Economia

O plano da China que pode mudar a economia global

Os principais líderes da China se reúnem nesta semana em Pequim para traçar as metas do país e as prioridades para o restante desta década. As decisões tomadas na Plenária do Comitê Central do Partido Comunista Chinês servirão de base para o próximo plano quinquenal, que vai orientar a segunda maior economia do mundo entre 2026 e 2030.

O plano completo será divulgado apenas no ano que vem, mas autoridades devem antecipar algumas diretrizes na quarta-feira (22/10). Especialistas afirmam que o modelo chinês, guiado por ciclos de planejamento em vez de eleições, costuma produzir decisões com impacto global.

“Os planos quinquenais (cinco anos) definem o que a China quer alcançar, indicam a direção que a liderança pretende seguir e mobilizam os recursos do Estado para atingir esses objetivos predefinidos”, diz Neil Thomas, pesquisador de política chinesa no Instituto de Políticas da Sociedade Asiática.

À primeira vista, a imagem de centenas de burocratas de terno apertando as mãos e elaborando planos pode parecer monótona. A história, porém, mostra que suas decisões costumam ter repercussões profundas.

1981-84: ‘Reforma e Abertura’

É difícil precisar quando a China começou sua trajetória para se tornar uma potência econômica, mas muitos integrantes do Partido Comunista Chinês vão afirmar que foi em 18 de dezembro de 1978.

Por quase três décadas, a economia chinesa foi controlada de maneira rígida pelo Estado. O planejamento central ao estilo soviético falhou em aumentar a prosperidade, e grande parte da população ainda vivia na pobreza.

O país se recuperava do devastador governo de Mao Tsé-Tung. O Grande Salto para Frente (1958-1962) e a Revolução Cultural (1966-1976), campanhas lideradas pelo fundador da China comunista para remodelar a economia e sociedade, resultaram na morte de milhões de pessoas.

Ao discursar na Terceira Plenária do 11º Comitê, em Pequim, o então novo líder chinês, Deng Xiaoping, declarou que era hora de adotar alguns elementos da economia de mercado. Sua política de “reforma e abertura” tornou-se eixo central do plano quinquenal seguinte, iniciado em 1981.

A criação de zonas econômicas especiais de livre comércio, e os investimentos estrangeiros que elas atraíram, transformaram a vida dos chineses.

Segundo Thomas, do Instituto de Políticas da Sociedade Asiática, os objetivos daquele plano quinquenal não poderiam ter sido atingidos de maneira mais enfática.

“A China de hoje vai além dos sonhos mais ousados das pessoas dos anos 1970, em termos de restauração do orgulho nacional e de consolidação de seu lugar entre as grandes potências mundiais”, afirma.

O processo também remodelou a economia global. No século 21, milhões de empregos industriais do Ocidente foram transferidos para novas fábricas nas regiões costeiras da China.

Economistas chamaram esse fenômeno de “choque da China”, que acabou fomentando a ascensão de partidos populistas em antiga áreas industriais da Europa e dos Estados Unidos e levou a medidas como a imposição de tarifas e retaliações promovidas pelo presidente americano, Donald Trump — que diz tentar, assim, recuperar os empregos industriais perdidos para a China nas décadas anteriores.

2011–15: ‘Indústrias estratégicas emergentes’

O status da China como “fábrica do mundo” se consolidou com sua entrada na organização internacional global que trata das regras do comércio entre as nações, a Organização Mundial do Comércio (OMC), em 2001. Mas, na virada do século, o Partido Comunista Chinês já planejava o próximo passo.

Havia o temor de que o país caísse na chamada “armadilha da renda média”, quando uma nação em ascensão deixa de oferecer mão de obra barata, mas ainda não tem capacidade de inovação para produzir bens e serviços de alto valor agregado.

Para evitar isso, a China começou a investir nas chamadas “indústrias estratégicas emergentes”, termo usado oficialmente pela primeira vez em 2010. O foco incluía tecnologias verdes, como veículos elétricos e painéis solares.

À medida que a mudança climática ganhava destaque na política ocidental, a China mobilizava recursos inéditos para impulsionar esses novos setores.

Hoje, a China é líder global em energias renováveis e veículos elétricos, além de controlar quase todo o fornecimento de terras raras necessárias para a fabricação de chips e o desenvolvimento de inteligência artificial (IA).

A dependência mundial desses recursos dá à China uma posição de poder. A recente decisão de restringir exportações de terras raras levou Trump a acusar a China de tentar “manter o mundo como refém”.

Embora as “forças estratégicas emergentes” tenham sido incorporadas ao plano quinquenal de 2011, a tecnologia verde já havia sido identificada como potencial motor de crescimento e poder geopolítico pelo então líder chinês Hu Jintao, no início dos anos 2000.

“O desejo de tornar a China mais autossuficiente em economia, tecnologia e liberdade de ação vem de longa data, faz parte da própria essência da ideologia do Partido Comunista Chinês”, explica Thomas do Instituto de Políticas da Sociedade Asiática.

2021-2025: ‘Desenvolvimento de alta qualidade’

Isso pode explicar porque nos planos quinquenais recentes, a China passou a priorizar o chamado “desenvolvimento de alta qualidade”, conceito introduzido formalmente por Xi Jinping em 2017.

A meta é desafiar o domínio tecnológico dos EUA e colocar a China na linha de frente do setor.

Casos de sucesso doméstico, como o aplicativo de vídeos TikTok, a gigante de telecomunicações Huawei e o modelo de inteligência artificial DeepSeek ilustram o avanço chinês.

O progresso da China, no entanto, é visto com desconfiança por países ocidentais, que a consideram uma ameaça à segurança nacional. As proibições e restrições a tecnologias chinesas afetaram milhões de usuários e provocaram disputas diplomáticas.

Até agora, o avanço tecnológico chinês dependeu de inovações americanas, como os semicondutores avançados da Nvidia. Com a proibição de venda desses componentes para o país imposta pelo governo Trump, é provável que o conceito de “desenvolvimento de alta qualidade” evolua para o de “novas forças produtivas de qualidade”, novo lema introduzido por Xi em 2023, que desloca o foco para o orgulho nacional e a segurança do país.

Isso significa colocar a China na linha de frente da produção de chips, da computação e da inteligência artificial, sem ser dependente da tecnologia ocidental, além de ser imune a embargos.

A autossuficiência em todos os setores, especialmente nos níveis mais altos da inovação, deve ser um dos pilares centrais do próximo plano quinquenal.

“A segurança nacional e a independência tecnológica são hoje a missão definidora da política econômica da China”, explica Thomas, do Instituto de Políticas da Sociedade Asiática. “Mais uma vez, isso remete ao projeto nacionalista que sustenta o comunismo chinês, garantindo que o país nunca mais seja dominado por potências estrangeiras.”

FONTE: BBC
IMAGENS: Getty Images/AFP/Grigory Sysoev/RIA Novosti/Pool/Anadolu

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Exportação

Erro em cadastro bloqueia exportação de camarão do RN para a China

Um erro de cadastro técnico travou a exportação de camarão do Rio Grande do Norte para a China, um dos mercados mais promissores para o setor. O problema ocorreu na descrição da espécie Camarão Vannamei, registrada como “de captura”, quando, na realidade, trata-se de uma espécie cultivada em viveiro.

A inconsistência no sistema impediu a liberação das exportações ao país asiático, apesar de não haver qualquer restrição sanitária ou comercial envolvendo o produto potiguar.

Setor potiguar é o segundo maior produtor de camarão do Brasil

O Rio Grande do Norte é o segundo maior produtor nacional de camarão, com uma produção de 24,7 milhões de quilos em 2024, segundo dados do setor. A China é vista como um mercado estratégico para o crescimento da carcinicultura brasileira, especialmente diante da alta demanda por proteínas aquáticas no país.

Governo e Itamaraty atuam para corrigir o erro ainda em 2025

De acordo com o governo estadual, não há entraves sanitários, ambientais ou comerciais que impeçam as vendas. O impasse é puramente técnico e está sendo acompanhado por entidades do setor, pelo Itamaraty e por ministérios federais, com a meta de corrigir o erro cadastral e retomar as exportações ainda em 2025.

A expectativa é que, com o restabelecimento do comércio com a China, o estado amplie a geração de empregos e o impulso econômico nas regiões produtoras.

FONTE: Tribuna do Norte
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Tribuna do Norte

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Portos

Tarifas portuárias entre China e Estados Unidos alteram fluxos de carga e aumentam custos

Novas tarifas impostas a operações portuárias por China e Estados Unidos estão reduzindo o número de navios de carga disponíveis para o transporte de mercadorias e podem elevar os custos para consumidores de ambos os países, segundo executivos do setor.

As operadoras de navios retiraram embarcações ligadas à China das rotas comerciais com destino aos Estados Unidos para evitar as novas tarifas portuárias, em vigor desde 14 de outubro. Da mesma forma, estão removendo embarcações associadas aos EUA de rotas para o país asiático, a fim de escapar dos custos de retaliação implementados no mesmo dia.

Essas medidas estão alterando os fluxos comerciais e reduzindo o espaço disponível para carga, enquanto as companhias ainda não têm clareza sobre como a China define o controle ou propriedade norte-americana em sua avaliação tarifária.

“A lista de navios disponíveis para operar em portos chineses é definitivamente menor do que antes, em todos os mercados marítimos”, afirmou Stamatis Tsantanis, diretor-executivo da empresa de transporte de carga seca Seanergy Maritime Holdings.

“Eventualmente, todos esses custos recaem sobre o consumidor final — o que tornará tudo muito mais caro”, acrescentou.

O Índice de Frete de Contêineres de Xangai (SCFI) subiu 12,9%, alcançando seu nível mais alto em quatro semanas, impulsionado por aumentos nas rotas transpacíficas, que registraram forte alta nas tarifas após o anúncio das medidas chinesas, segundo o analista da Jefferies, Omar Nokta.

As principais companhias de transporte marítimo, como Maersk, Hapag-Lloyd e CMA CGM, já reorganizaram suas rotas comerciais para evitar os novos encargos portuários dos Estados Unidos. Recentemente, a aliança Gemini, formada por Maersk e Hapag-Lloyd, informou a seus clientes que os navios Maersk Kinloss e Potomac Express deixarão de fazer escalas em Ningbo, único porto chinês visitado por essas embarcações de bandeira americana, construídas na Coreia do Sul.

“Essa nova regulamentação causará maior deslocamento de navios e mudança nos fluxos comerciais”, afirmou Gernot Ruppelt, diretor-executivo da Ardmore Shipping, empresa especializada no transporte de produtos petrolíferos refinados, químicos e óleos vegetais.

“Os mercados ainda não começaram a precificar esse nível adicional de complexidade”, acrescentou Ruppelt, destacando que a Ardmore não tem escalas programadas em portos chineses.

Tarifas no mercado de petroleiros

As tarifas de retaliação impostas pela China a navios vinculados aos EUA elevaram os preços das viagens de petroleiros de grande porte (VLCCs) com destino ao país asiático, o maior importador de petróleo do mundo.

Os novos encargos reduziram a disponibilidade de navios-tanque que podem ser contratados sem incorrer em tarifas portuárias elevadas. As taxas de referência para VLCCs atingiram o maior patamar em duas semanas no dia 14 de outubro, após a entrada em vigor das medidas, e se estabilizaram levemente no fim da semana.

A consultoria Energy Aspects revisou para cima sua projeção de tarifas para VLCCs no quarto trimestre de 2025, alertando para o risco de novos aumentos caso as interrupções logísticas se intensifiquem.

“A isenção concedida a embarcações construídas na China mitigou parcialmente o impacto potencial, embora ainda observemos um número significativo de navios de propriedade ou operação norte-americana afetados”, informou a Gibson Shipbrokers.

No segmento de carga seca — que transporta carvão, minério de ferro e produtos básicos como grãos e sal — entre 60 e 70 navios foram impactados pelas novas tarifas, representando cerca de 3% da frota capesize, segundo Tsantanis, da Seanergy.

“Dado o volume desproporcional de descargas realizadas na China dentro do segmento capesize, é provável que o impacto seja considerável em nosso mercado”, afirmou o executivo, acrescentando que já havia escassez de oferta de embarcações antes mesmo das novas medidas.

FONTE: Portal Portuário
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuário

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Logística, Tecnologia

China lidera revolução logística com porto 100% automatizado e movido a energia limpa

O porto inteligente de Tianjin, na China, marca um avanço histórico ao se tornar o primeiro porto do mundo totalmente automatizado e abastecido por energia limpa. A estrutura representa um marco na logística global, combinando tecnologia de ponta, eficiência energética e sustentabilidade ambiental.

Operando com guindastes autônomos, veículos automatizados e sistemas inteligentes integrados ao satélite Beidou, o porto realiza todas as operações de carga e descarga sem intervenção humana direta. Todo o processo é alimentado por fontes renováveis, reforçando o compromisso chinês com a redução de emissões e a modernização do setor marítimo.

Eficiência, segurança e sustentabilidade em um só modelo

A iniciativa eleva os padrões internacionais de eficiência logística e segurança portuária, tornando-se referência para infraestruturas marítimas sustentáveis em todo o mundo. Especialistas classificam o porto de Tianjin como um modelo global que une automação, inteligência artificial e energia limpa em larga escala.

China amplia liderança tecnológica e desafia o Ocidente

De acordo com análises do setor, a China é responsável por 80% da produção mundial de robôs industriais, ultrapassando Estados Unidos, Alemanha e Japão em densidade robótica por trabalhador. Esse domínio reforça a posição do país como líder na automação portuária e na indústria 4.0.

Especialistas alertam que, sem investimentos robustos em inovação, IA e infraestrutura, o Ocidente pode se tornar dependente da tecnologia chinesa, não apenas em produtos, mas também em processos produtivos estratégicos.

O futuro dos portos: autônomos e sustentáveis

A transição para portos autônomos e 100% verdes é vista como o modelo produtivo do futuro, oferecendo tanto riscos quanto oportunidades para outras economias. Investir em automação, energia renovável e tecnologia inteligente será essencial para garantir competitividade, eficiência operacional e segurança global nas próximas décadas.

FONTE: Jornal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGENS: Reprodução/Jornal Portuário
VÍDEO: @pixnewsms

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Importação

Importações de aço caem pelo segundo mês seguido após sete altas consecutivas no Brasil

As importações brasileiras de aço registraram queda de 31,9% em setembro de 2025, em comparação com o mesmo mês de 2024, totalizando 446 mil toneladas, segundo dados do Instituto Aço Brasil (IABr) divulgados nesta quinta-feira (16). Foram 410 mil toneladas de laminados — uma retração de 14,6% — e 36 mil toneladas de semiacabados, que despencaram 79,4% no mesmo período.

Essa foi a segunda queda mensal consecutiva, após sete meses seguidos de alta nas compras externas. Em agosto, a retração havia sido de 24%. O IABr não comentou as causas específicas da desaceleração.

Especialistas apontam recomposição de estoques

Para o analista de investimentos da plataforma AGF, Pedro Galdi, a redução expressiva nas importações pode estar relacionada à recomposição de estoques internos e à melhor competitividade dos preços domésticos.

“O movimento pode refletir uma adequação das empresas à oferta local, em um momento de preços mais equilibrados no mercado nacional”, avalia Galdi.

Acumulado do ano ainda mostra crescimento

Apesar da queda nos últimos meses, o volume acumulado entre janeiro e setembro de 2025 apresentou alta de 9,7%, alcançando 5,1 milhões de toneladas — o maior nível para o período desde 2013, quando o Aço Brasil iniciou a série histórica.
No acumulado, foram 4,5 milhões de toneladas de laminados, um avanço de 25,8%, e 600 mil toneladas de semiacabados, uma queda de 41,2%.
A projeção do instituto é que as importações de laminados encerrem o ano em 5,3 milhões de toneladas, crescimento de 11,2% frente a 2024.

Siderúrgicas pressionam por medidas de defesa comercial

O setor siderúrgico brasileiro tem pedido ao governo federal novas medidas de proteção comercial, alegando concorrência desleal — especialmente com o aço chinês. As empresas afirmam que a cota-tarifa vigente não tem sido suficiente para conter o avanço das importações e relatam redução de investimentos e cortes de pessoal devido ao impacto no mercado interno.

China e Coreia do Sul ampliam participação nas vendas ao Brasil

A China segue como principal fornecedora de aço para o Brasil, com alta de 23,3% nas importações em setembro e de 25,9% no acumulado de 2025. O país respondeu por 59,1% das compras mensais e 61,1% do total anual, ampliando sua presença no mercado brasileiro.
A Coreia do Sul, segunda maior vendedora, também teve forte avanço: em setembro, foi responsável por 15% das importações, crescimento de 377,9%, enquanto no acumulado do ano representou 11,5%, alta de 226,7% no volume exportado ao Brasil.

Produção nacional de aço registra leve retração

A produção brasileira de aço bruto caiu 3,2% em setembro, somando 2,8 milhões de toneladas em relação ao mesmo mês de 2024. O estado de Minas Gerais respondeu por 31% do total nacional, com 868 mil toneladas, uma queda de 2,1%.
De janeiro a setembro, o país produziu 25 milhões de toneladas, enquanto Minas Gerais registrou 7,6 milhões, equivalentes a 30,5% da produção nacional. Ambos apresentaram recuos de 1,7% e 1%, respectivamente, frente a 2024.

Exportações de aço crescem no ano

Por outro lado, as exportações brasileiras de aço tiveram desempenho positivo. Em setembro, somaram 786 mil toneladas, e no acumulado dos nove primeiros meses do ano, 7,8 milhões de toneladas — altas de 11,6% e 2,6%, respectivamente.
As vendas internas caíram 0,6% no mês, para 1,9 milhão de toneladas, mas cresceram 0,5% no acumulado, chegando a 16,1 milhões de toneladas.
O consumo aparente totalizou 2,3 milhões de toneladas em setembro (queda de 5%) e 20,4 milhões no acumulado (alta de 4,1%), impulsionado pelas importações no início do ano.

FONTE: Diário do Comércio
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Aço Brasil

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Comércio Exterior

Guerra Comercial EUA-China: quem vai recuar primeiro, Trump ou Xi?

A tensão entre Estados Unidos e China se intensifica à medida que a disputa comercial entre as duas maiores economias do mundo ganha novos desdobramentos. As negociações seguem estagnadas, enquanto ambos os países impõem tarifas pesadas que podem impactar diretamente o comércio global.

Disputa entre Washington e Pequim se agrava

Apesar de sucessivas rodadas de conversas, Washington e Pequim não avançaram significativamente nas negociações, exceto em um possível acordo sobre o TikTok. As novas tarifas devem entrar em vigor no próximo mês, e a expectativa é de que tragam efeitos negativos sobre a economia global.

Na quarta-feira, o presidente Donald Trump declarou que a “guerra comercial já está em curso”, reforçando a postura de confronto. Já o secretário do Tesouro, Scott Bessent, admitiu que ainda há espaço para uma trégua tarifária, mas ressaltou que as tratativas ocorrerão “nas próximas semanas”.

As tensões aumentaram após a China anunciar restrições à exportação de minerais críticos, insumos estratégicos usados na produção de veículos elétricos, semicondutores e equipamentos de inteligência artificial. O domínio chinês sobre esses recursos preocupa os EUA, que veem o movimento como um risco direto à indústria tecnológica e de defesa.

“Os Estados Unidos agora precisam lidar com um adversário capaz de ameaçar setores vitais da sua economia”, afirmou Henry Farrell, cientista político da Universidade Johns Hopkins, ao The New York Times.

A China, por sua vez, segue insatisfeita com as sanções tecnológicas impostas pelo Ocidente, especialmente as que restringem o acesso a chips e tecnologias avançadas de IA (inteligência artificial).

EUA tentam reduzir dependência dos minerais chineses

O governo Trump aposta em uma política industrial fortalecida para diminuir a dependência de insumos importados da China. O plano inclui investimentos estratégicos em empresas nacionais, como a Intel, para reforçar a competitividade americana.

“Quando se enfrenta uma economia não orientada pelo mercado, como a da China, é preciso adotar políticas industriais”, destacou Bessent em evento da CNBC.

Trump e o presidente Xi Jinping devem se encontrar na Cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, na Coreia do Sul, ainda este mês. O encontro pode definir os próximos passos da disputa.

Ambos os lados precisam mostrar resultados: a China enfrenta baixo consumo interno e instabilidade econômica, enquanto os agricultores americanos sofrem com a redução das exportações de soja. Em outro ponto de sua política externa, Trump afirmou que o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, se comprometeu a interromper a compra de petróleo russo, pressionando Pequim a seguir o mesmo caminho.

Justiça suspende demissões durante paralisação do governo

A juíza Susan Illston, do Tribunal Distrital de São Francisco, suspendeu temporariamente as demissões planejadas em meio ao fechamento parcial do governo. Segundo ela, a administração Trump “age como se as leis não se aplicassem mais”. O Departamento de Justiça alega que o presidente possui autoridade para reorganizar o funcionalismo federal.

Trump mira o Fisco americano

De acordo com o Wall Street Journal, o governo avalia indicar aliados de Trump para cargos estratégicos no IRS, o Fisco dos Estados Unidos. O objetivo seria enfraquecer a atuação de advogados internos e abrir espaço para investigações contra grupos ligados à esquerda, como a família Soros.

Suprema Corte analisa pacote bilionário de Elon Musk

A Suprema Corte de Delaware avaliou o pacote de remuneração de Elon Musk na Tesla, anulado anteriormente por questões de governança corporativa. Ainda sem decisão, o bilionário pode se beneficiar caso o novo plano de compensação seja aprovado após a reincorporação da Tesla no Texas.

Chobani alcança valor de mercado de US$ 20 bilhões

A Chobani levantou US$ 650 milhões em uma nova rodada de investimento, elevando sua avaliação para US$ 20 bilhões, segundo o DealBook. Os recursos financiarão a expansão da fábrica em Idaho (US$ 500 milhões) e a construção de uma nova planta em Nova York (US$ 1,2 bilhão).

Fundada há 20 anos, a empresa projeta US$ 3,8 bilhões em vendas líquidas em 2025, crescimento de 28% em relação ao ano anterior, e lucros de US$ 780 milhões, alta de 53%. A Chobani, que começou com iogurtes proteicos, agora aposta em leite vegetal, cafés e cremes, e recentemente adquiriu a Daily Harvest, produtora de alimentos à base de plantas.

“Este investimento é mais do que capital — é o reconhecimento do que construímos”, afirmou o fundador e CEO Hamdi Ulukaya.

Mammoth Brands compra fabricante de fraldas premium

A Mammoth Brands, dona das marcas Harry’s e Lume, anunciou a aquisição da Coterie, fabricante de fraldas premium, por um valor que pode ultrapassar US$ 1 bilhão. A Coterie, criada em 2018, tem receita anual acima de US$ 200 milhões e crescimento de 60% no último ano, mantendo lucratividade há três anos consecutivos.

O negócio inclui pagamento em dinheiro e ações, além de bônus vinculados ao desempenho. A empresa planeja entrar no varejo físico e ampliar sua linha de produtos para bebês.

“O segmento premium é o que mais cresce — estamos criando uma nova categoria”, declarou Jess Jacobs, CEO da Coterie.

Glass Lewis muda estratégia e abandona modelo único de voto

A consultoria Glass Lewis, uma das maiores do mundo em voto por procuração (proxy voting), anunciou que deixará de oferecer uma única recomendação de voto a partir de 2027. Seus 1.300 clientes poderão optar por políticas personalizadas, incluindo pautas ambientais, sociais e de governança (ESG).

A decisão ocorre após pressões políticas de republicanos contrários às recomendações favoráveis a pautas ESG. O CEO Bob Mann afirmou que o antigo modelo “não reflete mais a diversidade da base de clientes”.

“Com eleitores mais dispersos, a tendência é que a administração vença”, explicou Ann Lipton, professora de governança corporativa da Universidade do Colorado.

FONTE: New York Times
TEXTO: Redação
IMAGEM: Haiyun Jiang/The New York Times

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Exportação

G7 reforça união contra controles de exportação da China e busca diversificar cadeias de suprimentos

Os ministros das Finanças do G7 — grupo formado por Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão — decidiram manter uma posição conjunta diante dos novos controles de exportação da China sobre terras raras. A medida foi anunciada nesta quinta-feira (16) pelo comissário econômico europeu, Valdis Dombrovskis, que destacou o compromisso dos países em coordenar respostas de curto prazo e diversificar fornecedores estratégicos.

G7 manifesta preocupação com restrições chinesas

Segundo Dombrovskis, há um consenso entre os parceiros do G7 sobre a gravidade das novas restrições impostas por Pequim.

“Ficou claro que os membros do G7 compartilham a preocupação com esses novos e amplos controles de exportação chineses, que ampliam o escopo dos minerais cobertos, mas também atingem toda a cadeia de valor, com disposições extraterritoriais bastante abrangentes”, afirmou o comissário europeu.

Coordenação e diálogo com a China

O grupo pretende coordenar ações conjuntas e manter diálogo direto com autoridades chinesas para tentar encontrar soluções de curto prazo que reduzam os impactos econômicos dessas medidas.

“Concordamos em coordenar esse trabalho e nossos compromissos com os colegas chineses para buscar soluções imediatas”, explicou Dombrovskis.

Diversificação das cadeias de suprimentos

Além das medidas emergenciais, o G7 também reforçou o compromisso de longo prazo com a diversificação e a resiliência das cadeias globais de suprimentos, especialmente no setor de minerais críticos usados em tecnologias de ponta, como baterias e semicondutores.

“Está claro que precisamos continuar o trabalho — que não é novo — sobre diversificação e fortalecimento das cadeias de suprimentos”, completou o comissário.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Yves Herman

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Sem Categoria

Arrendadoras chinesas perdem posições enquanto a MSC avança em novo ranking de proprietários

Dados exclusivos enviados ao Splash Extra pela consultoria britânica Maritime Strategies International (MSI) mostram as mais recentes classificações de proprietários de frotas, comparadas com o ano anterior. O levantamento considera a tonelagem de porte bruto (dwt) das frotas atualmente em operação, sem incluir encomendas, embarcações offshore ou de cruzeiro.

A Mediterranean Shipping Co (MSC), com sede na Suíça e reconhecida como a maior empresa de transporte de contêineres do mundo, apresentou a maior expansão de frota do último ano, enquanto várias gigantes chinesas de leasing perderam posições, já que suas carteiras de novas construções ainda não se traduziram em navios em operação.

A COSCO, gigante chinesa do setor, continua sendo o maior proprietário do mundo em tonelagem, com sua frota alcançando 76,2 milhões de toneladas de porte bruto (dwt) em 31 de agosto. Mas o grande destaque foi a MSC, que aumentou sua frota de 35,5 milhões de dwt para 44,5 milhões de dwt em um ano, ultrapassando a Bank of Communications Leasing e assumindo a segunda posição no ranking.

Mesmo com crescimento para 41,4 milhões de dwt, o Bank of Communications caiu para o terceiro lugar. O Mitsui OSK Lines (Japão) e a China Merchants completam o top 5, ambos com ligeiro aumento de capacidade.

Um dos movimentos mais notáveis foi a ascensão da belga CMB.TECH, que estreou na oitava posição com 22,6 milhões de dwt, impulsionada principalmente pela aquisição da Golden Ocean, empresa de granel sólido. A Evergreen, de Taiwan, também subiu no ranking, agora em 19º lugar com 13,5 milhões de dwt, enquanto a alemã Hapag-Lloyd aparece entre as 25 maiores, com 12,6 milhões de dwt, reflexo da ampliação de sua frota de porta-contêineres.

Outros destaques positivos incluem as sul-coreanas Pan Ocean e HMM, além da singapurense Berge Bulk, que adicionaram mais de 1 milhão de dwt às suas frotas ao longo do ano.

Em contrapartida, a ICBC Financial Leasing caiu do sétimo para o décimo lugar, com sua frota reduzida de 24,3 milhões para 19,9 milhões de dwt. A Minsheng Financial Leasing também perdeu posições, enquanto a NITC (National Iranian Tanker Company), do Irã, despencou do 19º para o 25º lugar, impactada por sanções e vendas de ativos.

Apesar das quedas, a China mantém domínio global, com COSCO, China Merchants, ICBC, CDB Leasing e China VLCC todas entre as 15 maiores. O Japão também segue fortemente representado por MOL, NYK, K Line, Nissen Kaiun e Shoei Kisen. Já a Grécia mantém presença relevante com grupos como Angelicoussis, Dynacom, Tsakos, Minerva e Navios.

Gráfico por Maritime Strategies International

FONTE: Splash 247
IMAGEM: Reprodução?/BE News

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Internacional

Trump ameaça cortar relações comerciais com a China em retaliação econômica

Presidente dos EUA volta a criticar Pequim por “ato hostil” contra produtores americanos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (14) que está avaliando encerrar parte das relações comerciais com a China, incluindo a importação de óleo de cozinha. Segundo ele, a decisão seria uma resposta à postura “economicamente hostil” de Pequim.

“Acredito que o fato de a China ter deixado de comprar nossa soja de forma proposital e causado dificuldades aos produtores americanos é um ato hostil”, declarou Trump.

Em publicação nas redes sociais, o presidente acrescentou que considera encerrar negócios com a China em setores estratégicos, como o de óleo de cozinha. “Podemos facilmente produzir esse óleo nos Estados Unidos, não precisamos comprá-lo da China”, escreveu.

Tensões comerciais entre EUA e China aumentam

As declarações de Trump ocorrem em meio a uma nova escalada nas tensões comerciais entre Washington e Pequim. Nos últimos dias, ambos os países trocaram críticas públicas e adotaram medidas protecionistas.

No domingo (12), o governo chinês acusou os Estados Unidos de “dois pesos e duas medidas” após a imposição de tarifas sobre mercadorias chinesas. Já na sexta-feira (10), Trump havia condenado a decisão de Pequim de restringir a exportação de elementos de terras raras, essenciais à indústria tecnológica. Em reação, o presidente anunciou uma tarifa de 100% sobre produtos importados da China, com início em 1º de novembro.

Pequim defende restrições e cita segurança global

Em resposta, o Ministério do Comércio da China defendeu a legitimidade das novas restrições às exportações de terras raras. Em comunicado, a pasta afirmou que o impacto nas cadeias de abastecimento globais será “muito limitado”, classificando a medida como “uma ação legítima de controle de exportações”.

Segundo o governo chinês, o objetivo é impedir o uso militar das terras raras e de seus derivados, em linha com os compromissos internacionais de não proliferação e a defesa da paz e da estabilidade regional.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Francis Chung/Politico/Bloomberg/Getty Images

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Exportação

Brasil responde por quase 90% da soja importada pela China em 2025

Importações chinesas atingem segundo maior volume da história e consolidam liderança do Brasil no fornecimento

A China importou 12,87 milhões de toneladas de soja em setembro de 2025, um aumento de 13% em relação ao mesmo mês do ano anterior, segundo dados divulgados pela Administração Geral de Alfândegas da China. O volume é o segundo maior já registrado desde o início da série histórica, em janeiro de 2001 — ficando atrás apenas das importações de maio deste ano.

Brasil domina o fornecimento de soja à China

Entre janeiro e setembro, as importações totais de soja somaram 86,18 milhões de toneladas, alta de 5,5% em comparação ao mesmo período de 2024. Desse total, o Brasil foi responsável por cerca de 85% a 89% dos embarques, de acordo com levantamento do Commerzbank.

Nos meses de julho e agosto, os Estados Unidos responderam por uma parcela significativamente menor — pouco mais de 3% e menos de 2%, respectivamente. Embora os dados detalhados de setembro ainda não tenham sido divulgados, o banco alemão aponta que a maior parte do volume também deve ter origem brasileira.

Fatores que impulsionam a preferência pelo grão brasileiro

Segundo análise do Commerzbank, o domínio do Brasil se explica pela sazonalidade da safra americana, que ainda está em fase inicial de colheita, o que deve atrasar as exportações dos Estados Unidos em um a dois meses. Além disso, as tarifas de 10% impostas pela China sobre a soja americana desde a primavera reduziram a competitividade do produto norte-americano no maior mercado comprador do mundo.

“O momento é desfavorável para os exportadores dos EUA, especialmente diante da recente escalada nas tensões comerciais entre os dois países”, afirmou Carsten Fritsch, analista do Commerzbank, em relatório.

Perspectivas e impacto no mercado global

O conflito comercial entre Estados Unidos e China tem colocado o preço internacional da soja sob pressão. Ainda assim, a queda de preços foi considerada moderada, sinal de que o mercado mantém otimismo quanto a um possível acordo.

Com a demanda chinesa aquecida e o forte desempenho das exportações brasileiras, o Brasil consolida-se como principal fornecedor global de soja em 2025, reforçando sua posição estratégica no agronegócio mundial.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Claudio Neves/Portos do Paraná

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