Exportação

G7 reforça união contra controles de exportação da China e busca diversificar cadeias de suprimentos

Os ministros das Finanças do G7 — grupo formado por Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão — decidiram manter uma posição conjunta diante dos novos controles de exportação da China sobre terras raras. A medida foi anunciada nesta quinta-feira (16) pelo comissário econômico europeu, Valdis Dombrovskis, que destacou o compromisso dos países em coordenar respostas de curto prazo e diversificar fornecedores estratégicos.

G7 manifesta preocupação com restrições chinesas

Segundo Dombrovskis, há um consenso entre os parceiros do G7 sobre a gravidade das novas restrições impostas por Pequim.

“Ficou claro que os membros do G7 compartilham a preocupação com esses novos e amplos controles de exportação chineses, que ampliam o escopo dos minerais cobertos, mas também atingem toda a cadeia de valor, com disposições extraterritoriais bastante abrangentes”, afirmou o comissário europeu.

Coordenação e diálogo com a China

O grupo pretende coordenar ações conjuntas e manter diálogo direto com autoridades chinesas para tentar encontrar soluções de curto prazo que reduzam os impactos econômicos dessas medidas.

“Concordamos em coordenar esse trabalho e nossos compromissos com os colegas chineses para buscar soluções imediatas”, explicou Dombrovskis.

Diversificação das cadeias de suprimentos

Além das medidas emergenciais, o G7 também reforçou o compromisso de longo prazo com a diversificação e a resiliência das cadeias globais de suprimentos, especialmente no setor de minerais críticos usados em tecnologias de ponta, como baterias e semicondutores.

“Está claro que precisamos continuar o trabalho — que não é novo — sobre diversificação e fortalecimento das cadeias de suprimentos”, completou o comissário.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Yves Herman

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Portos

Atrasos atingem 75% dos navios no Porto de Santos em setembro e elevam custos logísticos

O Porto de Santos enfrentou em setembro de 2025 um dos meses mais críticos em termos de pontualidade operacional. De acordo com o boletim DetentionZero, elaborado pela startup ElloX.Digital, 75% dos navios que atracaram no complexo portuário tiveram atrasos nos prazos de atracação, com uma média de seis dias de diferença. O levantamento utilizou dados dos terminais BTP, Santos Brasil e DP World, e aponta uma tendência de piora contínua ao longo do ano. Em janeiro, 58% das embarcações apresentavam prazos alterados — percentual que subiu para 75% em setembro, indicando uma deterioração do desempenho logístico.

Atrasos aumentam custos e reduzem previsibilidade

O aumento dos atrasos tem causado impactos diretos no custo logístico de exportadores e agentes de carga, que enfrentam despesas extras de armazenagem, pré-empilhamento e multas por devolução fora do prazo. O estudo também identificou que 38% dos navios tiveram menos de 48 horas de gate aberto — período entre a liberação do terminal e o fechamento para embarque. Essa restrição operacional reduz a previsibilidade das operações e eleva o custo de movimentação de contêineres.

Safras e sazonalidade explicam alta no segundo semestre

Segundo Lucas Moreno, CEO da ElloX.Digital, a redução dos atrasos no início de 2025 foi resultado de fatores sazonais. “No começo do ano, a entre-safra do café foi mais forte, com queda de 20% a 25% no volume exportado”, afirmou ao Poder360. O especialista explicou que outros portos também registraram menor congestionamento no primeiro trimestre, o que refletiu em níveis temporariamente mais baixos de atraso. “Essa redução não teve relação com melhorias estruturais, mas com menor movimentação de cargas contêinerizadas naquele período”, acrescentou.
A situação, no entanto, se inverteu no segundo semestre, com o início das safras de açúcar, algodão e café, que elevaram significativamente o volume de embarques. “Com o aumento das safras, o índice de atraso naturalmente cresceu”, destacou Moreno. Entre os casos mais graves em setembro estão os navios MSC Taurus VII, com 35 dias de diferença entre o prazo inicial e o final, e o Ever Fine, com 31 dias de atraso.

Leilão do STS-10 é visto como solução para ampliação da capacidade

O cenário de atrasos reacendeu o debate sobre a necessidade de ampliar a capacidade operacional do Porto de Santos. A principal aposta do governo federal é o leilão do megaterminal STS-10, projeto que promete aumentar em até 50% a capacidade de movimentação de contêineres no maior porto da América Latina.
A proposta da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), apoiada pelo Ministério de Portos e Aeroportos, prevê um modelo de leilão em duas fases. Na primeira, grandes operadores já atuantes — como MSC, Maersk, DP World e CMA CGM — ficariam impedidos de participar. Caso não haja interessados, a segunda fase abriria espaço para a entrada dessas empresas. O objetivo é desconcentrar o mercado de contêineres e estimular a competitividade.


O Ministério da Fazenda, porém, defende um modelo de etapa única, com cláusulas de desinvestimento para evitar concentração. O TCU (Tribunal de Contas da União) também criticou a vedação a grandes operadores, classificando a medida como sem base constitucional. Já o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) alerta para riscos de concentração de mercado, mas considera que a análise final deve ocorrer após o leilão.
A expectativa do governo é realizar o leilão até o fim de 2025, mas a proposta da Antaq ainda depende de análise do plenário do TCU. O processo está sob relatoria do ministro Antonio Anastasia, que ainda não incluiu o tema na pauta do tribunal.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/InfoMoney

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Internacional

China reage a tarifas de 100% impostas por Trump e acusa EUA de “duplo padrão”

A China reagiu neste domingo (12) ao anúncio do presidente Donald Trump, que decidiu aplicar tarifas adicionais de 100% sobre produtos chineses. O governo chinês acusou os Estados Unidos de adotar “dois pesos e duas medidas” e alertou que as novas sanções aprofundam a guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo.

Trump justificou a decisão como resposta à “postura comercial extraordinariamente agressiva” da China, que recentemente reforçou restrições à exportação de tecnologias ligadas às terras raras — um setor estratégico utilizado na fabricação de equipamentos como mísseis guiados, baterias, veículos elétricos e dispositivos eletrônicos.

As novas tarifas americanas devem entrar em vigor em 1º de novembro, “ou antes”, segundo o próprio Trump.

Pequim diz que medidas são injustas e prejudicam negociações

Em comunicado, um porta-voz do Ministério do Comércio da China classificou a declaração dos EUA como “um exemplo típico de duplo padrão”, afirmando que Washington prejudica o ambiente de diálogo econômico e comercial entre os dois países.

“As ações dos Estados Unidos afetam gravemente os interesses da China e dificultam qualquer avanço nas negociações”, destacou o ministério, acrescentando que ameaças constantes de tarifas elevadas não representam uma forma adequada de cooperação.

EUA ampliam sanções e tensões aumentam antes da APEC

As novas tarifas anunciadas por Trump se somam aos 30% já aplicados desde maio a todos os produtos chineses, além das taxas específicas sobre aço, alumínio, cobre, móveis e medicamentos, de acordo com informações da Casa Branca.

A medida também surge pouco antes da cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC), marcada para o fim de outubro, na Coreia do Sul. Trump declarou que não pretende mais se reunir com o presidente Xi Jinping durante o evento — um encontro que ele mesmo havia anunciado em setembro.

“Foi uma verdadeira surpresa”, disse o republicano, ao comentar a decisão da China de endurecer os controles sobre exportações de terras raras.

Trégua comercial chega ao fim e retaliações continuam

A nova ofensiva marca o fim da trégua comercial firmada entre Pequim e Washington no início do ano, que previa tarifas provisórias de 30% sobre produtos chineses e 10% sobre produtos americanos até novembro.

Na sexta-feira (10), a China respondeu anunciando tarifas “especiais” sobre navios americanos que atracarem em seus portos — uma retaliação direta às medidas impostas por Washington em abril.

Com ambos os países ampliando barreiras comerciais, o cenário aponta para uma nova fase de tensão entre China e Estados Unidos, com impactos potenciais sobre as cadeias globais de produção e o comércio internacional.

FONTE: Carta Capital
TEXTO: Redação
IMAGEM: FRED DUFOUR/AFP

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Comércio Exterior

China defende controle de exportação de terras raras e minimiza impacto nas cadeias globais

Pequim afirma que medidas têm foco em segurança e não devem afetar abastecimento internacional

O Ministério do Comércio da China afirmou neste domingo (12) que as novas restrições à exportação de terras raras terão impacto “muito limitado” nas cadeias globais de abastecimento. Segundo o governo chinês, as medidas são legítimas e visam aprimorar o sistema de controle de exportações, em conformidade com leis e regulamentos internacionais.

De acordo com o porta-voz do ministério, os controles de exportação não representam uma proibição total e as licenças serão concedidas a pedidos que atendam aos requisitos estabelecidos. Pequim afirmou ainda que informou antecipadamente seus parceiros comerciais sobre as novas regras, por meio de mecanismos bilaterais de diálogo.

“As empresas não precisam se preocupar”, garantiu o representante da pasta, destacando que o objetivo é evitar o uso de terras raras e seus derivados na produção de armamentos, reforçando o compromisso da China com a paz mundial e a não proliferação militar.

China amplia lista de metais controlados

Na última quinta-feira (9), o governo chinês anunciou uma nova rodada de restrições à exportação de terras raras, ampliando o controle para cinco novos metais estratégicos utilizados na fabricação de tecnologias avançadas.

A China domina mais de 70% da produção global e cerca de 90% do processamento mundial desses minerais, considerados essenciais para indústrias de defesa, energia e eletrônicos. As restrições têm sido vistas como instrumento de pressão geopolítica desde o início da guerra tarifária com os Estados Unidos, em abril deste ano.

Escalada nas tensões entre China e EUA

Em resposta às medidas chinesas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na sexta-feira (10) uma tarifa adicional de 100% sobre as importações chinesas, com início previsto para 1º de novembro — ou antes, “dependendo de eventuais ações futuras de Pequim”, segundo o republicano.

Trump também afirmou que Washington implementará controles de exportação sobre softwares críticos destinados à China. A decisão, publicada na rede social Truth, foi classificada por Pequim como um exemplo de “dois pesos, duas medidas”.

O Ministério do Comércio chinês reagiu, dizendo que as medidas dos EUA “prejudicam gravemente os interesses da China” e deterioram o ambiente de negociações comerciais entre os dois países. “Ameaçar constantemente com tarifas elevadas não é a forma correta de cooperar com a China”, destacou o comunicado oficial.

Tensões podem afetar encontro da APEC

As novas medidas foram anunciadas às vésperas da reunião da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC), que ocorrerá na Coreia do Sul. O evento poderia sediar um encontro entre os presidentes chinês e norte-americano, mas a escalada das tensões comerciais coloca a reunião em risco.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MSN

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Comércio Exterior

Comércio exterior da China cresce 4% em 2025 e reforça liderança global

As exportações subiram 7,1% em relação ao ano anterior.

Crescimento sólido nas exportações e diversificação de mercados

O comércio exterior da China manteve um ritmo sólido de crescimento em 2025, com uma alta de 4% no acumulado de janeiro a setembro, totalizando 33,61 trilhões de yuans (cerca de US$ 4,73 trilhões), segundo dados divulgados pela Administração Geral das Alfândegas (GAC) nesta segunda-feira (13).

As exportações chinesas avançaram 7,1% em relação ao mesmo período de 2024, somando 19,95 trilhões de yuans, enquanto as importações registraram uma leve queda de 0,2%, totalizando 13,66 trilhões de yuans. O desempenho confirma a resiliência da economia chinesa, mesmo diante de um cenário internacional instável e marcado por tensões comerciais.


Parcerias estratégicas impulsionam as trocas comerciais

Em entrevista coletiva em Pequim, o vice-administrador da GAC, Wang Jun, destacou que a China vem mantendo crescimento contínuo há oito trimestres seguidos, com expansão de 1,3% no 1º trimestre, 4,5% no 2º trimestre e 6% no 3º trimestre de 2025.

Segundo ele, o fortalecimento das parcerias comerciais com os países que integram a Iniciativa Cinturão e Rota (BRI) foi decisivo. O comércio bilateral com essas nações somou 17,37 trilhões de yuans, uma alta de 6,2%, representando 51,7% do total das trocas internacionais da China.

“A diversificação dos mercados e o investimento em inovação tecnológica nas exportações são elementos-chave para sustentar o comércio exterior diante das pressões externas”, afirmou Wang.


Tecnologia e sustentabilidade lideram exportações chinesas

O avanço das exportações foi impulsionado principalmente pelos bens eletromecânicos, que cresceram 9,6%, totalizando 12,07 trilhões de yuans, o equivalente a 60,5% do total exportado pelo país.

Ganhando cada vez mais protagonismo, a chamada “nova tríade” — composta por veículos elétricos, baterias de íons de lítio e painéis solares — apresentou crescimento de dois dígitos nas exportações. Além disso, produtos sustentáveis, como locomotivas elétricas, também ampliaram sua participação nos embarques.


Importações apresentam sinais de recuperação

Apesar da queda marginal no acumulado do ano, as importações chinesas mostraram sinais de recuperação nos últimos trimestres, com aumentos de 0,3% no segundo trimestre e 4,7% no terceiro. Os destaques ficam por conta de:

  • Petróleo bruto: +4,9%
  • Minérios metálicos: +10,1%
  • Instrumentos de medição e teste: +9,3%
  • Equipamentos de informática e comunicação: +8,9%

O vice-administrador da GAC destacou que esses números refletem o aumento da demanda interna e o dinamismo do setor industrial, além do crescimento no número de empresas ativas no setor: já são 700 mil, 52 mil a mais que no mesmo período de 2024.
Desafios à frente e perspectiva de estabilidade

Wang Jun atribuiu o bom desempenho do comércio exterior à liderança central do Partido Comunista da China e à colaboração entre governos locais e empresas. Segundo ele, o país alcançou um “crescimento quantitativo e qualitativo” em meio a desafios globais.

Ainda assim, ele reconheceu que o ambiente externo permanece desafiador, especialmente diante das incertezas econômicas globais e de uma base de comparação elevada em 2024, exigindo maior esforço para manter o ritmo no último trimestre do ano.

FONTE: Com informações do Global Times.
TEXTO: Redação

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Comércio Exterior

Empresas chinesas migram para a Malásia em meio ao endurecimento das tarifas dos EUA

O aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos está provocando uma reorganização no cenário global de produção. Grandes empresas chinesas de tecnologia estão transferindo parte de suas operações para a Malásia, em busca de novos polos industriais fora do alcance direto das sanções norte-americanas. A movimentação é resultado das novas medidas do Departamento de Comércio dos EUA, que ampliaram o alcance das restrições a subsidiárias de empresas incluídas na chamada “lista negra”.

EUA fecham brechas e ampliam controle sobre subsidiárias estrangeiras

A mais recente regra, anunciada pelo Bureau de Indústria e Segurança (BIS) em 29 de setembro, determina que qualquer empresa com participação majoritária (50% ou mais) de uma entidade listada estará sujeita às mesmas restrições de exportação. A medida, segundo o governo norte-americano, fecha uma “brecha significativa” que permitia a empresas sancionadas continuarem operando por meio de afiliadas internacionais.

As novas regras também se estendem às companhias incluídas na Lista de Usuários Finais Militares e a entidades sujeitas a sanções específicas, ampliando o cerco contra conglomerados tecnológicos chineses.

Washington busca reduzir dependência de chips de Taiwan

Em paralelo, o governo dos EUA estabeleceu uma meta ambiciosa de independência tecnológica: reduzir pela metade a dependência de semicondutores avançados de Taiwan, responsável por 95% da produção global desses chips.

O secretário de Comércio, Howard Lutnick, afirmou que o objetivo é que 50% dos chips avançados utilizados no país sejam produzidos dentro dos EUA ou em nações aliadas, como Japão e países do Oriente Médio. A medida reflete preocupações com segurança nacional e com a vulnerabilidade das cadeias de suprimento em meio às tensões geopolíticas no Indo-Pacífico.

Malásia emerge como novo polo industrial chinês

A Malásia desponta como um dos principais destinos para o capital chinês em meio à guerra comercial. Segundo Dersenish Aresandiran, diretor comercial do Malaysia Aviation Group, a procura por voos executivos entre China e Malásia aumentou consideravelmente, impulsionada por novos investimentos industriais.

Empresas chinesas têm se instalado no país do Sudeste Asiático para contornar tarifas norte-americanas e aproveitar incentivos fiscais locais. Setores como semicondutores, veículos elétricos e infraestrutura são os mais beneficiados por essa reconfiguração da cadeia global de produção.

Pequim aposta em novo visto para atrair talentos globais

Enquanto os EUA restringem a entrada de profissionais estrangeiros, a China lançou o “visto K”, voltado para jovens talentos estrangeiros das áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM).

O programa, anunciado pelo Ministério das Relações Exteriores chinês, tem como objetivo atrair especialistas internacionais e fortalecer a capacidade tecnológica nacional, especialmente em segmentos estratégicos como os semicondutores. A medida faz parte da estratégia de Pequim para contrabalançar as sanções americanas e consolidar sua posição na disputa pela liderança tecnológica global.

Setor de alta tecnologia acelera na economia chinesa

Mesmo sob pressão internacional, a indústria de alta tecnologia chinesa continua em expansão. O Índice da Nova Economia (NEI), calculado pelo Caixin BBD, subiu para 31,2 pontos em setembro, alta de 1,3 ponto em relação a agosto.

O crescimento reflete o aumento dos investimentos em biotecnologia, inovação e mão de obra qualificada, compensando a retração dos aportes de capital. O índice monitora o peso das indústrias emergentes na economia chinesa, que hoje representam 31,2% do total de insumos econômicos do país.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Agricultura

União Europeia anuncia medidas para proteger agricultores no acordo com o Mercosul

Bloco promete salvaguardas e monitoramento das importações para reduzir resistência ao tratado

A União Europeia (UE) anunciou, nesta quarta-feira (8), um conjunto de medidas para proteger agricultores europeus diante do impacto do acordo de livre comércio com o Mercosul. O bloco se comprometeu a monitorar as importações e investigar possíveis efeitos negativos sobre a produção local, adotando ações corretivas quando necessário.

O tratado entre a UE e o Mercosul — formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai — criará a maior zona de livre comércio do mundo, com cerca de 700 milhões de habitantes. A expectativa de Bruxelas é concluir a ratificação até o fim de 2025, durante a presidência brasileira do bloco.

França mantém resistência ao acordo

Apesar do avanço, a França segue como principal opositor do tratado. O governo francês afirma que o acordo ameaça setores sensíveis como carne bovina, aves, açúcar e biocombustíveis, defendendo a adoção de medidas de proteção adicionais.

Em resposta, a Comissão Europeia prometeu mecanismos de salvaguarda “robustos” para garantir a competitividade dos agricultores locais.

Monitoramento de importações e apoio de países

Entre as medidas anunciadas está a vigilância reforçada de produtos sensíveis, como carne bovina, frango, arroz, mel, ovos, alho e açúcar. Relatórios semestrais sobre o impacto dessas importações serão enviados ao Parlamento Europeu e aos Estados-membros.

O tratado, no entanto, tem forte apoio de países como a Alemanha, que busca ampliar o acesso de suas empresas a novos mercados — especialmente após a volta de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos e a retomada de tarifas comerciais.

Critérios para investigações e possíveis sanções

A Comissão Europeia definiu critérios para abrir investigações:

  • quando o preço de produtos do Mercosul for 10% mais baixo que o similar europeu;
  • quando o volume de importações com isenção de tarifas subir acima de 10%.

Caso seja identificado dano grave ao setor agroalimentar, a UE poderá restabelecer tarifas sobre os produtos afetados.

As investigações terão prazo máximo de quatro meses, mas se um Estado-membro solicitar a análise, a Comissão deverá iniciar o processo em até 21 dias.

Declaração oficial

Segundo o comissário europeu de Agricultura, Christophe Hansen, as medidas buscam equilibrar os interesses comerciais com a proteção do setor produtivo.

“A Comissão estará pronta para agir rápida e decisivamente, se necessário, para proteger os interesses do nosso setor agroalimentar”, declarou Hansen.

De acordo com estimativas da Comissão, o acordo Mercosul–UE permitirá que exportadores europeus economizem mais de 4 bilhões de euros por ano (cerca de R$ 25 bilhões) em tarifas para acessar o mercado latino-americano.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: Daniel Roland/AFP

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Portos

Oquerlina Costa é a nova presidente do Porto do Itaqui e marca liderança feminina inédita

Primeira mulher a comandar o porto público maranhense assume com foco em sustentabilidade e inovação

O Porto do Itaqui, considerado um dos principais hubs logísticos do Brasil, vive um marco histórico. Após indicação do governador Carlos Brandão, o Conselho de Administração (Consad) aprovou a nomeação de Oquerlina Costa para a presidência da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap), responsável pela gestão do terminal.

No dia 7, a nova presidente foi recebida pela diretoria da Emap na sede da empresa, tornando-se oficialmente a primeira mulher efetivada no mais alto cargo de gestão do Porto do Itaqui.

Trajetória e liderança feminina no setor portuário

A escolha de Oquerlina Costa reforça o avanço da liderança feminina na gestão portuária. Ela sucede Isa Mary Pinheiro Mendonça, diretora de Administração e Finanças, que ocupava interinamente a presidência nos últimos meses.

Com carreira consolidada no setor público, Oquerlina já atuou como secretária-adjunta de Recursos Ambientais da Sema (Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Naturais) e participou de projetos ligados à logística e sustentabilidade, áreas estratégicas para o desenvolvimento do setor portuário.

Desafios de gênero no setor aquaviário

A nomeação tem ainda maior relevância diante do cenário nacional. Segundo a 2ª Pesquisa sobre Equidade de Gênero no Setor Aquaviário, divulgada pela ANTAQ em parceria com a Wista Brazil, as mulheres representam apenas 17,8% da força de trabalho nos portos.

Nos cargos de liderança, a presença feminina cai para 15%, e em funções operacionais, atinge apenas 10%. O ingresso de Oquerlina Costa na presidência do Itaqui simboliza um avanço na inclusão e diversidade em um setor historicamente masculino.

Porto do Itaqui: recordes e papel estratégico

O Porto do Itaqui é um ativo estratégico para o Maranhão e para o Brasil. Integrante do maior complexo portuário da América Latina, é reconhecido como o principal porto do Arco-Norte, essencial no escoamento de grãos e minérios.

Com localização estratégica, garante logística mais rápida e econômica para mercados como Estados Unidos e Europa, competindo com vantagem em relação a portos do Sul e Sudeste.

Em 2025, o terminal registrou recordes históricos:

  • Agosto de 2025: maior movimentação mensal da história, com 3,85 milhões de toneladas (+7% em relação a 2024).
  • Janeiro a agosto de 2025: 24,9 milhões de toneladas movimentadas, crescimento de 8% frente ao mesmo período do ano anterior.

Compromisso com inovação e sustentabilidade

Sob a liderança de Oquerlina Costa, o Porto do Itaqui reforça sua estratégia de investir em inovação, sustentabilidade e inclusão, consolidando-se como referência em eficiência logística e gestão moderna no setor portuário brasileiro.

FONTE: Porto do Itaqui
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Porto do Itaqui

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Portos

Atrasos nos portos travam exportações de café e expõem gargalos logísticos do Brasil

As exportações de café brasileiro enfrentaram em agosto um dos maiores gargalos logísticos dos últimos anos. Segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), mais de 600 mil sacas ficaram retidas nos portos, gerando prejuízos de R$ 5,9 milhões apenas com custos de armazenagem e detenção de contêineres.

O impacto financeiro foi ainda maior: o país deixou de arrecadar cerca de R$ 1,2 bilhão em receita cambial, considerando o valor médio da saca exportada. O cenário preocupa, já que o Brasil é líder mundial na produção de café, mas enfrenta crescentes entraves logísticos para escoar sua safra.

Portos operam no limite

O Porto de Santos, responsável por mais de 80% das exportações nacionais, opera próximo à capacidade máxima. Em agosto, dois terços dos navios programados sofreram atrasos ou mudanças de escala, com casos de espera que chegaram a 47 dias.
No Porto do Rio de Janeiro, segundo mais relevante para o setor, quase 40% das embarcações também registraram problemas.

Confira a seguir um histórico das exportações brasileiras de café em grão via Porto de Santos. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:

Exportações Brasileiras de Café em Grão | Jan 2022 a Ago 2025 | TEU

O Cecafé defende uma estratégia conjunta entre governo e iniciativa privada para destravar os gargalos. O novo marco regulatório dos portos, em análise na Câmara, é visto como essencial para acelerar concessões, ampliar investimentos e evitar disputas judiciais que atrasam projetos, como a licitação do Tecon Santos 10.

Impacto no agronegócio brasileiro

O problema não afeta apenas o café. Outras cadeias agroexportadoras que dependem do transporte conteinerizado — como frutas, algodão e carnes processadas — também sentem os efeitos da ineficiência portuária.
Com a safra recorde e a demanda global em alta, cresce o temor de que os gargalos de infraestrutura se tornem um dos maiores entraves à expansão do agronegócio brasileiro nos próximos anos.

Especialistas apontam falhas estruturais

Para Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Feagro-MT, os atrasos resumem o desafio logístico nacional. Segundo ele, produtores que investem em tecnologia e qualidade perdem competitividade ao não conseguirem entregar no prazo, reduzindo o retorno sobre os investimentos.

Rezende alerta ainda para a defasagem de armazenagem, estimada em mais de 20% da safra, o que obriga o agricultor a escoar grãos rapidamente sob risco de perda. A situação se agrava com estradas precárias e falta de integração entre modais, fatores que encarecem o transporte e diminuem a competitividade frente a concorrentes internacionais.

“O custo do transporte rodoviário no Brasil chega a ser 30% mais alto que nos Estados Unidos, o que compromete toda a cadeia produtiva”, exemplifica.

Soluções para destravar a logística

Na avaliação do especialista, o Brasil precisa de uma reengenharia logística nacional, baseada na expansão de ferrovias, hidrovias, terminais de integração e centros logísticos estratégicos.
“O governo e o setor privado precisam entender que logística não é custo extra, mas sim o alicerce para manter o agro crescendo e competitivo no mercado global”, conclui Rezende.

FONTE: Pensar Agro
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Portos

Complexo Portuário de Itajaí registra alta de 9% e movimenta 9,7 milhões de toneladas em 2025

Crescimento na movimentação de cargas

Entre janeiro e agosto de 2025, o Complexo Portuário de Itajaí movimentou 9,7 milhões de toneladas de cargas, volume 9% superior ao registrado no mesmo período de 2024, quando foram contabilizadas 8,9 milhões de toneladas. Nesse intervalo, 815 embarcações passaram pela bacia de evolução.

As exportações somaram 641.345 toneladas, enquanto as importações atingiram 673.623 toneladas. O complexo é composto pelo Porto de Itajaí e seis terminais privados: Teporti, Poly Terminais, Trocadeiro Portos e Logística, Barra do Rio Terminal Portuário, Terminal Braskarne e Portonave (Terminais Portuários de Navegantes).

Porto de Itajaí: crescimento no cais público e na área arrendada

O Porto de Itajaí (cais público e área arrendada) recebeu 288 navios nos primeiros oito meses de 2025, número muito acima das 85 embarcações registradas em igual período de 2024.

A área arrendada, administrada pela JBS Terminais, movimentou 2,4 milhões de toneladas de cargas, sendo 1,35 milhão de toneladas em exportações e 1,05 milhão em importações.

Já o cais público registrou 392.806 toneladas no período, contra 240.250 toneladas no ano anterior – um crescimento de 63,5%. Desse total, 242.771 toneladas foram importadas e 150.035 exportadas.

Relevância estratégica para o comércio

A soma das operações do cais público e da área arrendada chegou a 2,79 milhões de toneladas, divididas entre 1,5 milhão de toneladas exportadas e 1,29 milhão importadas.

Os resultados reforçam a importância estratégica do Complexo Portuário de Itajaí no comércio exterior, consolidando-o como um dos principais hubs logísticos do Brasil, com destaque para o avanço simultâneo em cargas e em número de embarcações.

FONTE: Porto de Itajaí
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Porto de Itajaí

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