Exportação

Argentina e México avançam sobre espaço perdido pela madeira brasileira nos Estados Unidos

A perda de participação da madeira brasileira no mercado dos Estados Unidos começa a alterar a dinâmica do comércio internacional do setor. Parte das cargas que deixaram de ter os EUA como destino está sendo direcionada, ainda que gradualmente, para países como México, Alemanha, Vietnã, Espanha e Colômbia. Ao mesmo tempo, produtores argentinos aproveitam a abertura para conquistar clientes antes atendidos por serrarias brasileiras.

A avaliação é de Marcelo Wiecheteck, diretor de Desenvolvimento Estratégico da consultoria florestal STCP. Conforme levantamento citado pela Forbes Brasil, as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram US$ 351 milhões no primeiro semestre, considerando as sete principais categorias de produtos de madeira.

Exportações de madeira serrada perdem espaço

O movimento já aparece nos dados de comércio exterior. As vendas brasileiras de madeira serrada de pinus para os Estados Unidos diminuíram 28% em março, chegando a US$ 8,1 milhões.

No mesmo mês, o México assumiu a liderança entre os compradores, com US$ 11,2 milhões em aquisições, segundo os registros de destino do Comex Stat.

Para Wiecheteck, transferir a produção brasileira para novos mercados não é uma tarefa simples. Mesmo assim, os exportadores começaram a buscar alternativas de maneira gradual, avaliando cada produto e mercado individualmente.

Alemanha, México e Suécia ampliam compras

O movimento de diversificação também aparece no segmento de compensados de madeira. Durante o trimestre, Alemanha, México e Suécia aumentaram suas compras do produto brasileiro.

As importações alemãs passaram de US$ 5 milhões para US$ 7,1 milhões. No México, o valor subiu de US$ 3,5 milhões para US$ 5,3 milhões. Já as compras da Suécia avançaram de US$ 800 mil para US$ 2,5 milhões.

O Vietnã também ganhou relevância entre os destinos da madeira serrada de pinus brasileira, reforçando a tentativa do setor de encontrar novos compradores fora do mercado americano.

Dados da Datamar, baseados em reservas de contêineres, apontam tendência semelhante. Entre janeiro e abril, os embarques de madeira brasileira cresceram 113% para a Espanha, 100,4% para a Colômbia e 34,4% para o México. No sentido contrário, os envios para os Estados Unidos caíram 31,2%, segundo informações da plataforma DataLiner.

Argentina disputa clientes brasileiros nos EUA

A Argentina ocupa uma posição diferente nesse processo. O país não aparece apenas como possível destino para a produção brasileira, mas também como concorrente da indústria madeireira brasileira no mercado americano.

A federação argentina do setor registrou crescimento de 34,58% nas exportações de madeira serrada de pinus no primeiro semestre, enquanto o consumo doméstico permanece praticamente estagnado.

Gustavo Cetrángolo, consultor responsável pelo relatório mensal da indústria da FAIMA, afirmou à Argentina Forestal que as exportações funcionam atualmente como uma alternativa para reduzir os efeitos da fraqueza da demanda interna.

As vendas argentinas de molduras de madeira para os Estados Unidos cresceram 16,65%, impulsionadas principalmente pela categoria Appearance Pine Board. No caso do compensado, as exportações aumentaram 93,59% em comparação com o segundo semestre de 2025.

Nova serraria amplia capacidade argentina

O avanço argentino também conta com novos investimentos. A austríaca HS Timber Group e a belga Forestcape estão construindo uma unidade em Virasoro, na província de Corrientes.

A joint venture prevê capacidade de produção de 370 mil metros cúbicos anuais de madeira serrada seca, posicionando o empreendimento para atender à demanda dos mercados externos.

Apesar das oportunidades, empresários argentinos apontam limitações na capacidade de resposta da própria indústria. Enrique Bongers, presidente da associação madeireira AMAYADAP, de Misiones, disse ao jornal Primera Edición que existe demanda internacional, mas as empresas ainda enfrentam dificuldades para atender integralmente os pedidos.

Diferença de tarifas aumenta pressão sobre o Brasil

A política tarifária dos Estados Unidos é outro fator que pesa na competitividade brasileira. Conforme a tabela americana, as molduras provenientes da Argentina estão sujeitas a uma tarifa de 10%. Para produtos brasileiros, porém, as cobranças acumuladas chegam a 37,5%, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Representantes da indústria afirmam que o problema não se resume ao percentual das tarifas. A instabilidade provocada pelas mudanças comerciais também dificulta a manutenção de contratos e o planejamento das empresas.

Gustavo Milazzo, CEO da WoodFlow, afirmou à Forbes Brasil que o Brasil vem perdendo espaço para concorrentes como Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile e México. Segundo ele, os efeitos já aparecem em fábricas com contratos suspensos, resultados negativos e adoção de férias coletivas.

Guilherme Ranssolin, CEO da Randa, fabricante de portas, compensados e molduras, também apontou a insegurança como um dos principais obstáculos à permanência dos produtos brasileiros no mercado americano.

Exportações aos EUA recuam em julho

A pressão aumentou após a divulgação dos números de comércio exterior referentes a julho. As exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 5% em valor e 11,9% em volume na comparação com o mesmo mês do ano anterior.

O efeito da nova tarifa, entretanto, ainda não pode ser isolado nos resultados de julho. Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, explicou que a cobrança só passou a produzir efeito pleno em 29 de julho, depois que cargas que já estavam em trânsito marítimo foram liberadas.

Antes mesmo da entrada em vigor da nova medida, porém, os compradores americanos já haviam reduzido em aproximadamente um terço os pedidos de madeira brasileira.

Desde o primeiro trimestre, exportadores passaram a redirecionar mercadorias ainda nos portos. O movimento ganhou força quando o México ultrapassou os Estados Unidos como principal destino da madeira brasileira movimentada pelo Terminal de Contêineres de Paranaguá.

México é comprador e concorrente

O México passou a exercer um papel duplo na cadeia internacional da madeira brasileira. De um lado, o país aumentou as compras do Brasil e chegou à liderança entre os destinos da madeira serrada de pinus em março.

De outro, também aparece entre os países que vêm conquistando espaço no mercado americano antes ocupado por fornecedores brasileiros.

Essa posição evidencia a disputa cada vez mais intensa por mercado internacional de madeira, em um cenário no qual os exportadores brasileiros precisam diversificar destinos enquanto enfrentam concorrentes mais competitivos em determinados produtos.

Molduras de pinus são o ponto mais vulnerável

Entre as categorias analisadas, as molduras de pinus apresentam uma das situações mais delicadas. Dados da STCP indicam que 98% da produção brasileira desse segmento foi estruturada para atender um único mercado: os Estados Unidos.

A elevada concentração torna o produto especialmente exposto às mudanças comerciais e tarifárias. Enquanto outros itens começam a encontrar compradores em diferentes países, as molduras possuem menos alternativas fora do mercado americano justamente por terem sido desenvolvidas para atender às exigências específicas daquele destino.

O cenário coloca a indústria brasileira de madeira diante do desafio de encontrar novos mercados sem perder competitividade, ao mesmo tempo em que Argentina e outros países ampliam sua presença entre os compradores dos Estados Unidos.

FONTE: Wood Central
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Trafico

Receita Federal apreende 226 kg de cocaína em contêiner no Porto de Paranaguá

A Receita Federal apreendeu 226 quilos de cocaína durante uma operação de fiscalização em um terminal portuário privado no Porto de Paranaguá, no litoral do Paraná. A apreensão ocorreu na tarde de 10 de março, após inspeção de rotina realizada com o uso de scanner de cargas.

A droga estava escondida em um contêiner que transportava madeira para exportação, aparentemente regular. Após a identificação de irregularidades na análise de imagem, agentes realizaram a verificação detalhada e localizaram os tabletes da substância ilícita.

Droga estava escondida dentro de vigas de madeira

Segundo informações da fiscalização, a cocaína estava ocultada no interior de vigas de pinus tratadas, que haviam sido adaptadas para criar espaços ocos. A estratégia visava camuflar a droga em meio à carga lícita de madeira destinada ao comércio exterior.

O contêiner seguiria inicialmente para a Espanha, onde passaria por transbordo no Porto de Las Palmas, considerado um importante hub logístico do Atlântico por conectar rotas entre Europa, África e América. O destino final da carga seria a Itália.

Droga foi encaminhada para investigação

Após a apreensão, todo o material foi encaminhado para a polícia judiciária competente, responsável por conduzir as investigações sobre a origem da droga e possíveis envolvidos na tentativa de tráfico internacional de drogas.

Paranaguá já registra três apreensões em 2026

Esta foi a terceira apreensão de cocaína realizada no Porto de Paranaguá em 2026. Nos dois primeiros meses do ano, as operações de fiscalização já haviam resultado na retenção de 72 quilos da droga.

Os dados também mostram a dimensão do combate ao tráfico nos portos do Sul do Brasil. Em 2025, a Receita Federal apreendeu mais de 2,4 toneladas de cocaína em operações realizadas nos portos do Paraná e de Santa Catarina.

Somente no Porto de Paranaguá, as autoridades interceptaram mais de 1,8 tonelada da droga em 12 operações ao longo do ano passado.

Fiscalização reforça combate ao tráfico internacional

A Receita Federal destaca que as operações fazem parte de uma estratégia contínua de combate ao tráfico internacional de drogas, realizada em cooperação com outros órgãos de segurança pública e inteligência.

O órgão também reforça que o uso de tecnologia de inspeção, análise de risco e monitoramento de cargas tem sido fundamental para identificar tentativas de envio de entorpecentes em portos brasileiros, protegendo as fronteiras e fortalecendo o controle aduaneiro no país.

FONTE: Receita Federal
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Receita Federal

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Comércio Exterior

Setor da madeira movimenta R$ 3,17 bilhões e consolida relevância econômica em Mato Grosso

O setor da madeira em Mato Grosso encerrou 2025 com movimentação de R$ 3,17 bilhões, registrando crescimento de 2,86% em relação ao ano anterior. O desempenho confirma o peso econômico da cadeia florestal no estado, que produziu 16,4 milhões de metros cúbicos ao longo do ano, considerando vendas no mercado estadual, interestadual, exportações e comercialização de madeira em tora.

Comércio interestadual lidera destino da produção

O comércio interestadual foi o principal destino da produção mato-grossense, somando R$ 1,46 bilhão, o equivalente a 46,24% do total comercializado. O mercado interno estadual respondeu por R$ 877,2 milhões, enquanto as exportações de madeira alcançaram R$ 596,89 milhões, o que corresponde a US$ 113,01 milhões. Já a venda de madeira em tora movimentou R$ 232,1 milhões em 2025.

Crescimento sustentado pelo mercado interestadual

Na comparação com 2024, o avanço do setor foi impulsionado principalmente pelo desempenho do mercado interestadual, que registrou alta de 18,89%. Em contrapartida, as exportações recuaram 10,5%, enquanto o mercado estadual apresentou queda de 7,92%, segundo dados do Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira de Mato Grosso (Cipem).

Mesmo diante dessas retrações, o crescimento das vendas para outros estados compensou as perdas e garantiu a expansão global da cadeia da madeira no estado.

Exportações enfrentam entraves burocráticos

Apesar do recuo geral das exportações, as vendas para os Estados Unidos avançaram, mesmo com o aumento das tarifas de importação, que elevaram a taxação de produtos de madeira para até 50%. Os embarques para o país cresceram de US$ 13,7 milhões em 2024 para US$ 15 milhões em 2025.

Segundo o Cipem, a queda nas exportações não decorre de falta de mercado ou irregularidade na produção. O presidente da entidade, Ednei Blasius, destaca que o setor opera com manejo florestal sustentável e sistemas avançados de rastreabilidade.

Entre os principais obstáculos estão as exigências adicionais decorrentes da inclusão de espécies como Ipê e Cumaru na Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES), que ampliaram a burocracia e criaram gargalos operacionais, afetando a competitividade internacional da madeira brasileira.

Principais destinos da madeira mato-grossense

Em 2025, a Índia liderou como principal destino da madeira de Mato Grosso, com US$ 51,2 milhões e 156,8 mil toneladas exportadas. Na sequência aparecem os Estados Unidos, com US$ 15 milhões e 8,5 mil toneladas, a China, com US$ 11,1 milhões e 18,2 mil toneladas, a França, com US$ 7,1 milhões e 4,1 mil toneladas, e o Vietnã, com US$ 5,9 milhões e 9,5 mil toneladas.

Emprego e arrecadação fortalecem o interior

No mercado interno, a cadeia da madeira permanece como uma das principais atividades produtivas em diversas regiões do estado. Mato Grosso conta atualmente com 1.339 estabelecimentos ligados ao setor, que empregam 10.323 trabalhadores de forma direta e cerca de 30 mil indiretamente.

Em municípios como Colniza, o segmento responde por 18% dos empregos formais. Ao todo, a atividade gera postos de trabalho em 89 municípios, reforçando sua importância para o desenvolvimento regional.

A cadeia florestal também contribui para a arrecadação estadual. Em 2025, o Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab) arrecadou R$ 28,5 milhões provenientes do setor, recursos destinados a investimentos em infraestrutura e habitação.

Regulação, qualificação e perspectivas para 2026

Para 2026, está prevista a entrega do primeiro guia de coleta botânica de Mato Grosso, que deverá orientar as atividades do setor florestal. Paralelamente, o Cipem investe na qualificação profissional, com o projeto de Formação de Identificadores Botânicos, voltado à melhoria dos inventários florestais e à redução do tempo de registro das espécies.

Entre as principais demandas do setor estão a modernização do marco regulatório e a eliminação de exigências consideradas redundantes. O Cipem defende a extinção do Certificado de Identificação de Madeiras (CIM) e a migração do Sisflora 2.0 para o DOF+, ampliando a integração entre sistemas estaduais e federais. No âmbito nacional, o setor também busca ajustes em resoluções do Conama para reduzir custos e entraves à indústria florestal legal.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Sistema Fiemt

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Indústria

Indústrias do Sul defendem setor madeireiro brasileiro em investigação dos EUA

A FIESC, ao lado da FIEP, da FIERGS e da ABIMCI, enviou ao governo dos Estados Unidos uma manifestação técnica defendendo que a madeira brasileira exportada ao país norte-americano tem origem exclusivamente privada e não recebe subsídios. O posicionamento responde a um questionamento do Departamento de Comércio dos EUA, que analisa possíveis benefícios indevidos na importação de determinados tipos de madeira.

O documento, protocolado na última sexta-feira (5), reúne informações detalhadas sobre a operação do setor no Brasil e busca ampliar o entendimento das autoridades americanas sobre a cadeia produtiva nacional.

Investigação 232 segue em andamento

A expectativa das entidades é de que o posicionamento contribua para o desfecho da chamada Investigação 232, ainda sem conclusão por parte do governo dos EUA. O estudo pode influenciar diretamente o fluxo comercial entre os dois países, especialmente no segmento de madeira processada.

União entre federações empresariais

A articulação foi liderada pelo presidente da FIESC, Gilberto Seleme. Logo após receber o questionamento dos EUA, Seleme convidou os presidentes da FIERGS, Cláudio Bier, da FIEP, Edson Vasconcellos, e da ABIMCI, Paulo Pupo, para organizar dados e argumentos técnicos que embasassem a resposta.

A consulta americana foi dirigida a países que representam ao menos 1% das importações totais dos EUA no setor madeireiro — entre eles Brasil, Áustria, Canadá, Chile, Alemanha e Suécia.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/CNI

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