Agronegócio

COFCO investe mais de R$ 2 bilhões para ampliar complexo de soja em Rondonópolis

A multinacional chinesa COFCO anunciou um investimento superior a R$ 2 bilhões para expandir sua unidade industrial em Rondonópolis, um dos principais polos do agronegócio brasileiro. O objetivo é transformar a planta no maior complexo de esmagamento de soja do Brasil.

A confirmação do projeto foi feita pela prefeitura do município, e a previsão é que as obras sejam concluídas no início de 2028.

Capacidade de processamento será ampliada

Atualmente, a unidade possui capacidade para processar cerca de 4,5 mil toneladas de soja por dia. Com a expansão, esse volume deve mais que dobrar, alcançando aproximadamente 10 mil toneladas diárias.

A planta é responsável pela produção de farelo de soja, óleo de soja e biodiesel, itens estratégicos tanto para o mercado interno quanto para exportação.

Logística integrada fortalece operação

A ampliação será realizada em uma área já pertencente à empresa, próxima a um terminal ferroviário. A localização é considerada estratégica para otimizar o escoamento da produção agrícola, reduzindo custos logísticos e aumentando a competitividade no mercado global.

Rondonópolis reforça posição no agronegócio

Conhecida como “Capital do Agro”, Rondonópolis se destaca como um dos principais centros de produção e industrialização de soja no país. O município possui a segunda maior economia do estado de Mato Grosso e desempenha papel relevante na cadeia logística do setor.

Apesar do protagonismo, o título oficial de “Capital Nacional do Agronegócio” é atribuído a Sorriso, reconhecida como a maior produtora de soja do Brasil.

Investimento reforça protagonismo do Brasil

O aporte da COFCO evidencia a importância do Brasil no cenário global de produção de soja e reforça o interesse de grandes players internacionais no desenvolvimento da cadeia agroindustrial do país.

FONTE: NSC Total
TEXTO: Redação
IMAGEM: Cofco

Ler Mais
Internacional

Guerra no Oriente Médio impulsiona preços da soja e do açúcar no Brasil

O conflito no Oriente Médio foi o principal fator por trás da alta de diversas commodities agrícolas em março. O aumento do preço do petróleo elevou o valor do óleo de soja em mais de 13% na Bolsa de Chicago, puxando junto os preços da soja. O aumento do petróleo também impactou o açúcar e o algodão na Bolsa de Nova York.

Quando o preço do petróleo sobe, a demanda por óleo de soja cresce, já que ele é usado na produção de biodiesel, uma alternativa renovável ao diesel fóssil. Segundo dados do Valor Data, a soja encerrou março em alta de 4,2%, com o contrato mais líquido atingindo US$ 11,85 por bushel.

Marcela Marini, analista sênior de grãos do Rabobank, explica que, sem o impacto geopolítico, os preços da soja poderiam ter caído, já que o Brasil colhe uma safra recorde e a demanda chinesa não cresce na mesma proporção.

Trigo registra maior valorização

O trigo foi a commodity que mais subiu em Chicago, com alta de 8,5% e preço médio de US$ 6,02 por bushel. Segundo Élcio Bento, analista da Safras & Mercado, a expectativa de redução da área plantada nos EUA foi determinante para o aumento.

Os produtores americanos devem plantar 17,6 milhões de hectares na safra 2026-27, a menor desde 1919. Em 2025, a área total foi de 18,33 milhões de hectares.

O conflito no Oriente Médio também afetou o trigo, após o grupo Houthi, do Iêmen, declarar apoio ao Irã e ameaçar interromper fluxos pelo Canal de Suez. “Isso aumenta os custos logísticos para trigo vindo da Europa, Rússia e Ucrânia, beneficiando outros produtores como Argentina, Austrália e EUA”, destacou Bento.

Milho e algodão também registram alta

O milho subiu 5,7% em Chicago, alcançando US$ 4,64 por bushel, impulsionado pela forte demanda americana e pelo uso crescente em biocombustíveis, conforme explica Marcela Marini.

O algodão acompanhou a tendência do petróleo, com alta de 6% em março, para 68,29 cents por libra-peso. O aumento no preço do petróleo eleva o custo de tecidos sintéticos, fortalecendo a demanda por fibras naturais, como o algodão.

Açúcar se beneficia de bioenergia

Em Nova York, o açúcar teve alta de 8,1%, cotado a 14,93 cents por libra. A valorização do petróleo aumenta a competitividade do etanol em relação à gasolina, incentivando usinas brasileiras a direcionarem mais cana para bioenergia, reduzindo a oferta global de açúcar.

Segundo Marcelo Filho, analista de mercado da StoneX, a consolidação do preço do petróleo acima de US$ 100 torna o etanol mais atrativo e pressiona o açúcar no mercado internacional.

Outras commodities

O suco de laranja congelado subiu 3,4%, para US$ 1,82 por libra, e o café arábica registrou alta de 1,2%, a US$ 2,94 por libra. Entre as commodities suaves, apenas o cacau caiu, recuando 9,9% para US$ 3,26 por tonelada, pressionado por oferta abundante e baixa demanda.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Be8

Ler Mais
Informação

Demanda por óleo de soja impulsiona esmagamento em Mato Grosso em 15%

O esmagamento de soja em Mato Grosso apresentou crescimento expressivo em fevereiro, alcançando 1,11 milhão de toneladas processadas pelas indústrias do estado. O volume representa alta de 3,93% em relação a fevereiro de 2025 e aumento de 15,36% frente à média dos últimos cinco anos, configurando um recorde histórico para o mês, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

O aumento é atribuído principalmente à forte demanda por óleo de soja, impulsionada pelo setor de biodiesel. Especialistas apontam que a procura deve se manter elevada caso haja ampliação da mistura obrigatória no diesel para B16.

Oferta de farelo de soja cresce e exportações batem recorde

O ritmo acelerado de processamento do grão também elevou a produção de farelo de soja, parte do qual foi direcionada ao mercado externo, diante da demanda interna enfraquecida. Em fevereiro, as exportações de farelo cresceram 20,13% em comparação ao mesmo período de 2025, estabelecendo novo recorde histórico para o mês.

Margem de esmagamento apresenta leve retração

Apesar do aumento no volume processado, a margem bruta de esmagamento registrou queda. Em fevereiro, o indicador fechou em R$ 671,07 por tonelada, recuo de 9,56% frente a janeiro, refletindo a baixa de 9,79% nas cotações do farelo no estado. Para março, o Imea projeta continuidade da redução, com média de R$ 650,44 por tonelada.

O cenário reforça a importância estratégica de Mato Grosso no mercado brasileiro de soja, tanto para produção de óleo quanto para exportações de farelo, impulsionando a economia local e atendendo à demanda internacional.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Ler Mais
Internacional

Biocombustíveis ganham importância estratégica para o Brasil em meio à guerra no Oriente Médio

A escalada do conflito no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, colocou novamente a segurança energética no centro das discussões globais. Nesse cenário, os biocombustíveis brasileiros passaram a assumir um papel mais amplo do que apenas o de alternativa sustentável.

Tradicionalmente associados à descarbonização e à agenda ambiental, etanol e biodiesel começam a ser vistos também como instrumentos estratégicos capazes de reduzir a vulnerabilidade do país a oscilações no mercado internacional de petróleo.

A mudança ocorre em um momento de forte instabilidade no setor energético global, impulsionada pela alta do petróleo Brent e pelos riscos de interrupção no fluxo de petróleo em áreas estratégicas, como o Estreito de Ormuz.

Dependência de combustíveis fósseis aumenta vulnerabilidade global

A elevação do preço do petróleo reacendeu um debate antigo: a dependência excessiva de combustíveis fósseis importados pode deixar economias mais expostas a crises internacionais.

Quando conflitos armados atingem regiões produtoras ou rotas logísticas relevantes, como ocorre atualmente no Oriente Médio, o impacto rapidamente se espalha pelo mercado global de energia, pressionando preços de combustíveis, fretes marítimos e cadeias de abastecimento.

Nesse contexto, países que possuem fontes internas de energia renovável conseguem reduzir parte dessa exposição.

Mistura obrigatória fortalece a matriz energética brasileira

O Brasil ocupa uma posição diferenciada nesse cenário por conta de sua política de mistura obrigatória de biocombustíveis nos combustíveis fósseis.

Desde agosto de 2025, a gasolina comum e aditivada passou a conter 30% de etanol anidro, enquanto o diesel é comercializado com 15% de biodiesel.

Essa estrutura regulatória não elimina os impactos de uma crise internacional, mas cria uma espécie de proteção parcial. Com maior participação de energia renovável produzida internamente, o país reduz a necessidade de importação de derivados de petróleo.

Etanol se destaca como amortecedor de preços

Entre os biocombustíveis, o etanol é o que mais aparece diretamente para o consumidor.

Dados recentes da Agência Nacional do Petróleo (ANP) indicam preços médios próximos de R$ 6,30 por litro para a gasolina, R$ 4,60 para o etanol hidratado e cerca de R$ 6,15 para o diesel S10.

Esses valores mostram que o etanol entra no atual cenário internacional em uma posição relativamente competitiva. Caso a pressão sobre o petróleo continue, o biocombustível pode ganhar ainda mais espaço, principalmente entre os veículos flex, funcionando como um mecanismo de amortecimento de preços.

Mistura na gasolina reforça autonomia energética

Além do preço nas bombas, o etanol possui um papel estrutural dentro da matriz energética brasileira.

A presença obrigatória do combustível na gasolina faz com que parte do consumo nacional seja automaticamente atendida por produção renovável doméstica.

Em períodos de estabilidade econômica, essa política é vista sobretudo como instrumento ambiental. Em momentos de crise internacional, porém, ela também passa a ser considerada uma ferramenta de resiliência econômica.

Quanto maior a proporção de etanol anidro na gasolina, menor é a necessidade de gasolina de origem fóssil para abastecer o mercado interno.

Biodiesel também tem papel estratégico na logística

No caso do biodiesel, o impacto é menos perceptível para o consumidor final, mas igualmente relevante para a economia.

O diesel é o principal combustível da logística brasileira, utilizado no transporte rodoviário de cargas, no agronegócio e em diversos setores produtivos.

Por isso, em um cenário de aumento dos preços internacionais do petróleo, cada ponto percentual de mistura obrigatória de biodiesel ajuda a reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados.

Biocombustíveis passam a integrar estratégia econômica

A atual crise energética global também altera a forma como os biocombustíveis são discutidos no debate político e econômico.

Em condições normais, etanol e biodiesel costumam aparecer ligados à transição energética e à redução de emissões de carbono. No contexto de tensões geopolíticas, porém, passam a ser vistos também como instrumentos de soberania energética.

Isso não significa que o Brasil esteja imune aos efeitos da volatilidade internacional. O país continua exposto às oscilações do preço do petróleo, do diesel e do frete global.

A diferença é que a presença consolidada dos biocombustíveis na matriz energética oferece mecanismos capazes de amenizar parte desses impactos.

Nova centralidade dos biocombustíveis na política energética

A crise atual tende a reorganizar as prioridades do debate energético no Brasil. A pauta ambiental continua relevante, mas deixa de ser o único fator de análise.

Com a instabilidade no mercado internacional de energia, etanol e biodiesel passam a ocupar um papel mais amplo: reduzir vulnerabilidades externas e fortalecer a autonomia energética brasileira.

Em um cenário global em que o petróleo voltou a carregar forte peso geopolítico, os biocombustíveis ganham status de componente estratégico da infraestrutura energética do país.

Ler Mais
Sustentabilidade

Alemanha aprova nova lei de biocombustíveis e mantém uso de alimentos e gorduras animais

A Alemanha deu um passo importante na política energética ao aprovar, no gabinete federal, uma nova lei de biocombustíveis. O texto garante a continuidade do uso de alimentos e gorduras animais como matérias-primas para a produção de biocombustíveis, segundo comunicado divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente. A decisão reverte planos da antiga coalizão de governo, que previa eliminar esse tipo de insumo.

A política alemã de redução de gases de efeito estufa inclui a mistura de biocombustíveis — como biodiesel e etanol — aos combustíveis fósseis, estratégia usada para diminuir as emissões no transporte rodoviário.

Pressão por metas ambientais e papel da indústria
As empresas petrolíferas precisam cumprir metas de redução de emissões e podem atender parte dessas exigências utilizando biodiesel, geralmente produzido a partir de óleo de canola ou óleos vegetais residuais, e etanol, derivado de grãos ou cana-de-açúcar.

Com a nova proposta, o governo confirma que esses insumos continuarão permitidos nos níveis atuais. A exceção fica por conta do óleo de palma, que deixará de ser contabilizado para redução de emissões a partir de 2027 devido às preocupações ambientais associadas à sua produção.

Alinhamento às regras europeias
O projeto também incorpora à legislação alemã a Diretiva de Energia Renovável da União Europeia, abrangendo os setores de transporte, eletricidade e aquecimento. O texto, que sofreu sucessivos adiamentos, foi finalmente publicado e agora seguirá para votação no Parlamento.

A nova lei também endurece regras sobre a chamada contagem dupla, mecanismo que permite creditar duas vezes determinados biocombustíveis avançados ou produzidos a partir de resíduos.

Impactos no mercado de oleaginosas
Para o setor, as mudanças devem trazer estabilidade. Comerciantes alemães de sementes oleaginosas afirmam que o projeto tende a sustentar os preços.

“Há um alívio geral pelo fato de que os ingredientes baseados em alimentos e rações continuarão a ser usados, enquanto o fim da dupla contagem também será positivo”, avaliou um operador do mercado de canola.

FONTE: Forbes
TEXTO: Redação
IMAGEM: Scharfsinn86/Getty Images

Ler Mais
Importação

Brasil avança para encerrar impasse sobre importação de biocombustíveis dos EUA

O governo brasileiro considera que as pendências envolvendo a importação de biocombustíveis dos Estados Unidos estão praticamente solucionadas. A avaliação foi feita pelo vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, que apontou avanços nas negociações, embora sem detalhar as medidas adotadas.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, as declarações de Alckmin se referem à flexibilização de regras do RenovaBio, política que estimula o uso de etanol, biodiesel e outros biocombustíveis para reduzir emissões e ampliar a descarbonização do setor de transportes.

Mudanças no RenovaBio reduzem pressão dos EUA
O governo norte-americano vinha classificando o RenovaBio como uma barreira não tarifária. No relatório anual de barreiras ao comércio, a gestão Donald Trump afirmou que as exigências brasileiras colocavam produtores dos EUA em desvantagem e pediu ajustes regulatórios.

Até junho, exportadores estrangeiros dependiam de um intermediário brasileiro para obter certificação e emitir créditos de descarbonização dentro do programa. Com a nova resolução da ANP, publicada em meados daquele mês, empresas internacionais passaram a poder se certificar diretamente. De acordo com o ministério, a mudança já equiparou as condições de participação dos exportadores norte-americanos no mercado brasileiro.

Negociações bilaterais incluem temas tecnológicos
Durante evento da Câmara Americana de Comércio (Amcham), Alckmin destacou que as discussões entre Brasil e Estados Unidos também envolvem outras questões não tarifárias, como regras para data centers, acesso a terras raras e demandas de grandes empresas de tecnologia. Ele afirmou ainda que o Brasil segue engajado no diálogo após Washington isentar mais de 200 produtos da tarifa adicional de 50% aplicada anteriormente.

No mesmo encontro, o diretor de política comercial do Itamaraty, Fernando Pimentel, disse que ainda não houve pedidos formais dos EUA no âmbito das negociações. O Brasil aguarda consultas previstas na investigação da Seção 301, aberta no início do ano para analisar políticas brasileiras relacionadas ao Pix, ao mercado de etanol, ao combate ao desmatamento ilegal e à proteção da propriedade intelectual.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Adriano Machado

Ler Mais
Exportação

Exportações de farelo de soja alcançam 15,3 milhões de toneladas até agosto

Demanda do biodiesel impulsiona o setor

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) informou, no Boletim Logístico de setembro, que a demanda por farelo de soja segue sustentada principalmente pelo setor de proteína animal e, em maior escala, pelo avanço da produção de biodiesel. Segundo a estatal, esse cenário contribuiu para melhorar a rentabilidade da indústria de esmagamento no país.

Produção e consumo interno

A Conab estima que a produção nacional de farelo de soja atinja 45,1 milhões de toneladas em 2025. Desse total, 23,6 milhões de toneladas devem ser destinadas à exportação, enquanto o consumo interno deve chegar a 19,5 milhões de toneladas.

Embora o crescimento em relação à safra anterior seja pequeno, o setor deve encerrar o ciclo com um estoque de passagem de 5,4 milhões de toneladas, o maior da série histórica acompanhada pela entidade.

Exportações estáveis no acumulado do ano

Entre janeiro e agosto de 2025, o Brasil exportou 15,3 milhões de toneladas de farelo de soja, volume próximo ao registrado no mesmo período de 2024, quando foram embarcadas 15,4 milhões de toneladas.

Portos e principais origens do produto

O porto de Santos segue na liderança do escoamento, com 43,5% da participação nacional, ainda que abaixo dos 45,2% registrados em 2024. Já Paranaguá ampliou sua fatia para 29,1% (ante 26,7% no ano passado), enquanto o porto do Rio Grande respondeu por 15,3% (contra 14,7%) e Salvador alcançou 7,8% (ante 6,9% em 2024).

As exportações tiveram origem principalmente nos estados de Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul e Goiás, grandes produtores de soja e responsáveis por sustentar a oferta ao mercado interno e externo.

FONTE: Agrolink
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

Ler Mais
Comércio

Novo aumento do percentual do biodiesel preocupa setor sobre durabilidade de caminhões

O Governo brasileiro determinou o aumento no percentual da mistura de biodiesel ao diesel, e o que antes era 14% passou a ser 15% (B15). A medida, aceita pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), entrou em vigor no dia 1° de agosto e as justificativas apresentadas pelo poder brasileiro para essa ação são econômicas e de sustentabilidade. No sentido econômico, as tensões no Oriente Médio desestabilizam o preço do petróleo, o que ocasionalmente provocaria um aumento para a compra de combustíveis para o Brasil. E o motivo ambiental seria que, segundo o Governo, a maior porcentagem de biodiesel ao diesel diminuiria a emissão de poluentes ao meio ambiente. Nesse sentido, o ponto de vista da Federação é que a alta de biocombustíveis gerados no país diminuiria as instabilidades provocadas externamente e aumentaria a sustentabilidade apoiando a indústria nacional.

Em uma nota divulgada em junho deste ano, a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) expressou preocupação com esse aumento. Ainda em nota, a entidade apontou a reclamação das empresas de transporte e os impactos negativos comprovados, além de apresentar um estudo técnico realizado pela própria NTC&Logística. De acordo com a inspeção, o prazo para troca de filtros de combustível foi encurtado, o que motivou em um aumento de 7% em gastos de manutenção por veículo, resultando impacto de 0,5% no custo integral das operações.

Essa alteração vem acompanhada de discordâncias por parte dos transportadores, uma vez que eles levam em consideração principalmente o bem estar das frotas e pensam em gastos futuros com manutenções em caso de falhas e danos aos caminhões. Alguns apontam a necessidade de considerar outras consequências do que apenas se adaptar a essa medida, é preciso planejamentos e estratégias para implementar e investir.

Para Marcel Zorzin, CEO da Zorzin Logística e presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga do ABC (SETRANS), essa ação adotada pelo Governo é compreensível, porém, é preciso precaução antes de tomar decisões, principalmente se elas estão ligadas a questões financeiras ou se irá afetar as demandas e os custos de setores importantes para a economia do país.

“Essa medida precisa ser avaliada com cautela. Entendemos a intenção do Governo em reduzir a dependência de importações e buscar maior estabilidade nos preços internos, especialmente diante das incertezas internacionais. No entanto, qualquer alteração no percentual de mistura exige atenção quanto à sua aplicabilidade no transporte rodoviário de cargas. Na nossa realidade, mudanças como essa impactam diretamente a operação, especialmente no que se refere à manutenção dos veículos e ao desempenho dos motores”, analisa o CEO.

O Transporte Rodoviário de Cargas enfrenta alguns desafios para manter sempre a regularidade. Dessa forma, aplicar mudanças de forma direta sem nenhuma adaptação pode gerar transtornos que avancem os limites financeiros e, consequentemente, tragam prejuízos ao fluxo de caixa das empresas. De acordo com o CEO da Zorzin Logística, esse aumento do biodiesel ao diesel pode, sim, ser prejudicial para os veículos, além de abrir margens para custos adicionais de manutenções e outras necessidades.

“Há riscos técnicos que precisam ser considerados. O aumento do teor de biodiesel, por exemplo, pode causar problemas como entupimentos em filtros, aumento da oxidação e maior formação de borras nos sistemas de injeção, especialmente em veículos mais antigos. Isso, inevitavelmente, leva a mais manutenções preventivas e corretivas, o que impacta tanto o custo quanto a disponibilidade da frota. Em muitos casos, as transportadoras — como é o caso da Zorzin Logística — já têm recorrido ao uso de bactericidas nos tanques de combustíveis dos caminhões para evitar a contaminação por combustíveis inapropriados. Por isso, é fundamental que o setor seja ouvido e que haja acompanhamento técnico contínuo dessas implementações”, afirma Marcel Zorzin.

Com essa modificação, muitas empresas se preparam para reestruturar suas frotas e acompanhar de perto o desempenho dos veículos, como é o caso da Zorzin Logística. “Na Zorzin, sempre buscamos estar um passo à frente. Estamos reforçando o acompanhamento técnico junto aos fabricantes, promovendo treinamentos com as equipes de manutenção e revisando os protocolos internos de monitoramento do desempenho dos combustíveis. Também intensificamos as análises de qualidade dos combustíveis adquiridos e o controle dos intervalos de manutenção, principalmente dos sistemas de filtragem e injeção”, conclui o presidente da SETRANS.

Fonte: Blog do Caminhoneiro

Ler Mais
Agronegócio, Comércio Exterior, Exportação, Industria, Notícias, Sustentabilidade

Abiove Prevê Que Brasil Vai Exportar Mais Biodiesel em 2025

O Brasil vai colher 0,5% menos soja em 2025 do que o esperado até o mês passado, mas a safra ainda será recorde em 170,9 milhões de toneladas, estimou nesta quarta-feira (19) a Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais) em sua revisão mensal.

Isso representa um crescimento de 16,5 milhões de toneladas na comparação com o ciclo anterior, principalmente com a recuperação das produtividades na maioria das regiões após uma safra frustrada no ano passado.

A Abiove, por sua vez, elevou em 0,6% sua estimativa para a safra 2024 do Brasil para 154,39 milhões de toneladas, após uma consolidação dos números do ano passado, marcado por um recorde na exportação de farelo de soja.

Apesar de uma reavaliação no processamento de soja em 2024, ainda sobrou mais soja do que o previsto, o que resultou em aumento de 1 milhão de toneladas nos estoques iniciais do grão em 2025, para 4,14 milhões de toneladas.

Os estoques finais de 2025 também foram ampliados em 1,6% ante o levantamento do mês passado, para 9,1 milhões de toneladas, após a Abiove manter as estimativas de exportação e processamento de soja do Brasil em patamares recordes, de 106,1 milhões e 57,5 milhões de toneladas, respectivamente.

Fator biodiesel
As estimativas de produção, o consumo interno e a exportação de farelo de soja também não foram alteradas em relação ao mês passado.

Mas a Abiove elevou a previsão de exportação de óleo de soja em 27,3% em relação à estimativa de fevereiro, para 1,4 milhão de toneladas, após o governo brasileiro decidir pela manutenção da mistura de biodiesel no diesel em 14%.

A expectativa era de um aumento na mistura para 15% a partir de março, algo que não aconteceu com o governo citando preocupações inflacionárias relativas aos preços dos alimentos — o óleo de soja é a principal matéria-prima do biodiesel, respondendo por cerca de 74% do total em 2024.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse ao fazer o anúncio em fevereiro que a mistura será mantida em 14% até o governo ver resultados nos preços dos alimentos, tema que tem afetado a popularidade do presidente Lula.

Se elevou a previsão de exportação, a Abiove cortou em 3,8% a estimativa de consumo de óleo de soja no Brasil em 2025, para 10,1 milhões de toneladas.

Em 2024, segundo dados da agência reguladora ANP, mais de 7 bilhões de litros de óleo de soja foram destinados à produção de biodiesel.

Fonte: Forbes
Abiove Prevê Que Brasil Vai Exportar Mais Biodiesel em 2025

Ler Mais
Agronegócio, Economia, Gestão, Industria, Informação, Negócios

Biodiesel tem menor preço em quase 5 meses no Brasil com pressão do mercado de óleo de soja

Os preços do biodiesel no mercado brasileiro cederam quase 7% no acumulado do ano até o início de março, segundo dados da agência reguladora ANP, e têm possibilidade de cair mais, considerando a entrada da safra recorde de soja e a queda das cotações internacionais do óleo de soja, principal matéria-prima do biocombustível.

Especialistas no mercado também citam a própria manutenção da mistura de 14% no biodiesel no diesel no Brasil, que deveria ter subido para 15% a partir do início de março –algo que não aconteceu por preocupações inflacionárias, conforme decisão do governo brasileiro.

Com o recuo nos preços do biodiesel para 5,797 reais por litro na média do país, de acordo com levantamento da ANP divulgado nesta semana, o biocombustível passou ao menor nível desde o final de outubro de 2024, após ter oscilado no ano passado nos maiores patamares em quase três anos.

“Temos visto essas correções nos preços do óleo de soja, já demonstrado uma queda pela postergação da mistura (de biodiesel). Obviamente, menor demanda de biodiesel significa menor demanda por óleo”, disse o analista de inteligência de mercado da StoneX Leonardo Rossetti.

Nos cálculos da consultoria, o óleo de soja responde por entre 82% e 85% da matéria-prima do biodiesel, considerando também uma parcela incluída em “outros materiais graxos” em dados compilados da ANP.

Na avaliação de Rossetti, apesar da mistura menor, deve haver algum crescimento da demanda por biodiesel no país pelo aumento do mercado de diesel, “mas muito menor” do que as expectativas iniciais.

Mas a safra recorde no Brasil, com produção próxima de 170 milhões de toneladas, o que significaria um aumento de cerca de 10% ante a temporada passada, um processamento de soja também recorde no país e uma queda na bolsa de Chicago –por incertezas sobre a demanda nos EUA — trazem uma perspectiva de alívio de custos.

“Visto este cenário e preços internacionais em queda, existe espaço para o óleo ceder um pouco e o biodiesel seguir”, disse o especialista da StoneX.

Desde o pico do ano, o preço do óleo de soja na bolsa de contratos futuros de Chicago recuou mais de 10%, para 42,60 centavos de dólar por libra-peso.

A conjuntura pode beneficiar empresas como Oleoplan, Be8, Potencial, Olfar, JBS e Três Tentos, que juntos representaram cerca de 50% das vendas totais de biocombustível em 2024, conforme dados de relatório da Moody’s divulgado nesta quinta-feira.

A agência ressaltou ainda a importância da mistura obrigatória para o crescimento da produção de biodiesel no Brasil, que mais do que dobrou desde 2017 para 9,1 bilhões de litros em 2024.

CHANCE PARA A MISTURA MAIOR?

Uma queda no preço do petróleo e do dólar em relação ao real também são fatores que colaboram para pressionar os combustíveis, o que na visão do sócio-diretor da Raion Consultoria, Eduardo Oliveira de Melo, poderia ser uma conjuntura favorável para um corte do preço do diesel, pela Petrobras, e a retomada pelo governo dos planos da mistura de 15%.

“Alterando de B14 para B15, nos atuais custos, traria um impacto de 2 centavos, média Brasil, sobre o preço do diesel B (com a mistura de biodiesel). É claro que a gente tem que entender que não é um impacto muito significativo”, disse Melo, lembrando que o diesel fóssil é mais barato que o biocombustível. Mas ele avalia que o governo poderia também aproveitar esse momento.

“Caso… quisesse amenizar (o impacto de um eventual aumento da mistura para B15), seria uma excelente oportunidade, de repente, fazer um corte no diesel A, porque as referências internacionais, ainda mais com a apreciação do câmbio, favorecem para esse movimento. E é uma redução que já é esperada. A gente tem aí uma expectativa que aconteça, não sabemos quando”, afirmou.

Na avaliação da Raion, haveria espaço para o diesel da Petrobras ser reduzido em 40 centavos de real por litro nas refinarias, após a Petrobras ter aumentado o preço do combustível em mais de 6% ao final de janeiro e o petróleo Brent ter recuado cerca de 6% desde então.

“Então, o que o governo poderia fazer? Poderia, de repente, utilizar isso como oportunidade para poder fazer um corte do diesel A, concomitante à entrada do B15, porque aí ele poderia amenizar esse impacto ainda que ele não fosse tão relevante”, argumentou.

Uma fonte do governo que acompanha o setor avalia que o raciocínio faz sentido. “Se a tendência se mostrar de queda (do biodiesel), melhora bastante a situação deles (dos produtores)”, afirmou, na condição de anonimato.

Melo defendeu ainda que o Brasil deveria regulamentar a importação de biodiesel para “criar um ambiente mais competitivo no mercado, traduzindo em menores custos do biocombustível para o consumidor”. Ele lembrou que várias entidades do mercado já se posicionaram a favor de possível regulamentação.

(Por Roberto Samora e Marta Nogueira)

FONTE: Reuters
Biodiesel tem menor preço em quase 5 meses no Brasil com pressão do mercado de óleo de soja

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook