Internacional

Crise no Estreito de Ormuz ameaça safras agrícolas e pode elevar preços dos alimentos

As restrições ao transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz já começam a afetar as colheitas agrícolas e podem reduzir a produtividade no campo, além de pressionar os preços dos alimentos em diferentes regiões do mundo. O alerta foi feito na quinta-feira por Álvaro Lario, presidente do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), agência vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU).

Em entrevista à Reuters, Lario afirmou que os efeitos das interrupções na passagem marítima começam a se refletir na produção agrícola. Segundo ele, os impactos atingem diferentes etapas da cadeia de abastecimento, desde a aquisição de insumos até a colheita e o transporte dos produtos.

Interrupções no Estreito de Ormuz elevam custos agrícolas

A instabilidade no Estreito de Ormuz tem dificultado o transporte de fertilizantes e contribuído para o aumento dos custos de combustíveis e fretes. Esses fatores, combinados com os efeitos do fenômeno climático El Niño e as interrupções no fornecimento de trigo pelo Mar Negro, ampliam a pressão sobre a cadeia global de alimentos.

O estreito é uma rota estratégica para o comércio internacional de energia e outros produtos essenciais. A intensificação das restrições à navegação ocorre em meio às tensões entre Irã e Estados Unidos.

Teerã tem buscado ampliar o controle sobre a passagem marítima para pressionar Washington, que mantém um bloqueio naval aos portos iranianos.

Menor uso de fertilizantes pode reduzir produtividade no campo

De acordo com o presidente do FIDA, os estoques disponíveis de fertilizantes e combustíveis ajudaram a amortecer os efeitos iniciais da crise. No entanto, a continuidade das incertezas tem levado agricultores a adotar decisões mais cautelosas para os próximos plantios.

Entre as consequências está a redução do uso de fertilizantes agrícolas, medida que pode comprometer o rendimento das lavouras. O encarecimento dos combustíveis também afeta as operações mecanizadas, incluindo a colheita.

A combinação desses fatores aumenta o risco de queda na produção e pode agravar as pressões sobre a oferta mundial de alimentos nos próximos meses.

Preços das commodities agrícolas sobem 13%

Os preços das commodities agrícolas registraram alta de 13% no terceiro trimestre, segundo Lario. A expectativa apresentada pelo dirigente é de novos aumentos no quarto trimestre deste ano e no primeiro trimestre do próximo ano.

O avanço dos custos de produção e transporte pode chegar ao consumidor por meio de alimentos mais caros, especialmente em mercados que dependem de importações para abastecer a população.

Países com forte dependência externa de fertilizantes, combustíveis e alimentos estão entre os mais expostos aos efeitos da crise.

Lario destacou a vulnerabilidade do Sudeste Asiático diante da dependência de combustíveis importados e chamou a atenção para os países do Golfo, que recorrem ao mercado internacional para garantir parte significativa de seu abastecimento alimentar.

Impasse entre Estados Unidos e Irã ameaça segurança alimentar

A crise também levanta preocupações sobre a segurança alimentar na Ásia e na África. Na quarta-feira, um funcionário envolvido em uma proposta de operação apoiada pela ONU para transportar fertilizantes pelo Estreito de Ormuz alertou à Reuters que a falta de um acordo entre Estados Unidos e Irã nas próximas semanas pode desencadear uma crise alimentar em partes desses continentes.

A iniciativa busca viabilizar o fluxo de fertilizantes pela rota marítima, mas seu avanço depende de entendimentos entre os países envolvidos.

Sem uma solução para as restrições logísticas, os custos dos insumos podem continuar elevados, dificultando o acesso de agricultores a produtos essenciais para manter a produção.

Pequenos agricultores podem mudar o tipo de cultivo

Além dos impactos sobre os custos e a produtividade, a instabilidade pode alterar as decisões de plantio de pequenos produtores rurais.

Segundo Lario, diante da incerteza e da necessidade de preservar o fluxo de caixa, agricultores podem abandonar culturas de maior valor agregado que exigem mais tempo para gerar receita.

Em contrapartida, a tendência é que parte desses produtores priorize lavouras com retorno financeiro mais rápido, mesmo que ofereçam menor rentabilidade potencial no longo prazo.

A mudança pode afetar a diversidade da produção agrícola e aumentar os desafios para o abastecimento mundial. Caso as restrições ao transporte marítimo persistam, a combinação de insumos mais caros, menor uso de fertilizantes e alterações nos padrões de plantio poderá intensificar a pressão sobre os preços dos alimentos.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Tita Barros

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Agricultura

ONU alerta para risco de crise alimentar global com bloqueio de fertilizantes no Estreito de Ormuz

A dificuldade de Estados Unidos e Irã em chegar a um acordo para liberar o transporte de fertilizantes pelo Estreito de Ormuz pode desencadear uma crise de segurança alimentar em regiões da Ásia e da África. O alerta foi feito por Jorge Moreira da Silva, subsecretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), diante do risco de perda da temporada de plantio e de aumento dos preços dos alimentos.

Segundo o representante da ONU, um plano internacional para facilitar a circulação de fertilizantes pela região precisa avançar nas próximas semanas. Caso Washington e Teerã cheguem a um entendimento, o mecanismo poderá entrar em operação entre sete e dez dias após a formalização do acordo.

“É absolutamente crucial fechar o acordo nas próximas semanas. Caso contrário, perderemos a época de plantio”, afirmou Moreira da Silva em entrevista em Bangcoc, durante as reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial.

Bloqueio em Ormuz ameaça abastecimento de fertilizantes

Criada pelas Nações Unidas em março, uma força-tarefa trabalha na elaboração de um mecanismo para garantir a passagem de fertilizantes pelo estreito. A iniciativa, no entanto, ainda não saiu do papel devido à falta de entendimento entre os governos dos Estados Unidos e do Irã.

A tensão na região aumentou após os ataques realizados por norte-americanos e israelenses em 28 de fevereiro. Desde então, o governo iraniano busca ampliar seu controle sobre o Estreito de Ormuz, uma rota estratégica utilizada como instrumento de pressão contra Washington, que mantém um bloqueio naval aos portos iranianos.

A Casa Branca, o Departamento de Estado dos Estados Unidos e a Embaixada do Irã em Bangcoc não responderam imediatamente aos pedidos de manifestação sobre a proposta.

Estreito de Ormuz concentra parte importante do comércio mundial

Antes do conflito, o Estreito de Ormuz era responsável pela passagem de aproximadamente um terço da ureia comercializada mundialmente, fertilizante amplamente utilizado na agricultura. A rota também concentrava quase metade do enxofre transportado por via marítima, matéria-prima importante para diferentes atividades industriais, além de ser fundamental para o comércio internacional de petróleo.

De acordo com o Instituto Internacional de Pesquisa em Política Alimentar, sediado em Washington, os embarques de fertilizantes provenientes da região do Golfo continuavam praticamente paralisados mais de seis meses após o início da guerra.

A retomada parcial de algumas operações durante o cessar-fogo registrado entre meados de junho e meados de julho teve impacto limitado sobre o transporte desses insumos, segundo a instituição.

Preços dos alimentos podem disparar com perda da temporada de plantio

A continuidade das restrições à navegação pode pressionar os custos agrícolas e provocar aumentos expressivos nos preços das commodities. Um relatório publicado em agosto pela Câmara de Comércio Internacional estimou que, caso a interrupção persista, os preços poderão subir até:

  • 81% para os cereais;
  • 66% para as culturas oleaginosas;
  • 30% para os produtos de origem animal.

A perda da janela de plantio pode agravar esse cenário, reduzindo a produtividade agrícola e ampliando os custos de produção. O resultado seria uma pressão adicional sobre os preços dos alimentos, especialmente em países mais vulneráveis à escassez de insumos e às oscilações do mercado internacional.

Para Moreira da Silva, a combinação entre a falta de fertilizantes e o atraso no calendário agrícola pode ampliar significativamente os impactos econômicos e sociais da crise.

Plano da ONU prevê passagem de cinco navios por dia

A proposta das Nações Unidas prevê a criação de um centro de coordenação em Omã para registrar embarcações e organizar a travessia segura pelo Estreito de Ormuz.

O sistema também contaria com monitores da ONU em colaboração com autoridades locais nos portos do Golfo, responsáveis por verificar as cargas transportadas. As embarcações seriam rastreadas durante o percurso, com possibilidade de inspeções adicionais em caso de suspeitas ou questionamentos sobre a carga.

De acordo com o subsecretário-geral, a circulação de apenas cinco navios por dia seria suficiente para manter o fornecimento de fertilizantes a países que enfrentam necessidades mais urgentes.

A iniciativa foi concebida para funcionar paralelamente às negociações diplomáticas entre Washington e Teerã, sem depender da conclusão de um acordo mais amplo sobre as relações entre os dois países.

Negociações entre EUA e Irã continuam sem avanço

Desde o fracasso de um cessar-fogo provisório firmado em junho, Estados Unidos e Irã vêm trocando propostas por intermédio de outros países. As conversas, porém, permanecem estagnadas diante das condições apresentadas por Teerã e da exigência norte-americana de incluir o programa nuclear iraniano nas negociações desde o início.

A ONU defende que o plano para o transporte de fertilizantes avance mesmo enquanto os dois governos discutem um entendimento abrangente para a região.

A proposta busca evitar que as divergências políticas prolonguem os impactos sobre o abastecimento agrícola e a segurança alimentar. Moreira da Silva, entretanto, não detalhou quais pontos específicos continuam impedindo um acordo.

Crise marítima amplia riscos à segurança alimentar global

Além das restrições no Estreito de Ormuz, outros pontos estratégicos do comércio internacional enfrentam instabilidade. No Mar Negro, embarcações de carga têm sido alvo de ataques, enquanto ações de militantes houthis apoiados pelo Irã ameaçam uma importante rota marítima no Mar Vermelho.

A combinação desses fatores aumenta os riscos para o transporte de mercadorias, fertilizantes, energia e alimentos, em um cenário já pressionado pelas mudanças climáticas.

Segundo Moreira da Silva, a simultaneidade das interrupções em diferentes corredores marítimos pode agravar a situação global. A preocupação da ONU é que a soma desses problemas comprometa a produção agrícola, eleve os preços e aprofunde a insegurança alimentar em regiões dependentes das importações.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Infomoney

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Comércio Exterior

Preços globais dos alimentos atingem maior nível em quase quatro anos, aponta FAO

Os preços globais dos alimentos avançaram em setembro e alcançaram o maior patamar em quase quatro anos, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). O movimento foi influenciado por dificuldades logísticas, incertezas climáticas e mudanças nas perspectivas de oferta de importantes commodities agrícolas.

O Índice de Preços de Alimentos da FAO atingiu 136,0 pontos no mês, acima dos 134,0 pontos registrados em agosto, após revisão. Esse foi o maior resultado desde novembro de 2022.

Clima e problemas logísticos pressionam alimentos

A alta ocorreu em meio à pressão simultânea sobre diferentes mercados agrícolas. O avanço das preocupações relacionadas ao El Niño aumentou os riscos para a produção em importantes regiões produtoras e contribuiu para a elevação das cotações internacionais do açúcar.

Outro fator de pressão foi a redução do comércio pelo Mar Negro, em um cenário marcado pela guerra entre Rússia e Ucrânia. No início de setembro, os contratos futuros de trigo chegaram ao maior nível em três anos.

Segundo Máximo Torero, economista-chefe da FAO, as interrupções no Estreito de Ormuz e no Mar Negro, combinadas aos efeitos climáticos, têm pressionado os custos de energia e transporte, além de importantes commodities alimentares.

A avaliação da entidade é que a permanência dessas condições pode levar o aumento dos custos até os consumidores, principalmente em países com forte dependência das importações de alimentos e energia.

Açúcar registra terceira alta consecutiva

O índice de preços do açúcar teve a maior alta entre os grupos destacados pela FAO. A cotação subiu 6,1% em setembro, na comparação com agosto, marcando o terceiro avanço mensal seguido.

As condições climáticas desfavoráveis foram apontadas como um dos principais fatores por trás do movimento. Os problemas aumentaram a preocupação com a oferta da commodity em importantes regiões produtoras.

Cereais também ficam mais caros

O grupo de cereais registrou alta de 5,1% no índice da FAO durante setembro.

O resultado refletiu, entre outros fatores, as expectativas de produtividade menor para o milho nos Estados Unidos. As dificuldades para o transporte de grãos pelo Mar Negro também contribuíram para aumentar a pressão sobre os preços internacionais.

Já os óleos vegetais apresentaram uma elevação mais moderada, de 0,9%. O óleo de palma teve papel importante nesse avanço, enquanto o mercado monitora os possíveis efeitos do El Niño sobre a produção no Sudeste Asiático.

Na contramão dos demais grupos, o índice de preços das carnes recuou 1,1% em setembro. A queda foi influenciada principalmente pela redução das cotações da carne de frango, associada, em parte, à menor demanda da União Europeia após a adoção de novas regras de importação.

FAO reduz previsão para comércio mundial de cereais

Em outro relatório, a FAO praticamente manteve sua estimativa para a produção mundial de cereais em 2026, projetada em 2,979 bilhões de toneladas.

Apesar de representar uma redução de 2,1% em relação ao recorde alcançado no ano anterior, o volume ainda seria o segundo maior já registrado na série histórica.

Para o comércio mundial de cereais na temporada 2026/27, entretanto, a organização revisou a projeção para baixo. A estimativa ficou 0,7% menor do que a apresentada no mês anterior.

A revisão está relacionada principalmente às perspectivas de redução nas exportações de trigo e milho, diante das restrições ao transporte marítimo na região do Mar Negro.

Transporte e clima aumentam incertezas no mercado

A combinação entre dificuldades de navegação em importantes rotas comerciais e condições climáticas adversas voltou a aumentar a pressão sobre o mercado internacional.

Com os custos de transporte em alta e maior incerteza sobre as próximas safras, a disponibilidade de grãos e outros produtos agrícolas passa a ter peso ainda maior na formação dos preços globais dos alimentos.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Reuters

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Agronegócio

Trigo sobe em Chicago com tensão no Mar Negro e impulsiona soja e milho

As cotações do trigo em Chicago iniciaram a segunda-feira (5) em forte alta, diante do aumento das preocupações com a guerra entre Rússia e Ucrânia e os possíveis impactos sobre o transporte de grãos pelo Mar Negro.

O movimento positivo também influencia os demais mercados agrícolas. Soja e milho operam em alta nesta manhã, acompanhando a valorização do trigo na Bolsa de Chicago.

Trigo registra terceira alta consecutiva

Por volta das 9h08, no horário de Brasília, o contrato do trigo para dezembro de 2026 avançava 10,75 pontos, negociado a US$ 6,93 por bushel.

Entre os demais vencimentos, o contrato para março de 2027 subia 10,25 pontos, para US$ 7,07 por bushel. Maio de 2027 registrava ganho de 9,50 pontos, a US$ 7,13, enquanto julho de 2027 avançava 8,75 pontos, também cotado a US$ 7,13 por bushel.

Com o desempenho desta segunda-feira, o trigo caminha para a terceira sessão consecutiva de valorização.

Guerra aumenta preocupação com exportações pelo Mar Negro

O avanço dos preços está relacionado principalmente aos temores de novos problemas no escoamento de grãos na região do Mar Negro.

Novas indicações de intensificação dos ataques russos contra estruturas da Ucrânia aumentaram as preocupações do mercado sobre possíveis danos à infraestrutura utilizada para o transporte e a exportação de commodities agrícolas.

A região é estratégica para o comércio internacional de trigo. Qualquer interrupção mais significativa nos embarques pode reduzir a oferta disponível no mercado global e aumentar a pressão sobre os preços.

Nos últimos meses, os fluxos de produtos agrícolas pelo Mar Negro já enfrentam restrições relevantes em razão do conflito.

Exportações russas de trigo despencam

Os dados mais recentes reforçam a preocupação dos investidores.

Segundo informações citadas pela Bloomberg, as exportações de trigo da Rússia somaram 1,36 milhão de toneladas em setembro, uma queda de 75% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

A Rússia é um dos principais fornecedores de trigo do mercado internacional. Uma redução significativa em seus embarques tende a aumentar a atenção dos operadores para a disponibilidade global do cereal.

Na Ucrânia, a situação também permanece delicada. Os embarques de grãos ucranianos continuam enfrentando obstáculos provocados por bloqueios e pelos danos registrados em estruturas portuárias e ferroviárias.

Soja e milho acompanham movimento positivo

A alta do trigo também contribui para sustentar os demais grãos negociados na Bolsa de Chicago.

Nesta manhã, soja e milho operavam no campo positivo, acompanhando o movimento do cereal.

Embora cada commodity tenha seus próprios fundamentos de oferta e demanda, o comportamento dos mercados agrícolas em Chicago costuma apresentar alguma influência cruzada, especialmente quando há mudanças relevantes nas perspectivas de oferta e nos riscos geopolíticos.

Neste caso, o aumento das incertezas sobre o comércio de grãos na região do Mar Negro coloca o trigo no centro das atenções e ajuda a dar suporte ao complexo de commodities agrícolas.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Logística

Super Terminais investe R$ 650 milhões e amplia atuação no Arco Norte

O Super Terminais destinou aproximadamente R$ 650 milhões à expansão e modernização de suas operações no Amazonas. O plano inclui melhorias no terminal de Manaus, investimentos em infraestrutura para enfrentar períodos de seca dos rios amazônicos e a expansão dos negócios para o segmento de grãos e fertilizantes por meio do corredor logístico do Arco Norte.

Do montante total, cerca de R$ 400 milhões foram direcionados ao terminal de Manaus, com recursos aplicados em infraestrutura, tecnologia e modernização. Outros R$ 250 milhões foram destinados ao Super Porto Verde, em Itacoatiara, empreendimento voltado à movimentação de commodities agrícolas.

Terminal de Manaus recebe R$ 400 milhões em modernização

Entre os principais investimentos realizados em Manaus está a compra de três guindastes elétricos fabricados na Alemanha, que representou um aporte de R$ 120 milhões.

A estrutura do terminal também passou por ampliação. O píer, que anteriormente contava com quatro berços de atracação, foi expandido para seis berços, aumentando a capacidade operacional da unidade.

Outro projeto em andamento envolve a implantação de uma usina de gás natural, com investimento de R$ 30 milhões. A estrutura será utilizada exclusivamente nas operações portuárias e está sendo desenvolvida em parceria com o Governo do Amazonas e a Cigás.

Segundo o Super Terminais, a substituição do diesel pelo gás natural poderá reduzir as emissões em aproximadamente 17 mil toneladas de dióxido de carbono por ano.

Estrutura busca reduzir impactos da seca na navegação

Os investimentos em infraestrutura também estão relacionados aos desafios enfrentados durante os períodos de vazante dos rios da Amazônia, quando a redução do nível das águas pode limitar a navegação de grandes embarcações.

Além de ampliar a capacidade da operação regular, a empresa mantém uma alternativa para garantir a continuidade do fluxo de cargas do Polo Industrial de Manaus (PIM) em períodos nos quais as condições de navegabilidade dificultem a chegada de grandes navios à capital amazonense.

Super Porto Verde amplia presença no mercado de grãos

Em Itacoatiara, a estratégia de diversificação está concentrada no Super Porto Verde, empreendimento criado para atender à movimentação de commodities agrícolas, principalmente grãos e fertilizantes.

“A criação do Super Porto Verde integra a nossa estratégia para atender ao segmento de commodities agrícolas, respondendo à demanda crescente do corredor logístico do Arco Norte. A estrutura foi concebida para oferecer uma alternativa mais eficiente ao escoamento da produção agrícola brasileira”, afirma Di Gregorio.

O projeto ocupará uma área de 300 mil metros quadrados e tem previsão de gerar 130 empregos diretos e 250 indiretos.

A estrutura terá um píer flutuante de 240 metros e três guindastes elétricos. Juntos, os equipamentos poderão movimentar até 2,1 mil toneladas por hora.

O terminal foi planejado para permitir a operação simultânea de seis barcaças e um navio Panamax de até 50 mil toneladas. A previsão é que o transbordo seja realizado em até 36 horas.

Itacoatiara ganha importância no corredor do Arco Norte

A localização do Super Porto Verde é considerada estratégica para a operação logística. Itacoatiara está próxima à confluência dos rios Amazonas e Madeira, em uma rota utilizada no transporte da produção agrícola do Centro-Oeste para os portos da região Norte.

Com o novo empreendimento, o Super Terminais busca ampliar sua atuação no corredor logístico do Arco Norte e participar do crescimento do fluxo de produtos agrícolas destinados à exportação.

Super Terminais prevê mais de 300 mil TEUs em 2026

O terminal do Super Terminais em Manaus atualmente emprega entre 600 e 700 trabalhadores diretos.

No primeiro semestre de 2026, foram movimentados 138.035 TEUs, medida equivalente à capacidade de um contêiner de 20 pés.

Para o ano inteiro, a empresa projeta ultrapassar a marca de 300 mil TEUs movimentados em 2026.

A expectativa é manter Manaus como principal base operacional do grupo, enquanto os novos investimentos ampliam a presença da empresa no Arco Norte, especialmente nos segmentos de logística portuária, grãos, fertilizantes e commodities agrícolas.

FONTE: Portal BE News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal BE News

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Internacional

Algodão recua em Nova York e acumula perdas de até 8,3% na semana

Os preços do algodão terminaram a última sexta-feira (4) novamente em baixa na Bolsa de Nova York. Todos os contratos acompanhados fecharam o pregão no campo negativo, ampliando as perdas acumuladas ao longo da semana.

O contrato dezembro/26 teve queda de 0,12 cent, equivalente a 0,14%, e encerrou a sessão cotado a 86,33 cents por libra-peso (cents/lb).

Entre os demais vencimentos, o outubro/26 recuou 0,94 cent, ou 1,13%, para 82,42 cents/lb. O março/27 perdeu 0,18 cent, baixa de 0,20%, e terminou em 88,62 cents/lb. Já o maio/27 caiu 0,24 cent, ou 0,27%, fechando a 89,97 cents/lb.

Algodão acumula perdas expressivas na semana

Na comparação com o encerramento da sexta-feira anterior, dia 28, todos os contratos registraram desvalorização.

O vencimento outubro/26 apresentou a maior queda semanal. A cotação passou de 89,92 para 82,42 cents/lb, representando uma perda de 8,34%.

No contrato dezembro/26, o preço caiu de 91,38 para 86,33 cents/lb, acumulando baixa de 5,53% no período.

O março/27 recuou de 93,34 para 88,62 cents/lb, queda de 5,06%, enquanto o maio/27 passou de 94,48 para 89,97 cents/lb, uma desvalorização de 4,77%.

Estimativas de produção pressionam o mercado

De acordo com Jack Scoville, o movimento negativo das cotações está ligado às vendas realizadas após a divulgação de estimativas de produção de algodão pelo setor privado.

O mercado também começa a se posicionar antes da divulgação dos próximos relatórios do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), previstos para a próxima semana. As expectativas em torno dos números oficiais contribuem para aumentar a cautela entre os participantes.

Clima segue no radar dos investidores

Além das projeções de produção, as condições climáticas nas lavouras de algodão continuam sendo acompanhadas pelo mercado. Os impactos de um clima adverso sobre as plantações permanecem entre os fatores de atenção para os preços.

Mesmo com a valorização do dólar americano, que pode influenciar a formação das cotações das commodities, o mercado de algodão manteve a trajetória de queda na sessão.

Bolsa de Nova York terá feriado na segunda-feira

A negociação dos contratos de algodão em Nova York será interrompida na segunda-feira (7). A Bolsa de Nova York permanecerá fechada em razão do feriado do Dia do Trabalho nos Estados Unidos.

As operações serão retomadas após o feriado, com os investidores atentos aos novos dados de produção e às condições das lavouras.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Agronegócio

China e soja brasileira: quem está do outro lado do mercado que movimenta o agronegócio?

A China se tornou muito mais do que o principal comprador de importantes produtos do agronegócio brasileiro. A força do mercado chinês já influencia o ritmo das exportações, a operação de portos e ferrovias e até as referências de preços que chegam às propriedades rurais.

Para o produtor brasileiro, entender o que ocorre no outro lado dessa cadeia deixou de ser apenas uma questão comercial. É uma forma de acompanhar os fatores que podem interferir diretamente na produção de soja, nos custos e na formação de preços.

China se transforma em potência econômica

Em pouco mais de 70 anos, a China passou de um país marcado pela pobreza para uma das principais potências econômicas globais. Em 2025, o PIB da China alcançou 140,2 trilhões de yuans, avanço de aproximadamente 5% na comparação com o ano anterior, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas chinês.

A expansão econômica aumentou a presença do país no comércio internacional e aproximou ainda mais a China do agronegócio brasileiro.

Essa relação é particularmente relevante no mercado de soja brasileira. Todos os anos, milhões de toneladas do grão cruzam o oceano para abastecer a indústria chinesa. Ao mesmo tempo, o Brasil mantém uma forte dependência desse mercado para escoar uma parcela significativa de sua produção.

Para produtores que participaram da expedição da Agrinvest Commodities à China, conhecer o país permitiu observar de perto uma cadeia que está cada vez mais conectada, apesar da distância física.

“Em se tratando de mercado da soja, Brasil e China só têm uma coisa que nos separa: é o oceano. Cinquenta dias de viagem. Na verdade, nós somos o mesmo mercado”, afirma Eduardo Vanin, analista de mercado da Agrinvest Commodities.

China também é importante para os insumos agrícolas

A relação comercial entre os dois países não acontece somente no sentido Brasil-China. Enquanto os produtores brasileiros enviam principalmente commodities agrícolas para o mercado asiático, a China também participa do fornecimento de produtos essenciais para a agricultura brasileira.

O país está entre os principais fornecedores de defensivos agrícolas e de matérias-primas utilizadas na fabricação de fertilizantes destinados ao Brasil.

Segundo Jeferson Souza, analista de fertilizantes da Agrinvest Commodities, existe uma relação de dependência mútua nessa cadeia.

“Nós vendemos para eles a nossa soja, vendemos proteína e compramos deles os nossos insumos”, explica ao Canal Rural Mato Grosso.

O cenário é ainda mais relevante porque o Brasil depende fortemente do mercado externo para atender sua demanda por fertilizantes. A produção nacional representa menos de 20% do volume consumido no país.

Com isso, alterações na oferta internacional ou decisões tomadas por grandes fornecedores podem afetar diretamente os custos da produção brasileira.

Souza destaca que questões envolvendo patentes e políticas adotadas pela China contribuíram, nos últimos anos, para mudanças importantes nos preços de determinados produtos. Assim, movimentos originados no mercado chinês podem chegar ao produtor brasileiro antes mesmo que ele perceba a causa.

China compra cerca de 80% da soja exportada pelo Brasil

A dimensão do mercado chinês fica evidente nos números das exportações. Em 2025, a China comprou 87 milhões de toneladas de soja do Brasil, volume correspondente a aproximadamente 80% das exportações brasileiras do grão naquele ano, conforme dados apresentados durante a expedição acompanhada pela reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

Depois de chegar ao país asiático, grande parte da soja é destinada ao processamento industrial.

O farelo de soja é utilizado principalmente na fabricação de ração animal, enquanto o óleo extraído do grão abastece a indústria alimentícia e outros setores.

A China também produz soja internamente. A colheita nacional é estimada entre 20 milhões e 21 milhões de toneladas.

Há, porém, uma diferença importante entre a produção chinesa e a soja importada em larga escala. A produção doméstica é convencional, ou seja, não transgênica, e uma parcela relevante é destinada diretamente à alimentação humana.

Dos grãos produzidos no próprio país, aproximadamente 14 milhões de toneladas são consumidos internamente.

Tofu, shoyu e outros alimentos fazem parte da dieta chinesa

A soja está presente em diversos produtos tradicionais consumidos na China, entre eles tofu e shoyu, além de outros alimentos derivados do grão.

“Essa soja produzida na China é 100% não GMO, então é soja convencional”, explica Vanin.

O consumo aparece também no dia a dia da população. Júlio Guan, guia turístico que acompanhou a expedição, conta que produtos derivados da soja fazem parte de sua alimentação cotidiana.

“No meu café da manhã eu como frango, suíno e leite de soja e tofu também. Produtor brasileiro que produz muita soja vende para a China, a gente come bastante”, relata.

Conhecer o consumidor chinês pode ajudar o produtor brasileiro

Para quem trabalha no campo, visitar a China significa mais do que conhecer o principal destino da soja exportada pelo Brasil. A experiência permite observar hábitos de consumo, mudanças na indústria e novas exigências que podem, posteriormente, impactar a cadeia produtiva brasileira.

Entender como o grão brasileiro é utilizado na indústria chinesa também ajuda a dimensionar o tamanho e a complexidade da demanda.

Na avaliação de Vanin, acompanhar esse processo amplia a visão do produtor sobre o mercado e permite observar de perto a velocidade das transformações tecnológicas chinesas.

A viagem também revelou uma diferença entre a percepção que parte dos brasileiros tem sobre a China e a realidade encontrada durante a expedição.

O agricultor Adelar José Marafon participou da viagem justamente para conhecer o país pessoalmente e formar sua própria opinião.

“A China na verdade é um tabu muito grande quando se fala dela, porque ela muita coisa é fechada. A gente ouve muitas versões daqui de dentro da China. Então eu estou aqui para realmente tirar as minhas conclusões, para ver o que realmente se fala e o que realmente acontece”, afirma.

China quer manter parceria estratégica com o Brasil

A relação comercial também é considerada estratégica pelo governo chinês. Yin Ruifeng, vice-presidente de dados, analista e representante do Ministério da Agricultura da China, afirma que o país pretende manter uma relação estável com o Brasil nos próximos anos.

A expectativa é de continuidade da demanda por grandes volumes de produtos agrícolas brasileiros, especialmente soja, algodão e açúcar.

Segundo Ruifeng, o Brasil é a principal fonte chinesa de importações dessas commodities a granel, e a intenção é preservar essa participação em patamares elevados.

A representante chinesa também destacou a importância da qualidade e da sustentabilidade para os produtores brasileiros que desejam manter espaço no mercado chinês.

“Continuem produzindo produtos de alta qualidade para aumentar e manter essa boa relação entre a China e o Brasil, e sempre mantenham o desenvolvimento sustentável, uma agricultura e proteção ao meio ambiente”, ressalta.

A mensagem indica que a competitividade brasileira no mercado asiático não deverá depender apenas de volume e preço. Qualidade dos produtos, sustentabilidade no agronegócio e preservação ambiental tendem a ganhar peso nas relações comerciais.

Produtor precisa acompanhar demanda, preços e custos

Para o agricultor brasileiro, acompanhar a China significa observar uma série de fatores que vão muito além da quantidade de soja vendida.

Mudanças no consumo chinês, decisões políticas, disponibilidade de insumos, custos de produção e comportamento dos preços internacionais podem ter reflexos na rentabilidade das lavouras brasileiras.

A expedição da Agrinvest Commodities teve justamente o objetivo de aproximar os produtores da outra ponta da cadeia.

Marcos Araújo, diretor da Agrinvest Commodities, destaca que esse contato permite conectar quem produz àqueles que consomem a produção brasileira.

“Isso nos deixa muito gratificante dessa nossa missão, pela vida também dessa conectividade, trazer a produção com o consumidor, cada vez mais próximo”, avalia.

Para ele, conhecer o mercado chinês ajuda o produtor a identificar para onde a soja está indo e compreender quem está por trás da demanda.

Brasil e China estão ligados pela cadeia da soja

A distância geográfica entre os dois países continua sendo de milhares de quilômetros, mas o agronegócio Brasil-China criou uma conexão cada vez mais estreita.

A soja produzida nas propriedades brasileiras atravessa o oceano para abastecer uma das maiores cadeias industriais e alimentares do planeta. No caminho inverso, decisões tomadas na China podem chegar às fazendas brasileiras por meio de alterações na demanda, nos preços e nos custos dos insumos.

Por isso, compreender quem está do outro lado da cadeia da soja brasileira se tornou cada vez mais importante para o produtor que busca antecipar movimentos do mercado e tomar decisões mais estratégicas.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

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Internacional

Açúcar fecha misto nas bolsas internacionais com sinais de menor oferta na Europa e importação da Índia

Os preços do açúcar terminaram a sessão desta quarta-feira (26) em sentidos opostos nas bolsas internacionais. Em Nova York, as cotações avançaram apoiadas por novas estimativas de queda na produção europeia. Já em Londres, o mercado recuou ao menor patamar em cerca de uma semana e meia diante da expectativa de que a Índia importe menos açúcar do que o volume autorizado pelo governo.

Na Bolsa de Nova York, o contrato com vencimento em outubro subiu 32 pontos e fechou a 17,59 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o açúcar branco para outubro caiu 300 pontos, encerrando a US$ 514 por tonelada.

França prevê forte queda na produção de açúcar

O movimento positivo em Nova York ganhou força após a associação francesa de produtores de beterraba e açúcar (AIBS) sinalizar uma possível redução significativa da produção no país.

A entidade estima que a produção de açúcar da França fique mais de 20% abaixo da média registrada nos últimos cinco anos. O desempenho deve ser afetado pela combinação de seca e um período prolongado de temperaturas elevadas.

Maior produtora de açúcar da Europa, a França tem papel relevante no abastecimento regional. Uma safra menor aumenta as preocupações com a disponibilidade do produto no continente e oferece suporte aos preços internacionais.

Índia pode importar menos açúcar

Em Londres, o cenário foi diferente. As cotações permaneceram sob pressão diante da possibilidade de que a Índia reduza as importações de açúcar em relação ao limite estabelecido pelo governo.

Pessoas familiarizadas com o assunto disseram que as refinarias indianas devem direcionar aproximadamente 350 mil toneladas de açúcar ao mercado doméstico para reforçar a oferta. O volume representa apenas uma parte da cota de 1 milhão de toneladas autorizada para importação.

A autorização foi anunciada na quinta-feira (20) pela Diretoria Geral de Comércio Exterior da Índia. O governo permitiu a entrada de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto com isenção de impostos até 31 de outubro.

A iniciativa busca aumentar a oferta interna e conter os preços em um período de expectativa de maior consumo, impulsionado pela temporada de festas.

Importação indiana chama atenção no mercado global

A decisão ganhou relevância porque a Índia é o segundo maior produtor mundial de açúcar e tradicionalmente atua como exportadora da commodity. O país não registra importações expressivas desde a safra 2017/18.

Caso apenas uma fração da quantidade autorizada seja efetivamente comprada no exterior, o impacto sobre a demanda internacional por açúcar será menor do que o inicialmente projetado.

Esse cenário contribui para pressionar principalmente os contratos negociados em Londres, que refletem as expectativas relacionadas ao equilíbrio entre oferta e demanda no mercado global.

Açúcar corrige ganhos registrados em agosto

A queda desta quarta-feira ocorre após uma forte alta acumulada ao longo de agosto. Na quinta-feira (20), o açúcar negociado em Nova York alcançou o maior preço em 15 meses, enquanto Londres atingiu o nível mais elevado em 17 meses.

Naquele momento, o mercado era sustentado pelas perspectivas de uma oferta global mais apertada. Desde então, os contratos passaram por um movimento de correção, enquanto investidores analisam novas informações sobre produção e consumo nas principais regiões produtoras e consumidoras.

Oferta global continua no radar

Apesar da baixa registrada em Londres, as preocupações com o abastecimento mundial de açúcar continuam presentes.

Os efeitos do clima sobre as lavouras europeias permanecem como um dos principais fatores de atenção, enquanto as perspectivas para produção e consumo na Índia adicionam incertezas ao cenário internacional.

Com isso, o mercado segue dividido entre os sinais de menor oferta em importantes regiões produtoras e as expectativas de demanda, mantendo a volatilidade nos preços do açúcar.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Internacional

Trigo dispara mais de 6% em Chicago com tensão no Mar Negro; milho e soja também sobem

Os preços dos principais grãos negociados em Chicago registraram forte valorização nesta quarta-feira (26). O trigo liderou o movimento, com alta superior a 6%, em meio ao aumento das tensões entre Rússia e Ucrânia e aos riscos para o fluxo de exportações pelo Mar Negro.

A reação também atingiu milho e soja, sustentados pela disparada do trigo e pelas preocupações com a oferta global de commodities agrícolas.

Trigo lidera alta entre os grãos

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros de trigo encerraram o pregão com ganhos acima de 6%. O vencimento para dezembro fechou a US$ 7,48 por bushel, enquanto o contrato para maio terminou em US$ 7,71.

O milho também avançou mais de 2% e renovou máximas de vários anos. Já a soja subiu mais de 1,5%, enquanto o farelo de soja terminou a sessão com valorização superior a 2,5%.

Para Eduardo Vanin, Sênior Agriculture Strategist da Marex e analista de mercado da Agrinvest, o mercado ainda pode não ter incorporado totalmente os impactos da crise logística na região.

“O mercado de grãos ainda não precificou todo o choque logístico na região do Mar Negro”, afirmou Vanin ao Notícias Agrícolas.

Mar Negro volta ao centro das preocupações

O principal fator por trás da disparada do trigo é o agravamento do conflito no Mar Negro. Rússia e Ucrânia estão entre os maiores exportadores mundiais de cereais, e os ataques contra portos e estruturas ligadas ao comércio agrícola elevaram as preocupações sobre o abastecimento internacional.

Os ataques realizados pelos dois países já provocaram interrupções e atrasos em embarques, segundo informações divulgadas ao longo da semana. O momento é particularmente sensível porque coincide com uma importante etapa da temporada de exportações da região.

A ausência de avanços efetivos nas negociações para um cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia também contribui para manter elevado o prêmio de risco embutido nos preços dos grãos.

Ataque a navio amplia risco logístico

Segundo a Bloomberg, a MSC Mediterranean Shipping Co., maior empresa mundial de transporte marítimo de contêineres, interrompeu imediatamente novas reservas de embarques com origem ou destino no porto russo de Novorossiysk depois que um de seus navios foi atingido por um drone.

Outras estruturas russas também teriam sido alvo de ataques recentes, incluindo instalações de armazenamento e refinarias de petróleo. O aumento das ocorrências amplia as incertezas sobre a segurança da infraestrutura e das rotas de transporte na região.

Conflito também afeta mercado de farelo

Embora o trigo seja o produto mais diretamente exposto aos riscos do conflito, os efeitos se propagam para outras commodities.

Um dos principais canais de impacto sobre a soja é o mercado de farelo de girassol. Rússia e Ucrânia têm participação relevante nesse segmento e, juntas, respondem por cerca de 60% das exportações globais do produto.

Para a temporada 2026/27, as estimativas apontam exportações de aproximadamente 3,30 milhões de toneladas pela Ucrânia e 2,80 milhões pela Rússia, em um mercado mundial calculado em cerca de 10,25 milhões de toneladas.

Processamento ucraniano entra no radar

O avanço dos ataques também ameaça a indústria de processamento localizada no sul da Ucrânia. Relatos divulgados localmente indicam paralisações em unidades de extração de óleo e dificuldades para o transporte marítimo de farelo e óleo vegetal.

Esse cenário pode alterar o equilíbrio do mercado de proteínas para alimentação animal. O farelo de girassol compete diretamente com o farelo de soja nas formulações de ração.

Com parte da oferta ameaçada por problemas de produção e logística, compradores, principalmente na Europa, podem recorrer a fornecedores alternativos ou ampliar o uso de farelo de soja.

Soja ganha suporte com mudança na demanda

A possibilidade de menor disponibilidade de farelo de girassol pode favorecer a demanda internacional pelo produto derivado da soja.

Ao mesmo tempo, uma eventual redução na produção de milho dos Estados Unidos tende a apertar o balanço entre oferta e demanda no país e aumentar a disputa por ingredientes utilizados na alimentação animal.

Nesse contexto, o farelo de soja pode ganhar espaço como fonte de proteína. A valorização do milho, por sua vez, eleva os custos de produção de ração e altera a competitividade entre os diferentes componentes utilizados pela indústria.

Milho também encontra apoio nos fundamentos

Além dos efeitos provocados pela crise geopolítica, o milho conta com fatores próprios para sustentar os preços.

As dúvidas sobre o tamanho da safra norte-americana cresceram após os resultados recentes do Pro Farmer Crop Tour e diante da piora das condições das lavouras indicada pelo USDA.

O mercado já havia registrado novas máximas de contrato na terça-feira. Na sessão seguinte, os futuros avançaram novamente e atingiram níveis que não eram observados havia vários anos.

Prêmio de risco permanece nos preços agrícolas

Com portos, terminais, unidades de processamento e rotas marítimas sob ameaça, o Mar Negro volta a ocupar posição central na formação dos preços internacionais das commodities agrícolas.

Enquanto persistirem as incertezas relacionadas ao conflito entre Rússia e Ucrânia, o mercado tende a manter um prêmio de risco sobre trigo, milho e soja.

No caso da soja, a influência ocorre por diferentes caminhos: desde a valorização de trigo e milho até uma possível redução na oferta de farelo de girassol, cenário que pode estimular a procura pelo farelo de soja no mercado global.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Exportação

Exportação de milho do Brasil perde competitividade e embarques desaceleram em agosto

As exportações de milho do Brasil começaram a perder força após um desempenho positivo no primeiro semestre. Segundo análise do Itaú BBA divulgada nesta terça-feira (18), os embarques cresceram 5,8% entre fevereiro e julho, na comparação anual. Em julho, porém, o movimento mudou de direção, com queda de 20% nas vendas externas ante o mesmo mês de 2025.

Embarques de milho devem recuar em agosto

Os dados mais recentes de line up indicam que a desaceleração pode se intensificar neste mês. A estimativa do Itaú BBA é de que o país embarque 5,2 milhões de toneladas de milho em agosto, volume 35% menor que os 8,1 milhões de toneladas exportados em agosto do ano passado.

Para os analistas do banco, o cenário está relacionado principalmente à perda de competitividade do produto brasileiro no mercado internacional de milho.

Milho brasileiro fica mais caro que o de concorrentes

O preço do milho brasileiro está acima das cotações praticadas por importantes concorrentes, como Estados Unidos, Argentina e Ucrânia. Essa diferença pode dificultar a colocação do cereal nacional no exterior e abrir espaço para outros fornecedores.

O Itaú BBA avalia que a situação aumenta o risco de o Brasil perder participação no mercado global de exportação de milho.

Projeção para 2027 pode ser revisada

Apesar da desaceleração dos embarques, o Itaú BBA mantém, por enquanto, a estimativa de 40 milhões de toneladas de milho exportadas pelo Brasil no ciclo de fevereiro de 2026 a janeiro de 2027.

A projeção, entretanto, poderá ser reduzida caso os números de agosto confirmem um desempenho significativamente inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior.

Mercado internacional acompanha Estados Unidos e Mar Negro

No cenário externo, as atenções estão voltadas para a perspectiva de uma safra de milho maior nos Estados Unidos e seus possíveis efeitos sobre os preços internacionais.

Ao mesmo tempo, o mercado segue monitorando os riscos geopolíticos na região do Mar Negro e o comportamento da demanda global, fatores que podem influenciar as cotações e a competitividade dos principais países exportadores.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Wenderson Araújo/CNA

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