Exportação

Exportação de carnes do Brasil cresce mais de 50% apesar de tarifas dos EUA

Setor dribla barreiras impostas por Donald Trump

Mesmo com a tarifa de 50% aplicada pelos Estados Unidos às carnes brasileiras desde 6 de agosto, as exportações do setor não perderam fôlego. Enquanto as vendas totais do Brasil para o mercado americano recuaram 18% em agosto, o setor de carnes mostrou resiliência e expandiu sua presença em outros destinos internacionais.

Queda para os EUA, salto no mercado global

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), os embarques de carnes para os EUA caíram 46% em agosto, somando US$ 37 milhões. Ainda assim, a perda foi compensada pela forte demanda mundial: as exportações totais de carnes cresceram 56%, alcançando US$ 1,5 bilhão, um dos maiores volumes já registrados.

Dados preliminares de setembro reforçam a tendência. A média diária de exportação de carne bovina foi de R$ 1,6 milhão, alta de 53% em relação ao mesmo período de 2024. O desempenho levou a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) a revisar sua projeção de crescimento anual para 2025 de 12% para 14%.

Demanda aquecida na Ásia e em mercados emergentes

Segundo o presidente da Abiec, Roberto Perosa, o cenário é favorável porque há uma escassez global de carne. “Nossos principais competidores, como Estados Unidos e Austrália, enfrentam dificuldades de produção. Enquanto isso, a demanda cresce, especialmente na Ásia, onde países como Vietnã, Malásia, Indonésia e Filipinas estão aumentando o consumo de carne bovina”, explicou.

A China, que já representa 60% das exportações brasileiras, aumentou as compras em 90% em agosto. Outros mercados também registraram altas expressivas: Rússia (109%), México (300%) e Chile (30%).

EUA continuam estratégicos para o setor

Apesar da expansão em novos destinos, Perosa lembra que o mercado americano segue fundamental:

“Os Estados Unidos eram nosso segundo maior comprador e são altamente rentáveis. Redirecionar as vendas é possível, mas trabalhamos com margens apertadas de 3% a 4%. Perder um mercado que oferece maior rentabilidade impacta todo o sistema de vendas”, afirmou.

FONTE: Veja
TEXTO: Redação
IMAGEM: Paula Bronstein/Getty Images/VEJA

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Importação

Governo prorroga direito antidumping sobre alho importado da China por mais 5 anos

Medida busca proteger produtores nacionais

O governo federal decidiu estender por mais cinco anos o direito antidumping aplicado às importações brasileiras de alho fresco ou refrigerado da China. A prorrogação foi oficializada nesta terça-feira (30) por meio de resoluções do Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex), publicadas no Diário Oficial da União (DOU).

O que é o antidumping

A prática de dumping ocorre quando um país exporta produtos a preços inferiores aos praticados em seu próprio mercado interno, configurando uma forma de concorrência desleal. Essa estratégia pode prejudicar os produtores do país importador ao reduzir artificialmente os preços.

Para neutralizar esses efeitos, governos aplicam taxas adicionais ou definem cotas de importação sobre os produtos estrangeiros que se enquadram nessa prática. No caso do alho chinês, a medida foi considerada necessária para garantir condições justas de competição no mercado brasileiro.

FONTE: Valor Econõmico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Internacional

A China prepara um plano de retaliação antes do prazo dos EUA para a taxa portuária

A China está tomando medidas preventivas contra os planos dos EUA de aumentar taxas portuárias para cargas ligadas à China.

O premier chinês Li Qiang assinou um decreto do Conselho de Estado no fim de semana, que estabelece que a China tomará as contramedidas necessárias contra países ou regiões que imponham ou apoiem proibições discriminatórias, restrições ou medidas semelhantes direcionadas a operadores chineses, embarcações ou tripulações envolvidas no transporte marítimo internacional e serviços relacionados.

O Representante Comercial dos EUA (USTR) deve impor as taxas portuárias a partir de 14 de outubro, embora as regras finais ainda não tenham sido publicadas. A Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP) está trabalhando em um sistema de arrecadação.

A falta de clareza da legislação que está por vir levou alguns a argumentar que, como outras táticas de negociação adotadas pela equipe de comércio de Donald Trump neste ano, o prazo de 14 de outubro pode ser estendido ou até mesmo cancelado.

“Nem todos estão convencidos de que as taxas de atracação portuária do USTR em 14 de outubro para navios e operadores chineses irão se concretizar, já que a questão pode fazer parte das negociações em andamento entre EUA e China”, comentou Judah Levine, chefe de pesquisa da Freightos, plataforma de reservas de contêineres, em nota a clientes no início deste mês.

FONTE: Splash 247
IMAGEM: Reprodução/Splash 247

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Comércio

A agência de comércio do Brasil recomenda a mudança para exportações de alto valor para a China

As commodities ainda dominam o comércio, mas a ApexBrasil vê espaço para crescimento em alimentos processados, comércio eletrônico e produtos sustentáveis

Mesmo com o crescimento da China desacelerando — de taxas de dois dígitos entre 1980 e 2010 para uma projeção de 4,5% a 5% ao ano — o país continua oferecendo ao Brasil oportunidades “escondidas nos grandes números” do comércio de commodities.

Um estudo da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), encomendado pelo Valor, constatou que o ritmo mais lento reflete uma mudança na natureza das oportunidades, e não uma redução em seu número. O novo ciclo de crescimento da China prioriza qualidade em vez de quantidade, criando espaço para o Brasil fornecer bens com maior valor agregado, alinhados ao modelo econômico em evolução do país.

A agência, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e com escritórios na China, vem mapeando oportunidades para exportações e investimentos brasileiros.

A desaceleração da China reflete fatores estruturais, como o envelhecimento da população, a transição para uma economia mais baseada em serviços e inovação, e ajustes internos para reduzir a dependência de gastos pesados em infraestrutura e indústrias de baixa tecnologia.

Mesmo em ritmo mais lento, o crescimento da China permanece entre os mais altos das grandes economias. Em termos absolutos, observou a Apex, isso significa adicionar ao PIB chinês a cada ano o equivalente à economia inteira de um país de médio porte, mantendo a China como um mercado estratégico para o Brasil.

Novos nichos para exportações brasileiras

A atual fase de crescimento da China traz tendências favoráveis aos exportadores brasileiros: a segurança alimentar continua sendo prioridade; a classe média urbana impulsiona a demanda por conveniência e produtos de maior valor; o comércio eletrônico, que respondeu por quase 30% das vendas de bens de consumo em 2024, em um mercado avaliado em US$ 2,22 trilhões, cria visibilidade para café, vinhos e frutas; e há crescente demanda por alimentos naturais e funcionais ligados à saúde e bem-estar.

Embora o comércio bilateral ainda seja dominado por commodities, existem nichos pouco explorados com alto valor agregado. Alimentos processados, produtos de soja, sucos, snacks saudáveis e itens congelados de conveniência poderiam atender às necessidades dos consumidores urbanos chineses. Além da alimentação, cosméticos naturais, vinhos e espumantes, produtos de madeira e design sustentável, biotecnologia e suplementos, energia renovável e minerais estratégicos também apresentam potencial. O Brasil poderia ainda expandir em celulose e bioprodutos, entrando em embalagens sustentáveis e papéis especiais.

A Apex destacou que o Brasil deve olhar além das commodities tradicionais, com o e-commerce como canal estratégico. Os consumidores chineses são cada vez mais exigentes, tornando crucial que o Brasil ofereça produtos que se destaquem em qualidade, inovação e sustentabilidade. Essa mudança beneficiaria não apenas as empresas, mas também as cadeias de suprimento, as comunidades locais e a economia como um todo.

Desafios da diversificação das exportações

Tatiana Prazeres, secretária de comércio exterior do Brasil, afirmou que o perfil de exportações do país para a China já está mudando, embora sem alterar o domínio dos “grandes números”. Com soja, petróleo e minério de ferro ainda respondendo por cerca de 75% das exportações, os ganhos de outros produtos ainda não são visíveis na escala macro acompanhada pelos analistas.

“O Brasil não precisa se contentar em vender soja, petróleo e minério de ferro para a China. Essa realidade muitas vezes é ignorada por quem foca apenas na visão macro”, disse ela em entrevista ao Valor. Ela apontou categorias de exportação que tiveram crescimento dramático de 2024 para 2025: chocolate e preparações à base de cacau, praticamente inexistentes antes, cresceram mais de 1.000%; tubos e conexões de plástico quase 980%; torneiras e válvulas quase 800%; óleos essenciais mais de 100%; e carne bovina congelada cerca de 40%.

Embora pequenos em termos absolutos, esses ganhos podem sinalizar mercados pouco explorados para o Brasil, acrescentou. “Isso não muda nosso perfil geral de exportação para a China, mas para as empresas envolvidas pode ser transformador. Até para cadeias de suprimento e comunidades locais. E, em um contexto global desafiador, encontrar novos destinos é altamente relevante.”

Para Prazeres, o principal desafio está na falta de conhecimento sobre a China. Ela destacou três camadas no comércio exterior: competitividade, apoio à exportação e relacionamento com a China. As duas primeiras são limitadas pelo chamado “custo Brasil”, que afeta todos os mercados. A terceira é única, moldada pela ampla falta de entendimento do mercado chinês. Segundo ela, todas as três devem ser tratadas simultaneamente.

“O setor privado precisa estar mais presente na China. É necessário ter presença física, construir relacionamentos, compreender o ecossistema digital chinês, que é completamente diferente do nosso”, disse. Embora a China seja competitiva em setores industriais, ela não impõe grandes barreiras a produtos industriais, deixando oportunidades que as empresas brasileiras ainda precisam explorar.

Ela afirmou que parcerias público-privadas devem impulsionar esses esforços, já que muitas iniciativas privadas dependem do suporte adequado do governo. Ao mesmo tempo, as próprias empresas devem se engajar para transformar oportunidades em negócios concretos.

Welber Barral, ex-secretário de comércio exterior e sócio da BMJ Consultants, observou que produtos de valor agregado têm forte impacto nas cadeias de suprimento, mas que a responsabilidade inicial recai sobre o setor privado. Por se tratar de uma agenda de nicho, envolve principalmente pequenas e médias empresas (PMEs), ainda inexperientes em exportações. “Acho que falta iniciativa ao setor privado. As empresas ainda olham pouco para o exterior. Poderiam fazer mais e, depois, exigir mais do governo também”, disse.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) destacou que os baixos níveis de inovação do Brasil limitam a capacidade das empresas, especialmente PMEs, de competir em mercados sofisticados que exigem produtos de alta tecnologia e diferenciados. Exportar continua sendo um desafio não apenas por falta de iniciativa ou know-how, mas também por obstáculos externos, como gargalos logísticos, altos custos de transporte, ineficiências portuárias, lacunas de infraestrutura, volatilidade cambial, taxas de juros e a estratégia nacional de comércio ainda recente.

A CNI defendeu parcerias em pesquisa, desenvolvimento e inovação, afirmando que “linhas de financiamento direcionadas, programas de inovação, segurança jurídica e capacitação profissional são condições essenciais”.

Fonte: Valor International
Imagem:  Júlio César Silva/MDIC

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Comércio

BYD foca em internacionalização e espera exportar 20% das vendas globais em 2025

A montadora chinesa de veículos elétricos BYD estima que as exportações respondam por aproximadamente 20% de suas vendas globais em 2025, impulsionadas pelo lançamento de novos modelos, segundo o South China Morning Post nesta segunda-feira (29).

Expectativa de entregas internacionais

De acordo com o jornal, a empresa prevê entre 800 mil e 1 milhão de veículos vendidos fora da China continental no próximo ano, dentro de um total projetado de 4,6 milhões de unidades. A informação foi confirmada por Li Yunfei, gerente-geral de branding e relações públicas da BYD.

Ajuste na meta global de vendas

A projeção reforça reportagem da Reuters, divulgada no início do mês, que apontou redução de até 16% na meta de vendas da BYD para 2025. A revisão reflete o crescimento anual mais lento em cinco anos e sinais de que a fase de expansão acelerada da empresa pode estar se estabilizando.

Internacionalização como estratégia de crescimento

Li Yunfei destacou que “as entregas internacionais terão uma contribuição maior nos próximos anos”, citando que a frota própria de navios porta-carros da BYD tem impulsionado o aumento das exportações.

Em 2024, as vendas fora da China representaram menos de 10% das 4,26 milhões de unidades entregues pela fabricante, segundo o SCMP. A mudança estratégica evidencia o foco crescente da BYD na internacionalização, em meio à intensificação da concorrência no mercado interno chinês de veículos elétricos.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters/Claudia Greco

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Internacional

Ponte mais alta do mundo é inaugurada na China e encurta viagem de horas para minutos

Nova obra em Guizhou desafia recordes de engenharia

A China inaugurou neste domingo (28) a ponte mais alta do mundo. Localizada a 625 metros acima do rio Beipan, a Ponte do Grande Cânion Huajiang, na província de Guizhou, levou três anos para ser concluída e promete transformar a logística da região.

Viagem que levava horas agora dura minutos

O novo projeto reduz drasticamente o tempo de deslocamento em um desfiladeiro que antes exigia duas horas de viagem, agora percorrível em apenas dois minutos. A infraestrutura representa um avanço significativo para o transporte e a conectividade local.

Região de Guizhou se consolida como polo de pontes altas

Curiosamente, a antiga ponte mais alta do mundo, com 565 metros de altura, está a apenas 100 quilômetros da nova construção. Esse dado evidencia o rápido desenvolvimento da província, que abriga quase metade das 100 pontes mais altas do planeta.

Dimensões impressionantes da Ponte do Grande Cânion Huajiang

Com 1.420 metros de comprimento, a ponte é quase dez vezes mais alta que a famosa Ponte Golden Gate, em São Francisco, nos Estados Unidos, reforçando a grandiosidade da obra e a capacidade técnica envolvida na sua construção.

FONTE: InfoMoney
IMAGEM: REPRODUÇÃO / InfoMoney

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Tecnologia

China avança na adoção de robôs em fábricas e deixa EUA para trás

Dados da Federação Internacional de Robótica apontam que mais de dois milhões de robôs já estão sendo utilizados em fábricas chinesas. Apenas no ano passado, o país adicionou mais de 300 mil dispositivos à sua força de trabalho.

Este número é maior do que o restante do mundo combinado. Para se ter uma ideia, os Estados Unidos, principal rival da China na disputa pela hegemonia tecnológica global, disponibilizaram apenas 34 mil máquinas no mesmo período.

China trata os avanços em robótica como estratégia nacional

  • De acordo com reportagem do New York Times, o levantamento revela um domínio completo do setor pelos chineses.
  • Além de fabricar e instalar robôs em fábricas em um ritmo muito maior do que qualquer outro país do mundo, a China está aperfeiçoando os dispositivos.
  • Para isso, Pequim tem estimulado as empresas nacionais a se tornarem líderes em robótica e outras tecnologias avançadas, como semicondutores e inteligência artificial.
  • Os robôs utilizados em fábricas já são capazes de soldar peças de carros, levantar caixas em correias transportadoras e muito mais.

Impulsos para a indústria doméstica

Segundo a publicação, as fábricas chinesas instalaram mais de 150 mil robôs por ano desde 2017. No início de 2025, estes espaços foram responsáveis por quase um terço de todos os produtos manufaturados do mundo, o que faz com que a China supere sozinha os números dos Estados Unidos, Alemanha, Japão, Coreia do Sul e Grã-Bretanha juntos.

Esta estratégia começou em 2015, quando Pequim adotou como prioridade os avanços em robótica. O objetivo era aumentar a produção interna, dependendo menos de produtos manufaturados avançados estrangeiros.

As indústrias chinesas receberam acesso quase ilimitado a empréstimos de bancos controlados pelo Estado a taxas de juros baixas, bem como injeções diretas de dinheiro do governo e outras assistências. Já em 2021, as autoridades chinesas anunciaram um plano nacional para expandir a implantação de robôs.

Os resultados são claros. A participação do país na fabricação mundial de robôs aumentou no ano passado para um terço da oferta global, contra um quarto em 2023. No geral, a China tem cinco vezes mais máquinas trabalhando em suas fábricas do que os Estados Unidos.

Até o ano passado, a China instalava mais robôs importados em suas fábricas. Mas, em 2024, isso mudou: quase três quintos das tecnologias instaladas eram nacionais.

Fonte: Olhar Digital

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Economia

China cobre seus desertos com painéis solares para alimentar sua economia

Em um deserto no norte da China, um mar de painéis solares azuis cobre a areia e se adapta ao relevo das dunas como se fossem ondas. 

“Antes não havia nada aqui (…), estava completamente deserto”, lembra Chang Yongfei, nativo desta região da Mongólia Interior, que costumava trabalhar no setor do carvão, um pilar histórico da economia local. 

A 700 quilômetros de Pequim, centenas de milhares de painéis representam a acelerada transição energética da China, o maior emissor mundial de gases de efeito estufa. 

O presidente chinês, Xi Jinping, comprometeu-se na quarta-feira, em um discurso por videoconferência durante uma cúpula especial da ONU, a reduzir as emissões globais do país entre 7% e 10% até 2035 em relação ao ano de maiores emissões, que acredita-se será 2025. 

Entre 2022 e 2030, as instalações solares nos desertos e áreas áridas terão produzido o triplo da capacidade elétrica de um país como a França, segundo um documento de planejamento. 

Imagens de satélite analisadas pela AFP confirmam a rápida expansão da energia fotovoltaica nos grandes desertos chineses durante os últimos dez anos. 

Em Ordos, no deserto de Kubuqi, visitado por uma equipe da AFP, mais de 100 km² de areia foram cobertos com painéis solares, o que equivale à superfície de cidades como Lisboa ou Paris. 

No entanto, essa opção apresenta inúmeros desafios: as tempestades de areia podem danificar as instalações, e temperaturas muito altas reduzem sua eficácia. 

Além disso, o acúmulo de areia nos painéis exige uma quantidade considerável de água para limpá-los, em áreas que, no entanto, são secas. 

Para mitigar as dificuldades, os painéis utilizados em Kubuqi são equipados com ventiladores capazes de se limparem automaticamente e usam uma tecnologia de dupla face que permite também captar a luz refletida na areia, segundo a imprensa estatal.

– Atração turística –

A distância entre os desertos e os centros de consumo é outro obstáculo. As centrais solares de Kubuqi têm como objetivo abastecer as longínquas regiões de Pequim, Tianjin ou Hebei. 

Existe um risco de “congestionamento nas linhas de transmissão”, indica David Fishman, sócio da consultoria Lantau Group. 

Por isso, várias províncias agora “restringem a aprovação de novos projetos”, acrescenta. 

Também é preciso lidar com o aumento do turismo, impulsionado por vídeos virais de expedições em quadriciclos ou passeios de camelo. 

Ao volante de seu 4×4, Chang Yongfei, que trabalhava na mineração de carvão, agora se dedica a essa atividade para ganhar a vida. 

Seus chalés com vistas panorâmicas para as dunas, a poucos passos do campo solar, são um grande sucesso nas redes sociais. 

“Essa transição [energética] tem sido muito boa para a região”, destaca o homem de 46 anos, embora admita estar “muito preocupado” com a possibilidade de que o campo solar acabe engolindo o deserto e, com ele, a prosperidade turística.

– Manutenção do carvão –

Outras vozes destacam que a intensa produção de energia solar não levou ao abandono do carvão. 

A China lançou, no primeiro semestre de 2025, novas capacidades de produção de eletricidade a partir de carvão nunca vistas desde 2016, segundo um relatório do Centro de Pesquisa sobre Energia e Ar Limpo (CREA, na sigla em inglês) e do Global Energy Monitorl (GEM). 

Ao redor de Kubuqi, caminhões manchados pela fuligem, trens intermináveis cheios de carvão e grandes chaminés testemunham o vigor dessa indústria. 

Por fim, a instalação de grandes campos solares nos desertos lança dúvidas sobre seu impacto no clima, indica Zhengyao Lu, pesquisador da Universidade de Lund. 

Segundo ele, a absorção de calor por grandes superfícies escuras pode modificar os fluxos atmosféricos e ter “efeitos colaterais negativos, como uma redução das chuvas” em outras regiões. 

Em vez de cobrir a maior área possível, ele defende um “desenvolvimento mais inteligente, localizado e organizado”. 

No entanto, os riscos da energia solar “ainda são menores em comparação com os perigos de manter as emissões de gases de efeito estufa”, explicou.

Fonte: AFP

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Negócios

Montadoras chinesas avançam e já superam 10% das vendas no Brasil

BYD, GWM e outras fabricantes disputam espaço com montadoras tradicionais em meio ao crescimento dos híbridos e elétricos

As montadoras chinesas consolidaram presença marcante no mercado automotivo brasileiro. Segundo reportagem publicada pelo Estadão, em menos de quatro anos desde a chegada da BYD e da GWM, as marcas do país asiático já respondem por mais de 10% das vendas de carros de passeio no Brasil.

Dados da consultoria K.Lume mostram que, entre janeiro e agosto, a participação dos chineses chegou a 11% do mercado. Isso significa que hoje é mais comum encontrar uma concessionária de fabricantes da China do que de montadoras tradicionais como Toyota, Renault, Hyundai e Honda, que têm presença industrial no país há décadas.

Rede em expansão

Um levantamento da Neocom aponta que BYD, GWM, Omoda & Jaecoo (O&J) e GAC somam atualmente 347 pontos de venda, entre concessionárias e showrooms. Esse número já coloca as marcas chinesas atrás apenas de Stellantis (mais de mil lojas), General Motors (565) e Volkswagen (443). Boa parte dessa estrutura foi construída com importações, mas algumas já contam com operações locais, como a fábrica da GWM em Iracemápolis (SP) e o complexo da BYD em Camaçari (BA), que está prestes a iniciar a produção.

Metas ambiciosas

A estratégia das fabricantes chinesas é clara: a BYD busca figurar entre as cinco maiores marcas do país, já ocupando a sétima posição em automóveis. A GWM, por sua vez, projeta alcançar até 300 mil unidades vendidas no Brasil, embora sua produção local comece limitada a 50 mil veículos por ano.

Esse avanço, no entanto, deve enfrentar maior concorrência. Stellantis, GM e Volkswagen já preparam lançamentos de híbridos e elétricos no país, ampliando a disputa em um setor que ainda encontra barreiras de crescimento, como a falta de infraestrutura de recarga e dúvidas sobre a revenda. Pesquisa da Webmotors aponta que quase metade dos consumidores considera esses fatores entraves na decisão de compra.

Obstáculos regulatórios

As vendas de veículos chineses no Brasil se multiplicaram por sete nos últimos três anos, justamente no momento em que enfrentavam barreiras tarifárias nos Estados Unidos e na Europa. Projeções da Bright Consulting indicam que, até 2025, essas marcas devem ultrapassar 260 mil unidades comercializadas, mantendo fatia de 10% do mercado, incluindo utilitários leves.

Mas a trajetória não será sem desafios. Sob pressão da Anfavea, o governo brasileiro vem elevando gradualmente o imposto de importação para híbridos e elétricos. A alíquota máxima de 35% voltará a vigorar em julho de 2026 e, a partir de 2027, também valerá para veículos que tiverem montagem final no Brasil.

Competição crescente

Para Alexandre Ayres, CEO da Neocom, a tendência é de desaceleração do crescimento chinês diante da reação das marcas tradicionais. Ele cita como exemplo o mercado paulistano, onde o Fastback híbrido da Fiat foi responsável por quase metade da expansão das vendas de eletrificados no primeiro semestre.

“A Fiat foi a marca que mais cresceu nesse segmento, o que evidencia o desafio que as montadoras chinesas enfrentarão à medida que as marcas tradicionais de grande volume lançarem seus produtos elétricos e híbridos”, afirmou Ayres.

Com mais concorrência, maior tributação e limites estruturais, o avanço das fabricantes chinesas deve encontrar ritmo mais moderado nos próximos anos. Ainda assim, a participação já conquistada em tão pouco tempo evidencia a força do novo polo global de mobilidade que começa a transformar o setor automotivo brasileiro.

Fonte: Brasil 247

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Comércio Exterior, Mercado Internacional

China tenta atrair Trump para mesa de negociação, diz especialista ao WW

Dados indicam queda nas exportações chinesas para os EUA nos primeiros oito meses do ano, sugerindo tentativa de reaproximação comercial

A China demonstra sinais de buscar uma reaproximação comercial com os Estados Unidos, utilizando a compra de soja como possível instrumento de negociação. A estratégia surge em um momento em que o país asiático enfrenta significativas perdas em seu comércio exterior. Durante o WW, José Pimenta, diretor de Comércio Internacional da BMJ consultores, afirmou que a China quer chamar o presidente Donald Trump para mesa de negociação.

De acordo com dados recentes, as exportações chinesas para os Estados Unidos registraram uma queda expressiva de 15% nos primeiros oito meses deste ano. O impacto é particularmente significativo em produtos de alto valor agregado, incluindo máquinas, equipamentos eletrônicos e medicamentos.

Histórico da Relação Comercial

Entre 2000 e 2017, os Estados Unidos direcionavam 60% de suas exportações globais de soja para o mercado chinês. No entanto, esse cenário mudou drasticamente após 2018, com uma redução vertiginosa nas compras por parte da China.

Em uma demonstração de possível abertura ao diálogo, o principal negociador chinês realizou encontros com produtores do meio-oeste americano. Esta movimentação sugere uma tentativa de reavaliar as relações comerciais entre as duas nações, especialmente considerando a importância histórica do comércio de soja.

O Brasil, como um dos principais exportadores de soja para a China, que representa 35% do total das exportações brasileiras, também se encontra diretamente envolvido neste cenário de redistribuição comercial global.

Fonte: CNN Brasil

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