Tecnologia

OMC eleva previsão do comércio global em 2026 impulsionado por investimentos em inteligência artificial

A Organização Mundial do Comércio (OMC) revisou para cima sua projeção de crescimento do comércio mundial de mercadorias em 2026. Mesmo diante dos impactos do conflito no Oriente Médio, a entidade avalia que o avanço dos investimentos em inteligência artificial (IA) e a adaptação das cadeias de suprimentos ajudaram a sustentar as trocas comerciais no primeiro semestre do ano.

Em relatório de perspectivas e estatísticas divulgado nesta quinta-feira (8), a organização elevou a estimativa de expansão do comércio de mercadorias de 1,9%, prevista em março, para 3,9% em 2026. Para 2027, a expectativa é de crescimento de 4,1%.

Segundo a OMC, a demanda por equipamentos e componentes ligados à IA compensou parte dos efeitos negativos provocados pelas perturbações nos mercados de energia, fertilizantes e transporte internacional.

Apesar do cenário mais favorável para os bens, a entidade ressalta que os resultados variam entre regiões e setores. O comércio de serviços, especialmente nas áreas de transporte e viagens, enfrenta perspectivas menos positivas devido aos efeitos do conflito.

Investimentos em IA impulsionam o comércio mundial

A expansão da infraestrutura tecnológica tornou-se um dos principais motores do comércio internacional em 2026. Produtos necessários para o desenvolvimento da inteligência artificial, como semicondutores e servidores, registraram forte crescimento da demanda.

De acordo com a OMC, o comércio desses produtos aumentou 67% na comparação anual durante o primeiro semestre, respondendo por 47% da expansão global do comércio de mercadorias no período.

A organização espera que esse movimento continue até 2027. Os gastos mundiais com infraestrutura de IA devem crescer pelo menos 30% em 2026, enquanto as projeções de mercado indicam uma alta de 10% a 20% nos investimentos de capital relacionados à tecnologia no ano seguinte.

Esse avanço reforça a importância dos componentes eletrônicos e dos equipamentos de processamento de dados para o desempenho das exportações globais.

Comércio de mercadorias supera expectativas no primeiro semestre

O volume mundial de mercadorias comercializadas cresceu 3,5% nos primeiros seis meses de 2026, resultado superior ao esperado pela organização.

O desempenho foi favorecido pela capacidade de adaptação das cadeias de suprimentos, que buscaram fornecedores alternativos e redirecionaram cargas diante das dificuldades logísticas provocadas pelo conflito no Oriente Médio.

A OMC informou que as exportações de petróleo bruto da região recuaram cerca de 24% no primeiro semestre, enquanto os embarques de gás natural liquefeito (GNL) diminuíram 47%.

A ampliação das vendas por outros fornecedores ajudou a limitar o impacto sobre o mercado mundial. Com isso, as exportações globais caíram aproximadamente 6% no caso do petróleo bruto e apenas 1% no GNL.

O mercado de fertilizantes também demonstrou capacidade de adaptação. As importações globais de fertilizantes nitrogenados ficaram 2,8% abaixo das médias recentes, enquanto as compras de fertilizantes fosfatados registraram aumento de 2,2%, impulsionadas pela entrada de fornecedores alternativos.

Nos transportes, a utilização de portos e corredores logísticos diferentes ajudou a manter o fluxo de mercadorias. O movimento mundial de contêineres acumulou crescimento de 3,9% até julho.

Conflito no Oriente Médio mantém riscos para o comércio global

Apesar da revisão positiva das projeções, a OMC alerta que os efeitos da guerra continuam pressionando os custos e criando obstáculos para o comércio internacional.

Os principais riscos envolvem a elevação dos preços da energia, as interrupções nas rotas marítimas e aéreas e as dificuldades no abastecimento de produtos estratégicos.

A diretora-geral da organização, Ngozi Okonjo-Iweala, afirmou que os resultados demonstram a capacidade de adaptação do comércio mundial diante de choques externos.

Segundo ela, a integração econômica e um sistema comercial baseado em regras ajudam a manter o fornecimento de produtos essenciais para empresas e consumidores.

A dirigente também destacou que os benefícios dessa adaptação não são distribuídos de maneira uniforme. Para ela, é importante garantir que economias de diferentes portes tenham acesso às oportunidades criadas por tecnologias como a inteligência artificial.

Ásia deve liderar crescimento das exportações em 2026

As projeções regionais da OMC apontam diferenças expressivas no desempenho do comércio internacional. A Ásia deve apresentar o maior crescimento das exportações de mercadorias em 2026, enquanto o Oriente Médio enfrenta a perspectiva de forte retração.

Confira as estimativas de crescimento das exportações por região:

  • Ásia: 9,9%.
  • América do Norte: 5,7%.
  • África: 5,6%.
  • América do Sul: 3,4%.
  • Europa: -0,1%.
  • Comunidade de Estados Independentes (CEI): -3,9%.
  • Oriente Médio: -17,2%.

A projeção negativa para o Oriente Médio reflete os impactos do conflito e as interrupções nos fluxos comerciais. Na Europa, a expectativa é de estabilidade, com pequena retração das exportações.

Importações também devem crescer de forma desigual

No lado das importações, a Ásia, a África e a CEI devem registrar os avanços mais expressivos em 2026.

As estimativas da OMC são de crescimento de 9,5% para a Ásia, 8,9% para a África e 8,8% para a Comunidade de Estados Independentes.

Na América do Norte, a expansão projetada é de 1,4%, enquanto a Europa deve avançar 0,5%. Já o Oriente Médio poderá registrar queda de 15,4% nas importações.

Os números indicam que os efeitos dos conflitos e das mudanças nas cadeias de abastecimento variam conforme a região e sua exposição às rotas comerciais e aos mercados de energia.

Comércio internacional de serviços perde força em 2026

Ao contrário do comércio de mercadorias, o segmento de serviços teve suas perspectivas reduzidas pela OMC. A organização passou a estimar crescimento de 3,3% no comércio mundial de serviços comerciais em 2026, ante os 4,8% previstos em março.

Para 2027, a expectativa é de recuperação, com expansão de 6,4%.

A revisão está relacionada principalmente aos impactos do conflito no Oriente Médio sobre os serviços de transporte e viagens internacionais. O aumento dos custos de energia, as alterações nas rotas aéreas e marítimas e a redução da demanda por deslocamentos devem limitar o desempenho desses segmentos.

Por outro lado, os serviços prestados digitalmente e outras atividades comerciais demonstram maior resistência às perturbações e devem continuar contribuindo para o crescimento do setor.

Projeções indicam resiliência, mas cenário segue incerto

A revisão das estimativas da OMC mostra que o comércio global conseguiu absorver parte dos impactos do conflito no Oriente Médio, apoiado pelo avanço tecnológico e pela reorganização das cadeias de suprimentos.

O crescimento dos investimentos em inteligência artificial deve continuar sustentando a demanda por mercadorias até 2027. Ainda assim, os riscos relacionados à energia, à logística e às diferenças regionais permanecem no radar da organização.

Enquanto o comércio de bens apresenta perspectivas mais favoráveis, os serviços devem enfrentar um ritmo de expansão mais moderado em 2026, antes da recuperação projetada para o ano seguinte.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Infomoney

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Comércio Internacional

Exportações da China crescem 21,8% no início de 2026 e superam expectativas do mercado

A China começou 2026 com um desempenho expressivo no comércio exterior. As exportações chinesas avançaram 21,8% em dólares entre janeiro e fevereiro, superando com ampla margem as previsões do mercado e indicando continuidade do ritmo forte após o superávit comercial recorde registrado no ano passado.

O resultado também ficou muito acima da expansão de 6,6% registrada em dezembro e da estimativa de 7,1% apontada por economistas consultados. O desempenho reforça a posição da segunda maior economia do mundo como um dos principais motores do comércio global.

Segundo especialistas, a demanda internacional por produtos tecnológicos tem sido um dos principais fatores por trás do avanço das remessas chinesas.

Tecnologia e eletrônicos lideram crescimento das exportações

O setor de tecnologia aparece entre os principais impulsionadores das exportações da China. A venda de circuitos integrados e produtos eletrônicos ganhou força com o aumento global de investimentos ligados à inteligência artificial.

Para Xu Tianchen, economista sênior da Economist Intelligence Unit, esse movimento já era esperado diante da expansão do setor tecnológico.

Além disso, alguns segmentos tradicionais também surpreenderam positivamente. “O crescimento das exportações de roupas, têxteis e bolsas foi inesperado, considerando o desempenho fraco desses setores em 2025 diante da concorrência do Sudeste Asiático e do Sul da Ásia”, avaliou o economista.

Embarques podem acelerar com demanda dos EUA

Analistas apontam que o ritmo das exportações pode se intensificar no curto prazo. Há expectativa de que os dados de março mostrem um aumento adicional nos embarques, especialmente para os Estados Unidos.

Esse movimento estaria relacionado à tentativa de fabricantes chineses de antecipar exportações enquanto permanece em vigor a suspensão de tarifas comerciais determinada pela Suprema Corte norte-americana.

Outro fator seria o retorno de empresas chinesas a setores de menor valor agregado, como o têxtil, ampliando a presença do país nesses mercados.

Tensões geopolíticas ainda são risco para o comércio

Apesar do cenário positivo, economistas alertam que tensões geopolíticas podem afetar o comércio global nos próximos meses.

Ainda é incerto o impacto de possíveis conflitos envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, especialmente diante do risco de interrupções no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial.

Caso ocorram restrições no fluxo de energia ou transporte marítimo, a cadeia global de suprimentos poderia ser afetada.

China amplia estoques de commodities estratégicas

Nos primeiros meses do ano, a China também reforçou seus estoques de commodities essenciais para a indústria, incluindo minério de ferro e petróleo bruto.

A estratégia ajuda a proteger o setor produtivo contra eventuais oscilações nos mercados internacionais de energia e matérias-primas.

Superávit comercial cresce no início do ano

Os dados oficiais mostram ainda que o superávit comercial chinês atingiu US$ 213,6 bilhões entre janeiro e fevereiro, superando com folga os US$ 169,21 bilhões registrados no mesmo período de 2025.

O resultado também ficou acima da previsão de economistas, que projetavam um saldo de US$ 179,6 bilhões.

As importações da China também apresentaram crescimento significativo no início de 2026, com alta de 19,8% no bimestre, acelerando em relação ao avanço de 5,7% observado em dezembro.

Fonte: Infomoney com informações de Reuters.

TEXTO: Redação

IMAGEM: Reprodução Infomoney / China Daily via REUTERS//File Photo

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Agronegócio, Comércio Exterior, Exportação, Industria, Negócios

Com exportações em alta, Brasil amplia liderança global no mercado de milho

O Brasil está consolidando sua posição de liderança nas exportações globais de milho. De acordo com análise do Agroinfo do Rabobank, o país encerrou a safra 2022/23 com exportações que somaram 56 milhões de toneladas — um aumento de 29% em relação ao ciclo anterior.

Esse avanço foi favorecido por dois fatores principais: a quebra de safra registrada nos Estados Unidos e a excelente produtividade da segunda safra brasileira, também conhecida como “safrinha”. Esses elementos colocaram o milho brasileiro em destaque no cenário internacional, abrindo caminho para que o país se tornasse o principal fornecedor mundial do grão.

A tendência de domínio deve continuar. Para a safra 2023/24, o Rabobank estima que o Brasil exporte entre 45 e 50 milhões de toneladas, mantendo-se como o maior exportador global. “Ainda que as exportações brasileiras devam recuar, principalmente por causa de uma safra menor, o país continuará sendo o maior player nas vendas externas”, destaca o relatório do Agroinfo.

Essa nova dinâmica do mercado é resultado direto da maior competitividade do milho brasileiro, que tem ganhado espaço frente aos Estados Unidos, tradicional líder nesse segmento. Com infraestrutura em expansão e maior eficiência logística, o Brasil caminha para consolidar-se como um parceiro confiável e constante nos mercados internacionais.

Fonte: Portal do Agronegócio
Com exportações em alta, Brasil amplia liderança global no mercado de milho – Portal do Agronegócio

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