Comércio Exterior

Café sob ameaça: produção brasileira está à beira do colapso; entenda

O Brasil é o maior produtor mundial de café, com um ambiente único para o cultivo. Mas as condições nas principais regiões produtoras do sudeste, foram degradadas

Todos os dias, bebemos mais de 2 bilhões de xícaras de café em todo o mundo, segundo algumas estimativas, e a demanda continua crescendo.

Para cultivar os grãos que saciam essa sede, cada vez mais florestas têm sido derrubadas globalmente para a agricultura. Mas, em uma ironia ecológica e agrícola, quanto mais florestas são destruídas para cultivar café, mais as perspectivas de longo prazo da cultura são ameaçadas pelas mudanças nas chuvas, segundo um novo relatório da Coffee Watch, uma organização não governamental que monitora a indústria.

O grupo, cujos resultados foram publicados na quarta-feira, mapeou o desmatamento no cinturão cafeeiro do sudeste do Brasil e comparou com as mudanças nas chuvas e falhas nas colheitas na mesma região. Constatou que, à medida que empresas destruíam florestas locais para dar lugar a plantações, as chuvas nessas áreas diminuíram, o que levou a falhas nas colheitas, menor produtividade e, por fim, preços mais altos para os consumidores.

“A forma ecologicamente destrutiva como cultivamos café vai resultar em não termos café,” disse Etelle Higonnet, diretora do grupo.

“O desmatamento para o cultivo de café está matando as chuvas, que estão matando o café,” afirmou em entrevista por telefone. Se a tendência continuar, acrescentou, os agricultores produzirão menos mesmo com mais florestas sendo destruídas para abrir espaço para mais plantações.

O relatório argumenta que limpar florestas para atender à demanda por café vai agravar os padrões de chuva que já estão reduzindo a produtividade dos agricultores. (A produção de café está em risco porque a cultura é altamente sensível aos padrões de chuva e pouco resiliente à seca.)

As conclusões do relatório estão alinhadas com descobertas de cientistas brasileiros publicadas na revista Nature Communications no mês passado. O estudo constatou que o desmatamento na floresta amazônica brasileira levou a uma redução de cerca de 75% nas chuvas na região.

Os dados crescentes mostram que o desmatamento afeta as chuvas e outras condições de cultivo, que antes eram difíceis de quantificar sem ferramentas avançadas de mapeamento e análise.

A nova pesquisa surge enquanto o Brasil e outros países produtores de café enfrentam a União Europeia sobre uma lei que os obrigaria a fornecer informações sobre se o café vendido no bloco foi cultivado em terras recentemente desmatadas.

Brasil é o maior produtor mundial de café, com um ambiente único para o cultivo. Mas as condições nas principais regiões produtoras do sudeste, que ajudaram o café a prosperar — como chuvas confiáveis e pontuais e solo fértil — foram degradadas pelo desmatamento, afirma o relatório, e o corte de florestas continua.

Segundo a Coffee Watch, a seca de 2014 no Brasil foi um ponto de virada, quando a falta de chuvas se tornou praticamente anual. Desde então, quando chove, o momento muitas vezes não coincide com as necessidades das exigentes plantações de café. Simultaneamente, à medida que esses déficits de umidade continuam, o solo seca, prejudicando ainda mais o crescimento, conclui o relatório.

No ano passado, uma seca intensa no Brasil contribuiu para a escassez e picos selvagens nos preços globais do café, prenunciando problemas futuros. Embora o governo brasileiro tenha avançado na redução do desmatamento em algumas áreas nos últimos anos, uma crise de preços muito mais severa pode estar se formando se os ciclos anuais de chuva colapsarem. Até 2050, preços extremos podem se tornar a norma à medida que grande parte do cinturão cafeeiro brasileiro se torna menos produtivo, prevê a Coffee Watch.

Ainda assim, o desmatamento para expansão agrícola não é exclusividade do Brasil, e o cultivo de café não é a atividade agrícola mais problemática. A pecuária e o cultivo de soja são responsáveis por grande parte do desmatamento no Brasil e em outros lugares.

As florestas absorvem carbono e ajudam a regular o clima global, mas a alta demanda por commodities importantes, como o café, tem impulsionado o desmatamento mundialmente. Em 2023, a União Europeia adotou uma lei que obrigará os agentes da indústria de gado, madeira, cacau, soja, óleo de palma, café e borracha a provar que seus produtos não vêm de terras recentemente desmatadas.

Para manter o acesso ao mercado europeu, que consome mais café do que qualquer país ou bloco no mundo, agricultores em grandes países produtores e exportadores como Vietnã e Etiópia estão se preparando para fornecer dados de geolocalização sobre a origem de suas plantações.

O Brasil se opôs à legislação. No ano passado, pressionou por atrasos, escrevendo para a Comissão Europeia — braço executivo da União Europeia — que a lei é “um instrumento unilateral e punitivo que desconsidera leis nacionais,” conflita com princípios de soberania, discrimina países com recursos florestais e eleva custos de produção e exportação.

Em vez disso, propôs uma mudança na economia por trás do desmatamento e a criação de um fundo para pagar aos países em desenvolvimento uma taxa pela proteção das florestas. No próximo mês, o Brasil sediará a conferência climática anual das Nações Unidas na Amazônia e tentará avançar sua visão ambiental em meio a ventos políticos mutáveis e evidências crescentes de que continuar com os negócios como de costume não é uma opção a longo prazo.

No mês passado, a Comissão Europeia pediu um adiamento na implementação da lei de desmatamento, alegando que o sistema não está tecnicamente pronto.

Mas na terça-feira, a comissão anunciou requisitos reduzidos em vez de um adiamento total, com regras começando em momentos escalonados para grandes e pequenas empresas. A proposta, observou a comissão, ainda precisa da aprovação do Parlamento Europeu.

FONTE: The New York Times
IMAGEM: Dado Galdieri/The New York Times

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Internacional

Colômbia fortalece liderança cafeeira nos EUA

As exportações de café colombiano vivem um momento histórico, impulsionado pela guerra tarifária entre o Brasil e os Estados Unidos, o que permitiu ao país ganhar participação no mercado norte-americano.

Em 2024, a Colômbia ocupou a segunda posição com 19% de participação, atrás do Brasil, com 32%. No entanto, as medidas tarifárias de 2025 podem reduzir essa diferença.

Entre janeiro e agosto deste ano, as exportações de café colombiano para os Estados Unidos cresceram 14,7%, alcançando 3,3 milhões de sacas de 60 quilos, segundo dados da Dian analisados pela Analdex e Asoexport. Em contraste, o Brasil registrou uma queda de 20,7% no mesmo período, reflexo do impacto comercial entre os dois países.

📈 Recorde histórico de exportações
A Colômbia pode ultrapassar os US$ 5 bilhões em exportações de café em 2025 — o maior valor de sua história. Até agosto, o acumulado foi estimado em US$ 4,1 bilhões, um aumento de 76% em relação ao mesmo período de 2024. Esse desempenho se explica pelo preço internacional, que se mantém acima de US$ 3 por libra, com uma média de 354,31 centavos — muito superior à do ano anterior.

Segundo Gustavo Gómez, presidente da Asoexport, o país pode se tornar o principal fornecedor de café para os Estados Unidos, fortalecendo a renda de milhares de famílias produtoras.

🌍 Europa aumenta as compras
A Alemanha se consolidou como o segundo destino, com 8% de participação e crescimento de 30% em relação a 2024. Em seguida vêm Canadá, Bélgica e Japão, além de novos mercados como França, Países Baixos e Egito, que apresentaram aumentos significativos.

Cúpula Cafeeira 89
O tema será central na Cúpula Cafeeira 89, organizada pela Analdex e Asoexport, que será realizada nos dias 6 e 7 de novembro em Cartagena. No evento, serão debatidos o futuro do setor, a sustentabilidade e a logística das exportações de café colombiano.

FONTE: Todo Logística News
IMAGEM: Reprodução/Todo Logística News

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Comércio Exterior

Colômbia pode se tornar principal fornecedora de café dos EUA graças à guerra tarifária

A Colômbia pode se tornar o principal fornecedor de café dos Estados Unidos, após a guerra tarifária impulsionada pelo presidente Donald Trump abrir espaço para o produto colombiano, aumentando suas exportações, principalmente para o mercado norte-americano.

De acordo com dados respaldados por análises da Associação Nacional de Comércio Exterior (Analdex) e da Associação Nacional de Exportadores de Café (Asoexport), entre janeiro e agosto de 2025, as vendas para os EUA cresceram 14,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, atingindo 3,3 milhões de sacas de 60 quilos.

Em 2024, a Colômbia ocupou a segunda posição com 19% de participação, atrás do Brasil, que detinha 32%; no entanto, a situação em 2025 pode reduzir essa diferença entre os dois países. Entre janeiro e agosto deste ano, os embarques brasileiros de café para os EUA caíram 20,7% em comparação ao mesmo período de 2024, segundo dados do Cecafé (Conselho de Exportadores de Café do Brasil). As exportações passaram de 5 milhões para 4 milhões de sacas de 60 kg, confirmando o impacto das medidas tarifárias e a tensão política entre Brasil e EUA no comércio de café.

“Os fluxos de exportação de café no mundo estão mudando por causa das tarifas. Nesse sentido, a Colômbia pode se tornar o principal fornecedor de café dos Estados Unidos. Esta é uma ótima notícia para o país, pois o aumento do interesse pelo café colombiano no mercado global pode gerar mais renda para as famílias cafeeiras na Colômbia”, explicou Gustavo Gómez, presidente da Asoexport.

“A boa produção de café, juntamente com os preços internacionais, tem feito do café colombiano um produto líder nas exportações do país. Devemos aproveitar essa janela tarifária favorável para consolidar nossa posição nos Estados Unidos”, afirmou Javier Díaz Molina, presidente da Analdex.

FONTE: Portal Portuário
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuário

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Agronegócio

Exportações do agronegócio brasileiro batem recorde em setembro de 2025, com destaque para carnes suína e bovina

O agronegócio brasileiro registrou, em setembro de 2025, o maior valor de exportações para o mês desde o início da série histórica. Segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), o país exportou US$ 14,95 bilhões, alta de 6,1% em relação a setembro de 2024. O setor foi responsável por 49% de todas as exportações brasileiras no período.

O avanço foi impulsionado pelo aumento de 7,4% no volume exportado, mesmo com uma queda média de 1,1% nos preços internacionais. No acumulado de janeiro a setembro, o agronegócio já movimentou US$ 126,6 bilhões, um crescimento de 0,7% sobre o mesmo intervalo do ano anterior.

Carnes suína e bovina lideram crescimento das exportações

Entre os produtos com melhor desempenho, a carne bovina in natura se destacou com US$ 1,77 bilhão exportado, avanço de 55,6% sobre 2024. Já a carne suína in natura atingiu o recorde histórico de US$ 346,1 milhões, aumento de 28,6% em valor e 78,2% em volume.

Confira a seguir um histórico das exportações brasileiras de carna bovina a partir de janeiro de 2022. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:

Exportações Brasileiras de Carne Bovina | Jan 2022 a Ago 2025 | TEU

Outro destaque foi o milho, que somou US$ 1,52 bilhão em vendas externas, alta de 23,5%. Produtos como café e pescados também tiveram bom desempenho, com aumentos de 9,3% e 6,1%, respectivamente.

Diversificação da pauta exportadora impulsiona novos recordes

O governo federal tem apostado na diversificação das exportações do agronegócio, com abertura e ampliação de mercados de maior valor agregado. A estratégia inclui promoção comercial, apoio às cadeias produtivas e missões internacionais voltadas para Ásia, Europa e América do Norte.

Em setembro, produtos menos tradicionais também registraram recordes históricos de volume exportado, como sementes de oleaginosas (exceto soja), que cresceram 92,3%, melancias frescas (+65%), feijões (+50,8%) e lácteos (+13,7%). No geral, esses itens somaram alta de 9,2% em setembro e 19,1% no acumulado do ano.

Presença internacional fortalece o agro brasileiro

Para o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, os resultados comprovam a resiliência e competitividade do setor. “Mesmo diante de um cenário global desafiador, o desempenho de setembro mostra o acerto da estratégia de abertura e diversificação de mercados. Desde 2023, foram 444 novas oportunidades criadas para produtores e exportadores brasileiros”, afirmou.

Já o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luís Rua, destacou o impacto das missões internacionais no desempenho do setor. “A combinação de sanidade, qualidade e competitividade consolida o Brasil como parceiro estratégico na segurança alimentar global. Em 2025, o MAPA realizou mais de 60 missões internacionais, além de feiras e ações de promoção comercial, como a Caravana do Agro Exportador, em parceria com a ApexBrasil e o Itamaraty”, disse.

Exportações geram emprego, renda e fortalecem a economia brasileira

O bom desempenho das exportações do agronegócio tem impacto direto na geração de empregos, no aumento da renda e no fortalecimento das contas externas. Somente em 2025, o setor garantiu superávit comercial de mais de US$ 111 bilhões, reforçando a importância do agro para a economia nacional.

Além de consolidar o país como potência exportadora de alimentos, o avanço das vendas externas estimula investimentos em inovação, sustentabilidade e novas tecnologias, ampliando a presença do Brasil nas principais cadeias globais de alimentos.

FONTE: MAPA
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Portos

Atrasos nos portos travam exportações de café e expõem gargalos logísticos do Brasil

As exportações de café brasileiro enfrentaram em agosto um dos maiores gargalos logísticos dos últimos anos. Segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), mais de 600 mil sacas ficaram retidas nos portos, gerando prejuízos de R$ 5,9 milhões apenas com custos de armazenagem e detenção de contêineres.

O impacto financeiro foi ainda maior: o país deixou de arrecadar cerca de R$ 1,2 bilhão em receita cambial, considerando o valor médio da saca exportada. O cenário preocupa, já que o Brasil é líder mundial na produção de café, mas enfrenta crescentes entraves logísticos para escoar sua safra.

Portos operam no limite

O Porto de Santos, responsável por mais de 80% das exportações nacionais, opera próximo à capacidade máxima. Em agosto, dois terços dos navios programados sofreram atrasos ou mudanças de escala, com casos de espera que chegaram a 47 dias.
No Porto do Rio de Janeiro, segundo mais relevante para o setor, quase 40% das embarcações também registraram problemas.

Confira a seguir um histórico das exportações brasileiras de café em grão via Porto de Santos. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:

Exportações Brasileiras de Café em Grão | Jan 2022 a Ago 2025 | TEU

O Cecafé defende uma estratégia conjunta entre governo e iniciativa privada para destravar os gargalos. O novo marco regulatório dos portos, em análise na Câmara, é visto como essencial para acelerar concessões, ampliar investimentos e evitar disputas judiciais que atrasam projetos, como a licitação do Tecon Santos 10.

Impacto no agronegócio brasileiro

O problema não afeta apenas o café. Outras cadeias agroexportadoras que dependem do transporte conteinerizado — como frutas, algodão e carnes processadas — também sentem os efeitos da ineficiência portuária.
Com a safra recorde e a demanda global em alta, cresce o temor de que os gargalos de infraestrutura se tornem um dos maiores entraves à expansão do agronegócio brasileiro nos próximos anos.

Especialistas apontam falhas estruturais

Para Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Feagro-MT, os atrasos resumem o desafio logístico nacional. Segundo ele, produtores que investem em tecnologia e qualidade perdem competitividade ao não conseguirem entregar no prazo, reduzindo o retorno sobre os investimentos.

Rezende alerta ainda para a defasagem de armazenagem, estimada em mais de 20% da safra, o que obriga o agricultor a escoar grãos rapidamente sob risco de perda. A situação se agrava com estradas precárias e falta de integração entre modais, fatores que encarecem o transporte e diminuem a competitividade frente a concorrentes internacionais.

“O custo do transporte rodoviário no Brasil chega a ser 30% mais alto que nos Estados Unidos, o que compromete toda a cadeia produtiva”, exemplifica.

Soluções para destravar a logística

Na avaliação do especialista, o Brasil precisa de uma reengenharia logística nacional, baseada na expansão de ferrovias, hidrovias, terminais de integração e centros logísticos estratégicos.
“O governo e o setor privado precisam entender que logística não é custo extra, mas sim o alicerce para manter o agro crescendo e competitivo no mercado global”, conclui Rezende.

FONTE: Pensar Agro
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Exportação

Exportações de café especial e solúvel do Brasil aos EUA despencam após tarifaço, dizem entidades

As exportações de café especial e solúvel do Brasil para os Estados Unidos despencaram em agosto em relação a julho, segundo entidades do setor. A queda aconteceu após a entrada em vigor do tarifaço de Donald Trump sobre os produtos brasileiros.

Segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o Brasil enviou 21.679 sacas de café especial aos Estados Unidos em agosto. O volume representa uma queda de 69,6% na comparação com julho deste ano. Em relação a agosto de 2024, as vendas caíram 79,5%.

No caso do café solúvel, a queda foi de 50,1% em relação a julho e 59,9% na comparação com agosto do ano passado, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics). Foram enviadas 26.460 sacas no mês.

O impacto do tarifaço na exportação do café brasileiro também já havia aparecido nos dados gerais do setor. Segundo o Cecafé, o Brasil exportou 17,5% menos café, de todos os tipos, em agosto de 2025 na comparação com o mesmo mês do ano passado.

Além disso, a Alemanha ultrapassou os EUA e se tornou a maior compradora do grão brasileiro.

Entidades pedem negociação

Em agosto, os Estados Unidos caíram para o sexto lugar entre os maiores compradores de café especial do Brasil, ficando atrás da Holanda (62.004 sacas), Alemanha (50.463), Bélgica (46.931), Itália (39.905) e Suécia (29.313).

Apesar da queda, os EUA continuam liderando o ranking de importações dos cafés especial e solúvel no acumulado de 2025.

As associações de exportação lamentaram a queda no número de exportações aos norte-americanos e pediram que os dois governos abram negociação.

“Essa taxação de 50% inviabiliza o comércio com os americanos. Precisamos abrir canais para alcançar uma solução que devolva um fluxo de negócios justo na relação cafeeira entre Brasil e EUA”, disse Aguinaldo Lima, diretor executivo da Abics.

“Muitos contratos que haviam sido assinados vêm sendo suspensos, cancelados ou adiados, a pedido dos importadores americanos”, afirmou Carmem Lucia Chaves de Brito, presidente da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA).

“É crucial que nós, enquanto setor privado, representado por todas as entidades de classe, mantenhamos as conversas com os parceiros industriais e importadores nos EUA e o Departamento de Estado americano, assim como o governo brasileiro precisa abrir, de fato, negociações com a gestão Trump para encontrar uma solução”, acrescentou a líder da BSCA.

Fonte: G1

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Comércio Exterior

Sim, o café da manhã está mais caro

Nos últimos 12 meses, o preço do café registrou um aumento de quase 21%, reflexo direto das tarifas impostas pelo ex-presidente Donald Trump ao Brasil e ao Vietnã.

Até recentemente, os consumidores estavam relativamente protegidos dos impactos das tarifas, já que muitas empresas preferiram arcar com os custos extras de importação em vez de repassá-los ao público. Agora, porém, o efeito começa a ser sentido diariamente, no valor de uma simples xícara de café.

Segundo dados divulgados pelo Bureau of Labor Statistics, por meio do Índice de Preços ao Consumidor, os valores do café subiram 20,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, a maior alta desde os anos 1990. Apenas em agosto, a elevação foi de 3,6%.

O movimento já era esperado. Desde que a tarifa geral de 10% sobre grãos de café verde entrou em vigor, as empresas do setor vêm enfrentando custos crescentes. O tamanho do aumento, entretanto, mostra como as taxas sobre países como Brasil e Vietnã ficaram pesadas dentro da política comercial instável de Trump.

Mesmo antes dessas tarifas mais duras, problemas no fornecimento global já pressionavam os preços, principalmente devido a secas em importantes produtores, como Brasil e Vietnã. Algumas empresas já haviam reajustado seus valores para compensar o encarecimento do café no mercado internacional.

No início, muitas companhias ainda tentaram segurar os preços, absorvendo o impacto das taxas adicionais, incluindo a alíquota de 10% aplicada aos parceiros comerciais dos EUA em abril.
Contudo, com tarifas ainda mais altas já em vigor — 50% sobre importações brasileiras, 20% sobre as vietnamitas e 19% sobre as da Indonésia —, torrefações e cafeterias acabaram sem margem para manter os preços estáveis.

Um exemplo é a Corvo Coffee, em Nova York, que anunciou recentemente um reajuste. Em comunicado aos clientes, explicou que a decisão foi motivada pelo “aumento dos custos e das tarifas”.
“Seguramos essa mudança pelo maior tempo que conseguimos”, informou a empresa. “Mas, para seguir garantindo qualidade e consistência, o ajuste se tornou inevitável.”

Na prática, o valor de um café coado simples passou de US$ 2,50 para US$ 3,75.

Fonte de informações: The New York Times

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Comércio Exterior

Com tarifaço e oferta global escassa, café sobe mais de 30% em agosto

Perdas na safra brasileira também contribuem para o cenário de cotações em alta

A tarifa de 50% imposta pelo governo dos Estados Unidos ao café brasileiro desde 6 de agosto está impulsionando os preços internacionais do grão e o fechamento de contratos de café do Brasil para Europa e Ásia neste mês. Na Intercontinental Exchange (ICE), o contrato para dezembro saiu de US$ 287,55 por saca em 31 de julho para US$ 378,30 por saca na sexta-feira (22/8), uma alta no mês de 31,6%.

Márcio Ferreira, presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), diz que com a tarifa imposta por Trump, os compradores americanos pararam de comprar do Brasil e passaram a buscar grãos de outras origens. Mas, devido à oferta global escassa, os preços do café voltaram a subir mesmo no fim da colheita brasileira do arábica.

“Isso foi gerando incertezas no mercado e outros países começaram a antecipar compras de café. A gente tem percebido esse movimento do lado da Europa e da Ásia”, disse Ferreira.

O presidente do Cecafé acrescentou que perdas na safra brasileira também contribuem para o cenário de preços em alta. A Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer) divulgou nesta semana perdas de pelo menos 412 mil sacas de café arábica na região do Cerrado Mineiro, devido às geadas que atingiram a região nos dias 10 e 11 de agosto. “O mercado não consegue prever onde está o pico de preços”, disse.

Ferreira afirmou ainda que os consumidores americanos têm sido os mais afetados pelo tarifaço. Além da tarifa de 50% sobre o café brasileiro, Trump impôs tarifa de 20% ao café do Vietnã e de 10% aos grãos da Colômbia.

“O consumidor americano passa a ser um aliado contra a tarifa, porque ele é muito prejudicado. A questão é até que ponto isso vai influenciar a decisão do governo americano. A gente sabe que o café é uma moeda forte de troca numa mesa de negociação. A gente continua trabalhando buscando uma isenção”, afirmou o executivo.

Segundo dados da balança comercial divulgados pelo governo, nas três primeiras semanas de agosto os embarques de café verde cresceram 14% em comparação com o mesmo período do ano passado.

Em julho, segundo o Cecafé, as exportações havia recuado 27,6%, para 2,73 milhões de sacas. Em receita, houve aumento de 10,4%, para US$ 1,03 bilhão.

Fonte: Globo Rural

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Portos

Brasil deixa de receber R$ 1,1 bi com a permanência de 1.542 contêineres de café parados nos portos em julho

No sétimo mês de 2025, exportadores acumularam prejuízos de R$ 4,1 milhões com armazenagem adicional, detentions, pré-stacking e antecipação de gates

O esgotamento da infraestrutura nos portos do país fez com que o Brasil deixasse de embarcar 508.732 sacas de 60 kg – equivalentes a 1.542 contêineres – de café em julho de 2025, conforme levantamento realizado pela Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) junto a seus associados. O não embarque desse volume impediu que o país recebesse US$ 196,05 milhões, ou R$ 1,084 bilhão, como receita cambial em suas transações comerciais apenas em julho deste ano, considerando o preço médio Free on Board (FOB) de exportação de US$ 385,36 por saca (café verde) e a média do dólar de R$ 5,5279 no mês passado.

“Esse não ingresso de receitas com a exportação de café gera elevados prejuízos aos exportadores e representa o menor repasse das transações comerciais aos produtores brasileiros, uma vez que somos o país que mais transfere o preço FOB dos embarques aos cafeicultores, a uma média que supera 90% nos últimos anos”, lamenta o diretor técnico do Cecafé, Eduardo Heron.

Segundo ele, não é “saudável” ao comércio exterior brasileiro acumular prejuízos logísticos devido à infraestrutura defasada do país, a qual vem causando constantes atrasos e alterações de escalas dos navios e, somente em julho, gerou um prejuízo de R$ 4,140 milhões aos exportadores de café com a adição de custos extras com armazenagem adicional, detentions, pré-stacking e antecipação de gates.

“Iniciamos esse levantamento em junho de 2024 e, desde então, as empresas associadas ao Cecafé acumulam um prejuízo de R$ 83,061 milhões com esses gastos elevados e imprevistos, decorrentes dos atrasos e alteração de escalas dos navios, por falta de infraestrutura portuária adequada nos principais portos de escoamento do café no Brasil”, informa.

Devido a esse cenário desafiador, “que tende a piorar no segundo semestre com o aumento da chegada dos cafés colhidos na safra deste ano”, Heron comenta que a entidade segue empenhando esforços no diálogo com os diversos entes do comércio exterior e trabalhando para que os atores dos setores público e privado sejam dotados de dados críveis, na expectativa de se buscar, de forma conjunta, medidas “emergenciais e céleres” para reduzir, o quanto antes, os impactos negativos que os gargalos logísticos vêm causando aos exportadores.

O diretor técnico do Cecafé revela que a entidade se reuniu, no mês passado, com o gerente do Observatório do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI), Bruno Pinheiro, para discutir uma proposta de aprimoramento dos indicadores logísticos e a criação de índices para monitorar os entraves nas exportações de café. Para tanto, o Conselho vem contando com constante apoio da associação Logística Brasil, na construção de uma pauta focada em logística, em Brasília (DF), além de também vir atuando em parceria com outras entidades do agronegócio.

“Faremos um refinamento nas informações de nosso Boletim Detention Zero, tido como referência na apuração dos atrasos dos navios e de seus impactos nas exportações de café, com base em informações extraídas da (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) ANTAQ e outras fontes públicas de dados. O objetivo é, em conjunto, estruturarmos um indicador, inicialmente para café, que será disponibilizado por meio do observatório do IBI, para avaliar quais são os entraves nas exportações, de maneira a ter uma informação mais acurada e estruturada, visando buscar políticas públicas para melhorar o desempenho do setor exportador”, explica.

Ainda conforme Heron, o segmento exportador brasileiro, em especial os setores que atuam com cargas conteinerizadas, demandam, “com urgência”, da adoção de medidas para dar agilidade nos leilões de terminais, ampliar a capacidade de pátio e berço nos portos, aumentar os acessos portuários e incentivar a diversificação dos modais de transporte, com investimentos em ferrovias e hidrovias.

“É nesse sentido que estamos atuando para a criação desses indicadores logísticos que permitam acompanhar, de maneira adequada, as demandas na infraestrutura portuária do Brasil, de forma que os portos possam evoluir na mesma proporção do avanço das cargas, considerando o constante crescimento do agronegócio nacional”, completa.

O diretor técnico do Cecafé alerta que o cenário de atrasos e alterações nas escalas de navios, “que gera prejuízos milionários ao setor e impede a entrada de bilhões em receita no Brasil”, tende a piorar neste segundo semestre de 2025.

“No semestre passado, o período de entressafra de várias commodities ajudou a reduzir a pressão nos terminais e armadores, porém, como não houve melhorias e aumento de capacidade dos terminais portuários, os desafios se intensificarão neste segundo semestre, auge da safra de muitos produtos que dependem dos contêineres para exportação”, projeta.

Heron comenta, ainda, “estar um pouco mais otimista” com os avanços nas discussões do leilão do Tecon Santos 10. “Em painel de debate promovido pelo Tribunal de Conta da União (TCU), no mês passado, ficamos satisfeitos ao ouvir a manifestação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) de não fazer sentido a criação de restrições na participação de interessados no leilão do Tecon Ssantos 10 e que existem ‘remédios’ mais adequados para impedir eventuais concentrações de mercado”, conta.

O diretor técnico do Cecafé também destaca que, em audiência pública realizada pela Comissão de Desenvolvimento Econômico (CDE) da Câmara Federal, de autoria do deputado Julio Lopes, ficou evidente a importância de se avançar, com celeridade, no leilão do Tecon Santos 10, sem restrição de participação, para que ele ocorra ainda em 2025 e proporcione condições portuárias adequadas para as cargas nos próximos anos, evitando prejuízos ao comércio exterior do país.

RAIO-X DOS ATRASOS

Em julho de 2025, 51% dos navios, ou 167 de um total de 327 embarcações, tiveram atrasos ou alteração de escalas nos principais portos do Brasil, conforme o Boletim Detention Zero (DTZ), elaborado pela startup ElloX Digital em parceria com o Cecafé.

O Porto de Santos, que respondeu por 80,4% dos embarques de café de janeiro a julho deste ano, registrou um índice de 65% de atraso ou alteração de escalas de navios, o que envolveu 118 do total de 182 porta-contêineres. O tempo mais longo de espera no mês retrasado foi de 35 dias no embarcadouro santista.

Ainda em julho, apenas 4% dos procedimentos de embarque tiveram prazo maior do que quatro dias de gate aberto por navios no porto santista. Outros 59% possuíram entre três e quatro dias e 38% tiveram menos de dois dias.

O complexo portuário do Rio de Janeiro (RJ), o segundo maior exportador dos cafés do Brasil, com 15,5% de participação nos embarques entre janeiro e julho de 2025, teve índice de atrasos de 37% no mês retrasado, com o maior intervalo sendo de 40 dias entre o primeiro e o último deadline. Esse percentual indica que 26 dos 70 navios destinados às remessas do produto sofreram alteração de escalas.

Também no sétimo mês deste ano, 38% dos procedimentos de exportação tiveram prazo superior a quatro dias de gate aberto por porta-contêineres nos portos fluminenses; 41% registraram entre três e quatro dias; e 21% possuíram menos de dois dias.

Fonte: Cecafé

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Comércio Exterior

Rússia amplia compras de café brasileiro e pode até ser opção aos EUA

Mesmo em guerra com a Ucrânia e sofrendo sanções de países ocidentais que visam o seu sistema financeiro, a Rússia compra cada vez mais café brasileiro. Em 2024, foi o décimo maior destino do produto, com a importação de 1,372 milhão de sacas de 60 quilos.

Neste ano, já ocupa o oitavo lugar no ranking, com 732,3 mil sacas compradas de janeiro a julho, acima das quase 598 mil sacas do mesmo período de 2024, segundo o Conselho de Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

Os russos estão comprando também mais cafés especiais do Brasil. Do total exportado à Rússia neste ano, 101.365 sacas foram de cafés especiais, alta de 267% em relação ao mesmo período de 2024.

Confira a seguir um histórico das exportações brasileiras de café em grão para a Rússia a partir de janeiro de 2022. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:

Exportações Brasileiras de Café em Grão para a Rússia | Jan 2022 a Jun 2025 | TEU

De olho no crescimento dessa demanda por cafés especiais, um grupo de oito compradores russos visitou fazendas produtoras do Espírito Santo e Rondônia em agosto.

Uma das fazendas visitadas foi a Camocim, que fica em Domingos Martins, na região das Montanhas Capixabas. Os russos conheceram o café Jacu e os outros cafés especiais do tipo arábica orgânicos e biodinâmicos, cultivados na propriedade que pratica agricultura regenerativa.

Henrique Sloper, dono da Camocim, afirma que já embarcou muito café para a Rússia no passado, mas interrompeu os negócios com a guerra e agora espera reativar as exportações, junto com um grupo de produtores capixabas.

Consumo x guerra
“Nosso relacionamento com a Rússia é antigo porque é um mercado que toma muito café. O café especial era um mercado emergente por lá, mas o crescimento foi interrompido pela guerra. Hoje, é preciso fazer muita ginástica para mandar café para lá e outra ginástica maior para receber”, diz.

Entre o grupo de visitantes russos, estava a dona de uma distribuidora de cafés de Moscou que já faz negócios com a trading de café BMP Farmers Coffee, de Nova Venda do Imigrante (ES).

Além da Rússia, a BMP Farmers Coffee, que tem mais de 300 fornecedores entre os produtores de arábica e conilon no Espírito Santo, exporta cafés especiais para Canadá, Austrália e países da Europa. Segundo Luísa Lang, diretora de comunicação da Farmers, houve alguns problemas no início da guerra com a Ucrânia, mas as exportações para a distribuidora russa foram mantidas.

“Os russos disseram que têm interesse em aumentar a distribuição dos cafés especiais brasileiros em seu país, sobretudo o conilon, considerado uma boa alternativa para as torrefadoras”, disse Lang.

O crescente interesse dos russos pelo produto é uma boa notícia num momento em que as exportações para os EUA, o maior cliente do Brasil, ficaram inviáveis com a sobretaxa de 50% imposta pelo governo Donald Trump.

Sloper diz que reativar os negócios com os russos é uma das opções para substituir o mercado americano. Ele antecipou o envio neste ano de 320 sacas aos EUA, mas espera uma solução para voltar a embarcar para seus três clientes americanos. Além da Rússia, o produtor afirma que outra opção é aumentar os negócios com o Japão, para onde viaja para participar da maior feira de café da Ásia.

Fonte: Globo Rural

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