Sustentabilidade

China acelera armazenamento de energia renovável com mega reservatórios

A China energia renovável avança em ritmo acelerado e já superou metas estabelecidas para o setor. O país atingiu, ainda em julho de 2024, a marca de 1.200 GW de capacidade instalada em energia eólica e solar, seis anos antes do previsto.

Até o fim de 2025, esse número ultrapassou 1.840 GW, representando 47,3% da capacidade elétrica total. Pela primeira vez, essas fontes limpas superaram os combustíveis fósseis, como carvão e gás, na matriz energética chinesa.

Desafio agora é armazenar energia em larga escala

Com a expansão rápida das renováveis, surge um novo desafio: garantir a estabilidade do sistema elétrico. Como a geração de energia solar e eólica é intermitente, o país precisa investir em armazenamento de energia e em redes inteligentes capazes de equilibrar oferta e demanda.

Para lidar com essa questão, o governo chinês transformou o armazenamento em prioridade estratégica, apostando em diferentes tecnologias.

Hidrelétricas reversíveis lideram estratégia

A principal aposta da China está no armazenamento hidrelétrico por bombeamento, tecnologia que utiliza reservatórios em diferentes altitudes para armazenar energia.

O funcionamento é simples: o excedente de eletricidade é usado para bombear água para um reservatório superior. Quando há necessidade de energia, a água retorna ao nível inferior, acionando turbinas e gerando eletricidade.

Esse modelo, considerado um dos mais eficientes para armazenamento de energia em larga escala, se beneficia da geografia montanhosa do país.

Atualmente, a China concentra mais projetos desse tipo do que o restante do mundo somado e pretende ampliar significativamente sua capacidade nos próximos anos.

Meta ambiciosa prevê expansão acelerada

O plano chinês prevê adicionar cerca de 100 GW de capacidade em usinas de bombeamento nos próximos cinco anos. Hoje, o país já conta com aproximadamente 59 GW nessa modalidade.

Caso a meta seja atingida, o sistema hidrelétrico reversível deve se consolidar como a principal solução para armazenamento de longa duração no país.

Baterias também avançam em ritmo acelerado

Paralelamente, a China também investe fortemente em armazenamento com baterias. Em 2025, a capacidade instalada cresceu 75% em relação ao ano anterior.

Ao final do mesmo ano, o país alcançou 136 GW nesse tipo de tecnologia — um volume 40 vezes maior do que o previsto em planos anteriores.

As baterias de íon-lítio lideram o mercado, mas há esforços para diversificar soluções, incluindo pesquisas com baterias de íon-sódio, sistemas de ar comprimido, volantes de inércia e armazenamento gravitacional.

Transição energética ganha escala global

O avanço chinês reforça o papel do país na transição energética global, especialmente ao combinar expansão de fontes limpas com soluções robustas de armazenamento.

Essa estratégia é vista como essencial para garantir segurança energética e reduzir a dependência de combustíveis fósseis, ao mesmo tempo em que sustenta o crescimento econômico.

FONTE: Xataka
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Xataka

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Tecnologia

China avança em segurança no transporte aéreo de baterias de lítio com nova tecnologia ativa

A China realizou, em 25 de novembro, o primeiro voo de carga equipado com um sistema inteligente de segurança para baterias de lítio, marcando um passo significativo na tentativa de tornar o transporte aéreo desses produtos mais seguro e eficiente. A aeronave da SF Express partiu do Aeroporto Internacional de Huahu, em Ezhou, na província de Hubei, considerado o primeiro terminal do país dedicado exclusivamente à carga aérea.

A operação coincidiu com um seminário sobre logística de baterias, que reuniu especialistas e empresas para debater desafios do setor e soluções para cadeias de suprimentos de alta complexidade.

Crescimento acelerado da indústria de baterias

A China, hoje o maior produtor global de baterias, registrou mais de 1,2 trilhão de yuans em produção em 2024. O transporte aéreo desses materiais também disparou: foram movimentadas 645 mil toneladas, um aumento de 21,26% em relação ao ano anterior. Apesar do crescimento, os riscos de combustão e explosão ainda obrigam a classificação das baterias como carga de alto risco, o que limita a eficiência logística e aumenta custos operacionais.

Projeto nacional foca em soluções de segurança ativa

Para enfrentar esses gargalos, o desenvolvimento do novo sistema foi incluído entre as iniciativas prioritárias de pesquisa do 14º Plano Quinquenal (2021-2025). O projeto é liderado pela Universidade Jiaotong de Chongqing, em parceria com a CATL e a Academia Chinesa de Ciência e Tecnologia da Aviação Civil.

Segundo Wu Jinzhong, líder da pesquisa, a equipe conseguiu superar três grandes desafios: a falta de clareza sobre mecanismos de fuga térmica, falhas de materiais e estruturas e a ausência de tecnologias precisas de teste. A resposta foi a criação de um sistema de proteção para toda a cadeia logística, baseado em monitoramento inteligente.

Monitoramento em tempo real com inteligência artificial

A nova tecnologia usa algoritmos de IA para acompanhar, em tempo real, 12 indicadores críticos, incluindo temperatura e emissão de gases. O sistema pode emitir alertas em milissegundos e acionar automaticamente medidas de contenção, impedindo que a fuga térmica se amplie — uma evolução significativa em relação aos métodos tradicionais, considerados de segurança passiva.

Transição do laboratório para a aplicação industrial

O voo inaugural comprovou a viabilidade da solução e sinalizou o início da sua aplicação em escala industrial. Wu afirma que a tecnologia será disseminada nacionalmente, fortalecendo a padronização da cadeia de suprimentos de baterias de energia e ampliando a segurança em toda a logística aérea.

FONTE: Diário do Povo Online
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Xiao Yijiu/Xinhua

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Exportação

China anuncia controle de exportação de terras-raras e baterias

Novas regras para exportação entram em vigor em novembro

O Ministério do Comércio da China e a Administração Geral das Alfândegas anunciaram nesta quinta-feira medidas que restringem a exportação de terras-raras, baterias de lítio e materiais superduros.

A partir de 8 de novembro, itens como matérias-primas de terras-raras médias e pesadas, incluindo o hólmio, baterias de lítio e materiais de ânodo de grafite sintética, só poderão ser exportados mediante aprovação oficial do governo chinês.

Impacto nas negociações internacionais

O anúncio aumenta a tensão sobre o comércio entre China e Estados Unidos, já que a exportação de terras-raras e ímãs é um dos pontos mais sensíveis discutidos pelo presidente norte-americano, Donald Trump.

O Ministério do Comércio chinês reforçou que está aberto ao diálogo bilateral para promover o comércio em conformidade, mantendo canais de comunicação sobre políticas e práticas de controle de exportação.

Justificativa do governo chinês

Segundo autoridades, as restrições se aplicam a itens de uso dual, ou seja, produtos que podem ter aplicação tanto civil quanto militar. A China afirma que as medidas estão em conformidade com leis internacionais e visam proteger a segurança nacional e cumprir compromissos globais de não proliferação.

O governo também garantiu que as medidas não têm como alvo nenhum país específico e que pedidos de exportação legais e conformes serão aprovados após análise.

Repercussão no mercado global

Especialistas alertam para o impacto das restrições na cadeia global de suprimentos. Ellie Saklatvala, da consultoria Argus, destaca:

“A expansão do controle de exportação da China para elementos de terras-raras pesadas aumenta significativamente o risco de perturbações industriais em todo o mundo. Não há produção comercial fora da China para a maioria desses elementos, e já observamos uma corrida por materiais adicionais fora do país.”

O óxido de érbio, por exemplo, já apresentava dificuldades de fornecimento antes do anúncio oficial, com embarques retidos em portos chineses e aumento de preços na Europa para cerca de US$ 50/kg. Com a inclusão oficial do érbio nas restrições, espera-se restrição ainda maior da oferta e possível alta de preços globalmente.

Rigor na fiscalização e desafios futuros

Embora a China já controlasse tecnologias relacionadas às terras-raras, a medida recente enquadra esses itens como de “uso dual”, o que indica aplicação mais rigorosa.

Ainda não está definido como o governo rastreará a exportação de produtos contendo terras-raras por entidades estrangeiras, mas fornecedores fora da China deverão se adaptar às novas regras para não comprometer relações comerciais com o país.

FONTE: Monitor Mercantil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Xinhua/Yang Shiyao

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