Economia, Internacional

Ataque dos EUA ao Irã ocorre em momento frágil para a economia global

O maior impacto econômico de um conflito prolongado no Oriente Médio provavelmente se daria pelo aumento expressivo dos preços do petróleo

Os ataques dos EUA às três principais instalações nucleares do Irã ocorrem em um momento frágil para a economia global, e as perspectivas agora dependem da forma e da intensidade com que a República Islâmica revidará.

O Banco Mundial, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziram suas projeções de crescimento global nos últimos meses. Qualquer aumento significativo nos preços do petróleo ou do gás natural — ou perturbações no comércio provocadas por uma escalada do conflito, funcionariam como mais um freio para a economia mundial.

“Veremos como Teerã responderá, mas o ataque provavelmente coloca o conflito em um caminho de escalada”, escreveram analistas da Bloomberg Economics, entre eles Ziad Daoud, em relatório. “Para a economia global, um conflito em expansão aumenta o risco de preços mais altos do petróleo e exerce um impulso altista sobre a inflação.”

Os crescentes riscos geopolíticos se cruzam com uma possível escalada nas tarifas nas próximas semanas, já que as suspensões das pesadas taxas “recíprocas” do presidente Donald Trump estão prestes a expirar. O maior impacto econômico de um conflito prolongado no Oriente Médio provavelmente se daria pelo aumento expressivo dos preços do petróleo.

Após o ataque dos EUA, um produto derivativo que permite aos investidores especular sobre as oscilações do preço do petróleo bruto subiu 8,8% no mercado IG Weekend Markets. Se esse movimento se mantiver na reabertura dos negócios, o estrategista da IG, Tony Sycamore, projeta que o futuro do WTI (West Texas Intermediate) abrirá em torno de US$ 80 o barril.

Muito dependerá de eventos de curto prazo. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que os ataques dos EUA são “ultrajantes e terão consequências duradouras.” Ele citou a Carta das Nações Unidas quanto às disposições de autodefesa e disse que o Irã reserva todas as opções para defender sua soberania, seus interesses e seu povo.

A Bloomberg Economics identifica três opções de resposta pelo Irã:

  1. Ataques a pessoal e ativos norte-americanos na região
  2. Alvo em infraestrutura regional de energia
  3. Fechar o estreito de Ormuz usando minas subaquáticas ou assediando navios que passam pelo canal

No cenário extremo em que o estreito de Ormuz seja bloqueado, o petróleo bruto poderia disparar para além de US$ 130 o barril, segundo Daoud, Tom Orlik e Jennifer Welch. Isso poderia levar o índice de preços ao consumidor dos EUA (CPI) a cerca de 4% no verão, forçando o Federal Reserve e outros bancos centrais a adiarem o cronograma de cortes de juros.

Cerca de um quinto do suprimento diário de petróleo mundial passa pelo estreito de Ormuz, que fica entre o Irã e vizinhos árabes do Golfo, como a Arábia Saudita.

Os EUA são exportadores líquidos de petróleo. Mas preços mais altos do petróleo apenas agravariam os desafios que a economia norte-americana já enfrenta. O Fed atualizou suas projeções econômicas na semana passada, revisando o crescimento dos EUA neste ano de 1,7% para 1,4%, à medida que os formuladores de políticas digeriam o impacto das tarifas de Trump sobre preços e crescimento.

Como maior comprador das exportações iranianas de petróleo, a China sofreria as consequências mais evidentes de qualquer interrupção no fluxo de petróleo, embora seus estoques atuais possam oferecer algum alívio.

Quaisquer interrupções no tráfego marítimo pelo estreito de Ormuz também teriam impacto significativo no mercado global de gás natural liquefeito (GNL). O Catar, que responde por cerca de 20% do comércio global de GNL, usa essa rota para exportação e não dispõe de passagem alternativa. Isso deixaria o mercado global de GNL extremamente apertado, elevando significativamente os preços do gás na Europa, conforme observado pela Bloomberg Economics.

Embora os investidores possam temer que o fornecimento seja interrompido se as hostilidades se intensificarem, os membros da OPEP+, incluindo a liderança de fato do grupo, a Arábia Saudita, ainda dispõem de ampla capacidade ociosa que poderia ser ativada. Além disso, a Agência Internacional de Energia pode optar por coordenar a liberação de estoques de emergência para tentar acalmar os preços.

“As tensões no Oriente Médio representam mais um choque adverso para uma economia global já fraca”, disse Ben May, diretor de pesquisa macro global da Oxford Economics, em relatório divulgado antes da última escalada. “Preços mais altos do petróleo e o consequente aumento da inflação medida pelo CPI representariam uma grande dor de cabeça para os bancos centrais.”

Fonte: InfoMoney

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Economia

Petróleo e Estreito de Ormuz: entenda possíveis efeitos na economia dos EUA

A economia americana enfrenta a perspectiva indesejada de inflação reativa depois que os Estados Unidos lançaram ataques a três instalações nucleares no Irã. Os altos preços do petróleo e do gás são quase uma certeza, dizem os especialistas. A grande questão agora: quanto tempo durará a alta dos preços dos combustíveis fósseis? “Estamos olhando para o petróleo a US$ 80 na abertura”, disse Andy Lipow, da Lipow Oil Associates.

O petróleo dos EUA não fechou acima de US$ 80 o barril desde janeiro e tem oscilado entre US$ 60 e US$ 75 o barril desde agosto de 2024. Os preços relativamente baixos do petróleo reduziram os preços da gasolina para menos de US$ 3 o galão em muitas partes do país, uma importante fonte de alívio de preços para consumidores preocupados com a inflação. Não está claro se qualquer alta significativa nos preços do petróleo se manterá por um longo período.

Os preços do petróleo subiram cerca de 10% desde o ataque surpresa de Israel em 13 de junho e caíram na sexta-feira, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou um prazo de duas semanas para decidir se atacaria o Irã. “Não se deve necessariamente presumir que só porque o preço do petróleo sobe, ele vai permanecer nesse patamar. Não vai”, disse Joe Brusuelas, economista-chefe da empresa de contabilidade RSM.

A direção que os preços do petróleo tomarão provavelmente dependerá da decisão do parlamento iraniano de bloquear o Estreito de Ormuz, uma importante rota comercial responsável por cerca de 20% do petróleo bruto do mundo. No domingo, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse que seu país tem “uma variedade de opções” ao decidir como responder aos ataques dos EUA e um importante conselheiro do líder supremo do Irã já pediu o fechamento do Estreito de Ormuz.

Bob McNally, presidente da consultoria Rapidan Energy Group e ex-assessor de energia do presidente George W. Bush, afirmou que, caso o Irã interrompa o fornecimento mundial de petróleo fechando o estreito, correrá o risco de receber mais força militar dos Estados Unidos e seus aliados.

O Irã também poderia atacar a infraestrutura no Golfo Pérsico que processa e exporta petróleo e gás. “É possível que eles decidam que a única coisa que pode dissuadir o presidente Trump é o medo de uma alta no preço do petróleo”, disse ele. “Eles precisam realmente criar esse medo.”

Em entrevista à Fox News no domingo, o Secretário de Estado Marco Rubio pediu à China que impeça o Irã de fechar o Estreito de Ormuz, acrescentando que o fechamento causaria mais danos a outras economias do que à economia americana. A China compra um terço de todo o petróleo proveniente do Golfo Pérsico, enquanto os Estados Unidos compram menos de 3%. “Eu encorajo o governo chinês em Pequim a contatá-los sobre isso, porque eles dependem muito do Estreito de Ormuz para seu petróleo”, disse Rubio.

Rubio acrescentou que fechar o estreito prejudicaria mais as economias de outros países do que a economia dos EUA. Enquanto isso, os consumidores americanos podem em breve sentir um choque de preços nas bombas. “Os postos levam cerca de cinco dias para repassar os preços que veem em um dia. Se os mercados de petróleo subirem hoje e amanhã, os preços podem começar a aparecer nas bombas em questão de horas”, disse Patrick De Haan, vice-presidente de análise de petróleo da GasBuddy, uma plataforma de rastreamento de combustível.

Segundo Lipow, caso o Estreito de Ormuz seja afetado, o preço do petróleo pode subir para US$ 100 o barril, o que aumentaria os preços da gasolina e do diesel em cerca de 75 centavos por galão em relação aos níveis recentes. Enquanto isso, as políticas comerciais dos EUA, combinadas com o conflito entre Israel e Irã, “sugerem fortemente que a inflação se moverá mais rápido e mais alto nos próximos 90 dias”, segundo Brusuelas.

Muitos economistas tradicionais argumentam que a baixa inflação da primavera representa uma calmaria antes da tempestade de verão, quando esperam que os preços subam devido às tarifas de Trump. 

Fonte: CNN Brasil

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Economia

Boletim Focus: mercado reduz estimativa de inflação em 2025 pela 4ª semana seguida, para 5,24%

Números foram divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira (23). Projeção dos analistas dos bancos para o crescimento do PIB em 2026 avançou para 2,21%.

Os economistas do mercado financeiro reduziram sua estimativa de inflação para este ano, ao mesmo tempo em que elevaram a projeção para o crescimento da economia brasileira.

As expectativas, fruto de pesquisa com mais de 100 instituições financeiras na última semana, constam no relatório “Focus”, divulgado nesta segunda-feira (23) pelo Banco Central (BC).

➡️ Para a inflação de 2025, a estimativa do mercado recuou de 5,25% para 5,24%. Mesmo assim, continua bem acima do teto da meta, que é de 4,5%. Foi a quarta queda seguida do indicador.

EXPECTATIVA DE INFLAÇÃO DO MERCADO PARA 2025

➡️ Para 2026, a expectativa de inflação ficou estável em 4,50%.

➡️ Para 2027, a expectativa continuou em 4%.

➡️ Para 2028, a expectativa de inflação caiu de 3,85% para 3,83%.

Desde o início de 2025, quando entrou em vigor o sistema de meta contínua, o objetivo é 3% – e será considerado cumprido se a inflação variar entre 1,5% e 4,5%.

Caso a meta de inflação não seja atingida, o BC terá de escrever e enviar uma carta pública ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, explicando os motivos.

Pelo sistema de metas, o BC tem de calibrar os juros para tentar manter a inflação dentro do intervalo existente.

Para isso, a instituição olha para frente, pois a Selic demora de seis a 18 meses para ter impacto pleno na economia.

Neste momento, por exemplo, o BC já está mirando na expectativa de inflação calculada em 12 meses até meados de 2026.

Desde janeiro, a inflação acumulada em 12 meses é comparada com a meta e com o intervalo de tolerância.

Se a inflação ficar fora do intervalo de tolerância por seis meses consecutivos, a meta é considerada descumprida.

Com o estouro da meta de inflação de 2024, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, enviou carta ao ministro Haddad no início de janeiro – creditando o resultado a fatores como a forte atividade econômica, a queda do real e os extremos climáticos.

O BC também admitiu recentemente que a meta de inflação pode ser novamente descumprida em junho deste ano, ao completar seis meses seguidos acima do teto de 4,5%.

🔎 Por que isso importa? Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra das pessoas, principalmente das que recebem salários menores. Isso porque os preços dos produtos aumentam, sem que o salário acompanhe esse crescimento.

Produto Interno Bruto

Para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, a projeção do mercado subiu de 2,20% para 2,21%.

➡️ O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país. O indicador serve para medir a evolução da economia.

Já para 2026, a previsão de alta do PIB do mercado financeiro subiu de 1,83% para 1,85%.

Taxa de juros

Os economistas do mercado financeiro elevaram a projeção para a taxa básica de juros neste ano.

O aumento da estimativa ocorreu após o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevar a taxa Selic de 14,75% para 15% ao ano na semana passada — decisão que surpreendeu a maior parte do mercado financeiro.

  • Para o fechamento de 2025, a projeção do mercado para o juro básico da economia subiu de 14,75% ao ano para 15% ao ano.
  • Para o fim de 2026, o mercado financeiro manteve a projeção em 12,50% ao ano.
  • Para o fechamento de 2027, a projeção do mercado continuou em 10,50% ao ano.

Outras estimativas

Veja abaixo outras estimativas do mercado financeiro, segundo o BC:

  • Dólar: a projeção da taxa de câmbio para o fim de 2025 recuou de R$ 5,77 para R$ 5,72. Para o fim de 2026, a estimativa permaneceu em R$ 5,80.
  • Balança comercial: para o saldo da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações) em 2025, a projeção ficou estável em US$ 74 bilhões de superávit. Para 2026, a expectativa para o saldo positivo permaneceu em US$ 78 bilhões de superávit.
  • Investimento estrangeiro: a previsão do relatório para a entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil neste ano continuou em US$ 70 bilhões. Para 2026, a estimativa de ingresso permaneceu inalterada também em US$ 70 bilhões.

Fonte: G1

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Comércio, Economia, Internacional

Entenda como ataque dos EUA ao Irã afeta a economia e aumenta incerteza global

O bombardeio dos Estados Unidos contra instalações nucleares do Irã injetou novas incertezas nas perspectivas para inflação e atividade econômica em uma semana repleta de dados econômicos e comentários de autoridades, incluindo dois dias de depoimentos do chair do Federal Reserve, Jerome Powell, ao Congresso.

As consequências negativas podem ser a parte mais fácil de ser vista: a possibilidade de um aumento nos preços de energia, a continuação da hesitação que tem dominado as famílias e as empresas e que pode prejudicar os gastos, e a chance de uma resposta do Irã que se materialize bem fora do Golfo.

Como já se espera que a economia dos EUA desacelere sob a pressão das altas tarifas de importação do governo Trump, um aumento nos preços do petróleo “poderia exercer uma forte pressão para baixo sobre a capacidade de gastos das famílias… e isso poderia desacelerar o PIB ainda mais”, disse Ellen Zentner, estrategista econômica chefe do Morgan Stanley.

Há também o caso mais otimista, caso os ataques abram caminho para uma eventual estabilidade na região.

“Prever os acontecimentos geopolíticos no Oriente Médio é um exercício traiçoeiro”, escreveram analistas da Yardeni Research após os ataques. “No entanto, o mercado de ações israelense sugere que podemos estar testemunhando uma transformação radical do Oriente Médio, agora que o Irã foi desnuclearizado.”

O principal índice acionário de Israel, o TA125, atingiu o maior nível de todos os tempos após os ataques.

Dito isso, o mercado de trabalho dos EUA está claramente perdendo força, mesmo que as pressões inflacionárias pareçam estar prestes a aumentar.

Os dados de pedidos contínuos de auxílio-desemprego de quinta-feira serão considerados no relatório mensal de emprego do Departamento do Trabalho para junho.

Até o momento, esses relatórios têm apontado para um mercado de trabalho mais fraco, mas ainda sólido, com a taxa de desemprego em um nível relativamente baixo de 4,2%, embora os membros do Fed estejam atentos a sinais de deterioração.

A expectativa é de que dados a serem publicados na sexta-feira mostrem o crescimento mais fraco dos gastos dos consumidores dos EUA desde janeiro. E, embora também se espere que a inflação se aproxime da meta de 2% do Fed no mês passado, muitas autoridades esperam que as tarifas se transformem em preços mais altos nos próximos meses.

Inflação e taxa de juros

Um aumento acentuado nos preços de energia poderia atiçar ainda mais a inflação.

Powell será pressionado sobre essa possibilidade e sobre outras ramificações dos acontecimentos no Oriente Médio durante dois dias de depoimentos ao Congresso, que começam na terça-feira no Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Deputados e continuam na quarta-feira no Comitê Bancário do Senado.

Na semana passada, autoridades do Fed mantiveram a taxa de juros na faixa atual de 4,25% a 4,50% e, embora tenham sinalizado que achavam que as condições econômicas provavelmente justificariam alguns cortes de juros ainda neste ano, Powell disse que essa previsão é pouco convincente, dada toda a incerteza sobre a política tarifária e como a economia reagirá.

Os acontecimentos entre os EUA e o Irã no fim de semana levantam novas questões sobre como a incerteza afetará a tomada de decisões do Fed, escreveu Sam Bullard, economista sênior do Wells Fargo.

“Os mercados estarão atentos a pistas sobre como o Fed recalibra os riscos inflacionários dos preços mais altos de energia e das tarifas contra as pressões desinflacionárias da desaceleração do crescimento”, disse ele.

Preço do petróleo

Os preços subiram desde o início do conflito, em 13 de junho, em meio a temores crescentes de que uma retaliação iraniana possa incluir o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do suprimento global de petróleo bruto.

Entretanto, os investidores estão avaliando a extensão do prêmio de risco geopolítico nos mercados de petróleo, uma vez que a crise do Oriente Médio ainda não teve impacto sobre a oferta.

E para o Brasil?

No Brasil, uma alta nos preços do petróleo tende a ser amenizada pelo política de preços ‘abrasileirada’ da Petrobras, que evita o repasse imediato da volatilidade nas cotações internacionais.

A escalada da tensão global e o risco de nova pressão inflacionária ocorrem logo após o Banco Central ter sinalizado o fim do ciclo de alta de juros no Brasil.

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira, reconheceu que é importante considerar o risco da guerra sobre o cenário inflacionário no Brasil, mas reforçou que não deve haver um aumento fora de controle.

“A gente vem olhando para o risco de inflação não é de agora. A gente tem seca prolongada no Brasil. No ano de 2024, a gente teve uma desvalorização do real de 24%. E nem por isso a inflação saiu do controle. Ela teve um aumento preocupante que a gente está acompanhando de perto”, disse.

“Tanto que eu estou dizendo que agora está caindo no período agregado de 12 meses. Com toda essa instabilidade e volatilidade global, impactando o preço dos alimentos, o custo logístico das cadeias. Então acho que, mesmo com tudo isso, a gente tem mostrado bastante resiliência no Brasil”, emendou.

Fonte: Istoé Dinheiro

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Economia, Internacional

Fed mantém juros inalterados nos EUA entre 4,25% e 4,5% ao ano

Foi a quarta decisão seguida de manutenção da taxa, em movimento amplamente esperado pelo mercado financeiro

Federal Reserve (Fed) manteve inalterados os juros nos Estados Unidos entre a faixa de 4,25% e 4,5% ao ano, conforme decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) publicada nesta quarta-feira (18).

A decisão foi unânime, segundo comunicado. Os membros sinalizaram que os custos dos empréstimos ainda devem cair neste ano, mas reduziram o ritmo geral dos futuros cortes esperados diante da estimativa de inflação mais alta decorrente das tarifas do governo de Donald Trump.

Nas novas projeções econômicas, as autoridades esboçaram um quadro modestamente “estagflacionário” para a economia dos Estados Unidos, com o crescimento econômico desacelerando para 1,4% neste ano, o desemprego subindo para 4,5% até o fim do ano e a inflação encerrando 2025 em 3%, bem acima do nível atual.

Embora os membros ainda prevejam cortar os juros em 0,5 ponto percentual neste ano, conforme projetado em março e dezembro, eles reduziram um pouco o ritmo para um único corte de 0,25 ponto percentual em cada um dos anos de 2026 e 2027, em uma batalha prolongada para que a inflação volte à meta de 2%.

Foi a quarta decisão seguida de manutenção da taxa, em movimento amplamente esperado pelo mercado financeiro. O Fed segura os juros entre 4,25% e 4,5% desde dezembro do ano passado, quando interrompeu o ciclo de queda iniciado em setembro de 2024.

Os analistas do mercado projetam que a inércia na taxa de juros se estenda até a próxima reunião do Fed, entre 29 e 30 de julho, com a retomada do afrouxamento monetário a partir de setembro, mostram dados da CME Group.

O mercado já previa a manutenção da taxa, conforme membros do Fomc avaliam os sinais de arrefecimento da economia e o risco de aumento da inflação devido às tarifas de importação dos Estados Unidos e à escalada da crise no Oriente Médio.

Desde que definiu sua taxa na faixa atual de 4,25% a 4,5% em dezembro, o Fed tem observado as perspectivas econômicas ficarem nebulosas, principalmente depois que o presidente Donald Trump voltou ao poder em janeiro e reformulou a política comercial dos EUA, anunciando taxas sobre produtos importados.

Os preços do petróleo também têm subido após o ataque de Israel ao Irã na semana passada e trocas de mísseis entre os dois inimigos regionais, enquanto os dados sobre o mercado de trabalho, as vendas no varejo e outros aspectos da economia dos EUA sugerem que o crescimento pode estar enfraquecendo.

As autoridades do Fed disseram que buscam clareza sobre o caminho da economia rumo a uma inflação mais alta ou a um crescimento mais fraco antes de dar novas orientações sobre os juros, mas, até o momento, a perspectiva de aumento dos preços e de desaceleração do emprego continua sendo uma possibilidade.

Fonte: CNN Brasil


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Economia, Finanças

Bancos centrais priorizam ouro sobre dólar para reservas, mostra pesquisa

Bancos centrais de todo o mundo esperam que suas reservas de ouro aumentem em proporção nos próximos cinco anos, ao mesmo tempo em que projetam que suas reservas em dólares serão menores, segundo uma pesquisa do World Gold Council (WGC).

A demanda de ouro por bancos centrais tem crescido significativamente nos últimos três anos, apesar de seu preço ter atingido recordes consecutivos. 

O ouro atingiu um recorde histórico de US$3.500,05 por onça em abril, um aumento de 95% desde fevereiro de 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia.

Setenta e três bancos centrais responderam à pesquisa do WGC, realizada entre 25 de fevereiro e 20 de maio, e 76% deles esperam que suas reservas de ouro sejam maiores em cinco anos, em comparação com 69% no ano passado.

Quase 75% dos entrevistados esperam que as reservas denominadas em dólares sejam menores em cinco anos, em comparação com 62% no ano passado.

“O desempenho do ouro em tempos de crise, a diversificação de portfólio e a proteção contra a inflação são alguns dos principais temas que impulsionam os planos de acumular mais ouro no próximo ano”, disse o WGC em um comunicado.

Os bancos centrais acumularam mais de 1.000 toneladas métricas de ouro em cada um dos últimos três anos, disse o WGC, acrescentando que isso representou um aumento significativo em relação à média de 400-500 toneladas na década anterior.

“Essa aceleração acentuada no ritmo de acumulação ocorreu em um cenário de incerteza geopolítica e econômica”, disse o WGC.

Um recorde de 95% dos entrevistados acredita que as reservas de ouro dos bancos centrais aumentarão nos próximos 12 meses, em comparação com 81% no ano passado, de acordo com a pesquisa do WGC, que também mostrou que o Banco da Inglaterra continua sendo o local mais popular para reservas de ouro.

Conflitos comerciais e tarifas foram citados por 59% dos bancos centrais na pesquisa como relevantes para a gestão de suas reservas, segundo a pesquisa

“Uma porcentagem maior desses bancos centrais veio de mercados emergentes e economias em desenvolvimento – 69% – do que os entrevistados de economias avançadas – 40%”, disse o WGC.

Fonte: MSN

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Economia, Internacional, Negócios

Acordo com UE, inovação e economia de baixo carbono são prioridades na relação com Alemanha

Presidente da FIESC acompanha evento que discute também cooperação em saúde, energia e minerais críticos na Bahia

Com o objetivo de fomentar parcerias e a cooperação entre Brasil e Alemanha, empresários brasileiros e alemães e representantes dos governos dos dois países estão reunidos nesta segunda (16) e terça-feira (17), em Salvador (BA). O 41º Encontro Econômico Brasil-Alemanha (EEBA) está sendo realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Federação das Indústrias Alemãs (BDI) e a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB).

Do lado brasileiro, a indústria propõe a discussão de uma agenda com onze pontos prioritários, entre eles a ratificação do acordo entre a União Europeia e o Mercosul. Para o presidente da Federação das Indústrias de SC (FIESC), Mario Cezar de Aguiar, o acordo é muito importante para o Brasil. “Eventos como esse são importantes para estreitar os laços históricos com a Alemanha. O Brasil e Santa Catarina têm muito a ganhar com a ratificação do acordo com a União Europeia, que também trará benefícios à Europa. As relações comerciais têm potencial de avançar exponencialmente, assim como a cooperação para a inovação”, avaliou.

Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, o momento da geopolítica é singular para concretizar o acordo. “O tratado cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, abrangendo 20% da economia global e mais de 720 milhões de consumidores. O acordo garante ao Brasil e aos demais países do Mercosul acesso preferencial a importantes mercados, facilitando a inserção internacional e ampliando as oportunidades de comércio e investimentos entre os dois blocos”, enfatizou Alban.

Michael Heinz, representante da Comissão da Indústria Alemã e membro do Conselho de Administração da Basf, destacou a importância de parcerias estratégicas diante do novo cenário global. “Brasil e Alemanha têm as melhores condições para desenvolver produtos inovadores e de alta tecnologia. Além disso, o Brasil é um ator global da transformação energética e da economia verde, e o Mercosul tem um peso relevante para estabelecer parcerias com importantes mercados”, concluiu.

Também estão na pauta brasileira a cooperação sobre regras ambientais da União Europeia. Como foco em energia, o empresariado brasileiro debate ainda a possibilidade de mobilizar recursos do Global Gateway, do Banco Europeu de Investimento e de outras fontes, para financiar projetos de interconexão elétrica entre o Brasil e países da América Latina, além da criação de uma plataforma de cooperação bilateral para projetos de energia renovável e hidrogênio verde.

A agenda do Brasil inclui também acordos de cooperação em saúde e insumos farmacêuticos e para a agregação de valor nos minerais críticos, além de uma nova proposta para evitar a dupla tributação.  

A abertura do evento contou com a presença dos presidentes da CNI, Ricardo Alban, e de diversas federações industriais, entre as quais a FIESC, além de autoridades como o ministro da Casa Civil, Rui Costa, o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.

Fonte: FIESC

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Economia

Dólar renova mínima do ano com Oriente Médio e juros no radar; bolsa sobe

Em momentos de tensões geopolíticas, o dólar em geral é visto como um ativo seguro e tende a ser favorecido pelo sentimento de aversão ao risco que domina os mercados

O Ibovespa teve forte alta e o dólar à vista caiu ante o real nesta segunda-feira (16), pela primeira vez abaixo dos R$ 5,50 este ano, com agentes financeiros ainda atentos aos desdobramentos envolvendo o conflito entre Israel e Irã e à espera de decisões de política monetária nesta semana.

O dólar à vista teve queda de 0,98%, a R$ 5,4871 na venda, renovando o menor valor deste ano. Esse patamar também é o mais baixo desde 7 de outubro do ano passado, quando encerrou em R$ 5,4865.

Já o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, subiu 1,49%, a 139.255,91 pontos.

Cenário exterior

Os movimentos do real nesta sessão tinham como pano de fundo a fraqueza da moeda norte-americana no exterior, com o dólar devolvendo ganhos obtidos na semana anterior na esteira da escalada do conflito entre Israel e Irã.

Em momentos de tensões geopolíticas, o dólar em geral é visto como um ativo seguro e tende a ser favorecido pelo sentimento de aversão ao risco que domina os mercados. Esse cenário foi observado na sexta, quando a moeda dos Estados Unidos avançou sobre seus pares.

Neste pregão, no entanto, o dólar não conseguia sustentar seus ganhos, já que os investidores seguem demonstrando uma certa aversão a ativos dos EUA em meio às incertezas provocadas pela política comercial errática do presidente Donald Trump, que gera preocupações de desaceleração econômica global.

Os mercados estão ansiosos com a aproximação do prazo que Trump estabeleceu para fechar acordos comerciais, que se dá em três semanas, com os EUA distantes de entendimentos com seus principais parceiros, como Japão e União Europeia.

O receio pelo retorno das taxas punitivas no próximo mês ofuscava momentaneamente os temores gerados pela guerra no Oriente Médio.

“As tensões geopolíticas têm proporcionado pouco impulso ao dólar até o momento, refletindo a persistente desconfiança dos mercados em seu status de porto-seguro”, disse Eduardo Moutinho, analista de mercados do Ebury Bank.

“Os investidores estão relutantes em desfazer suas posições vendidas em dólar.”

O índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,29%, a 97,991.

Os agentes financeiros também estão se posicionando para uma série de decisões de política monetária nesta semana, incluindo do Federal Reserve e do Banco Central do Brasil.

A autoridade monetária norte-americana divulgará sua decisão na quarta, com ampla expectativa de que mantenha a taxa de juros inalterada mais uma vez, enquanto avalia os impactos econômicos das políticas do governo Trump.

Cenário no Brasil

Já o BC brasileiro entrará no encontro desta semana com suas opções em aberto, com as apostas de investidores divididas entre a manutenção dos juros em 14,75% ano – com 68% de chance – e uma alta de 0,25 ponto percentual – com 32% – para o anúncio de quarta-feira (18), segundo dados da LSEG.

“Não há consenso se o Copom manterá a Selic ou se vai promover um último ajuste. A inflação continua pressionada, e a incerteza fiscal voltou ao centro do debate”, afirmou Diego Costa, head de câmbio para o Norte e Nordeste da B&T XP, em nota.

Na frente de dados, a economia no Brasil iniciou o segundo trimestre com crescimento acima do esperado em abril, de acordo com dados do BC.

O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), considerado um sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), teve expansão de 0,2% em abril, ante projeção de ganho de 0,1%.

Fonte: CNN Brasil


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Economia

Dólar cai a R$ 5,48, menor cotação desde outubro, acompanhando movimento no exterior

Moeda chegou a sua menor cotação de 2025

O dólar fechou a segunda-feira em queda firme ante o real e abaixo dos R$5,50, renovando a menor cotação de 2025, em sintonia com o recuo quase generalizado da divisa norte-americana no exterior, enquanto investidores reagiam aos desdobramentos do conflito entre Israel e Irã e aguardavam as decisões de bancos centrais nesta semana.

Qual a cotação do dólar hoje?

O dólar à vista fechou em baixa de 0,98%, aos R$5,4871 — menor valor de fechamento desde 7 de outubro do ano passado, quando encerrou em R$5,4865, e a primeira vez que o dólar termina a sessão abaixo de R$5,50 este ano.

Em 2025 a divisa acumulou baixa de 11,20%.

Às 17h11, na B3 o dólar para julho — atualmente o mais líquido no Brasil — cedia 1,16%, aos R$5,5040.

Dólar comercial

  • Compra: R$ 5,487
  • Venda: R$ 5,487

Dólar turismo

  • Compra: R$ 5,541
  • Venda: R$ 5,721

O que aconteceu com dólar hoje?

O dia começou com dados positivos das vendas do varejo da China, que cresceram 6,4% em maio ante abril, acima da expectativa de 5,0%, enquanto a produção industrial chinesa avançou 5,8% em maio ante o mesmo mês do ano anterior, abaixo dos 5,9% esperados.

Embora permaneçam os receios em torno da disputa tarifária entre EUA e China, os números deram força a diversas moedas de países exportadores de commodities. O movimento foi favorecido ainda pelo alívio nos preços do petróleo, que durante a tarde cediam cerca de 2% no mercado internacional.

Em todo o mundo investidores se mantiveram atentos aos desdobramentos do conflito entre Israel e Irã, em meio a notícias de que os iranianos buscam um cessar-fogo.

Neste cenário, o dólar cedia ao redor do mundo e, no Brasil, permaneceu no território negativo durante todo o dia, variando entre a cotação máxima de R$5,5385 (-0,05%) às 9h06 e a mínima de R$5,4856 (-1,01%) às 16h49.

“O recuo da moeda americana frente a pares globais, impulsionado por dados mais fracos da indústria nos EUA e indicadores positivos da China, somado à queda do petróleo com sinais positivos vindo no Oriente Médio, criou um ambiente propício ao aumento do apetite por risco”, resumiu Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

Investidores também aguardavam pela “Super-Quarta”, quando o Federal Reserve e o Banco Central do Brasil decidirão sobre suas taxas de juros.

As apostas de uma elevação adicional de 25 pontos-base da Selic, precificadas de forma majoritária no mercado, favoreciam o recuo do dólar ante o real, em meio à percepção de que o Brasil seguirá atrativo ao capital externo. Atualmente a Selic está em 14,75% ao ano.

No exterior, o dólar seguia em baixa no fim da tarde. Às 17h32, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,15%, a 98,129.

Pela manhã, em sua operação diária de rolagem, o Banco Central vendeu toda a oferta de 35.000 contratos de swap cambial tradicional. Em uma operação separada, o BC vendeu US$1 bilhão em dois leilões de linha (venda de dólares com compromisso de recompra), também para rolagem.

Fonte: InfoMoney


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Economia

IBC-Br: “prévia do PIB” sobe 0,2% em abril, mais do que o esperado

A expectativa em pesquisa da Reuters para o resultado de abril era de alta de 0,1%

A economia no Brasil iniciou o segundo trimestre com crescimento acima do esperado em abril, embora mostrando desaceleração ante o mês anterior, de acordo com dados do Banco Central nesta segunda-feira (16).

O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), considerado um sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), teve expansão de 0,2% em abril, em dado dessazonalizado, informou o BC.

O resultado mostrou enfraquecimento ante a alta de 0,7% de março, em dado revisado pelo BC de avanço de 0,8% informado anteriormente. Mas a leitura do mês ficou acima da expectativa em pesquisa da Reuters de ganho de 0,1%.

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o IBC-Br teve alta de 2,5%, enquanto no acumulado em 12 meses passou a um ganho de 4,0%, de acordo com números não dessazonalizados.

Em abril, o impulso foi dado pelo crescimento de 0,4% do setor de serviços, segundo a abertura dos dados do BC. Eles mostraram ainda que houve retrações no mês de 0,9% e 1,1% respectivamente em agropecuária e indústria

Dados do IBGE mostraram que em abril o setor de serviçosregistrou avanço pelo terceiro mês seguido, de 0,2%. Já as vendas no varejo interromperam três meses seguidos de ganhos com queda de 0,4%, enquanto a produção industrial cresceu menos do que o esperado, a 0,1%.

O PIB do Brasil teve no primeiro trimestre expansão de 1,4% sobre os três meses anteriores, sustentado pelo desempenho mais forte da agropecuária em dois anos.

Analistas preveem que, passado o impacto da agropecuária, a economia deverá sentir com mais força o peso da política monetária restritiva, levando a uma desaceleração econômica ao longo do ano. Por outro lado, o mercado de trabalho robusto tende a manter a resiliência da atividade econômica.

A taxa básica de juros Selic está atualmente em 14,75% e o BC volta a se reunir nesta semana para definir a política monetária, com expectativa de manutenção dos juros de acordo com 27 dos 39 economistas consultados em pesquisa da Reuters.

A mais recente pesquisa Focus realizada pelo Banco Central mostrou que a expectativa do mercado para a expansão do PIB em 2025 é de 2,20%, indo a 1,83% em 2026.

O IBC-Br é construído com base em proxies representativas dos índices de volume da produção da agropecuária, da indústria e do setor de serviços, além do índice de volume dos impostos sobre a produção.

Fonte: InfoMoney


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