Transporte

Corredor marítimo verde: Brasil, Noruega e Holanda avançam em projeto inédito no Atlântico

Brasil, Noruega e Holanda deram mais um passo rumo à descarbonização do transporte marítimo internacional com a apresentação do primeiro estudo de viabilidade técnica e econômica para a criação de um corredor marítimo verde no Atlântico Sul. A proposta busca conectar o Brasil à Europa por meio de rotas operadas com combustíveis de baixa ou zero emissão de carbono.

O estudo foi apresentado na Embaixada da Noruega, em Brasília, e aponta caminhos para reduzir o impacto ambiental do transporte marítimo entre os países.

Transporte marítimo gera milhões de toneladas de CO₂

De acordo com o levantamento, as operações marítimas entre Brasil e Europa emitiram aproximadamente 4,7 milhões de toneladas de CO2 equivalente em 2023.

Somente nas rotas entre Brasil e Noruega, 88 viagens de grandes cargueiros foram responsáveis pela emissão de 116 mil toneladas de CO2e. A maior parte das emissões está relacionada ao transporte de commodities como soja, minério de ferro e celulose.

Estudo identifica três rotas prioritárias

O documento foi elaborado pela consultoria norueguesa DNV após mais de um ano de cooperação entre os governos envolvidos.

O estudo definiu três rotas consideradas estratégicas para implantação do corredor verde:

  • Vila do Conde (PA) – Karmøy (Noruega)
  • Santos (SP) – Rotterdam (Holanda)
  • Pecém (CE) – Rotterdam (Holanda)

A rota entre Vila do Conde e Karmøy concentra cerca de 66% das emissões bilaterais entre Brasil e Noruega, segundo os dados apresentados.

Já o corredor entre Pecém e Rotterdam deverá priorizar exportações de hidrogênio verde, amônia verde e ferro verde, alinhadas às metas ambientais da União Europeia.

Combustíveis verdes ainda elevam custos operacionais

O estudo analisou o uso de três alternativas de combustíveis sustentáveis para navegação:

  • Biodiesel (FAME)
  • Amônia verde
  • Metanol verde

Apesar do potencial de neutralização das emissões, operar embarcações com combustíveis verdes ainda apresenta custos superiores aos sistemas convencionais movidos a combustíveis fósseis.

Na rota entre Vila do Conde e Karmøy, por exemplo, o custo do biodiesel pode ficar 43% acima da operação tradicional entre 2026 e 2040. Já o metanol verde pode elevar os gastos em até 109%.

Por outro lado, o biodiesel aparece como alternativa mais viável no curto prazo, já que pode ser utilizado nos motores atuais sem necessidade de grandes adaptações.

Novas regras da IMO podem acelerar transição

A implementação do novo marco regulatório da Organização Marítima Internacional (IMO) deve impulsionar a adoção de combustíveis sustentáveis no setor naval.

O chamado IMO Net-Zero Framework prevê multas para embarcações que ultrapassarem limites de emissão de carbono, com penalidades que podem chegar a US$ 380 por tonelada de CO2e.

Segundo o estudo, essas regras tendem a reduzir gradualmente a diferença de custo entre combustíveis fósseis e opções sustentáveis ao longo dos próximos anos.

Brasil aposta em energia renovável e infraestrutura portuária

A parceria internacional se apoia nas características complementares dos três países envolvidos.

O Brasil entra no projeto com uma matriz energética majoritariamente renovável e portos estratégicos como Santos, Pecém, Itaqui, Açu, Rio Grande e Navegantes.

A Noruega contribui com tecnologia marítima avançada e experiência em soluções para navegação sustentável. Já a Holanda oferece a estrutura logística do porto de Rotterdam, considerado um dos maiores da Europa.

Falta de coordenação ainda é desafio para o setor

Especialistas envolvidos no projeto apontam que o principal obstáculo para a criação dos corredores verdes não está apenas nos investimentos, mas também na articulação entre governos, armadores, produtores e operadores portuários.

Entre as recomendações do estudo estão a formação de consórcios internacionais e contratos de longo prazo para dar segurança econômica aos investimentos em infraestrutura e novas embarcações.

O Ministério de Portos e Aeroportos também informou que o Brasil ainda precisa avançar na regulamentação específica para combustíveis sustentáveis voltados ao transporte marítimo.

Países preparam edital bilionário para pesquisa e inovação

Como parte da cooperação, Brasil, Noruega e Holanda estudam lançar ainda em 2026 um edital conjunto de pesquisa e desenvolvimento.

A iniciativa, em parceria com a Finep, poderá destinar cerca de R$ 450 milhões para projetos ligados a combustíveis verdes e tecnologias voltadas à descarbonização das rotas marítimas.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

Ler Mais
Informação

Etanol de milho do Brasil é aprovado pela IMO para uso em navios e ganha vantagem no mercado marítimo

O etanol de milho do Brasil avançou no cenário internacional após obter aprovação da Organização Marítima Internacional para uso no transporte marítimo. A decisão reconhece a baixa pegada de carbono do combustível produzido a partir do milho safrinha, posicionando o país à frente de concorrentes como os Estados Unidos no fornecimento de biocombustíveis marítimos.

Baixa emissão garante destaque ao combustível brasileiro

Segundo critérios técnicos da IMO, o etanol brasileiro de segunda safra recebeu um “valor padrão” de 20,8 gramas de CO₂ equivalente por megajoule. O índice é significativamente inferior ao do bunker, combustível fóssil tradicional utilizado em navios, que registra cerca de 93,3 gramas de CO₂ equivalente.

A avaliação foi destacada pelo representante do Brasil na entidade, Flavio Mathuiy, em entrevista à Bloomberg. Para ele, a aprovação funciona como um sinal claro ao mercado sobre quais combustíveis alternativos podem ser adotados pelas empresas de navegação.

Primeiro combustível com certificação específica

O etanol de milho safrinha produzido no Brasil é o primeiro combustível a receber essa classificação dentro da IMO. Outros combustíveis renováveis ainda precisarão passar pelo mesmo processo regulatório, enquanto a organização trabalha na consolidação de um marco global para redução de emissões no setor naval.

Produção de milho safrinha impulsiona oferta

No Brasil, o milho de segunda safra é cultivado após a colheita da soja, utilizando as mesmas áreas agrícolas. Atualmente, essa modalidade responde por cerca de 80% da produção nacional do grão, o que amplia a disponibilidade de matéria-prima para a produção de etanol sustentável.

Além do etanol de milho, o país também busca aprovação internacional para o uso de etanol de cana-de-açúcar e biodiesel no transporte marítimo.

Transporte marítimo busca reduzir emissões

O setor de navegação global é responsável por aproximadamente 2% a 3% das emissões de gases de efeito estufa no mundo, conforme estudo da IMO. Caso fosse considerado um país, estaria entre os maiores emissores globais, segundo dados do Banco Mundial.

O plano de neutralidade de carbono da IMO foi aprovado em abril de 2025, mas sua implementação completa foi adiada para dezembro de 2026, após pressão dos Estados Unidos. A expectativa é que as novas regras incentivem a substituição do petróleo por alternativas mais limpas no transporte marítimo.

FONTE: CNN
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Valor Econômico

Ler Mais
Sustentabilidade

BNDES amplia apoio ao combustível sustentável para aviação e navegação

A transição para energias renováveis avança em diversas frentes, impulsionada pela necessidade global de reduzir emissões. Tecnologias como energia eólica, solar e o etanol brasileiro já atingiram maturidade comercial. Outras alternativas, porém, seguem como grandes desafios, entre elas o combustível sustentável de aviação (SAF).

Segundo a consultoria Market and Markets, o mercado global de SAF, hoje estimado em US$ 2,06 bilhões, deve saltar para US$ 25,62 bilhões nos próximos cinco anos, refletindo a crescente demanda por soluções de descarbonização no setor aéreo.

Aviação e navegação sob pressão ambiental

O transporte aéreo é essencial para a economia, mas responde por parcela significativa das emissões globais. A navegação, responsável por mais de 80% do comércio internacional, segue o mesmo caminho. Para o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, a pressão global por emissões menores representa também uma oportunidade estratégica para o Brasil.

O diretor de Desenvolvimento Produtivo do BNDES, José Luis Gordon, destaca que aviação e navegação concentram cerca de 5% das emissões mundiais. No transporte como um todo, 20% da poluição vem desses modais. O uso de combustíveis renováveis e derivados de biomassa, resíduos e matérias-primas limpas pode reduzir essas emissões em mais de 90%. O Brasil, afirma ele, reúne condições para liderar essa transição graças ao histórico de desenvolvimento em biocombustíveis.

Papel estratégico do BNDES

Fiel à sua missão desde os anos 1950, o BNDES passou a intensificar sua atuação na agenda ambiental. Após décadas impulsionando indústria, exportações, privatizações e pequenos negócios, a instituição agora dedica parte significativa de seus esforços ao avanço da infraestrutura verde.

Chamada pública mobiliza o setor

Em 2024, o BNDES e a Finep lançaram uma chamada pública para seleção de planos de negócios voltados a combustíveis sustentáveis para aviação e navegação. A iniciativa disponibilizou R$ 6 bilhões em recursos conjuntos para empresas produtoras ou desenvolvedoras de tecnologias limpas.

O edital recebeu 76 propostas, somando potencial de R$ 167 bilhões em investimentos. Do total, 43 projetos focavam em SAF e representaram R$ 120 bilhões, enquanto 33 tinham como objetivo combustíveis marítimos, especialmente o e-metanol, somando R$ 47 bilhões. Após análise, 42 propostas foram enquadradas, prevendo R$ 133 bilhões em investimentos futuros.

Para Gordon, a iniciativa permite acelerar decisões, integrar instrumentos financeiros e incentivar fusões de projetos complementares. Ele destaca ainda o impacto econômico: a cadeia da bioenergia pode gerar até seis vezes mais empregos do que a indústria do petróleo, considerando a quantidade de energia produzida.

Brasil na dianteira da bioenergia

Para Evaristo Pinheiro, presidente da Refina Brasil, o país tem potencial para liderar o mercado global de biocombustíveis, não apenas para consumo interno. Segundo ele, o setor já nasce competitivo e internacionalizado, mas depende de três pilares: reconhecimento internacional da qualidade dos produtos, avanços na regulamentação doméstica e acesso a financiamentos competitivos.

Pinheiro afirma que o apoio do BNDES tem sido decisivo e defende que o país mantenha senso de urgência para assegurar protagonismo no setor.

FONTE: Veja
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Stock

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook