Internacional

Ações de fabricantes de chips da China disparam com investigação contra EUA

As ações de fabricantes de chips analógicos da China dispararam nas bolsas do país depois que Pequim abriu investigações contra o setor de semicondutores dos Estados Unidos, alimentando expectativas de que as empresas locais ganhem participação de mercado.

As ações da SG Micro, uma desenvolvedora de chips analógicos com sede em Pequim, dispararam o limite diário de 20% em Shenzhen nesta segunda-feira, 15.

A 3Peak, outra fabricante chinesa, fechou em alta de 9,68% em Xangai.

A OmniVision Integrated Circuits Group ganhou 1,88% e a Suzhou Novosense Microelectronics subiu 10,79%.

Apesar dos fortes ganhos das fabricantes de chips analógicos, o setor mais amplo de semicondutores fechou misto nesta segunda-feira.

A SMIC, maior produtora de semicondutores da China, avançou 0,40% em Hong Kong, enquanto a Cambricon Technologies, projetista de chips de inteligência artificial, recuou 3,23 em Xangai.

A China anunciou no sábado (13) que iniciou duas investigações contra o setor de semicondutores dos EUA: uma sobre chips analógicos americanos por suposto dumping e outra sobre discriminação mais ampla contra a indústria chinesa.

Segundo analistas do Citi, as investigações favorecem os fabricantes chineses de chips analógicos. A participação doméstica nesse segmento ainda é baixa, representando apenas entre 10% e 15% da receita global das companhias chinesas.

Com o esforço de Pequim para ampliar a produção local, “é provável que fornecedores domésticos ganhem participação de mercado nos próximos anos”, disseram em relatório.

O Citi colocou a OmniVision e a SG Micro em “monitoramento de catalisadores” positivo de 90 dias, destacando que a China pode impor tarifas sobre circuitos integrados analógicos dos EUA ou restrições ao uso de chips americanos.

Fonte: CNN Brasil

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Exportação

Exportações de café especial do Brasil aos EUA despencam com tarifaço

Em agosto, foram exportadas 21,7 mil sacas aos EUA; queda foi de quase 80% na comparação anual e 70% ante o mês anterior

As exportações de cafés “especiais” — aqueles considerados de altíssima qualidade, com os grãos maduros colhidos manualmente — aos Estados Unidos despencaram após a oficialização das tarifas de 50%, em vigor desde o dia 6 de agosto.

As informações são do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), divulgados no começo de setembro.

No mês passado, o país remeteu cerca de 21,7 mil sacas desses cafés premium aos norte-americanos, uma queda de 79,5% na comparação anual e 69,6% ante julho deste ano.

“Muitos contratos que haviam sido assinados vêm sendo suspensos, cancelados ou adiados, a pedido dos importadores americanos, uma vez que a taxação de 50% sobre os cafés especiais brasileiros torna praticamente inviável a realização desses negócios”, justifica Carmem Lucia Chaves de Brito, a Ucha, presidente da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), em nota.

Até agosto desse ano, os EUA vinha liderando mês a mês o ranking de principal importador de café especial brasileiro. Ele segue como o maior destino do produto no acumulado de 2025 — contudo, a partir do mês passado, o país despencou do pódio, ficando em 6º lugar na tabela.

Acima do país, agora estão: Holanda (62 mil sacas); Alemanha (50,4 mil); Bélgica (46 mil); Itália (39,9 mil) e Suécia (29,3 mil).

De acordo com Ucha, o impacto do tarifaço não será sentido somente por produtores, exportadores e demais elos da cadeia produtiva brasileira, mas também pelos consumidores norte-americanos.

“Já observamos elevação no preço do café à população americana, gerando inflação à economia do país. Isso é uma pena, pois afetará o maior mercado consumidor global, que é o principal parceiro dos cafés do Brasil, podendo fazer ruir parte dessa estrutura madura e consolidada”, lamenta.

Cenário macro

O Brasil exportou 3,14 milhões de sacas de 60 kg de café em agosto de 2025 — queda de 17,5% na comparação anual. A receita cambial, por sua vez, cresceu 12,7% no mesmo intervalo, saltando para US$ 1,1 bilhão.

Segundo Márcio Ferreira, presidente da Cecafé, a queda no montante embarcado já era aguardada.

Além do Brasil ter registrado exportações recordes do grão em 2024 e ter registrado uma safra de 2025 de menor potencial produtivo, as tarifas de 50% implementada pelos Estados Unidos, em vigor desde 6 de agosto, inviabilizaram grande parte dos embarques ao vizinho norte-americano, até então o maior importador do produto.

O pódio foi reconfigurado no mês: os EUA perderam o topo para a Alemanha, descendo ao segundo lugar.

Foram 301 mil sacas importadas (fruto de negócios firmados pré-tarifaço), queda de 26% na comparação mensal e 46% na comparação anual. A Alemanha, por sua vez, importou 414 mil sacas.

A despeito do declínio em agosto, os Estados Unidos seguem como o principal importador do produto brasileiro no ano (4,03 milhões de sacas).

Completando a lista dos top 5 maiores importadores do grão brasileiro até agora, temos: Alemanha (3 milhões de sacas); Itália (1,98 milhão); Japão (1,67 milhão); e Bélgica (1,51 milhão).

“Se o tarifaço persistir, além de as exportações de café do Brasil seguirem inviáveis aos EUA, os consumidores americanos também enfrentarão preços onerosos, uma vez que não há oferta de outros países para suprir a ausência brasileira no mercado dos Estados Unidos”, projeta o empresário.

“Cria-se, assim, um cenário inflacionário por lá.”

Fonte: CNN Brasil

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Economia

Ibovespa bate novo recorde e dólar cai com iminente corte de juros nos EUA

Trump pediu nesta segunda que o presidente do Fed, Jerome Powell, promova um corte “maior” nas taxas básicas de juros; Ibovespa sobe

Ibovespa fechou em alta nesta segunda-feira (15), renovando máximas históricas e voltando a rondar os 144 mil pontos, embalado principalmente pela expectativa de queda nos juros dos Estados Unidos nesta semana, enquanto, no Brasil, números de atividade favoreceram apostas de corte da Selic no começo de 2026.

No fechamento, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, subiu 0,9%, a 143.546,50 pontos, novo recorde para fechamento, tendo marcado 144.193,58 pontos na máxima do dia, renovando também o topo histórico intradia.

Na mínima, ficou em 142.292,21 pontos. O volume financeiro somou R$17 bilhões.

O dólar à vista, por sua vez, fechou em baixa de 0,59%, a R$ 5,3220 na venda.

Trump pediu nesta segunda que o presidente do Fed, Jerome Powell, promova um corte “maior” nas taxas básicas de juros e apontou para o mercado imobiliário em uma postagem nas mídias sociais antes da reunião do banco central dos EUA nesta semana.

O Comitê de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve divulga na quarta-feira, às 15h de Brasília, decisão de política monetária, com as apostas no sentido de um corte de 0,25 ponto percentual na taxa atual, que está em uma faixa de 4,25% a 4,50%.

O desfecho da reunião de dois dias será acompanhado das projeções econômicas da autoridade monetária e seguido pela coletiva à imprensa do chair do BC norte-americano, Jerome Powell, às 15h30.

“Isso pode ajudar a manter a autoestima no mercado brasileiro”, afirmou Felipe Paletta, estrategista da EQI Research.

No Brasil, a semana também tem decisão de juros, mas com expectativa de que o Banco Central mantenha a taxa Selic em 15% ao ano. Investidores devem voltar as atenções para o comunicado da decisão, analisando a visão do BC sobre a atividade e a inflação no país em busca de sinais sobre os próximos movimentos.

Nesta segunda-feira, o IBC-Br, calculado pelo BC e visto como um sinalizador do PIB, mostrou retração de 0,5% em julho ante o mês anterior, segundo dado dessazonalizado, ante previsão de recuo de 0,2%. Em paralelo, a pesquisa Focus mostrou queda nas projeções para a inflação neste ano e para a Selic em 2026.

“A composição dos indicadores de atividade aponta para uma desaceleração consistente com o atual ciclo de política monetária”, afirmou a analista de macroeconomia Sara Paixão, da InvestSmart XP.

“Esse contexto, somado à expectativa de retomada dos cortes de juros nos Estados Unidos, à valorização do real frente ao dólar e à melhora nas projeções de inflação, reforça a perspectiva de início do ciclo de corte da Selic pelo Copom no começo de 2026”, acrescentou.

“Há um mercado bastante alinhado e comprando cada vez mais essa tese de juros em queda no Brasil”, reforçou o estrategista da EQI, destacando o efeito do IBC-Br na curva futura de juros, que reverberou na bolsa paulista.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC anuncia sua decisão também na quarta-feira, mas após o fechamento do mercado.

“Os riscos aumentaram na direção de um corte antecipado ainda em 2025, o que pode ocorrer caso se verifique uma valorização ainda mais expressiva da taxa de câmbio ou uma desaceleração mais acentuada da atividade”, afirmaram economistas do Itaú Unibanco chefiados por Mario Mesquita.

“Em contrapartida, uma revisão expressiva no hiato do produto pelo Banco Central em direção a uma atividade mais aquecida poderia atenuar os riscos de uma flexibilização antecipada, algo que nos parece menos provável dadas as informações recentes sobre o ritmo de atividade econômica.”

Fonte: CNN Brasil

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Exportação

Exportações de café especial e solúvel do Brasil aos EUA despencam após tarifaço, dizem entidades

As exportações de café especial e solúvel do Brasil para os Estados Unidos despencaram em agosto em relação a julho, segundo entidades do setor. A queda aconteceu após a entrada em vigor do tarifaço de Donald Trump sobre os produtos brasileiros.

Segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o Brasil enviou 21.679 sacas de café especial aos Estados Unidos em agosto. O volume representa uma queda de 69,6% na comparação com julho deste ano. Em relação a agosto de 2024, as vendas caíram 79,5%.

No caso do café solúvel, a queda foi de 50,1% em relação a julho e 59,9% na comparação com agosto do ano passado, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics). Foram enviadas 26.460 sacas no mês.

O impacto do tarifaço na exportação do café brasileiro também já havia aparecido nos dados gerais do setor. Segundo o Cecafé, o Brasil exportou 17,5% menos café, de todos os tipos, em agosto de 2025 na comparação com o mesmo mês do ano passado.

Além disso, a Alemanha ultrapassou os EUA e se tornou a maior compradora do grão brasileiro.

Entidades pedem negociação

Em agosto, os Estados Unidos caíram para o sexto lugar entre os maiores compradores de café especial do Brasil, ficando atrás da Holanda (62.004 sacas), Alemanha (50.463), Bélgica (46.931), Itália (39.905) e Suécia (29.313).

Apesar da queda, os EUA continuam liderando o ranking de importações dos cafés especial e solúvel no acumulado de 2025.

As associações de exportação lamentaram a queda no número de exportações aos norte-americanos e pediram que os dois governos abram negociação.

“Essa taxação de 50% inviabiliza o comércio com os americanos. Precisamos abrir canais para alcançar uma solução que devolva um fluxo de negócios justo na relação cafeeira entre Brasil e EUA”, disse Aguinaldo Lima, diretor executivo da Abics.

“Muitos contratos que haviam sido assinados vêm sendo suspensos, cancelados ou adiados, a pedido dos importadores americanos”, afirmou Carmem Lucia Chaves de Brito, presidente da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA).

“É crucial que nós, enquanto setor privado, representado por todas as entidades de classe, mantenhamos as conversas com os parceiros industriais e importadores nos EUA e o Departamento de Estado americano, assim como o governo brasileiro precisa abrir, de fato, negociações com a gestão Trump para encontrar uma solução”, acrescentou a líder da BSCA.

Fonte: G1

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Notícias

China abre investigação contra os EUA com foco em chips na véspera da reabertura de negociações, em Madri

Ação do governo chinês prepara um início tenso para reunião entre o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e o vice-primeiro-ministro He Lifeng para discutir questões econômicas e de segurança nacional

A China anunciou que abriu duas investigações direcionadas ao setor de tecnologia dos Estados Unidos que envolvem equipamentos eletrônicos como chips e inteligência artificial (IA). O anúncio surge um dia antes de uma nova rodada de negociações comerciais entre as duas potências mundiais. Representantes de Pequim e Washignton se reúnem deste domingo até a próxima quarta-feira, na Espanha.

As investigações chinesas surgem logo após os EUA adicionarem mais 23 empresas baseadas na China à sua lista de entidades que impõem restrições a negócios ou de “agir de forma contrária à segurança nacional ou aos interesses de política externa dos EUA.”

O Ministério do Comércio chinês afirmou em comunicado neste sábado que abriu uma investigação antidumping relacionada a circuitos integrados (CIs) analógicos – de sinais mistos e de processamento de sinais digitais – fabricados nos Estados Unidos. Esses chips são muito usados ​​em equipamentos eletrônicos e são vendidos por empresas americanas como Texas Instruments e a Analog Devices.

Ao mesmo tempo, o ministério também iniciou uma investigação antidiscriminação sobre as medidas dos EUA contra o setor de chips chinês, de acordo com um comunicado separado.

A repreensão pública da China às medidas comerciais dos EUA prepara um início tenso para a reunião de vários dias entre altos funcionários de ambos os lados. O Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, deve se encontrar esta semana com o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, em Madri, para discutir comércio, questões econômicas e de segurança nacional.

As negociações ocorrem após meses de idas e vindas e uma pausa nas tarifas elevadas por Trump, com os dois países afirmando que buscam um acordo mutuamente aceitável.

Os semicondutores se tornaram um terreno-chave de disputa, à medida que os EUA cortaram o acesso da China aos aceleradores de inteligência artificial (IA) mais avançados e usaram o licenciamento de alguns hardwares menos potentes da Nvidia como moeda de barganha — embora autoridades chinesas tenham resistido e expressado reservas sobre riscos de segurança.

O estado instável das negociações também se manifestou recentemente com a primeira utilização chinesa de uma chamada investigação de anticircunvenção, que levou à imposição de tarifas antidumping sobre importações americanas de fibra óptica. Esse instrumento deve ter um papel maior no futuro, segundo a TV estata chinesal.

“Os EUA tomaram uma série de proibições e restrições contra a China no campo de circuitos integrados nos últimos anos, incluindo investigações 301 e medidas de controle de exportação”, disse um porta-voz do ministério do Comércio em outro comunicado. “Essas práticas protecionistas são suspeitas de discriminação contra a China e representam contenção e supressão do desenvolvimento de chips avançados e indústrias de alta tecnologia da China, como inteligência artificial.”

Funcionários do Representante de Comércio dos EUA e porta-vozes da Texas Instruments e da Analog Devices não responderam imediatamente a pedidos de comentário.

As discussões entre Bessent e He abordarão, entre outros assuntos, o status do TikTok, da ByteDance, um serviço que o presidente Donald Trump estimou poder valer até US$ 500 bilhões para os EUA. O TikTok tem até a próxima semana para chegar a um acordo que garanta a continuidade de suas operações nos EUA, embora esses prazos já tenham sido prorrogados várias vezes este ano.

Esforços para combater a lavagem de dinheiro também estarão na pauta, segundo o Departamento do Tesouro dos EUA.

A China afirmou em janeiro que investigará alegações de que os EUA despejam chips de menor qualidade e subsidiam injustamente seus próprios fabricantes de chips, marcando uma das respostas retaliatórias mais fortes de Pequim às sanções tecnológicas americanas.

A investigação antidumping terá duração de cerca de um ano e poderá ser estendida por mais seis meses, se necessário, enquanto a investigação antidiscriminação geralmente leva cerca de três meses, segundo o órgão regulador do comércio.

Fonte: O Globo

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Importação

Exclusivo: Importadores brasileiros burlam sanções dos EUA e importam ureia do Irã

A demanda cada vez maior do agronegócio por fertilizantes tem levado traders brasileiros a se lançarem em operações arriscadas envolvendo a importação de ureia diretamente do Irã, hoje o terceiro maior fornecedor do insumo ao Brasil. Este site registrou, meses atrás, o descarregamento no porto de Paranaguá de uma carga de ureia iraniana pelo navio The Strong, de bandeira panamenha. O graneleiro cumpriu um roteiro conhecido, a partir do porto de Assaluyeh (Irã), com escala no Cabo (África do Sul).

O produto foi fornecido pela Pardis Petrochemical Company (PPC), subsidiária da National Petrochemical Company (NPC), ligada ao Ministério do Petróleo e alvo de sanções dos Estados Unidos. Segundo o OFAC (escritório responsável pela administração das sanções), a estatal foi usada para financiar a Guarda Revolucionária Iraniana, designada pela Casa Branca como uma organização terrorista.

Em junho, Israel e EUA bombardearam instalações militares e nucleares para por fim ao programa militar atômico do regime do aiatolá Ali Khamenei. Toda a cúpula da Guarda Revolucionária foi eliminada, incluindo Behnam Shahriyar, chefe das forças Quds, seu batalhão especial. O governo Lula criticou a ação.

TRANSAÇÕES COMERCIAIS PROIBIDAS

De acordo com o Ofac, qualquer agente estatal ou privado que se relacione com a estatal iraniana corre o risco de ser punido com sanções secundárias. Isso vale, por exemplo, para as empresas Link Comercial Importadora e Exportadora e MMS Participações, envolvidas na importação da ureia.

As sanções também podem ser estendidas a bancos usados para as transações comerciais, aos compradores da carga no Brasil e ao próprio governo brasileiro. O caso fica ainda mais complicado devido a indícios de fraude documental por parte das empresas, a fim de ocultar a origem real da carga.

Em denúncia à Receita Federal, à Polícia Federal e a autoridades portuárias, uma operadora portuária acusou os importadores de trocarem a documentação de transporte da carga, na parada para reabastecimento na África. Se no BL original da carga trazida pelo The Strong, o exportador era a Pardis, no BL entregue em Paranaguá virou a East Oil Petroleum de Dubai, inclusive com troca do registro do porto de origem, para Khor Fakkan, em Omã. 

Outras ocorrências sugerem que não se trata de um caso isolado. Neste momento, desembarca em Paranaguá outra carga de ureia importada novamente pela Link, desta vez pelo graneleiro supermax LB ENERGE, de bandeira panamenha. Mais uma vez, há indícios de troca da documentação. O navio partiu do Irã, mas a papelada indica Omã como origem.

Também neste momento, outra carga de ureia iraniana da Pardis está a caminho de Paranaguá, no graneleiro Megeve, de bandeira da Libéria. O navio se encontra parado há alguns dias na África do Sul, aguardando autorização para zarpar para o Brasil. O produto está sendo importado pela Blacklake Ltda, subsidiária da companhia canadense de mesmo nome.

Este site obteve email enviado por uma operadora portuária ao comandante do Megeve, alertando sobre eventual troca de documentação da carga para ludibriar as autoridades nacionais. Em contato com a reportagem, a agência confirmou a autenticidade das comunicações e denúncias já realizadas.

“Nós monitoramos de perto sua embarcação no porto de carregamento de Asaluyeh, Irã, e agora entendemos que a embarcação reportou o Brasil com próximo porto de escala. O porto de carga do Irã deve ser mantido com os documentos originais a serem apresentados aos destinatários, caso contrário, a falsificação e a manipulação de documentos para fins fraudulentos serão consideradas um crime grave.”

E ainda:

“Ações ou omissões deliberadas que resultarem na alteração de documentos constituem crime previsto na legislação penal brasileira, nos termos dos artigos 29, 298 e 299 do Código Penal. Na sua qualidade de comandante da embarcação, você deve garantir a integridade das operações e também se tornou diretamente responsável por violações legais que não serão toleradas. Ressaltamos que a legislação brasileira, nos termos do artigo 29 do Código Penal, não distingue entre autores e cúmplices quando comprovada a intenção ou cumplicidade, responsabilizando igualmente todas as partes. Qualquer tentativa de ocultar, minimizar ou obstruir a investigação será considerada agravante.”

Trata-se da primeira importação de ureia iraniana por parte da Blacklake, que normalmente opera minério de ferro e outros metais ferrosos. A origem do insumo, que ultrapassa as 62 mil toneladas, também é a Pardis Petrochemical Company (PPC). Este site tentou sem sucesso contato com as importadoras citadas e permanece à disposição para incluir suas manifestações.

BOOM DE IMPORTAÇÕES

O Irã é um dos maiores exportadores regionais de ureia, com clientes na Turquia, na África e em alguns destinos na Ásia e na América. Registros do COMTRADE mostram um salto nas importações da ureia iraniana por parte do Brasil a partir de 2023, no governo Lula, representando hoje cerca de 17% do marketshare.

Neste ano, porém, o fornecimento tem sofrido oscilações, especialmente depois das operações militares contra o país, apontado como financiador de grupos terroristas como Hezbollah, Houthis e Hamas. A aplicação das sanções também se tornou mais rígida devido ao cenário geopolítico.

Fonte: Portal Claudio Dantas

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Comércio Exterior

Celulose brasileira fica totalmente isenta de tarifaço de Trump

As vendas de celulose do Brasil para os EUA estão isentas até mesmo da “tarifa recíproca” de 10% introduzida pelo governo Donald Trump em abril, segundo mudanças recentes na lista de bens excluídos do tarifaço, previstas numa ordem executiva editada na última sexta-feira pela Casa Branca.

O Instituto Brasileiro de Árvores (Iba), que representa os fabricantes de celulose, confirmou o entendimento de que as tarifas americanas caíram.

A celulose já estava na lista de exceções da sobretaxa adicional de 40%, que foi anunciada por Trump no início de julho e entrou em vigor no início de agosto. Com o decreto da última sexta-feira, ficou de fora também da tarifa de 10% em vigor desde abril.

A ordem executiva publicada pela Casa Branca faz diversas modificações no rol dos produtos sujeitos ao tarifaço. Uma longa lista de códigos da classificação americana de bens para fins de comércio exterior foi colocada em três anexos do decreto

No Anexo 2, que lista produtos que “não estão cobertos” pelas tarifas recíprocas de 10%, estão três códigos que incluem a celulose e derivados. Segundo o Iba, esses três itens respondem por 90% das vendas de celulose do Brasil para os EUA.

Maior fornecedor do mundo
O Brasil é o maior fornecedor de celulose do mundo, segundo o Iba. O destaque da produção nacional é a celulose de fibra curta, usada na fabricação de papel branco, tipo ofício, e também na indústria de higiene e limpeza — papel higiênico, papel toalha, fraldas e absorventes.

As exportações de celulose do Brasil somaram US$ 6,9 bilhões no acumulado até agosto deste ano, alta de 1,4% ante igual período de 2024, segundo os dados da balança comercial, divulgados pelo Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

Os preços globais do insumo estão em queda, mas o valor das vendas externas subiu. Em quantidade, houve um salto de 15,6% na comparação anual das exportações brasileiras de celulose.

Fonte: Infomoney

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Comércio Exterior

Fazenda prevê queda à metade de efeito das tarifas com ações de ajuda

PIB deve sofrer redução de 0,1 ponto percentual

As ações do governo brasileiro devem reduzir pela metade o impacto do tarifaço aplicado pelos Estados Unidos na economia brasileira, é o que aponta o boletim Macrofiscal divulgado nesta quinta-feira (11) pela Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda.

Segundo dados do boletim, as tarifas aos produtos brasileiros devem levar a uma queda de 0,2 ponto percentual (p.p.) do Produto Interno Bruto. Com a resposta do governo, o impacto cai para 0,1 p.p..

No cenário avaliado, que abrange 22 setores da economia, sem as medidas do governo federal, a perda de empregos ficaria em aproximadamente 138 mil postos de trabalho, concentrada na indústria (71,5 mil), nos serviços (51,8 mil) e, em menor escala, na agropecuária (14,7 mil). Com a adoção das medidas, a perda ficará em 65 mil empregos.

Na inflação, o impacto previsto é de 0,1 p.p. A SPE diminuiu de 4,9% para 4,8% a projeção da inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2025. 

Com isso, os efeitos decorrentes do menor saldo de balança comercial são parcialmente compensados pela maior disponibilidade de produtos no mercado interno.

As estimativas não incorporam choques de confiança, aumento da volatilidade financeira ou deterioração das condições de crédito. E levam em conta a aplicação da tarifa de 50% às exportações em comparação com cenário de referência, com tarifas de 10%.

Plano Brasil Soberano

Segundo a secretaria, o Plano Brasil Soberano aliado ao adiamento do pagamento de tributos pelas empresas, manutenção de empregos e compras públicas pode conter os efeitos do tarifaço.

O programa oferta linhas de crédito do Fundo Garantidor de Exportação com condições mais favoráveis a exportadores e micro, pequenas e médias empresas. As linhas disponibilizam capital de giro para compensar a queda com exportações aos EUA e estimular a busca por novos mercados, e capital para aquisição de bens de capital e para investimento, exigindo em contrapartida manutenção dos empregos.

“Embora as tarifas tenham impacto setorial relevante, impactam pouco no agregado da economia, e ainda menos quando consideradas as compensações com o Plano Brasil Soberano. Linhas de crédito e a oferta de garantias e diferimentos de tributos, além de compras governamentais, vão auxiliar o investimento em capital e inovação produtiva por parte de produtores e empresas, facilitando a diversificação dos destinos das exportações”, diz o estudo.

Tarifaço

Em julho de 2025, os Estados Unidos anunciaram tarifa de importação de 40% para alguns produtos brasileiros, em adição à tarifa de 10% anunciada em abril. A medida atingiu, sobretudo, minerais não metálicos, de metal, máquinas e equipamentos, eletrônicos, móveis e produtos agropecuários.

Em 2024, as exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 40,3 bilhões, equivalente a 12% do total exportado. Deste total, cerca de US$ 16,4 bilhões passaram a contar com tarifas de 50%, de acordo com estimativas do governo. Muitos dos produtos taxados são exportados quase exclusivamente ao mercado norte-americano, sugerindo impactos setoriais relevantes.

Fonte: Agência Brasil

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Internacional

Nota do MDIC sobre a Ordem Executiva dos EUA de 5 de setembro

Sobre a Ordem Executiva nº 14.346, divulgada pelo governo dos Estados Unidos em 5 de setembro, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) entende que:

Produtos que tiveram redução tarifária:

A nova Ordem Executiva (OE) ajusta a OE nº 14.257, de 02 de abril deste ano, retirando da alíquota de 10% a maior parte das exportações brasileiras de celulose e de ferro-níquel para os EUA. Na prática, esses produtos passam a ficar livres de tarifas adicionais (não incide nem a alíquota de 10% nem a sobretaxa de 40%, aplicada em 30 de julho).

Em 2024, o Brasil exportou cerca de US$ 1,84 bilhão desse grupo de produtos aos EUA, o que representa 4,6% do total exportado para aquele país, com destaque para celulose (em particular “Pastas químicas de madeira não conífera” e “Pastas químicas de madeira conífera”), que responderam por US$ 1,55 bilhão.

Com essa mudança, esses itens se somam a outros produtos já fora do alcance das tarifas adicionais (10%, 40% ou Seção 232), de modo que, em 2024, o conjunto representaria 25,1% das exportações brasileiras para os EUA.

Além disso, outros 10 produtos também se beneficiaram da retirada da tarifa de 10%. Mas, no caso do Brasil, continuam sujeitos à tarifa de 40%. Entre estes estão certos minerais brutos, níquel e herbicidas, cujas exportações brasileiras para os EUA em 2024 foram de aproximadamente US$ 113 milhões no total.

O governo segue empenhado em diminuir a incidência de tarifas dos EUA sobre os produtos brasileiros. A mais recente ordem executiva dos EUA representa um avanço sobretudo para o setor de celulose do Brasil. Mas ainda há muito a ser feito e seguimos trabalhando para isso”, afirmou o Vice-Presidente e Ministro do MDIC, Geraldo Alckmin.

Produtos que tiveram aumento tarifário ou mudança de status (da lista de tarifa recíprocas para a Seção 232)

A OE excluiu produtos da lista de exceção da decisão de abril de 2025.

Nesse caso, 76 produtos passaram a estar, exclusivamente, sujeitos a tarifas da Seção 232 (situação em que já se encontravam) e 7 outros produtos, relativos a insumos químicos e plásticos industriais, passaram a estar cobertos pela tarifa de 10% (além dos 40% aplicados especificamente ao Brasil). Esses 7 itens representaram aproximadamente US$ 145 milhões em exportações brasileiras para os EUA em 2024.

Produtos que não tiveram alteração

Café e cacau originários do Brasil seguem sujeitos a tarifa de 50%. Ou seja, não houve alteração em razão da nova OE.

Status atual: abrangência das tarifas americanas sobre as exportações brasileiras (dados computados pela SECEX/MDIC)

Obs.: Os dados são aproximados, pois os códigos tarifários das medidas foram agregados ao nível de seis dígitos do Sistema Harmonizado.

Fonte: MDIC

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