Sustentabilidade

Energia renovável no Brasil cresce e deve adicionar 9 GW em 2026

O Brasil deve registrar um forte avanço na energia renovável em 2026, com a instalação de 9.142 megawatts (MW) em nova capacidade elétrica. O volume, projetado pela Agência Nacional de Energia Elétrica, representa um crescimento de 23,4% em relação ao ano anterior e equivale à geração de cerca de nove usinas do porte de Angra III.

Energia solar lidera expansão da matriz

A energia solar será a principal responsável pela expansão, com previsão de 4.560 MW adicionados — um salto de 61,7% frente a 2025. O ritmo indica que o país deve inaugurar, em média, uma usina solar de médio porte por dia útil ao longo do ano.

Já a energia eólica deve contribuir com 1.430 MW, abaixo do registrado no ano anterior, indicando uma desaceleração no segmento e uma mudança no protagonismo entre as fontes renováveis.

Termelétricas ainda têm peso relevante

Apesar do avanço das fontes limpas, as termelétricas fósseis seguem presentes na expansão da matriz, com previsão de 2.770 MW — quase 30% do total.

Outras fontes, como biomassa e pequenas centrais hidrelétricas, completam a expansão com participação menor, somando pouco mais de 300 MW.

Brasil mantém uma das matrizes mais limpas do mundo

O país já se destaca globalmente pela alta participação de fontes renováveis. Em janeiro de 2026, a capacidade instalada total chegou a 215,9 gigawatts (GW), sendo 84,63% provenientes de fontes limpas.

Esse percentual é mais que o dobro da média global, estimada em cerca de 40%, colocando o Brasil entre as matrizes energéticas mais sustentáveis do mundo.

Primeiro trimestre já indica forte crescimento

Os dados iniciais de 2026 reforçam a tendência de expansão. Apenas nos três primeiros meses do ano, foram adicionados 2.426 MW — o equivalente a 26,5% da meta anual.

Em março, a predominância foi ainda mais evidente:

  • 27 usinas inauguradas;
  • 25 delas solares;
  • mais de 1.100 MW vindos da fonte fotovoltaica.

Estados como Ceará, Bahia, Goiás e Pernambuco lideraram os novos projetos.

Geração distribuída amplia ainda mais a expansão

Vale destacar que os números oficiais consideram apenas a geração centralizada. A geração distribuída, com painéis solares instalados em residências, empresas e propriedades rurais, cresce paralelamente e não está incluída nesses dados.

Isso significa que a expansão real da energia solar no Brasil é ainda maior do que os números indicam.

Comparação internacional e desafios

Embora expressivo, o crescimento brasileiro ainda é menor que o de grandes potências. Países como China e Estados Unidos adicionam dezenas de gigawatts por ano.

Por outro lado, o Brasil já possui uma base renovável consolidada, o que reduz a necessidade de uma transição inicial e direciona o foco para a expansão e modernização do sistema.

Dependência de fontes fósseis ainda é necessária

A presença das termelétricas na expansão reflete uma necessidade técnica. Essas usinas garantem segurança energética em momentos de baixa geração hídrica, solar ou eólica.

No futuro, soluções como armazenamento por baterias podem reduzir essa dependência, mas a tecnologia ainda está em fase inicial no país.

Projeções podem variar

As estimativas para 2026 dependem da entrada efetiva das usinas em operação. Fatores como licenciamento ambiental, financiamento e condições climáticas podem impactar o resultado final.

Mesmo assim, o cenário aponta para a consolidação do Brasil como protagonista em energia limpa, com crescimento acelerado da solar e avanço contínuo das renováveis.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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Indústria

Faturamento da indústria cresce 4,9% em fevereiro, mas cenário ainda é de cautela

O faturamento da indústria de transformação registrou avanço de 4,9% em fevereiro, segundo os indicadores industriais divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O resultado vem após alta de 1,3% em janeiro, acumulando crescimento de 6,2% frente a dezembro de 2025.

Apesar da sequência positiva, o desempenho ainda não sinaliza uma recuperação sólida do setor. A avaliação é de que o avanço recente reflete, principalmente, uma base de comparação mais baixa.

Comparação anual mostra queda significativa

Na análise do primeiro bimestre de 2026, o cenário é menos favorável. O faturamento industrial apresentou retração de 8,5% em relação ao mesmo período de 2025, evidenciando a continuidade das dificuldades enfrentadas pela indústria desde o segundo semestre do ano passado.

De acordo com especialistas da CNI, ainda é prematuro afirmar uma reversão da tendência negativa, já que os resultados positivos recentes não representam uma mudança estrutural no ambiente econômico.

Produção industrial tem leve recuperação

As horas trabalhadas na produção cresceram 0,7% em fevereiro, marcando o segundo mês consecutivo de alta. Mesmo assim, o indicador recupera apenas parte das perdas acumuladas ao longo de 2025.

Na comparação anual, houve queda de 2,7% no volume de horas trabalhadas, reforçando o ritmo ainda moderado da atividade industrial.

Capacidade instalada segue estável

A utilização da capacidade instalada (UCI) permaneceu praticamente inalterada, passando de 77,5% em janeiro para 77,3% em fevereiro. No acumulado do primeiro bimestre, o nível está 1,6 ponto percentual abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior.

Mercado de trabalho industrial sem avanços

Os dados ligados ao emprego na indústria mostram estabilidade. Em fevereiro, houve leve recuo de 0,1% no número de trabalhadores, com queda acumulada de 0,4% no ano em comparação ao mesmo intervalo de 2025.

Já a massa salarial segue em nível elevado, sustentada pelos bons resultados do segundo semestre do ano passado. No acumulado de 2026, o indicador registra alta de 0,9% na comparação anual.

O rendimento médio dos trabalhadores também apresentou crescimento, com avanço de 1,4% no mesmo período.

Perspectivas ainda moderadas para o setor

Embora alguns indicadores apontem melhora pontual, o cenário da indústria brasileira ainda exige cautela. A recuperação mais consistente dependerá de fatores como demanda interna, condições macroeconômicas e continuidade dos investimentos produtivos.

FONTE: Portal da Indústria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gabriel Pinheiro / CNI

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