Exportação

Exportações brasileiras de pescado para a China crescem e empresas buscam ampliar vendas

As exportações brasileiras de pescado para a China ganharam força nos últimos anos, e empresas do setor querem aproveitar as oportunidades para ampliar sua participação no mercado asiático. A avaliação é de Eduardo Lobo, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), que participa de uma das principais feiras internacionais do segmento na China.

A 29ª edição da China Fisheries & Seafood Expo ocorre entre 28 e 30 de outubro, em Qingdao, na província de Shandong. O evento reúne dez empresas brasileiras, que apresentam seus produtos e negociam com potenciais compradores chineses.

Segundo Lobo, o avanço das vendas está relacionado ao maior conhecimento dos exportadores sobre as exigências dos consumidores locais e à aproximação comercial entre Brasil e China.

Exportações de pescado brasileiro somam US$ 38 milhões em 2026

Entre janeiro e setembro de 2026, o Brasil exportou aproximadamente US$ 38,03 milhões em pescados para a China, totalizando 3,97 mil toneladas embarcadas, conforme dados da Abipesca.

A expansão do comércio também foi favorecida pelo protocolo assinado pelos dois países em 22 de abril de 2025. O acordo ampliou as possibilidades de acesso de produtos da pesca extrativa brasileira ao mercado chinês, desde que sejam cumpridas as exigências sanitárias e regulatórias estabelecidas pelo país asiático.

Para o setor exportador, a ampliação da lista de espécies autorizadas representa uma oportunidade de diversificar os produtos comercializados e conquistar novos clientes.

Ayamo Global Foods registra avanço nas vendas para a China

A ampliação das oportunidades comerciais já se reflete nos resultados de empresas brasileiras. A Ayamo Global Foods estima que suas exportações para a China tenham crescido cerca de 100% desde 2024.

De acordo com Martin Muller, representante da companhia, a autorização para comercializar um número maior de espécies abriu novas perspectivas para os negócios. Antes, as opções disponíveis eram restritas a aproximadamente quatro ou cinco espécies.

A empresa atua no mercado chinês há cerca de sete anos, mas ainda busca aumentar a participação desse destino em suas vendas internacionais.

O peixe-espada é o principal produto enviado pela exportadora ao país asiático. Para atender às preferências locais, o pescado é comercializado congelado, inteiro e sem a retirada da cabeça e das vísceras.

A estratégia da companhia é diversificar os destinos das exportações e reduzir a dependência de outros mercados, aproveitando o potencial de consumo da China.

Frescatto amplia exportações de lagosta brasileira

Outra empresa que aposta no mercado chinês é a Frescatto, que exporta lagostas brasileiras para a China há aproximadamente 15 anos.

Segundo Rafael Barata, diretor de Comércio Exterior da companhia, a lagosta inteira congelada é o principal produto comercializado nesse mercado. Ele destaca que a qualidade do produto brasileiro tem contribuído para ampliar a presença da empresa entre os compradores chineses.

Ao longo dos anos, a companhia vem aumentando os volumes embarcados e fortalecendo o relacionamento com clientes locais.

Para atender às exigências do mercado, a Frescatto adaptou seu processo produtivo. Atualmente, as lagostas chegam vivas à fábrica, onde passam pelo abate e congelamento em poucas horas.

Após o embarque no Brasil, o transporte em contêiner até a China leva cerca de 40 dias.

Feira internacional abre espaço para novos negócios entre Brasil e China

A participação na China Fisheries & Seafood Expo também é considerada estratégica para estabelecer contatos comerciais e identificar oportunidades de expansão.

Durante o evento, a Frescatto busca novos compradores, conhece as demandas dos clientes e recebe sugestões que podem contribuir para o desenvolvimento de produtos e serviços.

Segundo Barata, o interesse de empresas chinesas pelos pescados brasileiros tem aumentado, o que estimula a companhia a ampliar sua oferta no mercado nacional e fortalecer as exportações.

A China já é o principal mercado internacional da empresa, que pretende manter o foco no país asiático e ampliar sua base de consumidores.

Mercado chinês ganha importância para o setor pesqueiro brasileiro

O avanço das vendas de pescado reforça o potencial da relação comercial entre Brasil e China para a indústria pesqueira nacional.

A ampliação do acesso a espécies brasileiras, a adaptação dos processos produtivos às exigências locais e a participação em feiras internacionais são fatores que ajudam as empresas a conquistar espaço no mercado asiático.

Com a demanda por novos fornecedores e a busca por diversificação dos destinos comerciais, exportadores brasileiros trabalham para ampliar as vendas de produtos como peixe-espada e lagosta, fortalecendo a presença do pescado brasileiro no mercado internacional.

FONTE: Portuguese Xinhua
TEXTO: Redação
IMAGEM: Xinhua/Li Aoqiu

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Comércio Exterior

Comércio entre Brasil e China bate recorde e soma US$ 143,3 bilhões em 2026

O comércio entre Brasil e China alcançou níveis históricos nos primeiros nove meses de 2026. As exportações brasileiras para o país asiático, as importações de produtos chineses e a corrente de comércio bilateral registraram recordes entre janeiro e setembro, consolidando a China como principal destino das vendas externas brasileiras e maior fornecedora de produtos ao Brasil.

As exportações brasileiras para o mercado chinês cresceram 12% em relação ao mesmo período de 2025, chegando a US$ 84,7 bilhões. Já as importações avançaram 9,9%, totalizando US$ 58,6 bilhões.

Com isso, a corrente de comércio bilateral — que reúne exportações e importações — atingiu US$ 143,3 bilhões. O Brasil também registrou superávit comercial de US$ 26,1 bilhões na relação com os chineses.

Os dados foram compilados pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), com base em informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Soja, petróleo e minério de ferro lideram exportações brasileiras

As commodities continuam dominando a pauta de exportações do Brasil para a China. Soja, petróleo bruto e minério de ferro, juntos, representam mais de 77% das vendas brasileiras destinadas ao país asiático.

A soja permaneceu na primeira posição, com US$ 30 bilhões em receitas entre janeiro e setembro. A China absorveu 70% de toda a soja exportada pelo Brasil no período.

O petróleo bruto ocupou o segundo lugar, movimentando US$ 21,8 bilhões. O valor representa um aumento de 49% em comparação com os nove primeiros meses de 2025.

Na sequência aparece o minério de ferro, tradicional produto da pauta exportadora brasileira. A carne bovina também figura entre os principais itens vendidos ao mercado chinês, mas sofreu uma retração de 8,5% neste ano, em meio à adoção de uma cota anual de importação estabelecida por Pequim.

Exportações de carne de frango crescem mais de 100%

Enquanto as vendas de carne bovina recuaram, os embarques de carne de frango brasileira para a China apresentaram forte expansão.

Entre janeiro e setembro, as exportações de carne e miúdos de frango aumentaram 113% em valor e 86% em volume. O produto ficou na sétima posição entre os dez principais itens exportados pelo Brasil ao mercado chinês e registrou o maior crescimento proporcional entre eles.

O minério de cobre também apresentou desempenho positivo. Os embarques avançaram 7,8%, garantindo ao produto a oitava colocação no ranking das principais exportações brasileiras para a China.

Sorgo e DDG ganham espaço no mercado chinês

Além dos produtos tradicionais, novas oportunidades começam a surgir na relação comercial entre os dois países. Tulio Cariello, diretor de conteúdo e pesquisa do CEBC, destacou o avanço das vendas de sorgo e de grãos secos de destilaria, conhecidos pela sigla DDG, um subproduto da fabricação de etanol de milho.

Segundo o pesquisador, o crescimento dos embarques está relacionado à implementação de acordos bilaterais que ampliaram o acesso desses produtos brasileiros ao mercado chinês.

O DDG é utilizado principalmente na produção de ração animal. Entre janeiro e setembro de 2026, o Brasil exportou US$ 204 milhões do produto para todos os destinos, dos quais 53% foram destinados à China.

As vendas aos chineses eram pouco expressivas no ano passado, mas ganharam impulso após a assinatura de um protocolo bilateral em maio de 2025. Os embarques efetivos começaram em fevereiro deste ano.

O sorgo, por sua vez, obteve acesso ao mercado chinês por meio de um acordo fitossanitário firmado no fim de 2024. Com a ampliação das oportunidades comerciais, as exportações brasileiras da commodity somaram US$ 170 milhões nos nove primeiros meses de 2026.

Cariello ressaltou que esses avanços são relevantes porque a China busca diversificar seus fornecedores de insumos para alimentação animal, ao mesmo tempo que procura ampliar a produção doméstica.

Exportações de espodumênio avançam 339%

Outro destaque entre as vendas brasileiras foi o espodumênio, mineral utilizado na extração de lítio e associado à crescente demanda chinesa por minerais críticos, fundamentais para diferentes cadeias industriais e tecnologias.

As exportações brasileiras do mineral para a China atingiram US$ 172,3 milhões entre janeiro e setembro, uma alta de 339% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.

O mercado chinês respondeu por 97% das exportações brasileiras de espodumênio, evidenciando a concentração das vendas desse produto no país asiático.

Importações de veículos eletrificados chineses somam US$ 5,9 bilhões

Do lado das importações, os veículos eletrificados chineses estiveram entre os principais destaques do comércio bilateral. A categoria inclui modelos híbridos convencionais, híbridos plug-in e veículos totalmente elétricos.

Após uma sequência de altas mensais no primeiro semestre, as importações recuaram em julho e agosto. Nesse período, o Brasil elevou para 35% a tarifa de importação dos veículos eletrificados, ante alíquotas anteriores de 25% ou 30%, conforme as características dos modelos.

Apesar da mudança tributária, os embarques de veículos chineses voltaram a crescer de forma significativa em setembro.

No acumulado de janeiro a setembro, as compras brasileiras de veículos eletrificados provenientes da China chegaram a US$ 5,9 bilhões, o equivalente a aproximadamente 10% de todas as importações brasileiras originárias daquele país.

Para Cariello, os números indicam que o avanço dos veículos chineses no Brasil não se explica apenas pelas condições tarifárias vigentes no primeiro semestre.

Na avaliação do diretor do CEBC, a tendência é que as vendas continuem crescendo até o fim do ano, impulsionadas pela consolidação das marcas chinesas no mercado brasileiro. Ele também apontou os registros de veículos eletrificados no país como um sinal dessa expansão.

Herbicidas e chips de memória se destacam nas importações

Entre os demais produtos comprados pelo Brasil da China, os herbicidas apareceram na terceira posição entre as dez principais categorias de importação.

No segmento de tecnologia da informação, os chips de memória chamaram a atenção pela diferença entre o volume adquirido e o valor desembolsado.

Embora a quantidade importada tenha diminuído 11% entre janeiro e setembro, o valor das compras avançou 237% no mesmo período.

O resultado evidencia mudanças importantes na composição das importações brasileiras de produtos chineses e reforça a relevância da relação comercial entre as duas economias.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Domingos Peixoto/Agência o Globo

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Agronegócio

China e soja brasileira: quem está do outro lado do mercado que movimenta o agronegócio?

A China se tornou muito mais do que o principal comprador de importantes produtos do agronegócio brasileiro. A força do mercado chinês já influencia o ritmo das exportações, a operação de portos e ferrovias e até as referências de preços que chegam às propriedades rurais.

Para o produtor brasileiro, entender o que ocorre no outro lado dessa cadeia deixou de ser apenas uma questão comercial. É uma forma de acompanhar os fatores que podem interferir diretamente na produção de soja, nos custos e na formação de preços.

China se transforma em potência econômica

Em pouco mais de 70 anos, a China passou de um país marcado pela pobreza para uma das principais potências econômicas globais. Em 2025, o PIB da China alcançou 140,2 trilhões de yuans, avanço de aproximadamente 5% na comparação com o ano anterior, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas chinês.

A expansão econômica aumentou a presença do país no comércio internacional e aproximou ainda mais a China do agronegócio brasileiro.

Essa relação é particularmente relevante no mercado de soja brasileira. Todos os anos, milhões de toneladas do grão cruzam o oceano para abastecer a indústria chinesa. Ao mesmo tempo, o Brasil mantém uma forte dependência desse mercado para escoar uma parcela significativa de sua produção.

Para produtores que participaram da expedição da Agrinvest Commodities à China, conhecer o país permitiu observar de perto uma cadeia que está cada vez mais conectada, apesar da distância física.

“Em se tratando de mercado da soja, Brasil e China só têm uma coisa que nos separa: é o oceano. Cinquenta dias de viagem. Na verdade, nós somos o mesmo mercado”, afirma Eduardo Vanin, analista de mercado da Agrinvest Commodities.

China também é importante para os insumos agrícolas

A relação comercial entre os dois países não acontece somente no sentido Brasil-China. Enquanto os produtores brasileiros enviam principalmente commodities agrícolas para o mercado asiático, a China também participa do fornecimento de produtos essenciais para a agricultura brasileira.

O país está entre os principais fornecedores de defensivos agrícolas e de matérias-primas utilizadas na fabricação de fertilizantes destinados ao Brasil.

Segundo Jeferson Souza, analista de fertilizantes da Agrinvest Commodities, existe uma relação de dependência mútua nessa cadeia.

“Nós vendemos para eles a nossa soja, vendemos proteína e compramos deles os nossos insumos”, explica ao Canal Rural Mato Grosso.

O cenário é ainda mais relevante porque o Brasil depende fortemente do mercado externo para atender sua demanda por fertilizantes. A produção nacional representa menos de 20% do volume consumido no país.

Com isso, alterações na oferta internacional ou decisões tomadas por grandes fornecedores podem afetar diretamente os custos da produção brasileira.

Souza destaca que questões envolvendo patentes e políticas adotadas pela China contribuíram, nos últimos anos, para mudanças importantes nos preços de determinados produtos. Assim, movimentos originados no mercado chinês podem chegar ao produtor brasileiro antes mesmo que ele perceba a causa.

China compra cerca de 80% da soja exportada pelo Brasil

A dimensão do mercado chinês fica evidente nos números das exportações. Em 2025, a China comprou 87 milhões de toneladas de soja do Brasil, volume correspondente a aproximadamente 80% das exportações brasileiras do grão naquele ano, conforme dados apresentados durante a expedição acompanhada pela reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

Depois de chegar ao país asiático, grande parte da soja é destinada ao processamento industrial.

O farelo de soja é utilizado principalmente na fabricação de ração animal, enquanto o óleo extraído do grão abastece a indústria alimentícia e outros setores.

A China também produz soja internamente. A colheita nacional é estimada entre 20 milhões e 21 milhões de toneladas.

Há, porém, uma diferença importante entre a produção chinesa e a soja importada em larga escala. A produção doméstica é convencional, ou seja, não transgênica, e uma parcela relevante é destinada diretamente à alimentação humana.

Dos grãos produzidos no próprio país, aproximadamente 14 milhões de toneladas são consumidos internamente.

Tofu, shoyu e outros alimentos fazem parte da dieta chinesa

A soja está presente em diversos produtos tradicionais consumidos na China, entre eles tofu e shoyu, além de outros alimentos derivados do grão.

“Essa soja produzida na China é 100% não GMO, então é soja convencional”, explica Vanin.

O consumo aparece também no dia a dia da população. Júlio Guan, guia turístico que acompanhou a expedição, conta que produtos derivados da soja fazem parte de sua alimentação cotidiana.

“No meu café da manhã eu como frango, suíno e leite de soja e tofu também. Produtor brasileiro que produz muita soja vende para a China, a gente come bastante”, relata.

Conhecer o consumidor chinês pode ajudar o produtor brasileiro

Para quem trabalha no campo, visitar a China significa mais do que conhecer o principal destino da soja exportada pelo Brasil. A experiência permite observar hábitos de consumo, mudanças na indústria e novas exigências que podem, posteriormente, impactar a cadeia produtiva brasileira.

Entender como o grão brasileiro é utilizado na indústria chinesa também ajuda a dimensionar o tamanho e a complexidade da demanda.

Na avaliação de Vanin, acompanhar esse processo amplia a visão do produtor sobre o mercado e permite observar de perto a velocidade das transformações tecnológicas chinesas.

A viagem também revelou uma diferença entre a percepção que parte dos brasileiros tem sobre a China e a realidade encontrada durante a expedição.

O agricultor Adelar José Marafon participou da viagem justamente para conhecer o país pessoalmente e formar sua própria opinião.

“A China na verdade é um tabu muito grande quando se fala dela, porque ela muita coisa é fechada. A gente ouve muitas versões daqui de dentro da China. Então eu estou aqui para realmente tirar as minhas conclusões, para ver o que realmente se fala e o que realmente acontece”, afirma.

China quer manter parceria estratégica com o Brasil

A relação comercial também é considerada estratégica pelo governo chinês. Yin Ruifeng, vice-presidente de dados, analista e representante do Ministério da Agricultura da China, afirma que o país pretende manter uma relação estável com o Brasil nos próximos anos.

A expectativa é de continuidade da demanda por grandes volumes de produtos agrícolas brasileiros, especialmente soja, algodão e açúcar.

Segundo Ruifeng, o Brasil é a principal fonte chinesa de importações dessas commodities a granel, e a intenção é preservar essa participação em patamares elevados.

A representante chinesa também destacou a importância da qualidade e da sustentabilidade para os produtores brasileiros que desejam manter espaço no mercado chinês.

“Continuem produzindo produtos de alta qualidade para aumentar e manter essa boa relação entre a China e o Brasil, e sempre mantenham o desenvolvimento sustentável, uma agricultura e proteção ao meio ambiente”, ressalta.

A mensagem indica que a competitividade brasileira no mercado asiático não deverá depender apenas de volume e preço. Qualidade dos produtos, sustentabilidade no agronegócio e preservação ambiental tendem a ganhar peso nas relações comerciais.

Produtor precisa acompanhar demanda, preços e custos

Para o agricultor brasileiro, acompanhar a China significa observar uma série de fatores que vão muito além da quantidade de soja vendida.

Mudanças no consumo chinês, decisões políticas, disponibilidade de insumos, custos de produção e comportamento dos preços internacionais podem ter reflexos na rentabilidade das lavouras brasileiras.

A expedição da Agrinvest Commodities teve justamente o objetivo de aproximar os produtores da outra ponta da cadeia.

Marcos Araújo, diretor da Agrinvest Commodities, destaca que esse contato permite conectar quem produz àqueles que consomem a produção brasileira.

“Isso nos deixa muito gratificante dessa nossa missão, pela vida também dessa conectividade, trazer a produção com o consumidor, cada vez mais próximo”, avalia.

Para ele, conhecer o mercado chinês ajuda o produtor a identificar para onde a soja está indo e compreender quem está por trás da demanda.

Brasil e China estão ligados pela cadeia da soja

A distância geográfica entre os dois países continua sendo de milhares de quilômetros, mas o agronegócio Brasil-China criou uma conexão cada vez mais estreita.

A soja produzida nas propriedades brasileiras atravessa o oceano para abastecer uma das maiores cadeias industriais e alimentares do planeta. No caminho inverso, decisões tomadas na China podem chegar às fazendas brasileiras por meio de alterações na demanda, nos preços e nos custos dos insumos.

Por isso, compreender quem está do outro lado da cadeia da soja brasileira se tornou cada vez mais importante para o produtor que busca antecipar movimentos do mercado e tomar decisões mais estratégicas.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

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Informação

Santa Catarina ganha primeira associação de chineses e descendentes

A cidade de Itajaí marcou um momento histórico para a comunidade chinesa em Santa Catarina com a posse da primeira diretoria da Associação de Chineses e Descendentes de SC. A cerimônia, realizada no último sábado, reuniu autoridades municipais, representantes do governo estadual, líderes empresariais e convidados de associações chinesas de outros estados.

Liderança e representatividade

A presidência da associação será conduzida por Dai Zai Mei, responsável por liderar a primeira gestão. O evento contou com a presença dos prefeitos de Itajaí, Navegantes, Balneário Camboriú e Camboriú, além do vice-cônsul da China no Brasil, Xie Yancun. A região de Itajaí concentra a maior comunidade chinesa do estado, reforçando a importância da criação da entidade como espaço de integração cultural, institucional e econômica.

Papel estratégico de Santa Catarina

Durante a solenidade, o vice-cônsul Xie Yancun destacou a relevância estratégica de Santa Catarina nas relações entre Brasil e China. “Santa Catarina é uma porta de entrada essencial para o comércio e o intercâmbio cultural entre os dois países. A fundação da associação oferece à comunidade chinesa um verdadeiro lar, conectando pessoas e fortalecendo os laços locais”, afirmou.

Objetivos da associação

A entidade pretende fortalecer os vínculos entre os chineses que vivem no estado, promovendo união, apoio mútuo e integração com a sociedade catarinense. Além disso, busca incentivar a cooperação econômica, cultural e institucional, criando novas oportunidades de investimentos e parcerias entre Brasil e China.

Oportunidades comerciais

O prefeito de Itajaí, Robison Coelho, lembrou a missão comercial realizada à China em 2025 e destacou o potencial da região na relação bilateral. “A Amfri liderou as importações no Brasil no ano passado, superando US$ 16 bilhões, grande parte envolvendo produtos chineses. Há muitas oportunidades para fortalecer ainda mais os laços comerciais entre nossos países”, afirmou.

FONTE: Diarinho
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Diarinho

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Comércio Exterior

Comércio Brasil–China bate recorde em 2025 e supera em mais do que o dobro as trocas com os EUA

A corrente de comércio entre Brasil e China atingiu um novo recorde histórico em 2025, somando US$ 171 bilhões (cerca de R$ 918,2 bilhões), segundo dados do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). O resultado representa uma alta de 8,2% em relação ao ano anterior e consolida a China como o principal parceiro comercial do país.

O volume negociado com o mercado chinês foi mais que o dobro do registrado com os Estados Unidos, que movimentaram US$ 83 bilhões (R$ 445,7 bilhões) no mesmo período.

Superávit com a China completa 17 anos consecutivos

O Brasil mantém superávits comerciais consecutivos com a China há 17 anos. Em 2025, o saldo positivo chegou a US$ 29,1 bilhões (R$ 156,2 bilhões), equivalente a 43% de todo o superávit brasileiro com o comércio global.

As exportações brasileiras para a China totalizaram US$ 100 bilhões (R$ 537 bilhões), impulsionadas principalmente pelo agronegócio e pela indústria extrativa.

Soja, petróleo e café lideram exportações

A pauta exportadora segue concentrada em soja e petróleo, que continuam como os principais pilares da relação bilateral. A China respondeu por 45% de todo o petróleo exportado pelo Brasil em 2025.

Um dos destaques do ano foi o avanço do café não torrado, cujas exportações dobraram de valor e alcançaram US$ 459 milhões (R$ 2,4 bilhões). Com isso, a China passou a ocupar a posição de segundo maior mercado asiático para o café brasileiro.

Carne bovina cresce, enquanto frango perde espaço

No segmento de proteínas animais, as exportações de carne bovina para a China atingiram um recorde histórico de US$ 8,8 bilhões (R$ 47,2 bilhões), com crescimento próximo de 48%.
Já as vendas de carne de frango recuaram, e a Arábia Saudita assumiu a liderança como principal destino desse produto.

Importações chinesas também atingem patamar histórico

As importações brasileiras da China somaram US$ 70,9 bilhões (R$ 380,7 bilhões), avanço de 11,5% em relação a 2024. O desempenho foi impulsionado, principalmente, pela aquisição de um navio-plataforma de petróleo, avaliado em US$ 2,66 bilhões, e pela forte demanda por veículos híbridos, que totalizaram US$ 1,87 bilhão.

O setor farmacêutico também ganhou destaque, com as importações de insulina crescendo 64 vezes, alcançando US$ 135 milhões.

Comércio com os EUA enfrenta entraves

Enquanto o comércio com a China avança, a relação com os Estados Unidos enfrentou dificuldades em 2025. As sobretaxas impostas durante o governo Trump impactaram cerca de 22% das exportações brasileiras para o mercado americano, o equivalente a US$ 8,9 bilhões sujeitos a tarifas adicionais.

Especialistas avaliam que, embora o Brasil busque diversificar seus parceiros comerciais, o eixo asiático tende a permanecer como destino prioritário da produção nacional. A expectativa é de continuidade da forte dependência chinesa, acompanhada por esforços para ampliar o comércio com países como Argentina e Índia.

Fonte: Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) e Times Brasil

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: REPRODUÇÃO TIMES BRASIL

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