exportações globais do produto.

Para a temporada 2026/27, as estimativas apontam exportações de aproximadamente 3,30 milhões de toneladas pela Ucrânia e 2,80 milhões pela Rússia, em um mercado mundial calculado em cerca de 10,25 milhões de toneladas.

Processamento ucraniano entra no radar

O avanço dos ataques também ameaça a indústria de processamento localizada no sul da Ucrânia. Relatos divulgados localmente indicam paralisações em unidades de extração de óleo e dificuldades para o transporte marítimo de farelo e óleo vegetal.

Esse cenário pode alterar o equilíbrio do mercado de proteínas para alimentação animal. O farelo de girassol compete diretamente com o farelo de soja nas formulações de ração.

Com parte da oferta ameaçada por problemas de produção e logística, compradores, principalmente na Europa, podem recorrer a fornecedores alternativos ou ampliar o uso de farelo de soja.

Soja ganha suporte com mudança na demanda

A possibilidade de menor disponibilidade de farelo de girassol pode favorecer a demanda internacional pelo produto derivado da soja.

Ao mesmo tempo, uma eventual redução na produção de milho dos Estados Unidos tende a apertar o balanço entre oferta e demanda no país e aumentar a disputa por ingredientes utilizados na alimentação animal.

Nesse contexto, o farelo de soja pode ganhar espaço como fonte de proteína. A valorização do milho, por sua vez, eleva os custos de produção de ração e altera a competitividade entre os diferentes componentes utilizados pela indústria.

Milho também encontra apoio nos fundamentos

Além dos efeitos provocados pela crise geopolítica, o milho conta com fatores próprios para sustentar os preços.

As dúvidas sobre o tamanho da safra norte-americana cresceram após os resultados recentes do Pro Farmer Crop Tour e diante da piora das condições das lavouras indicada pelo USDA.

O mercado já havia registrado novas máximas de contrato na terça-feira. Na sessão seguinte, os futuros avançaram novamente e atingiram níveis que não eram observados havia vários anos.

Prêmio de risco permanece nos preços agrícolas

Com portos, terminais, unidades de processamento e rotas marítimas sob ameaça, o Mar Negro volta a ocupar posição central na formação dos preços internacionais das commodities agrícolas.

Enquanto persistirem as incertezas relacionadas ao conflito entre Rússia e Ucrânia, o mercado tende a manter um prêmio de risco sobre trigo, milho e soja.

No caso da soja, a influência ocorre por diferentes caminhos: desde a valorização de trigo e milho até uma possível redução na oferta de farelo de girassol, cenário que pode estimular a procura pelo farelo de soja no mercado global.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Comércio Exterior

Irã lidera compras de produtos brasileiros no Oriente Médio em meio à tensão no Golfo

O Irã assumiu a liderança entre os principais destinos das exportações brasileiras no Oriente Médio, superando tradicionais parceiros comerciais como Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita. O avanço das vendas ocorre justamente em um momento de aumento das tensões militares entre Estados Unidos e Irã, que elevam as incertezas sobre a navegação no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio marítimo mundial.

Exportações para o Irã crescem 140% em junho

Dados do comércio exterior mostram que as exportações do Brasil para o Irã saltaram de US$ 129,9 milhões, em junho de 2025, para US$ 311,6 milhões em junho deste ano, uma alta de 140%.

No acumulado do primeiro semestre, as vendas também avançaram. O volume exportado passou de US$ 1,15 bilhão para US$ 1,33 bilhão na comparação com o mesmo período do ano passado.

Entre os principais produtos embarcados estão soja, farelo de soja, milho em grão e carne de frango, itens essenciais para a alimentação humana e animal.

Irã supera tradicionais parceiros da região

Com mais de 90 milhões de habitantes, o Irã já figura há anos entre os mercados relevantes para o agronegócio brasileiro. No entanto, historicamente, os maiores compradores da região eram os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita.

Em 2026, os iranianos ocuparam a primeira posição entre os países do Golfo em abril e voltaram a liderar as compras em junho, consolidando um crescimento expressivo nas importações de produtos brasileiros.

Conflito no Golfo aumenta preocupação dos exportadores

Apesar do bom desempenho comercial, a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã gera preocupação entre exportadores brasileiros.

Os recentes ataques militares na região e as ameaças ao tráfego de embarcações pelo Estreito de Ormuz levantam dúvidas sobre a logística das próximas exportações, especialmente das cargas que deverão ser embarcadas nos próximos meses.

Entre as principais preocupações do setor estão possíveis alterações nas rotas marítimas, aumento dos custos de frete e seguro, além da definição de quais portos permanecerão operando com segurança.

Exportações de milho entram em período decisivo

Segundo Jean Carlos Budziak, responsável pela área de inteligência de mercado da Associação Nacional de Exportadores de Cereais (Anec), o aumento das tensões coincide com o início da temporada de embarques da segunda safra de milho brasileira.

Mesmo diante das incertezas, o especialista acredita que a demanda por alimentos deverá ser mantida.

Na avaliação dele, produtos ligados à segurança alimentar costumam sofrer menos impacto em períodos de conflito, já que continuam sendo essenciais para abastecer a população e a produção pecuária.

Farelo de soja impulsiona vendas brasileiras

Entre os produtos exportados, o destaque foi o farelo de soja, cujas vendas ao Irã cresceram cerca de cinco vezes na comparação entre o primeiro semestre de 2025 e o mesmo período de 2026.

O produto é utilizado principalmente na alimentação de bovinos e aves. Segundo especialistas, o aumento da demanda pode estar relacionado à necessidade de reduzir etapas de processamento em um cenário de guerra, tornando o farelo uma alternativa mais prática do que grãos como soja e milho.

Demanda por alimentos deve continuar

Embora o cenário geopolítico permaneça incerto, exportadores brasileiros avaliam que a necessidade de abastecimento dos países do Oriente Médio continuará sustentando as compras de alimentos.

A expectativa do setor é que, mesmo com possíveis impactos logísticos provocados pelo conflito, a demanda por produtos agrícolas brasileiros permaneça elevada nos próximos meses.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Importação

Importações de soja da China batem recorde em junho e acirram disputa entre Brasil e EUA

As importações de soja da China atingiram um novo recorde em junho de 2026, ao somarem 13,55 milhões de toneladas, o maior volume já registrado para o mês. O desempenho foi impulsionado pela ampla oferta da safra brasileira e pela liberação de cargas que estavam retidas em portos chineses.

O resultado reforça a importância do mercado chinês para o agronegócio global, especialmente para os países da América do Sul. A disputa entre Brasil e Estados Unidos pelo fornecimento ao maior comprador mundial da commodity tem impacto direto sobre os preços internacionais, as estratégias de exportação e a competitividade da cadeia de oleaginosas.

Compras avançam no semestre e fortalecem mercado

Na comparação com junho de 2025, as compras chinesas cresceram 10,5%. Em relação a maio deste ano, o avanço foi de 14,9%. Com isso, o volume importado pela China no primeiro semestre de 2026 chegou a 50,15 milhões de toneladas.

Os números refletem a demanda consistente do país asiático e reforçam seu papel como principal destino da soja produzida pelos maiores exportadores mundiais.

Brasil amplia liderança como principal fornecedor

O desempenho brasileiro foi decisivo para o recorde registrado pela China. A combinação entre safra recorde, preços mais competitivos e concentração dos embarques durante a janela de exportação sul-americana garantiu ao Brasil o protagonismo nas vendas ao mercado chinês.

Esse cenário consolidou ainda mais a posição brasileira como principal fornecedor de soja para a China, ampliando sua participação em um dos mercados mais estratégicos do comércio agrícola mundial.

Estados Unidos retomam espaço na disputa

Apesar da liderança brasileira, os Estados Unidos voltaram a ganhar participação nas exportações para a China. Entre janeiro e maio, os chineses importaram 8,38 milhões de toneladas de soja norte-americana, após a retomada das compras iniciada no fim de 2025.

Além disso, as aquisições da nova safra dos EUA aumentaram depois que Pequim reafirmou o compromisso de importar 25 milhões de toneladas por ano até 2028, indicando uma competição ainda mais intensa entre os dois maiores exportadores no segundo semestre.

Reflexos para a Argentina e o mercado de derivados

Para a Argentina, os impactos estão concentrados principalmente na indústria de processamento. Como um dos maiores exportadores de farelo de soja e óleo de soja, o país pode ser beneficiado por uma demanda chinesa aquecida, que tende a sustentar os preços internacionais dos derivados.

Esse movimento também pode influenciar as margens de esmagamento, o equilíbrio entre a oferta de grãos e a capacidade industrial, além de abrir novas oportunidades para as exportações do complexo agroindustrial argentino.

Oferta elevada pode limitar valorização da soja

Embora o mercado apresente sinais positivos, especialistas apontam fatores que podem conter uma alta mais intensa dos preços. A manutenção da grande oferta brasileira, aliada ao avanço das vendas norte-americanas, tende a elevar a concorrência entre os fornecedores.

Por outro lado, uma recuperação mais forte da pecuária chinesa poderá ampliar a demanda por farelo de soja, fortalecendo as importações e oferecendo maior sustentação ao mercado internacional.

Nos próximos meses, o comportamento das compras chinesas será determinante para indicar se o mercado global permanecerá aquecido ou se a ampla disponibilidade de soja no Brasil e nos Estados Unidos limitará a valorização da commodity.

FONTE: AgroLatam
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Exportação

Exportação de farelo de soja ganha nova rota pelo Porto de Itaqui

O Brasil passa a contar com uma nova alternativa logística para impulsionar a exportação de farelo de soja. A operadora ferroviária VLI S.A. iniciará uma operação permanente de transporte do produto até o Porto de Itaqui, no Maranhão, ampliando a capacidade de escoamento e reduzindo a dependência dos portos do Sul do país.

A iniciativa busca solucionar gargalos logísticos em um momento de crescimento da produção nacional de farelo, resultado do aumento do processamento da soja para atender à demanda da indústria de biodiesel.

Nova rota ferroviária amplia capacidade de exportação

Segundo a diretora comercial da VLI, Carolina Hernandez Tascon, a empresa passará a operar o transporte de farelo de soja durante todo o ano pela ferrovia que liga importantes regiões produtoras ao Porto de Itaqui.

Até então, os embarques eram realizados apenas de forma pontual. Com a mudança, a operação se tornará contínua, oferecendo uma alternativa aos terminais portuários tradicionalmente mais congestionados das regiões Sul e Sudeste.

A nova rota atende áreas estratégicas da produção agrícola brasileira, incluindo Mato Grosso — maior produtor de soja do país —, além de Tocantins, Piauí e Bahia.

Produção crescente aumenta pressão sobre a logística

O fortalecimento da infraestrutura ocorre em um cenário de expansão da produção de farelo de soja no Brasil. O aumento do esmagamento da soja, impulsionado pela demanda da cadeia de biodiesel, tem elevado a oferta do coproduto destinado principalmente à fabricação de ração animal.

Com maior volume disponível para exportação, cresce também a necessidade de ampliar a capacidade de transporte, armazenagem e movimentação da carga.

De acordo com Carolina Tascon, a redução dos custos logísticos será determinante para elevar a competitividade do produto brasileiro frente à Argentina, atualmente a maior exportadora mundial de farelo de soja.

Outro fator considerado estratégico é a localização dos portos da região Norte, que oferecem menor distância marítima até a Europa, reduzindo custos e tempo de viagem para esse importante mercado consumidor.

Estrutura de armazenagem ainda é um desafio

Apesar dos investimentos realizados nos últimos anos para ampliar os embarques de soja e milho pelos portos do Norte, o farelo de soja exige instalações específicas para armazenamento e movimentação, já que precisa permanecer segregado de outras cargas.

A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC) alertou recentemente que, durante os períodos de safra, a elevada movimentação de soja no primeiro semestre e de milho na segunda metade do ano limita a disponibilidade de espaços para armazenagem, tornando a logística ainda mais desafiadora.

Empresas investem em novos terminais

Além da iniciativa da VLI, outras companhias também ampliam investimentos para fortalecer a infraestrutura de exportação.

As empresas 3Tentos Agroindustrial e Caramuru Alimentos desenvolvem um novo terminal de embarque em Miritituba, no Pará. A expectativa é que a estrutura entre em operação no último trimestre de 2026, ampliando a capacidade logística da região.

No caso da VLI, os primeiros testes com cargas de farelo de soja começam ainda neste mês. A empresa prepara áreas exclusivas de armazenagem em terminais ferroviários ligados ao corredor Norte. Os terminais portuários TPSL e Tegram, localizados no Maranhão, também passarão a operar com armazenamento e movimentação do produto.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Dan Koeck

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Portos

Exportações crescem 28,8% em maio e impulsionam movimentação nos portos paranaenses

Impulsionada pelo crescimento das exportações, a Portos do Paraná movimentou 6,12 milhões de toneladas em maio, volume 14,3% superior ao registrado no mesmo mês de 2025, quando foram movimentadas 5,35 milhões de toneladas. No acumulado de janeiro a maio, a movimentação total alcançou 28,87 milhões de toneladas, resultado 2,4% superior ao do mesmo período do ano passado, que somou 28,19 milhões de toneladas.

“Toda essa movimentação demonstra que os portos paranaenses são altamente competitivos e geram bons resultados para os operadores que atuam aqui. Por isso, seguimos investindo em infraestrutura, modernização de sistemas e capacitação de pessoal. Só assim é possível construir uma logística cada vez mais inteligente e eficiente”, enfatiza o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia.

Nas exportações, a Portos do Paraná alcançou 4,04 milhões de toneladas em maio, cerca de 900 mil toneladas a mais do que no mesmo período de 2025, crescimento de 28,8%. Já as importações somaram 2,07 milhões de toneladas, volume aproximadamente 140 mil toneladas inferior ao registrado no ano anterior.
 

Soja lidera crescimento

O principal produto impulsionador do comércio exterior foi a soja. As 831,8 mil toneladas exportadas em maio de 2025 saltaram para 1,58 milhão de toneladas em maio de 2026, um crescimento de 91%. No acumulado do ano, a commodity registra alta de 29%.

O Porto de Paranaguá é responsável pelo embarque de 14,2% de toda a soja exportada pelo Brasil, com destino principalmente aos mercados da Ásia e do Oriente Médio.

O farelo de soja foi o segundo grande destaque do mês. O volume exportado passou de 628,3 mil toneladas em maio de 2025 para 796 mil toneladas em maio deste ano, crescimento de 27%.

O Porto de Paranaguá é o segundo maior exportador de farelo de soja do Brasil, com participação de 26,5% nas exportações nacionais registradas nos cinco primeiros meses do ano, de acordo com dados do Comex Stat, sistema do Governo Federal que reúne informações sobre o comércio exterior, e do Centro de Estatísticas da Portos do Paraná.


Contêineres e proteínas animais em alta

As cargas exportadas por contêineres registraram aumento de aproximadamente 30 mil toneladas, alcançando 824,3 mil toneladas em maio, crescimento de 4%.

Grande parte desse volume é composto por proteínas animais congeladas. De janeiro até o fim de maio, cerca de 1,5 milhão de toneladas de carnes foram enviadas para mercados como China, África do Sul, Emirados Árabes Unidos, Filipinas e Japão, entre outros países.

Também houve crescimento nas exportações de óleos vegetais, com alta de 53% em maio e de 40% no acumulado do ano. Já a celulose registrou aumento de 5% no período analisado.
 

Importações

Entre as importações, os fertilizantes, principal produto desembarcado pelos portos paranaenses, somaram 825 mil toneladas em maio. O volume representa uma redução de 14% em comparação ao mesmo mês de 2025.

Por outro lado, as importações por contêineres, segundo principal segmento movimentado nos portos paranaenses, cresceram de 582,1 mil toneladas para 651 mil toneladas em maio, avanço de 12%.

FONTE: Portos do Paraná
IMAGEM: Claudio Neves/GCOM Portos do Paraná

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Agricultura

Soja dispara em Chicago com greve na Argentina e alta do farelo acima de 4%

Após uma semana de oscilações limitadas, os preços da soja em Chicago voltaram a subir com força na última sexta-feira (10). Por volta das 13h30 (horário de Brasília), os principais contratos registravam valorização entre 6,25 e 10,25 pontos. O vencimento de maio era negociado a US$ 11,75 por bushel, enquanto o julho atingia US$ 11,90.

O principal motor dessa alta foi o avanço expressivo do farelo de soja, que acumulava ganhos superiores a 4% no dia. A valorização do derivado impulsionou diretamente o mercado do grão.

Greve na Argentina reduz oferta e favorece EUA

A paralisação de caminhoneiros na Argentina tem provocado impacto direto na oferta global. Com dificuldades logísticas, o país — um dos maiores exportadores mundiais — reduz sua presença no mercado, abrindo espaço para a demanda pelo produto dos Estados Unidos.

Esse cenário fortalece as cotações na Bolsa de Chicago (CBOT) e melhora as margens das indústrias processadoras norte-americanas. No mercado de farelo, o contrato de maio era cotado a US$ 331,80 por tonelada curta, enquanto o de julho marcava US$ 328,10.

Fundamentos e clima nos EUA entram no radar

Diante de incertezas no cenário geopolítico, os agentes de mercado voltam a priorizar os fundamentos. O início da safra dos Estados Unidos passa a ser um fator central, com atenção redobrada para o clima no Meio-Oeste, o ritmo do plantio e o comportamento da demanda internacional.

Outro elemento que contribui para a sustentação dos preços é a queda do dólar frente ao real, que recuava 0,7% na tarde desta sexta-feira, sendo cotado a R$ 5,03.

Protestos travam logística na Argentina

A greve dos caminhoneiros autônomos na Argentina começou no meio da semana e já provoca bloqueios em regiões estratégicas como Buenos Aires, Córdoba e Santa Fé — áreas-chave para o escoamento da produção agrícola.

Os trabalhadores reivindicam reajustes nas tarifas de transporte de grãos, pressionados pela disparada dos custos. Segundo relatos, o diesel teve aumento significativo, comprometendo a rentabilidade da atividade.

“Em janeiro, nossa tarifa caiu 10% e o diesel subiu quase 18%. Não há como sustentar os custos”, afirmou o caminhoneiro Mariano Gorosito.

A categoria pede um reajuste entre 25% e 30% nas tarifas, alegando que o combustível já representa cerca de 60% do custo das viagens. Além disso, os prazos longos para pagamento agravam a situação financeira dos transportadores.

Risco para exportações e entrada de divisas

Sem acordo até o momento, a paralisação ameaça comprometer a logística da colheita e o abastecimento dos portos argentinos. O impasse ocorre em um período crucial para o país, que depende das exportações agrícolas para a entrada de divisas.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Clarin

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