Exportação

Tarifaço exclui 44,6% das exportações do Brasil para EUA, informa Mdic

Tarifaço exclui 44,6% das exportações do Brasil para EUA, informa Mdic

O tarifaço de 50% imposto pelo governo de Donald Trump exclui 44,6% das exportações brasileiras em valores para os Estados Unidos, divulgou nesta quarta-feira (31) o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). A pasta calculou o impacto da lista com cerca de 700 exceções para produtos que ficaram fora da sobretaxação.

Esses 700 itens, entre os quais aviões, celulose, suco de laranja, petróleo e minério de ferro, continuarão a pagar a tarifa de até 10% definida em abril. Segundo a pasta, as medidas anunciadas na quarta-feira (30) incidirão apenas sobre 35,9% das exportações brasileiras para os Estados Unidos.

Há ainda 19,5% das vendas sujeitas a tarifas específicas, adotadas pelo governo de Donald Trump com base em argumentos de segurança nacional. Entre esses produtos, estão as autopeças e automóveis de todos os países, que pagam 25% para entrarem nos Estados Unidos desde maio.

O aço, alumínio e cobre pagam alíquota de 50%, mas, segundo o levantamento do Mdic, estão dentro dos 19,5% porque as tarifas foram definidas com base nos argumentos de segurança nacional em fevereiro, com entrada em vigor em março.

De acordo com o Mdic, 64,1% das exportações brasileiras continuam concorrendo em condições semelhantes com produtos de outros países no mercado estadunidense. Esse percentual é a soma dos 44,6% de vendas excluídas do tarifaço e dos 19,5% de exportações com tarifas específicas.

Segundo a Secretaria de Comércio Exterior do Mdic, o levantamento é preliminar e foi elaborado com base nas exportações brasileiras para os Estados Unidos em 2024. O governo brasileiro espera alguns esclarecimentos sobre se algumas especificações de produtos estão fora da lista de exceções.

A pasta esclareceu que os produtos em trânsito para os Estados Unidos não serão afetados pelas tarifas adicionais. A decisão, emitida na quinta-feira (30), excluiu da elevação da tarifa mercadorias que tenham sido embarcadas no Brasil até sete dias após a data da ordem executiva, observadas as condições previstas.

O Mdic divulgou uma tabela do efeito do tarifaço e da lista de exceções sobre as exportações brasileiras para os Estados Unidos: Com base nos valores vendidos em 2024:

Exportação brasileira aos EUA em 2024:

Fonte: Agência Brasil

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Comércio

Petróleo fecha em queda com ajuste após fortes ganhos e reduz alta mensal a 5,8%

Investidores reagem a declarações de Trump sobre sanções à Rússia e impacto nas compras de petróleo pela Índia

Os contratos futuros de petróleo fecharam em queda nesta quinta-feira, 31, em correção após três sessões seguidas de ganhos. Investidores seguiram acompanhando as ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, de sanções severas à Rússia para que Moscou acabe com a guerra da Ucrânia até a próxima semana.

Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para setembro recuou 1,05% (US$ 0,74), a US$ 69,26 o barril. Já o Brent para outubro, negociado na Intercontinental Exchange (ICE) teve baixa de 1,06% (US$ 0,77), a US$ 71,70 o barril. No mês, o WTI e Brent subiram 5,82% e 6,83%, respectivamente.

Se tarifas significativas realmente forem adicionadas aos compradores de petróleo russo, como a Índia – que Trump já ameaçou na quarta-feira -, a reação do mercado será “desnecessário dizer, pesada”, afirma Neil Crosby, da Sparta Commodities.

Além disso, encontrar um substituto para o óleo bruto russo no mercado global seria difícil, dados os grandes volumes, os declínios mais rápidos do que o esperado na capacidade ociosa da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e diferenças nas qualidades da commodity, analisa o Goldman Sachs, que aponta que Índia e China devem ser as nações mais prejudicadas.

“Não me importo com o que a Índia faz com a Rússia. Eles podem afundar suas economias mortas juntos, tanto faz para mim. Fizemos muito poucos negócios com a Índia, suas tarifas são muito altas, entre as mais altas do mundo”, escreveu Trump nesta madrugada no Truth Social.

Segundo a Reuters, as refinarias estatais indianas Indian Oil, Hindustan Petroleum, Bharat Petroleum e Mangalore Refinery Petrochemical pararam de comprar petróleo da Rússia na última semana, diante de menores descontos neste mês e com o alerta feito pelo presidente dos EUA.

Fonte: InfoMoney

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Economia

Ibovespa cai e dólar sobe com reação do mercado ao tarifaço

Na Europa, os principais índices fecharam em queda. Já na Ásia, as bolsas oscilaram.

O mercado financeiro avalia, nesta quinta-feira (31), os efeitos do tarifaço aplicado pelo governo Donald Trump ao Brasil. O dólar oscila durante todo o dia. No começo da tarde, operava em leve alta de 0,03%, cotado aos R$ 5,59. Já o Ibovespa caia 0,57%, aos 133.229 pontos.

Na Europa, os principais índices fecharam em queda:

  • Stoxx 600: queda de 0,71%, aos 546,34 pontos;
  • FTSE 100 (Londres): queda de 0,08%, aos 9.130,04 pontos;
  • DAX (Frankfurt): queda de 0,81%, aos 24.065,47 pontos;
  • CAC 40 (Paris): queda de 1,14%, aos 7.771,97 pontos;

Na Ásia, os principais índices oscilaram:

  • Nikkei 225 (Tóquio): alta de 1,1%, para 41.069,82 pontos;
  • Kospi (Seul): queda de 0,3%, para 3.245,44 pontos;
  • Hang Seng (Hong Kong): queda de 1,5%, para 24.803,18 pontos;
  • Xangai Composto (Xangai): queda de 1,2%, para 3.573,21 pontos;
  • S&P ASX 200 (Austrália): queda de 0,2%, para 8.742,80 pontos;
  • Taiex (Taiwan): alta de 0,3%, para 23.542,52 pontos;
  • BSE Sensex (Índia): alta de 0,2%, para 81.642,81 pontos.

Impacto para os setores

Quase 60% dos produtos brasileiros ainda serão taxados em 50% quando entrarem nos Estados Unidos, se não houver acordo. A medida assinada pelo presidente Donald Trump afeta produtos como o café, frutas, pescado e carne bovina.

O diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil, o Cecafé, Marcos Matos, disse, em entrevista ao CBN São Paulo, que as negociações continuam em andamento.

Ele ressaltou que, apesar das tarifas, uma queda do preço do café no mercado interno não deve acontecer no momento. Marcos Matos explica que isso depende de outros fatores:

“O mercado já começou a trabalhar. As tarifas são só mais um item dessa equação, mais uma variável – ela é incerta porque, a todo momento, também as condições mudam, os acordos comerciais com cada país mudam. Continuamos a trabalhar para que a gente consiga colocar o produto na lista de exceções, mas sempre buscando o diálogo entre os dois países que é primordial também”, afirmou.

O setor de pescados também ficou de fora da lista de exceções. Em entrevista ao Jornal da CBN, o diretor-executivo da ABIPESCA, Jairo Gund, explicou que as exportações serão inviáveis para o mercado americano.

“Estamos vivendo talvez o momento mais sensível da história recente do nosso setor. E, agora, a gente fica numa situação onde temos a perda total de de competitividade, comparado com os nossos principais concorrentes externos. Fica completamente inviável. Já estava tendo retenções de embarque pelo receio da confirmação da entrada em vigor -que se confirmou na data de ontem. Agora, nós teremos um impacto severo na redução da produção primária”, explica.

Os mercados caribenho e asiático, que são os concorrentes, também foram tarifados, mas em taxas menores do que a do Brasil.

Uma situação similar atinge o setor de carnes. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne, a carga tributária total ultrapassaria os 76%, dificultando o processo. A Abiec afirmou em nota que ainda busca uma negociação com os importadores norte-americanos e com o governo brasileiro.

A tarifa também afetará a competitividade dos derivados de cacau brasileiro e pode gerar riscos fiscais e operacionais para o setor. Segundo a Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau, os Estados Unidos responderam por 18% do valor total exportado pelo Brasil.

A Associação Brasileira de Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados ainda acompanha o desdobramentos de negociações entre os dois países.

Em relação ao setor do Alumínio, a Associação Brasileira do Alumínio estima um prejuízo de mais de R$ 1 bilhão para o setor. De acordo com a Abal, as tarifas também ameaçam a cadeia de reciclagem.

Fonte: CBN

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Negócios

10 maiores multinacionais brasileiras nos Estados Unidos

A expansão de multinacionais brasileiras para mercados estrangeiros é um cenário cada vez mais comum, pois contribui para o fortalecimento da economia de todos os países envolvidos. As empresas brasileiras têm se destacado ao estabelecerem presença em diversas nações, sobretudo nos Estados Unidos, a maior potência econômica do mundo.

A busca por novas oportunidades de crescimento, o acesso a tecnologias de ponta e a ampliação do alcance comercial são alguns dos benefícios que têm impulsionado esse cenário. Porém, atravessar fronteiras e conquistar um espaço sólido em solo norte-americano não é somente uma estratégia de expansão, mas também uma capacidade de se adaptar a contextos empresariais distintos e desafiadores. 

Ao longo deste artigo, você vai conhecer o panorama das 10 maiores multinacionais brasileiras nos Estados Unidos, de modo a evidenciar a relevância desses empreendimentos para o desenvolvimento econômico global e para o fortalecimento das relações entre Brasil e Estados Unidos. Boa leitura!

O que é considerada uma multinacional?

Uma empresa multinacional representa toda organização que, apesar de contar com uma sede oficial em seu país de origem, expandiu suas atividades para outras nações. Ou seja, é um negócio que atua de maneira internacional, independentemente da quantidade de países em que está presente.

As multinacionais também são chamadas de transnacionais ou empresas globais, sendo características do atual mundo globalizado em que vivemos. Elas começaram a surgir após a Revolução Industrial, passando a dominar o mercado com o fim da Segunda Guerra Mundial.

Para as organizações, esse modelo é uma forma de expandir os negócios e aumentar a presença global, além de maximizar os lucros. Já para os países que recebem filiais, há benefícios como o desenvolvimento tecnológico local, a geração de empregos e uma maior competitividade, o que traz melhores preços e variedade de produtos.

A expansão de multinacionais é um processo quase natural. Isso porque, quando uma empresa já contempla praticamente todo o seu mercado interno e percebe que há um nicho no mercado externo, é natural que ela queira abrir filiais, fábricas ou outras formas de extensões do negócio para conquistar novos consumidores e aumentar os seus lucros.

Como é a atuação de empresas brasileiras nos EUA?

Os EUA oferecem um futuro promissor para a expansão de empresas de diversos setores, impulsionando seu crescimento e apresentando um consumo mais atento e sustentável. É por isso que, nas últimas décadas, diversas organizações brasileiras passaram a marcar presença em território norte-americano.

De acordo com o “Mapeamento de Empresas Brasileiras Instaladas nos Estados Unidos”, elaborado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil) em 2020, mais de 500 empresas do Brasil atuam nos EUA, em 29 setores de bens de consumo e de serviços. Elas demonstram forte representação nos segmentos de produtos comerciais, produtos de consumo e serviços comerciais.

As empresas presentes nos EUA têm uma média de 14 instalações no país, além de apresentarem uma média de 772 funcionários e atuarem em solo estadunidense há cerca de 16,7 anos. Outro dado interessante é quanto ao local de atuação dos brasileiros: a maioria (70%) concentra suas operações na Flórida, estado considerado como centro de acesso à América Latina, seguida por Texas e Califórnia.

Quais são as maiores multinacionais brasileiras instaladas nos EUA?

Após conhecer as características de uma multinacional e os números da atuação brasileira nos EUA, é hora de conferir as 10 maiores multinacionais brasileiras instaladas em solo norte-americano. Elas souberam enfrentar os desafios do mercado externo e construíram uma estratégia de sucesso, passando a obter boa parte de seu faturamento no exterior. A seguir, veja quais são elas.

1. Stefanini

Esta multinacional nasceu no interior de São Paulo, em 1987, com sede no município de Jaguariúna. Seu foco é na prestação de serviços, software e consultoria de informática, sendo considerada hoje como uma das principais empresas de Tecnologia da Informação (TI) do mundo.

A Stefanini tem subsidiárias em 37 países, incluindo os Estados Unidos, além de 24 mil empregados. Sua primeira filial internacional foi aberta na Argentina, em Buenos Aires, em 1996. Mas sua expansão no mercado exterior só foi se intensificar a partir dos anos 2000.

O sucesso da multinacional se deve, sobretudo, às suas aquisições internacionais, como a norte-americana RCG Staffing, especializada em recrutamento e treinamento de profissionais de TI para empresas, e a IHM Engenharia, integradora de sistemas, instrumentação, elétrica e TI Industrial.

2. Gerdau

Maior empresa brasileira produtora de aço, a Gerdau é outra multinacional com atuação expressiva nos Estados Unidos. Trata-se de uma organização centenária, inaugurada em 1901, com sede localizada na cidade de São Paulo. 

A empresa está presente em 9 países, conta com 32 unidades produtoras de aço e tem mais de 28 mil colaboradores diretos e indiretos no mundo. Além disso, é conhecida como uma das fornecedoras de aços longos mais importantes das Américas e de aços especiais no globo, reconhecida também como a maior recicladora da América Latina.

Sua primeira operação fora do país ocorreu em 1980, no Uruguai. A partir daquele ano, a empresa intensificou cada vez mais sua atuação no exterior, com a demanda dos Estados Unidos se tornando a principal fonte de ganhos de desempenho da multinacional no primeiro trimestre de 2023.

3. Tupy

Com sede em Joinville (SC), a Tupy é uma empresa global do mercado de metalurgia, focada na produção de componentes estruturais em ferro fundido de alta complexidade geométrica e metalúrgica. Foi fundada em 1938 e tem escritórios no Brasil e em outros quatro países: Alemanha, Estados Unidos, Itália e Holanda. 

As soluções de engenharia desenvolvidas pela Tupy são aplicadas nos setores de transporte de carga, infraestrutura, agronegócio e geração de energia. Os produtos são exportados para cerca de 40 países, contando com uma mão de obra de 13 mil funcionários.

Em 2022, a multinacional adquiriu a MWM, tradicional fabricante de motores e geradores. Assim, ingressou no setor de Energia & Descarbonização, Marítimo e de Reposição, melhorando ainda mais seus resultados.

4. Metalfrio

Produtora e fornecedora de soluções na indústria de refrigeração comercial, a Metalfrio tem fábricas na América Latina (Brasil e México) e Ásia (Rússia e Turquia). Mas sua atuação é muito mais ampla: conta com escritórios, lojas e representantes comerciais espalhados em 74 países nos 5 continentes.

Fundada em 1960, a multinacional oferece soluções customizadas para marcas mundiais e regionais, atendendo diferentes necessidades e mercados. Mesmo com uma atuação tão ampla, seu quadro de funcionários é baixo se comparado às demais empresas desta lista: são pouco mais de 1 mil colaboradores.

Graças ao seu empenho em alavancar a produção nas operações europeias, a Metalfrio se tornou uma das empresas que mais faturam fora do Brasil. Um resultado desse trabalho é o aumento de vendas na Europa e no Oriente Médio e um faturamento de mais de R$ 1 bilhão por ano.

5. JBS

A JBS foi fundada em Anápolis, no estado de Goiás, em 1953. Nesses 70 anos de atuação, a empresa se tornou uma das maiores indústrias de alimentos do mundo, passando a contar com cerca de 250 mil empregados e 500 unidades em mais de 20 países em 5 continentes, entre fábricas e escritórios. Em relação aos clientes, são mais de 275 mil em, aproximadamente, 190 países.

Seu primeiro negócio fora do país foi aberto em 2005, na Argentina. Mas o destaque fica por conta de sua atuação na América do Norte, onde opera as unidades JBS USA Beef (maior empresa de carne bovina do mundo) e JBS USA Pork (segunda maior produtora mundial de carne suína).

Marcas mundialmente famosas, como Seara, Swift e Friboi, pertencem à JBS e contribuem para seu faturamento expressivo. Porém, a multinacional vai além dos alimentos, comercializando também embalagens metálicas, itens de higiene e limpeza, colágeno, biodiesel, entre outros.

6. CZM

Outra empresa brasileira que se destaca no exterior é a CZM, fundada em 1976, em Belo Horizonte (MG). Se em seus primeiros anos o negócio consistia em apenas uma oficina de máquinas e tratores, nas décadas seguintes ele cresceu cada vez mais, tornando-se líder no mercado de produção de equipamentos de perfuração e cravação de estaca.

Hoje, a CZM tem uma fábrica em Contagem (MG) e outra na Geórgia (EUA), exportando seus produtos para mais de 30 países, com foco na América do Sul e do Norte. O portfólio inclui máquinas para fundação, construção civil, logística, mineração e energia.

O processo de internacionalização desta multinacional foi iniciado recentemente, mas ela chama a atenção pelas vendas e pós-vendas sem intermediários, diretamente das fábricas e filiais próprias. Desse modo, a relação com os clientes é mais rápida e fácil.

7. Marfrig

Em nossa lista de maiores empresas multinacionais brasileiras nos EUA, a Marfrig não poderia ficar de fora. Isso porque estamos falando da líder global na produção de hambúrgueres e uma das maiores empresas de proteína bovina do mundo.

Foi fundada há pouco mais de duas décadas, em 2000, tendo como sede São Paulo. Mas hoje, seus produtos estão presentes em mais de 100 países, reunindo 21 unidades produtivas bovinas, 10 centros comerciais e de distribuição em 4 continentes e cerca de 30 mil funcionários.

A Marfrig também produz e comercializa itens à base de proteína vegetal, sendo a primeira multinacional brasileira a atuar nesse setor em escala comercial. Para esse nicho, a empresa firmou um acordo exclusivo com a norte-americana Archer Daniels Midland Company (ADM), o que deu origem à PlantPlus Foods!, focada nas Américas do Sul e do Norte.

8. BRF

Em 2009, duas das maiores empresas de alimentos do mundo, a Sadia e a Perdigão, se fundiram, dando origem à BRF, cujo início das operações ocorreu em 2013. A multinacional está presente em mais de 130 países de 5 continentes e tem sede em Itajaí (SC), reunindo uma equipe de mais de 90 mil profissionais pelo mundo.

A atuação da BRF na América vem ganhando cada vez mais relevância nos últimos anos, pois é constituída de mercados com grande potencial de crescimento. Na região, a empresa tem 3 escritórios comerciais, 9 unidades produtivas e 13 centros de distribuição.

Desde 2021, a empresa decidiu investir em seu mercado nos Estados Unidos, Europa e China, tendo como objetivo o alcance de um faturamento de R$ 100 bilhões até 2030 nesses locais. Os esforços foram bem-sucedidos e a BRF tem apresentado bons resultados nos últimos anos.

9. DMS Logistics

Com sede no Rio de Janeiro (RJ), a DMS Logistics foi fundada em 1987 e é uma multinacional brasileira de agenciamento de carga, com polos em São Paulo e Miami. Ela impressiona pelo baixo número de funcionários (cerca de 300), mas também pela alta receita e faturamento milionário.

Se nos anos 1990 a empresa se dedicou a consolidar sua atuação, a virada do milênio foi marcada por uma forte expansão. Foi quando começou a atuar nos Estados e o processo de internacionalização foi concluído.

Um ponto forte da empresa é sua diversificação: em 2012, decidiu mudar de ares e deu os primeiros passos na indústria farmacêutica. Após poucos anos, esse se tornou seu principal segmento de atuação, mostrando que um negócio pode ter como foco diferentes produtos ou serviços.

10. WEG

A WEG é uma empresa voltada para o segmento de bens industriais, motores, compressores, entre outros. Tem sede na cidade de Jaraguá do Sul (SC) e foi criada em 1961, com sua primeira filial fora do Brasil tendo sido aberta nos Estados Unidos, em 1991.

É reconhecida no mercado como uma das maiores fabricantes de equipamentos elétricos do mundo, contando com uma equipe de mais de 39 mil colaboradores e 3 mil engenheiros em todo o globo. Além disso, tem filiais em 37 países e fábricas em 15, marcando presença em 5 continentes.

A WEG não comercializa seus produtos diretamente aos clientes, pois sua produção está voltada à compra de insumos e matérias-primas, como chapas de aço e cobre. Após adquiri-los com fornecedores, a empresa modifica-os e desenvolve equipamentos industriais.

Fonte: Amcham

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Economia

Brasil tem 2ª maior taxa de juros real no mundo com Selic a 15%; veja lista

Copom manteve taxa básica no maior patamar desde 2006

Brasil segue com o 2º maior juro real do mundo após o BC (Banco Central) manter a Selic em 15%, em decisão divulgada nesta quarta-feira (30). É o que mostra um levantamento da consultora econômica MoneYou, que leva em consideração 40 países das Américas, África, Ásia, Europa e Oceania.

A taxa básica real do país é de 9,76%, atrás apenas da Turquia, a 10,88%. No mês passado, esses números eram, respectivamente, 9,53% e 14,44%.

O que são juros reais?

Os juros reais são a diferença entre a taxa nominal e a inflação, e, mais do que a taxa bruta, é o número que de fato afeta a economia.

O cálculo considera tanto a inflação quanto os juros futuros, estimados pelo mercado para 12 meses à frente, já que a tendência futura dessas duas variáveis é o que realmente influencia no andamento da economia e nas decisões do BC para a Selic.

Para a taxa brasileira, a metodologia usou a inflação projetada para os próximos 12 meses pelo mercado e coletada pelo Boletim Focus, que é de 4,53%.

Também foi considerada a taxa de juros DI a mercado dos próximos 12 meses, aproximadamente, no vencimento mais líquido, em julho de 2026.

Selic segue em 15%

Por volta das 18h30 desta quarta, o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) confirmou o encerramento do ciclo de aperto monetário, mantendo a taxa no patamar de 15% ao ano, o mais elevado desde 2026.

O voto foi unânime pela manutenção dos juros, movimento que veio em linha com a ampla expectativa do mercado.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior

Trump ameaça dobrar a aposta se Lula aplicar reciprocidade no tarifaço

Tarifaço de Donald Trump sobre o Brasil entra em vigor na próxima quarta-feira (6) com lista de quase 700 exceções

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, oficializou o “tarifaço” sobre o Brasil ao assinar um decreto na quarta-feira (30). O texto impõe taxa de 40% aos produtos brasileiros, em complemento aos 10% anunciados em abril, o que ainda pode aumentar conforme a reação do governo brasileiro.

O tarifaço entra em vigor na próxima quarta-feira (6). O governo estadunidense, porém, abriu exceção para quase 700 produto brasileiros, como suco de laranja, castanha-do-Pará, minérios, petróleo, ventiladores e peças de aviação civil.

Trump deixou claro que pode modificar o decreto a depender da resposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em caso de retaliação aos Estados Unidos, ele promete reforçar a medida.

“Por exemplo, se o governo do Brasil retaliar aumentando as tarifas sobre exportações dos Estados Unidos, vou aumentar a taxa estabelecida nesta ordem para uma quantia correspondente”, declarou Trump.

Ele também está disposto a mudar de ideia se o governo brasileiro tomar providências contra o que chamou de “emergência nacional” e se alinhar com os Estados Unidos em “questões de segurança nacional, economia e política externa” abordadas no decreto.

Trump voltou a criticar o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), réu por golpe de Estado no STF (Supremo Tribunal Federal), que classificou de “perseguição política”.

“O tratamento do ex-presidente Bolsonaro pelo governo brasileiro contribui para o colapso deliberado do Estado de direito no Brasil, para a intimidação política e para abusos dos direitos humanos”, escreveu no decreto.

O norte-americano também citou o ministro Alexandre de Moraes, que teria “abusado de sua autoridade judicial para atacar oponentes políticos, proteger aliados corruptos e reprimir a dissidência”.

Em referência às ordens do STF para que plataformas suspendessem o perfil de investigados como Allan dos Santos, Trump disse que o ministro está “coagindo empresas estadunidenses para censurar discurso político”.

Moraes foi enquadrado na quarta-feira na Lei Magnitsky, que impõe sanções a autoridades estrangeiras acusadas de corrupção ou violação aos direitos humanos. Além da proibição da entrada no país, a lei bloqueia contas bancárias nos Estados Unidos e impede transações com empresas estadunidenses.

‘Interferência inaceitável’: Lula reage ao tarifaço de Trump

Em nota na quarta-feira, o presidente Lula reiterou que o Brasil é um país soberano e democrático, que respeita os direitos humanos e a independência entre os Poderes.

“É inaceitável a interferência do governo norte-americano na Justiça brasileira”, rebateu o presidente.

Lula se solidarizou com o ministro Alexandre de Moraes e criticou o tarifaço dos Estados Unidos, se colocando novamente à disposição para negociar com Trump.

“O governo brasileiro considera injustificável o uso de argumentos políticos para validar as medidas comerciais anunciadas pelo governo norte-americano contra as exportações brasileiras. O Brasil tem acumulado nas últimas décadas um significativo déficit comercial em bens e serviços com os Estados Unidos”, declarou.

“O Brasil segue disposto a negociar aspectos comerciais da relação com os Estados Unidos, mas não abrirá mão dos instrumentos de defesa do país previstos em sua legislação. Nossa economia está cada vez mais integrada aos principais mercados e parceiros internacionais”, acrescentou o presidente.

Por fim, Lula afirmou que o governo federal já iniciou a avaliação dos impactos das medidas e a elaboração das ações para apoiar e proteger os trabalhadores, as empresas e as famílias brasileiras.

Fonte: ND+

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Importação

Com ICMS maior, leite importado perde espaço e produção catarinense cresce 26%

Prorrogação da suspensão dos incentivos fiscais até julho de 2026 fortalece a indústria local e valoriza o trabalho dos produtores de leite de Santa Catarina

Foi prorrogado por mais 12 meses a suspensão dos incentivos fiscais voltados à importação de leite e derivados em Santa Catarina. O decreto foi assinado pelo governador Jorginho Mello (PL), na quarta-feira (30) e busca assegurar a competitividade da cadeia produtiva no estado.

A prorrogação é válida até 31 de julho de 2026. Com isso, as alíquotas das importações do leite e produtos lácteos continuarão com pagamento integral do ICMS variando entre 7% a 17%, a depender da mercadoria.

Conforme informações do governo, antes da suspensão, devido ao benefício fiscal, a carga tributária sobre essas operações fosse de apenas 1,4%. Isso favorecia a entrada de produtos estrangeiros a preços mais baixos.

“Quem trabalha no campo merece respeito e apoio do governo. A gente sabe o quanto é difícil acordar cedo, enfrentar sol, chuva e ainda competir com o produto que vem de fora. Essa medida é para proteger o nosso leite e garantir que o esforço dos nossos produtores tenha valor e mercado justo aqui em Santa Catarina”, destacou o governador.

A decisão corrige um desequilíbrio de mercado que prejudicava produtores catarinenses diante da concorrência da Argentina e Uruguai, por exemplo. Um dos exemplos críticos era o leite em pó integral. A importação catarinense cresceu 249% nos dois anos antes do decreto estadual.

A suspensão reflete positivamente na indústria catarinense. Indicadores da SEF (Secretaria de Estado da Fazenda) revelam que o volume de importações de leite e derivados caiu quase 75% no primeiro semestre de 2025 em comparação ao mesmo período de 2024. A redução foi de R$ 512,5 milhões para R$ 135,2 milhões.

Em contrapartida, a produção leiteira em Santa Catarina aumentou em 26% no mesmo período. Com isso, subiu de R$ 5,4 bilhões no primeiro semestre do ano passado para R$ 6,8 bilhões nos primeiros seis meses de 2025.

Segundo o secretário da Fazenda, Cleverson Siewert os números confirmam que a suspensão dos incentivos fiscais para a importação teve efeito.

“Reduzimos expressivamente a entrada de leite importado e, ao mesmo tempo, impulsionamos a produção local. Essa é uma resposta concreta a um pleito antigo dos produtores de leite catarinenses, que vinham enfrentando dificuldades para competir com o excesso de subsídios governamentais concedidos pelos países exportadores”, observou.

Incentivo ao produtor

O governo do estado ainda garantiu incentivos fiscais à agroindústria do leite catarinense por meio do programa Leite Bom aprovado na Alesc (Assembleia Legislativa de Santa Catarina) em agosto do ano passado.

A indústria passou a contar com benefícios semelhantes aos praticados nos estados vizinhos do Paraná e Rio Grande do Sul, elevando o equilíbrio competitivo.

Entre os benefícios está a garantia de crédito presumido para o leite UHT, queijos e derivados que tiveram um impacto financeiro de R$ 150 milhões em três anos, sendo R$ 75 milhões no primeiro ano, R$ 50 milhões, no segundo ano, e R$ 25 milhões, no terceiro.

Mais de 100 empresas são beneficiadas e, consequentemente, cerca de 7,3 mil funcionários.

Cadeia produtiva do leite

A indústria leiteira é considerada a terceira maior cadeia produtiva do estado. Conta com 80 mil produtores, que fazem de Santa Catarina o 4º maior produtor de leite do país (com 3,2 bilhões de litros por ano), atrás apenas de Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul

O secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Carlos Chiodini ressaltou que o programa fortalece toda a cadeia produtiva do leite. Segundo ele, é mais uma demonstração concreta do compromisso do nosso Estado com a bovinocultura leiteira.

“Somos o quarto maior produtor de leite do país, e com esses investimentos criamos condições para que o produtor possa investir na propriedade, aumentar sua renda e continuar no campo. Ao mesmo tempo, estimulamos o crescimento e a competitividade da indústria leiteira”, acrescentou.

Fonte: ND+

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Internacional

59% preferem Brasil mais próximo de EUA e não da China

Levantamento do PoderData perguntou qual país seria melhor para o Brasil nas transações comerciais; só 32% escolheram o asiático

A maioria dos brasileiros (59%) diz preferir que o Brasil seja mais próximo comercialmente dos EUA do que da China. O dado é de pesquisa PoderData, feita de 26 a 28 de julho de 2025.

O levantamento perguntou aos entrevistados com qual país eles achavam ser melhor o Brasil ter mais relações comerciais: EUA ou China. Só 32% defenderam que o país priorize as trocas com o país asiático. Outros 9% não souberam responder.

Desde o início do mandato de Donald Trump (Partido Republicano), as relações entre Brasil e EUA ficaram instáveis. Isso porque o chefe da Casa Branca ocupa o lado oposto do espectro político-ideológico do presidente brasileiro.

Trump é aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Inclusive, impôs agora uma taxação sobre os produtos brasileiros com a justificativa de sancionar o país pelo tratamento que o Poder Judiciário dá ao ex-presidente no processo que ele responde por tentativa de golpe de Estado.

Lula, por sua vez, além de já ter feitos diversas críticas públicas ao republicano, em novembro de 2024, nas eleições norte-americanas, declarou torcer pela vitória de Kamala Harris (Partido Democrata), adversária de Trump, nas eleições norte-americanas de 2024.

Enquanto a relação com os EUA é fria e distante, no caso da China, a situação é bem diferente. O petista foi à China duas vezes desde que tomou posse, em janeiro de 2023. O presidente chinês também já foi recebido pelo brasileiro no Palácio do Alvorada.

A pesquisa foi realizada pelo PoderData, empresa do grupo Poder360 Jornalismo, com recursos próprios. Os dados foram coletados de 26 a 28 de julho de 2025, por meio de ligações para celulares e telefones fixos. Foram 2.500 entrevistas em 182 municípios nas 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. O intervalo de confiança é de 95%.

Para chegar a 2.500 entrevistas que preencham proporcionalmente (conforme aparecem na sociedade) os grupos por sexo, idade, renda, escolaridade e localização geográfica, o PoderData faz dezenas de milhares de telefonemas. Muitas vezes, são mais de 100 mil ligações até que sejam encontrados os entrevistados que representem de forma fiel o conjunto da população.

ESTRATIFICAÇÃO

Poder360 estratifica os dados por recortes demográficos (sexo, idade, região, escolaridade e renda). Eis os resultados:

RELAÇÕES COMERCIAIS X VOTO EM 2022

PoderData cruzou as respostas dos eleitores da opinião sobre as relações comerciais do Brasil com a declaração de voto em 2022. A maioria tanto dos eleitores que afirmam ter votado no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (58%) quanto do eleitorado que declara ter votado no ex-presidente Jair Bolsonaro (61%) considera que o país deveria priorizar as relações com o país norte-americano.

Fonte: Poder 360

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Importação

Quais são os 10 produtos que o Brasil mais importa? Confira o ranking

Importações para o Brasil somaram US$ 135,78 bilhões no primeiro semestre deste ano, com destaque para a indústria de transformação, que chegou a S$ 125,66 bilhões

O grupo de itens que o Brasil mais importou de outros países no primeiro semestre deste ano foi o de óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos, seguido por adubos ou fertilizantes químicos e motores e máquinas não elétricos e suas partes.

As importações do País somaram US$ 135,78 bilhões no período, o que representa um crescimento de 8,3% em comparação com o mesmo intervalo do ano passado. Já as exportações tiveram uma queda de 0,7% e totalizaram US$ 165,87 bilhões, o que resultou em um superávit de US$ 30,09 bilhões na balança comercial. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Os dois setores que registraram crescimento nas importações nos primeiros seis meses de 2025 foram a agropecuária, que somou US$ 3,24 bilhões, com alta de 11,6%, e a indústria de transformação, que alcançou US$ 125,66 bilhões, com avanço de 10,9%. A indústria extrativa, no entanto, teve uma queda de 28,2% e chegou a US$ 6,01 bilhões.

Entre os itens mais importados para o Brasil na agropecuária, o cacau em bruto ou torrado foi o que registrou a maior alta no primeiro semestre deste ano, com crescimento de 314,2%. Por outro lado, os produtos hortícolas, frescos ou refrigerados tiveram redução de 16,8%.

Na indústria extrativa, o destaque positivo entre os itens mais comprados de outros países foram outros minerais em bruto, com alta de 1,31%. Já o gás natural, liquefeito ou não, teve uma retração de 35%.

A compra de motores e máquinas não elétricos e suas partes teve um crescimento de 31,1% na indústria da transformação, enquanto a importação de válvulas e tubos termiônicas (de cátodo frio ou foto-cátodo, diodos e transistores) caiu 17,7% nos primeiros seis meses deste ano em comparação com o mesmo período de 2024.

Quais os produtos que o Brasil mais importa?

Apesar de ter tido uma queda de 10,5% em relação aos números registrados no ano passado, os óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos lideram a lista das importações para o Brasil nos primeiros seis meses deste ano, somando US$ 6,98 bilhões. O segundo lugar é dos adubos ou fertilizantes químicos, que tiveram alta de 19,2% e somaram US$ 6,4 bilhões, seguidos pelos motores e máquinas não elétricos e suas partes, com crescimento de 31,1% e total de US$ 5,09 bilhões.

Veja o ranking dos 10 produtos que o Brasil mais importa

Os valores se referem ao primeiro semestre deste ano e o comparativo de alta ou redução está relacionado ao mesmo período no ano passado.

  1. Óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos) – US$ 6,98 bilhões, queda de 10,5%
  2. Adubos ou fertilizantes químicos (exceto fertilizantes brutos) – US$ 6,4 bilhões alta de 19,2%
  3. Motores e máquinas não elétricos e suas partes (exceto motores de pistão e geradores) – US$ 5,09, alta de 31,1%
  4. Partes e acessórios dos veículos automotivos – US$ 4,44 bilhões, alta de 16,2%
  5. Medicamentos e produtos farmacêuticos, exceto veterinários – US$ 4,34 bilhões, alta de 10,3%
  6. Veículos automóveis de passageiros – US$ 4,12 bilhões, queda de 17%
  7. Válvulas e tubos termiônicas (de cátodo frio ou foto-cátodo, diodos e transistores) – US$ 3,85 bilhões, queda de 17,7%
  8. Compostos organo-inorgânicos, compostos heterocíclicos, ácidos nucléicos e seus sais e sulfonamidas – US$ 3,71 bilhões, alta de 27,6%
  9. Outros medicamentos, incluindo veterinários – US$ 3,63 bilhões, alta de 22,5%
  10. Óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos crus – US$ 3,31 bilhões, queda de 30%

Fonte: Estadão

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Comércio Exterior

Sanções que Estados Unidos podem impor ao Brasil não se limitam ao tarifaço; entenda as medidas

Empresas brasileiras estão expostas a uma série de medidas unilaterais que governo norte-americano pode adotar sem qualquer aviso formal ou rito público

As sanções que o governo dos Estados Unidos pode impor ao Brasil em uma disputa comercial e política não se limitam ao tarifaço de 50% aos produtos brasileiros anunciados pelo presidente Donald Trump e podem ter um efeito ainda mais prejudicial para as empresas brasileiras.

O advogado José Andrés Lopes da Costa, mestre em Direito Tributário Internacional e Desenvolvimento pelo IBDT/SP e professor de Direito Tributário Internacional da FGV, afirmou que as empresas brasileiras estão expostas a uma série de medidas unilaterais que os Estados Unidos podem adotar sem qualquer aviso formal ou rito público, para além das barreiras alfandegárias.

Segundo ele, tanto o BIS (Bureau of Industry and Security) do Departamento de Comércio quanto a OFAC (Office of Foreign Assets Control) do Departamento do Tesouro são órgãos do governo dos Estados Unidos responsáveis por regulações profundas e muito menos discutidas, que operam por mecanismos técnicos, listas confidenciais e cláusulas em contratos de financiamento, tecnologia, transporte e seguro.

Essas sanções já foram aplicadas a países considerados “hostis” pelo governo dos Estados Unidos, como Rússia, Venezuela, Cuba e Irã.

“E o ponto central: essas regras valem também para empresas fora dos Estados Unidos, desde que elas usem dólar, tecnologia norte-americana ou bancos com correspondência nos Estados Unidos, o que, na prática, abrange quase todas as operações relevantes do comércio internacional”, disse.

Bloqueio de pagamentos e suspensão de contratos

Os efeitos concretos das medidas que podem ser determinadas por esses dois órgãos, disse Costa, são o bloqueio de pagamentos, a suspensão de contratos, a perda de acesso a fornecedores ou clientes, o aumento de custo de capital, e até multas administrativas de alto valor.

“E não há aviso formal dessas decisões. Muitas vezes, a empresa só descobre que está sob restrição quando o banco trava a operação ou quando um parceiro rompe o contrato por precaução”, afirmou.

Segundo Costa, a possibilidade de defesa legal das empresas contra essas decisões do governo dos Estados Unidos, na prática, não existe.

“Mesmo a OMC [Organização Mundial do Comércio] oferece pouca margem de reação e, ainda assim, com tramitação lenta e sem eficácia imediata. Não há contraditório, não há um devido processo legal, e os efeitos reputacionais e comerciais são imediatos”, disse.

Embraer e agronegócio podem ser afetados

Todo esse “poder de fogo” dos Estados Unidos em uma disputa comercial, afirmou Costa, enfraquece a tese de que o Brasil deveria acelerar a reorientação comercial em direção a mercados como China, Rússia, Índia ou Irã.

“Exportar para uma empresa estatal chinesa que conste de alguma lista restritiva do governo americano pode ser tão perigoso quanto exportar diretamente para o Irã. Realizar uma transação de carne bovina para um comprador russo pode ser inviabilizado se o financiamento passar por banco que opere sob jurisdição americana, o que, na prática, significa quase todos os grandes bancos do mundo. A operação não precisa ser ilícita. Basta que ela seja vista como arriscada. E o risco, nesse universo, é definido por Washington”, disse.

Como exemplo prático, Costa citou os potenciais efeitos negativos para a Embraer. A empresa brasileira utiliza motores, softwares e sistemas de navegação fabricados por companhias norte-americanas. Cada venda para mercados classificados como sensíveis, afirmou o especialista, exige não apenas o mapeamento de componentes, mas a solicitação formal de licenças, cuja concessão está sujeita a vetos unilaterais.

“Isso significa que o governo americano pode bloquear a exportação de um jato brasileiro a um país terceiro com base no simples fato de que parte de sua tecnologia é de origem americana. E pode fazê-lo sem anúncio, sem aviso e sem direito de resposta”, disse.

No agronegócio, afirmou o advogado, os riscos também não são desprezíveis. Segundo ele, a cadeia de exportação de grãos, carnes e fertilizantes depende de uma infraestrutura tecnológica que inclui desde softwares de rastreabilidade e sistemas de armazenamento até equipamentos agrícolas dotados de sensores que podem estar sujeitos a controle do governo dos Estados Unidos.

“Além disso, os contratos são lastreados em dólares, os pagamentos passam por bancos internacionais e os seguros marítimos são emitidos por grandes conglomerados ocidentais que seguem, rigorosamente, as diretrizes impostas pelas listas de sanção”, afirmou.

Fonte: Exame

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