Economia

Argentina registra fuga recorde de dólares e investimento estrangeiro fica negativo sob governo Milei

A Argentina vive um cenário econômico contraditório em relação ao discurso oficial do governo de Javier Milei. Enquanto a Casa Rosada defende que a abertura econômica impulsionaria uma forte entrada de capital estrangeiro, os números do Banco Central argentino apontam avanço na saída de dólares do país.

Em março de 2026, empresas estrangeiras remeteram US$ 876 milhões em lucros para suas matrizes no exterior, o maior volume registrado em mais de 15 anos. O movimento evidencia a preferência de multinacionais por retirar recursos da economia argentina em vez de reinvesti-los localmente.

Investimento estrangeiro direto fecha trimestre no vermelho

O cenário se agravou com os dados do relatório de Investimento Estrangeiro Direto (IED) referentes ao quarto trimestre de 2025. Segundo o Banco Central da Argentina, o país encerrou o período com saldo negativo de US$ 4,687 bilhões.

Na prática, isso significa que houve mais saída do que entrada de capital estrangeiro na economia argentina. Parte do resultado foi impulsionada pelo pagamento de dívidas comerciais do setor agroexportador com empresas controladoras no exterior.

O resultado contrasta com a expectativa criada pelo governo argentino de transformar o país em um dos principais destinos de investimentos internacionais da América Latina.

Taxa de reinvestimento despenca para 17%

Outro indicador que acendeu alerta no mercado foi a forte queda na taxa de reinvestimento das empresas estrangeiras instaladas na Argentina.

Dados oficiais apontam que apenas 17% dos lucros gerados pelas multinacionais permaneceram no país. Isso significa que, a cada US$ 100 obtidos em operações locais, US$ 83 foram enviados para fora da Argentina.

Especialistas avaliam que níveis reduzidos de reinvestimento costumam refletir cautela das empresas em relação às perspectivas econômicas e à estabilidade do ambiente de negócios.

Liberalização cambial facilitou saída de recursos

A política de liberalização cambial adotada pelo governo de Javier Milei também contribuiu para acelerar as remessas ao exterior.

As mudanças reduziram barreiras para transferência de dólares por empresas estrangeiras, permitindo maior liberdade nas operações financeiras internacionais.

Apesar de a medida ter sido apresentada como mecanismo para atrair investimentos, economistas argumentam que o efeito imediato acabou favorecendo a saída de capital já instalado no país.

Programa RIGI ainda não entregou entrada expressiva de capital

O governo argentino apostou no programa RIGI (Regime de Incentivo a Grandes Investimentos) como principal ferramenta para estimular novos aportes internacionais.

O projeto oferece benefícios fiscais e regulatórios para setores estratégicos, como mineração, petróleo e gás natural. A expectativa oficial era criar uma “avalanche de dólares” por meio da entrada de grandes investidores estrangeiros.

No entanto, os dados do Banco Central indicam que os investimentos prometidos ainda não se converteram em fluxo significativo de recursos para a economia real.

Analistas apontam que existe diferença entre aprovação de projetos no papel e efetiva chegada de capital para fábricas, infraestrutura e geração de empregos.

Investimentos se concentram em setores extrativistas

Além do baixo volume de novos aportes, especialistas destacam preocupação com o perfil dos investimentos que seguem entrando na Argentina.

Grande parte dos recursos está concentrada em atividades ligadas ao setor financeiro, mineração e petróleo — segmentos que costumam ter menor impacto direto na geração de empregos industriais e no fortalecimento da economia produtiva.

Economistas argentinos também alertam para o risco de um modelo baseado na exploração de recursos naturais com posterior remessa dos lucros ao exterior, reduzindo os efeitos positivos internos do investimento estrangeiro.

Economia enfrenta pressão cambial e perda de competitividade

A saída de dólares e a redução do investimento produtivo podem gerar efeitos relevantes sobre a economia argentina nos próximos meses.

Entre os principais impactos apontados estão a pressão sobre o câmbio, menor geração de empregos industriais e redução da capacidade de crescimento econômico sustentável.

O cenário também amplia o debate sobre a eficácia das políticas de abertura econômica implementadas pelo atual governo para recuperar a confiança dos investidores internacionais.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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Comércio Internacional

Indústria na Argentina recua e importações crescem sob governo Milei, aponta relatório

O encerramento da unidade da Whirlpool em Pilar, na província de Buenos Aires, deixou de ser um caso isolado e passou a refletir uma transformação mais ampla na economia argentina. Levantamento do Instituto de Pensamento e Políticas Públicas indica que empresas vêm substituindo a produção local pela importação de produtos prontos.

A tendência atinge setores relevantes como eletrodomésticos, automóveis, calçados e móveis, impactando diretamente a indústria argentina e o mercado de trabalho.

Abertura comercial e câmbio influenciam cenário

Segundo o relatório, fatores como a abertura comercial, a valorização cambial e a queda do consumo interno tornaram mais vantajoso importar do que manter operações industriais no país. Esse movimento ocorre em um contexto de retração econômica e aumento da insatisfação social.

O presidente Javier Milei reconheceu recentemente as dificuldades enfrentadas pela população, admitindo que o período recente tem sido desafiador.

Caso Whirlpool ilustra avanço das importações

O estudo aponta a Whirlpool como exemplo emblemático dessa mudança. A empresa encerrou sua fábrica em 2025, demitindo cerca de 300 trabalhadores, mas manteve presença no mercado por meio da importação.

As compras externas de máquinas de lavar cresceram significativamente, enquanto a aquisição de insumos para produção local praticamente desapareceu em 2026. Parte da produção foi transferida para o Brasil, reforçando a substituição da manufatura interna por produtos importados.

Importações disparam e produção industrial cai

Dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos mostram queda de 8,7% na produção industrial em fevereiro de 2026, na comparação anual. No acumulado do ano, a retração chega a 6%.

Ao mesmo tempo, as importações de bens de consumo cresceram 44% desde 2023, enquanto a entrada de veículos aumentou mais de 200%. A redução da atividade industrial é ampla, atingindo a maioria dos segmentos.

Setores de calçados e móveis também são afetados

A substituição da produção nacional por importações também se intensificou em outros setores. Empresas ampliaram compras externas de móveis e artigos domésticos, enquanto marcas esportivas aumentaram significativamente a importação de calçados.

No setor calçadista, o crescimento das importações foi acompanhado pelo fechamento de unidades produtivas e perda de empregos, evidenciando o impacto direto na economia industrial.

Margens elevadas e debate sobre lucratividade

O relatório aponta ainda que empresas estariam operando com margens elevadas na venda de produtos importados. Em alguns casos, itens adquiridos por valores baixos no exterior chegam ao consumidor com preços significativamente maiores.

Representantes do setor, no entanto, argumentam que custos adicionais — como logística, impostos e distribuição — reduzem a margem efetiva de lucro.

Desindustrialização aumenta pressão sobre o governo

O avanço das importações e a retração da produção local ampliam o debate sobre desindustrialização na Argentina. O relatório destaca perda acelerada da capacidade produtiva e redução do emprego industrial.

Esse cenário ocorre em paralelo ao aumento da pressão política sobre o governo, diante de uma economia mais dependente de importações e com menor dinamismo interno.

FONTE: Revista Forum
TEXTO: Redação
IMAGEM: Mídia Ninja

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Economia

Argentina endurece regras e dificulta retirada de dólares do país

O governo da Argentina anunciou um novo conjunto de medidas que torna mais rígidas as operações de envio de recursos ao exterior. As regras, divulgadas pelo Banco Central, têm como alvo principal mecanismos usados no mercado paralelo de câmbio, especialmente o chamado blue-chip swap, prática comum entre investidores para acessar dólares fora do sistema oficial.

Restrições ao câmbio paralelo

As novas diretrizes fazem parte de uma estratégia para conter a saída de divisas e reforçar as reservas internacionais da Argentina. O endurecimento das regras dificulta o uso do câmbio paralelo, frequentemente adotado por empresas e investidores para transferir moeda estrangeira para fora do país.

A medida também busca aliviar a pressão sobre o peso argentino e conter impactos inflacionários — fatores que influenciam diretamente a estabilidade econômica e a popularidade do governo de Javier Milei.

Governo tenta fortalecer reservas

No fim de 2025, o país já havia anunciado um programa de compra de moeda estrangeira para ampliar suas reservas, um dos principais desafios da política econômica atual. No mesmo dia em que as novas regras foram divulgadas, o Banco Central realizou sua maior aquisição de dólares em 2026, somando US$ 281 milhões.

A expectativa do governo é que, com o controle mais rígido sobre a saída de recursos, haja aumento no fluxo de entrada de capital estrangeiro, impulsionado por setores como energia e agronegócio.

Flexibilização do câmbio oficial

Enquanto o cerco ao mercado paralelo foi ampliado, houve flexibilização em operações pelo câmbio oficial. Entre as mudanças, destacam-se:

  • Fim do limite de saque de US$ 50 em cartões emitidos no país;
  • Ampliação do prazo para liquidação de receitas de exportação;
  • Eliminação da exigência de autorização prévia para pagamento de dívidas financeiras externas.

Essas medidas visam facilitar o ambiente de negócios e incentivar exportações, contribuindo para o ingresso de moeda estrangeira na economia argentina.

Expectativa de maior entrada de dólares

O governo projeta aumento no volume de divisas nas próximas semanas, sustentado por:

  • Crescimento do setor de energia;
  • Expansão das exportações agrícolas;
  • Entrada de investimento estrangeiro direto;
  • Emissões de dívida corporativa no exterior.

Reformas econômicas ganham respaldo

Relatório recente do Banco Mundial destacou a Argentina como uma exceção positiva na América Latina, apontando melhora nas expectativas econômicas e nas condições financeiras após a adoção de medidas de estabilização.

Desde 2023, a gestão de Javier Milei tem implementado uma agenda de reformas econômicas liberais com foco no controle da inflação e retomada do crescimento. Entre os principais indicadores:

  • Risco-país em queda: o EMBIG recuou de cerca de 2.200 pontos para menos de 600 em março de 2026;
  • Atração de investimentos: programas como o RIGI impulsionam setores estratégicos, incluindo energia, mineração de lítio e tecnologia;
  • Projeções de crescimento: estimativa acumulada de 12,2% entre 2024 e 2027.

Perspectivas para o PIB

O Banco Mundial projeta crescimento de 3,6% para a economia argentina em 2026, após expansão de 4,4% em 2025 e retração de 1,3% em 2024. Em comparação, o Brasil deve crescer 2,2% em 2025, após alta de 2,8% no ano anterior.

FONTE: Veja
TEXTO: Redação
IMAGEM: Rica Canepa/Bloomberg/Getty Images

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Exportação

Exportações para a Argentina crescem e abrem novas oportunidades para Santa Catarina

A relação econômica entre Brasil e Argentina segue marcada por ciclos de instabilidade, mas vive um novo momento de retomada. Apesar das divergências políticas entre Javier Milei e Luiz Inácio Lula da Silva, o comércio bilateral tem ganhado força — e já mostra resultados concretos.

Dados da ApexBrasil indicam que as exportações brasileiras para a Argentina cresceram 31% no último ano, consolidando o país como principal fornecedor do mercado argentino. Em Santa Catarina, o avanço foi de 17%, atingindo o maior nível da década.

Relação histórica e perda de protagonismo

Durante décadas, a Argentina figurou como principal destino das exportações catarinenses, com forte presença de setores como têxtil, metalmecânico e alimentício. Esse cenário começou a mudar a partir dos anos 1990.

A ascensão da China e o fortalecimento dos Estados Unidos como parceiros comerciais reduziram a participação argentina. Ao mesmo tempo, crises econômicas recorrentes e barreiras comerciais impostas pelo país vizinho tornaram o ambiente mais arriscado e menos previsível para exportadores brasileiros — mesmo com o Mercosul em vigor.

Mudança econômica impulsiona comércio exterior

O cenário recente, porém, aponta para uma virada. A política econômica adotada pelo governo Milei tem como base a redução da intervenção estatal e a liberalização do comércio exterior.

Medidas como desregulamentação, flexibilização de controles e redução de licenças de importação trouxeram mais previsibilidade ao ambiente de negócios. Com isso, a inflação desacelerou, a confiança empresarial aumentou e o mercado argentino voltou a importar com maior fluidez.

Para empresas brasileiras, isso significa menos entraves operacionais e maior segurança jurídica nas transações — além de um mercado mais dependente de fornecedores externos.

Setor moveleiro aposta no mercado argentino

Diante desse novo contexto, empresas catarinenses têm intensificado a busca por oportunidades. O setor moveleiro é um dos destaques.

Uma missão empresarial organizada pela FIESC levou mais de 20 empresários à Argentina, resultando em mais de 200 reuniões e expectativa de negócios de cerca de US$ 4 milhões.

A empresa Interlink, de São Bento do Sul, projeta gerar até US$ 600 mil em vendas para o mercado argentino até 2026. O foco está no segmento de móveis de quarto, que representa quase metade das importações do setor no país vizinho.

Diversificação de mercados ganha força

A movimentação também reflete mudanças no cenário global. Empresas exportadoras vêm buscando alternativas diante dos impactos da Guerra da Ucrânia e de barreiras comerciais impostas por outros mercados.

Nesse contexto, a estratégia passa por diversificar destinos. A meta de algumas companhias é equilibrar o faturamento entre América Latina e Europa, com destaque para países como Argentina, Paraguai e México.

Cautela no curto prazo, otimismo no médio prazo

Apesar do crescimento recente, o início do ano trouxe uma desaceleração nas exportações, influenciada por instabilidade cambial e incertezas políticas.

Ainda assim, o mercado é visto como estratégico. Empresas relatam um comportamento mais cauteloso por parte dos importadores argentinos, com negociações mais detalhadas, pedidos menores e maior exigência por previsibilidade.

Por outro lado, Santa Catarina mantém vantagens competitivas relevantes, como proximidade geográfica, prazo de entrega reduzido, flexibilidade produtiva e suporte pós-venda — fatores que diferenciam o estado frente a concorrentes internacionais.

Integração produtiva e novas parcerias

As oportunidades vão além da exportação de produtos acabados. A tendência é de fortalecimento das cadeias produtivas regionais, especialmente com a perspectiva de ampliação de acordos comerciais envolvendo o Mercosul e a União Europeia.

Esse movimento pode estimular parcerias em áreas como tecnologia, investimentos e capital humano, ampliando o nível de integração entre os países.

Indústria e máquinas também ganham espaço

A melhora no ambiente de negócios argentino, reforçada por reformas estruturais, pode impulsionar a reindustrialização do país. Esse processo tende a aumentar a demanda por máquinas, equipamentos e insumos industriais.

Empresas como a Potenza, de Lages, já avaliam expandir sua presença no país. Entre as possibilidades está até a instalação de uma unidade local para facilitar o acesso a outros mercados, incluindo os Estados Unidos, dependendo de fatores como custos e logística.

Perspectivas para o comércio bilateral

O avanço recente das exportações para a Argentina reforça o potencial de retomada da parceria econômica. Mesmo diante de desafios pontuais, o país vizinho volta a ocupar posição estratégica para empresas brasileiras.

A combinação de reformas econômicas, demanda reprimida e proximidade regional indica um cenário favorável para o fortalecimento do comércio e da integração produtiva nos próximos anos.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Adobestock

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Internacional

Milei anuncia 90 reformas estruturais para redesenhar a Argentina pelos próximos 50 anos

O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou neste domingo que pretende enviar ao Congresso um pacote com 90 reformas estruturais ao longo de 2026. A proposta, segundo ele, busca “redesenhar a arquitetura institucional” do país com impacto projetado para as próximas cinco décadas.

O anúncio foi feito durante o discurso anual do chefe do Executivo ao Parlamento, em um pronunciamento marcado por críticas à oposição e defesa de uma agenda de transformações profundas.

Reformas devem atingir economia e sistema tributário

De acordo com Milei, as mudanças abrangerão áreas estratégicas como economia, sistema tributário, código penal, sistema eleitoral, educação, Justiça e defesa nacional.

O presidente afirmou que o novo pacote dará sequência ao ciclo de ajustes iniciado após sua posse, em 2023, e reforçou que as propostas fazem parte de um projeto de longo prazo para consolidar uma “nova Argentina”.

Continuidade do plano iniciado em 2023

Durante o discurso, Milei destacou que seu governo já promoveu “nove meses ininterruptos de reformas estruturais”, defendendo que as medidas implementadas até agora representam apenas a primeira etapa de um processo mais amplo de reconfiguração do Estado argentino.

A fala também foi marcada por confrontos verbais com parlamentares da oposição, evidenciando o ambiente político polarizado que acompanha a tramitação das propostas no Congresso.

Com o novo pacote, o governo sinaliza a intenção de aprofundar sua agenda liberal, ampliando o debate sobre o futuro institucional e econômico do país.

FONTE: Estadão
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/InfoMoney

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Greve

Estado de greve na Argentina pode afetar comércio exterior de SC, alerta Fiesc

A possibilidade de manutenção do estado de greve na Argentina preocupa o setor produtivo catarinense. Segundo a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), a continuidade das paralisações pode comprometer o comércio exterior de SC e gerar impactos relevantes na economia do Estado.

A tensão ocorre após o avanço da reforma trabalhista do presidente Javier Milei, aprovada nesta quinta-feira pela Câmara argentina e agora novamente encaminhada ao Senado, onde precisa ser analisada até 1º de março.

Risco de paralisação prolongada

Para a presidente da Câmara de Comércio Exterior da Fiesc, Maria Teresa Bustamante, o cenário indica que o movimento grevista pode se estender até a aprovação definitiva da proposta.

De acordo com ela, a continuidade da mobilização pode provocar:

  • Aumento dos custos logísticos, devido à retenção de cargas em pontos de desembaraço aduaneiro;
  • Interrupções na cadeia de suprimentos;
  • Risco de falta de insumos importados;
  • Quebra no fluxo de caixa das empresas;
  • Atrasos no cumprimento de contratos internacionais;
  • Abalo na confiança e na reputação comercial entre os países.

A Argentina é um dos principais parceiros comerciais do Brasil, e Santa Catarina mantém forte relação bilateral, especialmente nos setores industrial e manufatureiro.

Momento era de crescimento no comércio bilateral

A avaliação da Fiesc é de que o impasse ocorre em um período favorável para as trocas comerciais entre os dois países, com aumento no volume negociado recentemente.

A falta de previsibilidade, segundo a entidade, pode comprometer o ritmo de crescimento das exportações e importações, afetando diretamente empresas catarinenses que dependem do mercado argentino.

Reforma trabalhista divide governo e sindicatos

Para viabilizar a aprovação na Câmara, o governo argentino flexibilizou alguns pontos do texto original. Ainda assim, mantém a proposta de reformular uma legislação trabalhista com cerca de 70 anos, criada durante o período do peronismo.

O presidente Javier Milei tem defendido mudanças estruturais com o argumento de modernizar a economia e tornar as regras mais flexíveis para empresas e trabalhadores. Entre os principais pontos da reforma trabalhista argentina estão:

  • Jornada de trabalho flexível, podendo variar entre 8 e 12 horas diárias;
  • Ampliação do período de experiência para até seis meses;
  • Restrição de greves em setores considerados essenciais;
  • Regras mais flexíveis para férias;
  • Medidas para reduzir a informalidade no mercado de trabalho, que atinge cerca de 40% dos empregos no país.

O embate permanece intenso entre centrais sindicais e governo. Milei, que venceu as eleições legislativas em outubro, conta com apoio do setor empresarial e respaldo político para levar adiante as mudanças estruturais.

FONTE: NSC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/NSC

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Greve

Greve na Argentina paralisa exportação de grãos e afeta setor agrícola

Uma greve na Argentina interrompeu, nesta quarta-feira, as atividades de exportação de grãos e derivados, impactando diretamente o comércio exterior do país. A paralisação foi organizada por sindicatos marítimos em protesto contra a reforma trabalhista proposta pelo governo de Javier Milei.

Segundo Gustavo Idígoras, presidente da Cámara de la Industria Aceitera y el Centro de Exportadores de Cereales (CIARA-CEC), a greve de 48 horas compromete integralmente as operações do setor agroexportador. Em declaração à Reuters, ele classificou o movimento como uma ação de caráter político, distante das demandas específicas da atividade.

Portos e embarques afetados

A mobilização comprometeu serviços essenciais, como atracação e desatracação de navios, transporte de práticos e atendimento a embarcações. A região mais impactada foi a área portuária de Rosário, um dos principais polos globais de exportação agrícola.

A paralisação coincide parcialmente com a greve geral convocada pela Confederación General del Trabajo (CGT), marcada para quinta-feira, o que pode ampliar os efeitos sobre a economia argentina.

Em nota divulgada nas redes sociais, a Federación Sindical Marítima y Fluvial (Fesimaf) afirmou que a mobilização tem como objetivo defender direitos trabalhistas e preservar a estabilidade no emprego.

Reforma trabalhista amplia tensão sindical

A Câmara dos Deputados argentina deve analisar o projeto de reforma trabalhista, já aprovado pelo Senado na semana passada. A proposta enfrenta forte resistência das entidades sindicais por prever mudanças como flexibilização das contratações, redução de indenizações por demissão, limitação do direito de greve e ampliação da jornada de trabalho.

Além dos marítimos, o sindicato dos trabalhadores da indústria de oleaginosas de San Lorenzo também aderiu à paralisação. A entidade representa empregados do principal polo de processamento de soja do país, localizado ao norte de Rosário, onde se concentra grande parte das usinas responsáveis pela produção de óleo e farelo.

Em comunicado, o sindicato criticou o projeto, afirmando que a modernização proposta compromete direitos históricos dos trabalhadores.

Impacto econômico e mercado internacional

A Argentina ocupa posição estratégica no comércio global, sendo a maior exportadora mundial de óleo e farelo de soja. A interrupção nas operações portuárias pode afetar o fluxo de divisas, essencial para a economia do país.

Para o analista Ion Jauregui, da consultoria ActivTrades, paralisações que atingem transporte e portos geram reflexos que vão além dos dias de trabalho perdidos. Segundo ele, a capacidade de exportação é determinante para manter a entrada de moeda estrangeira.

O governo argentino avalia que as greves recorrentes prejudicam a produtividade e a estabilidade econômica nacional.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Martin Cossarini

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Comércio Exterior

Importações disparam na Argentina após abertura econômica e avanço do comércio eletrônico internacional

A reabertura econômica promovida pelo presidente Javier Milei está provocando uma mudança significativa no padrão de consumo da Argentina. Produtos importados como brinquedos Lego, eletrônicos da Apple e garrafas térmicas Stanley passaram a dominar as compras dos argentinos, impulsionando fortemente o volume de importações no país.

Dados oficiais mostram que as importações de bens de consumo cresceram 55% em 2025 na comparação com o ano anterior, alcançando um recorde de US$ 11,4 bilhões. O avanço reflete a redução de tarifas e o fim de diversas barreiras comerciais que, por anos, limitaram o acesso a produtos estrangeiros.

Comércio eletrônico internacional ganha espaço

O comércio eletrônico transfronteiriço foi um dos principais motores desse crescimento. Em 2025, os argentinos compraram quase três vezes mais produtos do exterior por meio de plataformas internacionais do que em 2024, totalizando US$ 955 milhões — o maior volume já registrado.

Empresas como Amazon, Shein e Temu passaram a operar de forma mais estruturada no país, aproveitando o novo ambiente regulatório. A Amazon, por exemplo, lançou entregas gratuitas a partir dos Estados Unidos no fim de 2024 e incluiu a Argentina em seu aplicativo de compras de baixo custo, o Amazon Bazaar.

Mudanças nas regras facilitaram as compras externas

Em novembro de 2024, o governo ampliou o limite para remessas internacionais via correio de US$ 1.000 para US$ 3.000. Além disso, pessoas físicas passaram a poder importar até US$ 400 por ano sem pagamento de tarifas. As medidas reduziram entraves burocráticos e estimularam as compras diretas do exterior.

Segundo especialistas, o novo cenário diminuiu riscos que antes desestimulavam o consumidor. “Antes, havia grande chance de a encomenda ficar retida na alfândega. Agora o fluxo está mais ágil, o que explica o salto nas importações, mesmo partindo de uma base ainda pequena”, avalia Natacha Izquierdo, diretora da consultoria Abeceb.

Produtos mais vendidos e preços mais baixos

Entre os itens mais procurados em 2025 estiveram um conjunto Lego inspirado em Harry Potter, o Mac Mini da Apple (modelo 2024) e a tradicional garrafa térmica Stanley de 940 ml, muito utilizada no consumo de mate. Segundo a Tiendamia, marketplace regional de comércio eletrônico, as vendas na Argentina cresceram 55% no período.

A diferença de preços tem sido um fator decisivo. Em alguns casos, produtos importados chegam a custar cerca de 45% menos do que nas lojas oficiais no mercado argentino, pressionadas por elevados custos de produção e carga tributária.

Impactos na indústria local e tensões no mercado

O avanço das importações também acendeu o alerta em setores tradicionais. A indústria têxtil argentina, antes protegida por tarifas elevadas, pediu ao Congresso medidas contra o que chama de concorrência desleal de plataformas chinesas. De acordo com a Federação das Indústrias Têxteis Argentinas (FART), o setor perdeu 16 mil empregos — o equivalente a 13% da força de trabalho — desde o início do governo Milei.

Além disso, a chegada de Shein e Temu gerou atritos com o Mercado Livre, principal plataforma de e-commerce da América Latina. Em agosto de 2025, a empresa apresentou uma queixa ao Ministério da Economia acusando a Temu de práticas comerciais desleais e publicidade enganosa. A plataforma chinesa nega as acusações, e o caso deve ser analisado pela Suprema Corte da Argentina.

Importações ainda abaixo da média regional

Apesar do crescimento expressivo, analistas destacam que o nível geral de importações da Argentina segue inferior ao de outros países da região. Ainda assim, a tendência aponta para uma maior integração ao comércio global, com impactos diretos sobre o consumo, a indústria e a dinâmica do varejo local.

Fonte: Com informações do Financial Times.

TEXTO: REDAÇÃO

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Economia

Inflação na Argentina cai para 31,5% em 2025 e atinge menor nível em oito anos

Índice anual marca desaceleração histórica
A inflação na Argentina fechou 2025 em 31,5%, o menor patamar registrado pelo país em oito anos. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (13) pelo Indec, o instituto público de estatísticas argentino.

O resultado representa uma desaceleração expressiva em relação aos anos anteriores e reforça a tendência de queda observada ao longo do último ano.

Alta mensal segue trajetória iniciada no segundo semestre
Apesar do alívio no acumulado anual, os preços apresentaram avanço de 2,8% em dezembro, na comparação mensal. O movimento segue uma trajetória de aceleração moderada iniciada em junho.

No último mês do ano, os maiores reajustes foram registrados nos setores de transporte, habitação e nas tarifas de serviços públicos, como fornecimento de água e gás.

Menor inflação desde 2017
Mesmo com a pressão pontual em dezembro, o desempenho de 2025 foi o melhor desde 2017, quando a inflação anual ficou em 24,8%, durante o governo de Mauricio Macri.

A queda consolida uma mudança relevante no comportamento dos preços em uma economia historicamente marcada por índices elevados.

Resultado fortalece governo Milei
O número é considerado positivo para o presidente Javier Milei, que assumiu o governo com um discurso duro de ajuste fiscal e combate à inflação. Desde o início da gestão, o governo promove cortes de gastos, congelamento de orçamentos e reformas estruturais.

Segundo o ministro da Economia, Luis Caputo, o processo de desinflação está ancorado em pilares como superávit fiscal, controle rigoroso da base monetária e capitalização do Banco Central.

Ajuste fiscal e política monetária rígida
Em publicação nas redes sociais, Caputo classificou o resultado como uma “conquista extraordinária” e afirmou que a estratégia econômica será mantida para garantir a continuidade da queda da inflação.

O presidente Milei reforçou o apoio ao ministro ao repercutir a declaração de forma elogiosa.

Choque econômico marcou início do governo
Ao assumir a presidência, em dezembro de 2023, Milei promoveu uma desvalorização do peso superior a 50% e iniciou um forte ajuste nas contas públicas, apelidado de “motosserra”.

As medidas permitiram que a Argentina encerrasse 2024 com inflação de 117,8%, praticamente metade dos 211,4% registrados no ano anterior, abrindo caminho para o recuo mais intenso observado em 2025.

FONTE: AFP
TEXTO: Redação
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Exportação

Exportações argentinas devem atingir segundo maior recorde da história em 2025

As exportações argentinas de bens devem alcançar US$ 86,5 bilhões em 2025, configurando o segundo maior valor nominal da história do país. A estimativa consta em um relatório do consultor Marcelo Elizondo, elaborado com base nos dados do INDEC até novembro e em uma projeção considerada conservadora para dezembro.

Mesmo diante da queda dos preços internacionais, o desempenho reforça a resiliência do comércio exterior argentino, segundo a análise.

Superávit comercial permanece positivo

O estudo projeta importações em torno de US$ 75,8 bilhões, o que resultaria em um superávit comercial de US$ 10,7 bilhões em 2025. O saldo positivo evidencia o equilíbrio das contas externas, apesar de um cenário global mais desafiador.

De acordo com Elizondo, o resultado fica levemente abaixo do recorde histórico de 2022, quando as exportações somaram US$ 88,446 bilhões, impulsionadas por preços mais elevados. Ainda assim, o número supera o antigo pico de 2011, de US$ 84,051 bilhões.
“Em 2025, a Argentina terá registrado o segundo maior volume nominal anual de vendas externas de sua história”, destacou o consultor.

Queda de preços é compensada por aumento de volume

Entre novembro de 2024 e novembro de 2025, os preços de exportação apresentaram retração média de 3%. A maior queda foi observada no setor de combustíveis e energia (-8,7%), seguido por produtos primários (-2,6%) e manufaturas de origem agropecuária (-1,6%).

Apesar disso, o volume exportado cresceu expressivos 28%, o que permitiu um avanço de 24% no valor total exportado em relação ao ano anterior. Para dezembro, a previsão é de embarques próximos a US$ 7 bilhões, considerados prudentes pelo relatório.

Perfil das exportações e principais destinos

As manufaturas de origem agropecuária lideraram a pauta exportadora, com 35% do total. Em seguida aparecem as manufaturas industriais (26%), os produtos primários (25%) e combustíveis e energia (13%).

No ranking dos mercados de destino, o Brasil manteve-se como principal comprador, seguido por China, Estados Unidos, Chile e Índia, reforçando a diversificação geográfica das vendas externas argentinas.

Serviços e participação no comércio global

No segmento de exportações de serviços, o valor estimado é de US$ 17,8 bilhões em 2025. Já as importações devem alcançar US$ 30 bilhões, resultando em déficit na conta de serviços. Ainda assim, a participação da Argentina no comércio mundial permanece próxima de 0,3%.

Cenário internacional segue desafiador

O relatório aponta que o comércio global deve superar US$ 35 trilhões em 2025. Mesmo nesse ambiente de crescimento, impulsionado por Ásia Oriental, África e países do Sul Global, a Argentina conseguiu manter sua fatia tradicional, apesar de tensões geopolíticas e do aumento dos custos logísticos.

FONTE: Todo Logistica News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Todo Logistica News

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