Agronegócio

Algodão brasileiro lidera exportações mundiais e supera EUA após 20 anos de transformação no agronegócio

O Brasil alcançou um marco inédito no mercado global de algodão, tornando-se o maior exportador da fibra no mundo e ultrapassando os Estados Unidos. A mudança representa uma virada histórica para o agronegócio brasileiro, já que há pouco mais de duas décadas o país ocupava a posição de segundo maior importador do produto.

A liderança chegou antes do previsto pelo setor, que projetava o feito apenas para 2030.

De importador a líder mundial de algodão

Segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o Brasil passou por uma transformação estrutural no setor. Há cerca de 20 anos, o país dependia de importações para suprir o consumo interno da fibra.

A mudança de cenário levou o Brasil ao topo das exportações globais, um movimento considerado raro entre as principais commodities agrícolas, dada a velocidade da evolução produtiva.

Produção de 3,7 milhões de toneladas impulsiona liderança

Na safra 2023/2024, o país produziu cerca de 3,7 milhões de toneladas de algodão em pluma, com aproximadamente 2,6 milhões de toneladas destinadas ao mercado externo, volume suficiente para superar os Estados Unidos.

De acordo com a CNN Brasil, o desempenho foi resultado direto do aumento da produtividade e da expansão da área cultivada, especialmente no Centro-Oeste e no Nordeste.

A antecipação da liderança — prevista inicialmente para 2030 — reforça o avanço acelerado da cadeia produtiva da fibra no país.

Cerrado concentra produção e tecnologia no campo

O principal polo do algodão brasileiro está no Cerrado, com destaque para os estados de Mato Grosso e Bahia. Nessas regiões, o uso intensivo de tecnologia, mecanização e grandes propriedades transformou o bioma em uma das áreas mais produtivas do mundo para a cultura.

A combinação entre clima favorável, escala produtiva e inovação agrícola consolidou o Brasil como referência em produção de fibra de alta qualidade.

Exportações concentram-se na Ásia

A maior parte do algodão brasileiro é destinada ao mercado asiático. Entre os principais compradores estão China, Vietnã, Bangladesh, Turquia e Paquistão, grandes centros da indústria têxtil global.

Esse modelo garante demanda consistente para o produto brasileiro, mas também cria dependência das condições econômicas da Ásia, principal polo consumidor mundial da fibra.

84% da produção tem certificação socioambiental

Um dos diferenciais competitivos do Brasil é o alto índice de sustentabilidade na produção. Segundo a Abrapa, cerca de 84% do algodão brasileiro possui certificação socioambiental, requisito cada vez mais exigido por marcas globais do setor têxtil.

A rastreabilidade e os padrões ambientais reforçam a competitividade do país no mercado internacional, onde consumidores e empresas exigem cada vez mais transparência na cadeia produtiva.

Por que o Brasil assumiu a liderança global

A ascensão brasileira não ocorreu por acaso. Enquanto os Estados Unidos enfrentaram limitações climáticas e concorrência com outras culturas agrícolas, o Brasil ampliou área plantada e elevou a produtividade de forma contínua.

O uso intensivo de tecnologia, mecanização e gestão eficiente reduziu custos e aumentou a escala de produção, criando excedentes exportáveis que colocaram o país à frente do tradicional líder global.

Paradoxo do setor: exporta fibra, importa roupas

Apesar da liderança na produção, o Brasil enfrenta um desequilíbrio estrutural na cadeia têxtil. Segundo a CNN Brasil, a indústria nacional consome apenas entre 700 mil e 750 mil toneladas de algodão por ano, enquanto produz milhões.

Na prática, o país exporta a matéria-prima e importa grande parte dos produtos finais, como roupas e tecidos industrializados.

Esse descompasso evidencia um desafio da cadeia produtiva: ampliar a agregação de valor e fortalecer a indústria de transformação no território nacional.

Liderança ainda pode oscilar no mercado global

Mesmo com o avanço recente, especialistas e entidades do setor apontam que a liderança não é definitiva. A Abrapa avalia que Brasil e Estados Unidos devem alternar posições ao longo dos próximos ciclos, em um cenário de disputa constante pela liderança global do algodão.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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Comércio Internacional

Preços do açúcar, café e cacau avançam com onda de calor na Europa e efeitos do El Niño

Os mercados internacionais de açúcar, café e cacau encerraram a semana sob forte influência das condições climáticas. A combinação da intensa onda de calor na Europa com as preocupações em torno do El Niño elevou a percepção de risco para a oferta global das commodities agrícolas, impulsionando as cotações, principalmente do açúcar e do cacau.

Clima extremo sustenta alta do açúcar

Os contratos futuros do açúcar bruto negociados na ICE fecharam em alta de 3,2%, cotados a 13,98 centavos de dólar por libra-peso, depois de atingirem o maior nível em cerca de duas semanas e meia, de 14,09 centavos. No acumulado da semana, o avanço foi de 2,8%.

Segundo analistas do mercado, a valorização reflete a preocupação com o clima em importantes regiões produtoras. A severa onda de calor registrada na Europa, a redução de aproximadamente 42% nas chuvas de monção na Índia e o tempo quente e seco na Tailândia reforçam os temores de impactos sobre a produção mundial.

Apesar desse cenário, a queda dos preços da energia limita ganhos mais expressivos. Isso porque o petróleo mais barato aumenta a tendência de destinar uma parcela maior da cana-de-açúcar para a fabricação de açúcar, reduzindo o uso da matéria-prima na produção de etanol.

Já o açúcar branco registrou valorização de 4,3%, encerrando o dia cotado a US$ 464 por tonelada, após alcançar o maior patamar em quase três meses. Na semana, o produto acumulou alta de 5,2%, favorecido pelas dificuldades climáticas enfrentadas pela Europa.

El Niño mantém mercado de café em alerta

No mercado de café, os contratos do robusta recuaram 1%, encerrando a sessão a US$ 3.627 por tonelada. Mesmo com a queda diária, especialistas destacam que o El Niño continua sendo um importante fator de sustentação dos preços, devido ao risco de temperaturas elevadas e menor volume de chuvas no Sudeste Asiático e na Índia, regiões estratégicas para a produção da variedade.

O café arábica também registrou baixa de 1,2%, sendo negociado a US$ 2,732 por libra-peso, após renovar recentemente a máxima de quase seis semanas.

No Brasil, as chuvas associadas ao fenômeno climático provocaram atrasos na colheita e afetaram parte da qualidade dos grãos. Ainda assim, a expectativa permanece positiva para uma safra robusta do maior produtor mundial de arábica. A previsão de melhora nas condições climáticas ao longo dos próximos dias deve favorecer o avanço dos trabalhos no campo.

Cacau acumula forte valorização na semana

O cacau foi uma das commodities de maior destaque no período. Em Londres, os contratos fecharam em queda de 2,8%, cotados a £ 3.820 por tonelada, mas encerraram a semana com valorização acumulada de 16%.

Em Nova York, os contratos recuaram 2,9% no fechamento diário, para US$ 5.095 por tonelada. No entanto, o saldo semanal foi expressivo, com alta de 20%.

De acordo com análises do mercado, a valorização do cacau reflete a transição para uma fase ativa do El Niño, a redução das tensões geopolíticas no Oriente Médio e o desenvolvimento mais lento da safra principal 2026/27 na África Ocidental. Apesar disso, instituições financeiras ainda projetam um excedente de produção para a temporada e avaliam que parte do prêmio de risco associado ao fenômeno climático pode estar acima do necessário.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Infomoney

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Agronegócio

Mercado de soja mantém ritmo forte com demanda aquecida e dólar favorável às exportações

O mercado de soja continua registrando forte movimentação no Brasil, sustentado pelo aumento da demanda internacional e pela maior participação das indústrias nacionais nas compras da oleaginosa. Mesmo com o ritmo acelerado das negociações, a ampla oferta global segue limitando ganhos mais expressivos nas cotações.

Segundo análises do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a competitividade da soja brasileira ganhou impulso nas últimas semanas com a valorização do dólar frente ao real. O movimento torna o produto nacional mais atrativo para compradores estrangeiros e favorece o desempenho das exportações.

Apesar desse ambiente positivo, o elevado volume disponível no mercado internacional continua exercendo pressão sobre os preços da commodity.

Oferta global recorde reduz espaço para altas

As perspectivas para a produção mundial reforçam o cenário de abundância. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) revisou para cima sua estimativa para a safra global de soja 2025/26.

A nova projeção aponta produção de 429,2 milhões de toneladas, um volume recorde e cerca de 0,4% superior ao previsto anteriormente. Caso a estimativa se confirme, o resultado também ficará levemente acima da temporada passada.

O aumento da oferta mundial tende a equilibrar o mercado, mesmo diante da demanda consistente observada entre os principais países consumidores.

Brasil deve seguir como maior produtor mundial

A liderança global na produção de soja deve permanecer com o Brasil. De acordo com o USDA, a colheita brasileira poderá atingir 180 milhões de toneladas na safra 2025/26.

O número está alinhado às projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que estima uma produção de 180,25 milhões de toneladas.

Na Argentina, outro importante player do mercado internacional, a previsão foi elevada para 50 milhões de toneladas. O volume representa crescimento de 4,2% em relação à estimativa divulgada no mês anterior, embora ainda permaneça 2,2% abaixo do registrado na safra passada.

Exportações brasileiras devem alcançar 115 milhões de toneladas

Além de liderar a produção, o Brasil deve manter sua posição como principal exportador mundial da oleaginosa.

As projeções do USDA indicam que os embarques brasileiros poderão alcançar 115 milhões de toneladas no ciclo comercial compreendido entre outubro de 2025 e setembro de 2026.

O desempenho reforça a relevância do país no abastecimento global de commodities agrícolas, especialmente em um contexto de demanda firme por parte dos grandes mercados consumidores.

Demanda continua sustentando o setor

Mesmo com a expectativa de uma safra global recorde, a combinação entre câmbio favorável, forte demanda internacional e participação ativa da indústria nacional mantém o mercado brasileiro de soja aquecido.

O cenário aponta para a continuidade de bons volumes de comercialização, consolidando a importância da soja na balança comercial brasileira e no agronegócio nacional.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Canal Rural Mato Grosso

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Tecnologia

Cooxupé investe em logística digital para fortalecer exportações de café brasileiro

A Cooxupé, maior cooperativa de café arábica do Brasil, iniciou um processo de transformação tecnológica para otimizar sua operação logística e reduzir impactos causados por crises globais nas cadeias de suprimentos. A estratégia inclui a adoção de um sistema digital desenvolvido pela Flowls para integrar e monitorar embarques internacionais em tempo real.

A medida busca eliminar processos manuais e a dependência de planilhas, considerados gargalos históricos no setor de exportação de café.

Cooperativa quer reduzir custos e ampliar previsibilidade

Com mais de 20 mil cooperados e presença comercial em cerca de 50 países, a Cooxupé movimenta anualmente mais de 5 milhões de sacas de café. O volume coloca a cooperativa em posição comparável à produção anual de alguns países exportadores.

Apesar da escala, a operação enfrentava desafios relacionados à comunicação entre sistemas internos, transportadoras, terminais portuários e armadores.

Segundo a cooperativa, a digitalização da cadeia logística permitirá maior previsibilidade nos embarques, redução de atrasos e mais eficiência operacional.

Porto de Santos concentra principais gargalos

A logística do café brasileiro para exportação depende fortemente do Porto de Santos, responsável por cerca de 80% do escoamento do produto.

O setor convive há anos com problemas ligados ao tempo de espera, falta de integração de dados e dificuldades de acompanhamento em tempo real das cargas.

Com a nova plataforma, a Cooxupé pretende reduzir a chamada “assimetria de informação”, situação em que falhas ou atrasos na atualização de dados acabam gerando custos extras, multas e problemas contratuais.

“A logística é uma das bases da nossa expansão. Controle e previsibilidade são essenciais para manter a excelência operacional”, afirmou Deivison Ricciardi.

Integração tecnológica melhora gestão de embarques

O sistema implantado conecta diretamente o ERP da cooperativa às informações de terminais portuários e armadores marítimos.

Na prática, a ferramenta permite identificar possíveis atrasos com antecedência e automatizar o gerenciamento de exceções na operação logística.

Entre os principais impactos apontados pela empresa estão:

  • Automatização de alertas sobre status de navios;
  • Redução de lead time no transporte rodoviário e aduaneiro;
  • Integração digital entre despachantes, agentes e operadores logísticos;
  • Centralização das informações em um único fluxo operacional.

Para Anna Valle, a iniciativa representa um avanço importante para o mercado de commodities agrícolas.

“Transformar dados logísticos em inteligência operacional reduz custos e aumenta a competitividade do café brasileiro no mercado internacional”, destacou.

Digitalização acompanha exigências do mercado global

A modernização logística ocorre em um momento em que compradores internacionais ampliam a cobrança por rastreabilidade, eficiência operacional e sustentabilidade nas cadeias de fornecimento.

Ao otimizar rotas, reduzir tempos de espera e melhorar o controle dos embarques, a Cooxupé busca alinhar sua operação às novas exigências do comércio global de commodities.

A expectativa do setor é que investimentos em tecnologia logística se tornem cada vez mais estratégicos para manter a competitividade do agronegócio brasileiro no exterior.

FONTE: Compre Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Compre Rural

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Agricultura

Estreito de Ormuz eleva custos da soja e milho em Mato Grosso

A crise no Estreito de Ormuz já impacta diretamente o agronegócio brasileiro, com reflexos imediatos no custo de produção em Mato Grosso. A escalada das tensões na região, considerada estratégica para o comércio global, provocou aumento nos preços do petróleo, combustíveis e insumos agrícolas, pressionando o planejamento da safra 2026/27.

Alta do diesel encarece operações no campo

Um dos principais fatores por trás da elevação dos custos é o avanço no preço do óleo diesel, essencial para as atividades mecanizadas. Em Mato Grosso, o valor médio do combustível subiu de R$ 6,35 por litro em fevereiro para R$ 7,21 em março, segundo dados oficiais.

Esse aumento impacta diretamente etapas como preparo do solo, plantio e manejo, tornando a produção mais cara e reduzindo a margem do produtor rural.

Fertilizantes lideram pressão nos custos da soja

O custo de produção da soja registrou alta de 6,98% no último mês, chegando a R$ 4.435,40 por hectare. O principal responsável por esse avanço foi o encarecimento dos fertilizantes, que representam quase metade do custo total da cultura.

Os insumos tiveram aumento de 10,77% no período, atingindo R$ 2.071,87 por hectare — um dos maiores níveis já registrados. A valorização está ligada à menor oferta global de nitrogenados e fosfatados, afetada pelas tensões geopolíticas.

Diante desse cenário, especialistas reforçam a necessidade de planejamento estratégico na compra de insumos, como forma de reduzir riscos e evitar prejuízos.

Milho também sofre com piora na relação de troca

A produção de milho segue a mesma tendência de alta nos custos. Para a safra 2026/27, o valor estimado é de R$ 3.686,80 por hectare, avanço de 3,38%.

Os principais aumentos foram observados em:

  • fertilizantes (+5,67%);
  • corretivos e defensivos (+3,12%).

Com o preço médio do milho em R$ 43,48 por saca, o poder de compra do produtor caiu. A relação de troca piorou significativamente, exigindo mais produto para adquirir insumos básicos como ureia, MAP e KCl.

Produtores reduzem compras diante da incerteza

O ambiente de volatilidade tem levado agricultores a adotar uma postura mais cautelosa. O volume de insumos negociados e as importações de fertilizantes no estado estão abaixo do registrado no ano anterior.

Essa retração indica menor apetite por risco, diante da instabilidade dos preços internacionais e da incerteza sobre os custos futuros.

Algodão também registra aumento no custo de produção

A cultura do algodão, que exige alto investimento tecnológico, também foi impactada. O custo da safra 2026/27 subiu 2,64%, alcançando R$ 10.531,50 por hectare.

Já o custo total da produção atingiu R$ 18.630,38 por hectare, revertendo a tendência de queda observada anteriormente.

Os gastos com fertilizantes e corretivos aumentaram 6,27%, influenciados por:

  • restrições na oferta global;
  • elevação dos custos logísticos;
  • mudanças nas rotas comerciais devido à crise no Oriente Médio.

Gestão de risco se torna essencial

Com a alta generalizada dos custos, a rentabilidade do produtor fica mais pressionada, especialmente em culturas intensivas como o algodão. Especialistas destacam que o cenário exige maior atenção à gestão de risco, acompanhamento constante do mercado e estratégias como a compra antecipada de insumos.

A instabilidade no Estreito de Ormuz reforça como fatores geopolíticos podem afetar diretamente o agronegócio brasileiro, elevando custos e exigindo decisões mais estratégicas no campo.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

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Agronegócio

Produtor rural reduz investimentos em Mato Grosso diante de custos elevados e dívidas

O aumento dos custos de produção e as incertezas do mercado estão mudando o comportamento do produtor rural em Mato Grosso. Com margens de lucro apertadas, a estratégia tem sido conter gastos e priorizar apenas o essencial para garantir o próximo ciclo agrícola.

Esse movimento de retração é resultado de uma combinação de fatores, como a queda no preço das commodities agrícolas, o encarecimento dos fertilizantes e o peso das dívidas acumuladas em safras anteriores. O impacto já é percebido além das propriedades rurais, atingindo também as revendas de insumos, que enfrentam uma desaceleração nas negociações.

Produtores priorizam sobrevivência financeira

No dia a dia da lavoura, o cenário é de maior dificuldade. O agricultor Leonardo Lorenzi, que pretende plantar 3.025 hectares de soja, afirma que o momento exige disciplina financeira e foco em práticas de menor custo.

Segundo ele, a nova safra deve ser ainda mais desafiadora que a anterior. Por isso, os investimentos foram limitados à compra de sementes e defensivos agrícolas, enquanto a aquisição de adubo foi adiada na expectativa de melhores պայմաններ de mercado.

Essa mudança revela uma nova mentalidade no campo: mais do que buscar alta produtividade, o objetivo agora é garantir a saúde do caixa e manter a atividade viável.

Rentabilidade passa a ser prioridade

O produtor Flávio Kroling destaca que, após uma safra com retorno praticamente nulo, a preocupação com a rentabilidade agrícola se intensificou. Para ele, produzir mais não significa necessariamente lucrar mais.

A análise do cenário econômico e político se tornou essencial na tomada de decisões, já que qualquer variação pode comprometer os resultados da atividade.

Endividamento pressiona o setor

O alto nível de endividamento rural também limita novos investimentos. De acordo com representantes do setor, muitos produtores ainda lidam com prejuízos de ciclos anteriores, como a safra 2023/24, impactada por fatores climáticos adversos.

Com o aumento dos custos, especialmente de combustíveis, e a baixa nos preços das commodities, a prioridade tem sido reduzir despesas e buscar formas de equilibrar as finanças.

Revendas de insumos sentem desaceleração

A cautela dos produtores já afeta diretamente o comércio de insumos agrícolas. Em regiões como Primavera do Leste, o ritmo de vendas caiu significativamente.

Dados do setor indicam que a comercialização de fertilizantes está bem abaixo da média histórica, reflexo da descapitalização dos produtores e da dificuldade de acesso ao crédito.

Além disso, o custo de produção segue em alta, agravando ainda mais o cenário, principalmente para arrendatários ou agricultores que dependem de financiamento.

Perspectiva é de safra desafiadora

O atual contexto aponta para uma safra marcada por ajustes financeiros e decisões estratégicas mais conservadoras. A busca por eficiência e redução de custos deve guiar o planejamento agrícola nos próximos meses.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

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Agronegócio

Geopolítica no agronegócio: Circuito Aprosoja leva debate global a produtores de Mato Grosso

A relação entre geopolítica e agronegócio será o eixo central da 20ª edição do Circuito Aprosoja MT, que percorrerá diversas regiões produtoras do estado. O cientista político Heni Ozi Cukier, conhecido como Professor HOC, foi escolhido como principal palestrante do evento promovido pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso.

A iniciativa busca aproximar o produtor rural das transformações no cenário internacional, que impactam diretamente o mercado de commodities agrícolas.

Geopolítica aplicada ao campo

Com formação em Resolução de Conflitos e Paz Internacional pela American University, em Washington, HOC acumula experiências em instituições como o Conselho de Segurança da ONU e a Organização dos Estados Americanos (OEA).

Durante as palestras, o especialista abordará o tema “Geopolítica: como o mundo funciona?”, com o objetivo de explicar como crises globais, disputas comerciais e conflitos influenciam fatores como preços agrícolas, logística e exportações.

A proposta é tornar o conteúdo acessível, conectando o cenário internacional à realidade das propriedades rurais de Mato Grosso, permitindo decisões mais estratégicas por parte dos produtores.

Transparência e prestação de contas

Além das palestras, o Circuito Aprosoja também funciona como um canal direto entre a entidade e seus associados. A diretoria apresenta resultados de projetos, investimentos e ações realizadas ao longo do ano.

Esse formato fortalece a transparência no agronegócio e amplia o diálogo com produtores de diferentes regiões do estado.

Evento percorre todas as regiões produtoras

Considerado uma das maiores iniciativas de difusão de conhecimento do setor, o circuito visita os 35 núcleos da Aprosoja MT. O objetivo é fomentar discussões sobre competitividade agrícola, mercado internacional e gestão rural.

Confira a programação do Circuito Aprosoja MT

Região Sul (04 a 08 de maio)

  • 04/05 – Alto Taquari – 18h30
  • 05/05 – Alto Garças – 8h30
  • 05/05 – Rondonópolis – 18h30
  • 06/05 – Jaciara – 18h30
  • 07/05 – Primavera do Leste – 18h30
  • 08/05 – Paranatinga – 8h30
  • 08/05 – Campo Verde – 18h30

Região Norte (18 a 29 de maio)

  • 18/05 – Alta Floresta – 8h30
  • 18/05 – Matupá – 18h30
  • 19/05 – Marcelândia – 18h30
  • 20/05 – Cláudia – 8h30
  • 20/05 – Sinop – 18h30
  • 21/05 – Vera – 8h30
  • 21/05 – Ipiranga do Norte – 18h30
  • 22/05 – Tapurah – 8h30
  • 22/05 – Nova Maringá – 18h30
  • 25/05 – Itanhangá – 18h30
  • 26/05 – Porto dos Gaúchos/Juara – 18h30
  • 27/05 – Sorriso – 18h30
  • 28/05 – Nova Ubiratã – 8h30
  • 28/05 – Lucas do Rio Verde – 18h30
  • 29/05 – Nova Mutum – 18h30

Região Oeste (09 a 13 de junho)

  • 09/06 – Comodoro – 8h30
  • 09/06 – Campos de Júlio – 18h30
  • 10/06 – Sapezal – 8h30
  • 10/06 – Campo Novo do Parecis – 18h30
  • 11/06 – São José do Rio Claro – 18h30
  • 12/06 – Diamantino – 18h30
  • 13/06 – Tangará da Serra – 8h30

Região Leste (15 a 20 de junho)

  • 15/06 – Gaúcha do Norte – 18h30
  • 16/06 – Canarana – 18h30
  • 17/06 – Querência – 18h30
  • 18/06 – Porto Alegre do Norte/Confresa – 18h30
  • 19/06 – Água Boa – 18h30
  • 20/06 – Nova Xavantina – 8h30

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Aprosoja MT

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Comércio

Comercialização de grãos em Mato Grosso tem cautela e oscilação de preços em 2026

A comercialização de grãos em Mato Grosso segue em ritmos distintos em março de 2026, marcada por cautela dos produtores e variações nas cotações. Enquanto soja e milho avançam nas vendas da safra 2025/26, mas ainda abaixo da média histórica, o algodão ganha destaque com valorização e maior liquidez no mercado.

Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária indicam que o cenário reflete incertezas econômicas e geopolíticas, influenciando diretamente o comportamento dos produtores e os preços das commodities.

Soja avança, mas enfrenta pressão nos preços

A venda da safra 2025/26 de soja em Mato Grosso alcançou 63,31% da produção estimada. O índice supera os 58,98% registrados no mesmo período de 2025, mas ainda fica abaixo da média histórica de 64,76%.

O preço médio da saca encerrou março em R$ 105,54, recuo de 1,53% em relação ao mês anterior. Segundo o Imea, boa parte do volume negociado decorre de contratos fechados anteriormente, já que os produtores evitam novas negociações diante de um mercado considerado pouco atrativo.

Venda antecipada desacelera no mercado da soja

A comercialização futura da soja (safra 2026/27) também mostra desaceleração. Até o momento, 7,31% da produção projetada foi negociada, com preço médio de R$ 108,36 por saca.

Apesar do avanço, o percentual está bem abaixo da média dos últimos cinco anos (13,56%) e do registrado no mesmo período do ciclo anterior (8,10%). O comportamento reforça a postura mais conservadora do produtor rural diante da volatilidade.

Milho segue tendência semelhante

No caso do milho em Mato Grosso, a comercialização da safra 2025/26 chegou a 40,76%, com crescimento mensal de 5,35 pontos percentuais. O resultado supera o ciclo passado (36,29%), mas ainda não alcança a média histórica de 44,36%.

O preço médio do cereal caiu 1,79% no período, fechando em R$ 44,65 por saca. De acordo com análises técnicas, muitos produtores optaram por travar preços antecipadamente para evitar perdas com a pressão da oferta durante a colheita.

Para a safra 2026/27, as vendas atingem apenas 1,59% do total esperado, indicando ritmo mais lento em comparação ao início do ciclo anterior.

Algodão se destaca com valorização e demanda externa

Na contramão dos grãos, o algodão em Mato Grosso apresentou desempenho positivo. A arroba foi comercializada a R$ 128,54 em média, alta de 5,50% em março.

A venda da safra 2025/26 alcançou 65,60%, superando com folga a média histórica de 51,85% e os 56,83% registrados no mesmo período de 2025.

O bom desempenho da pluma está ligado ao cenário internacional. A alta do petróleo e a valorização dos contratos na bolsa de Nova York aumentaram a competitividade da fibra natural frente às sintéticas.

Perspectivas dependem do mercado internacional

Para a safra 2026/27 de algodão, a comercialização antecipada soma 13,93%, ligeiramente abaixo do ciclo anterior. Ainda assim, o desempenho segue sustentado por fatores externos.

Segundo o Imea, o comportamento dos preços será determinante para o ritmo dos negócios nos próximos meses. A redução das margens de lucro tem levado produtores a adotar estratégias mais cautelosas.

De forma geral, o cenário das commodities agrícolas em Mato Grosso permanece condicionado à estabilidade das cotações globais e ao avanço das colheitas.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

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Agronegócio

Produtor rural reduz investimentos em Mato Grosso diante de custos elevados e dívidas

O avanço dos custos de produção e a instabilidade no mercado têm levado o produtor rural em Mato Grosso a rever estratégias para a próxima safra. Com margens cada vez mais apertadas, a palavra de ordem no campo passou a ser cautela, priorizando apenas despesas essenciais e reduzindo riscos financeiros.

Cenário de pressão no campo

A retração nos investimentos é resultado de um conjunto de fatores que impactam diretamente a rentabilidade: queda nos preços das commodities agrícolas, alta nos fertilizantes e o acúmulo de dívidas de ciclos anteriores. Esse contexto tem provocado uma desaceleração nas negociações, refletindo não apenas nas propriedades, mas também nas revendas de insumos.

Produtores relatam que o ambiente atual exige mais controle e planejamento. A percepção geral é de que o nível de dificuldade aumentou significativamente para manter a atividade sustentável.

Estratégia: cortar custos e preservar o caixa

Para a próxima temporada, muitos agricultores estão limitando as compras ao básico. O foco deixou de ser exclusivamente a alta produtividade e passou a incluir a preservação do caixa e a redução do endividamento.

Em propriedades de grande escala, decisões como adiar a aquisição de adubos e priorizar insumos essenciais se tornaram comuns. A lógica é simples: se a conta não fechar, será necessário adaptar o manejo à realidade financeira disponível.

Rentabilidade ganha protagonismo

Após uma safra com retorno financeiro praticamente nulo, o debate sobre lucratividade no agronegócio ganhou força. Produtores destacam que altos volumes de produção não garantem resultados positivos se os custos superam as receitas.

A preocupação com variáveis econômicas e políticas também aumentou, já que qualquer oscilação pode impactar diretamente a viabilidade da atividade. O ano de 2026, nesse contexto, surge como um período de reavaliação dentro das propriedades rurais.

Endividamento preocupa setor

O peso das dívidas acumuladas, especialmente após ciclos afetados por adversidades climáticas como o El Niño, tem sido um dos principais entraves. Com combustíveis caros e preços das commodities em baixa, a prioridade passou a ser reduzir despesas e buscar equilíbrio financeiro.

A estratégia predominante entre os produtores é investir o mínimo possível, garantindo a continuidade da produção enquanto tentam amortizar débitos anteriores.

Revendas de insumos em alerta

A cautela no campo já impacta diretamente o setor de distribuição. Em importantes polos agrícolas de Mato Grosso, o ritmo de vendas desacelerou de forma significativa, especialmente no segmento de fertilizantes.

Dados do setor indicam que a comercialização está bem abaixo da média histórica para o período. Além disso, o aumento do custo de produção — que pode chegar a mais de um terço em relação ao ano anterior — agrava ainda mais a situação, principalmente para produtores que dependem de crédito ou operam em áreas arrendadas.

O cenário atual é considerado mais desafiador do que o observado anteriormente, acendendo um sinal de alerta para toda a cadeia do agronegócio brasileiro.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

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Agronegócio

Exportações do agronegócio batem recorde e somam US$ 38,1 bilhões no 1º trimestre

O agronegócio brasileiro alcançou um novo marco no comércio exterior ao registrar US$ 38,1 bilhões em exportações no primeiro trimestre deste ano. O resultado, divulgado pelo Ministério da Agricultura, representa o maior valor já registrado para o período e indica avanço de 0,9% em relação ao mesmo intervalo de 2025.

Na comparação anual, o crescimento equivale a um acréscimo de US$ 342 milhões frente aos US$ 37,74 bilhões exportados nos três primeiros meses do ano passado. Apesar do avanço, a participação do setor nas exportações totais do país recuou de 49,1% para 46,3%.

Volume maior compensa queda de preços

O desempenho positivo das exportações do agronegócio foi sustentado principalmente pelo aumento de 3,8% no volume embarcado ao exterior. Esse crescimento conseguiu neutralizar a queda de 2,8% nos preços médios dos produtos.

De acordo com a análise técnica, a retração nos preços está ligada à desvalorização de importantes commodities agrícolas, como açúcar bruto, algodão, milho e farelo de soja.

Abertura de mercados impulsiona desempenho

Outro fator relevante para o resultado foi a ampliação do acesso a novos destinos internacionais. Entre janeiro e março, o Brasil abriu 30 novos mercados para produtos do setor, fortalecendo a presença global do agro brasileiro.

Segundo o Ministério da Agricultura, essa estratégia contribui tanto para consolidar mercados já tradicionais quanto para diversificar as exportações, garantindo maior previsibilidade ao comércio exterior.

Complexo soja lidera exportações

Entre os segmentos que mais exportaram no período, destaque para:

  • Complexo soja: US$ 12,13 bilhões (31,8% do total)
  • Carnes: US$ 8,12 bilhões
  • Produtos florestais: US$ 3,94 bilhões
  • Café: US$ 3,32 bilhões
  • Complexo sucroalcooleiro: US$ 2,33 bilhões
  • Cereais, farinhas e preparações: US$ 2,08 bilhões

Juntos, esses setores responderam por 83,8% das exportações do agronegócio no trimestre. Houve ainda recorde nas vendas externas de carne bovina e suína, tanto em valor quanto em volume.

China segue como principal destino

A China manteve a liderança como maior compradora de produtos do agronegócio brasileiro, com US$ 11,33 bilhões importados, o equivalente a 29,8% do total — alta de 4,7% na comparação anual.

Na sequência aparecem:

  • União Europeia: US$ 5,67 bilhões (14,9%)
  • Estados Unidos: US$ 2,24 bilhões (5,9%)

Também foi registrado aumento nas exportações para países como Índia, Filipinas, México, Tailândia, Japão, Chile e Turquia.

Importações caem, mas fertilizantes sobem

As importações do agronegócio somaram US$ 5,014 bilhões no trimestre, queda de 3,3% em relação ao ano anterior. Em contrapartida, as compras de fertilizantes cresceram 23,9%, alcançando US$ 3,06 bilhões.

Já os gastos com defensivos agrícolas apresentaram recuo de 11,5%, totalizando US$ 891,4 milhões.

Superávit comercial do agro cresce

Com exportações em alta e importações em queda, o saldo da balança comercial do agronegócio atingiu superávit de US$ 33,073 bilhões no primeiro trimestre, acima dos US$ 32,562 bilhões registrados no mesmo período de 2025.

O resultado reforça a relevância do setor no cenário internacional, sustentado por produtividade, tecnologia e capacidade de atender às demandas globais.

FONTE: UOL
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/UOL

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