Exportação

Exportações de soja do Brasil para a China enfrentam atrasos após reforço em controles fitossanitários

As exportações de soja do Brasil para a China passaram a enfrentar novos desafios após a adoção de controles fitossanitários mais rigorosos nos embarques destinados ao maior importador mundial da commodity. A intensificação das inspeções foi implementada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária após solicitações das autoridades chinesas.

Segundo fontes do comércio internacional de grãos, as verificações foram ampliadas depois que a Administração Geral das Alfândegas da China identificou problemas recorrentes em cargas provenientes do Brasil, como resíduos de pesticidas, fungicidas, presença de insetos vivos e até danos causados pelo calor nos grãos.

Novas exigências aumentam controle sobre embarques

Com a intensificação das inspeções, importadores chineses passaram a exigir garantias adicionais de qualidade fitossanitária antes da liberação das cargas nos portos brasileiros. Caso irregularidades sejam detectadas na chegada à China, os embarques podem ser bloqueados ou sofrer atrasos no desembaraço.

De acordo com operadores do mercado, as empresas importadoras agora solicitam verificações extras junto aos fornecedores brasileiros para assegurar que a soja exportada esteja livre de problemas sanitários antes do embarque.

Atrasos podem impactar abastecimento chinês

A ampliação dos controles ocorre justamente durante a alta temporada das exportações brasileiras, o que pode reduzir o ritmo de chegada da commodity ao mercado asiático.

Para Cheang Kang Wei, inspeções mais rigorosas e processos de liberação mais demorados nos dois países podem afetar o fluxo logístico. Segundo ele, isso pode desacelerar as entregas principalmente nos meses de março e abril.

Apesar disso, analistas avaliam que o impacto tende a ser limitado, já que a China possui estoques elevados de soja, resultado das compras recordes realizadas no ano anterior.

Possível oportunidade para exportadores dos Estados Unidos

Uma eventual desaceleração nos embarques brasileiros poderia abrir espaço para maior participação da Estados Unidos no mercado chinês. Pequim voltou a comprar soja norte-americana no final de outubro, após um acordo comercial entre os países.

Ainda assim, especialistas acreditam que essa janela pode ser temporária. “Caso haja interrupções no fluxo brasileiro, o impacto tende a estar mais relacionado ao tempo e não necessariamente a uma mudança estrutural nas compras”, avaliou Cheang.

Custos logísticos aumentam com inspeções e fretes mais caros

Além das novas exigências sanitárias, o setor enfrenta aumento nos custos logísticos. O maior tempo de espera para certificação das cargas nos portos brasileiros tem elevado despesas com demurrage, taxa cobrada quando os navios permanecem parados além do período previsto.

Dados da consultoria Mysteel apontam que o frete marítimo para navios Panamax entre o Porto de Santos e os principais portos do norte da China subiu cerca de 24% em março.

Com custos mais altos e controles mais rigorosos, operadores relatam redução nas ofertas de soja brasileira para exportação ao mercado chinês.

Mercado reage com alta no farelo de soja

As dificuldades logísticas já começam a refletir no mercado. Nos primeiros dois meses do ano, as importações de soja da China recuaram 7,8%, influenciadas tanto pela colheita mais lenta no Brasil quanto pelos atrasos no desembaraço alfandegário.

Na Bolsa de Commodities de Dalian, o preço do farelo de soja atingiu recentemente o maior nível desde julho de 2024. Mesmo assim, analistas avaliam que o movimento deve ser temporário.

Para Arlan Suderman, é pouco provável que o Brasil permita uma interrupção significativa nas vendas ao principal destino da soja nacional justamente no pico da temporada de embarques.

FONTE: Forbes
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Adriano Machado

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