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Crise do petróleo global pode ser a pior da história, alerta agência internacional

A atual crise do petróleo pode superar os choques energéticos registrados nas décadas anteriores, segundo avaliação da Agência Internacional de Energia (IEA). O agravamento do cenário está diretamente ligado à guerra no Irã, que já provoca impactos relevantes no fornecimento global de energia.

Historicamente, crises como as dos anos 1970 levaram à adoção de medidas de economia de combustível, incluindo mudanças no transporte e maior eficiência dos veículos. No entanto, especialistas avaliam que o cenário atual é mais grave do que qualquer outro já registrado.

Liberação recorde de petróleo tenta conter preços

Diante da escalada dos preços, a IEA anunciou a liberação de cerca de 400 milhões de barris, um volume inédito, com o objetivo de amenizar os efeitos da crise energética global.

O diretor-executivo da agência, Fatih Birol, afirmou que líderes mundiais ainda não compreenderam plenamente a dimensão do problema. Segundo ele, o mundo enfrenta simultaneamente múltiplos choques energéticos.

“A gravidade da situação não está sendo totalmente entendida. Estamos diante de duas crises do petróleo e uma crise do gás ao mesmo tempo”, alertou.

Preço do petróleo dispara e pressiona economia

Mesmo com sinais diplomáticos envolvendo negociações entre Estados Unidos e Irã, os preços do petróleo Brent ultrapassaram US$ 110 por barril recentemente. Após declarações políticas, houve recuo de cerca de 10%, mas os valores seguem elevados.

Economistas avaliam que o aumento pode gerar efeitos em cadeia, como alta nos preços dos alimentos, pressão sobre políticas de juros e risco de desaceleração econômica. Caso o barril atinja US$ 140, há temor de impacto severo na economia global.

Perdas superam crises anteriores

De acordo com dados apresentados pela IEA, a redução atual na oferta já supera os níveis registrados em crises passadas.

Nas décadas de 1970, os choques de 1973 e 1979 retiraram juntos cerca de 10 milhões de barris diários do mercado. Agora, a perda já chega a aproximadamente 11 milhões de barris por dia.

Além disso, o mercado de gás também sofre forte impacto. Após a guerra na Ucrânia, a redução foi de cerca de 75 bilhões de metros cúbicos. No cenário atual, esse número praticamente dobrou, alcançando cerca de 140 bilhões.

Cadeias globais de suprimentos também são afetadas

A crise não se limita ao petróleo e ao gás. O conflito tem comprometido cadeias essenciais da economia mundial, incluindo o fornecimento de fertilizantes, petroquímicos e outros insumos estratégicos.

O Estreito de Ormuz, rota crucial para o transporte global, concentra grande parte do fluxo de ureia, componente fundamental para a produção agrícola. Interrupções nessa região podem elevar custos e impactar diretamente os preços dos alimentos.

Infraestrutura energética sofre danos significativos

Outro fator de preocupação é a destruição de ativos energéticos. Segundo a IEA, dezenas de instalações — como refinarias, oleodutos e campos de gás — foram danificadas em diversos países.

A recuperação dessas estruturas pode levar tempo, o que indica que os efeitos da crise do petróleo global podem persistir mesmo após o fim do conflito.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Rohan Thomson/Bloomberg/Getty Images/Fortune

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