Comércio Internacional

Indústria na Argentina recua e importações crescem sob governo Milei, aponta relatório

O encerramento da unidade da Whirlpool em Pilar, na província de Buenos Aires, deixou de ser um caso isolado e passou a refletir uma transformação mais ampla na economia argentina. Levantamento do Instituto de Pensamento e Políticas Públicas indica que empresas vêm substituindo a produção local pela importação de produtos prontos.

A tendência atinge setores relevantes como eletrodomésticos, automóveis, calçados e móveis, impactando diretamente a indústria argentina e o mercado de trabalho.

Abertura comercial e câmbio influenciam cenário

Segundo o relatório, fatores como a abertura comercial, a valorização cambial e a queda do consumo interno tornaram mais vantajoso importar do que manter operações industriais no país. Esse movimento ocorre em um contexto de retração econômica e aumento da insatisfação social.

O presidente Javier Milei reconheceu recentemente as dificuldades enfrentadas pela população, admitindo que o período recente tem sido desafiador.

Caso Whirlpool ilustra avanço das importações

O estudo aponta a Whirlpool como exemplo emblemático dessa mudança. A empresa encerrou sua fábrica em 2025, demitindo cerca de 300 trabalhadores, mas manteve presença no mercado por meio da importação.

As compras externas de máquinas de lavar cresceram significativamente, enquanto a aquisição de insumos para produção local praticamente desapareceu em 2026. Parte da produção foi transferida para o Brasil, reforçando a substituição da manufatura interna por produtos importados.

Importações disparam e produção industrial cai

Dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos mostram queda de 8,7% na produção industrial em fevereiro de 2026, na comparação anual. No acumulado do ano, a retração chega a 6%.

Ao mesmo tempo, as importações de bens de consumo cresceram 44% desde 2023, enquanto a entrada de veículos aumentou mais de 200%. A redução da atividade industrial é ampla, atingindo a maioria dos segmentos.

Setores de calçados e móveis também são afetados

A substituição da produção nacional por importações também se intensificou em outros setores. Empresas ampliaram compras externas de móveis e artigos domésticos, enquanto marcas esportivas aumentaram significativamente a importação de calçados.

No setor calçadista, o crescimento das importações foi acompanhado pelo fechamento de unidades produtivas e perda de empregos, evidenciando o impacto direto na economia industrial.

Margens elevadas e debate sobre lucratividade

O relatório aponta ainda que empresas estariam operando com margens elevadas na venda de produtos importados. Em alguns casos, itens adquiridos por valores baixos no exterior chegam ao consumidor com preços significativamente maiores.

Representantes do setor, no entanto, argumentam que custos adicionais — como logística, impostos e distribuição — reduzem a margem efetiva de lucro.

Desindustrialização aumenta pressão sobre o governo

O avanço das importações e a retração da produção local ampliam o debate sobre desindustrialização na Argentina. O relatório destaca perda acelerada da capacidade produtiva e redução do emprego industrial.

Esse cenário ocorre em paralelo ao aumento da pressão política sobre o governo, diante de uma economia mais dependente de importações e com menor dinamismo interno.

FONTE: Revista Forum
TEXTO: Redação
IMAGEM: Mídia Ninja

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Indústria

Indústria do aço na América Latina se une contra o avanço do aço chinês

O calor intenso da América Latina reflete o clima na indústria siderúrgica, que vive um momento de tensão e união diante de um inimigo comum: o aço chinês. Durante o Alacero Summit, evento que reuniu os principais executivos do setor na região, o tom foi de alerta e mobilização.

“O que está em jogo não é apenas o setor, mas o futuro industrial da América Latina”, afirmou Jorge Oliveira, CEO da ArcelorMittal Brasil e presidente da Alacero (Associação Latino-Americana do Aço). A conferência, que em outros anos abordava temas como inovação e sustentabilidade, se transformou em um palco de resistência ao avanço da China no mercado global de aço.

Exportações chinesas disparam e derrubam preços

Nos últimos dois anos, as exportações de aço da China para a América Latina cresceram 54%, pressionando os preços internacionais. O valor médio da tonelada caiu de US$ 580 em 2023 para US$ 460 em 2024, segundo dados da Alacero.

A China produz cerca de 1,2 bilhão de toneladas de aço por ano, mas consome apenas 800 milhões. “Em 11 horas, a China produz o que a Colômbia faz em um ano. Em 12 dias, chega ao total do Brasil”, comparou Ezequiel Tavernelli, copresidente da Alacero.

Atualmente, quatro em cada dez quilos de aço consumidos na América Latina são importados, e a maior parte tem origem chinesa. Essa enxurrada de produtos começou em 2021, após o estouro da bolha imobiliária na China, que levou o governo de Pequim a inundar o mercado global para manter sua economia ativa.

Política industrial chinesa intensifica a disputa

De acordo com Margaret Myers, diretora do Johns Hopkins Institute, o 15º Plano Quinquenal chinês consolidou a estratégia de exportar o excesso de produção e redirecionar políticas industriais para fora do país. Programas como o Made in China 2025 e a política de “new infrastructure” ampliaram o uso de aço em setores como carros elétricos e energia renovável, aumentando ainda mais a oferta global.

Em 2023, a América Latina recebeu 12% das exportações chinesas de aço, ficando atrás apenas do Sudeste Asiático (30%), Oriente Médio (18%) e África (16%). O resultado foi uma combinação de queda de preços, redução de mercado e desaceleração produtiva nas siderúrgicas locais, que agora enfrentam capacidade ociosa e risco de desindustrialização.

Efeitos econômicos e pressão por medidas urgentes

O impacto já é visível. A produção industrial da Argentina caiu 10% em 2023, enquanto Brasil e Colômbia enfrentam estagnação. Para o setor, sem medidas coordenadas, a pressão chinesa pode ampliar o desemprego e provocar o fechamento de fábricas.

A ArcelorMittal avalia, inclusive, se manterá seu plano de investimentos de até R$ 12 bilhões no Brasil entre 2026 e 2030. “Temos apetite para continuar investindo, mas isso depende do ambiente. Se o governo adotar cotas de importação e tarifas mais altas, o cenário pode ser favorável”, disse Jorge Oliveira.

O consenso entre os executivos é claro: as ações precisam ser rápidas e profundas. Tavernelli defende tarifas de até 50% sobre o aço chinês, a exemplo dos Estados Unidos. “Não há tempo a perder”, alertou.

União entre setores e defesa da competitividade

A preocupação com a concorrência chinesa também atinge outras indústrias. Martin Rappallini, presidente da União Industrial Argentina, destacou que “a China quer avançar em todas as cadeias produtivas, do aço ao plástico”. Ele defende que os países da região imponham limites para proteger o emprego e a geração de valor local.

Na mesma linha, o CEO da Ford América do Sul, Martin Galdeano, defendeu uma parceria mais estreita entre governos e iniciativa privada. Para ele, o desafio vai além de tarifas: é preciso criar regras equivalentes de competição. “Não sou a favor de fechar o mercado, mas queremos jogar uma Copa do Mundo com as mesmas condições, não com uma mochila de chumbo nas costas”, afirmou.

A mensagem do setor é clara: a sobrevivência da indústria latino-americana depende de reação conjunta e políticas firmes contra o aço chinês.

FONTE: Brazil Journal
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Brazil Journal

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Comércio Exterior, Economia, Industria, Informação

Balança comercial tem superávit, mas o que preocupa é a desindustrialização

Até a nossa balança comercial, que era maravilhosa, está sendo afetada. O superávit de 2024 foi bom, não há dúvida: US$ 74,5 bilhões.

Mas ele foi 25% menor que o do ano anterior: em 2023 foram quase US$ 99 bilhões. E o pior de tudo é a desindustrialização do país. A indústria fica cada vez menos importante. Nos anos 80, 90, a indústria significava 35% do PIB, de tudo que era produzido no país. Agora, são 25,5%. A indústria está sendo esmagada pelo sistema tributário do país.

O minério brasileiro vai para a China, para o outro lado do mundo. E, se o Brasil quiser comprar trilhos, compra da China, trilhos feitos com minério brasileiro. Isso quer dizer que não há uma indústria siderúrgica robusta no Brasil. Falta indústria de base, que tenha possibilidade de ter a tecnologia para fazer trilho, e que tenha um mercado. Jorge Gerdau Johannpeter, um dos grandes empresários deste país, dono de siderúrgicas, me disse certa vez que, antes mesmo de produzir a primeira tonelada de aço, ele já estava pagando milhões em impostos. É um desestímulo à produção industrial. É a produção agropecuária, na base, que sustenta o país; parece que essa é a nossa vocação. Mas eu pergunto: será que os produtos industriais chineses vão ser mais comprados no Brasil que os produtos industriais brasileiros? É triste percebermos isso.

 

FONTE: GAZETA DO POVO
Balança comercial tem superávit, mas desindustrialização preocupa

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