Comércio Exterior, Economia, Exportação, Informação, Tributação

Empresas de SC preveem crise e demissão em massa no setor madeireiro com tarifaço de Trump

Especialista alerta que impasse comercial entre Brasil e Estados Unidos pode acarretar em demissões em massa na região de São Bento do Sul e Campo Alegre.

Empresas do setor madeireiro e fábricas de móveis de Santa Catarina já sentem os impactos negativos após o anúncio de medidas econômicas para o Brasil, anunciadas por Donald Trump. O tarifaço de 50% em produtos brasileiros inicia em 1º de agosto e já abala conexões comerciais entre os dois países. Especialistas do mercado alertam sobre crise e demissões em massa no Estado.

Cerca de 40% das empresas de São Bento do Sul e Campo Alegre, cidades referências no setor moveleiro, já precisaram paralisar o processo de produção e exportação de produtos para os Estados Unidos. De acordo com o presidente do Sindicato de Indústrias da Construção e do Mobiliário (Sindusmobil), Luiz Carlos Pimentel, o tarifaço de Trump impacta diretamente as indústrias do Planalto Norte catarinense e acrescenta que é comum existir dificuldade de reajuste de preços:

— O mercado americano sempre foi um dos mais criteriosos quando se trata de aceitar qualquer tipo de reajuste de preço. É sempre muito difícil de você conseguir repassar um reajuste para um americano — analisa Pimentel.
O presidente do sindicato ainda detalha que algumas empresas podem ter condições de armazenar a produção até que a situação seja esclarecida. No entanto, outras precisarão reduzir jornadas de trabalho e até aplicar férias coletivas. Até o momento, a região não registrou demissão devido à taxação.

— Isso porque os Estados Unidos são os principais compradores externos de móveis de madeira produzidos em Santa Catarina. A região de São Bento do Sul é responsável, sozinha, por 50% de exportação de móveis do Estado de Santa Catarina. Do montante de 84 milhões de dólares de móveis exportados no último ano, cerca de 55% vai pro mercado americano — frisa Pimentel.

Cenário em SC

Para o presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Mario Cezar de Aguiar, o setor madeireiro é um dos mais importantes do Estado. Atualmente, existem 6.019 empresas moveleiras em todo o território catarinense. São 73.419 pessoas contratadas.

— Essa indústria madeireira está muito focada no mercado americano. Então a preocupação é de que realmente seja aplicada essa tarifa de 50% já a partir de 1º de agosto. Estamos trabalhando para que haja uma prorrogação desse prazo e tenha um prazo maior para negociação – expõe o presidente da Fiesc.

O presidente do Sindicato das Indústrias de Madeiras do Médio e Alto Vale do Itajaí (Sindimade), Ricardo Rozene Rossini, ainda diz que caso o tarifaço não seja revertido o mercado catarinense e brasileiro poderá passar por grandes alterações.

— Caso não tenhamos sucesso, infelizmente o setor da madeira terá que passar a fazer demissões em massa como jamais se viu na história do setor — alerta Rossini.

Nesta quarta-feira (23), o Grupo Ipumirim, grande empresa do setor madeireiro localizado no Oeste do Estado, anunciou que 550 funcionários receberão férias coletivas nos próximos dias. De acordo com a direção da companhia, a decisão é momentânea até que os governos do Brasil e Estados Unidos cheguem a um acordo que dê fim a esse impasse comercial.

FONTE: NSC Total

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Comércio Exterior

Setores ligados a gigantes dos EUA tentam destravar negociação de tarifas sobre o Brasil

Importadores e distribuidores de café e suco de laranja e grupos das áreas petrolífera, energética, farmacêutica e aérea buscam interlocutores

Setores ligados a empresas gigantes dos Estados Unidos estão atentos à ameaça das sobretaxas de 50% sobre produtos importados do Brasil anunciada por Donald Trump e têm buscado interlocutores do Brasil para tentar evitar as tarifas.

As sobretaxas estão previstas para serem implementadas em 1º de agosto. Além de empresas que importam e distribuem café e suco de laranja —que são obtidos em peso do Brasil—, companhias das áreas petrolífera, energética, farmacêutica e aérea também têm demonstrado preocupação com o impacto que esses tributos podem ter.

Como mostrou a Folha, o governo brasileiro trata a mobilização do empresariado americano como importante para tentar convencer consumidores e autoridades dos EUA do impacto que as tarifas podem ter. Isso ajudaria a pressionar o governo americano por uma negociação em torno das tarifas. Por ora, empresários têm se movimentado com cautela para evitar exposição e eventual retaliação do governo.

A Câmara do Comércio americana, maior associação empresarial do país, foi uma das que trataram publicamente do tema. Em nota divulgada semana passada, fizeram um apelo pela negociação em torno das sobretaxas para evitar sua implementação em 1º de agosto. O órgão diz que 6.500 pequenas empresas seriam impactadas nos EUA.

“A tarifa proposta de 50% afetaria produtos essenciais às cadeias produtivas e aos consumidores norte-americanos, elevando os custos para as famílias e reduzindo a competitividade de setores produtivos estratégicos dos Estados Unidos”, afirmou a câmara, em nota divulgada com a Amcham (Câmara Americana de Comércio no Brasil).

Em carta endereçada ao presidente Lula (PT), o presidente Donald Trump vinculou a implementação das tarifas ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Também reclamou do diz serem centenas de ordens judiciais que visam censurar a liberdade de expressão de americanos e suas empresas.

O governo brasileiro tenta levar a negociação para o campo comercial, o único em que vê possibilidades de ceder. Integrantes do Judiciário têm sido categóricos ao dizer que não vão recuar no julgamento de Bolsonaro. E Lula classificou a carta como tentativa de interferência e ataque à soberania do Brasil.

Por ora, os campos formais de negociação estão suspensos. Isso porque somente a Casa Branca dará a orientação sobre a negociação e isso ainda não ocorreu. O governo do Brasil enviou uma carta pedindo a negociação e não teve resposta —e segue sem previsão de ter.

Nesta semana, as empresas Johanna Foods e Johanna Beverages, que importam e distribuem suco de laranja, recorreram ao Tribunal de Comércio Internacional, em Nova York, para que declare nula a aplicação das tarifas de Trump.

As companhias alegam que o presidente americano excedeu seus poderes de implementar tarifas sem o aval do Congresso ao vincular as tarifas a uma questão política —que não justificaria uma emergência econômica.

O Brasil representa de 65% a 70% das importações de suco de laranja totais dos EUA. O país também é o maior fornecedor individual de café, com importações que variam de 20% e 30%, a depender das safras. Responde ainda por 12% da oferta de açúcar de cana e por 9% da carne bovina.

Está entre os cinco maiores fornecedores de aeronaves e suas peças, representado especialmente pela Embraer, o que justifica a preocupação do setor aéreo. Em sexto lugar no ranking de exportações do Brasil aos EUA estão os produtos químicos, que servem de insumo para a produção de medicamentos. O Brasil também responde por cerca de 5% a 6% das importações americanas de petróleo bruto.

Como mostrou a Folha, para fazer a troca seria necessário promover adaptações que, com certeza, vão elevar o preçoRepresentante das grandes petroleiras com atividade no país, incluindo as americanas ExxonMobil e Chevron, o IBP (Instituto Brasileiro do Petróleo e Gás) disse ver com preocupação a chance de implementação da sobretaxa.

Em nota divulgada poucos dias após o anúncio de Trump, o instituto disse que a medida traz incertezas para o setor de petróleo e gás, que responde hoje por 17% do PIB industrial brasileiro e 1,6 milhão de empregos diretos e indiretos no país. E ressalta que o petróleo foi o principal produto da pauta de exportações brasileira em 2024.

Fonte: Folha de São Paulo

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Comércio Exterior, Mercado Internacional

Acordos avançam no mundo, e Brasil se isola a oito dias do tarifaço dos EUA

Governo tem adotado uma postura combativa diante do que considera uma medida protecionista injustificada

A oito dias do início da taxação de 50% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos, o governo busca soluções para impedir o avanço da medida. Além do Brasil, outros países como Indonésia, integrantes da União Europeia, Canadá e Japão também sofreram com a imposição de tarifas.

Entretanto, muitos deles, conseguiram acordos que podem diminuir o impacto nas respectivas economias, apesar de criar uma maior dependência com os EUA.

Em meio à crise entre os EUA e o Brasil, o governo brasileiro tem adotado uma postura combativa diante do que considera uma medida protecionista injustificada e prejudicial para a economia.

Apesar de representantes tentarem diálogo com os norte-americanos, o Brasil não descarta a possibilidade de aplicar a Lei da Reciprocidade— regulamentada na semana passada —, o que desagrada o setor empresarial.

Nesta quarta-feira (23), o presidente Donald Trump afirmou que só concordará em abaixar as tarifas caso o país que esteja em negociação abra o mercado para os Estados Unidos.

“Se não, tarifas muito mais altas! Os mercados japoneses já estão abertos (pela primeira vez!). Os negócios nos EUA vão crescer!”, escreveu Trump em sua rede social, Truth Social.

Segundo o chefe do Departamento de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo, Rodrigo Medina, esses acordos feitos com demais nações servem como uma garantia de vantagens concorrenciais em relações bilaterais.

O problema em não negociar

Segundo o coordenador do curso de Relações Internacionais da Universidade Católica de Brasília, Gustavo Menon, existem riscos para o Brasil, em termos econômicos e diplomáticos, caso opte por não negociar diretamente com os Estados Unidos diante da ameaça tarifária.

O Brasil se expõe a uma série de riscos significativos. Em relação aos impactos econômicos e comerciais, a perda nas exportações será sintomática. Tarifas de 50% sobre produtos brasileiros podem afetar setores estratégicos, como agronegócio, indústria de transformação e aviões, tornando os produtos brasileiros menos competitivos no mercado americano”, acredita.

Para o especialista, isso torna a situação ainda mais crítica considerando o déficit comercial brasileiro com os EUA, reforçando o diálogo como a melhor iniciativa para um acordo.

A recusa em negociar pode ser vista como hostilidade, fragilizando décadas de uma parceria de mais de 200 anos. O desafio é seguir, diante da nossa melhor tradição diplomática, com os diálogos universalistas. Dessa forma, não negociar de maneira construtiva tende a aprofundar impactos negativos sobre a economia e a reputação internacional do Brasil, como revelam os inúmeros precedentes de outros países que já enfrentaram a mesma encruzilhada diplomática.”

Faltam ‘avanços significativos’

Para o especialista em negócios internacionais Augusto Fernandes, faltam avanços significativos por parte do governo brasileiro.

“Se concretizando, isso é uma bomba atômica na economia brasileira. Você viu aí nas últimas 24 horas, a Indonésia negociou isenção total, pagando 19% dos produtos que exportam para lá, o Japão negociou investimento de 500 milhões lá e isenção de tarifa, você viu a Europa toda negociando. Mas, até agora, nós estamos imobilizados, não vemos avanço nenhuma parte”, comentou.

Apesar disso, Rodrigo Medina sinaliza que também falta diálogo por parte do governo americano. “O diálogo envolve ao menos dois interlocutores. Não é o que se trata, não tem um canal de diálogo aberto”, comentou.

Na reunião com o Itamaraty, o chanceler Mauro Vieira afirmou que há esforço do governo para avançar negociações com o setor privado dos Estados Unidos e com autoridades políticas.

Um embaixador presente relatou que contatos foram reiterados em abril, antes do anúncio das novas tarifas por parte do presidente Donald Trump, mas que não houve retorno.

Acordos com outros países

Nesta terça-feira (22), a Casa Branca confirmou a conclusão do acordo com a Indonésia, que concordou em eliminar aproximadamente 99% das barreiras tarifárias aos EUA para produtos industriais, alimentícios e agrícolas.

Enquanto isso, os norte-americanos concordaram em reduzir para 19% as tarifas recíprocas.

Em outro exemplo, o acordo com o Japão prevê que o país deve investir US$ 500 bilhões nos EUA, além de estarem sujeitos a uma tarifa de 15%, o que representa uma diminuição frente aos 25% iniciais.

Fonte: R7

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Comércio, Comércio Exterior

Brasil articulou apoio de países à fala na OMC, mas evitou irritar EUA

Apoio de 40 países veio após articulação prévia e Brasil evita medidas mais duras na OMC enquanto tenta negociar com EUA, dizem fontes

A diplomacia brasileira articulou previamente o apoio de países às críticas feitas ao tarifaço no Conselho Geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) nesta quarta-feira (23), segundo fontes que acompanharam as discussões disseram à CNN.

O discurso foi proferido pelo Secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, o embaixador Philip Fox-Drummond Gough, que condenou o uso de tarifas como ferramenta para interferir em assuntos internos de países.

Os países que endossaram o posicionamento brasileiro foram: China, Rússia, Peru, Hong Kong, Malásia, Austrália, Colômbia, Nova Zelândia, Camboja, Canadá, Índia, Camarões e Coreia do Sul e a União Europeia, que é formada por 27 países. Considerando o bloco europeu, 40 países apoiaram a intervenção.

Por não ser uma resolução, os países não votam propriamente, mas manifestaram apoio ao Brasil.

Para conseguir o endosso dos países, a missão do Itamaraty em Genebra conversou anteriormente com diplomatas de diversas nações para apresentar previamente as linhas gerais do posicionamento do Brasil.

Fontes informaram que não é praxe o Secretário participar desse tipo de reunião da OMC, mas ele viajou a Genebra justamente para levar o posicionamento brasileiro, que foi proferido por volta de meio-dia do horário local (7h de Brasília).

O secretário chegou na segunda-feira à Suíça e participou das reuniões durante dois dias.

Houve um cuidado entre os diplomatas brasileiros em Genebra para não fazer críticas diretas aos Estados Unidos, enquanto negociações entre Washington e Brasília acontecem no nível da chancelaria. A saída encontrada foi mencionar a necessidade de reformas na OMC e a defesa do multilateralismo.

Fontes também afirmam que enquanto o ministério de Relações Exteriores do Brasil coordena negociações com o governo Trump, a orientação para a missão em Genebra é não entrar com nenhuma medida mais incisiva no âmbito da OMC, como seria o caso de um pedido de disputa no Órgão de Solução de Controvérsias (OSC). A medida chegou a ser avaliada pelo governo Lula logo após o anúncio das tarifas de 50%.

O objetivo com o discurso do secretário Philip Fox-Drummond Gough neste momento era apenas mostrar que o Brasil é apoiado por importantes países em suas queixas sobre as políticas tarifárias de Donald Trump.

Fonte: CNN Brasil

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Investimento

Investimentos brasileiros nos EUA crescem 52% em 10 anos, aponta CNI

Os dados são de um levantamento inédito da Confederação Nacional da Indústria.

Um levantamento inédito da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que mais do que um parceiro comercial, os Estados Unidos são importantes para investimentos brasileiros.

Em 10 anos, empresas brasileiras instalaram 142 projetos produtivos no país norte-americano. São mais de 22 bilhões de dólares em investimentos — um aumento de 52% em relação a 2014. Nos últimos 5 anos, 70 empresas anunciaram projetos por lá, como JBS e Embraer, todas geraram mais de 2.500 empregos e 1 bilhão de dólares para a economia norte-americana.

O mercado estadunidense responde por quase metade das vendas de jatos comerciais da Embraer e 70% dos jatos executivos. Os Estados Unidos investem bem mais no Brasil: R$ 357 bilhões — uma alta de mais de 200%. O estudo reforça que a relação é importante para os dois lados, além dos empregos gerados lá. Segundo a CNI, R$ 1 bilhão exportados aos Estados Unidos gerou 24 mil empregos no Brasil.

A CNI reforça que os Estados Unidos tem superávit na relação com o Brasil, ou seja, saem mais beneficiados desse comércio entre os dois países. Em relação a tarifa aplicada, a média é baixa, segundo a CNI, de 2,7%. Mesmo assim, para a gerente de Promoção Comercial da CNI, Tatiana Farah, sempre há espaço para negociar. Uma das áreas mais afetadas pelo tarifaço será a indústria da transformação. Os EUA é o principal destino de exportação do Brasil da indústria — nos últimos 10 anos, ela representou mais de 82% das exportações brasileiras para os EUA. Tatiana explica que é uma área de difícil realocação tanto no mercado interno quanto em outros mercados.

“Nós temos peças e autopeças, temos partes de avião, temos aviões inteiros, mas também nós temos, por exemplo, produtos de compensado de madeira, ou produtos de madeira que são feitos para o mercado americano, para o estilo de casa que existe nos Estados Unidos, que não é o mesmo que existe aqui. Então são esses exemplos de produtos, ou as carnes processadas, alimentos processados, são… É isso que a gente chama de produtos manufaturados. Então são produtos complexos, que não são sazonais e que são todos manufaturados pela indústria.”

Mesmo diante das negociações, o governo brasileiro não tem visto com otimismo os próximos passos. Na quarta-feira (23), Trump deu recados mesmo que indiretos ao Brasil ao dizer que estabeleceu tarifas de 15 a 50% e que o índice maior foi aplicado a países em que o relacionamento com os Estados Unidos ‘não tem sido bom’. Mesmo o índice de 15% é visto com preocupação pelos empresários.

Fonte: CBN

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Portos

Tarifaço de Trump pode afetar exportações via Porto de Itajaí e reduzir embarques para os EUA

A estimativa inicial do porto é de uma redução superior a 30% nos embarques com destino aos EUA

O anúncio do novo tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, gerou preocupações entre exportadores de Santa Catarina. A medida, com previsão de entrar em vigor a partir de 1º de agosto, impõe uma tarifa de até 50% sobre produtos importados do Brasil, o que classifica o país com a maior taxa até o momento. Nesse sentido, a medida internacional pode afetar as operações logísticas do Porto de Itajaí.

Conforme nota enviada ao NSC Total nesta semana pela Superintendência do Porto de Itajaí, ainda não há registro de embarques embargados ou cancelamentos diretos motivados pela nova tarifa. Porém, o eventual aumento deve atingir setores estratégicos, como móveis, madeira serrada, molduras e compensados, produtos com forte presença na região, com o mercado norte-americano como destino tradicional.

A estimativa inicial do porto é de uma redução superior a 30% nos embarques com destino aos EUA nos próximos meses. Para minimizar o impacto, empresas já avaliam alternativas, como o redirecionamento de cargas para outros destinos, incluindo países da Europa, Oriente Médio e América do Sul.

No entanto, o cenário ainda é acompanhado de perto, tendo em vista que o Brasil não chegou a firmar um novo acordo com os Estados Unidos. Países como Reino Unido, Vietnã e China já fecharam acordos e conseguiram aplicar estratégias para amenizar ou suspender as tarifas.

“O Porto de Itajaí reforça que o Brasil tratará a questão no campo diplomático e comercial, e que o governo federal deve intensificar políticas de incentivo à exportação e à diversificação de mercados, fortalecendo a posição brasileira no comércio exterior”, destaca a Superintendência do Porto de Itajaí.

Confira a nota na íntegra

O Porto de Itajaí informa que, até o momento, não há registro de embarques embargados ou cancelamentos diretos em decorrência das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos às exportações brasileiras. No entanto, a elevação tarifária de 50% sobre os produtos do Brasil — a mais alta entre os países afetados — tende a impactar setores relevantes da pauta exportadora de Santa Catarina, como móveis, madeira serrada, molduras e compensados, com forte presença nos estados de SC e PR.

A estimativa inicial é de redução superior a 30% nas exportações destinadas ao mercado norte-americano, ainda que os efeitos práticos estejam em fase de avaliação pelas empresas e entidades do setor.

Exportadores já vêm adotando ajustes estratégicos, como o redirecionamento de cargas para mercados alternativos, incluindo Europa, Oriente Médio e América do Sul, preservando sua competitividade internacional.

O Porto de Itajaí reforça que o Brasil tratará a questão no campo diplomático e comercial, e que o governo federal deve intensificar políticas de incentivo à exportação e à diversificação de mercados, fortalecendo a posição brasileira no comércio exterior.

Fonte: NSC Total

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Comércio Exterior, Exportação

Tarifa de 50% de Donald Trump pode zerar exportação de suco de laranja brasileiro para os EUA, diz CNA

Item deve ser um dos mais afetados pelo tarifaço de Trump. Em 2024, produtores brasileiros exportaram para os EUA mais de um milhão de toneladas de suco.

A tarifa de 50% sobre produtos brasileiros aplicada pelo presidente Donald Trump deve zerar a exportação de suco de laranja brasileiro para o mercado dos Estados Unidos, segundo uma nota técnica da Confederação Nacional da Agricultura (CNA).

O produto deve ser um dos mais afetados pelo tarifaço de Trump. Em 2024, produtores brasileiros exportaram para os EUA mais de um milhão de toneladas de suco.

“Alguns produtos sofrerão mais impacto que outros, caso dos sucos de laranja, em que a tarifa se tornaria impeditiva para o produto brasileiro. Enquanto isso, produtos como o café verde teriam um menor impacto relativo, devido à queda na oferta do grão no mercado internacional nos últimos anos, o que faz com que a capacidade de substituição seja mais rígida”, diz a nota.

O Brasil é o maior produtor de suco de laranja do mundo. De cada cinco copos consumidos no planeta, três são produzidos em solo brasileiro. Um dos principais mercados do produto é a América do Norte.

A CNA estima uma redução de 48% no valor das exportações brasileiras para os Estados Unidos com a tarifa. Isso representaria 5,8 bilhões de dólares a menos na venda de produtos agropecuários para o mercado norte-americano. A estimativa considera a repetição do saldo de 2024 – quando exportou 12,1 bilhões de dólares.

Além do suco de laranja, o setor açucareiro também deve sofrer forte impacto. A estimativa é de que açúcares de cana tenham uma redução de 74% do volume exportado, em relação ao ano passado. Já a venda de sacarose quimicamente pura, uma forma refinada do açúcar, também deve zerar.

O volume de exportação de artigos de madeira, que é considerado como produto agropecuário pelo Ministério da Agricultura, deve cair 93%. Obras em madeira podem ter uma redução de 77% na exportação.

Na sexta-feira (25), senadores devem embarcar para os Estados Unidos para participarem de uma rodada de negociações com empresários e congressistas norte-americanos. Eles vão tentar sensibilizar as empresas para que ajudem na negociação com o governo Trump. As reuniões ocorrerão entre os dias 28, 29 e 30.

Eles participaram de uma reunião no Ministério das Relações Exteriores, com a participação do ministro Mauro Vieira, nesta quarta (23). Os senadores receberam um briefing dos principais discursos que têm sido feitos contra o Brasil e de como combatê-los.

Fonte: G1

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Sustentabilidade

Brasil mantém liderança mundial no consumo de energias renováveis

Dados internacionais reforçam papel estratégico do país e ampliam expectativas para a COP30

O Brasil segue destacado como o protagonista global na transição energética, fato que muitos brasileiros desconhecem.

De acordo com dados do Our World in Data — projeto do Global Change Data Lab, sediado no Reino Unido e referência amplamente usada por organismos multilaterais —, o país apresenta, pelo menos desde 2000, um consumo per capita de energia primária renovável consistentemente superior à média mundial.

O gráfico abaixo evidencia essa trajetória de liderança.

Enquanto diversas nações avançam na adoção de fontes sustentáveis, o Brasil mantém vantagem graças à sua matriz energética majoritariamente renovável, com destaque para a geração hidrelétrica, os biocombustíveis e, mais recentemente, o crescimento das energias eólica e solar.

Enquanto o consumo anual de energia per capita no mundo está em 3183 kWh, o consumo brasileiro ascende a 8954 kWh, quase três vezes mais.

Esse desempenho não é apenas técnico, mas também simbólico. Em um cenário de crescente urgência climática, liderar em energia limpa significa mais do que cumprir metas: é ter autoridade para influenciar o rumo das discussões internacionais.

Nesse sentido, o Brasil está especialmente bem-posicionado para desempenhar um papel estratégico na COP30, que será realizada em Belém em 2025.

Com credenciais consolidadas, o país pode se tornar um difusor de tecnologias sustentáveis e de políticas públicas de incentivo à energia renovável, colaborando com países que enfrentam desafios semelhantes.

A experiência acumulada com o programa de biocombustíveis (notadamente o etanol e mais recentemente o biodiesel), a geração eólica, o incentivo à geração solar, são ativos que vão além das fronteiras nacionais.

É também uma oportunidade para reforçar o protagonismo diplomático do Brasil, alinhando sua tradição ambiental com uma agenda positiva de desenvolvimento.

Ao demonstrar que crescimento econômico e responsabilidade climática podem andar juntos, o país consolida sua imagem de liderança e inspira outras nações a seguir pelo mesmo caminho.

A liderança brasileira no consumo de energia renovável per capita não é um dado isolado: é o reflexo de uma política energética que, ao longo dos anos, tem conseguido equilibrar segurança, diversidade e sustentabilidade. Agora, mais do que nunca, essa trajetória ganha relevância global.

Com visão estratégica e compromisso climático, o Brasil pode transformar sua vantagem histórica em influência concreta no cenário internacional da transição energética.

Fonte: CNN Brasil

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Investimento

Fábricas da Petrobras reduzem dependência brasileira de fertilizantes nitrogenados

Durante reunião do Confert, presidente da companhia afirma que novas unidades vão atender 35% nacional da demanda por ureia

A retomada dos investimentos da Petrobras em fábricas de fertilizantes hidrogenados deve reduzir significativamente a dependência brasileira de insumos importados nessa área. Segundo a presidente da companhia, Magda Chambriard, a entrada em operação de quatro fábricas nos estados do Paraná, Bahia, Sergipe e Mato Grosso do Sul atenderá 35% da demanda nacional por fertilizantes à base de ureia até 2028. Atualmente, quase 100% da ureia utilizada pela agricultura brasileira vem de fora do país.

Os números foram apresentados por Chambriard durante a 5ª Reunião Ordinária do Confert, o Conselho Nacional de Fertilizantes (Confert), realizada nesta terça-feira (22/7) na sede do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A reunião foi presidida pelo vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin.

“O agro e o setor de petróleo estão se fundindo cada vez mais. E o fertilizante é uma excelente oportunidade para a gente ampliar o nosso mercado de gás”, afirmou Chambriard. A presidente citou ainda as parcerias com a Embrapa para o desenvolvimento de fertilizantes de alta eficiência, com produção de amônia a arla, além de ureia.

Os investimentos da Petrobras somam R$ 900 milhões no período de 2025-29 nas fábricas de Araucária (Ansa), no Paraná; Fafen, na Bahia e em Sergipe; e UFN-III, em Três Lagoas (MS). Segundo Chambriard, os projetos estão gerando entre 13 mil e 15 mil postos de trabalho.

 Na abertura da reunião, Alckmin destacou a importância dos investimentos do país nesse setor. “Brasil é grande exportador, produtor e exportador de proteína animal e vegetal. Neste ano nós vamos ter uma safra recorde, 10% a mais. E a demanda por fertilizantes é crescente”.

Bioinsumos

A reunião do Confert também aprovou a inclusão de 16 novos projetos à sua Carteira de Projetos Estratégicos, sendo 14 da Embrapa, um do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e um do setor privado.

Embrapa – Dos 14 projetos da Embrapa. 11 se referem a pesquisa e desenvolvimento de soluções sustentáveis envolvendo biofertilizantes, bioinsumos, bioestimulantes e bioinoculadores. Exemplo: Desenvolvimento de bactérias promotoras de crescimento para mudas florestais de espécies importantes para o segmento industrial de celulose.

Setor privado – Projeto da Prumo Logística para estruturação de um Hub de Hidrogênio de Baixo Carbono no Porto de Açu, Rio de Janeiro, com foco na criação de um ecossistema industrial integrado para produção de hidrogênio sustentável e seus derivados, como amônia e metanol.

Mapa – Regulamentação da Lei de Bioinsumos, sancionada em dezembro de 2024. A lei dispõe sobre a produção, a importação, a exportação, o registro, a comercialização, o uso, a inspeção, a fiscalização, a pesquisa, a experimentação, a embalagem, a rotulagem, a propaganda, o transporte, o armazenamento, as taxas, a prestação de serviços, a destinação de resíduos e embalagens e os incentivos à produção de bioinsumos para uso agrícola, pecuário, aquícola e florestal, inclusive sobre a produção com objetivo de uso próprio.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços

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Economia

Haddad: governo tem plano para socorrer setores afetados por tarifaço

Segundo Haddad, Casa Branca está interditando conversas

As áreas técnicas da equipe econômica e do Ministério das Relações Exteriores concluíram o desenho do plano de contingência para socorrer os setores da economia afetados pela imposição de tarifas de 50% pelos Estados Unidos, revelou nesta quarta-feira (23) o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. As medidas serão levadas na próxima semana ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“A área técnica dos três ministérios envolvidos [Fazenda, Indústria e Relações Exteriores] vão me apresentar amanhã os detalhes. Provavelmente semana que vem nós devemos levar para o presidente [Lula]”, afirmou o ministro, que não adiantou detalhes sobre nenhuma medida.

Elaborado com base nos parâmetros definidos por Haddad e pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, o plano de contingência ainda precisa ser avaliado pelos ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e da Casa Civil, Rui Costa, antes de serem enviadas a Lula, que tomará a decisão final.

Dificuldades

Haddad reiterou que a prioridade do governo continua sendo a negociação com os Estados Unidos. O ministro, no entanto, admitiu que a Casa Branca está interditando qualquer debate.

“Nós [do Ministério da Fazenda] estamos falando com a equipe técnica da Secretaria do Tesouro [estadunidense], mas não com o secretário Scott Bessent”, disse Haddad. Alckmin tem conseguido falar com alguns secretários americanos, mas não tem recebido respostas da Casa Branca.

“A informação que chega é que o Brasil tem um ponto, o Brasil tem razão em querer sentar à mesa, mas que o tema está muito concentrado na assessoria da Casa Branca, daí a dificuldade de entender melhor qual vai ser o movimento [dos Estados Unidos]”, justificou Haddad.

Apesar das dificuldades, o ministro afirmou ainda ver espaço para negociações com o país, baseados nas experiências de acordos recentemente fechados com o Vietnã, o Japão, a Indonésia e as Filipinas. Haddad também citou avanços nas negociações entre os Estados Unidos e a União Europeia como fator que pode estimular o Brasil.

“Houve boas surpresas em relação a outros países nos últimos dias. Podemos chegar à data de 1º de agosto com algum aceno e alguma possibilidade de acordo, mas para haver acordo precisa haver duas partes sentadas à mesa para chegar a uma conclusão. Não dá para antecipar um movimento que não depende só de nós, mas o Brasil nunca saiu da mesa de negociação”, acrescentou Haddad.

Governadores

O ministro elogiou a iniciativa de governadores em oferecer ajuda aos setores dos respectivos estados afetados pelo tarifaço do governo Donald Trump. No entanto, disse que as medidas de ajuda locais têm pouco alcance diante do impacto sobre as exportações brasileiras.

“Toda ajuda é bem-vinda, mas são movimentos um pouco restritos, não tem um alcance, porque uma linha de R$ 200 milhões, você está falando de US$ 40 milhões, enquanto estamos falando de US$ 40 bilhões de exportação”, afirmou Haddad.

O ministro referiu-se a uma linha de crédito de R$ 200 milhões anunciada nesta quarta pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

Apesar do alcance restrito, Haddad reconheceu o esforço dos governadores de se mobilizarem em torno das empresas e dos setores econômicos afetados.

“É bom saber que os governadores estão mobilizados e percebendo, finalmente, que é um problema do Estado brasileiro. É bom notar que eles estão mudando de posição, deixando de celebrar uma agressão estrangeira ao Brasil. Isso é importante: caírem na real e abandonarem o movimento inicial que fizeram de apoio ao tarifaço contra o Brasil”, comentou.

Fonte: Agência Brasil

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